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Metrô DF - Em busca da integração

2786 Views 4 Replies 4 Participants Last post by  gomessobral
Metrô: em busca da integração - DISTRITO FEDERAL - A chegada do metrô a Ceilândia será o ponto de partida para melhores serviços de transporte coletivo à população. Brasília convive hoje com um dos piores serviços do país. A frota de 2.400 ônibus do sistema convencional é velha e precária. Mais de 40% da frota tem idade média acima de 11 anos. Afora o sucateamento dos ônibus, os veículos que servem ao sistema alternativo são desconfortáveis; os transportadores autônomos carecem de treinamento; as normas de segurança são desrespeitadas; e a pirataria do sistema transformaos serviços de transporte em negócio fácil para contraventores.

O metrô é uma espécie de ''ilha de excelência'' no meio desse caos. No entanto, sua operação comercial demonstra-se inviável por ser onerosa e consumirmuitaverba pública. Caso fosse uma empresa privada, o Metrô-DF já estaria falido. O balanço contábil da Companhia do Metropolitano, empresa pública responsável pela operação do metrô, acaba de ser publicado no Diário Oficial do DF (dia 23/03/2006 - página 70) e traz dados desalentadores sobre a sustentabilidade econômica do metrô.

Segundo o balanço da companhia, o Metrô-DF funcionou regularmente no ano de 2005 em 254 dias, de segunda à sexta-feira, das 6h às 20h. Realizou 49.837 viagens e transportou 12,8 milhões de usuários. Mesmo com o aumento de 17,6% no número de usuários em relação ao ano de 2004, o metrô atingiu menos de 30% da demanda de usuários do transporte coletivo (convencional, alternativo, especial e clandestino).

Embora atenda uma demanda limitada, o Metrô-DF consome grande investimento público e a Companhia do Metropolitano é muito deficitária. Com as vendas de cartões e bilhetes, a companhia arrecadou no ano de 2005, segundo seu balanço, R$ 16,2 milhões. Essa arrecadação foi insuficiente até para pagar a folha de pessoal, que no ano passado consumiu R$ 39 milhões. Para fazer o Metrô-DF funcionar, o contribuinte de Brasília, usuário ou não do sistema de transporte, injetou na companhia R$ 130,2 milhões. Descontada a arrecadação própria, o prejuízo gerado para cada dia de operação foi de R$ 448,8 mil, ou seja, quase meio milhão de reais por dia.

O subsídio governamental ao Metrô-DF gerou dois tipos de usuário de transporte no DF. O usuário do metrô paga tarifa altamente subsidiada (R$ 1,50) e dispõe de um sistema moderno, veloz e confortável. Os usuários de ônibus e das vans - a grande maioria da população - não recebem subsídio algum, pagam tarifas aviltante de até R 3,50 e são transportados em veículos superlotados, velhos e inseguros. Ou seja, foi criado no sistema de transporte de Brasília a famosa ''Belíndia'' - uma pequena parte do povo tem sistema Belga e a grande maioria pena num sistema da Índia.

No ano de 2005,as obras do metrô até Ceilândia consumiram outros R$ 83 milhões. A exploração comercial do trecho deve contribuir com a entrada de mais dez mil novos usuários/dia. O que pode significar 2,6 milhões de usuários/ano. A receita própria do Metrô-DF deve subir dos atuais R$ 16,2 milhões/ano para algo em torno de R$ 19,5 milhões/ano. Tal incremento será insuficiente para fazer face até para as despesas de pessoal. Da maneira que foi deixado pelo ex-governador Roriz, o Metrô-DF é um poço sem fundo de subsídio e dependência econômica.

As soluções para o sistema de transporte coletivo do DF devem partir da integração das linhas de ônibus/vans com o metrô, particularmente com a conclusão do trecho até Ceilândia. Outra medida é a integração do transporte interestadual de Águas Lindas(GO) ao trecho do metrô Ceilândia/Plano Piloto.

Além dessas medidas, é fundamental promover a licitação das linhas exploradas pelo transporte alternativo para garantir aos usuários segurança, conforto e regularidade de horários em cada trajeto, bem como combater a clandestinidade que corrompe o setor. Para reger os critérios de todas essas mudanças, é imprescindível estabelecer normas rígidas que constem num Plano Diretor de Transporte, capaz de reordenar o atual sistema e de promover a qualidade do transporte urbano para as futuras gerações de Brasília.

A conclusão das obras do metrô até Ceilândia sem a integração com os serviços convencional e alternativo não resolve os problemas do transporte coletivo. O funcionamento da Companhia do Metropolitano, nos moldes atuais, também não pode continuar. É necessário potencializar os resultados comerciais da empresa, incorporando novas fontes de receitas e aumentando a demanda através do incentivo ao uso do metrô. São soluções como essas que Brasília espera de um novo governo.
Cadernos, Brasília, JB Online, Chico Vigilante, Jornal do Brasil, 08/04/2006.
Chico Vigilante é deputado distrital e presidente do PT/DF.
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Esse metro precisa de integração mesmo, e terminar as estações da asa sul. Sem isso é só mais um pra enorme lista dos elefantes brancos brasileiros
Precisamos de uma solução urgente! O sistema de transporte público de Brasília é um caos!
Gostaria de Conhecer mais sobre o sistema de transporte "metropolitano de Brasilia", aqui em São Paulo o Metrô desde sua criação foi projetado para itegrar o sistema de transportes e hoje existem muitas linhas de ônibus que fazem ponto final nos terminais junto às estações fazendo com quem mora mais distante do metro tenha acesso aos seus serviços, além de linhas que têm passagem pelas estações, ou seja aqui em Sampa quando você que ir a algum lugar sempre pergunta a alguem qual metro mais próximo ou em qual metro deve tomar o ônibus, então vai a minha pergunta, ai em brasilia quem mora longe do metro não tem esse beneficio, não existe um sistema integrado, então para que Metrô !?
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