Skyscraper City Forum banner
1 - 20 of 58 Posts

·
Registered
Joined
·
2,063 Posts
Discussion Starter · #1 ·
Segundo um estudo da ONU, em 2015 a Região da Grande Lisboa vai comportar 45,3% do total da população do país, tornando-se na terceira maior capital metropolitana da União Europeia, logo a seguir a Londres e Paris.

Apesar da tónica colocada no desenvolvimento do interior, o certo é que o tempo passa e as soluções teimam em aparecer. A definição estratégica do Modelo de "Pólos de Competitividade" para o país torna-se mais do que nunca decisiva e compete ao Estado o Papel central de dinamização dum Programa Estratégico para uma maior coesão social e territorial do país.

Numa Europa das Cidades e Regiões, onde a aposta na inovação e conhecimento se configura como a grande plataforma de aumento da competitividade à escala global, os números sobre a coesão territorial e social traduzem uma evolução completamente distinta do paradigma desejado. A excessiva concentração de activos empresariais e de talentos nas grandes metrópoles, como é o caso da Grande Lisboa, uma aterradora desertificação das zonas mais interiores, na maioria dos casos divergentes nos indicadores acumulados de capital social básico, suscitam muitas questões quanto à verdadeira dimensão estruturante de muitas das apostas feitas em matéria de investimentos destinados a corrigir esta "dualidade" de desenvolvimento do país ao longo dos últimos anos.

Uma metropolização incontrolável

Os dados do estudo "Prospectivas de Urbanização do Mundo", do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, são muito claros. Além dos 45,3% de concentração da população portuguesa na Grande Lisboa (aumentando o número de habitantes de 3,8 milhões em 2000 para 4.5 em 2015), também a Área Metropolitana do Porto vai ter um crescente peso na demografia portuguesa, destacando-se em 2015 claramente como a segunda maior área urbana do país com 23.9% do total da população. Ainda segundo o mesmo estudo, nas zonas rurais permanecerá apenas 22,5% da população e nas outras áreas urbanas vão viver apenas 8.3% dos portugueses. Ou seja, uma clara secundarização do papel das Cidades Médias, o que contraria todas as tendências internacionais e a prática da política pública dos últimos anos.

Apesar da relativa reduzida dimensão do país, não restam dúvidas de que a aposta numa política integrada e sistemática de Cidades Médias, tendo por base o paradigma da inovação e do conhecimento, com conciliação operativa entre a fixação de estruturas empresariais criadoras de riqueza e talentos humanos indutores de criatividade, é o único caminho possível para controlar este fenómeno da Metropolização da capital que parece não ter fim. O papel das Universidades e Institutos Politécnicos que nos últimos 20 anos foram responsáveis pela animação de uma importante parte das cidades do interior, com o aumento da população permanente e a aposta em novos factores de afirmação local, está esgotado. A alternativa desenvolvida nos últimos anos, centrada nas infra-estruturas rodoviárias e na ancoragem de animação local através de "shopings" também não terá grande futuro, pois será muito limitada pela ausência de valor acrescentado gerado e pela incapacidade de manter estáveis níveis de consumo essenciais para manter a actividade local pretendida.

É por isso fundamental que a aposta concreta em projectos de fixação de riqueza e talentos nas cidades médias portuguesas tenha resultado. É um objectivo que não se concretiza meramente por decreto. É fundamental que a sociedade civil agarre de forma convicta este desígnio e faça da criação destas "Novas Plataformas de Competitividade" a verdadeira aposta estratégica colectiva para os próximos anos. O aumento dos fluxos migratórios do interior para as grandes cidades, por um lado, e para o estrangeiro, por outro, envolvendo tanto talentos como segmentos indiferenciados da população afectados pela onda crescente de desemprego, tem que ter uma resposta cabal. Só assim se conseguirá evitar que Portugal se torne um país "dual", incapaz de consolidar uma coesão territorial e social essencial na estratégica de afirmação colectiva como um país desenvolvido no novo mundo global.

Uma decisão estratégica

A política pública tem a responsabilidade de dar o mote e marcar a agenda. Iniciativas como as "Cidades e Regiões Digitais", "Acções Inovadoras de Base Regional", entre outras, têm tido o incontornável mérito de colocar estas temáticas na agenda e de reforçar os infelizmente nem sempre muito fortes níveis de cooperação e articulação entre actores territoriais (Municípios, Universidades, Centros I&D, entre outros). Mas engane-se quem pense que serão capazes por si só de alterar o panorama global. O que está verdadeiramente em causa em tudo isto é a assunção por parte do país dum verdadeiro desígnio estratégico de alterar o modelo mais recente de evolução de desenvolvimento e de implementar "Pólos de Competitividade" ao longo do país, fixando dessa forma riqueza e talentos que doutra forma tenderão a concentrar-se unicamente na grande metrópole.

Neste contexto, a questão surge então – que Pólos de Competitividade deverá o país privilegiar e de que forma deverão ser operacionalizados ao longo do território? São conhecidos nesta matéria várias experiências internacionais, que vão da Finlândia ao conhecido modelo francês, passando pelo modelo de organização consolidado nos últimos anos em Espanha, através das Regiões Autónomas. Não há soluções universais e deve ser atenta nesta matéria a particular especificidade do nosso país e as competências centrais de que dispõe. Acima de tudo, há que tomar opções de forma clara e ser muito claro que haverá zonas territoriais preteridas face a outras, mas o bem de uns é o bem de todos. O papel do Investimento Directo Estrangeiro de Inovação, articulado com Universidades e outros Centros de Competência, vai ser decisivo nesta área e ao Estado caberá a inelutável missão de regular com rigor e sentido estratégico.

Seria muito mau para Portugal e para os portugueses que, em 2015, 45,3% da população se concentrasse na Grande Lisboa. Portugal não é nem quer ser um país como o México. Portugal é um país da União Europeia, convicto do seu paradigma de desenvolvimento e apostado em fazer assentar o seu futuro num compromisso que se pretende sustentável entre a tradição duma história única e a inovação dum futuro diferente. É por isso que a urgência operativa do Programa dos "Pólos de Competitividade" se torna um imperativo de reencontro do nosso país com o seu futuro mais próximo.

Fonte http://www.negocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Opiniao&CpContentId=290508
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
já a uns anos li algo parecido :sly: francamente não seria nada bom continuarmos com o esquema actual de 2 grandes metropoles como se refere no fim da peça, prefiro uma distribuição no terreno de cidades mais coesas mesmo a nivel ambiental...
 

·
Banned
Joined
·
3,370 Posts
Isso deve ser um erre...

Como é que Lisboa vai ser a 3a maior capital europeia com menos de 5 milhões de habitantes?

Hà muitas outras capitais europeias com mais de 5 milhões de habitantes:

- Paris
- Londres
- Madrid
- Roma
- Berlim
- Atenas
-....

E impossivel... so pode ser um erro, ou uma falsa noticia...
 

·
Registered
Joined
·
2,063 Posts
Discussion Starter · #6 ·
utras capitais europeias com mais de 5 milhões de habitantes:

- Paris
- Londres
- Madrid
- Roma
- Berlim
- Atenas
-....

E impossivel... so pode ser um erro, ou uma falsa noticia...
mais uma vez o teu "franciu" deixou-t mal..

de Madrid para baixo, sao tds metropoles com menos de 5 milhoes de pessoas.
 

·
Feliz 2020 ;)!
Joined
·
30,635 Posts

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
É um cenário bastante provável. Actualmente já passámos dos 3 milhões!
 

·
I Love You... Soraia
Joined
·
27,934 Posts
"Os dados do estudo "Prospectivas de Urbanização do Mundo", do Departamento dos Assuntos Económicos e Sociais das Nações Unidas, são muito claros. Além dos 45,3% de concentração da população portuguesa na Grande Lisboa (aumentando o número de habitantes de 3,8 milhões em 2000 para 4.5 em 2015), também a Área Metropolitana do Porto vai ter um crescente peso na demografia portuguesa, destacando-se em 2015 claramente como a segunda maior área urbana do país com 23.9% do total da população. Ainda segundo o mesmo estudo, nas zonas rurais permanecerá apenas 22,5% da população e nas outras áreas urbanas vão viver apenas 8.3% dos portugueses. Ou seja, uma clara secundarização do papel das Cidades Médias, o que contraria todas as tendências internacionais e a prática da política pública dos últimos anos."


3.8milhoes em 2000? :D 2.6 milhoes! :p

dizem que a AMP vai ter 25% do pais.. o que equivale a cerca de 2.5milhoes. 2.5 milhoes na area actual?! aumentem-me mas eh a area. o eixo aveiro-viana tem quase 4milhoes. e o eixo aveiro-braga tem 3.5milhoes.

ps: ahhh! e nao nos esqueçamos que o crescimento populacional de 2001 para 2006 foi superior na AMP do que na AML ;)
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Tenho uma enciclopédia que diz que a população da AML é de 3,6 milhões! Deve utilizar o mesmo tipo de cálculo desse estudo!
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Sim, estou a falar dessa!
 

·
Banned
Joined
·
5,848 Posts
Isso das AM é um bocado fantasista, pois dentro das AM há diversas realidades, antigamente a AMP era mais coesa e uniforme que a de Lisboa por ser mais pequena, agora tb é tão diversa como a de Lisboa. São apenas espaços mais urbanos no país, logo comportam cidades médias independentes. Se bem que é óbvio que os espaços metropolitanos vão abocanhar tudo.

Os arcos metropolitanos de Lisboa e Porto têm ambos 3 milhões de pessoas, e incluem muitas dessas cidades médias, que esse texto lhe dá uma imagem fatalista.

Lisboa tem hipóteses de desenvolvimento muito melhores que o Porto, devido à politica centralizadora do estado em investimentos e política urbana, o choque tecnológico e outros factores, para além de Lisboa estar a se tornar numa cidade da moda na Europa.

O Porto só agora começou a ser uma área turística, que vai ganhando peso, ganhou coesão com novos desenvolvimentos em transporte, mas permanece arreado do choque tecnológico e verdadeiro crescimento sustentado.

São duas realidades diferentes.

As cidades portuguesas, no geral, têm todas vindo a recuperar do infame século XX, umas mais que outras. E, voltar ao requinte do século XIX. Espero que Lisboa fique no TOP 5. Isso vai ser também bom para o Porto.
 

·
Registered
Joined
·
1,414 Posts
As areas metroplitanas: Berlim: 4,2 milhões, Atenas 3,7 ; Roma 2,5 ; Madrid 3,1.

Pode haver erro, mas é melhor conferir os dados!
A terceira área europeia imposivel, a nao ser que contavilizem lisboa-porto numa única área, mas nem assim tao extensa. Mas 4.5 perfeitamente factivel sobre tudo grazas ao trasbase de poboaçao vinda do centro-norte, como leva acontecendo bastantes anos.

Só o municipio de Madrid tem 3.1 M, mas com a sua área urbana chega já a Toledo e Guadalajara e sao mais de 6 M, e mesmo esta-se preparando dotando-a de infraestructuras para acolher num prazo de 15-20 anos a 15 milhoes de pessoas.
 

·
Registered
Joined
·
2,011 Posts
15 milhões em madrid? geez.

bom se a pop. portugeusa for de 13 ou 14 milhões e lx tiver 45% já dá praí uns 6 milhões.. mas acho um bocado fantasista... mas quem sabe? who knows?

tínhamos de ter um crescimento superior ao que estamos a ter acho... alguem sabe quanto portugal cresce demograficamente? pensei que estavamos estabilizados..
 

·
Banned
Joined
·
3,370 Posts
15 milhões em madrid? geez.
:lol: :lol:

A população em Madrid incluindo a àrea metropolitana até Toledo é de 7.200.000 hab. (o que jà não é nada mau), por isso devia ser Madrid a 3a capital europeia e não Lisboa...

P.S: Obrigado Arpels pela informação..

Quer dizer que tendo a àrea metropolitana de Lisboa essa superficie, essa estende-se 80 Km em redor de Lisboa... é isso?
 
1 - 20 of 58 Posts
Top