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Fonte: Estadão Online
por Alberto Komatsu


Novo modelo funde dois planos e mantém princípios básicos; ambos prevêem crédito do BNDES

RIO - Os credores da Varig deverão conhecer nesta terça-feira uma nova tentativa de salvamento da companhia, que pretende unificar dois planos distintos, o elaborado pela consultoria Alvarez & Marsal e o do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV). A alternativa veio à tona segunda-feira, após o adiamento da assembléia que escolheria a melhor proposta entre três.

Oficialmente, o encontro foi adiado para hoje porque o local da reunião, a sede da Fundação Ruben Berta (FRB), não comportava cerca de 400 pessoas que estiveram presentes. Houve, porém, quem enxergou uma manobra para que o novo modelo de venda pudesse ser concluído ainda ontem.

A nova proposta pretende oferecer aos investidores diferentes formas de comprar a Varig, mas preservará o princípio básico dos planos da Alvarez & Marsal, responsável pela implementação da recuperação judicial da Varig, e do TGV, que reúne cinco associações de funcionários da empresa.

No primeiro projeto, a idéia é dividir a companhia em duas, uma voltada para o mercado doméstico, com ativos, avaliada em US$ 700 milhões e que seria vendida em leilão judicial. Uma segunda empresa seria dedicada à operação internacional e herdaria dívidas, algo em torno de R$ 9 bilhões.

"Você põe numa prateleira todos os produtos que a Varig tem. Quais são eles? Varig doméstica, América do Sul, Europa e Estados Unidos. Eu (investidor), que apareci no leilão, quero comprar este e este. Então é isso que estão tentando fazer", explica, usando exemplos hipotéticos, o presidente da Varig, Marcelo Bottini.

Segundo plano

O plano da TGV, por sua vez, prevê a cisão das áreas operacional e comercial da Varig. A primeira ficaria livre de débitos, com valor de US$ 860 milhões, e a segunda herdaria o passivo e o acerto de contas entre as dívidas públicas da companhia e o que o governo deve à empresa por causa do congelamento de tarifas entre os anos 80 e 90, basicamente a mesma quantia, em torno de R$ 4,5 bilhões.

Tanto na proposta do TGV quanto na da Alvarez & Marsal está previsto um financiamento de US$ 100 milhões que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende desembolsar para o investidor interessado em comprar parte da Varig.

"Hoje (ontem, por volta das 18h40), nesse momento, o que tem para amanhã é a proposta do Toscano (Jayme Toscano, consultor), a da Alvarez & Marsal com a Varig e a do TGV. O que está sendo trabalhado é para que se tenha a seguinte formatação amanhã (hoje): a proposta do Toscano e uma proposta única da Varig", disse Bottini.

Além da possível proposta em conjunto, era de conhecimento dos credores a do consultor Jayme Toscano, que diz representar um fundo de investimento europeu interessado em investir US$ 2,2 bilhões. O problema, dizem credores que estiveram reunidos ontem, é que Toscano não apresentou garantia da origem do dinheiro.
 
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