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O Prof Godin
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[…O Arquitecto

O papel dos arquitectos e a sua contribuição no desenvolvimento da cidade e da sociedade em Portugal tem uma evolução lenta, desde a sua criação enquanto corporação, até aos dias de hoje . Criada em 1863 a Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, (R.A.A.C.A.P.), sob o impulso de J. Possidónio da Silva (1806-1896), arquitecto ligado à casa real que colaborou no projecto do Palácio da Pena em Sintra , evolui para a designação de Sociedade dos Arquitectos Portugueses (S. A. P.) em 1903. Em 1933 passou à designação de Sindicato Nacional dos Arquitectos, designação que manteve até à revolução de Abril de 1974. Posteriormente designou-se Associação dos arquitectos Portugueses (1978), passando ao estatuto de Ordem dos Arquitectos Portugueses em 1998 .

Em Portugal, como na Europa, a figura do arquitecto aparece ligada ao estado e ao poder. Só a partir do século XIX, se vê a divulgação da acção dos arquitectos, mesmo assim reduzida à execução de obras de carácter residencial, onde afirmam a sua diferença .

O aumento populacional do século XIX, e as crescentes necessidades de novos equipamentos e infra-estruturas, juntamente com o movimento termal e balnear, apresentaram possibilidades de trabalho na área da arquitectura. O actor interveniente era então, como agora, disputado entre arquitectos, engenheiros, desenhadores e construtores civis. Lendo a obra de Eça de Queirós e de Ramalho Ortigão, sobretudo “As Farpas”, a partir de 1871, e a compilação de 1942, encontra-se um retracto do Portugal actual, tanto da sociedade como da sua arquitectura. Pode-se concluir que a maior parte da arquitectura não era feita por arquitectos. No entanto foi uma oportunidade agarrada pela classe, primeiro com as habitações unifamiliares, depois os hotéis, os casinos, as termas, Planos Gerais de Melhoramentos , depois urbanizações, e os equipamentos complementares .



Figura 279. Póvoa de Varzim, Portugal. Estudo de frente urbana desenhado pelo arquitecto João de Moura Coutinho de Almeida de Eça. “A Arquitectura Portuguesa”, ano X, n.º1, Janeiro de 1917.


Nada disto era novo, há época, nem hoje. O recurso aos arquitectos estrangeiros foi sempre prática comum do estado português , entre outros, na Europa .

Se num segundo tempo, a partir dos anos 30 do século XX, Portugal já dispõe de um quadro técnico de urbanistas, formado sobretudo no Instituto de Urbanismo de Paris, que vai transpor para o planeamento ideias e conceitos aí defendidos, nomeadamente pelo arquitecto De Goer e da sua cidade orgânica de baixa densidade, no inicio do movimento balnear, em Portugal (1870), dispunha-se de 28 arquitectos , dos quais os mais destacados iniciaram os seus estudos em Portugal e terminaram-nos em Paris.
José Luís Monteiro (1849-1942), Ventura Terra (1866-1919), Adães Bermudes (1863-1947), Marques da Silva (1869-1947), Raul Lino (1879-1974), são um grupo representativo dos principais arquitectos, com obra publicada, que actuaram no contexto da arquitectura balnear. Todos fizeram os seus estudos em Paris, à excepção de Raul Lino, mais novo, que estudou em Inglaterra e na Alemanha.
A estes se acrescentarmos alguns nomes como Nicola Bigaglia, Norte Junior, Rosendo Carvalheira, entre poucos outros, encontramos um pequeno grupo, cuja actividade cobriu a maior parte do mercado, público e privado, da arquitectura num período de 30 anos, que engloba a primeira parte da arquitectura e do urbanismo balnear em Portugal.
Essa arquitectura caracteriza-se pela tipologia, moradia unifamiliar, obra individual ao gosto do cliente, segundo um padrão importado, “tipo”, no qual cada arquitecto tenta, o que Riegl diz ser a finalidade de qualquer artista: procura sobretudo satisfazer necessidades práticas e próprias ou as exigências dos seus ideais – o sentir da época.
O que marca e faz sobressair estas construções é a escolha do local, a sua implantação, o homem que as encomenda, o arquitecto que materializa o sonho subjacente e a natureza que as envolve, aspecto cenográfico de comunhão entre construção do homem e natureza que caracteriza o modelo de obra de autor, a Moradia de Prestigio.
Trata-se de um período de sonhos, romantismo, eclectismo, em que houve arquitectos capazes de construir este fascinante paradigma complexo do homem, que constitui a sua residência.


José Luís Monteiro (1849-1942).
O percurso de formação de José Luís Monteiro é bem elucidativo do que terá sido a formação de um arquitecto à época. Com 12 anos entra para a Real Academia de Belas-Artes de Lisboa onde estuda durante 10 anos. Em 1873, com 24 anos parte para Paris, bolseiro, onde se mantém durante 5 anos, concluindo o curso nas Beaux-Arts de Paris. Segue-se o “Grand Tour”, ainda como bolseiro, uma viagem pela Europa central, e uma estadia em Itália, que percorre, demorando-se mais em Veneza, Florença e Roma. Regressa a Portugal em 1880, com 32 anos. Casa em 1884 com 36 anos. Constrói a sua casa em 1893, aos 45 anos.
Ingressa na Câmara Municipal de Lisboa, em 1880, como técnico, cargo que manterá até à sua aposentação em 1909. Em 1881 passa a reger a cadeira de Arquitectura Civil, na Academia de Belas-Artes de Lisboa, onde se manterá até 1929. Em 1902 ajuda a fundar a Sociedade dos Arquitectos Portugueses. Paralelamente mantém uma actividade de projecto que se desenvolve na área da habitação, equipamentos e turismo. Destacam-se os projectos do Chalet Biester, Sintra (188?), o Real Ginásio Club Português (1883), o Mercado central de Lisboa (1885), Sociedade de Geografia de Lisboa (1897), a Estação Central dos Caminhos-de-ferro de Lisboa, Rossio (1886-1997), Hotel Avenida Palace (1890-1892); Chalet Faial em Cascais (1896); Capela do Chalet Palmela, Cascais (1919).

Fotografias…a seguir
 

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Uma dúzia de anos disto..
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Grandes threads, professor!!:applause:

Aqui uma minha modesta contribuição, Praça do Saldanha, Lisboa!;)
 

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Uma dúzia de anos disto..
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Não percebo o que se passa com essa casa. Julgo que não se encontra protegida, não se encontra porém inserida no plano de cérceas da Av.Republica. Porém e apesar de já há longo tempo ter as portas fechadas com tijolos, parece intocável!
É dos mais belos exemplares do inicio do século XX que Lisboa tem e mandá-la abaixo será dos maiores crimes arquitectonicos de todo o sempre na cidade!!:bash:
 

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Pois, não me parece que este edifício tenha salvação!
 

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O Prof Godin
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Os Grandes Equipamentos

Sociedade de Geografia - 1897




Estação e Hotel, Rossio - 1886






Real Ginmasio Clube Português - 1883


 

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Αλέξανδρ&#
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ena o interior do ginasio :D Godin diga-me se souber, este senhor foi quem projectou a ala Neomanuelina (apartir do portal oeste ate a entrada do museu da marinha) dos Jeronimos correcto?
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter #14
ena o interior do ginasio :D Godin diga-me se souber, este senhor foi quem projectou a ala Neomanuelina (apartir do portal oeste ate a entrada do museu da marinha) dos Jeronimos correcto?
Não creio. Talvez Possidónio da Silva que era arquitecto da casa real e esteve ligado à construção do Palácio da Pena…
 

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Αλέξανδρ&#
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tb pode ser mas são os dois da mesma epoca? n encontro nada sobre a data da ala neomanuelina mas vou consultar uns cardapios la em casa.
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter #17
O Possidónio é mais velho…
 

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Αλέξανδρ&#
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mais provavel fica então, acho k o projecto é um pouco anterior aos trabalhos de Monteiro...
 
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