SkyscraperCity banner
1 - 7 of 7 Posts

·
Registered
Joined
·
7,018 Posts
Discussion Starter · #1 ·
Copenhague e a meta de ser a primeira capital ‘carbono neutro’
Objetivo é anular as emissões de CO2. Planejamento urbano é um dos segredos


Vinicius Neder
Publicado: 2/06/12 - 20h36
Atualizado: 2/06/12 - 20h36


Ciclistas usam as bicicletas em Copenhague como meio de transporte e não apenas para o lazer.
Foto: Photononspot / Calle Montes


COPENHAGUE - As cidades são hoje a melhor tradução da época em que vivemos. Ao mesmo tempo sorvedouro de uma civilização ansiosa, apressada e consumista, as cidades experimentam hoje crescimento descontrolado, atingindo a saúde de todos e desequilibrando ainda mais o já frágil equilíbrio ambiental do planeta. Elas são, portanto, a expressão do desafio que o mundo enfrenta.

O assunto estará na pauta da Rio+20. O GLOBO começa neste domingo a série “Cidades Sustentáveis”, que inicia com Copenhague (na Dinamarca), seguida de Estocolmo (na Suécia). Ambas lideram, na Europa, o Índice de Cidades Verdes, da Economist Intelligence Unit (EIU), e receberam nota máxima no quesito governança ambiental. Na América do Sul, a líder é Curitiba e, nos Estados Unidos, São Francisco.

A capital da Dinamarca quer ser a primeira capital neutra em emissões de carbono no mundo. O objetivo está fixado para 2025, mas o Plano para o Clima de Copenhague, aprovado em 2009, prevê já para 2015 a redução de 20% nas emissões em relação a 2005.

O desafio é grande, pois, segundo o relatório do Índice Europeu de Cidades Verdes, da Economist Intelligence Unit, no qual a cidade teve o melhor desempenho, as emissões estão em 5,38 toneladas per capita. A meta soa ainda mais ousada quando se lê num prospecto da prefeitura a previsão de um aumento de 100 mil pessoas na população, também até 2025.

Em termos do sistema de calefação, o foco é fazer uma transição para combustíveis renováveis. Copenhague ainda usa gás natural (32% do total), carvão (20%) e diesel (9%). Combustíveis renováveis, incluindo lixo orgânico, respondem pelo restante, mas passaram de 8% de participação, em 2009, para 32%, em 2010. Com isso, as emissões de carbono relacionadas à calefação caíram 16% de 2005 a 2010, segundo a prefeitura.

— O fato de 98% das casas em Copenhague estarem conectadas ao sistema torna mais fácil garantir novas soluções sustentáveis — disse Anne Skovbro, diretora do Conselho Executivo da Prefeitura de Copenhague, ao GLOBO.

O caminho do crescimento sustentável passa também pelo planejamento urbano. Seis bairros estão sendo desenvolvidos em áreas degradadas de porto ou antigos distritos industriais — apesar da crise internacional, que atingiu em cheio o mercado imobiliário dinamarquês.

Um dos projetos anunciados como sustentáveis é Nordvahnen, empreendimento iniciado neste ano e previsto para estar pronto em 2050. Serão 4 milhões de metros quadrados de área construída, numa antiga região portuária no norte da cidade, com potencial para receber 45 mil moradores e oferecer 50 mil postos de trabalho em escritórios.

O bairro terá padrões mais rígidos que o resto da cidade. A eficiência energética dos edifícios é um exemplo, segundo a By & Havn, companhia estatal que toca o empreendimento. Pela regras atuais, novos edifícios residenciais não podem gastar acima de 52,5 kWh anuais por metro quadrado e prédios comerciais têm 71,3 kWh anuais por metro quadrado como limite — um adicional de 1.650 kWh dividido pela área total. As exigências para Nordvahnen já começam mais rígidas: 30 kWh/m2 (residências) e 41 kWh/m2 (escritórios), com adicional de 1.000 kWh.

Além disso, enquanto o esgoto será direcionado para o tratamento central, a água da chuva terá destino no próprio bairro. Todos os telhados terão que ser “verdes”, capazes de absorver de 50% a 80% da água pluvial. Novos sistemas de fornecimento de energia também serão desenvolvidos.

A By & Havn também é responsável pelo desenvolvimento de Orestad, o maior dos seis empreendimentos em construção, iniciado em 1999, que também terá exigências mais rígidas para a eficência energética dos prédios a partir de 2015. Hoje, 7,5 mil pessoas moram, 12 mil trabalham e 16 mil estudam no bairro. Segundo a By & Havn, metade dos terrenos já foi vendida e a previsão é completar o empreendimento até 2030, quando o número de moradores deverá chegar a 20 mil e os postos de trabalho, a 80 mil.

À primeira vista, quem anda por Orestad lembra da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes. Avenidas largas, shopping center e edifícios comerciais de arquitetura futurista, somados a alguns terrenos em construção são as semelhanças — com exceção do metrô, construído em primeiro lugar.

De perto, porém, o movimento de carros, superior ao visto no Centro de Copenhague, não parece gerar engarrafamentos. A avenida larga é ladeada por ciclovias, sempre movimentadas. Cada uma das seis estações de metrô ao longo de Orestad possui estacionamentos de bicicletas, sempre lotados por moradores que pedalam até pegar o transporte público.

Louize Christensen, que estuda para ser cabeleireira e mora há um ano num apartamento alugado em Orestad, com o marido e os dois filhos, elogia a qualidade de vida do bairro. Ela usa o metrô para ir ao Centro e destaca as áreas verdes de lazer entre os edifícios residenciais como uma das vantagens.

— Viver aqui é muito bom, especialmente para famílias, pois há muito espaço para brincar — disse Louize ao GLOBO, enquanto passeava com o cachorro numa tarde ensolarada.

Para o economista e morador de Copenhague Allan Andersen, há uma consciência pública generalizada de que iniciativas sustentáveis são boas, mas, no plano individual, as pessoas ainda tendem a escolher os produtos mais baratos. Andersen morou cerca de oito meses no Brasil, entre Campinas (SP) e Rio, de 2008 a 2010, para trabalhar em sua pesquisa de doutorado. Comparando brasileiros e dinamarqueses, o economista considera que falta um apoio maior à sustentabilidade no Brasil — para ele, talvez isso tenha a ver com as desigualdades sociais. No cotidiano entre Rio e Copenhague, a diferença mais gritante é a infraestrutura para bicicletas.

— Em Copenhague, há vantagens em usar a bicicleta: é mais rápido, mais fácil, mais saudável. No Rio, claramente o ciclismo é visto como hobby e não como meio de transporte — afirmou Andersen.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio20/copen...-capital-carbono-neutro-5105873#ixzz1wjlOJh4m
© 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.
 

·
Registered
Joined
·
5,893 Posts
No cotidiano entre Rio e Copenhague, a diferença mais gritante é a infraestrutura para bicicletas.

— Em Copenhague, há vantagens em usar a bicicleta: é mais rápido, mais fácil, mais saudável. No Rio, claramente o ciclismo é visto como hobby e não como meio de transporte — afirmou Andersen.



Não é só questão de hobby.
Andar de bicicleta com sol a pino na cachola todos os dias não dá. Andar no frio é mole( é até melhor). Fora que infraestrutura de ciclovias no Brasil é precária. E mesmo que tivesse, dificilmente se tornaria uma tendencia por aqui. Não me vejo indo de bicicleta para o trabalhao. Não teria paciencia. prefiro nos fins de semanas mesmo
 

·
Registered
Joined
·
7,018 Posts
Discussion Starter · #3 ·
Também acho que a questão do clima é um fator preponderante. Se as ciclovias fossem cobertas e climatizadas...
 

·
Registered
Joined
·
7,018 Posts
Discussion Starter · #6 ·
:lol::lol::rofl::rofl::rofl:

A primeira impressão foi que o suburbanist tinha escrito isso. Que surpresa quando vi que não foi.
^^
Você foi mais rápido que eu :rofl:
Eu sei que é viagem... :lol:

Certo que é as ciclovias devem ser ampliadas cada vez mais e o uso da bicicleta como meio de transporte incentivado. O Rio, aliás, chegou ao mais elevado índice de mobilidade urbana sustentável* dentre as capitais brasileiras em razão, dentre outros fatores, dessa política, mas não há como negar que o clima é um fator limitador.

* Eis a matéria:

Estudo Mobilize 2011: Rio de Janeiro e Curitiba estão na frente
Trabalho realizado pela equipe do Mobilize Brasil avaliou a mobilidade urbana em nove capitais brasileiras
Autor: Mobilize Brasil | Postado em: 04 de novembro de 2011


créditos: Mobilize Brasil

Rio de Janeiro e Curitiba são as capitais brasileiras com melhores indicadores de mobilidade urbana sustentável. É o que mostra o Estudo Mobilize 2011, realizado pela equipe de jornalistas do Mobilize Brasil a partir de informações de órgãos governamentais, institutos de pesquisa, universidades e entidades independentes.

O Rio ficou com a nota 7,9 numa escala de zero a dez, especialmente pelo expressivo uso de transporte coletivo na cidade (em torno de 65% das viagens) e também em função do recente programa de implantação de ciclovias, que já soma 240 km de vias para bicicletas. Segunda colocada, a capital paranaense ganhou nota 7, especialmente pela acessibilidade quase universal em seu transporte coletivo.

As piores notas foram obtidas pelas cidades de São Paulo e Cuiabá, principalmente em função do uso excessivo de automóveis e motocicletas na locomoção urbana nessas capitais. Brasília, terceira colocada no ranking, ficou com a nota 5,1, enquanto Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre e Natal ficaram com notas entre 3 e 4.

A ideia foi comparar o desempenho das capitais brasileiras e por isso a escala de pontuação tomou como parâmetro as próprias cidades e não referências internacionais de sustentabilidade em mobilidade urbana, explica o economista e jornalista Thiago Guimarães, consultor editorial do Mobilize, que coordenou o estudo.

O Estudo Mobilize 2011 procurou inicialmente avaliar treze capitais brasileiras, incluindo Goiânia, Fortaleza, Manaus e Recife, mas a carência de dados resultou na exclusão das cidades. Também previa avaliação de outros indicadores da mobilidade urbana sustentável, que não puderam ser levantados em todas as localidades, como a quantidade de CO2 emitido pela frota, viagens feitas por modos não motorizados, calçadas com acessibilidade.

A maior dificuldade para a realização do estudo foi localizar fontes confiáveis de informação, já que na maior parte das cidades os números estavam dispersos por vários gabinetes, em secretarias e departamentos, ou simplesmente não existiam. Por exemplo, algumas grandes cidades brasileiras ainda desconhecem a extensão total de suas vias públicas, e raras delas sabem quantos quilômetros de calçadas são acessíveis a deficientes.

Ao final, foram considerados cinco indicadores:

- Extensão de vias adequadas ao trânsito de bicicletas em relação à extensão do sistema viário;

- Razão entre a renda média mensal e a tarifa simples de ônibus urbano;

- Razão entre o número de viagens por modos individuais motorizados de transporte e o número total de viagens;

- Porcentagem de ônibus municipais acessíveis a pessoas com deficiência física;

- Mortos em acidentes de trânsito (por 100.000 habitantes) por ano.


Mobilidade sustentável


Mobilidade urbana sustentável é integração inteligente de vários modos de transporte urbano, com a maior eficiência e conforto possível para os passageiros, com o menor impacto ambiental para os espaços urbanos, explica Ricky Ribeiro, diretor executivo do Mobilize Brasil, um jovem administrador público que hoje luta contra uma doença que lhe roubou os movimentos e até a voz.

"O planejamento de transportes e a política urbana devem permitir que os cidadãos consigam chegar ao local de trabalho, ao mercado, ao teatro etc., sem que necessariamente realizem um grande número de deslocamentos por meios motorizados", argumenta Thiago Guimarães. O Mobilize Brasil pretende repetir o estudo anualmente, de forma a acompanhar a evolução dos investimentos em transporte público nas cidades brasileiras nos próximos anos.

Fonte: http://www.mobilize.org.br/noticias/715/estudo-mobilize-2011-rio-de-janeiro-e-curitiba-estao-na-frente.html
 

·
Banned
Pátria amada, Bahia!
Joined
·
13,370 Posts
^^
Se essa pesquisa fosse séria, salvador estaria em ultimo...
 
1 - 7 of 7 Posts
Top