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Se há algo que venho notando é o excesso de tecnismo e burrocracia (eu uso o termo com dois rrs mesmo, pense no porque) que venho ultimamente acompanhando sobre quem conversa sobre transportes.

Quando se fala em transporte em geral, se fala de algo necessário para o brasileiro, em todos os níveis, em todas as (infelizes e preconceituosas) faixas de renda, em todo o tempo.

Desde o alimento que sai do interior dos Estados e chega nas grandes regiões, passando pelo transporte de passageiros, até o microchip que vem da China, tudo é necessário uma infra-estrutura logística eficiente, rápida e que atenda a todos, e não a poucos.

Quando se fala em Trem Bala, muitos reclamam de "propaganda eleitoreira", etc... Assim como do Rodoanel, dos trens metropolitanos, das hidrovias...

Muitos "especialistas", "estudiosos" e afins podem dizer: "ah, mas isso requer dinheiro, investimento, ninguém quer investir, aquilo está errado, blá blá blá." Vejo isso em n conversas, como o VLT de Cariri, etc... (tá, admito, ultimamente não venho acompanhando o Skyscrapercity como se deve).

Sinceramente isso tudo cansa ver, pois é como se alguém construisse algo, e depois o outro chutasse falando: isso não presta. Não é bem assim que a banda toca.

Creio que uma visão extremamente técnica dos transportes pode acabar até prejudicando um pouco, principalmente quem precisa destes transportes. A visão extremamente técnica acaba muitas vezes impedindo bons projetos de sairem, assim como a visão extremamente política estraga projetos que poderiam ser melhor bem feitos.

Números podem contabilizar necessidades, mas creio que o melhor jeito de saber a real necessidade é indo pessoalmente aonde aquela necessidade está, e não só ficar aqui discutindo se este ou aquele projeto vai gerir dinheiro e beneficiar esse ou aquele investidor...

Ser um ser burrocrático é, em sua maioria das vezes, ter uma visão negativa crítica das coisas. E isso não ajuda em nada o país. Só prejudica, só desanima.

Precisa-se sim, ver bons projetos, críticar com olho vivo, respeito e parcimônia, mas acima de tudo, ver realmente as necessidades e as boas idéias aplicadas. Só reclamar ou falar "aquele projeto é ruim pois foi mal executado, não tem n passageiros ou carga" é péssimo.

A ferrovia "morreu" nos anos 90 justamente por causa destes paradigmas, de que "ferrovia não presta", "não dá lucro"... vamos nos lembrar que nos anos 90 só vieram péssimos gestores, que esqueceram a ferrovia, a hidrovia e as rodovias. Só faziam recapeamento e anunciavam que aquilo era uma nova estrada.

O Skyscrapercity e o Protrem, mas especificadamente a turma que conversa sobre os transportes, tem uma força tremenda, tem uma capacidade ótima para chamar a atenção e discutir. Acho que é hora de botar isso como algo político, com força que todos os cidadãos possam colaborar e aprender conosco, e dar o devido valor a todos os níveis de transporte.

Me lembro uma vez do Avelleda falando: "Vocês tem o poder de repassar ao público como é o transporte" (acho que era isso). Vamos começar a colocar isso mais em prática, ao invés de ofender o povão (Se bem que tem horas que não tem como, tem que xingar, sem hipocrisia).

Desculpem o desabafo, mas é que me cansou ver algumas atitudes negativas em certos tópicos e discussões.

E se isso não dá lucro, bele. Vou virar criminoso. Isso dá lucro de verdade.
 

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^^ Eu não acho que o tecnicismo gere, necessariamente, negativismo. No máximo, ceticismo, o que é algo positivo.

O SSC, felizmente, se caracteriza por ser uma comunidade de discussão (no que diz respeito a infra-estrutura e sistemas de transporte, seja de qual modal for), não uma comunidade de admiradores ou aficcionados. Devido à sua demografia mais diversa, diferentes foristas vêm trazer diferentes contribuições.

Em outros fóruns (para não se dizer de certas comunidades do Orkut...) a tônica do debate é outra, mais superficial e pseudo-especialista. Explicando melhor, você pode encontrar gente que sabe o prefixo da frota inteira da Webjet e Oceanair decorado. Gente que sabe e de pronto pode indentificar todos os modelos de radar que já foram instalados algum dia nos aeroportos brasileiros. Idem para o fórum da Protrem, que só reúne pessoas cujo ponto de partida é um viés altamente favorável a sistemas ferroviário, qualquer que seja o mesmo. Voltando ao Contato Radar, lá você encontra facilmente gente defendendo que alguma cia. brasileira traga o A380, não porque haja demanda, ou o que for, mas simplesmente para poderem tirar fotos nos spotting points. No caso de outro certo fórum ferroviário, houve uma enxurrada de críticas às portas de palataforma, reclamações e xingamentos, e o motivo, pasmado que fiquei, era que elas iriam atrapalhar os foristas (de lá) que estavam acostumados a filmar composições ferroviárias.

Aqui no SSC não existe espaço para que esse pensamento de grupo reduzido e homogêneo prolifere. Sempre haverá foristas para desmontar os momentos de utopia ou em alguns casos devanio de fã, não de cidadão pagador de impostos ou mesmo técnico de transportes. Exemplo típico:

- tópico sobre determinado projeto ou ideia ferroviária
- a discussão se alterna entre características técnicas e viabilidade econômico-financeira e técnica
- alguém seleciona imagens ou vídeos no Youtube e os posta com algum comentário de desolação, remediamento ou frustação como "ah, poderiam usar esse trem (modelo xyz) aqui, mas não vão mesmo, se fosse na China...".

Para o forista que foi lá postar o vídeo, os comentários sobre a adequação do uso de determinado material rodante, ou mesmo a viabilidade econômica de determinado projeto, são considerados irrevelantes. Forista quer é ver um trem "igual no Exterior" rodando perto da sua casa, ponto final. Como o spotter quer ver o A380 sobrevoando a aproximação do aeroporto internacionalo da sua cidade, seja qual for o prejuízo gerado pela sua operação.

Todavia, projetos de infraestrutura são caros, demorados e não podem ser montados sem custos financeiros elevados. Por tal razão, não vejo como discutir um projeto como TAV ou Trem do Cariri ou Porto de Suape Fase II ou segundo Aeroporto de Brasília desconsiderando os aspectos econômicos do projetos. Se for público, porque dinheiro de impostos estará sendo gasto lá. Se for privado, porque sem viabilidade o projeto não logra obtenção de investidores.

Eu acho que uma visão "extremamente técnica" é até positiva, pois ela avalia projetos e soluções viáveis dadas certas premissas. Problemática é, na minha opinião, a abordagem pós-eleições (uma ampliação de um sentimento que já se manifestava em parte do SSC antes das mesmas) em que qualquer projeto se transforma em alvo de críticas para o ente governativo responsável pelo mesmo.

A discussão técnica, por exemplo, permite com que muitos se informem sobre características reais dos monotrilhos paulistanos, face à grande desinformação que existe sobre o mesmo. Ela permite entender porque não existem "milagres" entre pedágios baratos e obras em rodovias concedidas de porte extremo, também.

A definição de "bom projeto", por si só, é problemática, pois existem várias dimensões de projetos de transporte. Uma delas é a conceitual. Outra, a operacional. Uma terceira, a financeira. Alguém pode fazer um excelente projeto de aeroporto internacional flutuante com pista de 3.000m nos Penedos de S. Pedro e S. Paulo...

O que eu percebo é uma tensão discreta mas recorrente entre o subgrupo de foristas que tem comportamento de fã, para quem estruturas diversas (portos, aeroportos, ferrovias, estações, rodovias, trevos, túneris) são objeto de interesse pessoal e a quem importa que sejam "admirados" e construídos independente de outro critério, e os demais. Algumas pessoas desenvolvem relação emocional, negativa na minha opinião, com determinados projetos, e daí vemos foristas não apenas se frustrando, como se irritando, porque determinado projeto atrasou 4 meses.

E é nesse conflito que, muitas vezes, presenciou manifestações inflamadas quando alguém se põe a desconstruir a viabilidade de certo trem regional, certo aeroporto internacional ou certo porto hidroviário. A pessoa se liga emocionalmente com um mero conjunto de planilhas, desenhos de AutoCad (ou SolidWorks ou outros softwares) e renders e se frustra se os seus sonhos não se realizam. Dizer que determinado veículo, tão sem vida como um conjunto de peças de aços e plásticos que são aviões, trens e carros "não presta" é quase como amaldiçoar a família.

Daí, sou contrário à essa ideia de que é preciso verificar no local para "saber de verdade" se uma obra é necessária ou não. Com informações suficientes e precisas, dá para avaliar isso do outro lado do mundo, se for o caso. Essa propositura é análoga àquela de que somente moradores locais tem condições de, de fato, dizer se a o PIB municipal aumentou ou diminui pelo "sentimento das ruas".
 

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Sim, e qualquer um que a ler e analisar, morando em São Paulo ou no Japão, vai compreender da mesma forma a maneira que os deslocamentos são feitos. E tendo conhecimento geográfico e outros detalhes mais importantes, saberá melhor que o paulistano médio por onde deveriam passar as linhas prioritárias.

Morar no lugar onde alguma solução está sendo proposta não é pré-condição para nada. A pré-condição é conhecer detalhes que não são vistos empiricamente (do tipo: "eu vejo muito movimento nessa avenida"), mas tecnicamente, através de análises metodológicas. Elas é que definem as coisas.

Mas nem tudo é apenas para atender a demanda já existente. Existe a "linha desenvolvimentista". Essa já é uma coisa que envolve um certo risco, porque precisa haver uma aposta em um cenário futuro. O TAV, por exemplo, gera um medo enorme porque não há muita certeza a respeito do cenário projetado. E aí depende muito de fatores "psicológicos", já que são vários cenários possíveis, tanto de sucesso quanto fracasso, ambos com dados que os apóiam, e isso deixa os interessados em realizá-lo apreensivos.

Aí a gente vê de ambos os lados (otimistas x pessimistas) os foristas com suas ideias a favor ou contra alguns projetos. Nem ligo, acho que é interessante, ainda mais porque não há relação entre o que é discutido aqui com o que vai ser feito na realidade. Aqui não se decide essas coisas, apenas se discute.

O que irrita são os extremos (extremamente otimistas x extremamente pessimistas), porque para esses, não há interesse em discutir, apenas em falar insistentemente "vai dar certo" ou "não vai dar certo". Aí não tem discussão que seja decente com esse tipo de atitude.

Por fim, o importante a ressaltar, e é uma coisa que o Ligeirinho talvez não tenha compreendido é que não se critica os projetos simplesmente por ser do contra, mas porque são projetos de baixa qualidade (não que o VLT do Cariri seja um horror, não é isso, mas o eixo por onde ele passa não é bom). Dessa forma, fica difícil elogiar a qualidade do projeto. No Brasil, muitos projetos têm saído de forma mal feita, por diversos fatores.

Exemplo na região local do Ligeirinho: a Estação Itapevi não ficou linda? Eu achei que ficou 1000x melhor que antes. Só que não ficou perfeito por causa da passarela de acesso, e você bem os motivos. Ficou bom? Ficou, mas faltou algo muito importante.
 

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Discussion Starter · #5 ·
Tecnismo por tecnismo, vou então preferir ser um cidadão alienado, criminoso e egoísta, já que ainda ninguém sacou o que eu quis dizer...

Com licença que vou poluir o mundo com minha moto, incomodar os outros no trânsito e xingar a CPTM, como a grande maioria do povão. Eu não sou mais nem fã de nada, pelo contrário. Tou é pegando ódio. (sarcasmo)

Insisto: todo excesso é uma porcaria. O mundo é um equilibro, um consenso.
 

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Um equilíbrio é. Um consenso nem sempre será, não adianta. Pessoas diferentes têm concepções e ideias diferentes. Não adianta fechar os olhos para isso.

Ficar revoltado é uma opção sua, dentre as várias outras que existem.

Uma coisa que acabei esquecendo de comentar é que não existe relação direta entre ser fã de determinada coisa e ser fechado à realidade. Isso é uma escolha que cada um faz. Quem realmente gosta de trens, aviões, navios, carros, etc, gosta das coisas sem achar que tudo deve virar um museu, mas conhece todo o passado, presente e um pouco do futuro disso. Sabe que as coisas evoluem, sabendo o lugar certo de cada coisa. Quem se apega a modelos ou épocas não é fã do meio de transporte, mas dos modelos amados. Tanto é que não querem que tudo fique do jeito que estava antes ou depois, querem as coisas de um jeito específico, atrelado a uma época específica, de preferência a modelos específicos. Com esses, o jeito é ter paciência.
 

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Discussion Starter · #7 ·
Eu creio em um consenso. A partir do momento que uma idéia é bem executada e grande parte das pessoas gostam, chegou-se a um consenso. Afinal, era aquilo que as pessoas precisavam, não aquilo que fora ditado por um ou outro endinheirado ou engenheiro.

Creio que há uma falha quando se fala em "extremismo", em "ceticismo". Muitas vezes, a melhor idéia bem projetada também é uma grandiosa catástrofe.

Eu ia falar umas coisas, mas ai é pessoal, e não cabe neste fórum. Já diminui muito minha participação aqui, relutei em continuar, e no final estou falando essa merda toda pra nada (até sob pena de ser banido, algo até interessante). Enfim, por mim pode até deletar este tópico, já que sinceramente depois destas palavras todas, já vi que minha presença aqui não é de toda necessária, e as palavras ditas foram em vão. Aqui pelo visto virou e é um fórum técnico e de entusiastas apaixonados por ferrovias.
 

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Eu creio em um consenso. A partir do momento que uma idéia é bem executada e grande parte das pessoas gostam, chegou-se a um consenso. Afinal, era aquilo que as pessoas precisavam, não aquilo que fora ditado por um ou outro endinheirado ou engenheiro.

Creio que há uma falha quando se fala em "extremismo", em "ceticismo". Muitas vezes, a melhor idéia bem projetada também é uma grandiosa catástrofe.

Mas esse seria a exceção! Peça para um leigo projetar os fluxos de transporte, seja de qual modal for, de uma metrópole, ou mesmo cidade pequena, e ele nào sairá do lugar!

Engenheiros (bem diferente de "endinheirados") entendem de suas áreas técnicas. Quando ele diz que não dá pra construir metrô mais rápido no trecho abc porque o solo precisa de ser perfurado com um método diferente, não adianta teimar, ou usar "senso comum", por exemplo.

No fim das contas, são eles que farão as obras.
 

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Engenheiros (bem diferente de "endinheirados") entendem de suas áreas técnicas. Quando ele diz que não dá pra construir metrô mais rápido no trecho abc porque o solo precisa de ser perfurado com um método diferente, não adianta teimar, ou usar "senso comum", por exemplo.
O problema é que muitos engenheiros entendem tão bem de suas áreas específicas que às vezes não tem capacidade de enxergar o projeto como um todo; falta-lhes uma visão sistêmica. Um bom projeto não pode ser bom só em técnica, mas também precisa tratar bem as questões humanas, pois afinal de contas são pessoas que usam esses meios de transporte.

Por exemplo, não adianta fazer uma obra que seja uma maravilha técnica e da engenharia, digamos uma rede de metrô que anda a 120 km/h (falando hipeteticamente, só pra deixar BEM claro), se a linha fica a 150 m de profundidade e os usuários levam mais de 5 minutos para ir da superfície até a plataforma e, além disso, a distância entre as estações é consideravelmente grande para os trens poderem operar a 120 km/h, o que limita a capilaridade do sistema na prática.

O planejamento de um bom sistema de transporte vai muito além da pura engenharia, pois o meio de transporte tem que estar devidamente integrado à vida da população e deve-se estudar também o impacto que o sistema vai causar na região, analisar os vetores de desenvolvimento da cidade e tudo mais. Portanto, deve-se se estudar questões sociais e até mesmo de comportamento da população. Na minha opinião, os planejadores antes de se sentarem para fazer projetos devem sim vivenciar o sistema na prática para que possam entender melhor quais são as reais necessidades de quem usa o sistema cotidianamente, caso contrário acontece algo que é muito comum nas universidades: a ocorrência de muitos profissionais que são extremamente acadêmicos e teóricos e pouco práticos. Eles são capazes de formular os melhores modelos, conceitos, teorias e tudo o mais, porém sendo suas pesquisas em sua maior parte frutos de experiências em laboratórios, elas causam pouco impacto imediato na vida das pessoas. Claro que nem sempre é assim e que os acadêmicos devem ser reconhecidos pelas suas pesquisas, mas talvez o ponto mais importante de um projeto de transporte deve ser como esse projeto vai impactar positivamente a vida das pessoas, se ele vai cumprir com os objetivos definidos e não só se limitar a questões técnicas.
 

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Mas é aí que entra a função e exigência de um corpo técnico completo, composto por vários profissionais em várias áreas. Além da exigência, por lei federal, de haver audiências públicas para mostrar à população o que se pretende e de que forma se espera resolver/atenuar algum problema ou evidenciar (ou não) a qualidade de uma obra proposta.

Cito como exemplo onde trabalho...

Trabalho em uma empresa terceirizada de várias prefeituras de MT e GO além de participar juntamente com o governo de ambos os estados. Só na central de Goiânia (onde atualmente gerencio a área de projetos rodoviários) existem 28 profissionais de várias áreas... desde áreas como economia e administração, passando por várias outras da engenharia e arquitetura, até chegar as áreas ambientais e jurídicas.

Qualquer projeto realizado pela firma tem a necessidade de ser aprovado por todas as áreas que compõem o corpo técnico da empresa. O que acaba detonando os projetos são as contenções de custos pelo poder público, onde acabam, muitas vezes, onerando em demasia a qualidade dos projetos.

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^^ Mas se alguém faz um metrô que rode a 120km/h com profundidade de 150m em um sistema que se torna vazio por isso, há uma falha técnica, obviamente. Um projeto de metrô decente considera todas essas variáveis!

Continuo discordando que quem projeta um sistema precisa "vivenciar o sistema". Nào precisa, basta ter dados precisos, amplos e muito complexos para analisar. Por exemplo, há várias modelagens feitas para explicar comportamento de massas humans em deslocamento. É uma ciência por si só, com muitas aplicações interessantes, do fluxo de pessoas em um terminal aéreo a medidas de segurança para evitar mortes por esmagamento em caso de incêndio de uma boate. Um projetista setando em Madrid ou Sydney pode fazer, tranquilamente, um projeto de circulação para um metrô em Fortaleza se tiver os dados precisos plotados em um mapa de circulação, P.O.D., além de usar modelos consolidados de circulação de pessoas, de refrigeração e controle térmico etc. Não é necessário jamais ter pisado em Fortaleza para poder participar de um projeto de Metrô por lá, desde que outros tenham coletados dados necessários.

É muito mais fácil um Ph.D em sistemas ferroviários aprender sobre fluxos de pessoas em espaços confinados do que o Zezinho sem ensino médio que reclama do calor e do aperto aprender a calcular uma integral ou ter qualquer ideia de como se escava um túnel em área habitada...
 

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Eng. Tráfego e Designer
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^^ Mas se alguém faz um metrô que rode a 120km/h com profundidade de 150m em um sistema que se torna vazio por isso, há uma falha técnica, obviamente. Um projeto de metrô decente considera todas essas variáveis!

Continuo discordando que quem projeta um sistema precisa "vivenciar o sistema". Nào precisa, basta ter dados precisos, amplos e muito complexos para analisar. Por exemplo, há várias modelagens feitas para explicar comportamento de massas humans em deslocamento. É uma ciência por si só, com muitas aplicações interessantes, do fluxo de pessoas em um terminal aéreo a medidas de segurança para evitar mortes por esmagamento em caso de incêndio de uma boate. Um projetista setando em Madrid ou Sydney pode fazer, tranquilamente, um projeto de circulação para um metrô em Fortaleza se tiver os dados precisos plotados em um mapa de circulação, P.O.D., além de usar modelos consolidados de circulação de pessoas, de refrigeração e controle térmico etc. Não é necessário jamais ter pisado em Fortaleza para poder participar de um projeto de Metrô por lá, desde que outros tenham coletados dados necessários.

É muito mais fácil um Ph.D em sistemas ferroviários aprender sobre fluxos de pessoas em espaços confinados do que o Zezinho sem ensino médio que reclama do calor e do aperto aprender a calcular uma integral ou ter qualquer ideia de como se escava um túnel em área habitada...
Nisso (negritado) eu discordo (aliás, em partes)...

Concordo q é muito mais fácil um engenheiro saber muito mais sobre tendências de fluxo, movimentos pendulares, horários de pico e a intensidade dos mesmos, do que o zezinho da esquina...

Mas sem ouvir o Zezinho da esquina (falando dos usuários/beneficiários de tal possível obra) detalhes importantes podem passar desapercebidos, como exemplo, citado por ti: deixar de se colocar um sistema de refrigeração do ambiente em uma determinada linha/estação de metrô.

O máximo de informações coletadas (independente de onde venham: técnicos ou "zézinhos") são convenientes na hora da execução/realização de um projeto.

Aceitando ou não, as falhas em muitas obras são primeiramente detectadas por usuários que utilizam certa intervenção diariamente (muitas vezes são "zézinhos") do que por técnicos q se quer se lembram daquilo que ele projetou ou se recordam apenas qdo olham/admiram seus currículos (vide nossos excelentíssimos sistemas de transporte público).

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Mas sem ouvir o Zezinho da esquina (falando dos usuários/beneficiários de tal possível obra) detalhes importantes podem passar desapercebidos, como exemplo, citado por ti: deixar de se colocar um sistema de refrigeração do ambiente em uma determinada linha/estação de metrô.

(...)

Aceitando ou não, as falhas em muitas obras são primeiramente detectadas por usuários que utilizam certa intervenção diariamente (muitas vezes são "zézinhos") do que por técnicos q se quer se lembram daquilo que ele projetou ou se recordam apenas qdo olham/admiram seus currículos (vide nossos excelentíssimos sistemas de transporte público).
Você está chegando mais perto do que eu quero dizer. O "Zezinho" e o sr. engenheiro tem pontos de vistas diferentes sobre a mesma obra e não quer dizer que eles necessariamente sejam conflitantes -- muitas vezes são complementares. O fato é que se o engenheiro só tiver a visão técnica, ele vai ser um bom técnico e não um bom engenheiro, logo, se for para contratar técnico por técnico, poderíamos contratar um matemático para fazer um projeto de transporte, já que ele conhece várias técnicas e métodos para avaliar transportes, como o CPM.

O grande diferencial de qualquer empreendimento hoje é ter uma visão sistêmica, portanto precisa-se sim saber o ponto de vista do "Zezinho" e do engenheiro. O fato de algum engenheiro ter títulos de Ph.D ou qualquer coisa não é garantia nenhuma de que ele vá fazer bons projetos e criar bons resultados, basta olhar as empresas, por exemplo -- a maioria das empresas de grande sucesso no mundo não é comandada por profissionais que tenham títulos, pois muitos deles nem mestres ou doutores são, mas é fundamental que eles saibam compreender todos os possíveis pontos de vista que a empresa possa ter: o dos diversos departamentos (finanças, marketing, logística, etc), o dos clientes, o dos fornecedores, o dos funcionários e o da comunidade. Isso não quer dizer que o presidente vá cuidar de cada detalhe da operação da empresa, mas saber observar os diferentes pontos de vista é fundamental.

O mesmo vale para qualquer projeto de transporte, pois se não houver um planejamento sistêmico haverá muito disperdício, basta olhar alguns projetos que começaram a ser implantados, logo foram abandonados e nunca concluídos. Assim, se o projetista simplesmente analisar todos os dados relativos ao empreendimento ele pode nem sequer obter todas as informações necessárias, pois as informações são muito mais intangíveis do que os dados, então é aí que entra o Zezinho e a importância de quem está projetando vivenciar a realidade na prática, pois há uma grande parte da realidade que não poder ser traduzida em números e dados.

Mas se alguém faz um metrô que rode a 120km/h com profundidade de 150m em um sistema que se torna vazio por isso, há uma falha técnica, obviamente. Um projeto de metrô decente considera todas essas variáveis!
Isso não é uma questão técnica. A técnica se refere a uma determinada maneira de se fazer alguma coisa ou executar alguma tarefa. Tecnicamente um sistema pode ser ótimo, tendo boa velocidade comercial média, alta disponibilidade operacional, operar eficientemente gastando o mínimo de energia possível e etc e tal. Ainda assim, mesmo com todas essas qualidades técnicas, o sistema pode não ser o mais eficaz de uma maneira geral, não aproveitando todo o potencial para efetivamente causar um impacto positivo na vida dos usuários e da comunidade a que ele serve.
 

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Não diminua o significado de "técnica" para sua argumentação fazer sentido. Técnica envolve sim tudo o que se refere a um projeto, técnica não é só tecnologia.

No caso falamos, eu diria, de técnica de elaboração de projetos, de seleção e coleta de dados. Nesse metrô rápido mas ultra-profundo do exemplo obviamente houve uma falha técnica na escolha dos dados, ignoraram uma coisa básica que é o tempo que o usuário leva entre a superfície e a plataforma.
 

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Discussion Starter · #15 ·
Até que enfim alguém deu uma luz nesta discussão.Grato Street View.

E é justamente esta implicância que tenho: o preconceito do "técnico" contra o cidadão comum, como se o mesmo não pudesse contribuir com nada.

Da Wikipedia:http://pt.wikipedia.org/wiki/Técnica

Técnica é o procedimento ou o conjunto de procedimentos que têm como objetivo obter um determinado resultado, seja no campo da Ciência, da Tecnologia, das Artes ou em outra atividade.

Estes procedimentos não excluem a criatividade como fator importante da técnica. como os conhecimentos técnicos e a capacidade de improvisação. A técnica não é privativa do homem, pois também se manifesta na atividade de todo ser vivo e responde a uma necessidade de sobrevivência. No animal, a técnica é característica de cada espécie. No ser humano, a técnica surge de sua relação com o meio e se caracteriza por ser consciente, reflexiva, inventiva e fundamentalmente individual. O indivíduo a aprende e a faz progredir. Só os humanos são capazes de construir, com a imaginação, algo que logo podem concretizar na realidade.
Sinto que de uns tempos para cá, vem tido um preconceito entre técnicos e cidadãos comuns. Só que esquecem que estes mesmos cidadãos são aqueles que fazem uso do que um técnico faz. E muitas vezes, o conhecimento daquele cidadão se faz presente em um projeto, como exemplificou o StreetView. Certas coisas não se expõe "com números", insisto nisso sim e ninguém me contrarie.

Afinal, existem necessidades também, vivências. Como já falaram, como vão saber se aquele projeto de uma ponte vai render ou atender X pessoas, se aquela ponte é o principal meio que liga uma ponta da cidade a outra e aquilo é necessário para TODOS OS CIDADÃOS? Certas coisas não precisam de calculadoras para saber o resultado.

Índios tem a técnica para fazer bons barcos, isso porque eles tiveram vivência. E pode até ser que eles tenham usado números, no caso para medir o tamanho da tora. Mas eles sabem fazer. Um cidadão comum sabe fazer? Talvez, se lhe derem as informações ou deixarem ele no meio da mata, quem sabe ele não vivencia e aprende a fazer um barco sozinho, igual ao do índio?

E se o conhecimento de engenharia fosse bom, o vice-prefeito desta cidade em que vivo teria aproveitado os conhecimentos dele na política e feito bons projetos. Mas cadê?

Sobre fãs de trens: um pouco de respeito no mínimo com eles também é bom. Não é falar "ah, mas não atende mais o x de pessoas que atendia antes" que vai agradar. Posso estar falando besteira, mas pessoas que gostam de trens, mesmo com aquele senso nostálgico e defensor ferrenho, aceita quando é feito algo justo, e pelo menos é guardado na memória as lembranças daquela ferrovia esquecida, daquele patrimônio histórico, que outrora fora abandonada justamente pois pessoas diziam que não atendiam x pessoas, ao invés justamente de incentivar estas x pessoas a usarem o sistema, quer seja por motivação política ou quer seja porque um grupo de engenheiros quer ganhar dinheiro cortando a cidade com metrôs. :p

Enfim, um pouco menos de "tequiniques" é o que eu pediria, mas infelizmente creio que não é possível. O fórum virou técnico e eu não posso fazer nada a não ser no mínimo xingar para ser banido :p.

Para vocês pensarem:

A palavra se origina do grego techné cuja tradução é arte. A técnica, portanto, confundia-se com a arte, tendo sido separada desta ao longo dos tempos.
 

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Não diminua o significado de "técnica" para sua argumentação fazer sentido. Técnica envolve sim tudo o que se refere a um projeto, técnica não é só tecnologia.
Não diminuí de forma nenhuma o significado de técnica. Veja você mesmo no Michaelis.

http://dic.busca.uol.com.br/result.html?t=10&ref=homeuol&ad=on&q=t%E9cnica&group=0&x=0&y=0


Como eu já falei antes, o lado técnico é somente UM dos lados de um projeto. Entre outros aspectos que um projeto dessa área tem que ser visto são o financeiro (obviamente), o humano (como já insisti bastante aqui) e até mesmo o marketing, para esclarecer aos possíveis usuários do sistema quai serão os benefícios que eles terão toda vez que escolherem utilizá-lo.
 

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Eng. Tráfego e Designer
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Mas os dados financeiros, humanos, ambientais, climáticos, sociais, etc. etc. etc. nunca deixarão de ser TÉCNICOS...

Ouvir a sociedade (e apresentar-lhe a proposta de uma obra) é um detalhe técnico tbém.

Como muito bem disse o Mexicano21 "Técnica envolve sim tudo o que se refere a um projeto, técnica não é só tecnologia."

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Exatamente. Projetos bem planejados, gerenciados e executados envolvem a participação de TODOS (sem exceção) os envolvidos no processo. Desde os que vão financiar, os que vão implantar, os que vão utilizar e os que serão atingidos pelo projeto. Isso implica que futuros usuários têm que ser ouvidos, bem como os empresários e moradores atingidos pelas mudanças.

Só que isso não significa que os desejos de todas as partes serão plenamente atendidos, porque isso costuma ser conflitante (por exemplo, o sonho do usuário do transporte público é viajar sentado, o que nem sempre é viável). São tomadas decisões baseadas em parâmetros considerados razoáveis, e chega-se a uma decisão final. Agradar a todos é impossível, e às vezes algumas partes impõem dificuldades que precisam ser resolvidas de forma desagradável, porém necessária. Mas em um projeto bem executado, as coisas saem de forma bastante satisfatória.
 

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Mas os dados financeiros, humanos, ambientais, climáticos, sociais, etc. etc. etc. nunca deixarão de ser TÉCNICOS...

Ouvir a sociedade (e apresentar-lhe a proposta de uma obra) é um detalhe técnico tbém.

Como muito bem disse o Mexicano21 "Técnica envolve sim tudo o que se refere a um projeto, técnica não é só tecnologia."

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Tecnologia é algo maior que a técnica -- na verdade a tecnologia é um conjunto de técnicas, portanto não se pode fazer essa afirmação de que "técnica não é só tecnologia".

http://dic.busca.uol.com.br/result.html?t=10&ref=homeuol&ad=on&q=tecnologia&group=0&x=42&y=3


A técnica refere-se sim somente à execução ou operação de algo. Temos vários exemplos para provar isso. Eu poderia perguntar quais são as técnicas para se fazer túneis de metrô e alguém me responder cut-and-cover, shield, etc. Poderíamos até mesmo questionar por que alguns aprendem contabilidade, edificações, informática e elétrica em escolas técnicas enquanto outros estudam ciências contábeis, engenharia civil, sistemas de informação e engenharia elétrica na universidade. Nas escolas técnicas a formação é bem mais rápida e totalmente voltada às formas de executar uma ação solicitada por alguém, ou seja, é focada no "como". Já na universidade os estudos analisam não somente as técnicas, mas também outras questões essenciais, como "por que" e "para que".

No final das contas, para ter sucesso, o lado técnico tem que estar alinhado com todos os outros lados do projeto que já citei anteriormente, pois tudo é parte de um todo e o todo não é a técnica -- o todo é o fim e a técnica é um dos meios.
 

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Você ignorou a parte do planejamento, onde faz parte da técnica de desenvolvimento o conhecimento do problema e da região de impacto. Nessa parte, é mandatório ir ao local da intervenção e fazer pesquisas com a população.

Se eu, que desenvolvo softwares, sou obrigado a manter um contato constante com o cliente para que o projeto saia bem feito, imagine como os gestores públicos que vão trabalhar na implantação de um sistema de transportes são obrigados a dialogar com a população.

Isso também é técnica: técnica de gestão.
 
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