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Transcrevo abaixo trechos de capítulo do livro História da Vida Privada no Brasil, vol. 3 (República: da Belle Époque à Era do Rádio), que explica como as favelas surgiram no Rio de Janeiro no início da República, especialmente após as extensas reformas urbanas empreendidas pelo
Prefeito Passos durante o governo do Presidente Rodrigues Alves.


“LIMITES PRIVADOS EM CONFRONTO NA BELLE ÉPOQUE: CORTIÇOS, FAVELAS, PALACETES E VILAS

Primeira cidade brasileira a sofrer um amplo projeto de reformas após o advento republicano, referenciado no exemplo “civilizador” da Paris haussmanniana, o Rio de Janeiro, capital da nação até 1960, seria alvo das mais variadas tentativas de controle das moradias, no sentido de harmonizar as vizinhanças e estender à dimensão coletiva, pública, os padrões de privacidade controlada e estável. A condição privilegiada da cidade, sede de três esferas do poder público, não foi, entretanto, fator suficiente para que as tentativas resultassem em grandes sucessos. (...)

As iniciativas reformadoras tomadas pelas autoridades públicas, sobretudo após a posse de Rodrigues Alves em 1902, esbarravam também na mescla de atividades e funções que se justapunham em quase todas as ruas da cidade em especial nos distritos centrais. Casas de comércio dividiam paredes com habitações luxuosas ou remediadas, e não raro com cortiços, estalagens ou casas de cômodos. Tudo alinhado diretamente sobre as ruas, mediado pelas numerosas janelas e portas, e pelos muros de quintais.

(...)

As posturas das vereanças, as concessões de serviços para infra-estrutura urbana e o pequeno exército de médicos sanitaristas pouco tinham podido fazer pelo controle efetivo da dinâmica da cidade, e de suas habitações populares superpovoadas e materialmente precárias, muitas delas levantadas sob o impulso da liberação de capitais do tráfico [ de escravos] e do aumento das atividades portuárias e industriais da corte. O Rio de Janeiro ingressava no rol das capitais republicanas do Ocidente, sob o escárnio e o horror de viajantes estrangeiros, negociantes e imigrantes.

O quadro precário das habitações das maiores faixas das populações urbanas cariocas se repetia nas demais capitais provinciais, o que se tornava evidente nas altas taxas de mortalidade que acometiam os domicílios populares, provocadas pela sucessão de surtos de cólera-morbo, febre amarela, varíola, malária e em particular de tuberculose, além da peste bubônica, que passaria a fazer muitas vítimas em fins do século XIX. Doenças todas que grassavam em razão das péssimas condições de salubridade oferecidas pela ruas imundas, mas sobretudo pelas casas lotadas e sem infra-estrutura de esgotamento e abastecimento de água, insuficientes e ineficientes mesmo na Corte. (...)

Urgia aos dirigentes do regime que se instalava, inspirado nas idéias tecnocráticas de governo, arrancar o Rio de Janeiro da letargia e inoperância que atribuíam ao execrado regime imperial, julgado incapaz de livrar a cidade de convívios considerados promíscuos e desestabilizadores da Saúde Pública. (...) Compreende-se, pois, a prioridade concedida ao combate institucional às habitações populares, consideradas como os principais focos de dispersão das epidemias pela cidade, e havia muito tempo condenadas à extirpação pelos médicos higienistas, ansiosos por curar a cidade de suas “patologias” sanitárias, sociais e espaciais.

A ambição de arrancar do seio da capital as habitações e moradores indesejados pelas elites dirigentes começou a se materializar com as medidas visando a demolição dos numerosos cortiços e e estalagens, espalhados por todas as freguesias centrais do Rio de Janeiro, o que se processou sob a legitimação do sanitarismo. (...)

As primeiras atitudes objetivando a eliminação dos cortiços cariocas mostravam-se tão tímidas quanto incapazes de reorientar para longe a moradia das populações expulsas. Pode-se supor com certa segurança que já na demolição do célebre Cabeça de Porco – situado nas faldas do Morro da Providência e posto abaixo pelo Prefeito Barata Ribeiro em 1893 – começaram a surgir os irônicos resultados iniciais colhidos pelo atropelo das intervenções republicanas.

A miséria e os miseráveis que haviam perdido suas habitações na derrubada violenta do cortiço tinham à disposição o morro contíguo – e as madeiras da demolição que a própria Prefeitura lhes permitira recolher. Barracos de madeira já estavam disseminados no Morro de Santo Antônio, ponto privilegiado da cidade, e logo estariam presentes no da Providência, nos anos que se seguiram às picaretas de Barata Ribeiro. Na vizinhança do Cabeça de Porco surgia a “Favela”, apelido que seria dado ao morro da Providência pelas tropas vindas de Canudos em 1897, as quais estacionaram ali e acabaram denominando o local desse nome por associação a plantas com favas, comuns tanto no morro carioca quanto nas cercanias do arraial de Antônio Conselheiro, o Belo Monte.

As favelas, surgidas no Rio de Janeiro quase contemporaneamente à República, inauguravam de modo exemplar o rol de frustrações das elites em eliminar as convivências de habitações e populações diversas no seio da maior e mais importante cidade brasileira de então, fornecendo um paradigma do que se processaria ao longo do século XX em quase todas as medidas que visavam a exclusão social mediante a condenação e eliminação de populações inconvenientes.

As vastas reformas urbanas empreendidas a partir de 1903 no Rio de Janeiro pelas ações combinadas dos governos federal e municipal miravam em cheio a liberdade de ocupação dos espaços públicos e privados das áreas mais centrais da capital. (...)

Ainda que as reformas de Pereira Passos não tenham tido o grau de complexidade sistêmica daquelas realizadas na Paris oitocentista, que ele mesmo vivenciara em seu período de estudos na França, o Rio de Janeiro foi palco de uma firme tentativa de reformar os costumes, aliando o controle e o redesenho dos espaços públicos ao ataque violentíssimo aos espaços privados e às propriedades edificadas.

(...)

Instalou-se um “bota-abaixo” de cortiços, estalagens, sobrados e casas térreas classificadas como insalubres e indignas, sob a aparência das melhores intenções sociais. Para aqueles que compartilhavam das idéias intolerantes dos dirigentes das reformas, as melhorias nas canalizações e infra-estrutura não eliminavam a chaga social das habitações populares miscigenadas às casas comerciais do centro ou às moradias destinadas aos setores sociais mais estáveis estabelecidos no arrabaldes.

“Certamente não basta obtermos água em abundância e esgotos regulares para gozarmos de uma perfeita higiene urbana. É necessário melhorar a higiene domiciliária, transformar a nossa edificação, fomentar a construção de prédios modernos e este desideratum somente pode ser alcançado rasgando-se na cidade algumas avenidas, marcadas de forma a satisfazer as necessidades do tráfego urbano e a determinar a demolição da edificação atual onde ela mais atrasada e repugnante se apresenta.” Era a justificação para o vasto programa de alargamento de ruas e traçado de novas avenidas sob o antigo tecido dos quarteirões das avenidas centrais e da linha portuária, articulando-os com os arrabaldes em que multiplicavam os interesses especulativos desde a instalação das companhias de bondes e estações de trem ao sul e ao norte da cidade.

O acesso da área central aos subúrbios populares ao norte da cidade, além de São Cristóvão, foi facilitado pelo prolongamento da avenida do Mangue, na Cidade Nova, e pelo aterros na Prainha, Valongo, Gamboa e na praia formosa, onde se assentou o novo cais portuário e a longa avenida Rodrigues Alves. No vetor sul da cidade, os aterros entre a Misericórdia e a praia da Saudade deram abrigo à avenida Beira-Mar, que articulava o centro aos bairros em que desde os tempos de D. João VI vicejavam as chácaras de estrangeiros e aristocratas. Agora, o acesso à Glória, Catete, Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo e Botafogo era rápido e elegante, tendo sido a Guanabara flanqueada com jardins e esculturas inspirados em Paris. O arejamento atlântico de Copacabana, ligada ao Rio por bondes quando era pouco mais que um imenso areal, estava ainda mais acessível às novas moradias e à especulação, sobretudo após a inauguração do túnel do Leme, em 1906.

(...)

A avenida central, depois renomeada Rio Branco em homenagem ao barão que definira os também confusos limites geográficos do Império e da República, aparecia como a mais emblemática das novas artérias surgidas no bota-abaixo, inspirada nos bulevares parisienses e na avenida de Mayo, que presidia desde 1894 o centro aburguesado da rival Buenos Aires, capital que nos primeiros anos do século XX ultrapassara o Rio de Janeiro como principal centro portuário sul-americano.

A nova avenida coroava as intenções de redefinição da antiga relação entre espaços públicos e privados na capital da República. O fausto das construções institucionais e particulares consagrava-lhe novos ritmos espaciais, tudo patrocinado diretamente pela União, que encetava no centro da capital o símbolo do controle dos espaços públicos, abertos à custa da violenta submissão das propriedades privadas aos procedimentos desapropriadores. Os antigos ocupantes das ruas apertadas e barulhentas da área central, os mesmos que se beneficiavam do “tumulto' e da “desordem”, deviam ser excluídos dos novos logradouros públicos. Reservados para aqueles que soubessem se comportar dentro de padrões de “civilidade”, as novas artérias expulsavam – em tese - os miseráveis do Rio, “privatizando” para as elites e setores médios um espaço, em princípio, comum, “público”.

A concentração do suntuoso conjunto formado pelo Senado Federal (Palácio Monroe), pela Biblioteca Nacional, Museu Nacional de Belas-Artes e pelo Teatro Municipal na extremidade sul da nova avenida indicava também o novo coração da cidade. O centro agora voltava-se para os bairros residenciais nos lados da enseada de Botafogo e do Atlântico, criando-se o eixo que enlaçava as regiões enfim subordinadas à nova gramática entre os espaços públicos e os privados ambicionada pelas elites reformistas.

Davam-se as costas para o Campo de Santana, São Cristóvão e os bairros em volta do Engenho Velho, lembrança monárquica cheia de solares decadentes. O Norte da cidade era deixado aos médios, aos miseráveis que eram expulsos das residências coletivas demolidas na área central, e às levas de cariocas e imigrantes que podiam instalar-se nas casas modestas da zona suburbana, crescente ao longo das estradas de ferro Central, Leopoldina, Rio d'Ouro e Melhoramentos do Brasil. (...)

Quanto mais longe ficassem as populações – e suas habitações – expulsas pelas reformas e seus agente, tanto melhor seria. (...)

A dispersão das populações pobres deu-se realmente, e em grande parte, pelos subúrbios ao norte da cidade, mas esse não foi o único rumo daqueles que estavam sendo expulsos pelo bota-abaixo e pelas normas que perseguiam as “promíscuas” habitações populares. As atitudes governamentais de edificação de moradias populares eram tímidas – delas são testemunhos so conjuntos ainda existentes ao longo da avenida Salvador de Sá – , levando os despejados a se acomodar onde pudessem. Como a construção de novos cortiços e estalagens estava proibida desde 1903, as casas de cômodos, que foram descritas com o verbo assustador de João do Rio, tendiam a espalhar-se ainda mais pelas edificações vizinhas ao novo centro do comércio e do lazer da Belle Époque carioca, abrigando boa parcela dos desabrigados e enfurecendo os anseios civilizadores.(...)

Para os cariocas que nem mesmo podiam pernoitar nos casarões havia a possibilidade de ainda fazer bom uso interpretativo de um dos artigos do código de posturas de 1903. Os primeiros barracos de madeira, que desde a década de 1890 acumulavam-se no morro da Providência, a “Favela”, e no de Santo Antônio (onde ocorreriam várias tentativas de erradicação das habitações entre 1901 e 1916), começariam a se espalhar nos incontáveis morros cariocas, disponíveis em todas as zonas da cidade, favorecidos pela flacidez do próprio dizer legar:”Os barracões toscos não serão permitidos, seja qual for o pretexto de que se lance mão para obtenção de licença, salvo nos morros que ainda não tiverem habitações e mediante licença”.

Os morros estavam por todo o Rio, e quase todos eram desabitados; quanto às licenças...essas puderam ser facilmente esquecidas, ou mesmo contornadas. Quando morar nas habitações coletivas superlotadas alcançava um custo impossível, ou as condições de moradia ficavam insuportáveis, umas poucas madeiras e a complacência das autoridades abriam novas – e panorâmicas – perspectivas de habitação (...)

Numa singular simbiose com as reformas da cidade, os moradores expulsos pelas demolições alimentavam-se dos destroços, extraindo dali os materiais de construção que acabariam perpetuando as vizinhanças que as obras públicas pretendiam extirpar (...)

Apesar de as habitações coletivas tradicionais serem continuamente perseguidas, sobretudo na área central, nos bairros da Zona Sul e na distante Copacabana – onde, aliás, já existiam alguns cortiços antes de 1905 -, as favelas acabariam sendo toleradas. Com uma rapidez impressionante, os barracos foram erguidos por todas as regiões mais urbanizadas do Rio de Janeiro, inclusive naquelas escolhidas pelas elites para morar em “boa vizinhança”, solapando os sonhos da gestão Rodrigues Alves.

(...)

Num tempo em que apenas trens e bondes precários serviam as periferias longínquas – ao que se somava a quase intransponível topografia carioca – como esperar horas e horas por empregados? Os morros e brejos do centro e da Zona Sul acabaram sendo a resposta cômoda para as elites habituadas a agudas explorações sociais. Afinal, a convivência próxima entre senzalas, colônias e salões senhoriais estava na memória de muitos. A pobreza acabou por avizinhar-se ao luxo das residências aburguesadas: a metros dos quintais e jardins franceses da rua de São Clemente, no Botafogo, subiriam anos depois os barracos do morro Dona Marta.

Mal acabavam as grandes demolições e expulsões da gestão Rodrigues Alves, já começava a a surgir a maior parte das favelas do centro e da Zona Sul do Rio de Janeiro. Em 1907, encontram-se referências a barracos no morro da Babilônia, seguindo-se o aparecimento das favelas do Salgueiro (1909), na Tijuca, e da Mangueira (1909), no morro do Telégrafo, localizado atrás da Quinta da Boa Vista. Já em 1912 estavam em morros do Andaraí, em Copacabana e no Leme, e também no morro de São Carlos, no Estácio. O morro dos cabritos, entre Copacabana e a lagoa Rodrigo de Freitas, já abrigava barracos em 1915, e em 1916 havia favelados também no morro do Pasmado, coroando a paisagem do Botafogo, e nos subúrbios ao norte da cidade.

A expansão das populações faveladas avançara no seio dos bairros de palacetes, marcando a paisagem e arruinando as ambições de afastar as vizinhanças empobrecidas. (...)”
 

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Muito bom ,grande pra caramba o texto , mas muito bom.Li metade e joguei no open-office pra ler depois.rsssssssssss
 

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Já conhecia a história do surgimento das favelas, mas este vtexto está ótimo
 

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A volta do malandro
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:applause: :applause: :applause:
Primeiramente tenho que te dar os parabéns pela forma inteligente de iniciar uma discussão civilizada e construtiva sobre os problemas de nossa cidade. Enfim, espero que este tópico possa ocupar um lugar interessante no fórum e que as pessoas o leiam e discutam racionalmente, pois aqui sim é um lugar onde isso pode acontecer.

Pra mim, a maior lição que pode ser tirada desse apanhado histórico é que a questão da demolição de favelas pode ser considerada ultrapassada e que a integração entre favela e asfalto e o investimento na área social são as melhores soluções:
"Numa singular simbiose com as reformas da cidade, os moradores expulsos pelas demolições alimentavam-se dos destroços, extraindo dali os materiais de construção que acabariam perpetuando as vizinhanças que as obras públicas pretendiam extirpar (...)"

Pior de tudo é que idéias desse tipo ainda existem e são, muitas vezes, consideradas A SOLUÇÃO para nossa cidade.

Só para não deixar passar, alguns elementos que contribuiram para o crescimento das favelas na cidade não ficaram claros, como o fator migratório e o fim do Estado da Guanabara.

"Num tempo em que apenas trens e bondes precários serviam as periferias longínquas – ao que se somava a quase intransponível topografia carioca – como esperar horas e horas por empregados? Os morros e brejos do centro e da Zona Sul acabaram sendo a resposta cômoda para as elites habituadas a agudas explorações sociais. Afinal, a convivência próxima entre senzalas, colônias e salões senhoriais estava na memória de muitos. A pobreza acabou por avizinhar-se ao luxo das residências aburguesadas: a metros dos quintais e jardins franceses da rua de São Clemente, no Botafogo, subiriam anos depois os barracos do morro Dona Marta."

Acho que esse é o ponto mais importante do texto, pois mostra que a própria classe média e os ricos que hj tratam as favelas como verdadeiras pragas urbanas foram os que estimularam seu crescimento. Portanto, esse é mais um motivo para que pensemos em integração em vez de outro "bota-abaixo". O argumento ambiental para a defesa da demolição também não cabe: alguém seria a favor da remoção de Santa Teresa?

Tenho alguma esperança de que recentes projetos do setor público sejam um início de mudança de mentalidade. No PAC foram incluídos, inicialmente, 3,5 bilhões para investimento em habitação só no Rio de Janeiro. A primeira favela a ser beneficiada será a Rocinha (o projeto está em fase de estudo topográfico e discussão com a comunidade). Posteriormente, o projeto se estenderá a Manguinhos (onde fica a chamada faixa de gaza), Complexo do Alemão, Cidade de Deus e Complexo da Maré (aquela imensa próxima a Cidade Universitária e a caminho do aeroporto). O que mais me agrada é que parece que o caminho que está sendo tomado não é o mesmo do Favela Bairro de Conde e César Maia que apenas esconderam as favelas em vez de integrá-las. Desta vez estão sendo ouvidas as principais reivindicações dos moradores, ou seja, nada está sendo feito de cima pra baixo, mas sim em forma de parceria.
Outro fator que poderia contribuir para melhorar essa situação seria o desenvolvimento sócio-econômico das áreas mais degradadas de nossa região metropolitana, assim como mais investimentos no setor de transporte. Isso porque muitos moradores dessa favelas são oriundos de cidades da baixada ou até das áreas mais desvalorizadas de nossa cidade. Com esse desenvolvimento regional, essas áreas podem se transformar em pólos atrativos para pessoas em busca de melhores condições de sobrevivência e com a melhoria do sistema de transporte, a região metropolitana ficaria mais integrada e o caminho até as áreas de trabalho ficaria mais curto e até agradável (por que não?).
Para terminar, queria dizer que defendo esses investimentos nas favelas, mas sei que isso pode ser uma faca de dois gumes, na mediade em que poderia atrair ainda mais pessoas para essas áreas. Por isso defendo que, paralelamente, seja feito um forte controle do crescimento dessas, já que remoção é um problemas, mas evitar essa expansão incontrolada também é obrigação do setor público.
Enfim, ainda tenho muito o que falar, mas vou deixar as próximas opiniões me ajudarem a desenvolver minhas idéias. Mais uma vez, Dudu, parabéns pelo BELO thread!
 

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Discussion Starter · #6 ·
Obrigado, Patrick, pelos elogios!

Esse texto é uma contribuição para o debate sempre presente no SSC sobre as favelas.

Com ele quero mostrar que as favelas, além de serem um problema derivado da concentração de renda no nosso país, do êxodo rural, da estagnação econômica, e das disparidades econômicas, originam-se de políticas urbanas equivocadas, em geral projetadas pelas e para as elites, que, pretendendo excluir os pobres da cidade, acabaram tendo o efeito contrário.
 

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Discussion Starter · #7 ·
Muito bom ,grande pra caramba o texto , mas muito bom.Li metade e joguei no open-office pra ler depois.rsssssssssss
Obrigado Jamy pelo elogio! O texto está grande, mas no original do livro está maior ainda, tive que dar uma boa enxugada, tendo o cuidado de não sacrificar o essencial. Mas para uma questão tão complexa quanto essa, não dava mesmo para ter um texto curto.
 

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Dando um tempo.
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Excelentes informações! Muito obrigado!
 

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A volta do malandro
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é mt triste ver um tópico como esse lá embaixo... as pessoas parecem mesmo preferir fazer "análises" com base em fotos e textos sensacionalistas que em um texto mais amplo e aprofundado sobre os problemas do Rio. É uma pena... comentem aqui!!!
 

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Eu já disse que as favelas no Rio tiveram inicio quando acabou a escravidão e os negos sem terem pra onde ir (prefiriram trazer e pagar os imigrantes (aproveitando para embranquecer o pais) doque contratar negos e permanece-los nas fazendas e casas), subiram os morros, daí surgiram as primeiras favelas! ...e os poucos negos que tinham posses foram proibidos de comprar terras pois por racismo, muitos não vendiam pra eles.

:eek:hno: ...vamos parar com demagogia minha gente!!! :wink2:
 

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Onde vc leu isso?
>( ...aaah!!! Pelo amor de Deus, né?! Vai dizer que você não sabe disso?! Procure em documentos históricos que você vai encontrar (não diretamente) e tirar suas conclusões (nas universidades também já estão explicando isso pras pessoas), mas como o governo e a igreja escondem tudo do "povâo", ninguém fica nem sabendo! :(
 

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Excelente texto. Mostra que o problema das favelas cariocas é bem mais antigo do que a maioria pensa.
 

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Sei que os verdadeiros "herois" da guerra do Paraguai ,na maioria Negros ,voltaram e sem moradia e assistência do Governo, ficaram nos morros provisoriamente e acabaram ficando .
 

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Discussion Starter · #15 ·
Isso de dizer que no Império já havia favelas no Rio de Janeiro...não sei não, prefiro me embasar em fontes seguras, como o livro que citei. Se vcs me citarem algum livro e/ou historiador que defenda tal tese, ok.

Pelo que já li a respeito do assunto, no Império, a moradia dos escravos era, obviamente, a senzala; e a moradia urbana dos pobres livres (de nascimento, ou ex-escravos alforriados) eram os Cortiços.

É certo, porém, que havia nas províncias do Império os quilombos, isto é, aglomerações de escravos fugitivos. Agora, se havia na época do Império algum quilombo no território do que é hoje a cidade do Rio de Janeiro, e que tal quilombo, com a abolição, tenha se tornado assim uma favela, isso eu sinceramente não sei, vou pesquisar a respeito.

Estou para receber um livro que encomendei pela internet sobre esse tema das favelas no Rio de Janeiro, e se tiver alguma novidade prometo que lhes conto.
 

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A chave da resposta é a Guerra do Paraguai.E a situação social desses "soldados" Negros durante e após a mesma.

Vou procurar onde li isso.
 

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A volta do malandro
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as pessoas ficam querendo apontar um momento histórico específico para a questão das favelas quando se sabe que é tudo fruto de diversos acontecimentos e que o cerne da questão está em políticas elitistas e/ou incompetentes com que o Rio vem sofrendo por décadas
 
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