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06 de junho de 2008
Reportagem Especial


"Gente de baixa qualificação técnica está no comando"


Entrevista: Lucia Hippolito, cientista política, historiadora e jornalista.
A cientista política e jornalista Lucia Hippolito não poupa palavras ao analisar o hábito arraigado na administração
pública de não cumprir prazos.
Critérios políticos na escolha dos responsáveis, segundo ela, explicam muito da confusão gerada com atrasos
em obras ou na execução em época inoportuna.

- A qualidade dos gestores caiu muito - afirma.

Segundo ela, ainda é a cobrança da sociedade o caminho para que os administradores lembrem
quem está pagando o trabalho e merece respeito: a população.





Leia a seguir os principais trechos da entrevista:


Zero Hora - O que faz um administrador público prometer obras em prazos que não podem ser cumpridos?

Lucia Hippolito - Ele faz isso porque é muito fácil prometer, sempre tem uma desculpa, uma explicação que pode dar depois.
Isso é a total falta de planejamento.
Se uma coisa dessas ocorre no setor privado, o responsável é demitido. Na obra pública, nós que estamos pagando,
somos os chefes e merecemos respeito.

ZH - No aeroporto Salgado Filho(POA), a Infraero afirma que o serviço não seria realizado nesta época,
problemas teriam atrasado o trabalho.


Lucia - Isso não é um caso isolado. Está dentro da falta de gerência do sistema.
Sou uma usuária intensa do transporte aéreo. Eu vi a reforma do Aeroporto de Congonhas começar pela bombonière.
Alguém pode explicar um planejamento desses? Não há ninguém gerindo isso, não consigo entender para
que serve a Infraero.
É único benefício do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a aviação são mais vagas no
estacionamento do aeroporto de Belo Horizonte.

ZH - Muitas obras trazem mais transtorno do que deveriam à população antes de começar a gerar os benefícios.
Os gestores não conseguem ou não querem ver isso?


Lucia - Acontece que a qualidade dos gestores da máquina pública caiu muito nos últimos anos.
Gente de baixa qualidade técnica está no comando, esse é um grande problema.
Porque os critérios para escolher os administradores estão cada vez mais políticos, menos objetivos.
Existe uma pirâmide na administração, uma base muito larga e um topo estreito de baixíssima qualificação.

ZH - Problemas no orçamento sempre são apontados pelos governos. Isso é justo para explicar atraso em obras?

Lucia - Esse é um outro aspecto recorrente, porque o nosso orçamento, no caso da União, é autorizativo.
O Congresso autoriza o executivo a usar o dinheiro, não obriga. Então, o Ministério da Fazenda
vai soltando a conta-gotas.
E muitas vezes o dinheiro não aparece. Por isso, toda obra que é para o governo custa três vezes mais,
é um mal pagador. Claro, algumas vezes aparece um intermediador para abrir os caminhos em Brasília e garantir o recurso.

ZH - Existe alguma solução que possa ser adotada a curto prazo pelos governantes para essa
falta de qualidade de quem comanda?


Lucia - Isso é algo muito difícil. Talvez multiplicar escolas de administração pública pelo país fosse um
caminho para melhorar isso e acabar com essa noção de que o bem público não é de ninguém.
Algo que precisa ocorrer é a descentralização das decisões, porque está tudo muito centralizado.
Uma cabeça apenas, em Brasília, dizendo o que os outros devem fazer. Um exemplo disso foi o anúncio das obras do PAC.
Se escolheu o que seria contemplado no programa sem ouvir os Estados.





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Seria legal mover esta notícia para o Boteco ou Notícias.

Bem, mas gostaria de fazer um comentário seco, direto e estomacal:

- Se uma população elegeu alguém que "não tinha diploma" e ainda se gaba disso, não é de se dúvidar que hoje há muita gente "sem conteúdo" no comando de coisas que exigem responsabilidade, bom senso e conhecimentos técnicos suficientes para sempre haver harmonia. E isso é um perigo.
 

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Discussion Starter · #3 ·
Reportagem Especial
Dez receitas para quem fará uma obra pública

(ou um guia para a população cobrar se o serviço está sendo bem executado...)

1- Garanta, antes de pensar na execução, os recursos necessários para começar e terminar a empreitada,
pagando em dia quem a executa para evitar interrupções do fluxo de realização.

2- Pense em um canal alternativo para financiar o trabalho caso falhe esse recurso principal, como,
por exemplo, usar recursos próprios enquanto negocia as fontes de financiamento.

3- Reúna-se com a empresa executora para discutir o impacto do trabalho na região.
Use o bom senso nesse diálogo para poupar a população dos transtornos decorrentes da obra.

4- Se o serviço tem impacto no trânsito, deve ser executado em horário de menor movimento,
mas sem perturbar o sono da vizinhança.

5- Evite obras em várias frentes ao mesmo tempo, dê preferência a uma etapa bem feita de cada vez
para acelerar o processo e evitar que o efeito de transtorno se multiplique por toda a extensão da obra.

6- Ao executar a troca ou a manutenção de um aparelho fundamental para o operação de um equipamento
que está sendo melhorado, tenha um de reserva para colocar em funcionamento durante o trabalho.

7- Inclua no planejamento previsão meteorológica - a chuva deve estar no cronograma para não virar
desculpa em caso de atraso.

8- Ainda antes da obra, veja se há no terreno uma rede de esgoto ou postes de energia que prejudiquem e
retardem o trabalho depois de iniciado.

9- Seja cauteloso ao prometer o fim do trabalho, consulte um especialista se for o caso.
Com uma obra bem planejada, a população irá compreender.

10- Pague sempre em dia os forncedores, cobre muito empenho da empresa. Os empregados e as máquinas
têm de estar em número suficiente para garantir a execução.
Fiscalize para que o cronograma não resulte em transtorno.


Fontes: Ana Parisi Kern, professora do curso de Pós-graduação em Engenharia Civil da Unisinos,
Pery Bennett, coordenador do curso de Arquitetura da Ulbra
e Luis Roque Klering, professor do curso de Administração da UFRGS



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É o retrato da falta de profissionalismo e comprometimento dos políticos com o executivo público. Precisamos de ógrãos com corpo técnico qualificado e capacitado.

Planos de cargos e carreiras e escolas superiores da adm. pública. Como um curso superior assim poderíamos dá acesso direto aos formandos e os cargos mais elevados conquistados por títulos e especializações. Também um sistema de corregedoria forte e independente quem não produzir é demitido. Estabilidade e prêmios só para os eficitentes.
 

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Discussion Starter · #5 ·
^^.....aliados a impunidade e a patetica falta de cobranca por parte da populacao!
 

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^^
Pois é. Nosso maior desafío é romper os mapas mentais na cabeça dos brasileiros.
Peguei o temo do livro Rompendo o Marasmo.

É um livro que deveria servir de material de debate para a próxima campanha de 2010.

Só mesmo com uma "revolução pessoal" somos capzes de romper com essa agonia de séculos.
 

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Rumo ao fim do mundo!
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privatiza tudo que resolve. enquanto o Estado brasileiro não for competente, taca-lhe privatização nele!
 

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Ótima entrevista :applause:

Claro que gente mal qualificada está no comando.
Afinal, não interessa o Brasil.
O que interessa é o bolso e a manutenção da boa-vida.
Enquanto for assim, estaremos lidando com gente sem preparo no poder. Exemplos temos aos montes, a maioria está em cargos de confiança e eletivos.
 

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privatiza tudo que resolve. enquanto o Estado brasileiro não for competente, taca-lhe privatização nele!
Na verde é o contrário. Todo o estado brasileiro está privatizado, atende apenas aos interesses de grupos pequenos.
Pode parecer um paradoxo, mas temos é que estatizar os bens públicos.
 

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Na verde é o contrário. Todo o estado brasileiro está privatizado, atende apenas aos interesses de grupos pequenos.
Pode parecer um paradoxo, mas temos é que estatizar os bens públicos.
isso mesmo!
quando me dizem que é preciso re-estatizar a Vale (ou outra empresa) pois ela era nossa, eu respondo: "A Vale era nossa??!! A Vale era é do pessoal que se aproveitava dela!"
 

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Rumo ao fim do mundo!
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Na verde é o contrário. Todo o estado brasileiro está privatizado, atende apenas aos interesses de grupos pequenos.
Pode parecer um paradoxo, mas temos é que estatizar os bens públicos.
hehehe, de onde vc tirou isso cara?

o Estado SEMPRE atende os interesses dos grupos que tem mais poder, em qualquer lugar do mundo é assim. Afinal, de maneira geral, sempre é a elite que consolida o Estado. As únicas vezes que o "povo" teve poder no Estado, nem precisa falar no que deu...

Privatizando as empresas, os serviços públicos deixariam de ser monopólios e passariam a funcionar sob as leis de mercado, e como já aconteceu em vários setores, a concorrência obrigaria as empresas a melhorarem o serviço, fazendo com que o consumidor seja o maior beneficiado....
 

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Reportagem Especial
Dez receitas para quem fará uma obra pública

(ou um guia para a população cobrar se o serviço está sendo bem executado...)

1- Garanta, antes de pensar na execução, os recursos necessários para começar e terminar a empreitada,
pagando em dia quem a executa para evitar interrupções do fluxo de realização.

2- Pense em um canal alternativo para financiar o trabalho caso falhe esse recurso principal, como,
por exemplo, usar recursos próprios enquanto negocia as fontes de financiamento.

3- Reúna-se com a empresa executora para discutir o impacto do trabalho na região.
Use o bom senso nesse diálogo para poupar a população dos transtornos decorrentes da obra.

4- Se o serviço tem impacto no trânsito, deve ser executado em horário de menor movimento,
mas sem perturbar o sono da vizinhança.

5- Evite obras em várias frentes ao mesmo tempo, dê preferência a uma etapa bem feita de cada vez
para acelerar o processo e evitar que o efeito de transtorno se multiplique por toda a extensão da obra.

6- Ao executar a troca ou a manutenção de um aparelho fundamental para o operação de um equipamento
que está sendo melhorado, tenha um de reserva para colocar em funcionamento durante o trabalho.

7- Inclua no planejamento previsão meteorológica - a chuva deve estar no cronograma para não virar
desculpa em caso de atraso.

8- Ainda antes da obra, veja se há no terreno uma rede de esgoto ou postes de energia que prejudiquem e
retardem o trabalho depois de iniciado.

9- Seja cauteloso ao prometer o fim do trabalho, consulte um especialista se for o caso.
Com uma obra bem planejada, a população irá compreender.

10- Pague sempre em dia os forncedores, cobre muito empenho da empresa. Os empregados e as máquinas
têm de estar em número suficiente para garantir a execução.
Fiscalize para que o cronograma não resulte em transtorno.


Fontes: Ana Parisi Kern, professora do curso de Pós-graduação em Engenharia Civil da Unisinos,
Pery Bennett, coordenador do curso de Arquitetura da Ulbra
e Luis Roque Klering, professor do curso de Administração da UFRGS



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Eis um paradoxo: tocar uma obra pública em tese é muito mais complexo que uma obra privada, devido aos regramentos, limitações e cuidados exigidos a fim de não desperdiçar recursos públicos. Deveria haver um planejamento muito mais cuidadoso e metódico. (Um empreendimento privado pode naturalmente falir, fechar, quebrar... Isso é algo vedado para bens públicos.)


Na prática o planejamento pode ser descuidado, negligente ou inexistente. Desperdício de recursos é algo natural e a ousadia e os riscos proibitivos da iniciativa privada são um sonho de eficiência e economia na comparação.


E mesmo assim no Brasil tudo que é grandioso é do Estado... imagine o que se poderia fazer caso houvesse seriedade e produtividade.
 

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Gegê do colchão magnético
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O problema do Brasil antes de tudo é político; Aqui só se governa fazendo alianças, trocas de cargos, projetos, obras e recursos em troca de apoios. Resultado má gerência, corrupção, gastos excessivos. Temos que enraizar a cultura da boa administração na sociedade para que se possa realmente refletir nos políticos que elegemos...Ano de eleições em muitos lugares obras estão a todo vapor, sem planejamento, tudo as pressas para atrair votos.
 

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hehehe, de onde vc tirou isso cara?

o Estado SEMPRE atende os interesses dos grupos que tem mais poder, em qualquer lugar do mundo é assim. Afinal, de maneira geral, sempre é a elite que consolida o Estado. As únicas vezes que o "povo" teve poder no Estado, nem precisa falar no que deu...

Privatizando as empresas, os serviços públicos deixariam de ser monopólios e passariam a funcionar sob as leis de mercado, e como já aconteceu em vários setores, a concorrência obrigaria as empresas a melhorarem o serviço, fazendo com que o consumidor seja o maior beneficiado....
Eis um pró privatização leitor de Veja! Pobre do país que entrega tudo... É isso aí, quero ver a cara de quem diz isso quando a coisa ficar ainda mmmuuuuiiiiittttoooo pior, uma vez que só existem três tipos de empersários interessados: os das multi, que fazem um bom trabalho mas o país perde a empresa e os nacionais, os aventureiros internacionais que sugam o que interessa e depois jogam fora e os aventureiros nacionais, que fazem aventura com a empresa e depois as quebram e somem. Para ver este circo pegando fogo, eu adoraria ver como reagiriam estes caras que querem tudo jogado fora... E, de especialista em transporte aéreo que nada entendem de transporte aéreo e acham que sabem tudo só porque andam de avião, como esta senhora, o inferno anda bem cheio...
 
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