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Só falta tirar o projeto do papel

20/05/2006 - Exame - Roberta Paduan


A travessia de trens de carga pela capital paulista é atualmente o maior gargalo logístico do sistema ferroviário brasileiro. Comboios que levam mercadorias do interior de São Paulo, dos estados do Centro-Oeste e do Rio de Janeiro ao porto de Santos -- ou vice-versa -- são obrigados a cruzar a Grande São Paulo e compartilhar os trilhos usados pelos trens de passageiros. Como a prioridade é o transporte de pessoas, há horários completamente proibidos para a passagem dos vagões com carga, que têm de esperar até 8 horas para entrar na zona urbana da maior metrópole do país. Como conseqüência do gargalo, boa parte das mercadorias acaba acomodada em caminhões, o que representa um custo extra de até 25% -- sem falar no congestionamento em rodovias e avenidas. A MRS, uma das concessionárias de transporte de carga ferroviária em São Paulo, estima que poderia carregar um volume 45% maior se tivesse trânsito livre. Os usuários também padecem. "Só conseguimos transportar nos trens metade dos produtos acabados que gostaríamos", afirma Marcos Lutz, diretor de infra-estrutura da siderúrgica CSN.

A solução para o problema é conhecida -- é preciso construir o ferroanel, um contorno ferroviário nos moldes do rodoanel, que permitiria tirar os trens de carga do centro de São Paulo e eliminar o compartilhamento de trilhos com os trens de passageiros. Há um ano, a MRS entregou ao governo federal um projeto detalhado para a construção da parte considerada mais urgente do ferroanel, o trecho norte, que resolveria o grosso do problema. A empresa afirmou ter interesse em investir até 400 milhões de reais, metade do custo estimado para esse trecho. Inexplicavelmente nada aconteceu. Passados 12 meses, a MRS não recebeu resposta alguma para sua proposição.

A ironia é que o próprio governo federal reconhece a importância estratégica do ferroanel para a economia do país. A obra foi incluída entre os projetos prioritários do Plano de Revitalização de Ferrovias e listada entre as primeiras a ser executadas pelo sistema federal de parcerias público-privadas (PPP). Por que, então, o projeto não sai do papel? Procurados por Exame, os ministérios dos Transportes e do Planejamento recusaram-se a comentar o assunto e recomendaram que fosse procurada a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na ANTT, a informação é que a agência recebeu a incumbência de analisar a proposta, mas ainda não tem nada a dizer -- pois o trabalho de análise nem sequer começou. "É irritante ver uma obra tão importante parada em alguma gaveta", diz Paulo Fernando Fleury, diretor do Centro de Estudos em Logística da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "Ou o governo está trabalhando pouco ou falta competência ao pessoal lá de Brasília."
 

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É impressionante como no Brasil coisas de suma importância não tem importância nenhuma, isso cansa viu.
Acho que a única saída pra esse país é a gente fazer uma ONG de alguns milhões de pessoas só pra cobrar de forma direta e até violenta, se for o caso, projetos importantes e que os Governos fazem pouco caso. Como: transporte; infra-estrutura, etc.
 

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A seção SP dssa ONG podia se chamar Paulistas pela Conscientização do Cidadão, ou PCC. "Sr. Governador, o Sr. Smartboy do PCC deseja marcar uma audiência"
 

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rkj said:
A seção SP dssa ONG podia se chamar Paulistas pela Conscientização do Cidadão, ou PCC. "Sr. Governador, o Sr. Smartboy do PCC deseja marcar uma audiência"
Você leva jeito pra ser o vice-presidente da ONG, Sr. Rkj :applause: :D

Ela também poderia se chamar D.O.G (De Olho no Governo). Poderia se manifestar ora como um Luluzinho, ora como um Pitbull, caso os políticos não cooperassem.
Na ONG teria uma sala chamada "Hostel" (igual ao do filme "O Albergue") para os políticos (pode ser banqueiros e funcionários públicos corruptos também) que pisassem na bola com a ONG. Seria aquele que realmente não quer o crescimento do país e faz o inverso. :eek2:

Mas voltando ao assunto: é interessante como o Brasil abomina tanto as ferrovias.
 

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SP quer concessão e prioridade para trecho Sul do Ferroanel

http://www.revistaferroviaria.com.br/index.asp?InCdNewsletter=5708&InCdUsuario=25693&InCdMateria=11828&InCdEditoria=2

SP quer concessão e prioridade para trecho Sul do Ferroanel

08/11/2010 - Valor Econômico

O governo de São Paulo voltou a defender a prioridade de construção do Ferroanel Sul e considera que o projeto tem viabilidade para ser construído por meio de concessão ou com uma participação mínima do setor público. Segundo o secretário de Desenvolvimento de São Paulo, Luciano Almeida, estudos do Estado demonstram essa possibilidade. O projeto paulista prevê que a ferrovia siga o traçado do recém-construído Rodoanel Sul, o que reduziria o custo com desapropriações para cerca de R$ 20 milhões. "Apresentamos essa proposta à ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] para saber se há algum impedimento", diz o secretário.

A decisão do Estado colide com o acordo fechado no começo do ano com o governo federal de que uma definição seria adotada após um estudo detalhado sobre as possibilidades de investimento. Esse estudo, no entanto, deve ficar pronto apenas no fim do ano que vem. O estudo deve ser contratado pelo Banco Mundial até o fim deste mês, segundo o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, e trará um projeto de investimento para todos os trechos considerados: o Norte (Campo Limpo Paulista a Engenheiro Manoel Feio), o Sul (Evangelista de Souza a Rio Grande da Serra) e a segregação das linhas da MRS e da Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos (CPTM), no centro de São Paulo. "Teremos todas as alternativas, com vantagens e desvantagens", diz Figueiredo.

Segundo o diretor-geral da ANTT, o estudo foi encomendado a pedido do governo do Estado de São Paulo, como uma forma de dar um fim à falta de acordo sobre qual trecho tem maior viabilidade. A contratação da avaliação, que deve ocorrer no fim do mês, era prevista para março deste ano. Figueiredo diz que o atraso ocorreu porque a abrangência do estudo foi maior do que se pensava no início. "Não demos palpite, decidimos executar o que o governo de São Paulo definisse", diz.

Segundo Figueiredo, não há nada que impeça o governo de São Paulo de tocar o projeto do trecho sul. A principal dificuldade de construção do tramo Sul é decidir como as cargas da MRS chegariam ao trecho, pois a empresa teria que passar por uma área de concessão da operadora ALL para fugir da sua área de concessão no centro de São Paulo.

"A concessão da MRS dá direito à empresa passar por dentro da cidade de São Paulo. Se isso for mudado, é preciso dar uma alternativa que não onere a empresa, buscar um reequilíbrio financeiro do contrato", diz o diretor da ANTT.

Figueiredo não considera que exista vantagem financeira na construção do trecho Sul em relação ao Norte, pois há uma parte que não acompanha o Rodoanel Sul e que também demanda estudos de custo ainda não realizados. Para ele, os três projetos são importantes para o Estado de São Paulo, e o que se discute hoje é qual seria prioritário.

Para a ANTT, a decisão não deveria se dar pelo projeto de menor preço, e sim pelo mais importante dentro da logística do local. "A questão não é orçamentária, mas logística. Para melhorar a ligação do Rio com o interior de São Paulo, o trecho Norte é melhor. Se a prioridade for a ligação com o porto de Santos, o tramo Sul pode ajudar mais", diz Figueiredo.

O governo de São Paulo decidiu retomar a discussão sobre o trecho Sul porque se ela insere no planejamento do Estado para o desenvolvimento da Baixada Santista com a futura exploração do pré-sal. A obra é citada como prioritária no relatório da Comissão Especial de Petróleo e Gás (Cespeg) para o desenvolvimento da região. "O Ferroanel Sul passa a ser muito importante para criar alternativas de acesso a Santos", diz o secretário paulista de Desenvolvimento.

O trecho Norte foi colocado no PAC, segundo Figueiredo, porque o projeto já estava sendo discutido desde o governo Fernando Henrique Cardoso. Por constar no PAC, é o único trecho que tem previsão de investimento, de R$ 700 milhões a R$ 1,1 bilhão, levantamento realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "O trecho Norte seria mais simples, considerando os impactos sobre os contratos de concessão das empresas já existentes, mas o investimento é alto", diz Figueiredo.

Segundo o diretor-geral da ANTT, o impasse sobre o empreendimento aconteceu quando foi considerada a alternativa, pela Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo, de segregar as linhas de passageiro e de cargas, com a construção de um túnel - o "mergulhão" - no centro de São Paulo. Não se chegou a um consenso, porém, sobre o tamanho e o custo que teria essa obra.

Em outubro, a CPTM e a MRS fecharam um contrato para segregar as linhas de passageiros e cargas que passam entre as estações Manoel Feio e Suzano, na zona leste da cidade de São Paulo, A segregação em andamento alivia uma malha importante para a CPTM e a MRS, mas não resolve o problema de passagem de cargas pelo centro de São Paulo.
 

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^^ Tomara que saia do papel dessa vez. Apesar do transporte de cargas ser muito importante para a economia de SP, como do país, é um tormento para a CPTM e os 2,2 milhões de usuários, sendo que 70% dos atrasos são causados por causa de trens de carga. E convenhamos, tomara que tirem logo esses trens das linhas da CPTM, pq é um saco ouvir a mensagem "Estamos aguardando a movimentação do trem a frente e qdo vc vai ver, é um trem de carga"...

A demanda que a CPTM transporta hj não permite mais que trens de carga dividam as mesmas vias que os de passageiros, pois é preciso reduzir mais os intervalos, e com isso, torna-se inviavel rodar carga com passageiros.
 

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Espero que ele faça....
 

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Novos estudos são importantes para aperfeiçoamento do Ferroanel
O Globo Online - Rio de Janeiro/RJ - PAÍS - 17/11/2010 - 21:17:00

Valor Online

BRASÍLIA - O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou hoje que adiamento do Ferroanel foi importante para realização de novos estudos que vão aperfeiçoar a proposta de melhoria do sistema ferroviário de travessia de cargas da Região Metropolitana de São Paulo para ao Porto de Santos.

"É muito mais razoável trazer uma solução articulada, que seja reconhecida pelo governo estadual, federal e pelos empresários do que ficar com uma idéia fixa e um prazo previamente estabelecido e, por fim, não fazer o que poderia ser feito de melhor", afirmou Passos sobre previsão inicial do Programa de Aceleração do Crescimento de concluir o Ferroanel ainda em 2011. As declarações do ministro foram dadas enquanto deixava a sede do Ministério dos Transportes.

O ministro informou que os estudos realizados atualmente pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a Secretaria de Transportes de São Paulo, acompanhado pelo Banco Mundial, levarão a um aprofundamento das análises técnicas construídas até agora. Outro objetivo dos novos estudos, segundo o ministro, é conciliar os interesses tanto do governo federal quanto do Estado.

"Até há pouco tempo não se tinha uma posição uniforme sobre isso", disse Passos ao se ferir a mudança de traçado da ferrovia. Segundo ele, os trabalhos técnicos tem avançado e já apontam para algumas conclusões - como, por exemplo, a de abandonar a ideia de construir um pequeno túnel ferroviário na região chamada de "mergulhão".

As indefinições dizem respeito à busca de soluções para os tramos (vãos) sul e norte e aos aspectos relacionados ao transporte urbano de passageiros na Região Metropolitana. Passos ressaltou que a nova proposta do projeto pode conter vantagens do ponto de vista do licenciamento ambiental, da desapropriação de terrenos e até de custos de execução, se tiver alguma compatibilidade com o projeto do Rodoanel.

Passos afirmou que o Ferroanel foi tratado ontem rapidamente em reunião com a presidente eleita Dilma Rousseff. No encontro, também foram apresentadas informações sobre outras obras de transporte do PAC.

(Rafael Bitencourt | Valor)

http://www.clippingexpress.com.br/ce2/?a=noticia&nv=QDGXRwwF3GnZ_saDrpT88w
 

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Espero que esses novos estudos necessários foram o motivo verdadeiro do adiamento...

Segundo ele, os trabalhos técnicos tem avançado e já apontam para algumas conclusões - como, por exemplo, a de abandonar a ideia de construir um pequeno túnel ferroviário na região chamada de "mergulhão".
Abandonar o mergulhão? E os trens com destino a São Paulo vão continuar compartilhando as vias com a CPTM, é isso? :eek:hno:
 

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Abandonar o mergulhão? E os trens com destino a São Paulo vão continuar compartilhando as vias com a CPTM, é isso? :eek:hno:
O mergulhão e o enterramento da faixa ferroviária Lapa-Brás da CPTM são realmente difíceis de conciliar, pois o mergulhão seria na verdade mais um túnel junto aos da L7, L8, Expresso Sudeste, Expresso Leste.
 

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o certo seria o ferroaannel tirar todos os trens de carga de todos os trechos da CPTM.
Isso tanto o ferroanel quanto a solução usando faixa de domínio + mergulhão alcançam. A questão é qual a solução é compatível com os outros projetos e com a disponibilidade orçamentária.
 
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