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Projeto educacional da João Diniz Arquitetura.





O terreno de 52440 m2 onde será construído o Campus II da Fumec, Fundação Mineira de Educação e Cultura, em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, está localizado no Bairro Vila da Serra, região que vem sendo ocupada a partir do final dos anos 80 e gera ao longo dos anos uma imagem urbana de múltiplos e contraditórios elementos, apesar do parcelamento e edificações atenderem em sua maioria à legislação municipal.

A bela paisagem natural no horizonte leste é composta por montanhas da Serra do Curral D´el Rey, principal moldura e cenário, que se encontra, na sua maior parte, ocupada por condomínios particulares e residências unifamiliares.
A Alameda da Serra, principal acesso ao local, está numa posição elevada, quase a cumeada da serra, e, junto com o seu entorno, conforma a imagem típica de uma avenida em rápida expansão: edifícios de serviços e residenciais em diferentes alturas, pequenas construções para diferentes negócios, residências unifamiliares, dois hospitais, dois edifícios da Faculdade Milton Campos e o edifício sede da Fiat automóveis, ocupam a acidentada topografia.

Do lado oeste, do outro lado da montanha, está a cidade de Belo Horizonte, daquele ponto não visível, mas próxima e pulsante.

O Campus II da Fumec será para a área um elemento indutor de novas transformações. Conforme o Programa de Necessidades contará com Centros de Ciências Exatas, Humanas e Sociais, Espaços da Administração Geral, incluindo Reitoria, Auditório e Biblioteca áreas de circulação, livres e de estacionamentos, num total de 75000m2 construídos configurando significativo, senão o maior, local de encontros e participação na região. Uma expansão futura prevista levará o Campus a 120000m2, chegando no limite máximo do coeficiente de aproveitamento estipulado em 2.4.

De maneira a qualificar esse entorno cheio de contradições, o Campus II deve aparecer na paisagem de maneira própria e marcante, propondo uma ordem forte dentro dos limites de sua área, contrastando com o caráter comercial e imobiliário da maioria das construções vizinhas.

A somatória dos volumes construídos deve surgir numa espécie de continuo orgânico e coerente propondo um novo modelo tipológico para a área, que por sua dimensão e ordenação radical, se opõem à cultura imobiliária do pequeno lote, da excessiva variação construtiva, da confusa e caótica imagem do entorno, marcando assim a presença e missão da Fumec. A imagem recorrente da quadra com vários edifícios diferentes entre si camuflaria a unidade do Campus II no bairro, o que não é desejável.

O Plano Diretor, nestas condições, deve não só indicar as áreas da implantação dos edifícios, e circulações, mas definir os volumes construídos com suas principais malhas geométricas espaciais e suas articulações; a nova modelagem do terreno, as definições das áreas livres, seus níveis e sistemas de estacionamentos.

A topografia é elemento marcante na análise das condições naturais e indica o eixo perpendicular às curvas de nível como a linha ordenadora dos edifícios e das circulações. A rua interna com 10 metros de largura de circulação liga a principal entrada junto à Alameda da Serra, descendo perifericamente junto à Rua do Campo, dobrando junto à maior divisa do lote até alcançar a Rua do Vale onde se tem o segundo acesso ao Campus.

Este eixo ordenador também articula os espaços construídos. Os edifícios são lançados linearmente ao longo desta linha definindo as áreas ocupadas através de uma malha estrutural de 10m x 10m com 4m de pé-direito, gerando edifícios com 30m de largura e diferentes alturas, conforme a queda do terreno e inclinação da cobertura. Os níveis de implantação, a seqüência dos prédios e áreas de projeção modelam o conjunto.

É importante que o amplo horizonte, que se tem ao leste, não seja bloqueado e que as edificações se desenvolvam abaixo desta linha. A cobertura rampada em 10% é importante elemento físico e simbólico. Ela define o limite superior dos edifícios num crescimento progressivo que libera a bela vista ao longo da avenida, promove a unidade de todas as construções, funciona como área de estacionamento e acesso para as três escolas. Este espaço no topo dos prédios sugere que todos os usuários do Campus estão abrigados sob ´um mesmo teto´ e até que as atividades de estudo e ensino promovem a ascendência pessoal e coletiva.

Desta forma, o Edifício da Administração Geral - com as áreas da Reitoria, da Biblioteca e do Auditório - aparece no primeiro modulo acessado pela Alameda da Serra, com diferentes níveis de implantação entre cotas 0,00m e –20,00 m. Estes espaços podem ser acessados pela frente ou pela lateral ao longo da via interna, onde se tem um passeio que se soma a uma ampla marquise sob os edifícios e conduz à área das escolas.

Este caminhamento atinge o grande pilotis em dupla altura no nível –30,00m, sob as três escolas. Aí está a Área de Sociabilidade, vital para a vida do Campus, integrando as escolas, oferecendo diversos serviços de apoio como lojas, restaurante e bancos; de onde se tem vista panorâmica do horizonte e livre acesso ao anfiteatro e praça, biblioteca, capela e quadras. Neste setor estão situadas também as áreas de acesso a cada uma das escolas através de três halls que contêm cada um portaria, escada, elevadores e rampa de acesso, garantido acessibilidade a portadores de necessidades especiais, preocupação que deve permear todos os aspectos do projeto. O convívio nesta área integrada a todas as escolas, une os estudantes do Campus num grande estar coletivo, sem fragmentar os diversos grupos, ou isolar-se em edifício especifico.

Nas Escolas os espaços aparecem ao longo da faixa de 30,00m, a partir da malha de 10m x 10m, onde se tem dois tipos de pavimentos. Nos Pavimentos mais baixos, onde se localizam as atividades administrativas, a plataforma é praticamente toda ocupada, com exceção de vazios intercalados; nos pavimentos das salas de aula aparece um grande vazio central, com iluminação e ventilação zenital, que integra verticalmente os andares, promovendo um alegre encontro entre os estudantes, onde os ambientes se ligam através de passarelas, da rampa, elevadores e escadas. Estes vazios desempenham importante papel no conforto ambiental dos edifícios funcionando como duto aberto de ventilação conduzindo o ar verticalmente desde o Grande Pilotis até o domus linear na cobertura rampada onde estão os acessos superiores ás escolas através do Estacionamento 1.

A verticalização no desenvolvimento de cada uma das escolas surge como sugerida no Programa de Necessidades a fim de liberar áreas livres no terreno. Desta forma os espaços aparecem sucessivamente com diferentes números de andares.

Junto à Praça no nível –30 está a área de expansão do Campus que aparece sobre o estacionamento 3, onde sua estrutura pode ser lançada na mesma modulação mantendo as vagas existentes e igualmente integrada á Área de Sociabilidade.

O Plano Diretor dará as diretrizes para que se projetem os diversos edifícios do Campus II definindo a modulação estrutural, circulações e volume construído. Ele poderá definir futuramente um sistema construtivo padrão, combinado com estrutura metálica ou em concreto protendido, deixando a cargo do projeto de cada escola as soluções para os fechamentos com respostas a diferentes orientações e vistas, layouts internos, materiais de acabamento e arquitetura de interiores. Desta forma está garantida a unidade geral do conjunto através da pré-definiçao de seu volume e modulação estrutural enquanto ficam abertas as possibilidades do tratamento diferenciado de cada módulo.

Os estacionamentos são também de significativa importância para o funcionamento do Campus. A fragmentação do total de 1440 vagas em diferentes locais facilita o acesso a cada um dos setores e dilui visualmente a massa de veículos. Haverão quatro áreas principais a este fim destinadas. O Estacionamento 1 está sobre a cobertura rampada com vagas, o Estacionamento 2 serve à Administração Geral com vagas, o Estacionamento 3 está junto à praça e Área de Sociabilidade - estas três áreas contarão com significativo tratamento paisagístico que as transformarão em bosque sombreados. Os pisos das áreas 2 e 3 serão em elementos intertravados drenáveis de concreto, garantindo a permeabilidade do solo e a presença do verde.

Sob a via interna principal está a Galeria Geral de Serviços por onde passam as principais instalações hidráulicas, elétricas, telefônica, lógica, e demais serviços. A proximidade aos edifícios garante facilidade de manutenção. Nesta Galeria estarão as subestações e câmaras transformadoras relativas a cada um dos edifícios. As águas pluviais e provenientes de esgotos não sanitários deverão ser tratadas e para que possam ser reutilizadas para fins não potáveis.

O Campus II da Fumec, mais que uma extensão da cidade, é uma outra cidade dentro da maior - saindo-se de uma entra-se na outra. O saber transforma a pessoa e o acesso a ele é livre e claro. Os edifícios, quando promovem emoções e sentimentos, são vivos como os usuários. Encontrar um mundo próprio com vistas à natureza e ao futuro é o objetivo dos que querem crescer através da educação. O Campus II é o local do encontro consigo mesmo, com o colega, com o professor, com a profissão.
Créditos: João Diniz Arquitetura
 

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Bonitas as instalações, apesar de eu ter ficado confuso com tanto modelo, render, croquis, o escambau.
Espero que saia, isto é, se construa. Ou será mais um projeto "sonho de uma noite de verão"...
 

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Não creio no que não vejo
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A sede da reitoria é medonha, já o prédio do câmpus é agradável.
 

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Foi bom voce ter nos mostrado a foto do terreno vazio...planos e mais planos de edificios lindos e alguns nem tanto! Mas na hora de sua concretizacao e que sao elas. Apenas 10% vao adiante.
Isto e Brasil!
 

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BRUSSEAU
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eu não entendi é pq q a foto de 07/2016 é exatamente a mesma de 11/2014 haha
 

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Discussion Starter · #14 ·
Quis mostrar que ela ainda não foi para frente apesar de todos estes meses, como o GIM disse. Possivelmente, a fundação pode estar adiando os investimentos ou simplesmente ter cancelado o projeto. Não encontrei informação na mídia eletrônica e ter visto o terreno vazio pode significar falta de recursos financeiros para viabilização.

Uma pena, pois caberia perfeitamente por ali e com uma arquitetura no mínimo fora do trivial.
 
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