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Discussion Starter · #1 ·
Da Redação/Alline Marques
Uma das ONG`s ambientais mais conhecida no mundo pode estar influenciando negativamente na pecuária mato-grossense. A denúncia foi feita pelo presidente Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado. Segundo ele, o Greenpeace divulgou para o mercado que não se poderia comprar boi dentro do bioma Amazônico.

Acontece que em Mato Grosso, 68% do gado está na região do bioma. Os frigoríficos têm acatado a sugestão, o que tem prejudicado efetivamente os produtores. Ainda não é possível estimar o prejuízo, mas a Famato já pensa em mover uma ação contra o Greenpeace responsabilizando pelos danos causados ao setor.

“No momento em que ninguém rebate e ainda por cima os frigoríficos aceitam uma imposição de uma ONG que está fazendo um desserviço para o país, nós temos que denunciar”, declarou em entrevista ao Olhar Direto.

Rui Prado explicou que existe uma legislação ambiental que regulamenta a produção na região da Amazônia Legal e os produtores estão trabalhando para se enquadrar, mas destacou que a lei é rígida.

“Qualquer ONG não pode estar acima da lei de um país e nem contra a economia de um estado inteiro (...) Na hora em que o Greenpeace começa a divulgar uma informação errada e assusta a população causa transtorno no mercado”, enfatizou.
 

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R.I.P. Niki
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No Brasil, uma ONG a serviço de interesses externos como o Greenpeace manda no país e se coloca acima da lei. Ou seja, somos governados por uma ONG e não pelos governos que elegemos.

Esse país é uma piada! É por isso que a Inglaterra manda lixo pra cá. O Brasil é o quintal de todo mundo, menos dos brasileiros... :eek:hno:
 

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Não estou dizendo que fico do lado do Greenpeace, mas também não ficaria tão ao lado dos latifundiários. O que eu quero aqui é acrescentar um debate consciente.

É fato que há uma legislação rígida de controle para o povoamento e para a agropecuária sobre a Amazônia. Mas justificar-se apenas disso é menos do que tapar o Sol com a peneira.

Sejamos francos: a lei é respeitada? Não. A lei não é respeitada porque, economicamente falando, se fosse, seria inviável a aquisição de propriedades da Amazônia, já que 80% das mesmas teriam de ser destinadas à reserva natural da propriedade. Ou seja, de 10 mil hectares, apenas 2 mil poderiam ser utilizados para o desenvolvimento de qualquer atividade econômica, enquanto que os 8 mil restantes, seriam destinados à reserva natural.

Mas o meio-norte do Mato Grosso está entre as regiões que mais crescem economicamente no país. Daí, extrai-se duas formas de crescimento: a viável, na qual um único proprietário teria de ser dono de milhares e milhares de hectares para poder utilizar de uma pequena parcela grande o suficiente para tornar sua atividade promissora, ou não respeitando a lei, utilizando-se de uma parcela maior da área para a produção de soja, algodão, milho, etc.

Nesse mesmo diapasão, os órgãos públicos do interior do Mato Grosso, Pará e Rondônia, não possuem lá uma fama de muito ordeiros, quanto muito estão praticamente no extremo oposto, com uma leve melhora no Mato Grosso. Então, diante de um Estado ausente, de uma lei existente mas não aplicável e de uma Amazônia que vem sendo diminuída a olhos vistos (ou alguém aqui vai dizer que o desmatamento cessou?), nada mais resta a uma Ong como a do Greenpeace, motivada por uma ideologia internacional e, sobretudo, europeia de conceito além-mar de território (ou seja, que a Amazônia se trataria de um bem mais do que brasileiro, mas mundial), em intervir praticamente sobre uma terra cuja lei ainda encontra barreiras para ser aplicada.

É certo que o desmatamento na Amazônia vem diminuindo e que o Brasil tem investido maciçamente nesse controle. Mas ainda não chegamos (e nem estamos próximos) de um padrão satisfatório de sustentabilidade. E há anúncios distribuídos aos quatro cantos do mundo dizendo que 20% da Amazônia já foi pro limbo, bem como de que a cada segundo, uma área equivalente a de um campo de futebol é desmatado na Amazônia.

Soma-se o fato de que o Mato Grosso já foi noticiado internacionalmente diversas vezes em decorrência do desmatamento da Amazônia, de queimadas, da fama de seu governador, etc., tanto quando de seu crescimento econômico a ritmo chinês.

Logo: o Mato Grosso é, para o Greenpeace, um prato cheio. E o Brasil tem de trabalhar muito em marketing para o mundo (sobretudo o Primeiro) de que ele é um país pró-ecologia.

Eu não meço a balança do "desmatam mas produzem, enquanto que outros só protestam e atrapalham". É fato que os produtores produzem, apesar de que o que produzem em solo brasileiro, praticamente nada fica aqui e quase tudo é exportado. Mas também é fato que o movimento acampado pelo Greenpeace (e muitas outras Ongs) também é importante.

Da mesma forma, achei brilhante a posição do Ministério Público do Pará de recomendar que empresas não importem carne de propriedades irregulares na Amazônia. Se isto, por si só, acabar gerando uma certa crise interna em alguns estados, não penso que devamos condenar outros que não os próprios irregulares de destruírem a mata de forma ilegal, e não atentando-se para a função social que a propriedade deve ter.

Afinal, da mesma forma que um quilo de arroz é importante para a nossa dieta, uma árvores preservada também o é.
 

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R.I.P. Niki
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Eu sou da opinião de que se uma lei não é boa, ela não deve ser descumprida por causa disso, mas ela deve ser mudada. Portanto, não sou a favor do descumprimento, mas da mudança da lei. 80% de reserva legal é um completo absurdo. Essa legislação só existe porque ela é restrita ao bioma amazônico e também porque é muito mais fácil descumpri-la do que alterá-la, uma vez que os estados produtores da Amazônia Legal tem um peso político irrisório dentro do Brasil. Mas essa mesma regra que vale pra Amazônia Legal jamais seria aceita nos biomas onde estão os estados mais populosos e consequentemente mais fortes politicamente.
A maioria da população brasileira não vive na Amazônia Legal, logo, a maioria da população brasileira não será afetada se a aconomia da região for arruinada. A preocupação da maioria dos brasileiros se restringe à floresta, o desenvolvimento econômico e social da região sequer passa pela cabeça da maioria dos brasileiros.

E assim, estados que vivem do agronegócio, como Mato Grosso, Rondônia, Tocantins e o sul do Pará, tornam-se reféns de uma sociedade egoísta, que entende que o desenvolvimento desfrutado por algumas regiões deve ser sonegado a outras, sob a bandeira do ambientalismo.

Não sou a favor do descumprimento das leis, mas também não sou a favor de leis absurdas e arbitrárias, feitas sob pressão de ONGs estrangeiras e sem consulta às populações diretamente afetadas. Não sou a favor do desenvolvimento a qualquer custo, mas também não sou a favor da preservação a qualquer custo. O que deve prevalecer é o bom-senso e não simplesmente o lado mais forte.
 
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