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Especial: Por que o Brasil precisa do BNB (Jornal O Povo - Fortaleza, CE)

http://www.bnb.gov.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_do_Nordeste


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http://www.opovo.com.br/app/opovo/e...,2864872/este-banco-interessa-ao-brasil.shtml

HISTÓRIA 24/06/2012

Este banco interessa ao Brasil

Hoje faz 60 que o Senado aprovou a criação do Banco do Nordeste. História marcada por influências políticas, pressão de outras regiões, mas, sobretudo, pela esperança e o trabalho pela superação das desigualdades

O Brasil e o Nordeste são muito diferentes de 60 anos atrás, quando, em 24 de junho de 1952, o Senado Federal aprovou a criação do Banco do Nordeste. Foi a última etapa antes da sanção pelo presidente Getúlio Vargas, em 19 de julho daquele ano. De lá para cá, a realidade regional melhorou bastante e, em boa parte por isso, o País também é melhor. No entanto, muito não mudou nada.

Uma semana após a aprovação no Senado, o então deputado federal cearense Armando Falcão (PSD) foi à tribuna da Câmara, em 3 de julho de 1952. Opositor do getulismo, aplaudiu o que chamou de “uma das poucas iniciativas concretas do atual governo em favor da região”. Não muito diferente dos protestos que ainda se repetem, presidente após outro, sobre a falta de tais políticas.

A sequência do discurso de Falcão o torna ainda mais tristemente atual. Ele dizia que o BNB seria “arma de dois gumes”. “Se entregue a homens competentes e de comprovado espírito público, poderá converter-se em poderoso instrumento de fortalecimento da combalida economia nordestina”. Por outro lado, alertava: “Na hipótese de ser constituída a diretoria ao sopro de meras influências políticas ou à sombra de compensações inconfessáveis, aí então o seu fracasso pode ser anunciado desde já”.

O receio de interferências políticas antecede a criação do banco, mas sempre esteve além da composição das diretorias - e não raro veio de fora.

Lobby café com leite
A ideia do BNB partiu do ministro da Fazenda de Vargas, Horácio Láfer, impressionado que ficou durante visita à região, em 1951, ao se deparar com os horrores da seca. O BNB é filho da estiagem e fundamentado em princípios desenvolvimentistas da então recém-criada Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). As décadas que se seguiram ajudaram a demonstrar que a problemática regional ia muito além do clima.

Naquela época, surgiu articulação dos dois estados politicamente mais poderosos do Brasil - São Paulo e Minas Gerais - para que instituição nos mesmos moldes fosse criada para beneficiá-los.

O lobby sudestino não teve sucesso diretamente, mas o Governo Federal teve de dar satisfação ao resto do Brasil. A aprovação do BNB pelo Senado ocorreu quatro dias após a sanção da lei que criou o então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, atual BNDES. Na prática, estabeleceu-se divisão na qual o BNB cuidava do Nordeste e o BNDES do Sul e, principalmente, Sudeste.

Mas, na condição de maior instituição da América Latina voltada ao desenvolvimento de uma única região, a ciumeira em relação ao BNB foi óbvia. Não por acaso, são constantes as investidas com objetivo de lhe extrair poder e atribuições.

O Nordeste está longe de ser o que precisa, mas já não é o que já foi, muito em função da atuação do BNB. Como você verá nas próximas páginas, a região de hoje seria impensável sem ele, em múltiplas dimensões.

O protesto de Armando Falcão contra a falta de políticas regionais permanece atual. A arma ainda tem dois gumes, mas cabe aos agentes políticos fazer com que prevaleça o instrumento do desenvolvimento e seja extirpado qualquer interesse outro.

O que persiste de miséria não é problema só do Nordeste, mas do País. Seu atraso puxa o Brasil para trás e seu crescimento o impulsiona. O BNB é esperança de solução não apenas para os nordestinos, mas para os brasileiros.

Quando

ENTENDA A NOTÍCIA

Os 60 anos da aprovação do BNB no Senado ocorrem em momento de crise, com a diretoria derrubada por denúncias de corrupção e em meio a disputa política para preenchimento dos cargos.

NÚMEROS

10,9
milhões de operações foram contratadas através do Crediamigo

35,1
bilhões de reais foram alocados desde 1989 pelo BNB no semiárido

827
mil contratações do Crediamigo já foram realizadas em 2012




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http://www.opovo.com.br/app/opovo/e...conomia,2864843/a-hora-do-peso-politico.shtml

CRISE 24/06/2012

A hora do peso político

A crise institucional do Banco do Nordeste fez o Governo substituir parte da diretoria. Agora, o Ceará terá de trabalhar para manter o controle do BNB, que, além de dividendos, gera prestígio político

Sediar e controlar uma instituição com o vigor administrativo e o peso econômico do Banco do Nordeste (BNB) significa, fatalmente, desfrutar de força política. Com o BNB, o Ceará torna-se o eixo pelo qual circundam negócios e articulações que levam o Estado a um patamar diferenciado de relevância em relação a alguns vizinhos. É por isso que, agora, diante da crise que atinge o Banco, acende-se o sinal de alerta sobre a capacidade cearense de se manter no comando. Afinal, perder as rédeas da Instituição também significa, fatalmente, sofrer prejuízos na cota de prestígio político.

Com a saída de parte da diretoria do BNB devido a denúncias de irregularidade, e após o afastamento do cearense Jurandir Santiago da presidência por suspeitas de envolvimento no escândalo dos banheiros, o Governo Federal decidiu colocar um baiano no topo do BNB. Paulo Ferraro é ligado ao PT do governador da Bahia, Jaques Wagner, e assumiu o cargo interinamente, por tempo indeterminado.

Diante disso, a atuação do Ceará a partir de agora pode se dar em duas frentes: a primeira consiste em convencer o Governo Federal de que, após o período de transição, o controle do BNB deve permanecer com o Estado; a segunda, mais específica, versa sobre a indicação de um nome para assumir a presidência do Banco.

Por enquanto, deputados e senadores ouvidos pelo O POVO dão sinais de que o trabalho da bancada ainda não deslanchou. Nas duas frentes, as movimentações ainda se restringem aos bastidores. O grupo ainda não tem reunião marcada, oficialmente, para discutir o assunto e, segundo o senador Inácio Arruda (PCdoB), o diálogo entre os parlamentares se dá por meio de telefonemas e conversas nos corredores.

“A primeira questão é que a gente não comece pelo nome. Se cada um da bancada apresentar um nome, não dá certo. Além disso, os últimos episódios estão obrigando as pessoas a pensar mais sobre quem indicar. Primeiro vamos mostrar que o Ceará tem condições de apresentar opções de qualidade. E, mais que isso, vamos levantar o discurso do equilíbrio. Temos de considerar que Pernambuco e Bahia já têm outras instituições de grande porte”, avaliou Inácio.

Apesar do discurso do senador, alguns nomes têm sido ventilados como possíveis indicações dos partidos para o lugar de Ferraro – que a Bahia deverá brigar para manter. Enquanto os petistas optam pelo silêncio, no aguardo até que a poeira baixe, do lado do PMDB já se fala no secretário-geral do partido no Ceará, João Melo, e no atual diretor de Mercado de Capitais do BNB, Fernando Passos, como futuras opções.

Atuação do Governo
Na última quinta-feira, o governador Cid Gomes (PSB) disse que tentará ajudar na articulação da bancada cearense em busca de um consenso, embora afirme que não dará qualquer sugestão para o cargo. “Só indico quem eu tenho poder de demitir”, desconversou.

Apesar das críticas à interferência partidária no Banco, o governador defendeu a vinculação política dos dirigentes. “A pessoa ter conhecimento técnico é importante, mas as forças se organizam é na política. O errado não é a indicação; o errado são os indicados se desviarem”, defendeu.

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

Ao lado do DNOCS, o BNB é uma das principais instituições do Ceará e do Nordeste, com capital de R$ 2,3 bilhões e quase 60 anos de existência. O Banco atua em mais de dois mil municípios e financia de agricultores a empresários.

NÚMEROS

25
parlamentares tem, no total, a bancada federal cearense

4
bilhões de reais é o aporte que o BNB acaba de conseguir

Quadro

Galeria de ex-presidentes recentes do BNB e suas influências políticas:

Jurandir Santiago: é servidor de carreira da Caixa Econômica Federal e chegou ao BNB, em junho de 2011, ungido pelo PT, após articulações coordenadas pelo deputado federal José Guimarães (PT). O governador Cid Gomes (PSB) ajudou a emplacar o nome. Jurandir era secretário adjunto da Secretaria Estadual das Cidades. Deixou o comando do Banco há algumas semanas, por suspeita de envolvimento no escândalo dos banheiros.

Roberto Smith
Economista, com pós-doutorado feito na França, atuou como professor do curso de Economia da Universidade Federal do Ceará antes de ser indicado para o BNB, em 2003, também por influência do PT, partido ao qual é filiado. As articulações também foram orquestradas pelo deputado José Guimarães.

Byron Queiroz
Chegou em 1995 ao BNB, durante o Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) por influência do então governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), de quem ele foi secretário de Planejamento. Sua administração enfrenta acusações de crime contra o sistema financeiro, com denúncias sobre supostas operações irregulares de crédito.





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http://www.opovo.com.br/app/opovo/e...2864836/o-bnb-de-que-o-nordeste-precisa.shtml

PONTO DE VISTA 24/06/2012

O BNB de que o Nordeste precisa

Kamila Fernandes, editora-adjunta do Núcleo de Negócios

O Banco do Nordeste não é perfeito. Burocracia demais, recursos insuficientes, falta de assistência técnica. Os problemas são inúmeros e complexos. Porém, nada tira o mérito da instituição, que aos poucos ajuda a transformar a parte mais pobre do País numa região de empreendedores, de pessoas que olham para o futuro com esperança e sonhos. Seja para financiar a grande fábrica de cerâmica, seja para apoiar a dona-de-casa que vende cosméticos a ganhar sua independência financeira, o banco está apto a desembolsar recursos. Coisa que outras instituições públicas, como o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que teria no “S” uma missão social de nascença, não cumprem - com os olhos e os esforços mais voltados para os “grandes”.

O que torna ainda mais grave todo e qualquer tipo de desvio de recursos ali dentro. É inadmissível que gestores de um banco de fomento da região mais pobre do País desviem parte dos recursos para se beneficiar ou para favorecer políticos que os apadrinham. Essas situações, expostas nas últimas semanas pelo O POVO, precisam ser apuradas e os responsáveis, exemplarmente punidos.

Contudo, isso não pode significar nunca penalizar o banco, ou enfraquecê-lo. O BNB é importante demais para os Estados do Nordeste, como mostram os números dos investimentos na região (veja quadro na página 32). Bilhões de reais investidos em pequenos e grandes empreendimentos, que significam um reforço importante na busca pelo desenvolvimento econômico e, porque não, pelo fim da pobreza.

Agora, mais do que nunca, é hora de fortalecer o banco. E, para isso, é importante que o Ministério da Fazenda e a própria presidente Dilma Rousseff tomem a instituição como um espaço prioritário, que merece um olhar especial e, sobretudo, técnico. Isso não significa que a política deixará de influenciar o banco, mas que esta ficará restrita à formulação das políticas de investimentos, determinando prioridades e focos. Nada de favorecimentos partidários ou pessoais. O Nordeste precisa do BNB forte.



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Imagens do caderno especial
Fonte: http://digital.opovo.com.br/















 
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