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Αλέξανδρ&#
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isso é diferente, essas "aranhas" maritimas comem-se bem com cervejinha fresquinha :cheers:
 

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Amantes da Natureza podem ter maior proximidade com as reservas actualmente existentes, segundo o novo director
Parque abre Desertas para pernoitas​





Jornal da Madeira – Que planos tem para esta nova fase do Parque Natural da Madeira? Vai haver uma ruptura com a forma de actuar até agora?
Paulo Oliveira - A conservação da natureza é um processo dinâmico. E aqui na Madeira temos um historial fantástico de conservação. Quando ninguém falava nisso no resto do país, nós já tínhamos acções. E nem estou a falar da reserva das Selvagens, que foi criada em 1971. Nós sempre tivemos muita envolvência com a conservação, mas feita à medida do que tínhamos em termos de massa crítica.

JM – Conservava-se sem publicitar…
PO – Independentemente de não se mostrar, principalmente, não era dada, há algumas décadas, às pessoas, a possibilidade de se envolverem, participarem e usufruírem dessa conservação.

JM – E o que mudou?
PO – As condições sócio-culturais não são as mesmas, as pessoas estão mais conscientes dos bens que temos, perfeitamente capazes de usar os espaços sem que isso seja um problema para esses mesmos espaços.
Por outro lado, o eco-turismo deu recentemente um pulo brutal e foi nesta vertente que o processo de conservação da Natureza entrou em definitivo no seu rumo. Não quer dizer que isso não acontecesse antes, mas quando se agarra um projecto é mais fácil mudar as coisas. As pessoas estão mais receptivas, existe maior receptividade para implementar coisas novas. É um pouco por aí que está a ser orientada esta nova fase do Parque.

Maior aproximação
às reservas


JM – O que é que vai ser visível?
PO - Vamos proporcionar um maior usufruto das áreas protegidas e torná-las uma mais-valia do ponto de vista económico. Vamos possibilitar, por exemplo, que as reservas possam ser usadas como vector de desenvolvimento turístico. Até agora, as visitas marítimo-turísticas nas desertas tinham algumas limitações, mas depois de uma melhor análise da situação verificou-se que é possível haver mais visitas em simultâneo. As Desertas não são apenas a doca onde as pessoas chegam. Vamos criar infra-estruturas integradas com uma área onde as pessoas possam descansar depois de uma viagem de barco, com mesas, zonas de sombra, isto em parceria com os privados. As pessoas agora chegam, dão uma voltinha e sentam-se numa pedra do calhau. Vamos ter um pequeno churrasco para as pessoas poderem fazer a sua comida e, o que é inovador, vamos passar a permitir, com números bastante regulados, a pernoita em terra.

JM – Como? Na casa geminada com a dos vigilantes?
PO – Essa vai continuar a ser usada pelos técnicos e cientistas que vão para as Desertas em trabalho. Mas vai ser criado um espaço para as pessoas acamparem, a ideia já teve alguma receptividade, já fomos contactados por empresas que querem passar a pôr no programa a pernoita nas desertas. No máximo de doze pessoas por pernoita. E isto porque o turismo ornitológico gosta de ouvir as aves à noite, já ficavam a dormir nos barcos, o que estamos a fazer é só proporcionar mais comodidade e uma maior aproximação dos turistas à Reserva. Vão falar com os vigilantes, vão comprar artigos de “merchandising”, deixar dinheiro na Região. Além disso, as empresas marítimo-turísticas costumam dar donativos ao Parque.

JM - E que outros projectos tem?
PO – O acesso às Desertas será mais fácil. Desburocratizando a entrada. Se as pessoas estiverem, por exemplo, na Ponta de São Lourenço num barco e lhes apetecer ir às Desertas, o vigilante identifica-as e credencia no momento. Se a pessoa não se comportar, o registo já está feito.

JM – Essas ideias para as Desertas são também para as Selvagens?
PO – Para todas as reservas. As Selvagens vão ter alterações mais pequenas. Vamos criar, na zona atrás da casa principal da Selvagem Grande, uma zona com uma pequena cozinha e um toldo para as pessoas poderem também descansar e proteger-se das condições climatéricas.

JM – E quanto à recuperação da casa dessa ilha e a construção da casa na Selvagem Pequena já anunciadas?
PO – Estão perspectivadas, como foi já anunciado pela tutela. Quanto à Ponta de São Lourenço, a casa vai ser remodelada, vamos reduzir a área que usamos para os vigilantes e o resto fica para um centro de recepção. Vai ter também uma zona de lazer, para as pessoas poderem também usufruir do espaço. E vamos distribuir aos visitantes uma brochura com informações sobre o que se pode encontrar no percurso para apreciar quando voltar ao carro e quando chegar ao fim, neste caso, ao início, vai poder deixar esse documento numa caixa, porque a verdade é que as pessoas acabam por deitar fora os papéis depois de lidos. Assim podemos reutilizar. Também será criada uma linha de “merchandising” que vai, de alguma forma, ajudar a sustentar a reserva.

JM – Os madeirenses serão receptivos a estas mudanças?
PO – O modelo de conservação da Natureza dos Estados Unidos é exemplar. Têm os Parques nacionais com infra-estruturas auto-sustentadas dirigidas ao visitante. Com restaurantes, hotéis, parques periféricos de onde se parte para dentro dos parques com transportes ecológicos, lojas com tudo o que se possa imaginar, salas de projecção de vídeo onde as pessoas podem ver os parques, uma máquina montada à volta dos visitantes que torna as áreas auto-sustentáveis.

JM – No fundo, vai abrir as portas…
PO – Algumas. Isto é importante para unir o sector económico, com a natureza. Não se podem dissociar.


JM – Quais são os seus projectos na zona da Laurissilva?
PO – Em tudo na vida é preciso, a dada altura, parar para pensar. As premissas básicas estão perfeitamente cumpridas, temos os habitats em recuperação, aqueles que precisavam de o estar. Aqueles que, como a Laurissilva, estão perfeitamente estabelecidos. Vai ser dada neste ano e nos próximos uma grande ênfase aos aspectos culturais. Gostávamos muito de promover levantamentos sobre o uso tradicional que é dado às plantas, estamos agora a trabalhar no levantamento de alguns bens patrimoniais culturais, não só para preservá-los, como para que eles possam ser mais um vector de utilização da área do Parque Natural da Madeira.

JM – Como acontece com a Rota da Cal?
PO – Exactamente. Estamos a encontrar parcerias desse género, o Parque divulga o local, ainda há pouco tempo um professor afecto a essa iniciativa veio dar formação ao nosso pessoal sobre a mesma. Vamos apoiar, divulgar e promover os locais, identificar onde é que podemos ser úteis, podendo dar às Câmaras, por exemplo, algumas orientações nessa área da conservação da Natureza. Gostaria de ver isso concretizado. Às vezes as pessoas esquecem-se que a parte humana dos Parques é tão importante como a fauna e a flora.

Pombo trocaz
sempre na mira


JM – E o que vai ficar do que vem da gestão anterior do Parque?
PO – Temos projectos que vêm de trás, naturalmente. Estamos, neste momento, empenhados em intensificar o programa de minimização dos estragos causados pelo pombo trocaz. O projecto tem 15 anos e este ano há uma série de linhas de orientação que tem de ser reforçada. Está a ser preparada a implementação de novos métodos de afugentamento das aves, com uma ainda maior intervenção de outras entidades, nomeadamente da Direcção Regional de Agricultura, no trabalho de conservação, com apoios comunitários para a aquisição de material para afastar as aves. Continuamos a monitorizar a espécie, como tem sido feito de três em três anos, desde há quinze anos. Vamos lançar o Atlas das Aves da Madeira, em parceria com privados, para avaliar a distribuição de todas as aves. Algumas espécies podem estar ameaçadas e não se saber neste momento.

JM – Ao nível das espécies como a Freira do Bugio, que passos serão dados?
PO – A União Europeia queria que fosse feito um inventário sobre a Rede Natura 2000 e as Zonas de Protecção Especial para as Aves para que fosse iniciada a expansão da rede Natura 2000 para a área marinha. Um conceito perfeitamente inovador e revolucionário que está a ser tratado ao nível das instâncias comunitárias. Projectos do Parque e da SPEA, com co-financiamento por parte da Secretaria Regional do Ambiente, apontaram as áreas para onde se deve estender a rede.
Está identificada, neste momento, uma série de áreas onde as aves marinhas se alimentam e onde permanecem quando estão no mar. A conservação terá de passar, depois da identificação, pela compatibilização das vertentes da economia e da manutenção das espécies de importância comunitária. Estão neste projecto inseridas oito a dez espécies de aves marinhas.
Este projecto passa por identificar as áreas importantes, por exemplo, para a Freira do Bugio, no mar, porque os trabalhos de conservação que fazemos em terra são apenas uma amostra da área de distribuição da espécie. E quando falamos em mar, não são as áreas costeiras, mas zonas em alto mar. Que, por exemplo, podem ser atravessadas por centenas de petroleiros por ano. Na medida do possível, e como exemplo das medidas potenciais a serem implementadas internacionalmente, poderá ser proposta a criação de corredores onde os navios não possam passar, mas tudo de forma a que ninguém fique prejudicado.

Quase um
quadro de voluntários​

JM – O parque tem vigilantes suficientes para as tarefas que estão a ser abraçadas?
PO – Meios humanos, logísticos e financeiros nunca são os suficientes. Quantos mais tivermos, melhor. Obviamente, na conjuntura que vivemos actualmente, temos de encontrar a relação entre as prioridades e os meios humanos existentes.

JM – Mas o Parque conta com um grupo de voluntários que normalmente fazem estadias no Verão. Não é possível contar com essas pessoas durante todo o ano?
PO – As deslocações de voluntários fora das épocas de férias e das épocas mais agradáveis é difícil. Não há voluntários para ir para as reservas no Natal, por exemplo. O que estabelecemos é uma simbiose, os voluntários que vão para as ilhas vão porque têm algum interesse. Mas as pessoas gostam da experiência e acabam por repetir. Os voluntários são muito ligados ao Parque. O projecto do Atlas das Aves, por exemplo, conta com a colaboração de dez voluntários que, para além das despesas que vão ter, não vão receber nada para trabalhar nos próximos anos.

JM - E para o Porto Santo? Quais são os planos?
PO – Vamos começar a fomentar as visitas às reservas marinhas que já existem. Temos já na ilha, em permanência, um vigilante residente e destacamos para lá outro da Madeira. Temos um posto de recepção na zona da Marina, já temos botes, uma moto-quatro e existe um projecto já aprovado para construir um centro de recepção e alojamento para os vigilantes. E temos ainda um projecto para criar um pólo de recepção de visitantes no Farol do Ilhéu de Cima, em parceria com a Marinha, em que será facilitada, também, uma zona de exposições. As embarcações marítimo-turísticas terão também oportunidade de fazer ali passeios com os seus clientes e estudantes, complementando as actividades de mar. A Câmara Municipal e a Direcção Regional da Administração Pública do Porto Santo têm dado todo o seu apoio a estas iniciativas.



Jornal da Madeira
 

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Αλέξανδρ&#
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Discussion Starter #103
Concordo plenamente, pode-se perfeitamente conciliar conservacionismo com a vertente económica, através de um turismo "controlado", a manutenção das reservas naturais tem custos, e não são leves :yes: antigamente a reserva natural tinha uma parte integral e parcial, actualmente não sei se ainda é assim.
Ainda um dia destes vi um programa sobre Fernando de Noronha, arquipélago que ao contrário das Desertas é habitado, e onde se concilia mto bem as duas vertentes, aqui nas Desertas irá funcionar tb bem concerteza...
 

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'tou na lua...
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Vi agora o thread, que belas paisagens... a aranha é que yuck... dormir lá? E se a meio do sono aparece a dita? :runaway:
 
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