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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) dentro do programa Using Regional Climate Change Scenarios for Studies on Vulnerability and Adaptation in Brazil and South América (Usando Cenários de Mudanças Climáticas Regionais para Estudos de Vulnerabilidade e Adaptação no Brasil e na América do Sul), patrocinado pelo Reino Unido, indica que o aumento do aquecimento global provocado pelo efeito estufa pode causar, num futuro próximo, uma queda significativa na produção de energia renovável no Nordeste, a região mais afetada com as mudanças climáticas no Brasil. O vetor mais atingido será o hidráulico, que responde por mais de 85% da geração de energia elétrica do Nordeste.

A pesquisa, inédita, que será divulgada nesta segunda (2) no Rio de Janeiro, faz uma projeção de que, entre 2070 e 2100, a vazão do Rio São Francisco, que atualmente gira em média em torno de 2.850 metros cúbicos de água por segundo (m³/s), pode ser reduzida em 26,4%, diminuindo a capacidade de geração de energia hidrelétrica das usinas do rio em até 7,7%, no quadro mais pessimista estipulado na pesquisa para o futuro, o chamado “Cenário A2”, descrito como de altas emissões de gases que provocam o efeito estufa, principalmente o CO2 (gás carbônico).


Atualmente, a capacidade de geração do sistema da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) é de 10 milhões, 618 mil e 327 quilowatts, oriundas das usinas de Sobradinho, Luiz Gonzaga, Complexo Paulo Afonso, Usina Piloto e Xingó, que abastecem regularmente todos os Estados nordestinos contando sempre com um bom período de chuvas na bacia hidrográfica do Velho Chico.

O professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da UFRJ, citou, no texto de apresentação do trabalho, o paradoxo do fato de as fontes renováveis de energia – que caracterizam o sistema brasileiro – ser fundamental para combater o efeito estufa e atrasar o processo de aquecimento global, mas, por outro lado, depende de condições climáticas favoráveis. Ou seja: “Estão potencialmente sujeitas a impactos do próprio fenômeno que pretendem evitar”, disse.

A pesquisa, que recebeu o nome genérico de Mudança climática e energia – Impactos no Brasil, buscou identificar e antecipar problemas que o Brasil enfrentará devido ao efeito estufa para poder desenvolver estratégias visando diminuir e superar os problemas na área de geração de energia, essencial para a melhoria das condições de vida da população e o crescimento do País.

Cautela – Os pesquisadores ressalvam inicialmente que os resultados do estudo devem ser interpretados com cautela, “tendo em vista a grande incerteza sobre a evolução futura das emissões de gases do efeito estufa”, mas ponderam que o levantamento pode apontar tendências sobre o que poderá ocorrer se as taxas de CO2 continuarem crescendo.

Em relação à energia gerada pelas hidroelétricas, o sistema depende diretamente “da circulação fechada da água entre a superfície do planeta e a atmosfera”, diz o trabalho, indicando que o aquecimento global mudará o sistema de chuvas no Brasil, mostrando-se mais nefasto na Bacia do Rio São Francisco.

O que deve amenizar o problema é o fato de as hidrelétricas nordestinas usarem grandes lagos como reservatórios de água que agem como “amortecedores, gerenciando a quantidade de água disponível para a geração de energia”. Contudo, período longos de seca determinarão que a Chesf utilize por mais tempo a geração de energia através de termoelétricas a gás, como, inclusive, já vem ocorrendo.

Outra matriz energética que será muito afetada no Nordeste é a eólica (vento). As mudanças climáticas causarão uma redução de 60% na velocidade dos ventos no interior nordestino, que, nas medições feitas em 2001, atingiam velocidades médias de 7,5 a 8 metros por segundo.

O mínimo considerado favorável para a produção de energia através das turbinas eólicas usadas no Brasil, Enercon E70, com capacidade de 2,3 megawatts em torre de 100 metros de altura, é de 6 metros por segundo. Por outro lado, haverá um aumento da velocidade eólica no litoral nordestino podendo chegar a 8,5 m/s, o que tornará mais viável economicamente a instalação de usinas eólicas nessas áreas.

http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf?id=894377
 
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