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"Espiões" atuam na cracolândia há 4 meses

Kassab pôs nas ruas do centro de SP equipes à paisana que acompanham, com máquinas fotográficas, os usuários de drogas

Objetivo é monitorar eventual alta ou diminuição de pessoas na rua, identificar traficantes e traçar um perfil dos usuários de drogas



Usuários de drogas na região da cracolândia, onde uma nova operação une ação policial a ajuda médica a dependentes químicos


CONRADO CORSALETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Há pelo menos quatro meses, a gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pôs nas ruas da cracolândia e de outras regiões do centro de São Paulo equipes à paisana munidas de máquinas fotográficas com o objetivo de acompanhar a movimentação de usuários de drogas.
São 16 "espiões da prefeitura", que contam o número de pessoas concentradas em determinado local e registram a cena, sem flash, para não chamar a atenção. Fazem, em média, três contagens por dia, inclusive durante a madrugada. Trata-se de uma unidade reservada da Secretaria Municipal de Segurança Urbana, que usa as imagens para monitorar eventual aumento ou diminuição de pessoas na rua, identificar traficantes e traçar um perfil dos usuários de drogas. O trabalho dos "espiões" começou pouco depois que a prefeitura enviou equipes de agentes de saúde para a região da cracolândia, no início do ano.
Na quarta-feira, a prefeitura, em parceria com o governo do Estado, desencadeou uma nova operação na área, que une ação policial com ajuda médica a dependentes químicos. O secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, confirma a existência das equipes à paisana. "Precisamos saber qual é o tamanho do problema", afirma Ortega. "Já notamos a diminuição do número de crianças nas ruas", diz ele.
A revitalização da área é uma das principais promessas de Kassab e do governador José Serra (PSDB).
Ontem, não houve balanço da nova operação. Prefeitura e Estado dizem que os dados serão atualizados às quartas.

Programas sociais
Abordagens diárias. É essa a receita de Kassab para aumentar a adesão dos moradores de rua e viciados em drogas aos programas sociais e atendimentos de saúde da prefeitura. Segundo dados oficiais, 80% dos abordados recusam o atendimento. "É a abordagem que precisa acontecer de uma maneira permanente e intensa", afirmou Kassab.
O morador não é obrigado a acompanhar os agentes de saúde e assistentes sociais. Só é possível obrigá-los a fazer tratamento de saúde se houver laudo médico -internação involuntária- ou decisão judicial -internação compulsória. Até anteontem haviam sido feitas 12 internações de pessoas abordadas na cracolândia. Segundo o secretário da Saúde, Januário Montone, foram todas internações voluntárias.
A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social e vice-prefeita de São Paulo, Alda Marco Antonio, disse que doentes e viciados não podem ir para albergues. "Não posso permitir a entrada de um doente num albergue porque ele pode contaminar os outros. Eu não posso permitir a entrada de um dependente químico num albergue porque ele pode atrapalhar a rotina", disse ela.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2507200925.htm
 

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Prefeitura abre tenda para morador de rua

DA REPORTAGEM LOCAL

Tomar banho é uma das regras padrão dos albergues para moradores de rua em São Paulo. Mas muitos moradores de rua não gostam de tomar banho e, por isso, não vão para os albergues.
Foi pensando dessa maneira que a vice-prefeita e secretária de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Alda Marco Antonio, decidiu criar espaços livres, sem regras, para moradores de rua que, se quiserem, poderão até tomar banho.
"Nós notamos que tem moradores de rua que não aceitam ir para os albergues. Os motivos são variados. Muitos dizem que lá tem muitas regras, outros dizem que não querem dar a identidade para preenchimento de ficha, mas a grande maioria desses que não aceitam albergue não aceitam dizendo que não conseguem tomar banho. Então, é preciso criar algo para esses", afirmou a secretária.
O primeiro desses locais foi inaugurado ontem no parque Dom Pedro 2º (centro). Foi batizado de Espaço de Convivência Jardim da Vida - Dom Luciano Mendes de Almeida. Trata-se de uma tenda de lona com cerca de 100 m2, uma televisão, mesas para os moradores de rua participarem de jogos e outras atividades, dois chuveiros e quatro banheiros químicos.
Das 9h às 21h, haverá educadores e assistentes sociais, mas o local ficará aberto 24 horas por dia.
Alda disse que já está procurando imóveis para instalar outros dois espaços, em Santa Cecília e na cracolândia (que o governo rebatizou de Nova Luz). Serão em prédios de alvenaria. (EVANDRO SPINELLI)


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2507200926.htm
 

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Ação na Cracolândia

Apesar de a recuperação da região central da cidade de São Paulo, conhecida por Cracolândia - onde pessoas consomem drogas à luz do dia, especialmente o crack, um derivado altamente viciante da cocaína -, ser uma prioridade da administração Serra/Kassab desde seu início, há quatro anos, e apesar de operações já terem sido realizadas na área, com o fechamento de hotéis dedicados à prostituição e à frequência de drogados, poucos avanços o poder público já conseguiu no projeto de levar a higiene e a ordem pública à região, só no papel rebatizada de Nova Luz. Na verdade, a preocupação com o aspecto social da questão - que, evidentemente, existe - chegou a menosprezar a questão legal e policial, uma vez que essa parte da cidade continuou sendo, como é há mais de 20 anos, um território livre para a ação dos traficantes. E só não se tornou zona inteiramente "liberada" para o tráfico, como os morros cariocas, por motivos topográficos, já que não é possível nela montarem-se bunkers de bandidos, como no Rio - embora já tenha havido secretário de Segurança de São Paulo que alegasse falta de contingente para policiar a região e até falta de relevância do problema.

Não se deixe de considerar, por outro lado, que qualquer esforço das autoridades para desmontar o antro da Cracolândia e mesmo de dissolver as ocupações dos "moradores de rua" daquela e de outras regiões do centro da cidade tem esbarrado na resistência de algumas ONGs que, por deformação ideológica, veem nessas ações o que chamam de "higienismo", a que tentam dar conotação "fascista". Por tudo isso é de louvar-se a nova iniciativa que integra setores dos governos estadual e municipal para resolver o grave problema da Cracolândia. Como as ações anteriores sempre tiveram o efeito do gelo enxugado - com o retorno dos viciados ou seu simples deslocamento para outras regiões do centro -, desta vez as autoridades prometem manter na região 70 policiais militares, 24 horas por dia, além de 120 agentes de saúde, das 9 às 22 horas, com o objetivo de encaminhar para tratamento os dependentes químicos, as pessoas com outros problemas de saúde e dar assistência às crianças lá encontradas.

Essa ação começou quarta-feira, quando teve por resultado 41 pessoas atendidas: 5 foram internadas por problemas de saúde, 9 foram encaminhadas para centros de atendimento a viciados, 24 seguiram para postos de saúde, 2 para tratamento de aids e 1 criança foi levada para um centro de assistência. Com a ajuda da Polícia Militar (PM) os funcionários da Prefeitura lacraram 20 pensões, especialmente usadas para consumo de crack, por falta de segurança e higiene. Foram feitas cinco prisões, três de acusados de tráfico. Numa operação que envolveu 22 órgãos do Município e do Estado, merece destaque a decisão do comando da PM no centro de identificar as possíveis rotas de fuga dos usuários de crack para as outras regiões da cidade e aumentar a segurança daqueles locais. Há que se enfatizar, no entanto - mesmo que isso pareça repetir o óbvio -, que não haverá aglomeração de viciados onde não haja traficantes por perto ou fonte abundante de abastecimento da droga.

Não se pode deixar de levar em conta o fato de haver em São Paulo nada menos do que 11 mil moradores de rua cadastrados pela Prefeitura, dos quais 80% ficam na região central da cidade e entre estes há 25% de dependentes químicos. Assim, o esforço de atendimento feito pelos poderes públicos, no campo da assistência social, da saúde, do atendimento ao menor, da educação, da criação de centros de convivência e recreação e o que mais possa resgatar para essas pessoas um mínimo aceitável de padrão de dignidade humana, é fundamental. Entretanto, não menos importante do que tudo isso é uma questão específica de segurança e ordem pública, porque há criminosos traficantes com intolerável liberdade de atuação nessas áreas. Então, é de exigir-se do governo Serra, em relação a esses criminosos, pelo menos o rigor que dedica aos que fumam em áreas fechadas de frequência pública, neste Estado. Que haja contingentes policiais suficientes também para a repressão a quem vende e consome drogas.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090725/not_imp408113,0.php
 

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Eu vou ser radical e afirmo não há solução para quem se recusa a ter ajuda!! Internação compulsória já!! o pensamento da promotora tá mais do que certo.

80% recusam atendimento na cracolândia
Até o fim da tarde, só 66 das 332 pessoas abordadas haviam concordado em passar por avaliação médica em posto de saúde

Agente de saúde que participa da operação diz que mesmo os que aceitam ser atendidos acabam voltando para a região, às vezes no mesmo dia

Apu Gomes/Folha Imagem

Consumidores de crack se concentram na praça Julio de Mesquita,
na região central de São Paulo, na madrugada de ontem

CONRADO CORSALETTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Cerca de 80% dos moradores de rua -a maioria consumidores de crack- abordados por agentes de saúde nos dois primeiros dias da ação na cracolândia recusaram atendimento. Boa parte dos que passam o dia nessa região do centro de São Paulo nem sequer responde a perguntas das equipes.
Até o final da tarde de ontem, os agentes haviam feito 332 abordagens. Sessenta e seis pessoas concordaram em ir para postos de saúde passar por avaliação médica. Doze precisaram ser internadas. Segundo o auxiliar de enfermagem Taylon Ramos, que atua na base das equipes de saúde, mesmo os que aceitam ser atendidos acabam voltando, às vezes no mesmo dia, para a rua. "Normalmente eles vão, tomam banho e retornam."
Agentes de saúde disseram que a presença ostensiva da polícia retrai ainda mais os usuários de crack. Eles dizem que é preciso obter a confiança dos viciados, o que leva tempo. A Folha presenciou cinco abordagens e só uma pessoa aceitou atendimento. Na av. Duque de Caixas, uma mulher com cerca de 40 anos, questionada se estava disposta a ir até o posto de saúde, respondeu: "Hoje não vou, não. Hoje vou ficar aqui fumando [crack]".
De manhã, uma jovem de 15 anos foi retirada do gramado da estação Júlio Prestes. Ela disse estar ali havia três dias, sem conseguir se mover. Segundo os agentes, ela tem tuberculose e é viciada em crack. A nova intervenção do Estado e da prefeitura, batizada de Ação Integrada Centro Legal, prevê internação em hospitais por até 30 dias de pessoas com doenças graves, problemas psiquiátricos e dependentes químicos. As internações podem ser voluntárias, involuntárias após diagnóstico ou compulsória, via ordem judicial.
Segundo coordenadores da operação, há 60 leitos em hospitais estaduais e municipais preparados para esse fim. A prefeitura diz que, após a internação, viciados serão encaminhados a centros de tratamentos de dependentes químicos. Parte dos 120 agentes está na cracolândia desde janeiro. Desde quarta-feira, eles têm feito abordagens das 9h às 22 h.
A ação de saúde é acompanhada pela polícia. São 70 homens que, diz o comando da PM da região central, ficarão na cracolândia e imediações por tempo indeterminado.

Promotora
A promotora de Justiça Laila Shukair enviou ofício à prefeitura pedindo informações sobre a intervenção na área. Laila defende que, em alguns casos, a internação de viciados seja compulsória. "Adianta chegar no cara que bebeu, fumou, que está "babando", e perguntar se quer ser internado?"

Colaborou JOSÉ ERNESTO CREDENDIO, da Reportagem Local

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2407200914.htm
 

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DA REPORTAGEM LOCAL

Tomar banho é uma das regras padrão dos albergues para moradores de rua em São Paulo. Mas muitos moradores de rua não gostam de tomar banho e, por isso, não vão para os albergues.
Foi pensando dessa maneira que a vice-prefeita e secretária de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Alda Marco Antonio, decidiu criar espaços livres, sem regras, para moradores de rua que, se quiserem, poderão até tomar banho.
"Nós notamos que tem moradores de rua que não aceitam ir para os albergues. Os motivos são variados. Muitos dizem que lá tem muitas regras, outros dizem que não querem dar a identidade para preenchimento de ficha, mas a grande maioria desses que não aceitam albergue não aceitam dizendo que não conseguem tomar banho. Então, é preciso criar algo para esses", afirmou a secretária.
O primeiro desses locais foi inaugurado ontem no parque Dom Pedro 2º (centro). Foi batizado de Espaço de Convivência Jardim da Vida - Dom Luciano Mendes de Almeida. Trata-se de uma tenda de lona com cerca de 100 m2, uma televisão, mesas para os moradores de rua participarem de jogos e outras atividades, dois chuveiros e quatro banheiros químicos.
Das 9h às 21h, haverá educadores e assistentes sociais, mas o local ficará aberto 24 horas por dia.
Alda disse que já está procurando imóveis para instalar outros dois espaços, em Santa Cecília e na cracolândia (que o governo rebatizou de Nova Luz). Serão em prédios de alvenaria. (EVANDRO SPINELLI)


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2507200926.htm
Não gostar de tomar banho??? Por favor...
 

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À noite, trabalho da polícia é como espantar moscas
JAMES CIMINO
DA REDAÇÃO
APU GOMES
REPÓRTER-FOTOGRÁFICO

0h40, rua dos Andradas, cracolândia. A impressão inicial é a de que a operação no local funciona. A rua está deserta, num cenário bem diferente do habitual -centenas de noias perambulando pelas ruas, arrastando bugigangas e fumando pedras de crack.
Mas não é bem assim. Sob a luz amarela intermitente dos semáforos, surge, do nada, um grupo de maltrapilhos. Com sorrisos debochados, andam sem pressa, carregando caixas de papelão, que usam como cabaninhas para disfarçar o consumo da droga. O "pega" (a tragada) custa R$ 1.
Eles aparecem de repente porque estão se afastando do carro da polícia, que tenta impedir a aglomeração. É como espantar moscas. A polícia vem, eles se dispersam para, logo depois, se aglomerarem novamente em outro local.
Há nove carros da polícia na região. Um dos policiais comenta que o trabalho na madrugada "é muito difícil" e que deveria ter a ajuda dos agentes de saúde, como durante o dia.
À 1h15, umas 60 pessoas se aglomeram em torno da estátua da praça Julio de Mesquita. A reportagem pergunta a um menino de uns dez anos o que ocorre ali. "É ali que rola a "pedrada'", diz o garoto.
No ponto de ônibus da praça, três garotas recebem moedas de um homem enrolado em um cobertor velho.
Outra garota, sai do bolo de gente, e diz: "E eu nem apareci na TV ainda... "
Um carro da polícia chega. Os noias calmamente se dispersam. Em busca de novas concentrações, a polícia deixa a praça, que em 15 minutos está cheia de novo. E assim, nesse vaivém, segue a cracolândia até o amanhecer.
 

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ANÁLISE

Existe uma Nova Luz para a cracolândia?
LÚCIO GOMES MACHADO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Não há como não se chocar com a degradação urbana e humana da cracolândia. Relativamente poucas pessoas frequentam a região, além dos moradores tradicionais (sim, há muita gente que procura morar dignamente em Santa Efigênia), dos lojistas e de seus clientes do vibrante setor de eletrônicos.
A pergunta óbvia: como o primeiro bairro planejado de São Paulo, com enorme quantidade de testemunhos arquitetônicos de sua antiga pujança, pode chegar a esse ponto?
São Paulo ficou décadas sem Plano Diretor e, o que é pior, sem qualquer esforço de planejamento sistemático. Não houve esforços para gerir a cidade com a técnica e a cultura correspondentes ao nosso desafio metropolitano: quase 20 milhões de habitantes, 80 km de urbanização contínua de leste a oeste!
Ao longo do século 20, a economia transformou-se drasticamente, mas a cidade não se preparou para dar o correspondente suporte. Por omissão ou por ação, tanto do Poder Executivo quanto do Legislativo, o crescimento da cidade foi deixado nas mãos do "mercado".
Diferentemente do que se propala, a degradação urbana não foi causada só pelo transporte individual, incentivado por decisões macroeconômicas de industrialização a qualquer custo, com o automóvel como protagonista. Mais decisivos foram a verticalização descontrolada e o incentivo à obsolescência acelerada do espaço urbano organizado, em busca de novas áreas com baixo custo para incorporação imobiliária.
Em menos de seis décadas, as atividades mais sofisticadas saíram do centro histórico para novos centros em torno da marginal Pinheiros, passando por República, Paulista, Faria Lima, Berrini e Socorro.
A cada novo horizonte, uma área urbanizada e parcialmente edificada era abandonada e era glorificada uma nova Meca imobiliária. Nada mais compreensível que o primeiro bairro implantado fora do centro histórico tenha se tornado o mais notável exemplo de degradação. Como nos outros casos, não se olhou para trás. Abandonado, o espaço foi ocupado pelos excluídos da vida urbana.
Encontra-se em fase de consulta pública um edital para contratação de um grande projeto urbanístico, pela prefeitura, para a região. Trata-se de um passo importante, mas que nasce viciado pela cultura neo-colononizada dos administradores que acreditam existir know-how de ponta somente nos países "desenvolvidos".
De fato, embora tendo tido poucas reais oportunidades, é no Brasil que estão os urbanistas com experiência em enfrentar problemas na escala de dezenas de milhões de habitantes e com a diversidade cultural característica de São Paulo.
Pode haver uma Nova Luz.

Professor da FAU-USP e coordenador do Plano Diretor da Subprefeitura da Lapa (2003-04)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2407200916.htm
 

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a mesma triste situação no porto de santos:

http://www.rederecord.com.br/upload/reporterrecord

O submundo do porto
26/07/2009


O que se esconde por trás do maior porto da América Latina? Depois de semanas de investigação, o Repórter Record revela os segredos do cais e conta as histórias dos personagens que povoam as docas.

Nossos produtores mostram a fragilidade de um sistema que custou milhões de dólares aos cofres públicos. Flagramos o entra-e-sai sem controle numa área de segurança nacional. Um esquema de rodoviária num local que deveria ser mais seguro que um aeroporto.

Dentro dos navios, cargas e trabalhadores desprotegidos. Mesmo com equipamentos sucateados e péssimas condições de trabalho, há muita a disputa por uma vaga de estivador. No paredão, como é chamado o processo de seleção de candidatos, ganha a vaga quem gritar mais alto.

Em volta do porto, o Repórter Record descobre uma rotina de tráfico de drogas, exploração de menores e prostituição.

Dependentes de crack, garotas de programa - muitas menores de idade - fazem qualquer negócio para conseguir a droga. A demarcação de território para atrair os tripulantes dos navios, trabalhadores da região e turistas quase sempre termina em briga.

Pior: a promiscuidade deu vida a uma perigosíssima mudança genética. Pesquisadores encontraram em Santos um vírus da Aids mais poderoso do que o normal, resistente a remédios.

Você vai saber ainda quem é a dona de uma esquina da zona portuária, que vende drogas à luz do dia, acompanhada pelos filhos.

No Repórter Record, com Roberto Cabrini, um olhar revelador sobre o porto número um do Brasil. Neste domingo, logo após o Domingo Espetacular.
 

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Discussion Starter · #11 ·
Urbanistas estrangeiros veem uma cracolândia sem crack em visita a São Paulo

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

Uma cracolândia sem crack, uma Luz sem prostitutas, um centro sem assaltos e ruas sem lixo. Foi essa a São Paulo que um grupo de urbanistas estrangeiros trazido pelo IAB-SP (Instituto de Arquitetos do Brasil), em parceria com a prefeitura, conheceu ontem.
Da Sala São Paulo, o grupo saiu escoltado por dois guardas civis armados na direção da Estação da Luz e da Pinacoteca. Em vez do trajeto original previsto pela prefeitura, que incluía ruas do reduto do tráfico de drogas, o grupo estrangeiro passou pela tangente da cracolândia e só viu de longe a degradação dos prédios da região.
No meio do caminho, um homem com um tubo de cola na mão interrompeu a turma, pedindo dinheiro e uma "ajuda pelo amor de Deus". Em dois tempos, foi enxotado pela escolta armada.
A justificativa dos organizadores para a mudança de itinerário foi "a falta de tempo". "Área degradada é área degradada. Não sentimos a necessidade de entrar naquela região porque temos dados que falam dela", disse a presidente do IAB de São Paulo, Rosana Ferrari.
"Saio da Sala São Paulo e vejo aquele horror. Parece o "Ensaio sobre a Cegueira". Agora, o pessoal não viu isso. Eles estão preocupados com o desenho urbano da cidade", afirmou Nadia Somekh, titular do Brasil na UIA (União Internacional de Arquitetos), da qual boa parte do grupo faz parte, e responsável por trazer os estrangeiros ao país para discutir o projeto de revitalização da Nova Luz.
"A vizinhança precisa ser limpada. Tem muito problema social. Quero voltar daqui a dez anos e ver como ficou", disse o cingapuriano Chong Chia Goh, que riu ao saber do antigo projeto de reurbanização de favelas que leva o nome do seu país.
À tarde, no auditório da prefeitura, os arquitetos estrangeiros da UIA ouviram alfinetadas de lado a lado do secretário de Desenvolvimento Urbano, Miguel Luiz Bucalem, e da arquiteta petista Nadia Somekh.
Para ela, "as operações urbanas tomam 20% do mapa da cidade e só são voltadas para os carros". Para ele, "não cabe importar modelos e tentar transportar para cá, não vai funcionar".

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2807200916.htm
 

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A questão de boa parte do centro de São Paulo é puramente social se isso estivesse resolvido, o próprio mercado imobiliário já teria se encarregado de renovar a parte urbana do local, o centro infelizmente virou a lata de lixo dos problemas de São Paulo!
 

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Alguém viu na TV os moradores todos enxotando os drogados? Um grupo enorme saiu nas ruas com faixa apitando e expulsando todos os que ficavam se drogando na rua, e eles saíam mesmo, com medo de serem linxados. Achei ótimo, a população precisa mostrar que não condescende com essa situação.
 

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Alguém viu na TV os moradores todos enxotando os drogados? Um grupo enorme saiu nas ruas com faixa apitando e expulsando todos os que ficavam se drogando na rua, e eles saíam mesmo, com medo de serem linxados. Achei ótimo, a população precisa mostrar que não condescende com essa situação.
Interessante!

Algo, ao meu ver, inédito em São Paulo.

Aqui nio Brasil sempre tratamos o espaço público como terra de ninguem. Bom saber que isto está mudando.
 

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Será que fui o único que achou graça no título do thread? Imaginei notícias como " Tonhão pegou 30 real em pedra com o Bom Cabelo, não pagou e levou azeitona na testa".
 

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Discussion Starter · #16 ·
Homem de 22 anos cai de elevador e morre na Cracolândia

Acidente ocorreu na manhã desta quarta-feira (29).
Vítima teve politraumatismo e morreu em prédio no Centro de SP.


Um homem de 22 anos morreu na manhã desta quarta-feira (29) após sofrer politraumatismo provocado pela queda no poço de um elevador a partir do quarto andar de um edifício da Rua General Osório, na região conhecida como Cracolândia, no Centro de São Paulo.

Os moradores desligaram o elevador, mas a cabine desceu até o térreo.

A vítima morreu no local, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros. O corpo foi enviado para o Instituto Médico-Legal (IML). A polícia vai apurar as causas do acidente.



No edifício funcionam duas lojas de equipamentos para motocicletas. Em uma delas, uma funcionária se limitou a dizer que os estabelecimentos permanecem fechados.

Em maio, dois trabalhadores morreram quando o elevador do edifício Garagem Everest, em Ribeirão Preto, despencou do 10º andar, pouco depois de começarem a troca de cabos.


http://g1.globo.com/Noticias/SaoPau...S+CAI+DE+ELEVADOR+E+MORRE+NA+CRACOLANDIA.html
 

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Creio que o Nova Luz vai ser uma grande vitrine de São Paulo até 2014.

Para fechar com chave de ouro precisava dar uma solução decente para o minhocão...tipo colocar todas as linhas de metrõ e trem leste-oeste subterrâneas e fazer uma nova via expressa sobre elas com quatro faixas de cada lado, árvores em um canteiro central e uma faixa para bicicletas...(ai ai ai!)

Mas, de qualquer forma, estou crendo que vai dar tudo certo até 2014...
 

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Discussion Starter · #18 ·
Em uma semana, polícia prende 27 suspeitos

DA REPORTAGEM LOCAL

Após uma semana de ação na região da cracolândia, no centro de SP, policiais prenderam 27 pessoas sob suspeita de tráfico de drogas ou por colaborar com traficantes.
A operação, articulada entre diversos órgãos dos governos municipal e estadual, encaminhou 149 pessoas para internação e tratamento. Apenas 18 continuaram internadas.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, 12 adolescentes suspeitos de cometer crimes no centro foram encaminhados à Fundação Casa.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff3007200930.htm
 

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Cracolândia começa a ganhar ares de "cidade-fantasma"

por Metrópole , Seção: Urbanismo, Segurança, Administração 19:45:32.
Por Diego Zanchetta

Para quem mora no centro de São Paulo e se acostumou a tropeçar em “noias” estirados nas calçadas - a ponto de nem mais achar tão grave o problema e considerar que realmente o cenário é parte já intrínseca da região - fica difícil crer que a cracolândia será realmente revitalizada e ocupada pela população. Nos últimos oito dias, uma operação integrada entre governo do Estado e município (mais uma!) tenta oferecer atendimento médico aos dependentes químicos que moram nas ruas.

Se vai dar certo ou não, ainda é cedo para afirmar. A verdade é que a operação, centrada na “parte de cima” da Avenida Duque de Caxias, nos Campos Elísios, mudou a cara de vias como a Rua Helvétia (foto abaixo) e a Alameda Glete em apenas oito dias. Com a lacração dos hotéis e bares que serviam de refúgio para os viciados e a intensificação de batidas policiais em toda esquina, o que se vê hoje são alguns usuários esparsos, dando a impressão de que se cansaram do “pega-pega”. Nas ruas, poucos comerciantes, viaturas, agentes de saúde... E carros da Eletropaulo retirando fiações de imóveis fechados.



as se a cracolândia dos Campos Elísios já começa a lembrar uma cidade meio fantasma, num clima de “fim de feira”, na "parte de baixo" - onde ficam as lojas para acessórios de motos - os "noias" se concentram em pontos como a Rua Conselheiro Nébias e a Praça Júlio de Mesquita. Questionado por que a ação não tinha surtido efeito ainda nesse trecho da região, o coronel Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante da PM no centro, explicou que a tática é deixar agora os usuários concentrados em apenas um lugar. “Dessa forma, vamos facilitar a abordagem dos agentes de saúde e a identificação deles por meio de fotos”, disse o coronel ao Estado. Uma das críticas dos agentes no início dos trabalhos era de que as batidas policiais espalhavam muito os viciados e dificultavam as abordagens.

Para a presidente da Associação de Moradores e Comerciantes dos Campos Elísios, Dinah Piotrowski, as pessoas devem dar um voto de confiança à nova operação. “O difícil é acreditar que esse começo terá continuidade”, diz. A Prefeitura garante que vai manter a mobilização por tempo indeterminado.

http://blog.estadao.com.br/blog/met...a_que_nasceu_da_cracolan&more=1&c=1&tb=1&pb=1
 

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A hora em que a imprensa der uma notícia sobre um projeto do governo com um tom otimista e não incitando a população a sentar e chorar eu vou achar estranho....

Esses pseudo-repórteres socialistas não conseguem entender que todo meio de um processo de tal porte sempre vai ter coisas desse tipo acontecendo.

Mas eu sou um daqueles que gostam e acreditam que a coisa vai funcionar.

Eu nãõ tenho gosto por ficar murmurando contra o governo.

São Paulo vai dar a volta por cima, vocês vão ver.
 
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