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A volta do malandro
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Europa ajudará Estado do Rio a adotar modelo de gestão e reciclagem do lixo
Publicada em 16/10/2010 às 21h54m
Emanuel Alencar*

A Selenis, indústria de reciclagem de PET no distrito de Portoalegre, no Alentejo, Portugal: produção de 35 mil toneladas de garrafas por ano, 50% delas recicláveis / Foto Emanuel Alencar

BRUXELAS e LISBOA -O Rio de Janeiro entrou na agenda mundial da economia verde e caminha para a adoção de um modelo de gestão de resíduos baseado na experiência bem-sucedida de mais de 20 anos da Europa. Durante o 5 Seminário do ProEurope (Organização Europeia de Recuperação de Embalagens), que terminou no último dia 8, em Bruxelas, autoridades europeias expuseram a dirigentes de órgãos ambientais fluminenses o interesse em ajudar o estado na implementação do projeto que engloba empresas de reciclagem de embalagens em 30 países da Europa, mais o Canadá.

Graças ao sistema, em 2009 foram recolhidas e recicladas 32 milhões de embalagens, evitando a emissão de 25 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Na Europa, as indústrias assumiram há muito papel de protagonismo - mas com sociedade, empresas e governos atuando de forma compartilhada. Por aqui, o assunto entrou na agenda econômica e ambiental com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos do Brasil, em agosto.

A partir de agora as empresas precisarão se responsabilizar por seus resíduos. Mais do que isso, a nova legislação introduziu o modelo de logística reversa, que determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores realizem o recolhimento de embalagens usadas. Na Europa, a política de gestão compartilhada foi adotada oficialmente pela diretiva 94/62/CE do Parlamento Europeu, de dezembro de 1994.

Modelo adaptado a cada realidade regional

O ProEurope anunciou em Bruxelas que apoia a extensão de seu modelo ao Brasil, que já antevê problemas ainda maiores com o lixo urbano, em função da explosão do consumo. Diretor da entidade, Joachim Quoden afirma ver com bons olhos a expansão do modelo para além das fronteiras da Europa.

- Não temos uma proposta fixa, dada as diversas particularidades de nossos países. O Brasil é enorme e cada estado poderia formatar sua própria gestão. Rio, um modelo. São Paulo, outro. E assim por diante. Mas é extremamente importante a participação de todos os atores, empresas, estados e municípios. Todos devem formular a política juntos. Caso contrário, é queimar dinheiro - alerta. - Temos todo o interesse em discutir soluções com o Brasil. A ideia é adaptar o modelo, de acordo com cada realidade. Como é feito na Europa: metas comuns, definidas pela Comunidade Europeia, mas maneiras distintas de atingi-las.

Quoden aproveitou para mandar uma mensagem aos empresários brasileiros:

- Não tenham medo de apostar em uma política de sustentabilidade. No início pode ser mais custoso, mas os ganhos a longo prazo são muito mais significativos.

Ponto Verde: até 2011, 55% das embalagens recicladas

A maior esperança de que o sistema pode funcionar aqui vem da Sociedade Ponto Verde (SPV) de Portugal, fundada há 14 anos. A criação da entidade sem fins lucrativos, uma das ações do Primeiro Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos (de 1996 a 2006), teve peso decisivo para mudar o panorama: a meta para 2011 é reciclar pelo menos 55% de embalagens do mercado português com metas especificas por material: vidro, papel/cartão, metal, plástico e madeira.

Com capital acionário dividido entre empresas embaladoras e produtoras, do comércio e da distribuição, a SPV é licenciada pelo Ministério do Meio Ambiente e está proibida de distribuir seu lucro aos acionistas. Cada embalador ou importador paga uma quantia anual à SPA - o chamado Valor Ponto Verde -, calculado em função do peso e tipo de material das embalagens colocadas no mercado. Por meio de contratos com receptores e recicladores, a SPV assegura a destinação final correta destes materiais. Já são mais de nove mil empresas clientes que transferiram a obrigação legal à sociedade.

Os membros do ProEurope adotam modelos semelhantes, embora cada um mantenha particularidades.

Em 1996, Portugal vivia uma situação bastante semelhante com a atual fluminense: cada municipalidade contava com lixões a céu aberto (eram 341 ao todo) e não havia um sistema de coleta seletiva estruturado. Investimentos maciços da União Europeia e do estado português - de 1997 a 2006 foram investidos 1,6 bilhão no país - ajudaram Portugal a erradicar os seus lixões há nove anos.

- As empresas, no geral, têm duas opções: adotar um sistema próprio ou um integrado, como o nosso. A solução integrada é economicamente mais vantajosa - explicou Luís Martins, presidente da organização e um dos palestrantes do ProEurope. - Imagine a AmBev tendo que recolher as embalagens que comercializa no Estado do Rio para dar a elas um encaminhamento adequado?

O subsecretário de Desenvolvimento Sustentável da secretaria estadual do Ambiente, Gelson Serva, afirmou que a ideia é adaptar o modelo à realidade brasileira.

- Aprenderemos com os erros e os acertos cometidos na Europa. Os catadores não ficarão de fora da formulação do nosso sistema - garantiu Gelson Serva.

Portugal vai criar bolsa de resíduos

Enquanto o Rio estuda um modelo, o governo português vai implementar, ainda este ano, uma espécie de bolsa de valores de resíduos. A ideia é criar um mercado de compra e venda entre empresas de insumos que, teoricamente, iriam parar em aterros sanitários. Um consórcio formado pela SPV, pela Associação Automóvel de Portugal (Acap) e pela Ambigroup ganhou o direito de gerir a bolsa.

- Queremos dar visibilidade para que determinados resíduos possam virar matérias-primas. A bolsa vai combater o comércio ilícito de resíduos e a evasão fiscal. Mas foi criada, acima de tudo, pela preocupação ambiental - disse a ministra do Ambiente de Portugal, Dulce Pássaro.

http://oglobo.globo.com/economia/ma...lo-de-gestao-reciclagem-do-lixo-922804787.asp
 

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A volta do malandro
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Dulce Pássaro: 'É possível inserir os catadores no processo'
Publicada em 16/10/2010 às 22h09m
Emanuel Alencar

A ministra do Ambiente e Ordenamento do Território de Portugal, Dulce Pássaro. Foto de Emanuel Alencar (O GLOBO)

LISBOA - A ministra do Ambiente e Ordenamento do Território (MAOT) de Portugal, engenheira Dulce Pássaro, diz que o país ajudará o Rio na adoção de uma política eficiente para resíduos sólidos.

O GLOBO - A senhora assinou, em maio, um acordo de cooperação com a secretária do Ambiente do Rio, Marilene Ramos. Qual é o objetivo?

DULCE PÁSSARO: Hoje, em Portugal, além de darmos uma destinação final adequada de resíduos, valorizamos cada vez mais o lixo, quer energeticamente - através de duas unidades de incineração - quer com a valorização do componente orgânico. Mandamos para aterros cada vez menos quantidade de resíduos. Penso que nós podemos transmitir essa experiência ao Rio e ao Brasil. Com essas parcerias entre países, só temos a ganhar.

O GLOBO - Como inserir os atuais catadores no processo de modernização da gestão de resíduos?

DULCE PÁSSARO: É possível, sim, inseri-los. Também tínhamos muitos catadores aqui em Portugal. Eles podem ser usados nas triagens de recicláveis. Mas deve haver controle. As pessoas não podem andar no aterro, catando indiscriminadamente. Essas pessoas precisam de apoio, de saúde, acompanhamento social. Com o tempo, os catadores vão sendo qualificados e reintegrados em melhores funções. Hoje, em Portugal, alguns acabaram saindo do setor. Mas muitos montaram suas próprias empresas. Nossas estações de triagem são todas automatizadas. Mas esta automatização não precisa acontecer no Brasil imediatamente.

O GLOBO - Houve muitas resistências na implementação do sistema?

DULCE PÁSSARO: Sim. Mas a preocupação ambiental acaba, a médio prazo, a se tornar amiga da economia. Com o tempo, há poupança de matérias-primas e a implementação de sistemas mais eficientes. Mas as atividades econômicas estão acostumadas a produzirem bens sem se preocuparem com os aspectos ambientais. Por isso, no início, há que se destinar recursos adicionais. Em geral, as empresas reagem negativamente. Isso aconteceu em toda parte do mundo. É preciso rigor e pragmatismo. O ambiente é parte do desenvolvimento.

http://oglobo.globo.com/economia/ma...nserir-os-catadores-no-processo-922804792.asp
 

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Muito interessante essa notícia, ainda mais para a população carioca que não tem muito cuidado com lixo. :)
 

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...uma cena que não ví em nenhum outro lugar que conheço, mas aqui no Rio sempre vejo e que me deixa puto da vida, são pessoas, (pessoas??) jogando aquela sacola de supermercado cheia de lixo domestico nos rios.
Quem faz isso tem que tomar um cacete bem dado no coco pra aprender boas maneiras de gente civilizada!!!:eek:hno:
 

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A volta do malandro
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Discussion Starter · #6 ·
^^
Outro dia vi um caboclo jogando uma garrafa na Lagoa, na maior naturalidade... fiquei revoltado.
 

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...uma cena que não ví em nenhum outro lugar que conheço, mas aqui no Rio sempre vejo e que me deixa puto da vida, são pessoas, (pessoas??) jogando aquela sacola de supermercado cheia de lixo domestico nos rios.
Quem faz isso tem que tomar um cacete bem dado no coco pra aprender boas maneiras de gente civilizada!!!:eek:hno:
^^
Outro dia vi um caboclo jogando uma garrafa na Lagoa, na maior naturalidade... fiquei revoltado.
O pobrema doto num é u licho è a farta di iducassão mermo.

Bastava jogar o lixo no devido lugar que metade do problema já estaria solucionado, enfim..........
 
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