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Série de reportagens publicadas no jornal O Globo sobre o assunto:

Injeção de R$ 211 bilhões no PIB e exportações para 180 países
Crescimento sustentável? Rio é o estado que mais recebe investimentos: são 200 projetos públicos e privados, do petróleo ao turismo. Para especialistas, infraestrutura e educação precisam melhorar


Fabiana Ribeiro
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 23h10

RIO - Segunda maior economia do Brasil, o Rio de Janeiro é o estado que mais recebe investimentos, por metro quadrado, em todo o planeta. Até 2014, serão R$ 211,5 bilhões em mais de 200 projetos públicos e privados no estado — a maioria já em andamento, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Puxados pelos setor de petróleo, esses empreendimentos abraçam atividades como turismo, logística e indústria. Nos holofotes do mundo por causa da Copa e das Olimpíadas, o estado tem desafios a superar para crescer de forma sustentada. Da educação à tecnologia. Da competitividade à mobilidade. Da energia à infraestrutura. A começar por intensificar a economia no interior, desenvolver polos industriais e melhorar a mobilidade no estado, como mostra este caderno especial “Desafios do Rio”.

Guilherme Mercês, gerente de Estudos Econômicos da Firjan, frisa que o estado atrai volumes recordes de investimentos, e não só na área de petróleo — principal motor da economia fluminense, que enfrenta a polêmica da disputa pelos royalties. E estes também não se limitam à capital: o interior ganha força. Canteiros de obras se espalham no estado, como a nova fábrica da Nissan em Resende (Sul Fluminense), o Comperj (Itaboraí), as obras do metrô na capital ou melhorias no saneamento.

— O Rio é o estado que mais recebe investimentos. Está num momento econômico que cria janelas de oportunidades únicas em diferentes setores: turismo, petróleo, indústria naval até a indústria criativa. São investimentos que vão transformar a vida da população e aumentar a competitividade do estado — diz Mercês.

Mesmo na área de investimentos, há desafios a vencer, acrescenta ele. Um deles é levar cada vez mais novos empreendimentos para o interior.

— A economia do Estado do Rio vai além do petróleo. Não à toa, toda a indústria exporta para 180 países. Então, precisamos intensificar isso. É preciso, por exemplo, arrastar o crescimento para o interior do estado, especialmente para o Noroeste — receita o executivo da Firjan, cujo balanço sobre exportações mostra que o estado vende para Estados Unidos, França, Holanda, Índia, China, Arábia Saudita e até para a pequena Santa Lúcia, no Caribe.

Para Mauro Osório, especialistas em economia fluminense, os investimentos mostram que o Estado do Rio está em plena atividade, deixando para trás os anos de estagnação. Entretanto, ele acredita que desenvolver políticas de “encadeamento dos setores”, a partir de polos industriais, é uma das estratégias para fazer a economia do Rio se desenvolver ainda mais nos próximos anos.

— A economia do Rio deveria se concentrar em quatro complexos produtivos: de petróleo e gás, de saúde, de entretenimento, cultura, esporte e turismo, e de construção civil. Hoje, para citar, apenas em Búzios, Paraty e Itatiaia, o turismo tem importância econômica para o município. É possível ampliar isso — avalia Osório.

Desiguldade menor do que a média

Ainda que a economia do Rio seja bastante dependente do petróleo, o setor de serviços — boa parte, aliás, ligada ao segmento de energia — responde por mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) do Rio, de R$ 407,12 bilhões em 2010 (último dado disponível). Tamanho peso demonstra que a vocação do estado está justamente nesse segmento. Especialistas ressaltam que o setor de serviços é grande empregador de mão de obra.

Nesse contexto, ganha força a defesa da indústria criativa, que engloba arquitetura, publicidade, design, mercado editorial, artes, moda, artes cênicas e música. É no Rio, aliás, que a indústria criativa tem o maior peso na economia: 4,1% de tudo o que é produzido no estado. São 26 mil empresas, com 96 mil trabalhadores.

— A indústria criativa tem tudo a ver com o potencial do Rio de Janeiro, além de ser forte empregador — afirma Marcelo Haddad, diretor-executivo da Rio Negócios.

Na terra dos investimentos, a educação de ponta se destaca, mas o ensino básico fica na média nacional. Só a capital concentra quatro dos melhores cursos de pós-graduação do Brasil. E mais centros de pesquisa estão se instalando aqui. Isso faz com que o trabalhador do Rio seja considerado um dos mais bem formados do país. Mesmo em tempos de economia fraca, são contratados em outros estados. E, com mais formação e renda, a desigualdade fluminense é menor do que a brasileira. O Índice de Gini (varia de 0 a 1, quanto mais perto de 1 maior é a desigualdade) ficou em 0,492 no Rio em 2011, contra 0,501 no país, diz o IBGE.

Com investimentos e mercado de trabalho aquecido, o Rio vai ficando “pequeno” para sua população de quase 16 milhões de pessoas. Com isso, na capital os bairros crescem, em especial na Zona Oeste. A nova geografia demográfica impõe desafios na gestão pública de transportes: o governo tem a tarefa de unir os polos do município que concentram moradores aos centros geradores de empregos, sem agravar o já caótico trânsito.

— Mesmo com a economia em expansão em muitos segmentos, o grande problema do Rio de Janeiro recai, muitas vezes, na falta de planejamento, nas políticas descoordenadas e nos ciclos de investimentos sem sustentabilidade. É preciso criar uma estrutura de planejamento e adensar a estrutura produtiva. Está na hora de discutir o crescimento do Rio — afirma Bruno Leonardo Barth Sobral, professor da UFRJ.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/in...rtacoes-para-180-paises-6877663#ixzz2DfjwCipu
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Se fosse um país, estado seria o 18º maior produtor de petróleo
Rio terá R$ 122 bilhões em investimentos no setor. Especialistas alertam para necessidade de viabilizar sistemas de produção no pré-sal e recuperar produtividade da Bacia de Campos


Danielle Nogueira
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


Obras da usina nuclear de Angra 3, que terá capacidade de geração de 1.405 megawatts.
Foto: Divulgação


RIO – O Estado do Rio receberá R$ 122,4 bilhões em investimentos em energia entre 2012 e 2014, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O valor representa 58% do total a ser investido no estado no período e está concentrado no setor de óleo e gás (R$ 114,2 bilhões), carro-chefe da economia fluminense. O Rio é uma potência petrolífera. Responsável por cerca de 80% da produção brasileira, ele produziu em média 1,5 milhão de barris de óleo equivalente (inclui óleo e gás) por dia em setembro, bem à frente do segundo colocado, o Espírito Santo (317,8 mil barris por dia). Se fosse um país, ocuparia o 18º lugar no ranking mundial, deixando para trás nações como Indonésia e Índia.

A descoberta do pré-sal pode mudar esse panorama, ao ampliar a produção de petróleo de São Paulo e Espírito Santo. Isso impõe desafios à indústria petrolífera do Rio, especialmente num momento em que se discute a perda dos royalties do petróleo por estados produtores, após a aprovação no Congresso do projeto de lei do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), que redistribui esses recursos. Para especialistas, entre os desafios estão viabilizar a produção no pré-sal em litoral fluminense, a até sete mil metros de profundidade, e recuperar a produtividade da Bacia de Campos, principal província petrolífera do país, onde a Petrobras iniciou a exploração em alto-mar nos anos 70.

Criar ‘parque de fornecedores local’ é desafio

Dos R$ 114,2 bilhões que serão investidos em projetos de petróleo e gás no Rio, R$ 107,7 bilhões virão de Petrobras e parceiros. O montante será destinado ao desenvolvimento de campos do pré-sal e pós-sal e a projetos de apoio, como construção de dutos para escoamento, sondas e plataformas. O plano de negócios da estatal prevê que, entre 2012 e 2014, entrarão em operação dez novos grandes sistemas de produção nas bacias de Campos e Santos, a nova fronteira petrolífera nacional. Seis deles estão em águas sob jurisdição do Rio: Cidade de Paraty, Papa Terra (P-61 e P-63), Roncador Módulo III (P-55), Roncador Módulo IV (P-62) e Cidade de Mangaratiba. Será um mar de encomendas para a cadeia produtiva.

— Temos o desafio de trazer mais fornecedores para o Estado do Rio. Fizemos um bom trabalho com os centros de pesquisa e, agora, temos de aproveitar essa onda de investimentos para consolidar um parque de fornecedores local — explica Cristiano Prado, gerente de Competitividade da Firjan.

Os novos sistemas de produção vão se unir a campos no pré-sal que passaram a operar recentemente — o primeiro óleo foi extraído em setembro de 2009. E o Rio aparece com destaque de novo. Hoje, dos seis campos em operação no pré-sal, metade está no litoral fluminense: Marlim (área de Brava), Barracuda e Caratinga (áreas de Carimbé e Nautilus), e Marlim Leste (Tracajá). Juntos, eles produzem em média 43,8 mil barris de petróleo por dia, ou 22% da produção brasileira no pré-sal.

Potencial também em águas rasas

Também há promessas em águas rasas. A OGX, empresa do grupo de Eike Batista, pretende iniciar a atividade de dois FPSOs (navios que processam e armazenam petróleo) na Bacia de Campos, para desenvolver os campos de Waimea e Tubarão Martelo em 2013. Em outubro, a produção média mensal da OGX foi de 10,3 mil barris de óleo equivalente. O número é bem mais modesto que o da Petrobras, mas nem por isso menos importante. A empresa planeja investir, só no ano que vem, US$ 1,2 bilhão, ou quase R$ 2,5 bilhões. Mais negócios para os fornecedores.

Paralelamente aos investimentos em novos projetos, a Bacia de Campos vai receber uma enxurrada de recursos para elevar sua produtividade. Em atividade há mais de 30 anos, boa parte de seus campos está madura, com produção em declínio. A Petrobras tem duas unidades operacionais (UO) que respondem pelas plataformas daquela bacia: a UO-Bacia de Campos e a UO-Rio. A empresa vai investir US$ 6,3 bilhões até 2016 para recuperar os índices de eficiência operacional dessas unidades. A meta é voltar ao patamar de 90%, contra os 70% deste ano.

Para o secretário estadual de Desenvolvimento do Rio, Júlio Bueno, os pesados investimentos em petróleo e gás seguem a vocação natural do estado. Ele frisa, porém, que o governo estadual está empenhado na diversificação:

— Temos aportes em infraestrutura, com destaque para os portos, e o polo automotivo no Sul Fluminense, que ganhou força com a vinda da Hyundai. O petróleo é nossa alavanca, mas temos projetos em várias áreas — afirma.

No levantamento da Firjan, a geração de eletricidade responderá por R$ 8,2 bilhões até 2014, dentro daqueles R$ 122,4 bilhões. A cifra representa basicamente o investimento na usina nuclear de Angra 3 (1.405 megawatts). Ao lado de Angra 1 e 2, ela atenderá, a partir de 2016, a cerca de 60% da demanda por eletricidade do estado.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/se...or-produtor-de-petroleo-6876041#ixzz2DfkWKdoM
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Corrida para Zona Oeste exige investimento em transportes
Aumento da população em áreas longe do Centro requer soluções de massa. Trens e metrô devem ser prioridade, dizem técnicos


Danielle Nogueira
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


Moradia deve ser estimulada no Centro, que tem 35,4% dos empregos e 4,7% dos moradores do Rio.
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo


RIO – O Rio de Janeiro se expande para a Zona Oeste. Dos dez bairros que mais crescem na capital, oito estão nessa área, segundo o IBGE. Camorim lidera as estatísticas, com crescimento populacional de 150,6% entre 2000 e 2010. Recreio e Barra da Tijuca também estão entre os que encabeçam a lista, com aumentos de 118,9% e 47,4%, respectivamente. Bem acima da variação da população carioca no período (7,8%).

Os novos moradores acompanham o movimento do setor imobiliário, que tem concentrado seus lançamentos na Zona Oeste devido à maior disponibilidade e preços mais baixos de terrenos que em outras regiões, como Zona Sul e Centro, onde muitos bairros estão encolhendo. São Cristóvão, por exemplo, é o bairro que mais perde gente no Rio. Em 2010, havia 30% menos moradores que no início da década.

A migração resulta ainda da prioridade dada aos investimentos públicos em infraestrutura na Zona Oeste, a reboque das Olimpíadas de 2016, e da fuga da população para condomínios fechados devido à violência. Embora esse movimento tenha perdido força com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), foi forte nos anos 2000, o que fez de bairros como a Barra verdadeiros ímãs de gente.

A nova geografia demográfica vem criando desafios para a gestão pública de transportes. Como a maior parte dos deslocamentos é feita entre casa e trabalho, o governo tem pela frente a tarefa de unir os polos do município que concentram moradores aos centros geradores de empregos, sem agravar o já caótico trânsito na cidade.

Para especialistas, a solução de curto e médio prazo é investir no sistema público de transportes, com ênfase na redução do tempo de espera nos trens da Supervia e na expansão do metrô. A longo prazo, a estratégia deve ser acompanhada por políticas de habitação e desenvolvimento que estimulem a moradia onde está o emprego, e vice-versa.

Levantamento feito pelo especialista em planejamento urbano Mauro Osório mostra que a população carioca está concentrada na chamada Zona Suburbana (basicamente Zona Norte, excluindo Tijuca) e na Zona Oeste, que detêm, juntas, 79,3% dos residentes. A oferta de trabalho formal nas duas áreas responde por 46,9% do total. No Centro, ocorre o inverso. Enquanto 35,43% dos empregos formais estão lá, a região abriga apenas 4,71% dos moradores do Rio.

— Temos de estimular novas moradias na área de planejamento 1 (Centro e Zona Portuária), bem como o adensamento produtivo na área de planejamento 5 (antiga área rural do Rio, que responde por parte da Zona Oeste, como os bairros de Santa Cruz e Campo Grande). Ao mesmo tempo, precisamos desestimular a moradia na Zona Oeste, ao contrário do que vem sendo feito hoje — diz Osório, que coordena o Observatório de Estudos sobre o Rio da Faculdade de Direito da UFRJ.

Boa parte dos projetos que visam a melhorar a mobilidade urbana tem a Zona Oeste como eixo central. Entre eles estão os quatro corredores logísticos batizados de Bus Rapid Transit (BRT), que têm R$ 5,2 bilhões de investimentos públicos. Pensados em conjunto, os corredores tornarão mais fácil a vida de turistas e atletas que chegarem ao Rio para os Jogos Olímpicos de 2016, mas vão resolver parcialmente problemas dos moradores da cidade, dizem especialistas.

O primeiro BRT, a Transoeste, foi inaugurado em junho deste ano e liga Santa Cruz ao terminal Alvorada, na Barra. A Transcarioca, em obras, ligará a Barra ao Aeroporto Internacional Galeão/Tom Jobim. A Transolímpica, por sua vez, conectará o Recreio a Deodoro, no subúrbio da Central do Brasil. E a TransBrasil ligará Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro. Todas as vias estarão prontas até 2016, e estima-se que reduzirão em até 60% o tempo gasto no trajeto.

— Os BRTs são uma boa solução a curto e médio prazos, mas são suficientes? Provavelmente não. A maior parte das pessoas que se deslocam diariamente vai para o Centro. É preciso criar mais alternativas para ligar a Zona Oeste ao Centro, como uma linha dupla do metrô — diz Paulo Cézar Ribeiro, do Programa de Engenharia de Tranportes da Coppe/UFRJ.

Supervia amplia frota e revitaliza estações

Com investimento previsto de R$ 5,6 bilhões, a linha 4 do metrô ligará a Barra a Ipanema, numa linha contínua à que conecta o bairro da Zona Sul ao Centro. O ideal, diz Ribeiro, é que as composições que partissem da Barra seguissem para Botafogo, por exemplo. O especialista em transportes da Uerj Alexandre Rojas lembra que um ônibus transporta até cem pessoas, enquanto uma composição do metrô, até três mil. Daí sua relevância para desafogar o trânsito.

Rojas ressalta ainda a importância dos trens da Supervia. Para ele, é preciso não apenas modernizá-los como reduzir o intervalo entre eles, de modo a atrair mais usuários e, assim, diminuir o número de veículos em circulação.

A Supervia está investindo, em parceria com o governo do estado, R$ 2,4 bilhões até 2020 na modernização e expansão da frota, revitalização das estações e sinalização. Está prevista a compra de 120 trens chineses e a reforma de outros 73 até 2016. Uma leva de 29 composições (com quatro carros cada) já chegou ao Brasil, uma oferta adicional de cem mil lugares.

A promessa da companhia é que, com os novos trens, o tempo de espera dos usuários cairá para até três minutos no ramal Deodoro e para seis minutos nos demais ramais. Hoje, quem opta por esse meio de transporte tem de esperar pelo menos o dobro do tempo.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/co...stimento-em-transportes-6876253#ixzz2DflDnlOA
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Rio no mapa da tecnologia e ciência de ponta global
Aproximação entre universidades do Rio e empresas, motivada pelo pré-sal, incentiva setor. Mas biotecnologia e energia renovável ainda são incipientes


Henrique Gomes Batista
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


Parque Tecnológico na Ilha do Fundão: área para empresas passará dos atuais 20 mil para 90 mil km2.
Foto: Divulgação


RIO – A revista de ciência para o público geral de maior circulação do mundo, a “Scientific American”, está planejando fazer um suplemento especial sobre o Rio no início de 2013. No último processo de seleção de pesquisadores bolsistas do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), no Jardim Botânico, foram 160 estrangeiros e só dez brasileiros se inscrevendo para as quatro vagas. No ano que vem, várias multinacionais inauguram seus centros de pesquisa na cidade. Exemplos como esses mostram um renascimento da pesquisa e da tecnologia do Estado do Rio, que tende a ficar, cada vez mais, nas fronteiras do conhecimento. Mas, para isso, é preciso superar desafios, como transformar em qualidade de vida as inovação criadas, ainda muito restritas à indústria de petróleo e gás, embora especialistas comecem a vislumbrar oportunidades boas em áreas como biotecnologia e energias renováveis, por enquanto com pesquisas incipientes.

Esse movimento — criado com o Parque Tecnológico da UFRJ, administrado pela Coppe — ganhou força com a descoberta do pré-sal. Mas, hoje, o avanço ocorre em diversas áreas. E, embora acredite que a cidade esteja colhendo os frutos do trabalho bem feito na Coppe nas últimas décadas, Maurício Guedes, idealizador e administrador do Parque Tecnológico do Rio, não para de pensar no futuro e em como agregar valor social à ciência, outro desafio.

— Em 2013 vamos fazer um planejamento do Parque Tecnológico para os próximos 30 anos. Acredito que a ciência vai ultrapassar as fronteiras da Cidade Universitária, indo para o entorno e para toda a cidade. O difícil é imaginar as sinergias que podem surgir em 20 ou 30 anos, até porque estamos no caminho certo das parcerias com as empresas. O Brasil sempre se destacou pela produção científica, somos o 13º país com mais publicações, mas fomos fracos em inovação — afirma Guedes.

Rio terá torre da inovação, com espaço para 100 empresas

No momento, o Parque tecnológico tem 20 mil metros quadrados de área disponível para empresas e deverá ganhar mais 70 mil metros quadrados em breve. Além disso, quer ver funcionando até 2016 a Torre da Inovação, prédio que poderá receber cem micro e pequenas empresas de inovação. Até o momento, já se instalaram companhias como Baker Hughes, FMC Technologies, Schlumberger, Halliburton, TenarisConfab, BG, EMC, Siemens, Georadar, BR Asfaltos. GE e L’Oréal vão para o Polo Verde, contíguo à Ilha do Fundão:

— O que temos aí é uma concentração de cientistas e pesquisadores que favorece outras empresas a virem para o Rio. São milhares de cérebros juntos, há uma força do ambiente.

Além do Parque Tecnológico, outras empresas, de novos setores, já anunciaram centros de pesquisa na cidade, como a Rolls-Royce, em Santa Cruz; a Clariant Oil Services, na Barra; a Microsoft, na Zona Portuária; e a Sautec, dedicada a pesquisas com células-tronco e doenças cerebrais como Alzheimer e Parkinson, também na Zona Portuária.

— Aqui estamos investindo em conhecimento, estamos produzindo a vacina contra a doença holandesa — brinca Guedes, referindo-se aos problemas que as economias de alguns países sofrem por ficarem dependentes apenas de algumas commodities.

O exemplo da Coppe/UFRJ veio para ficar. Neste momento o Estado do Rio planeja outros três parques tecnológicos: na Universidade Federal Rural do Rio, em Petrópolis e em Macaé. Os projetos começam a ganhar forma:

— Temos muito a crescer, aproveitar sinergias e criar conhecimento que vai garantir um desenvolvimento sustentável para o estado — conta Sérgio Teixeira, superintendente de Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio.

Atração de profissionais especializados de fora

De acordo com ele, o parque previsto na Universidade Rural ficará às margens do Arco Rodoviário, em Seropédica, terá 800 mil metros quadrados e poderá fazer parcerias com órgãos como Embrapa e Emater. Já o polo de Petrópolis será baseado em software e no Laboratório Nacional de Computação Científica, localizado na cidade. O projeto de Macaé, além de estruturado na indústria do petróleo, pretende criar empresas inovadoras em geral, dentro do projeto Macaé Tecnópole.

— Acreditamos que o projeto tem o potencial de garantir uma sobrevivência digna a Macaé quando os recursos do petróleo começarem a cair. Temos condições de ser um polo inventivo — afirmou Dr. Aluízio (PV), prefeito eleito da cidade, comprometendo-se com o projeto, mas sem dar uma data para sua inauguração.

O secretário estadual de Ciência e Tecnologia do Rio, Luiz Edmundo Costa Leite, afirma que o modelo para esses polos é o da Ilha do Fundão, mas aproveitando as peculiaridades de cada região. Embora reconheça que o petróleo e o gás vão liderar o movimento pela inovação no Rio, ele aponta segmentos com grande potencial:

— Acreditamos que temos boas oportunidades em biotecnologia e energia, em especial energia renovável. Temos de incentivar essas inovações, que têm o potencial de alterar a vida cotidiana do cidadão — diz Costa Leite, lembrando a importância de entidades como Fiocruz e Inmetro para o desenvolvimento tecnológico do estado nos próximos anos.

César Camacho, diretor do Impa, disse que sente na instituição o interesse que o Rio está gerando na comunidade científica internacional. Ele conta que, na última seleção para pesquisadores, houve muito mais interesse de estrangeiros com doutorado que de brasileiros:

— Estamos pagando R$ 7,5 mil de bolsa, um valor maior que na Europa. Temos um nome firme, as pessoas têm interesse em vir para cá e agora estão chegando, principalmente depois da melhoria na segurança pública da cidade. Um desafio é atrair cérebros do exterior, e acredito que o Impa está avançando nessa direção.

Mas não são só os centros de pesquisa que atraem cérebros de fora. As empresas também aumentam a diversidade de formação. Gabriela Lessa, do Veirano Advogados, conta que ter fechado 500 contratos de trabalho para estrangeiros até o terceiro trimestre deste, mais que o total de 2011. E 86% destes foram para o Rio.

— O setor de petróleo e gás lidera, seguido dos profissionais de TI — diz Gabriela.


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Pensando ‘fora da caixa’, empreendedores avançam
Agência Rio Negócios iniciará programa voltado a microempresas, e Sebrae vai aumentar atendimento e consultoria. Capacitação e gestão são problemas


Bruno Rosa
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


André Souza começou com empresa durante a graduação e, agora, formou parceria com estrangeiros: “As oportunidades são para empreendedores, não para gestores”.
Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo


RIO – Após atrair 23 grandes companhias e investimentos superiores a R$ 3 bilhões, a Rio Negócios, agência de atração de projetos criada pela Prefeitura do Rio há mais de dois anos, aposta a partir de agora nas micro e pequenas empresas. O objetivo é permitir que esses empreendedores locais participem do crescimento do Estado do Rio, que já tem mapeados R$ 211,5 bilhões de obras até 2014 em setores como turismo, petróleo e infraestrutura.

Mas as iniciativas vão além. O Sebrae/RJ ainda vai ampliar sua estrutura para oferecer consultoria aos pequenos empreendedores. A secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Estado do Rio acaba de criar um portal de negócios para que as pequenas e médias empresas participem da concorrência de grandes corporações e de licitações públicas, de olho na Copa e nos Jogos.

De acordo com dados do Sebrae/RJ, existem hoje no Rio cerca de 500 mil microempresas e 44 mil pequenas companhias, que respondem por 98% das empresas formais. Sua importância pode ser verificada quando se leva em conta que elas somam 1,6 milhão de empregos formais, número que responde por 40% da mão de obra com carteira assinada no Rio. Desse universo, metade faz parte do setor de serviços, e 35% estão no comércio.

Espaço para empresas de tecnologia

Marcelo Haddad, diretor-executivo da Rio Negócios, lembra que, para manter o atual patamar de crescimento do Rio, é preciso estimular o avanço das companhias de menor porte. Segundo ele, é preciso que essas empresas tenham acesso a capital de forma mais fácil e ágil, pois têm maior capacidade de inovação. Haddad aponta ainda que elas são, em grande parte, responsáveis pelo dinamismo da economia, com produtos e serviços inovadores. Em dois anos e meio, a Rio Negócios atendeu a mais de 4,5 mil empresas e analisou 140 projetos.

— Desses projetos, 30% tinham viabilidade para ser implantados no Rio. Eu não imaginava que o Rio chegaria a esses números. Agora, o objetivo é manter esse mesmo dinamismo. As grandes companhias precisam buscar novas ideias, e as pequenas empresas são essenciais para isso, pois conseguem inovar com mais rapidez. Queremos que elas façam parte desse crescimento e se tornem um braço importante das grandes corporações, que, em vários lugares do mundo, já investem na criação de novas companhias. Elas querem alguém pensando fora da caixa. E queremos trazer para o Rio essas iniciativas, que já são corriqueiras no exterior — afirma Haddad.

O primeiro passo é reunir essas companhias de tecnologia em um único local, em uma espécie de polo. Para isso, após o Rio receber gigantes como IBM, Microsoft, EMC e Cisco, a Prefeitura do Rio, por intermédio da Rio Negócios, cedeu a essas empresas espaço em um prédio na Praça Tiradentes, no Centro.

— Foi uma solução que achamos. Essas companhias (na área de tecnologia) precisam ter acesso a infraestrutura. Com a chegada da Bolsa de Nova York ao Rio, haverá mais oportunidades de acesso ao capital — detalha Haddad.

Armando Clemente, diretor do Sebrae/RJ, lembra que, além de infraestrutura, há vários desafios, como a capacitação entre os pequenos empresários. Sem isso, diz Clemente, eles não vão conseguir aproveitar as oportunidades provenientes dos eventos esportivos nos próximos anos:

— Esses grandes eventos são iscas para que eles entendam que é preciso investir em capacitação.

Especialistas também destacam o avanço dos microempreendedores individuais — categoria criada pelo governo para aumentar a formalização, pois reduz a carga tributária à metade, e que começou a vigorar em meados de 2009. Economistas destacam a importância desse grupo, que já soma 315 mil pessoas somente no Estado do Rio, pois, dizem, eles são os futuros proprietários de microempresas.

— Essa foi uma iniciativa muito importante. E o Rio, por ser um local muito empreendedor, mostra números bastante positivos. Até nas favelas vemos muitas pessoas tentando empreender, fazer seus negócios — diz o economista da Uerj Claudio Soares.

Total de Microempreendedor cresce 192%

E a verve empreendedora do Rio vem mostrando sinais de fortalecimento. Nos dois últimos anos, o número de microempreendedores individuais deu um salto de 192% no Rio. A expectativa, diz Clemente, do Sebrae/RJ, é de um crescimento de 56% até 2014:

— No ano passado, fizemos 89 mil atendimentos. Para o próximo ano, a meta é elevar esse número para 142 mil e oferecer soluções de consultoria com ênfase na área de gestão, ajudando, por exemplo, em questões como a precificação de produtos. As empresas precisam de capacitação e de separar as finanças pessoais das da empresa.

Atenção especial também vem sendo dada às empresas que nascem nas faculdades, dentro de incubadoras. Um exemplo é o empreendedor André Souza, que atua na área de petróleo e gás. Ele começou com amigos em uma pequena empresa de inovação tecnológica que nasceu durante sua graduação na PUC-Rio. Depois, Souza decidiu partir para um voo solo, abrindo uma nova empresa em parceira com empresários estrangeiros, que vai atuar no setor de energia, suprindo problemas tecnológicos.

— O país está em crescimento e tem todos os elementos necessários para uma revolução empreendedora. É importante estar sempre estudando, se atualizando e ter versatilidade. Assim, torna-se mais fácil aproveitar as oportunidades que surgem no meio do caminho. A exigência do meio é grande, e capacitação é a palavra-chave, pois o Rio está em um momento único. Companhias de petróleo do mundo todo estão avaliando buscar oportunidades no Rio, com as boas perspectivas no Brasil, com o pré-sal. Não se pode fechar os olhos para isso. As oportunidades são para empreendedores, não para gestores — explica Souza.


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Centro e Zona Norte são as novas apostas do setor imobiliário
Com UPP, Tijuca volta a atrair lançamentos. Mas Jacarepaguá e Recreio ainda lideram em 2012


Danielle Nogueira
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40

RIO – Apesar do forte movimento em direção à Zona Oeste, o presidente da Associação de Dirigentes e Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), José Conde Caldas, aposta no futuro do Centro e de alguns bairros da Zona Norte. Segundo ele, Madureira, Bangu, Méier e São Cristóvão têm forte potencial de crescimento para novos empreendimentos. Campo Grande e Santa Cruz também devem continuar a atrair novos moradores. E a Tijuca volta a ser palco de novos lançamentos, graças à pacificação das favelas.

Esse movimento já começa a dar seus primeiros sinais. A RJZ Cyrela, por exemplo, retomou este ano sua atuação na Tijuca, após 11 anos sem lançamentos no bairro. De acordo com a empresa, a Tijuca tem uma demanda reprimida há anos e aparece com destaque na nova onda dos investimentos imobiliários no Rio, especialmente por causa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Isso tem ajudado a inflar os preços dos imóveis por lá. Nos últimos três anos, a valorização do metro quadrado no bairro foi de cerca de 90%.

Este ano, no entanto, a Zona Oeste ainda reina nos lançamentos. Recreio e Jacarepaguá lideram as novas unidades residenciais anunciadas, com 4.879 apartamentos — 2.509 no Recreio e 2.370 em Jacarepaguá — entre janeiro e outubro. O levantamento é da Ademi. Isso representa 64,7% do total anunciado de unidades na região. Em relação a todas as 10.705 unidades lançadas na cidade, os dois bairros concentram 45,6% do total.

A Barra da Tijuca não fica muito atrás, com 1.090 unidades até outubro. Embora os valores dos terrenos ainda sejam mais baixos do que na Zona Sul, a procura pelo bairro tem acarretado sua valorização. Segundo construtoras, o preço do metro quadrado teve alta de 40% nos últimos três anos. Os investimentos públicos que vêm sendo feitos visando aos Jogos Olímpicos de 2016 têm contribuído para isso.

— Um componente de expansão da Barra também foi o fato de muita gente da Baixada Fluminense que tinha dinheiro, mas não tinha opção de lazer, ter decidido comprar apartamentos de fim de semana no bairro. Esse movimento tem um limite, e a oferta de terrenos também — diz Caldas, da Ademi.

No levantamento da associação, a Zona Oeste contabiliza 7.542 unidades residenciais anunciadas entre janeiro e outubro. Em seguida vêm Zona Norte, com 2.998, e Zona Sul, com 165. Nesta última, Botafogo ganha destaque. O crescimento do bairro também aparece nos dados do IBGE. Entre 2000 e 2010, a população de Botafogo avançou 6%. É um dos poucos bairros da Zona Sul que não encolheram. Segundo Caldas, é o único com disponibilidade de terrenos na região. Daí sua expansão. Nos registros da Ademi, não houve lançamentos no Centro.


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Escolaridade maior é trunfo nas empresas
Analistas criticam falta de profissional qualificado em novas tecnologias e deficiência no inglês


Fabiana Ribeiro
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40

RIO – Mais formação, mais renda. Dos 7,4 milhões de ocupados do Rio de Janeiro, mais da metade (55,21%) têm, ao menos, o nível médio. Trata-se de uma proporção acima da média nacional, de 46,3% dos trabalhadores com mais de 11 anos de estudo. Com mais escolaridade no currículo, o trabalhador fluminense tem rendimento médio quase 15% superior ao dos ocupados do país: R$ 1.537 contra R$ 1.345, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

— A formação dos ocupados do Rio é elevada, o que traz impactos positivos nos rendimentos dos trabalhadores. E, com a atividade aqui mais acelerada que em outras regiões do país, o mercado de trabalho fica, sem dúvida, mais dinâmico — afirma Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE, acrescentando que o mercado de trabalho no Rio é mais maduro, já que a maior parte dos seus trabalhadores (1,9 milhão) está na faixa de 30 a 39 anos de idade.

Mercado e formação: ‘Falta coordenação maior’

Com investimentos a reboque do setor de petróleo, da Copa e das Olimpíadas, o Rio tem ampliado os empregos formais. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2011, o estado tinha 4,4 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, sendo o terceiro maior empregador do país, atrás de São Paulo e Minas Gerais.

— O mercado de trabalho responde ao bom momento da economia fluminense, após anos de estagnação. O Rio tem mão de obra de qualidade, a ponto de, em tempos de decadência econômica, ter exportado seus talentos. Mas falta coordenação maior entre demandas do mercado de trabalho e formação — afirma o economista Mauro Osório, especialista em economia fluminense.

Mas Fernando Ribeiro, economista do Ipea, considera a educação um gargalo. Com a retomada da economia, profissionais qualificados têm se mostrado raros. Além disso, as notas do Rio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) se equiparam à média nacional: 3,7 no nível médio.

— Falta gente qualificada para os projetos de investimento do Rio, falta pessoal capaz de lidar com as tecnologias mais sofisticadas — afirma Ribeiro.

Bruno Leonardo Barth Sobral, professor da UFRJ, ressalta que a carência de profissionais atinge também vagas de menor qualificação:

— O setor de serviços passa por dificuldades na hora de contratar. No turismo, o Rio não tem gente suficiente que fale inglês. Qualificação está entre os desafios dos próximos anos.

Segundo estado com mais bolsas de pós-graduação

Mas o Rio não está de braços cruzados. Ainda que longe dos números de São Paulo, é o segundo estado com mais bolsas de pós-graduação, com cerca de 8.100 bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em 2011. No mesmo ano, a instituição investiu R$ 233 milhões em bolsas de fomento, abaixo apenas de São Paulo, com R$ 442 milhões. Quatro das nove melhores universidades do ranking do Ministério da Educação estão na cidade do Rio: UFRJ, Ibmec, FGV e IME. E quatro dos melhores de cursos de pós-graduação do país estão na capital carioca.

O estado também é sede de importantes instituições de pesquisa, como a Coppe/UFRJ, o maior centro de ensino e pesquisa em engenharia da América Latina. Estão ainda no Rio o Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

— Os centros de pesquisa do Rio se destacam especialmente nas áreas de energia e saúde. Mas São Paulo ainda detém os maiores centros de pesquisa do país — comenta Osório.

As empresas contribuem — e muito — para que o Rio se torne uma referência em conhecimento e ainda resolvem seus problemas de qualificação. A Petrobras, por exemplo, tem o Centro de Pesquisas Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), um dos maiores centros de pesquisa aplicada do mundo. E outros estão a caminho. A Microsoft anunciou a instalação do seu quarto Laboratório de Tecnologia Avançada (ATL). A L’Oréal, líder mundial no setor de cosméticos, também tem planos de construir, no Rio de Janeiro, o seu primeiro centro na América Latina.


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Indústria naval espera investimentos de R$ 15 bi até 2014
Do total, R$ 5,9 bi serão para a construção e expansão de estaleiros, e R$ 9,5 bi, para construção de embarcações


Danielle Nogueira
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40

RIO – A indústria naval fluminense, que ficou estagnada nos anos 80 e 90, também está atraindo fortes investimentos. São esperados R$ 15,4 bilhões entre 2012 e 2014, aumento de 17,6% em relação ao período 2011-2013 (R$ 13,1 bilhões), de acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Do total previsto, R$ 5,9 bilhões serão destinados à construção e expansão/modernização de estaleiros, e R$ 9,5 bilhões, à construção de embarcações.

Entre os projetos em curso estão o estaleiro da OSX, do grupo de Eike Batista, em São João da Barra (R$ 3 bilhões), e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), da Marinha do Brasil (R$ 2 bilhões). Este inclui a construção de um estaleiro, uma base naval e cinco submarinos. Segundo a Firjan, a estimativa de investimentos pode ser maior, visto que a expansão e a modernização de alguns estaleiros ainda estão em fase de desenvolvimento de projeto, como o Inhaúma, da Petrobras.

De olho nas encomendas, fornecedores locais e estrangeiros estão ampliando sua capacidade de produção. Caso da brasileira BK Nav, fornecedora de projetores e holofotes para navios, que expande sua fábrica em Duque de Caxias. Ao mesmo tempo, a norueguesa Jotun investe na construção de uma fábrica em Itaboraí, voltada ao fornecimento de tintas para embarcações.

Com o objetivo de fortalecer a cadeia de navipeças no Rio, o governo estadual também está se mexendo. Está sendo estruturado um polo de navipeças em Duque de Caxias, situado em uma área de 4 milhões de metros quadrados. A previsão é que o governo invista R$ 250 milhões no projeto e que o polo atraia mais R$ 1,5 bilhão das empresas que pretendem lá se instalar. A fase de implementação do centro deve começar em 2013, e sua inauguração está prevista para 2015.


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‘É preciso diversificar economia e apostar em polos no interior’
Para especialista do Ipea, desigualdade seria, então, menor


Fabiana Ribeiro
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


Fernando Ribeiro reconhece a relevância do setor de serviços.
Foto: Agência O Globo / Marcos Tristão


RIO — O maior desafio da economia fluminense é diversificar a sua indústria, acredita o economista Fernando Ribeiro, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para o especialista, que foi economista-chefe da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), o Estado do Rio precisa ampliar a indústria para além do petróleo, a partir de polos industriais pelo interior. "Ao desenvolver polos, o estado cria um crescimento mais homogêneo, menos dependente da capital e, portanto, com menos desigualdade", diz.

Qual é o grande desafio da economia fluminense? Como aumentar a competitividade do estado?

O desafio da economia do Rio é similar aos desafios nacionais: crescer com mais diversificação industrial. No caso do país, é preciso diversificar para que a economia deixe de ser tão dependente das commodities. Já no Rio de Janeiro, é preciso abrir caminhos que não sejam apenas via petróleo, que detém a maior parte do crescimento do estado. E isso se torna ainda mais relevante quando observamos toda essa polêmica ao redor dos royalties, onde qualquer decisão traz impactos na receita tributária do estado. Não se pode ignorar também que, mesmo sem a mesma estrutura econômica de São Paulo, o Rio de Janeiro sempre teve uma indústria importante.

Mas alguns especialistas veem o Estado do Rio com uma vocação maior para o setor de serviços...

Sem dúvida, o setor de serviços é fundamental para a economia fluminense. Tanto que o Rio de Janeiro é atualmente o segundo maior exportador de serviços do país. Não se pode, de maneira alguma, ignorar a relevância disso. De todo jeito, o Estado do Rio não deve perder de vista o poder do setor industrial. O desenvolvimento da indústria gera uma dinâmica de crescimento mais sólido e sustentável por muito mais tempo. Na prática, isso significa mais empregos e mais renda para a população.

Como pode ser feita essa diversificação da indústria?

A partir da criação de polos industriais. Um exemplo recente é o Porto do Açu (São João da Barra, Norte Fluminense), que terá polos com indústrias em diversas atividades, até ferrovia será instalada. E isso incentiva o crescimento daquela região. O Rio já tem alguns polos importantes, como o de automóveis no Sul Fluminense e mesmo a indústria têxtil. E, até no setor de petróleo, é preciso explorar mais o segmento. Estudos precisam ser feitos para que se identifique os setores em que o estado poderia se destacar mais.

A economia do Rio é muito concentrada na capital. Essa diversificação poderia beneficiar o interior do estado?

Certamente. Ao desenvolver polos, o estado cria um crescimento mais homogêneo, menos dependente da capital e, portanto, com menos desigualdade. E isso significa dinamizar área fora da região metropolitana, com mais oportunidades de emprego nos arredores. O que, na certa, ainda contribuiria para atenuar a pressão demográfica em pontos da cidade do Rio de Janeiro.

Mas diversificar deveria ser apenas uma parte da estratégia de crescimento do estado...

Mais uma vez, os problemas nacionais aparecem também no Rio de Janeiro. Há uma série de entraves ao crescimento, que vão da logística de portos e aeroportos à falta de investimentos em infraestrutura básica, como saneamento. Os gargalos do Rio são antigos, um passivo da estagnação econômica de alguns anos e que, agora, certamente restringem o crescimento. Outro entrave, sem dúvida, está na educação, que precisa ser encarada como desafio. Falta gente qualificada, mesmo para áreas em que somos fortes, como o segmento de pétroleo.

Entraves que podem ser suplantados?

O Rio, atualmente, vive um bom momento, no centro das atenções dos grandes investimentos. Copa e Olimpíadas vão deixar um legado positivo, com impactos de longo prazo para a economia e para a sociedade. Assim como a revitalização do porto, como reflexos na economia e no turismo. O Rio tem uma vantagem sobre os demais estados. Porém, apenas isso não é suficiente. Repito: é preciso diversificar a industria fluminense.


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Hotéis em contagem regressiva
Investimento de R$ 1,7 bi visa a suprir carência de quartos para Olimpíadas


Bruno Rosa
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


Em Botafogo, hotel da Accor está em fase final de acabamento.
Foto: Agência O Globo / Marcos Tristão


RIO — O setor hoteleiro vive sua fase de ouro no Rio de Janeiro. Desde que a cidade recebeu o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 e se tornou um dos locais da Copa do Mundo de 2014, os investimentos extrapolaram as fronteiras da capital, com empreendimentos em todo o Estado do Rio.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), os investimentos no setor somam, até o momento, quase R$ 1,7 bilhão em 18 novos hotéis, além de reformas e ampliação nos já existentes. Ao todo, são 52 projetos. Mas existem muitos desafios, atestam empresários e especialistas do setor.

Hoje, o Rio conta com 32,3 mil quartos, sendo que apenas 16,5 mil atendem às exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI), que pede unidades entre três e cinco estrelas. Assim, para sediar os Jogos, o Rio precisa ter 50 mil quartos. De acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), há 10,2 mil unidades em construção, gerando oito mil empregos.

— Dentro do projeto, o Rio não vai, obviamente, construir tudo. Não precisa. Por isso, estamos prevendo a vinda de seis transatlânticos, que servirão de acomodação — diz uma fonte no Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que não quis se identificar.

O grupo Accor, por exemplo, que inaugurou um hotel em Copacabana e um em Botafogo, está construindo outros nove no Rio — um deles está em fase final de obras também em Botafogo. A empresa, dona das bandeiras Ibis, Novotel e Mercure, investe R$ 525 milhões. Abel Castro, diretor de Desenvolvimento da Accor para a América Latina, lembra que a empresa acabou de fechar parceria com a Odebrecht para levantar dois hotéis na área portuária.

Mas a aposta da companhia inclui ainda o interior do estado. Tem planos de abrir sete hotéis em Itaguaí, Itaboraí, Volta Redonda, Resende e Barra Mansa, além de um resort em Angra dos Reis.

— No interior do Rio, serão 1.080 quartos e um investimento de R$ 171 milhões. Cerca de 70% do nosso público são pessoas que viajam a negócios. Queremos ser a maior empresa do setor no Rio — diz Abel.

Um dos hotéis da Accor será feito em parceria com a GL Events e ficará dentro do RioCentro, controlado por esta última. A expectativa é que a inauguração ocorra em dezembro de 2013. Vai gerar 200 empregos durante as obras.

Alvo é o turista qualificado

Assim como o grupo Accor, outras redes apostam na Barra. Bandeiras internacionais, como Grand Hyatt e Hilton, são alguns dos empreendimentos que estão indo para a Zona Oeste. Juntos, os dois projetos somam 734 quartos.

— Como o Rio é uma das cidades mais visitadas na América do Sul, a futura chegada das Olimpíadas de 2016 o torna um dos principais mercados do turismo internacional, sendo decisivo para a nossa presença na América Latina — afirma Danny Hughes, vice-presidente sênior da Hilton Worldwide no Caribe, México e América Latina, lembrando que o projeto será inaugurado em junho de 2014.

Outras marcas de luxo também chegam ao Rio. Um exemplo é o paulista Emiliano. O espaço ficará na Avenida Atlântica, em Copacabana. Também na Zona Sul, o antigo Hotel Glória, rebatizado de Gloria Palace Hotel, está em obras desde 2008, com investimentos que já somam R$ 300 milhões. Com 352 quartos, o empreendimento, controlado pelo empresário Eike Batista, será inaugurado no primeiro semestre de 2014, às vésperas da Copa do Mundo.

— O Rio vai receber grandes redes hoteleiras. Era isso o que estava faltando. Uma cidade precisa também de hotéis de primeira linha, para atrair, cada vez mais, turistas qualificados — diz a consultora Flávia Nobre, da FV Consultoria em Turismo.


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Site mapeia negócios, que já somam R$ 2 bilhões
Portal visa a indicar oportunidades para microempreendedores


Bruno Rosa
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40

RIO – Com o objetivo de aproximar as pequenas e médias empresas dos grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, a Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio e a World Sports & Business, empresa de análise de projetos, decidiram criar um portal de negócios. Na mesa, já há oportunidades mapeadas, que somam cerca de R$ 2 bilhões em contratos.

O site www.portalnegociosrio.com funciona assim: o pequeno empreendedor cadastra seu CNPJ na página e, a partir daí, consegue visualizar os negócios oferecidos pelas grandes companhias em sua área de atuação e partir para a concorrência. A inspiração do projeto, que tem participação da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Instituto de Economia da UFRJ, foi o portal Compete.for, criado para os Jogos Olímpicos de 2012. Em Londres, a iniciativa rendeu quase R$ 7 bilhões em contratos.

Helio Viana, presidente da World Sports & Business e um dos executivos que está tocando o projeto, explica que a ideia é fazer com que essas pequenas empresas entendam que os eventos esportivos fazem parte de sua realidade.

Portal identificou 929 atividades

Viana cita exemplos e afirma que o site mapeou 929 atividades econômicas. Um novo hotel, comenta, precisa de novas camas, colchões, toalhas, lençóis e uma série de produtos.

— As empresas acham que essas oportunidades estão muito distantes. E não estão. Em Londres, houve essa iniciativa. E lá 73% dos pedidos foram atendidos pelas pequenas e médias empresas. Queremos ficar perto desse número. Temos ainda uma equipe on-line que vai ajudar a entender os editais de concorrência, com consultoria econômica e legal para as empresas que desejem disponibilizar seus produtos no mercado — explica Viana.

O economista Claudio Araújo, da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que esse tipo de iniciativa, com uma consultoria associada, é essencial para permitir o desenvolvimento gradual.

— As grandes empresas são exigentes. Não adianta fazer nada no susto. Vemos hoje também uma série de cursos de capacitação pela internet, que aparecem como uma boa opção para quem não tem recursos financeiros para treinar seus funcionários. São cursos mais rápidos e, o mais importante, mais baratos. Mas, por outro lado, precisam de dedicação — diz Araújo.

Além de setores como alimentação e confecção, a construção civil, capitaneada por arquitetura e engenharia, tem nos microempreendedores e nas pequenas empresas uma alternativa para dar conta dos inúmeros projetos que tomam conta do Rio. A arquiteta Denise Fernandes, de 31 anos, montou uma pequena empresa de arquitetura. Ela conta que há oportunidade em paisagismo e iluminação:

— Tem que procurar. Não é fácil. Vou até em prédio em obras oferecer meu serviço.

Vicente Giffon, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Rio, afirma que todos ganham com o atual momento da cidade:

— Os grandes escritórios não conseguem atender à toda demanda (de obras). E (os profissionais autônomos) contribuem nessa cadeia como uma parte importante dentro de todo o processo — afirma Giffon.


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Economia criativa, a cara do carioca
Cidade cenográfica. Porto Maravilha terá polo audiovisual para TV, publicidade e cinema


Bruno Rosa
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40


Martina D’Ávila, presidente da agência de eventos Veredas, garante que não são só Copa e Olimpíadas: “O Rio vive um momento único”.
Foto: Marcos Tristão / Agência O Globo


RIO – TV, cinema, moda e eventos. A chamada indústria criativa do Rio vem ganhando peso e se integrando aos projetos de infraestrutura que estão sendo planejados na cidade. Os negócios ligados a esses setores — que têm a criatividade como parte principal do processo produtivo — já movimentam R$ 18,6 bilhões, cerca de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos) fluminense. No último ano, o volume de atividades dos segmentos registrou crescimento de 5,6%.

Com 26 mil empresas e 96 mil trabalhadores, o Rio também ganha destaque em comparação ao resto do Brasil. No país, a indústria criativa gira anualmente R$ 110 bilhões, apenas 2,7% do PIB. Os dados foram compilados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Especialistas destacam a força dessa indústria para o Estado do Rio, com peso 50% maior em relação ao resto do país.

Um dos segmentos que ganha cada vez mais impulso no Rio é a indústria audiovisual, que hoje conta com um polo na Barra da Tijuca e outro em São Cristóvão. E de olho nas oportunidades da Copa do Mundo de 2014, dos Jogos Olímpicos de 2016 e do crescimento da TV por assinatura, a Prefeitura quer criar no Porto Maravilha um terceiro polo, com empresas de TV, publicidade e cinema. No local, haverá também escolas técnicas. Hoje, 55% dos filmes brasileiros são finalizados no Rio. Além disso, a cidade conta com equipes de 72 canais de TV e produz 20% de todo o conteúdo audiovisual do país.

— A demanda no Rio está aquecida e crescerá ainda mais nos próximos anos. É preciso ampliar a infraestrutura de audiovisual na cidade. Vamos dinamizar os polos da Barra e de São Cristóvão, com novos estúdios, escritórios de produção, serviços e capacitação — diz uma fonte da Prefeitura do Rio.

País não incentiva grande produção

O objetivo é se preparar para o crescimento do setor nos próximos anos no Rio, que atrai um número cada vez maior de produções internacionais. Após os longas “Amanhecer” e “Velozes e Furiosos 5”, que em 2010 usaram a cidade como cenário, a RioFilme, braço audiovisual da Prefeitura do Rio, afirma que este ano 96 projetos estrangeiros serão rodados nas ruas do Rio, contra 92 em 2011.

Sérgio Sá Leitão, diretor-presidente da empresa municipal, diz que a RioFilme destinou cerca de € 500 mil neste ano (cerca de R$ 1,35 milhão) à atração desses projetos. Nessa verba está ainda a realização de road shows no exterior, com visitas a estúdios de Hollywood e festivais de cinema.

— Hoje, temos quatro produções em conversas. O Rio é uma cidade atraente para sediar produções internacionais. Mas o custo é elevado, e o real está valorizado em relação ao dólar e ao euro. E o Brasil, ao contrário da maior parte dos países que têm indústria audiovisual forte, não oferece incentivos para atrair grandes produções — destaca Leitão.

Empresas de eventos crescem 11%

Outro segmento que ganha força no Rio é o setor de eventos. Nos dois últimos anos, o número de empresas do segmento pulou de 1.720 para 1.913, uma alta de 11,2%. Gabriel Pinto, especialista de Estudos Econômicos da Firjan, lembra que, apesar de as principais agências de publicidade estarem em São Paulo, o Rio vem ganhando empresas de organização de eventos.

— As agências de evento vêm ganhando peso importante. O Rio vem se especializando nessa área, com ações esportivas e de moda movimentando a economia local e gerando empregos — explica.

Um exemplo é a Veredas, empresa de eventos do grupo GL Events, dona do RioCentro e HSBC Arena, que acaba de ser criada e tem escritório em Botafogo. Martina Barth D’Ávila, diretora-geral da empresa, lembra que, em nove meses de operação, a agência já pagou todo o investimento feito pelo grupo.

— A projeção é que o retorno só seria em três anos. Isso é prova de que o mercado do Rio está aquecido. Já contamos hoje com 15 funcionários e clientes como SulAmérica, Rede D’Or, Souza Cruz e Mercedes-Benz — conta Martina.

Ela lembra que, apesar de a Copa e os Jogos terem dado um impulso importante para o setor, o Rio vem chamando a atenção para a área gastronômica. Um exemplo, diz Martina, é que em 2013 será feita a primeira edição brasileira do evento francês Omnivore, que reúne a criação de pratos e exposição de utensílios de cozinhas e de projetos de arquitetura. Ela lembra ainda que não é possível pensar na capital sem levar em conta o interior do Estado do Rio:

— Vemos muita força em Angra dos Reis, Búzios e Paraty. As empresas querem ações nessas cidades. O Rio vive um momento único. A Nissan está abrindo fábrica no Estado do Rio, e a L’Oréal, um laboratório no Fundão.


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Salário alto para pesquisador, arquiteto e criador de games
Média salarial, de R$ 7.275, é 55% maior do que a média nacional


Bruno Rosa
Publicado: 29/11/12 - 22h40
Atualizado: 29/11/12 - 22h40

RIO – A indústria criativa é composta por 14 segmentos, como pesquisa e desenvolvimento (P&D), música, design, biotecnologia, arquitetura e computação. No Rio esses profissionais, revela pesquisa da Firjan, contam com salários médios de R$ 7.275, valor 55% maior que os R$ 4.693 da média nacional. Entre os mais bem remunerados estão os que trabalham com P&D, com ganhos de R$ 12.036, seguido dos de arquitetura (R$ 10.809), artes cênicas (R$ 7.015) e computação (R$ 5.820).

— Esses números refletem a valorização dos profissionais dessa área. P&D é um dos segmentos que vai disseminar o conhecimento e permitir o avanço das empresas com uma maior produtividade. P&D está ligado ao setor de petróleo, que, embora não seja uma indústria criativa, tem suas demandas — diz Gabriel Pinto, especialista de Estudos Econômicos da Firjan.

Analistas destacam ainda a área de computação. O Rio tem ganhado espaço na área de desenvolvimento de software. O consultor Renato Torres lembra que em São Paulo, por exemplo, há uma vocação maior para o hardware e para serviços de manutenção:

— Pesa muito o fato de o Rio ter faculdades importantes como UFF, PUC e UFRJ. Esses centros formam alunos. Por isso, um dos objetivos é fazer do Rio a cidade dos games. Um dos projetos mais aguardados é que a Vivendi, dona da Activision Blizzard (gigante de jogos pela internet), abra um laboratório.

Mas o Rio também é famoso mundo afora por sua moda praia e pela tradição em arquitetura. Vicente Giffoni, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Rio, acredita que os eventos que a cidade vai receber dão otimismo aos seus profissionais, ajudando o Rio a alavancar ainda mais o seu papel de exportador de tendências:

— O Rio sempre foi referência na indústria criativa. Hoje, o que acontece é que a cidade está vivendo um momento especial, com o crescimento das demandas. Mas, por outro lado, é preciso suprir com capacitação.

Marcelo Haddad, diretor da Rio Negócios, lembra que, com a tecnologia, toda a indústria criativa vai crescer ainda mais:

— Assim é possível aplicar conceitos de ruptura. Só uma base forte de empresas ligadas à tecnologia é capaz de atrair mais empresas.


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Vamos aguardar os investimentos, e quanto à educação, prefiro nem comentar muito...
 

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Muito bom! Uma enxurrada de investimentos no Estado vizinho! :cheers1:
 

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E o que tem a ver com Arquitetura e Discussões Urbanas? O thread seria no Notícias, ou melhor ainda , no sub-thread da região Sudeste...já temos "trocentos" threads do Rio aqui, mas pelo menos são coerentes com o tema daqui...que não é economia, o caso deste.!
 

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Olha, vai ter que melhorar muita coisa com esse volume todo em investimentos...

O lema da Prefeitura é que o Rio seja a "melhor cidade para viver e trabalhar no hemisfério Sul" até 2016. Mas para isso realmente acontecer, a violência precisa continuar caindo, as reformas nas favelas precisam ser mais agressivas (mais massivas) e precisam retirar, pelo menos, metade da frota de ônibus das ruas e substituílos por trens, metrô e/ou VLT.

Ontem levei 2 horas de Ipanema à zona da Leopoldina. Por quê? Trânsito caótico.

Por mim, a cidade colocaria dezenas de linhas de VLT espalhadas por toda a cidade e retiraria, gradativamente, os ônibus das ruas.
 

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Resolvida a questão dos royalties, Rio precisa se preparar para pós-petróleo

Estado precisa trazer à tona a discussão de um futuro sem a energia fóssil, dizem especialistas
FLAVIO TABAK
Publicado:
5/12/12 - 10h48
Atualizado:
5/12/12 - 14h06


Quando a presidente Dilma Rousseff vetou o artigo do projeto de lei que reduziria imediata e drasticamente o repasse dos royalties do petróleo aos estados produtores, houve uma sensação de alívio no Rio e no Espírito Santo. Recursos relativos aos contratos já assinados, dinheiro que soma mais de R$ 100 bilhões nos próximos 20 anos, estão assegurados — a menos que o Congresso agora derrube o veto. Passado o primeiro susto, e diante da pressão crescente dos estados não-produtores — 18 governadores se encontraram e decidiram focar a luta no Congresso para derrubar o veto —, é hora de pensar em como viver sem royalties. Afinal, projeta-se que as reservas de petróleo no mundo sequem por completo em quatro ou cinco décadas — fato que presidente algum teria o poder de evitar. Em meio a protestos políticos que antecederam a decisão do Planalto, a discussão sobre o futuro da economia fluminense ficou tão escondida quanto as camadas de petróleo do pré-sal.

Aposentadorias, Bilhete Único e até a organização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 foram postos, pelo governo do Rio, como vítimas do projeto aprovado pela Câmara — e, agora, modificado por Dilma. Na tentativa de explicar por que o debate sobre um futuro sem royalties ficou fora de pauta, especialistas apontam as fragilidades da economia fluminense e os efeitos da crise financeira internacional no momento em que o mundo discute qual será sua próxima matriz energética.

Professor de Economia da PUC-Rio e presidente da Câmara de Desenvolvimento Sustentável da prefeitura do Rio, Sérgio Besserman chama a atenção para o perigo de políticas excessivamente imediatistas.

— Essa questão não é tratada por governos. Petróleo é o passado, e o futuro é a economia de baixo carbono. Não é uma opinião só de ecologistas, qualquer conselho de empresa sabe disso. E o dinheiro dos royalties deveria ser usado para preparar a transição rumo à economia do futuro. Não estamos falando de ficção, mas sim do mundo em 2030. Sabemos que o custo de emitir gases de efeito estufa será adicionado ao preço de todas os produtos. Os materiais de origem fóssil ficarão, em geral, menos lucrativos — diz Besserman. — No mundo político, é difícil haver visão estratégica sobre o fato de que os preços serão diferentes no futuro. Eles se elegem pensando em até oito anos de governo, mas precisamos pensar daqui a 20, 30 anos. E isso vale para Sérgio Cabral, Dilma Rousseff, Barack Obama e os outros.

Em 2011, o dinheiro de royalties e participações especiais do setor de petróleo representaram 17% da receita líquida do Estado do Rio, segundo a Secretaria estadual de Planejamento. Nos últimos dez anos, a média foi de 15%. A dependência relativa das receitas dos royalties é outro fator que afasta, em períodos de disputas entre estados, projeções sobre o futuro da economia do Rio. Apesar de ser fundamental para que o governo feche suas contas, o Rio não depende, como o Qatar, de petróleo para existir. Se o país desértico do Oriente Médio, do tamanho de meia Sergipe, parar de explorar petróleo, não terá energia sequer para dessalinizar a água do Golfo Pésico consumida por 100% da população. Não há opção. Por isso, o governo comandado com mão de ferro pelo xeque Hamad bin Khalifa al-Thani investe pesadamente em produção e pesquisa de energias renováveis. Apesar de estar longe da situação do Qatar, o Rio está atrasado na busca de uma economia mais diversificada, na opinião do coordenador do curso de Economia da UFF, Leonardo Muls:

— São Paulo planejou sua interiorização e industrialização desde 1930, Minas fez o mesmo na década de 1970, mas o Estado do Rio jamais planejou seu desenvolvimento de longo prazo. O Rio teve vocação industrial para a produção de bens de consumo não-duráveis, como alimentos, bebidas e vestuário. Temos que voltar a essa tradição. Outra grande vocação é a atividade portuária. O Rio sempre foi um entreposto comercial. Por que nunca se pensou em fazer um complexo industrial no Porto de Itaguaí, que nunca conseguiu aumentar seu nível de atividade como um centro para receber mercadorias, e não um entreposto de minério de ferro? É uma vocação perdida. E por que o Arco rodoviário Metropolitano não está pronto? Foi projetado há 20 anos.

Assim como faz o governo do Qatar, o próprio petróleo será útil para projetar a economia do futuro. Na avaliação do economista e professor da UFRJ Mauro Osorio, o Rio perde a oportunidade de ter uma indústria mais densa:

— Devemos atrair para o Rio a estrutura de projeto de engenharia para a economia que gira em torno do petróleo. Hoje quase todos os equipamentos vêm de fora do estado. Temos que pensar o além do petróleo junto com o próprio petróleo. O tanque oceânico da Coppe/UFRJ, por exemplo, também serviu para a descoberta de tecnologia que extrai energia a partir das ondas do mar.

Além das deficiências produtivas locais, a crise econômica internacional aumenta a dependência dos recursos do petróleo e a consequente distância para a tomada de soluções alternativas. Besserman lembra que o mundo demorou duas décadas para se livrar da Crise de 1929 e que não há razões lógicas para achar que a recessão de 2008 vá levar menos tempo. O enfrentamento dessa crise se dá justamente no momento em que os países terão que decidir sobre a produção energética mundial. E o Brasil tem vantagem nessa corrida.

— Diferentemente de outros países, sejam desenvolvidos ou emergentes, o Brasil tem uma grande oportunidade. Temos uma infraestrutura muito ruim e porca. Por isso, temos boa chance de torná-la mais produtiva e limpa. Nosso potencial é para fazer a transição. Temos os recursos dos royalties para isso.

Procurada para comentar o futuro da economia do Rio, a Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico informou que, atualmente, só o governador pode se pronunciar sobre royalties.

Reportagem publicada no vespertino para tablet "Globo a Mais".


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/re...parar-para-pos-petroleo-6934872#ixzz2EC8wdXVU
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"— São Paulo planejou sua interiorização e industrialização desde 1930, Minas fez o mesmo na década de 1970, mas o Estado do Rio jamais planejou seu desenvolvimento de longo prazo."


Até 1975 não existia o que hoje conhecemos como "Estado do Rio de Janeiro" e muitas mentes no estado ainda funcionam como se existissem GB e o antigo RJ.
 

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Discussion Starter · #18 ·
^^
Tomara que derrubem o veto. Assim o governador será obrigado a ajuizar a ADI no STF e a Constituição prevalecerá acima dos interesses políticos.

Art. 20. São bens da União:

I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;

II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;

IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 46, de 2005)

V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;

VI - o mar territorial;

VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;

VIII - os potenciais de energia hidráulica;

IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;

XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.

§ 1º - É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.


(...)
 
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Eu espero que realmente o Rio aproveite esse período unico em sua historia para se desenvolver em todos os aspectos. Outra chance como essa nao virá tão cedo.
 

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Pelo menos já se vê alguma mudança no sentido de diversificar mais a economia, a começar pelos investimentos em logística, além do próprio renascimento da cidade do Rio, impulsionado pelas Olimpíadas. Mas que é preciso deixar tudo redondinho em um projeto definido de longo prazo, ok, concordo, completamente.
 
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