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Fundação Joaquim Nabuco celebra 70 anos
A ocasião também comemora os 40 anos do Museu Homem do Nordeste


Por: Gabriella Autran em 18/07/18 às 19H11, atualizado em 18/07/18 às 19H22


Fundação Joaquim Nabuco/Foto: Divulgação

A Fundação Joaquim Nabuco celebra, terça-feira (24), às 9h, em Casa Forte, os seus 70 anos de fundação e os 40 anos do Museu do Homem do Nordeste. Na ocasião, será assinado o termo de doação do acervo de Joaquim Nabuco à Fundaj. O bisneto do abolicionista, Pedro Nabuco, representa a família no evento.


Na ocasião, será assinado o termo de doação do acervo de Joaquim Nabuco à Fundaj - Crédito: Divulgação

https://www.folhape.com.br/robertajungmann/acontece/acontece/2018/07/18/NWS,75359,76,503,ROBERTAJUNGMANN,2467-FUNDACAO-JOAQUIM-NABUCO-CELEBRA-ANOS.aspx
 
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Como surgiu o slogan Pernambuco falando para o mundo


Empresário que se dizia liberal, Francisco Pessoa de Queiroz apoiou abertamente os Aliados na II Guerra Mundial através do seu Jornal do Commercio. Terminado o conflito, obteve a concessão de uma rádio AM, inaugurada pelo presidente Dutra, no dia 3 de julho de 1948.

Mas Dr. Pessoa não comprara simplesmente uma rádio. Numa negociação com a inglesa Marconi, ele trouxe a Pernambuco transmissores iguais aos que a resistência inglesa desenvolvera para acompanhar as tropas aliadas e que irradiavam notícias pelo continente ocupado.

Sempre houve suspeitas de que os equipamentos eram os mesmos transmissores usados na guerra e foram objeto de uma negociação combinada que, no futuro, traria ao Recife uma emissora completa de TV da mesma Marconi, o nosso Canal 2. Dr. Pessoa morreu negando a conexão.

O fato é que a Rádio Jornal do Commercio, 780 KHZ, prefixo PRL 6 nas ondas médias e ZYK 2 e ZYK 3 nas ondas curtas, nasceu com o diferencial de uma antena montada sobre um pião que podia ser girado para redirecionar a emissão de ondas curtas para as Américas, Europa e África. Assim, a programação poderia ser captada nos aparelhos de rádio que já tinham a possibilidade de várias frequências. Nascia o slogan Pernambuco falando para o mundo.

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fonte:
https://jc.ne10.uol.com.br/blogs/jcnegocios/2018/07/29/como-surgiu-o-slogan-pernambuco-falando-para-o-mundo/
 

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MEMÓRIA E HISTÓRIA

Século 20 já virou peça de museu em Vitória de Santo Antão

Publicado em 19/08/2018, às 08h08

A partir deste domingo (19/08), até a próxima quinta-feira (23), o JC publica uma série de cinco reportagens com centros culturais que preservam a história de municípios localizados no Grande Recife e na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Conheça, na primeira publicação, o Museu do Instituto Histórico de Vitória de Santo Antão, em funcionamento há mais de 60 anos.


Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Houve uma época em que ferro de engomar aquecido com brasa, máquina de costura manual, quartinha de barro para armazenar água e calçadeira feita com chifre de boi faziam parte do dia a dia das casas pernambucanas. Ultrapassadas pelas novas tecnologias, as peças do tempo das vovós do século 20 deixaram salas, quartos e cozinhas para representar a história recente em museus. No município de Vitória de Santo Antão, situado na Zona da Mata do Estado, a 47 quilômetros do Recife, objetos que caíram em desuso nas moradias são exibidos no Museu do Instituto Histórico. Fogareiros de ferro onde eram preparados os almoços, máquinas que moíam milho para as canjicas das festas juninas e candeeiros que ardiam nas salas de jantar esperam os visitantes numa casa antiga no Centro da cidade. O museu, criado nos primeiros anos da década de 1950, ocupa o imóvel de número 187 da Rua Imperial, conhecida como Rua do Meio. “É um espaço idealizado por Djalma Raposo para preservar a memória, a história e a cultura do município. Ele era promotor em Vitória e morava em Goiana (atualmente município do Grande Recife)”, diz a professora de história e sócia do instituto, Maria de Fátima dos Santos Alves. “Começamos a formar o acervo com peças sacras doadas pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e pela Matriz de Santo Antão. Depois recebemos objetos de moradores, de pessoas que gostam da cidade e de famílias de antigos proprietários de engenhos de açúcar”, afirma o professor Iran Maciel, vice-presidente do Instituto Histórico de Vitória de Santo Antão. A casa transformada em museu hospedou dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina de 18 a 20 de dezembro de 1859, durante a visita do imperador à província de Pernambuco. Louças que serviram ao casal estão expostas aos visitantes.

Outra curiosidade do século 19 no centro cultural é a imagem de Nossa Senhora da Apresentação com marcas do tiroteio ocorrido na Igreja do Rosário dos Pretos em 27 de junho de 1880, na Hecatombe de Vitória. Conflito político entre dissidentes do Partido Liberal de Vitória de Santo Antão, às vésperas da eleição municipal, a hecatombe deixou quase 20 pessoas mortas dentro do templo católico e no entorno da edificação, informa Maria de Fátima Alves. “A igreja passou muito tempo fechada depois desse movimento”, diz ela. A cadeira do cônego Bernardo, que atuava na cidade em 1880, no ano da hecatombe, também faz parte do acervo do museu. É uma peça curiosa para as modernidades do século 21. Embaixo do assento, que pode ser levantado, há um espaço reservado para o penico. Uma engenhoca precursora dos vasos sanitários em banheiros.

https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2018/08/19/seculo-20-ja-virou-peca-de-museu-em-vitoria-de-santo-antao-351432.php
 

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MEMÓRIA E HISTÓRIA

Desenvolvimento


Publicado em 19/08/2018, às 08h08


Famílias moradoras na cidade doaram peças ao museu / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem

Vitória de Santo Antão é uma cidade fundada no século 17 e com grande desenvolvimento do século 19 em diante, observa o arquiteto José Luiz Mota Menezes, sócio do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. “A maioria dos engenhos de cana-de-açúcar do município eram do século 19”, completa Maria de Fátima. O museu recebeu peças que pertenceram a muitos deles, da casa-grande, da senzala e das fábricas. Há canga para carro de boi, martelo de madeira para quebrar o açúcar, ferro para marcar gado, louça da casa-grande, ferramentas como foice, enxada e estrovenga, carro para o deslocamento do senhor de engenho (cabriolé) e objetos de suplício de escravos. O século 20 contribui com um acervo diversificado que vai da ancoreta (barril) para transporte de cachaça a urnas eleitorais onde se depositava o voto em papel.

O visitante encontrará modelos variados de máquinas de costura que vestiram moças e rapazes de Vitória, máquinas de moer carne e milho, moinho de café, ferros de engomar, máquinas fotográficas e mimeógrafos usados por professores para rodar provas escolares colocadas nas carteiras dos estudantes com papel ainda cheirando a álcool. “Nosso desafio é manter essa história e torná-la atrativa, principalmente para os mais jovens”, destaca Iran Maciel. O instituto tem cerca de 100 sócios (incluindo os correspondentes) e sobrevive da contribuição dos associados e de trabalhos realizados com parceiros. O museu em Vitória de Santo Antão funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h. E abre nos fins de semana com agendamento prévio pelos números 81 98535-5808/99632-9021/98740-7491. O ingresso custa R$ 5 (preço individual), com gratuidade para escolas públicas.

https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2018/08/19/seculo-20-ja-virou-peca-de-museu-em-vitoria-de-santo-antao-351432.php
 

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Galeria
Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem


Famílias moradoras na cidade doaram peças ao museu


Acervo do Museu do Instituto Histórico de Vitória de Santo Antão nasceu com doações de peças sacras


Máquinas fotográficas estão ligadas ao passado de Vitória (PE), que já teve mais de 250 periódicos


Instrumentos de tortura de escravos estão expostos no Museu do Instituto Histórico de Vitória (PE)


Senhores de engenho eram transportados em cabriolés, como essa em exibição no museu em Vitória (PE)

https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2018/08/19/seculo-20-ja-virou-peca-de-museu-em-vitoria-de-santo-antao-351432.php
 

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Fotos: Bobby Fabisak/JC Imagem



Peças de antigos engenhos de cana-de-açúcar compõem o acervo do museu em Vitória de Santo Antão


Louça que serviu ao Imperador dom Pedro II, em 1859, exposta a visitantes em Vitória de Santo Antão


Casal representa, no museu, a visita de dom Pedro II e dona Teresa Cristina a Vitória (PE) em 1859


Acervo sacro do museu de Vitória foi doado pelas Igrejas Rosário dos Pretos e Matriz de Santo Antão


O público pode contemplar, no museu, barris que transportavam cachaça em Vitória de Santo Antão


Urnas eleitorais usadas no município de Pombos (PE) no ano de 1911 estão no museu de Vitória (PE)

https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2018/08/19/seculo-20-ja-virou-peca-de-museu-em-vitoria-de-santo-antao-351432.php
 

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GINÁSIO PERNAMBUCANO O MAIS ANTIGO COLÉGIO EM ATIVIDADE NO BRASIL
Augusto Saboia 19/08/2018 Recife


Foto: Ginásio Pernambucano.
Fundação Joaquim Nabuco


No dia 14 de agosto de 1855, há exatos 163 anos, era lançada a pedra fundamental para o novo prédio do Ginásio Pernambucano, na Rua da Aurora, na beira do Rio Capibaribe. O edifício foi projetado pelo engenheiro Mamede Alves Ferreira e, inicialmente, possuía apenas o térreo. A instalação definitiva demorou para ocorrer. Apenas no final do ano de 1866, o Ginásio Pernambucano passou a funcionar na sua sede atual.

E sabia que a história do Ginásio Pernambucano começou muito antes?

Ele foi fundado em 1825, com o nome de Liceu Provincial de Pernambuco, funcionando nas dependências do Convento do Carmo. E seu primeiro diretor foi o frade beneditino Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido por todos como Padre Carapuceiro. Por funcionar até hoje, o GP é considerado o mais antigo colégio em atividade no país.

http://www.blogdasppps.com/2018/08/ginasio-pernambucano-o-mais-antigo-colegio-em-atividade-no-brasil.html
 

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Iphan tomba, no Recife, o terreiro de Pai Adão
Por unanimidade, colegiado do Iphan concedeu o título de patrimônio cultural do Brasil ao terreiro de candomblé mais antigo de Pernambuco


Por: Folha de Pernambuco em 21/09/18 às 06H11, atualizado em 20/09/18 às 22H00


O terreiro, localizado em Água Fria, na Zona Norte do Recife, foi fundado em 1875
Foto: Rafael Furtado


Mais antigo espaço destinado ao candomblé em Pernambuco, o terreiro Obá Ogunté Sítio de Pai Adão foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em reunião do colegiado no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro. A decisão foi unânime. O terreiro, localizado no Estrada Velha de Água Fria, na Zona Norte do Recife, foi fundado, segundo registros, em 1875 por Inês Joaquina da Costa (conhecida como Tia Inês ou Ifá Tinuké), nigeriana da cidade de Egbá, que veio para Pernambuco juntamente com o companheiro, João Otolú, e outros africanos. Originalmente, chamava-se de Obá Omi, que significa Ieman*já, orixá que rege a casa. Com a morte de tia Inês, assumiu o comando do terreiro o filho adotivo dela, Felipe Sabino da Costa, ou Ope Watanan, o Pai Adão - que “gozava de grande estima e respeito da parte dos intelectuais que se pesquisavam sobre os Xangôs de Pernambuco”, segundo registrou o Iphan. O falecimento do sacerdote, em 1936, teve grande repercussão no Recife e seu velório reuniu centenas de pessoas e foi noticiado pela imprensa. Ele foi um propagador de conhecimento de sua crença e embasou escritos do escritor e jornalista Gilberto Freyre, do médico Gonçalves Fernandes e dos antropólogos Waldemar Valente e René Ribeiro, expoentes dos estudos sobre candomblé no Estado.

O terreiro possui relevância histórica para compreensão das religiões de matrizes africanas no Brasil. Todo o local remete a um ambiente rural que remonta ao início da ocupação do bairro de Água Fria, inicialmente conhecido como Beberibe de Baixo. Há mais de 30 anos, o sacerdote do terreiro é o pai de santo, filho de Iemanjá, Manoel Papai, neto de Pai Adão, um dos maiores propagadores do candomblé nagô no Recife. Bisneta de Pai Adão, a ekédi Conceição Costa de Oxalá considera que o tombamento enaltece a importância do terreiro e o respeito que as religiões de matriz africanas merecem. “À nossa volta, não sofremos preconceito, a comunidade cresceu ao lado do terreiro. Mas, na rua, acontece ainda de sermos desrespeitados.” Como é uma referência, o terreiro de Pai Adão recebe turistas durante todo o ano todo, e a casa ainda é aberta para interessados no jogo de búzios (às quartas e sábados, das 9h às 11h30). O visitante (que pode agendar pelo telefone 3267-3277) conhecerá espaços sagrados destinados ao culto dos orixás, a capela centenária de Santa Inês (construída nos moldes católicos para disfarçar a prática do candomblé; na época, os praticantes do “xangô” eram perseguidos), um baobá com mais de um século de existência, logo à entrada do terreno; e a gameleira (venerada como divindade Iroko, trazida por Tia Inês da Nigéria ao Brasil).

https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/cotidiano/2018/09/21/NWS,81974,70,449,NOTICIAS,2190-IPHAN-TOMBA-RECIFE-TERREIRO-PAI-ADAO.aspx
 

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Trazendo do LDN...

Igreja de São Cosme e Damião, em PE, é a mais antiga do Brasil
Erguida em 1535, Igreja Matriz de São Cosme e Damião, em Igarassu (PE), é a mais antiga ainda em funcionamento no Brasil (Foto: IPHAN/Luiz Santos)


Santuário de Aparecida, Igreja do Nosso Senhor do Bonfim, Catedral de Brasília... O que não falta pelo Brasil são igrejas históricas e famosas, que recebem milhares de turistas todos os anos. Mas você sabe qual delas foi a primeira a ser construída? Neste Dia de São Cosme e Damião (dia 26 para algumas igrejas, e 27 para outras), conheça a Igreja Matriz erguida em homenagem aos santos gêmeos no município de Igarassu, em Pernambuco: de 1535, ela é a mais antiga em funcionamento do país.

Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1951, a Igreja Matriz de São Cosme e São Damião é marcada pela fachada sóbria e em cor branca. Seu interior traz traços de diversos momentos da história brasileira, como quadros que retratam as cenas da guerra contra os invasores holandeses e detalhes de diferentes tipos de arquitetura, entre os quais o barroco e o jesuítico.

...

fonte:
https://extra.globo.com/tv-e-lazer/viagem-e-turismo/igreja-de-sao-cosme-damiao-em-pe-a-mais-antiga-do-brasil-23101921.html
 

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Livro traça perfis de 30 personalidades históricas de Pernambuco
Pernambuco Imortais e Mortais, do jornalista recifense Aluízio Falcão, usa do gênero não ficção para abordar as identidades de nomes como Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, dom Helder Câmara e Frei Caneca


Por: Emannuel Bento - Diario de Pernambuco

Publicado em: 28/11/2018 16:31 Atualizado em: 28/11/2018 15:49


Divulgação

A missão de resgatar trajetórias e legados de pernambucanos de destaque é o mote do livro Pernambucanos imortais e mortais (Cepe, 373 páginas), do jornalista recifense Aluízio Falcão. Fazendo alusão ao hino do estado no título, a obra traça o perfil de 30 pessoas públicas já falecidas usando o gênero “não ficção” e busca reconstruir o factual ao recolher pesquisas de outros escritores junto com reflexões e opiniões do próprio autor. Entre os personagens estão diversos do imaginário intelectual pernambucano, como Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, dom Helder Câmara, Frei Caneca, Miguel Arraes, Paulo Freire, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Luiz Gonzaga. O lançamento será nesta quarta-feira (28), às 19h, no Bar Real (Avenida Dezessete de Agosto, 1761, Casa Forte). “Proponho um panorama da história inteligente local e também da vida cívica de Pernambuco, trazendo perfis de homens que mais se destacaram publicamente. São pessoas que já deixaram a vida para entrar para a história”, define Aluízio Falcão, que foi repórter do Diario de Pernambuco entre 1956 e 1961. Os perfis são divididos por categorias: escritores, políticos, poetas e compositores. No campo da política, por exemplo, ele traça uma linha cronológica, começando pelo líder da revolução pernambucana, Frei Caneca, passando por Agamenon Magalhães, Miguel Arraes (com quem o autor teve relação próxima, ao ser o secretário particular do socialista quando ele foi prefeito do Recife) e Eduardo Campos, tido no livro como “um fenômeno político interrompido”.

Algumas outras categorias são compostas por únicos personagens: pastor (dom Helder), educador (Paulo Freire), craque (o jogador de futebol Ademir Menezes) e artista (Abelardo da Hora). Apesar de fazer uma "curadoria" satisfatória, o autor explica que a escolha dos personagens foi nitidamente pessoal. “Morei em Pernambuco durante uma boa parte da minha vida e, por conta dessa vivência, sei quais são os nomes mais presentes na memória coletiva", diz. O critério pessoal do autor se torna perceptível, por exemplo, na escolha de apenas um empresário: José Ermínio Moraes. A justificativa foi sua ligação ao campo ideológico progressista. "Nunca convivi com muitos empreendedores, mas sim com figuras ligadas a artes, literatura e ciências humanas. Mas, com ele, eu convivi pessoalmente ao fazer campanha para Miguel Arraes a prefeito do Recife." No final do livro, existe um capítulo chamado "Quota Pessoal", para homenagear três personalidades não tão famosas, mas que, de acordo com Aluízio, mereciam maior reconhecimento: Vanildo Porto, Amaury Pedrosa e o jornal Última Hora - uma publicação jornalística que ele define como “jornal assassinado”. Cada capítulo também conta com dedicatórias para alguns dos perfis que não conseguiram entrar na publicação pela limitação do espaço. “Foi uma forma que encontrei de fazer justiça aos que morreram e não puderam ter seus perfis traçados".

http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2018/11/28/internas_viver,769404/livro-traca-perfis-de-30-personalidades-historicas-de-pernambuco.shtml
 

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Sephardic converts give northern Brazil’s dwindling Jewish communities new life
Though emigration is at a high for Ashkenazi Jews, Recife is not in decline — partly thanks to the embrace of Judaism by hundreds of locals with ancestors who fled the Inquisition


Many in Brazil have converted to Judaism under the supervision of Gilberto Venturas, an Orthodox rabbi, shown here with his wife, Jacqueline. (Courtesy of Sinagoga sem Froteiras/via JTA)​

RECIFE, Brazil (JTA) — Preparing to leave this city’s main Jewish community center, Sabrina Scherb peeks beyond its blast-proof gate into a quiet street strewn with branches and shredded mango fruits.

The debris, left over from an overnight tropical storm, is not what’s worrying Scherb, a 22-year-old university student and volunteer dance instructor.

“I’m looking to see if it’s safe,” she said, walking briskly to a friend’s parked car after giving an Israeli folk dance class. “I’m afraid all the time of robbery, or worse. I plan my life so I spend the least amount of time on the street. We all do.”

It’s a way of life that Scherb, whose mother was robbed and who had witnessed a robbery on the street once, shares with many residents of this city. Recife, Brazil’s fourth largest metropolis with a population of some 1.55 million, was ranked this year as the world’s 22nd most violent city. It has a murder rate 18 times higher than New York and double that of Sao Paulo.

Like many young Jews from Brazil’s predominantly Ashkenazi Jewish community, Scherb says she does “not see a future” for herself here because of crime and the effects of this South American nation’s 2014 financial crisis. Coupled with government corruption and political instability, these factors are prompting record numbers of Brazilian Jews to leave their country.

Such crises, along with assimilation, have depleted many South American Jewish communities in recent years — especially the smaller ones outside capital cities.

Yet unlike many counterpart communities, Recife’s is not in decline — partly thanks to the embrace of Judaism by hundreds of locals whose Sephardic ancestors came here centuries ago from Spain and Portugal amid anti-Semitic persecution in those countries.

Since 2015, at least 400 people with Sephardic ancestry have undergone Orthodox conversions to Judaism in northern Brazil – the area where their ancestors first arrived from Europe. In the state of Pernambuco, whose capital is Recife, these individuals established two Jewish congregations that operate their own synagogues and feature holiday events, including Passover seders.

In 2015, one group of returnees, the Recife-based Sephardic Association of Pernambuco, published its own Passover haggadah — an 80-page book with prayers in Hebrew and Portuguese. Its cover features an illustration of people of various races attending a seder, some wearing traditional Amerindian costumes.

“Twenty years ago, the return to Judaism was a dream. Now it’s simply our reality,” said Jefferson Linconn Martins dos Santos, president of Recife’s Aboab de Fonseca synagogue, one of the two new congregations. Over the past decade, more than a dozen congregations like it have been established across Brazil’s north, each with its own spiritual leader and ritual slaughterer producing kosher meat.

This development is unfolding in parallel to record levels of emigration by Jews. In Israel, the number of Brazilian immigrants has more than doubled, from an average of 249 per year in 2005-2014 to 619 over each of the past four years.

‘Children of the converted’

Members of the new communities call themselves “bnei anusim” — Hebrew for the “children of the forcibly converted” from Judaism to Christianity. It’s a reference to the long years of the anti-Semitic Inquisition, which spread to Portugal after its adoption as state policy by Spain in 1492, and to those countries’ colonies.

Pernambuco for a while had been a haven for many Portuguese and Spanish Jews because it was controlled by the relatively tolerant Dutch from 1630 to 1654. But when the Dutch left, their colony was taken over by Portugal, which enforced the Inquisition. Many Sephardic Jews fled with the Dutch to the Netherlands.

They even brought along with them furniture from Recife’s Kahal Zur synagogue — the oldest in the Americas – which they installed at Amsterdam’s Portuguese Synagogue.

The Jewish presence in Recife, a sprawling seaside metropolis crisscrossed by canals of brackish water, is so old that it may have even given the city its name. According to one theory, it originates in “ratsif” — the Hebrew word for wharf. The city, with 1,500 Jews, also boasts Brazil’s oldest Jewish school, the 100-year-old Moyses Chvarts school.


The facade of the Kahal Zur synagogue, which hosts a Yom Hashoah commemoration and other special Jewish community events. (Wikimedia Commons/via JTA)​

Some of the Jews fleeing Recife arrived in New Amsterdam, where they founded the first Jewish community of what later became New York City.

Whereas many Jews left by 1655, many others stayed and braced for life under the Inquisition’s yoke.

At first, those who remained continued to practice Judaism in secret, becoming crypto-Jews. But their families became Catholic as the centuries passed.

Still, in villages in northern Brazil, some Jewish customs have prevailed, including spring cleanings and covering mirrors for seven days at a deceased person’s home.

Some bnei anusim were prompted to investigate their ancestry because of these peculiar family customs. Others, like Daury dos Santos Ximenes, president of the Association of Sephardic Jews of Pernambuco, discovered their Jewish origins through genealogical research.

Many families in northern Brazil for generations have known of their Sephardic roots, said Haim Amsalem, an Orthodox rabbi and former Knesset member from Israel who has converted many bnei anusim. “But the advent of the internet and social media changed everything, it lifted the taboo.”

Some, like 55-year-old Simone Azoubel, learned of their Jewish ancestry from a dying grandparent. Her grandmother, Raquel, asked on her deathbed in 1999 to be buried with her ancestors at a Jewish cemetery — disclosing a secret that had stayed under wraps for two generations.

Her grandmother’s funeral at Recife’s Jewish cemetery led to Azoubel’s conversion. Azoubel says her family first fled Portugal to Turkey, arriving in Brazil in the 19th century. She and some of her relatives are now active members of the Jewish community of Recife.

Seeking recognition

Since 2016, Amsalem, a former leader of the Orthodox Shas movement, has traveled five times to Brazil, converting about 100 people on each visit. Amsalem’s converts completed a conversion process in Brazil under the supervision of Gilberto Venturas, another Orthodox rabbi. Many others have undergone Reform or Conservative conversions in northern Brazil.

The Amsalem conversions were the first large-scale series of conversions ever performed in Brazil. They followed decades of outreach work by the Shavei Israel group and by Isaac Essoudry, a Recife Jew who died last year and served as spiritual leader to many seeking to reconnect to Judaism.

Yet although the converts were recognized as Jews by Amsalem, Israel’s Chief Rabbinate does not recognize them as such because he “isn’t on the Rabbinate’s list of judges that may preside over a conversion,” a spokesperson told JTA.


Many in Brazil have converted to Judaism under the supervision of Gilberto Venturas, an Orthodox rabbi, shown here with his wife, Jacqueline. (Courtesy of Sinagoga sem Froteiras/via JTA)​

Unfazed, Amsalem cited a 2016 High Court precedent in Israel that forced the state to naturalize under its Law of Return those Jews whose conversions were not recognized by the Chief Rabbinate.

“Their recognition is meaningless,” he said of the Chief Rabbinate.

Neither Amsalem nor the Chief Rabbinate are aware of any of his Brazilian converts seeking to immigrate to Israel to date, the rabbi and the spokesperson said.

Recognition for the bnei anusim remains an issue inside Brazil’s Jewish communities, too.

They do not come to the city’s Chabad synagogue, where some converted bnei anusim say they would feel unwelcome. Nor do they integrate easily with other communities, including the relatively receptive Reform one.

“Generally we’re at a phase where many bnei anusim feel most comfortable in communities made up of people like them,” said dos Santos Ximenes, the Sephardic association president.

Jader Tachlitsky, the spokesman for the Jewish Community of Pernambuco and coordinator of the Jewish Center of Pernambuco, which has a Reform rabbi, confirmed that the “situation is complex.”

“Various rabbis are converting bnei anusim and we don’t feel certain about all of them,” Tachlitsky said.

These complications and others “are to be expected given the magnitude” of the bnei anusim phenomenon, said Ashley Perry (Perez), president of the Israel-based Reconnectar organization, which aims to assist people in reconnecting with their Jewish ancestry, the Jewish people and Israel.

Despite the challenges, Perry said, bnei anusim populations generally “and especially in northern Brazil represent a development that can alter the history of the Jewish people.”

There are many millions of potential bnei anusim in South America, Perry asserted. Amsalem puts the number “at least a few hundred thousands.”


The interior of the Kahal Zur synagogue, once a large Orthodox establishment in Recife, Brazil, that was restored in 2002 as a museum and also contains a small egalitarian shul. (Wikimedia Commons/via JTA)​

Clashing backgrounds

But the gulf separating Recife’s bnei anusim congregations and its Ashkenazi ones is not due exclusively to religious reasons.

Recife’s tightly knit Ashkenazi Jewish community is made up predominantly of well-to-do businesspeople and professionals. Bnei anusim communities are more diverse socioeconomically.

Yosef Manuel, who completed his conversion earlier this year, runs a small pet food store in Prazeres, an impoverished suburb of Recife. He decorated it with pictures of himself in Jerusalem and a large flag of Israel, which he regularly brings to soccer matches — including when neither team is Israeli.

Manuel said he “always knew the family had a Jewish identity.” But the need to convert arose 10 years ago, during his first visit to Israel and Jerusalem.

“I felt I knew I had come home, and needed to do some things to make it really my home,” he said. But Manuel also said he has no immediate plans to leave for Israel.

Among the guests at the ceremony celebrating his conversion to Judaism was his friend Evania Margolis, a local Ashkenazi Jewish businesswoman and member of the Chabad congregation.

“He was beaming. It was so moving it brought me to tears,” Margolis said of the ceremony.

“They say they are Jewish,” she said of bnei anusim. “I’m neither a rabbi nor a genealogist, but I think we should embrace the people who truly want to belong to our people.”

Manuel and his wife joined the Jewish Center of Pernambuco, where they attend services and events regularly, including the annual Yom Hashoah commemoration for Holocaust victims.

The community holds the commemoration and other special events at the historic Kahal Zur synagogue, which ironically is located on Good Jesus Street. Once a large Orthodox establishment, Kahal Zur slowly disintegrated before being restored in 2002 as a museum that also contains a small egalitarian shul.

For all the things that set them apart, Recife’s Jewish communities are nonetheless growing closer together over time, said Sonia Sette, the president of the Jewish Federation of Pernambuco.

“We don’t know the consequences of this phenomenon,” she said of the coming-out of the bnei anusim, “because we’re still seeing it unfold.” But amid assimilation, emigration and apathy by many local Jews in the Jewish community here, “I wouldn’t be surprised if in the future, the majority of the Jews here will be made up of bnei anusim.”

fonte:
https://www.timesofisrael.com/sephardic-converts-give-northern-brazils-dwindling-jewish-communities-new-life/
 

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Belém do São Francisco

Muito antes de Olinda...

Carnaval no Sertão: 100 anos de Zé Pereira, primeiro boneco gigante do Brasil

O primeiro boneco foi feito em Belém do São Francisco, no sertão Pernambucano. Para comemorar o aniversário, Zé Pereira vem ao Recife pular Carnaval


Zé Pereira e Vitalina, sua esposa, desembarcam no Recife no dia 27 de fevereiro
Foto: Divulgação​

Completando seus 100 anos este mês, ele continua sendo uma grandes estrelas do carnaval. E bote grande nisso, afinal, tem quase cinco metros de altura. Mas, sua imponência não é só no tamanho. Zé Pereira também é o primeiro boneco gigante do Brasil. Acompanhado de Vitalina, sua esposa, o calunga nascido no Sertão está de malas prontas para comemorar seu centésimo carnaval com uma grande festa. Neste domingo, ele sairá de Belém do São Francisco, sua cidade natal, para uma viagem mais que especial. Virá ao Recife festejar seu aniversário ao lado dos bonecos gigantes de Olinda e Recife, no Marco Zero, no dia 27 deste mês.

O boneco foi criado pelo folião Gumercindo Pires de Carvalho em 1919, para animar o carnaval da cidade. A ideia de criar o calunga surgiu a partir de histórias contadas pelo pároco da cidade, o padre belga Norberto Phallapin, que contava aos fiéis da pequena Belém de São Francisco sobre a tradição dos bonecos gigantes europeus, que encantavam as procissões religiosas. Seu nome, Zé Pereira, foi escolhido por causa de uma tradição carioca, vinda de Portugal, onde pessoas saiam às ruas batendo em bombos chamando a população para brincar o sábado de carnaval.

Depois de 10 anos, o calunga ganhou uma companheira. Desde então, Vitalina, a boneca loira, desfila ao lado do parceiro. Juntos, os dois desembarcam nas margens do São Francisco - vindos da Europa, segundo a lenda - para brincar no carnaval na cidade. “No imaginário de Gumercindo o boneco tinha vindo da Bélgica, nas ‘oropas’, como chamamos, de onde eram as histórias contadas pelo padre, e teria chegado a Belém pelo rio”, conta a pesquisadora e professora da Universidade Federal de Pernambuco, Tercina Lustosa.

Hoje, o gigante deixa sua cidade para visitar o Recife. Mas, não partirá sem festa. Em sua despedida estarão presentes caboclos de lança, papangus, caretas e outros personagens da cultura carnavalesca do Estado. A orquestra filarmônica da cidade também vai fazer parte do festejo. A ação fará parte de uma campanha do Governo do Estado para promover o carnaval das cidades interioranas. “A gente precisa mostrar aos pernambucanos e a quem vem de fora que a festa acontece em todo o Estado. Este ano, no centenário de Zé Pereira, estamos colocando os holofotes nesta tradição carnavalesca tão antiga e importante, que nasceu no nosso Sertão, e hoje é a cara do nosso carnaval”, pontua o secretário de Turismo, Esportes e Lazer, Rodrigo Novaes.

Zé e Vitalina desembarcam no Recife no dia 27 de fevereiro, às 16h. Aqui, outra festa os espera. “Ele foi o primeiro boneco gigante do Brasil, vamos cantar parabéns e comemorar o centenário dessa lenda, que chega pelo São Francisco para animar nossa folia”, acrescenta o secretário. A programação da chegada à capital ainda será divulgada.

Após conhecerem seu amigos gigantes, Zé Pereira e Vitalina embarcam de volta para casa. Chegam no dia 1º de março e já iniciam oficialmente os festejos da cidade que tanto os ama. “Ele é quem abre a folia. Sem ele, não há carnaval. Já houve ano da cidade não ter festa, mas ele não deixou de sair. Nossa tradição é muito forte, as pessoas têm Zé Pereira como alguém da família. Ele e os bonecos criados posteriormente, como boneco do Padre, o Galo (em homenagem ao Galo da Madrugada) e o Negro D’gua, por exemplo, são tidos como deuses pelo moradores da região”, conta o secretário de Cultura de Belém do São Francisco, Umberto Maciel.

Carnaval em Belém do São Francisco

Durante os festejos de momo, o casal chega “das oropas”, como brincam os moradores da cidade, na sexta-feira para abrir o carnaval. A partir daí, a Troça do Zé Pereira vai às ruas em todos os dias da festa, sempre às 18h. Em comemoração ao seu aniversário, uma exposição entrará em cartaz em Belém do São Francisco, no dia 22. A expectativa da prefeitura é que aproximadamente 10 mil pessoas frequentem a cidade em cada dia de carnaval.

fonte:
https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2019/02/10/carnaval-no-sertao-100-anos-de-ze-pereira-primeiro-boneco-gigante-do-brasil-371017.php?utm_source=fb-jc&fbclid=IwAR1DpBbJppO6s0xBCgw3UADed8rp7gjWRlIHOelcPP5HSTC9qU1BBPtcXAY
 

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Recife | Brasil
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Trazendo do LDN

Palacetes do Recife têm histórias contadas em livro

Casarões da Zona Norte da capital pernambucana são como peças de um quebra-cabeça que remonta o passado


Museu do Estado de Pernambuco
Foto: Jose Britto / Folha de Pernambuco​

Reconhecidos como patrimônio material do Estado, os casarões da Zona Norte da capital pernambucana são como peças de um quebra-cabeça que remonta o passado. As construções são o foco do livro “Palacetes e Solares dos Arredores do Recife”, escrito pelo arquiteto e pesquisador José Luiz Mota Menezes, professor emérito da Pós-Graduação em Arqueologia e Conservação do Patrimônio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A obra, que será lançada nesta quarta (29), às 17h, no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), busca identificar os modelos adotados naquelas moradias, à luz do modo de projetar a arquitetura do século 19.

O livro traz uma análise de quatro locais onde existiram as edificações em maior número e estuda particularmente duas delas: o palacete de Augusto Frederico de Oliveira, onde atualmente funciona o Mepe, e o solar do Barão Rodrigues Mendes, onde hoje está instalada a Academia Pernambucana de Letras. O autor debruçou-se numa pesquisa a fim de decifrar não apenas as construções, mas, sobretudo, aqueles que nelas habitavam. Também buscou verificar a sociedade da época, cujos descendentes não mais estão presentes no lugar e sim morando em arranha-céus, às vezes situados no mesmo local onde antes viviam barões e comerciantes endinheirados.

"Os estudos revelaram que havia grande influência de Paris e da Inglaterra nas construções e modo de vida daquela época. Os casarões revelam uma sociedade que primava pelo luxo, pelas festas entre eles", comenta José Luiz Mota Menezes. Era uma sociedade de gente abastada que desfilava suas conquistas diante dos outros, na organização de jardins e pomares e numa vida de deleites. "Havia praticamente uma competição entre os donos dos imóveis para mostrar quem tinha mais poder aquisitivo de acordo com a imponência de suas construções", acrescenta o arquiteto e pesquisador.

O gosto por certa ostentação, inclusive, direcionou a preferência de alguns proprietários pela importação de móveis de fabricação europeia. Estes objetos exerciam importante papel numa sociedade que possuía melhores condições econômicas e era presente um relacionamento entre seus participantes, com visitas e festas constantes. "A importância de preservar estas construções é para ter um episódio da cidade e da sociedade que deve ser mostrado que existiu. Duvido que você passe diante dos palacetes e solares e não fique admirado. É impossível não ficar encantado", avalia.

Símbolos da opulência das famílias ricas do Recife do século 19, os casarões eram erguidos na Estrada dos Manguinhos, a atual Avenida Rui Barbosa, endereço preferido dos comerciantes europeus e brasileiros que se instalavam na capital pernambucana em busca de prosperidade. Passaram a edificar solares ou palacetes em sítios situados nas áreas de plantio de cana dos antigos engenhos de produção de açúcar, que estavam sendo desativados. O local atraía endinheirados pela proximidade com o Rio Capibaribe e pela facilidade de acesso aos trens urbanos, que conectavam a região ao Centro.

Segundo levantamento feito pelo professor aposentado da UFPE, restam apenas 14 dos 81 casarões que existiam no início do século 19 na Estrada dos Manguinhos dos ricos comerciantes. "O grande período de derruba dos solares foi nos anos 1940 e 1950 quando surgiu a ideia de fazer arranha-céus. Eu diria que essa mudança e verticalização são naturais em grandes cidades. Mas as demolições dos palacetes e solares representam uma grande perda histórica e social. Os que estão de pé se salvaram porque mudaram de uso, se transforam em museus, por exemplo. Do contrário teriam sido derrubados, pois o Recife tem uma área muito pequena e uma população muito grande", afirma Mota Menezes.

fonte:
https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/urbanismo/2019/05/29/NWS,106296,70,1155,NOTICIAS,2190-PALACETES-RECIFE-TEM-HISTORIAS-CONTADAS-LIVRO.aspx
 

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Discussion Starter #1,256 (Edited)

Sephardic converts give northern Brazil’s dwindling Jewish communities new life
Though emigration is at a high for Ashkenazi Jews, Recife is not in decline — partly thanks to the embrace of Judaism by hundreds of locals with ancestors who fled the Inquisition


Many in Brazil have converted to Judaism under the supervision of Gilberto Venturas, an Orthodox rabbi, shown here with his wife, Jacqueline. (Courtesy of Sinagoga sem Froteiras/via JTA)​

RECIFE, Brazil (JTA) — Preparing to leave this city’s main Jewish community center, Sabrina Scherb peeks beyond its blast-proof gate into a quiet street strewn with branches and shredded mango fruits.

The debris, left over from an overnight tropical storm, is not what’s worrying Scherb, a 22-year-old university student and volunteer dance instructor.

“I’m looking to see if it’s safe,” she said, walking briskly to a friend’s parked car after giving an Israeli folk dance class. “I’m afraid all the time of robbery, or worse. I plan my life so I spend the least amount of time on the street. We all do.”

It’s a way of life that Scherb, whose mother was robbed and who had witnessed a robbery on the street once, shares with many residents of this city. Recife, Brazil’s fourth largest metropolis with a population of some 1.55 million, was ranked this year as the world’s 22nd most violent city. It has a murder rate 18 times higher than New York and double that of Sao Paulo.

Like many young Jews from Brazil’s predominantly Ashkenazi Jewish community, Scherb says she does “not see a future” for herself here because of crime and the effects of this South American nation’s 2014 financial crisis. Coupled with government corruption and political instability, these factors are prompting record numbers of Brazilian Jews to leave their country.

Such crises, along with assimilation, have depleted many South American Jewish communities in recent years — especially the smaller ones outside capital cities.

Yet unlike many counterpart communities, Recife’s is not in decline — partly thanks to the embrace of Judaism by hundreds of locals whose Sephardic ancestors came here centuries ago from Spain and Portugal amid anti-Semitic persecution in those countries.

Since 2015, at least 400 people with Sephardic ancestry have undergone Orthodox conversions to Judaism in northern Brazil – the area where their ancestors first arrived from Europe. In the state of Pernambuco, whose capital is Recife, these individuals established two Jewish congregations that operate their own synagogues and feature holiday events, including Passover seders.

In 2015, one group of returnees, the Recife-based Sephardic Association of Pernambuco, published its own Passover haggadah — an 80-page book with prayers in Hebrew and Portuguese. Its cover features an illustration of people of various races attending a seder, some wearing traditional Amerindian costumes.

“Twenty years ago, the return to Judaism was a dream. Now it’s simply our reality,” said Jefferson Linconn Martins dos Santos, president of Recife’s Aboab de Fonseca synagogue, one of the two new congregations. Over the past decade, more than a dozen congregations like it have been established across Brazil’s north, each with its own spiritual leader and ritual slaughterer producing kosher meat.

This development is unfolding in parallel to record levels of emigration by Jews. In Israel, the number of Brazilian immigrants has more than doubled, from an average of 249 per year in 2005-2014 to 619 over each of the past four years.

‘Children of the converted’

Members of the new communities call themselves “bnei anusim” — Hebrew for the “children of the forcibly converted” from Judaism to Christianity. It’s a reference to the long years of the anti-Semitic Inquisition, which spread to Portugal after its adoption as state policy by Spain in 1492, and to those countries’ colonies.

Pernambuco for a while had been a haven for many Portuguese and Spanish Jews because it was controlled by the relatively tolerant Dutch from 1630 to 1654. But when the Dutch left, their colony was taken over by Portugal, which enforced the Inquisition. Many Sephardic Jews fled with the Dutch to the Netherlands.

They even brought along with them furniture from Recife’s Kahal Zur synagogue — the oldest in the Americas – which they installed at Amsterdam’s Portuguese Synagogue.

The Jewish presence in Recife, a sprawling seaside metropolis crisscrossed by canals of brackish water, is so old that it may have even given the city its name. According to one theory, it originates in “ratsif” — the Hebrew word for wharf. The city, with 1,500 Jews, also boasts Brazil’s oldest Jewish school, the 100-year-old Moyses Chvarts school.


The facade of the Kahal Zur synagogue, which hosts a Yom Hashoah commemoration and other special Jewish community events. (Wikimedia Commons/via JTA)​

Some of the Jews fleeing Recife arrived in New Amsterdam, where they founded the first Jewish community of what later became New York City.

Whereas many Jews left by 1655, many others stayed and braced for life under the Inquisition’s yoke.

At first, those who remained continued to practice Judaism in secret, becoming crypto-Jews. But their families became Catholic as the centuries passed.

Still, in villages in northern Brazil, some Jewish customs have prevailed, including spring cleanings and covering mirrors for seven days at a deceased person’s home.

Some bnei anusim were prompted to investigate their ancestry because of these peculiar family customs. Others, like Daury dos Santos Ximenes, president of the Association of Sephardic Jews of Pernambuco, discovered their Jewish origins through genealogical research.

Many families in northern Brazil for generations have known of their Sephardic roots, said Haim Amsalem, an Orthodox rabbi and former Knesset member from Israel who has converted many bnei anusim. “But the advent of the internet and social media changed everything, it lifted the taboo.”

Some, like 55-year-old Simone Azoubel, learned of their Jewish ancestry from a dying grandparent. Her grandmother, Raquel, asked on her deathbed in 1999 to be buried with her ancestors at a Jewish cemetery — disclosing a secret that had stayed under wraps for two generations.

Her grandmother’s funeral at Recife’s Jewish cemetery led to Azoubel’s conversion. Azoubel says her family first fled Portugal to Turkey, arriving in Brazil in the 19th century. She and some of her relatives are now active members of the Jewish community of Recife.

Seeking recognition

Since 2016, Amsalem, a former leader of the Orthodox Shas movement, has traveled five times to Brazil, converting about 100 people on each visit. Amsalem’s converts completed a conversion process in Brazil under the supervision of Gilberto Venturas, another Orthodox rabbi. Many others have undergone Reform or Conservative conversions in northern Brazil.

The Amsalem conversions were the first large-scale series of conversions ever performed in Brazil. They followed decades of outreach work by the Shavei Israel group and by Isaac Essoudry, a Recife Jew who died last year and served as spiritual leader to many seeking to reconnect to Judaism.

Yet although the converts were recognized as Jews by Amsalem, Israel’s Chief Rabbinate does not recognize them as such because he “isn’t on the Rabbinate’s list of judges that may preside over a conversion,” a spokesperson told JTA.


Many in Brazil have converted to Judaism under the supervision of Gilberto Venturas, an Orthodox rabbi, shown here with his wife, Jacqueline. (Courtesy of Sinagoga sem Froteiras/via JTA)​

Unfazed, Amsalem cited a 2016 High Court precedent in Israel that forced the state to naturalize under its Law of Return those Jews whose conversions were not recognized by the Chief Rabbinate.

“Their recognition is meaningless,” he said of the Chief Rabbinate.

Neither Amsalem nor the Chief Rabbinate are aware of any of his Brazilian converts seeking to immigrate to Israel to date, the rabbi and the spokesperson said.

Recognition for the bnei anusim remains an issue inside Brazil’s Jewish communities, too.

They do not come to the city’s Chabad synagogue, where some converted bnei anusim say they would feel unwelcome. Nor do they integrate easily with other communities, including the relatively receptive Reform one.

“Generally we’re at a phase where many bnei anusim feel most comfortable in communities made up of people like them,” said dos Santos Ximenes, the Sephardic association president.

Jader Tachlitsky, the spokesman for the Jewish Community of Pernambuco and coordinator of the Jewish Center of Pernambuco, which has a Reform rabbi, confirmed that the “situation is complex.”

“Various rabbis are converting bnei anusim and we don’t feel certain about all of them,” Tachlitsky said.

These complications and others “are to be expected given the magnitude” of the bnei anusim phenomenon, said Ashley Perry (Perez), president of the Israel-based Reconnectar organization, which aims to assist people in reconnecting with their Jewish ancestry, the Jewish people and Israel.

Despite the challenges, Perry said, bnei anusim populations generally “and especially in northern Brazil represent a development that can alter the history of the Jewish people.”

There are many millions of potential bnei anusim in South America, Perry asserted. Amsalem puts the number “at least a few hundred thousands.”


The interior of the Kahal Zur synagogue, once a large Orthodox establishment in Recife, Brazil, that was restored in 2002 as a museum and also contains a small egalitarian shul. (Wikimedia Commons/via JTA)​

Clashing backgrounds

But the gulf separating Recife’s bnei anusim congregations and its Ashkenazi ones is not due exclusively to religious reasons.

Recife’s tightly knit Ashkenazi Jewish community is made up predominantly of well-to-do businesspeople and professionals. Bnei anusim communities are more diverse socioeconomically.

Yosef Manuel, who completed his conversion earlier this year, runs a small pet food store in Prazeres, an impoverished suburb of Recife. He decorated it with pictures of himself in Jerusalem and a large flag of Israel, which he regularly brings to soccer matches — including when neither team is Israeli.

Manuel said he “always knew the family had a Jewish identity.” But the need to convert arose 10 years ago, during his first visit to Israel and Jerusalem.

“I felt I knew I had come home, and needed to do some things to make it really my home,” he said. But Manuel also said he has no immediate plans to leave for Israel.

Among the guests at the ceremony celebrating his conversion to Judaism was his friend Evania Margolis, a local Ashkenazi Jewish businesswoman and member of the Chabad congregation.

“He was beaming. It was so moving it brought me to tears,” Margolis said of the ceremony.

“They say they are Jewish,” she said of bnei anusim. “I’m neither a rabbi nor a genealogist, but I think we should embrace the people who truly want to belong to our people.”

Manuel and his wife joined the Jewish Center of Pernambuco, where they attend services and events regularly, including the annual Yom Hashoah commemoration for Holocaust victims.

The community holds the commemoration and other special events at the historic Kahal Zur synagogue, which ironically is located on Good Jesus Street. Once a large Orthodox establishment, Kahal Zur slowly disintegrated before being restored in 2002 as a museum that also contains a small egalitarian shul.

For all the things that set them apart, Recife’s Jewish communities are nonetheless growing closer together over time, said Sonia Sette, the president of the Jewish Federation of Pernambuco.

“We don’t know the consequences of this phenomenon,” she said of the coming-out of the bnei anusim, “because we’re still seeing it unfold.” But amid assimilation, emigration and apathy by many local Jews in the Jewish community here, “I wouldn’t be surprised if in the future, the majority of the Jews here will be made up of bnei anusim.”

fonte:
https://www.timesofisrael.com/sephardic-converts-give-northern-brazils-dwindling-jewish-communities-new-life/
Estive conversando com um Rabino amigo aqui em Massachusetts, ele viu essa materia e me relatou o seguinte:"impressionante como Pernambuco eh judeu !!!"
Na minha viagem a Israel, fiquei boquiaberto com o biotipo dos judeus, parece que eu estava em alguma cidade do interior de Pernambuco, Paraiba e Rio Grande do Norte. Repitindo, o que sempre afirmei: "somos mais judeus do que imaginamos."
Esse artigo relata quase tudo de nossas origens judaicas. Estou trabalhando em um projeto sobre o judaismo em AL, PE, PB e RN. Shalom Hashem!!!!
 

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Como 23 pernambucanos ajudaram a fundar Nova York no século 17

Toda a comunidade judaica de Nova York surgiu a partir de um punhado de imigrantes no século 17. E todos eles vieram de Pernambuco


Quatro casais, duas viúvas e 13 crianças: os 23 do Recife. (Mauricio Pierro/Superinteressante)

Nova York é a cidade mais judaica depois de Tel Aviv, o centro financeiro de Israel. São 2 milhões de judeus – um a cada três brancos da Grande Maçã. Em 1654 eram só 23. A memória deles segue preservada em NY.

Três cemitérios ali são dedicados aos judeus pioneiros da cidade e seus descendentes. Nas lápides, sobrenomes familiares para quem vive no Brasil: Fonseca, Seixas, Cardoso, Bueno. Sim, porque os primeiros 23 judeus da maior cidade dos EUA vieram do Brasil. Mais especificamente, do Recife. É a história deles que você vai conhecer agora.

Tudo começa com a relação estreita entre os judeus e as Grandes Navegações. Já na esquadra de Cabral havia tripulantes que seguiam a Torá. Natural. As técnicas de navegação eram dominadas por imigrantes árabes e judeus – membros de elites familiarizadas em estudar temas como astronomia e matemática, essenciais para o sucesso das empreitadas marítimas. Um desses judeus era um certo Fernando de Noronha. O homem que batiza o arquipélago pernambucano era um navegador judeu que usou suas habilidades para firmar um contrato que se mostraria mais importante do que parecia: o acordo entre comerciantes europeus e a Coroa Portuguesa para a exploração do pau-brasil nestas terras.

Os judeus também aproveitaram as Grandes Navegações por um motivo mais urgente que a confecção de novos negócios: a sobrevivência. Eles precisavam sair de Portugal. A Inquisição vinha ganhando cada vez mais força na Europa, tanto que o movimento já havia os expulsado da Espanha, em 1492.

Com a perseguição a não cristãos aumentando sem parar, atravessar o mundo em busca de paz não era má ideia, até porque havia incentivo da Coroa. “Portugal chegou a distribuir terras no Brasil para os judeus. A Coroa queria que eles povoassem o Nordeste. Era uma forma de a Coroa garantir a posse das terras”, diz Tania Kaufman, fundadora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco. Mas não pense que se tratava de caridade. “A imigração forçada também era uma maneira de castigar os judeus. Uma punição pelo crime de negar o cristianismo”, completa.

Apesar de interessante para a Coroa que a comunidade judaica deixasse as terras lusitanas, havia uma condição. Para terem direito a terras brasileiras, os judeus deveriam pelo menos fingir que haviam se convertido ao catolicismo. Depois de uma cerimônia rápida de batismo, o judeu passava a ser considerado um “cristão novo”, e ganhava o direito de partir.

Por aqui, os “convertidos” assumiram uma posição de protagonismo. “Um dos exemplos mais interessantes é o de uma senhora de engenho chamada Branca Dias. Ela e o marido vieram de Portugal para fugir da Inquisição e – além de reunir judeus para praticar a religião por debaixo dos panos – ela fundou a primeira escola para meninas do Brasil”, afirma o pesquisador Paulo Carneiro, autor do livro Caminhos Cruzados, sobre a história dos judeus no País. Pouco a pouco, vários judeus foram se tornando grandes comerciantes e empresários, principalmente no Nordeste. A obrigação de esconder as próprias crenças, no entanto, ainda era um problema 130 anos após o Descobrimento.

Foi quando um grupo de invasores resolveu mudar isso.
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fonte:
https://super.abril.com.br/historia/como-23-pernambucanos-ajudaram-a-fundar-nova-york/
 

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Laranja Mecânica

Voltemos para aquele Portugal da Inquisição. É claro que nem todos os judeus do país tinham a intenção de zarpar para o outro lado do Atlântico. A saída para a maior parte deles foi fugir das terras lusitanas – e de qualquer outra terra dominada por católicos.

Boa parte se bandeou para a Holanda. O motivo era simples: os Países Baixos eram, por definição, um local amigável. A União de Utrecht, tratado que serviu para unificar o que conhecemos hoje como Holanda, era uma meca da liberdade religiosa. “Ninguém poderá ser investigado ou condenado por sua religião”, diz o texto. Bingo. Era uma garantia legislativa de que, por ali, os judeus teriam paz.

Bom para todo mundo, já que a tradição mercantil judaica ajudou na maior empreitada da história dos Países Baixos: as companhias que investiam no comércio transoceânico com dinheiro privado. Eram as duas “Companhias das Índias”. A Oriental, que mandava navios para o Sudeste Asiático, e a Ocidental, especializada nas Américas. E que estava de olho no Brasil.

No dia 14 de fevereiro de 1630, 67 navios e 7 mil homens holandeses apareceram na costa de Pau Amarelo, no litoral de Pernambuco, e tomaram posse de um naco do território que hoje forma o Nordeste brasileiro. Eles sabiam bem o que queriam: açúcar. E a sorte estava completamente a seu favor. Os holandeses tinham a melhor das armas secretas: centenas de judeus que entendiam justamente sobre o refino de açúcar e, melhor ainda, eram fluentes em português, já que tinham fugido de Portugal.

A invasão animou até mesmo a população invadida. Pela primeira vez, a liberdade religiosa chegaria à colônia. Com isso, os “cristãos novos” de Pernambuco puderam se assumir livremente como judeus. E foi ali, nas praias do Nordeste, que o judaísmo conheceu, de fato, o Novo Mundo. Em 1636 surgia a primeira sinagoga das Américas, no Recife – e ela continua lá, na Rua Bom Jesus, número 197. A poucos metros dali, está o primeiro cemitério judaico deste continente. E não foram só obras religiosas que eles levantaram. “Os judeus foram responsáveis por reformas estruturais na cidade, como a ponte Maurício de Nassau (a maior do Brasil até então, com 180 metros), ligando a ilha de Antonio Vaz à cidade”, diz a historiadora Daniela Levy, autora do livro De Recife para Manhattan.
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fonte:
https://super.abril.com.br/historia/como-23-pernambucanos-ajudaram-a-fundar-nova-york/
 

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Bye bye, Brasil

Made in USA: com sobrenomes como Fonseca, Seixas, Cardoso e Bueno, os descendentes dos primeiros judeus de NY ajudaram a fundar a bolsa de valores mais importante do planeta, e boa parte da identidade nova-iorquina.


(Mauricio Pierro/Superinteressante)

A prosperidade, no entanto, durou pouco. Vinte e quatro anos depois da invasão holandesa, em 1654, Portugal retomou o controle de Pernambuco. E não estava nos planos da Coroa deixar os judeus viverem por ali. O então governador da região, Francisco Barreto de Menezes, deu o ultimato: quem quisesse sair de lá teria o prazo de quatro meses. Depois disso, teria que lidar com a Inquisição. O governo pernambucano até chegaria a oferecer barcos para que eles saíssem do País. Não foram dias fáceis. O alto número de pessoas tentando sair ao mesmo tempo congestionou as embarcações, tudo enquanto as represálias dentro da cidade cresciam rapidamente. Isaac Aboab da Fonseca, um rabino que vivia na região, registrou: “Muitos de nós foram mortos, outros pereceram à míngua; Sobramos poucos, mesmo assim, expostos às humilhações. Os que estavam habituados a comer à mesa de ouro, davam-se felizes por um pedaço de pão seco e bolorento, num ambiente agitado”.

Fugir era a única opção. Muitos se infiltraram no sertão. Historiadores chegaram a encontrar artefatos judaicos dentro do Quilombo dos Palmares, que também ficava em Pernambuco e foi contemporâneo à ocupação holandesa. A maioria, no entanto, resolveu escapar pelo mar. Os destinos variavam: alguns iam para a região das Antilhas, dominada pelos holandeses. O destino favorito, porém, era Amsterdã.

Os 23 protagonistas desta reportagem estavam em um dos vários navios que saíram rumo à capital holandesa em janeiro de 1654, juntos com outras dezenas de refugiados. Mas a viagem não começou bem. Mal o navio tinha saído da capital pernambucana e já topou com um bando de piratas. O navio acabou destruído. Boa parte dos passageiros morreu.

Mas um outro navio surgiu no horizonte. Era uma embarcação francesa, capitaneada por um certo Jacques Lamot, que fez uma proposta: resgataria os sobreviventes, e os escoltaria até a ilha mais próxima. Em troca de um bom montante de dinheiro, claro. Uma ótima opção para quem estava com a morte certa. A carona foi até a Jamaica. Péssima notícia para os pernambucanos, já que a região estava tomada pela Inquisição. Ironicamente, a Igreja Católica ignorou os judeus, mas não perdoou os cristãos novos. Motivo: eles haviam se convertido ao catolicismo, e trair a religião de Roma seria ainda pior do que nunca ter sido adepto dela. Prenderam os batizados, e os outros puderam partir. Só que a única saída era pelo barco de Lamot. E ele não queria ir para Amsterdã. Seu destino era Nova Amsterdã – a Nova York de hoje.

fonte:
https://super.abril.com.br/historia/como-23-pernambucanos-ajudaram-a-fundar-nova-york/
 

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A chegada

Eles aportaram em 7 de setembro de 1654. Lamot estava ensandecido: os judeus não tinham dinheiro para pagar a viagem. Em terra firme, as coisas não estavam tão melhores. O governador de Nova Amsterdã, Peter Stuyvesant, tinha ojeriza à ideia de que aqueles 23 judeus desembarcassem em seu território. Eram apenas seis famílias (compostas por duas viúvas, quatro casais, e 13 crianças), mas, para ele, um novo grupo de pessoas, de outra religião, poderia ser um problema para a cidade. Isso porque, não se engane, a Nova York de 1654 era bem pior do que o Recife daquele mesmo ano. Nova Amsterdã, afinal, era composta por cerca de 750 pessoas que mal se entendiam, já que falavam 18 línguas diferentes. A única coisa que os unia era uma mesma doutrina: o calvinismo.

O posicionamento de Stuyvesant era simples: eles não entrariam. Lamot é quem não gostou da ideia, já que queria receber seu dinheiro. O francês e o governador, então, fizeram um acordo: confiscariam os bens dos judeus e leiloariam tudo entre a população da cidade – entre esses bens estavam algumas mudas de pau-brasil.

Mas as vendas não geraram dinheiro o bastante. Lamot, então, decidiu que seria pago por meio de serviços forçados. Dois dos 23 judeus seriam, a partir de então, seus escravos. Mas a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, que também era presente em Nova Amsterdã, resolveu intervir. Os representantes da empresa clamavam que deviam lealdade a quem resistiu em Pernambuco, e decidiram entregar o dinheiro que Lamot queria. As negociações levaram dias. Nesse meio-tempo, os novos imigrantes não podiam sair da embarcação. Lá, comemoraram o Rosh Hashaná. Foi o primeiro ano-novo judaico de Nova York – celebrado em bom português.

A partir daí a situação melhorou, mas nem tanto. Os judeus eram obrigados a pagar impostos inexistentes para o resto da população e, enquanto esteve no poder, Stuyvesant criava empecilhos para a vida judaica. De qualquer forma, eles foram se estabelecendo. Asser Levy, um dos 23 (e que hoje batiza um parque em NY), se tornou conhecido na cidade. Virou açougueiro, comerciante referência na região e chegou a processar Stuyvesant pelas taxações excessivas. Mas mais do que qualquer conquista própria, ele e seus 22 companheiros de viagem fizeram algo bem maior: atraíram mais e mais judeus.

Agora que a cidade tinha sua comunidade judaica, cada vez mais famílias vindas de terras dominadas pela Inquisição passaram a desembarcar em Nova Amsterdã – até aqueles cristãos novos que haviam ficado presos na Jamaica conseguiram completar a jornada.

Em 1664, apenas dez anos depois da chegada dos 23 do Recife, a cidade mudaria de nome para Nova York. E os descendentes diretos e indiretos desses pioneiros se tornariam fundamentais para a história dos EUA. Um desses descendentes, Benjamin Mendes (1748-1817), fundou a Bolsa de Nova York. Outro, Gershon Mendes Seixas (1745-1826), é tido como um dos maiores líderes religiosos dos EUA – era o chefe da congregação judaica em 1776, o ano da Independência americana. Benjamin Cardoso (1870-1938) fez parte da Suprema Corte (o STF dos EUA), nos governos Hoover e Roosevelt. A presença dos descendentes também está presente no maior símbolo da cidade: a Estátua da Liberdade.

Quando Nova York recebeu a obra de presente do governo francês, no final do século 19, a prefeitura não queria bancar a construção do pedestal. O comitê que tratava da instalação da estátua, então, foi pedir dinheiro para a população, com a promessa de publicar agradecimentos pelas doações nos jornais. Ajudou, mas não resolveu. Foi quando Emma Lazarus, poetisa renomada, e descendente dos 23 do Recife, resolveu leiloar uma de suas obras. O texto em questão era The New Colossus, um poema inspirado na história de seus antepassados. Com isso, o comitê arrecadou dinheiro suficiente para finalizar as obras. E mais importante: um trecho do texto se tornou praticamente o lema de Nova York, e está gravado desde 1903 numa placa de bronze aos pés da estátua, dando boas-vindas a todos os imigrantes que fossem tentar a vida na cidade: “Venham a mim os exaustos, os pobres, as massas que anseiam por liberdade”.
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fonte: Abril
 
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