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DESIGN
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Discussion Starter #1
O arquiteto Gustavo Penna já chegou a dizer que o Museu de Congonhas, localizado junto ao Santuário Bom Jesus de Matozinhos, foi o projeto mais desafiador de sua carreira. A declaração do arquiteto sobre o museu, inaugurado em 2015, foi antes dele assumir o plano arquitetônico para a construção do Memorial em homenagem às vítimas do rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho. A proposta do seu escritório, o GPA&A, foi a escolhida pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão Brumadinho (Avabrum) entre as quatro que foram apresentadas.(...)

“Ele conseguiu traduzir nossa dor. Captou a magnitude do crime e o que as pessoas que perdemos representam para nós. Nem o memorial nem nada no mundo conseguirá reconstruir o que foi perdido, mas queremos honrar essas vidas e que um crime como esse nunca mais volte a acontecer”


Do ponto em que estará o memorial, em um sítio adquirido pela Vale – que também será responsável por viabilizar a construção do espaço –, os visitantes poderão ver o trajeto por onde essa onda de lama passou arrastando tudo e todos que estavam no caminho.

Na entrada do ambiente, que terá 1.220 m2 de área construída, paredes e tetos serão fragmentados e retorcidos, dando a impressão de terem sido também impactados pelos rejeitos da mineração. A iluminação do ambiente escuro se dará por meio de fendas. A escolha pela entrada de luz natural permitirá que um facho ilumine um agrupamento de cristais, materializando o sol que foi encoberto pela poeira densa da lama.

O rompimento da barragem deixou 270 mortos na contagem oficial. As famílias contam 272 mortes, incluindo dois bebês que estavam nas barrigas das mães. Uma delas, Eliane de Oliveira Melo, que estava grávida de cinco meses, era irmã de Josiane.

Agora, na proposta do escritório de Penna, ao arvoredo original do terreno de cinco hectares, irão se juntar 272 ipês. A escolha, segundo o arquiteto, é pelo fato de ser uma árvore do cerrado que cresce a despeito das dificuldades. “Quando a seca aperta, o ipê floresce de amarelo para mostrar que a vida continua”, diz Penna. “Há uma lição de otimismo e superação.”

O projeto foi elaborado também como uma fenda, na medida em que o espaço construído estará abaixo do nível da superfície – a opção remete à ideia de fissura. O percurso de 230 metros, que incluirá um espaço de memória, com projeções de imagens e vídeos, e uma espécie de cripta para os segmentos corpóreos das vítimas que foram localizados após os enterros, transportará o visitante ao ponto onde aconteceu o desastre. Os nomes das 272 pessoas atingidas estarão fixados nas paredes, acrescidos de suas datas de nascimento e morte









O trajeto termina em um lago cuja fonte de água parte de um corte único em uma escultura inclinada em forma de quadrado – a peça é um monumento às vítimas fatais e será o único elemento vertical em todo o conjunto arquitetônico. Na concepção do arquiteto, ela representará as lágrimas do homem. “Quando houve o rompimento, como mineiro, senti uma profunda dor acompanhada de vergonha”, relembra Penna. “Como fomos deixar um desastre dessa proporção ocorrer?






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res severa, verum gaudium
Egal ob Baden oder Schwaben
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Esses projetos são impactantes acima do belo ou do feio. Não podem se sobressair por si só, pois são dedicados à memória de vítimas de uma tragédia, mas tampouco podem ser feios a ponto de serem um desrespeito com os que partiram.

gostei bastante. Espero que esse e o de Santa Maria saiam.
 

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Campo Grande é Feliz!!
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Me emocionei apenas em ver!
 

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Praised be
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Eu estou em choque e maravilhado. Um emaranhado de sentimentos à flor da pele. É o monumento mais perturbador, doloroso e icônico que já vi em toda a minha vida.

Parabéns ao Gustavo Penna, ele se superou. Obra poética e atemporal.
 

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Realmente é surpreendente! Não pensei que esse memorial fosse ser de alto nível.
 

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vira-lata caramelo
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Primeiramente mais uma vez meus sentimentos a todas as famílias que perderam entes queridos.

Dito isto, entendo que o episódio deve ser lembrado para que não aconteça mais, porém acho que ficou pesado demais do jeito idealizado e pode trazer emoções muito mais angustiantes que reconfortantes para o visitante. Entrar nesse memorial e ainda mais por ser abaixo do nível do solo vai dar uma sensação muito ruim de soterramento e consequentemente uma associação com o que as vítimas passaram. Ainda mais por tudo ser feito na mesma cor do rejeito.

Fico imaginando o que um parente vai sentir quando entrar nisso aí. Eu não entraria. Chance enorme de piorar a depressão que começou com a perda do familiar.
 

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DESIGN
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Discussion Starter #10
Primeiramente mais uma vez meus sentimentos a todas as famílias que perderam entes queridos.

Dito isto, entendo que o episódio deve ser lembrado para que não aconteça mais, porém acho que ficou pesado demais do jeito idealizado e pode trazer emoções muito mais angustiantes que reconfortantes para o visitante. Entrar nesse memorial e ainda mais por ser abaixo do nível do solo vai dar uma sensação muito ruim de soterramento e consequentemente uma associação com o que as vítimas passaram. Ainda mais por tudo ser feito na mesma cor do rejeito.

Fico imaginando o que um parente vai sentir quando entrar nisso aí. Eu não entraria. Chance enorme de piorar a depressão que começou com a perda do familiar.
Entendo perfeitamente seu ponto, ainda está muito recente e dolorido. Cada um reage de uma forma.
O memorial foi idealizado e aprovado pela própria Associação dos Familiares das Vítimas (AVABRUM)
 

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vira-lata caramelo
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O memorial foi idealizado e aprovado pela própria Associação dos Familiares das Vítimas (AVABRUM)
Primeiramente devo dizer que sou a favor de um memorial.

Apesar disso, não dá pra dizer que uma associação tem a mesma posição dos indivíduos que sofreram com isso. Mesmo que não gostem, o que vão falar? Não é essa a questão. Estou só comentando que achei muito pesado.

Além disso, as novas gerações são muito sentidas. A pessoa visita Ouro Preto e até passa mal quando visita uma senzala. Acho que tem que ter um memorial sim, mas não é um tipo de turismo que eu ache positivo. Traz mais energia ruim que boa. Tipo uma "indústria do sofrimento". Pelo menos do jeito que está.
 

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Não creio no que não vejo
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Não consigo opinar a estética com um pano de fundo tão pesado. Vou me manter neutro.
 

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Discussion Starter #13
O escritório Rizoma arquitetura, responsável por várias obras em Inhotim, em parceria com escritório alemão Mückenheim, divulgaram a proposta deles para o Memorial.
Igualmente excelente como o projeto do Gustavo Penna e algumas similaridades. Confesso que não sei mais qual ficou melhor.





MCKNHM
 
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