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Ilha do amor
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Meu nome é Marcello Santos, cidadão do mundo”, apresenta-se. O epíteto que ele próprio se atribui não pode ser justificado apenas pelo fato de ser carioca, ter vivido em vários estados do Brasil e, hoje, residir em Fortaleza. Isso não é tão incomum. Curioso, mesmo, é que ele seja o responsável pela existência de grupos de maracatu nos Estados Unidos e na Alemanha. Além de em São Luís do Maranhão, claro. “Eu nasci em um oito de setembro, e no ano passado descobri que nasci no mesmo dia em que São Luís comemora seu aniversário. Aí me toquei: vai ver que é por isso que gosto tanto dessa cidade. São Luís é de Virgem”, especula Marcello com o horóscopo.

Vindo de uma família tradicionalmente ligada à escola de samba Portela, desde cedo Marcello Santos se interessou pelo que chama de “cultura percussiva”. Seu trajeto, até aí, não difere do de tantos outros percussionistas: foi para a Bahia estudar os ritmos afrodescendentes que para lá confluem. Aperfeiçoou-se em samba, em variadas danças do coco, mas, sobretudo, em maracatu. Posteriormente, fez um “tour” pelo nordeste e se deparou com algumas coisas estranhas: uma delas se chamava bumba-meu-boi de zabumba e outra, cacuriá. Veio parar no Maranhão.

Em São Luís, Marcello encontrou bons intermediadores no Laborarte, através do qual pôde se familiarizar com os ritmos maranhenses. Sua intimidade chegou ao ponto de levar o Tambor de Mestre Felipe, no ano passado, para participar da 2º Bienal Percussiva (em Fortaleza) e, depois, ensinar ritmos maranhenses a percussionistas do Ceará. Marcello, ao mesmo tempo em que aqui aprendia, ensinava: montou oficinas regulares para que maranhenses aprendessem as diversas nuances do ritmo do maracatu.

Grupo Upaon Açu

E assim começou a se formar o primeiro núcleo de jovens interessados por maracatu no Maranhão. No entanto, houve um problema óbvio: Marcello Santos não poderia ficar permanentemente em São Luís, visto que, em Fortaleza, ele é responsável por várias oficinas (muitas ligadas a projetos sociais) e por grupos de maracatu: o Tambor das Marias e o Batuqueiros da Caravana. “Quando é carnaval e os Batuqueiros vêm descendo, cara, não sobra nada, Fortaleza vai ao chão. É gente, muita gente. O povo todo vai atrás”, diz Marcello, com um tanto de orgulho.

Mas o problema teve uma solução simples, a qual se chama Elivaldo Rodrigues. Ele cresceu no bairro do Anjo da Guarda, onde ainda vive, e se encaminhou para os estudos de matemática, não sendo muito ligado aos tantos grupos folclóricos de seu bairro. No fim de seu curso de mestrado, realizado em Fortaleza, conheceu Marcello Santos em uma oficina de maracatu ministrada no Centro de Convenções. Desde então, tomou gosto pelo ritmo. Mas, afinal, por quê? “Eu gosto da sonoridade, que acho diferente. E do ritmo”, responde ele, econômico, embora sincero. Ao encontrar posteriormente com Marcello em 2006, em São Luís, decidiu dedicar-se ao estudo do ritmo: seu aprendizado básico transcorreu durante um ano e meio.

E foi dessa forma que Elivaldo pôde se tornar o monitor dos alunos de Marcello em São Luís. “A minha função é chegar em São Luís, passar o conhecimento e ir embora. São eles [alunos das oficinas] que têm de sentir a alegria e a tristeza da coisa, brigar e tudo mais. Eu só quero chegar e ser bem recebido”, brinca Marcello. Então, com a supervisão constante de Elivaldo e o ensino esporádico de Marcello, pôde nascer, em dezembro de 2007, o primeiro grupo de maracatu do Maranhão – o Maracatu Upaon Açu.

TEMPO
Com poucos meses de existência, o grupo já fez uma média de dez apresentações. Seu estilo segue a linha que, obviamente, também é seguida por Marcello: a do grupo e escola pernambucana Nação Estrela Brilhante, que toca ao estilo do “baque virado”. “É batuque de negro mesmo, lembra sotaque de zabumba”, comenta Marcello. O Upaon Açu tem, no momento, um número variável de integrantes. “São 25, em média. É que tem sempre um pessoal que entra no grupo e depois sai, outros que só tocam algumas vezes. É normal. Queremos que cresça não só o grupo, não só a gente, mas todo o movimento de percussão do Maranhão”, diz Camila Reis, uma das percussionistas que estão à frente do Upaon Açu.

FUTURO
Camila acredita que o maracatu possa a vir a ter longa vida no Maranhão. Mas, afinal, ele obteria algum destaque diante dos ritmos já tradicionais do estado, ou ficaria marginalizado? “Normalmente, os ritmos afrodescendentes têm compasso binário. Uma batida forte, uma batida fraca. O maracatu, assim como os ritmos daqui, tem compasso binário, se encaixa bem. Dá até para brincar com os ritmos, misturá-los. Dá para viajar em cima”, responde ela. Ruy Robson Serra, percussionista e dançarino que por vezes acompanha o Upaon Açu, tem opinião semelhante. “O maracatu pode ser incorporado à cultura maranhense. Ele tem uma pegada muito forte de percussão. E, se você for ver, a percussão maranhense e a pernambucana estão uma dentro da outra. Todas as duas têm essa coisa da marcação”, diz ele.


 

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Mameluco sangue azul
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Que maravilha! Bom saber que o nosso maracatu está se espalhando mesmo sem muito empenho dos pernambucanos.
 

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Cidade Lendária
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Adoooooro :D
 
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