SkyscraperCity banner
1 - 16 of 16 Posts

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #1 · (Edited)
Dez anos depois de ter partido, o centro de poder do Banco Comercial Português (BCP) regressou agora ao Taguspark, em Oeiras, onde funcionam os outros órgãos sociais não executivos do grupo. É o primeiro banco cuja gestão optou por se fixar a 30 quilómetros de Lisboa. Razões: concentrar serviços e racionalizar activos.
Esta vaga foi iniciada há quase 40 anos, quando a gestão do Banco Espírito Santo (BES) deixou a Baixa, o coração de Lisboa, para se instalar uns quarteirões acima, no topo da Avenida da Liberdade, e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) ocupou um quarteirão entre a Praça de Londres e o Campo Pequeno.
Com excepção do Montepio Geral (MG), que conserva a sede e a gestão na Rua do Ouro, na Baixa, e do Banco Português de Investimento (BPI), que também mantém aí alguns administradores, todos os grupos já foram para outras zonas da cidade.
A saída do bairro histórico das principais operações e administrações dos grupos financeiros é o resultado da conjugação de vários factores: privatizações que levaram à extinção de bancos; necessidade de modernização das sedes e de concentração de serviços, e aparecimento de novos grupos, portugueses e estrangeiros, que optaram por construir instalações de raiz. E ainda pelo facto de os quarteirões históricos terem limitações construtivas e de escala.

Os primeiros sinais de mudança surgiram em 1969, quando a família Espírito Santo avançou com um projecto de construção de uma nova sede fora da Baixa. Em 1980, a gestão, já sob domínio estatal, mudou-se definitivamente da Rua do Comércio (onde vai agora instalar o Museu BES), para um prédio no topo da Avenida da Liberdade, alguns quarteirões acima. Além do BES, três bancos criados nos anos anteriores à revolução de 1974 tinham já optado por construir as sedes em bairros mais modernos: o Banco de Fomento Exterior (agora BPI); o Crédito Predial (Santander) e o Banco Intercontinental Português (BIP).
Mas foi a Caixa Geral de Depósitos (CGD) a dar o grande impulso ao "esvaziamento" da zona histórica, quando encomendou a construção de uma megassede bem longe da Baixa Pombalina. Em 1985, a administração saiu da Rua do Ouro para ocupar vários hectares entre a Praça de Londres e o Campo Pequeno, onde concentrou serviços até aí disseminados por dezenas de imóveis. E, ao absorver o BNU, a CGD viria também a encerrar a sede desta instituição na Baixa.
Já o BPI mantém parte da sua administração na Baixa lisboeta, instalada em dois edifícios herdados quando comprou o Banco Fonsecas & Burnay (BFB) e o Banco Borges & Irmão (BBI). E que ainda funcionam. Os administradores que estão em Lisboa (alguns executivos estão no Porto) estão dispersos por três locais, dois dos quais na Baixa: a Rua do Comércio (ex-BFA) e o Largo do Município (ex-BBI). Já o CEO trabalha no Largo de Jean Monet, num prédio que o BPI ocupou pela primeira vez, quando foi constituído em 1986.

A entrada da banca estrangeira veio também contribuir para o abandono da Baixa, preterida a favor de locais mais modernos e com maior possibilidade de construção. Foi o caso do Banco Popular Español, que absorveu o Banco Nacional de Crédito (de Américo Amorim), e que se instalou na zona da Praça de Espanha. De igual modo, o grupo espanhol Santander, que comprou o Banco Totta & Açores (BTA) e o CPP, optou por transferir o centro do poder para a Praça de Espanha. Isto apesar de manter na Rua do Ouro a antiga sede do BTA, um importante imóvel da cidade do ponto de vista arquitectónico, mas que preserva apenas como "casa" estandarte.
Com a decisão de abandonar a Baixa, para regressar à Cidade BCP, a actual gestão liderada por Carlos Santos Ferreira abandona o edifício da Rua Augusta, que foi recuperado, em 1995, pelo fundador do Grupo Jardim Gonçalves.
Inédita é a opção da gestão do BCP por se fixar a 30 quilómetros de Lisboa.
Mas já em 1995, quando a Cidade BCP foi inaugurada, para aí se concentrarem todos os serviços e operações, a administração de Jardim chegou a transferir-se para um dos 13 edifícios BCP (concebidos de forma triangular e com apenas três pisos, os módulos estão vazados no interior, o que permite o seu ajardinamento), que estão espalhados pelos 11 hectares do Taguspark. Nesse período, a Rua Augusta manteve-se como edifício de representação, para receber, designadamente, grandes investidores e clientes.

Desta vez, a saída do CAE do BCP para o Taguspark, já concretizada, vai levar atrás de si cerca de 100 pessoas, número que, quando comparado com o êxodo de 1995, é irrisório. A iniciativa decorre a par da venda de um outro prédio pombalino, na Rua do Ouro, e onde trabalham hoje cerca de 30 pessoas.
Além de conservar balcões abertos na Baixa, o BCP vai continuar a ocupar o edifício da Rua Augusta, onde manterá a Fundação Millenniumbcp e a área museológica, e criará um espaço destinado a receber visitantes internacionais. Estima-se que no local possam continuar a trabalhar algumas dezenas de colaboradores.

Fonte: Público



Vista parcial da cidade BCP
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #2 ·
Saída do BCP da Baixa não é sinal de retirada das instituições

A família Espírito Santo foi a pioneira a deixar a Baixa de Lisboa, há 40 anos. Agora, o BCP foi mais longe. Saiu da capital. E isso é mau?

O que se espera é "um reforço da tendência habitacional" da Baixa, diz o arquitecto e vereador Manuel Salgado. O fenómeno não é novo - há já muito tempo que as grandes empresas, entre as quais os bancos, estão a optar por se transferir para parques empresariais longe do centro da cidade, para "locais com status, mas com custos menores", como os define Andreia Melo da imobiliária Re/Max Latina. Mas quando um banco como o BCP deixa a Baixa lisboeta, isso pode ser um sinal de alarme para uma zona que se está a tentar revitalizar?
Não, garante Manuel Salgado, vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa. A transferência da administração do Millennium bcp para o Taguspark, em Oeiras, "não será um factor de perda de vitalidade" para o bairro histórico de Lisboa.
Raquel Henriques da Silva, ex-directora do Museu do Chiado, que fez parte do comissariado para a Baixa Chiado (do qual, aliás, Salgado também era membro), concorda: a saída do BCP "não é um sinal" da retirada das grandes instituições financeiras do centro da cidade. Até porque, lembra, "o Banco de Portugal vai reinstalar-se em força", com "a requalificação de um quarteirão inteiro" e, entre outras coisas, a recuperação para museu da antiga Igreja de São Julião, durante muito tempo usada como garagem (projecto ao qual está ligada).

Numa entrevista ao PÚBLICO em 2006, Salgado defendera a importância de manter na Baixa "o centro financeiro do país" e explicara que o "processo gradual de degradação da zona" fora acelerado pelo incêndio do Chiado e, ainda antes disso, precisamente pela saída do centro financeiro, dos tribunais e de grande parte dos serviços político-administrativos.
Questionado agora sobre a questão, Salgado diz estar convencido de que será possível "manter o peso da centralidade financeira" da Baixa, embora, "devido às características dos edifícios", a tendência de futuro seja manter ali "núcleos ou sedes dos centros financeiros", a par de "empresas pequenas, profissões liberais".
O vereador desdramatiza a saída do BCP, lembrando que na Baixa permanecem o Banco de Portugal, o BPI e o Ministério das Finanças. No entanto, o que se espera é "um reforço da tendência habitacional" da zona, sobretudo depois de a câmara desbloquear os perto de 80 projectos que estão pendentes e que são, em grande parte, ligados à habitação.
Atracção pelo status
O processo de mudança das sedes das empresas para parques empresariais é natural, explica o arquitecto Walter Rossa, que está a preparar a exposição, com inauguração prevista para 19 de Junho, que pretende recordar o plano elaborado para a Baixa em 1758, a seguir ao terramoto, e olhá-lo à luz das discussões actuais sobre a zona. É nessa altura que ali se instalam a Bolsa, a banca, as seguradoras - fazem-no por "razões de prestígio". Hoje, por limitações na "capacidade de adaptação dos edifícios" e "problemas de estacionamento", a tendência é para as empresas deixarem as zonas antigas das cidades.
"Os centros empresariais são muito procurados", confirma Andreia Melo da Re/Max, referindo-se a uma tendência "que se vem acentuando desde que a crise económica se acentuou, a partir de 2000". Preocupação essencial é que o novo local tenha status, por isso zonas como a Linha de Cascais e a Beloura são as mais procuradas. A solução garante espaços maiores, fácil acesso e estacionamento, e a possibilidade de criar sinergias com as empresas situadas no mesmo parque empresarial.
Mas voltemos à Baixa. Walter Rossa sublinha que não é por acaso que a Praça do Comércio tem este nome. "A Baixa nunca foi um centro residencial. Sempre foi uma zona de comércio, com serviços instalados nos pisos superiores. Esta é a vocação que tem que ser reposta." O arquitecto defende a necessidade de haver serviços públicos - uma Loja do Cidadão, por exemplo - no Terreiro do Paço, que é, na sua opinião, "a peça-chave" para a revitalização da zona.
No que diz respeito às instituições financeiras, o que lhe parece ser a melhor solução é a que o próprio BCP está a adoptar: "Manterem-se ali como proprietárias de edifícios, adaptando-os para equipamentos culturais, museus, etc." Se, a par disso, surgirem no Terreiro do Paço projectos de hotelaria e comércio - com uma "boa gestão das vontades de investimento na zona", ou seja, "capacidade de diálogo e de atracção por parte da câmara" -, talvez seja possível transformar a Baixa ao é do rio num "grande pólo cultural".
Já há neste momento alguns sinais positivos na zona, na opinião de Raquel Henriques da Silva. "O edifício onde vai ficar o Museu do Design e da Moda é extraordinário", diz, referindo-se à antiga sede de outro banco, o BNU. O problema, na sua opinião, não está na decisão de saída de uma instituição financeira como o BCP - motivada, acredita, sobretudo por razões internas - mas no facto de "a câmara e o Governo tardarem a dar os sinais fundamentais" sobre os planos para a zona. Há "um claro fracasso" nesse aspecto, sublinha.
Para Walter Rossa não é tanto a questão de ter um bom plano. O segredo pode ser antes o de "conseguir atrair marcas de referência, restaurantes com uma lógica de qualidade", e depois "conseguir gerir um efeito de bola de neve em termos de ocupação do espaço".

Fonte: Público
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #4 ·
Ao menos têm mais estacionamento!
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #6 ·
:lol: É quase mas ainda pertence a Oeiras!
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #8 ·
Nunca. Nem que tenhamos de lutar. :horse::horse: :lol:
 

·
Registered
Joined
·
8,882 Posts
é mau claro !
quando daqui a uns anos virem lisboa sem pessoas nem empresas, choram . o problema e q choram sempre tarde.. triste .
 

·
Registered
Joined
·
968 Posts
é mau claro !
quando daqui a uns anos virem lisboa sem pessoas nem empresas, choram . o problema e q choram sempre tarde.. triste .
Daqui por 20-30 anos Lisboa terá uns 100 mil habitantes e praticamente zero empresas "fortes".

Pelo menos esta é a tendência: Lisboa no futuro será apenas o centro politico, nada mais...
 

·
Uma dúzia de anos disto..
Joined
·
30,728 Posts
O Cavaco Silva tem uma avenida?:D
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #12 ·
Tem. O Taguspark foi construído quando ele estava no governo. Deve ser por isso!
 

·
Registered
Joined
·
8,882 Posts
Daqui por 20-30 anos Lisboa terá uns 100 mil habitantes e praticamente zero empresas "fortes".

Pelo menos esta é a tendência: Lisboa no futuro será apenas o centro politico, nada mais...
nao deveria de ser essa a tendencia, com o tamanho q lisboa tem, ter 100 mil hab é ser uma cidade fantasma . achas que isso acontece com as outras capitais europeias ?

e preciso fazer algo, ja !
 

·
President and CEO
Joined
·
17,578 Posts
Discussion Starter · #15 ·
Oeiras não pode é ser penalizada pela má gestão da câmara de Lisboa.
 
1 - 16 of 16 Posts
Top