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A região Norte tem a maior taxa de fecundidade do País, conforme mostra o estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Os dados levantados pelo Ipea comparam a taxa de fecundidade das cinco regiões do Brasil entre os anos de 1992 e 2009 - e colocam o Norte no topo do índice nacional, com a taxa de 1,9 filho. Em 1992, este mesmo indicador era de 2,8 filhos - volume que representava a segunda maior proporção dentre as demais regiões do País, sendo que o Nordeste apresentava a mais elevada taxa de fecundidade do Brasil, com 3,1 filhos. Os números do Ipea mostram que, atualmente, uma mulher nordestina tem em média 1,7 filho - a segunda maior da Nação. Na região Centro-Oeste, este mesmo indicador é de 1,6 filho, e no Sul e Sudeste o índice de fecundidade é igual e corresponde a 1,4 filho.

Todas as regiões tiveram redução na taxa de fecundidade entre 1992 e 2009. As retrações foram em todos os grupos sociais, mas com ritmo diferenciado, sendo que as mais acentuadas foram registradas nas regiões Nordeste e Norte, com descenso de 3,1 para 1,7 filho e 2,8 para 1,9 filho, respectivamente. A diferença de número de filhos entre as regiões também foi reduzida. Se em 1992 uma mãe do Nordeste tinha 1,2 filho a mais que uma residente na região Sudeste, em 2009 esta diferença caiu para 0,3 filho. De forma parecida, o diferencial entre as mulheres nortistas e as do Sudeste foi de 0,5.

Adolescência - Também na região Norte está o maior índice de fecundidade na adolescência. Este índice declinou em todas as regiões do País, conforme indicam os números do Ipea, na comparação entre os anos de 1992 e 2009. As menores taxas foram observadas nas regiões Sul e Nordeste. Nos dois anos estudados as mulheres do Norte do País são mães mais cedo. Em 1992, as mães mais distantes da adolescência foram observadas na região Sudeste e, em 2009, na região Sul.

O diferencial entre as regiões diminuiu no período considerado. O indicador nacional mostra que, no ano de 1992, para cada mil mulheres de 15 a 19 anos, registrou-se 91 filhos nascidos vivos. No ano passado, esta taxa se reduziu para 63 filhos nascidos vivos por mil mulheres. O estudo mostra que o aumento da fecundidade na adolescência é uma das consequências das mudanças na família, principalmente quanto à dissociação da sexualidade do casamento.

Mesmo sem a distribuição por região, é possível avaliar a população em idade ativa no âmbito nacional. Em 1992 a população menor de 15 anos representava 33,8% da população total. Já em 2009 esta proporção desabou para 24%. Por outro lado, a população idosa, que respondia por 7,9% da população brasileira, passou a responder por 11,4%. A População em Idade Ativa (PIA) também aumentou sua participação, tendo passado de 58,3% para 64,6%. Mas, também, envelheceu. A justificativa para a mudança no ritmo de crescimento da população está na alta velocidade da queda da fecundidade e da mortalidade e, também, na distribuição etária e na oferta de força de trabalho.

O estudo também mostra que, quanto maior é o grau de escolaridade, menor é a taxa de fecundidade nas diversas camadas da sociedade. A fecundidade também diminuiu em todos os grupos considerados. No ano de 1992, uma mulher com nível de educação mais baixo tinha 1,8 filho a mais que aquela com escolaridade mais alta. Por outro lado, em 2009, esse diferencial se reduziu para 1,3 filho. A maior redução foi observada entre as mulheres com a mais alta e a mais baixa escolaridade.

População do Brasil chega ao pico em 2030

A população brasileira deve atingir o pico em 2030, somando 206,8 milhões de pessoas. A partir de então, a expectativa é que comece a diminuir em números absolutos, e em 2040 seja de 204,7 milhões. A conclusão faz parte de um estudo apresentado ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), com base nos dados da Pnad/IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

De acordo com a análise, a desaceleração do ritmo de crescimento populacional, tendência verificada no país desde a década de 1970, pode ser explicada pela redução da mortalidade acompanhada pela queda na fecundidade. Esse movimento deve provocar importantes mudanças em sua estrutura etária, que "poderá diminuir a partir de 2010 e apresentar uma população superenvelhecida, reproduzindo a experiência de vários países da Europa Ocidental, da Rússia, do Japão etc". O estudo ressalta que esse movimento ocorre no Brasil em "velocidade acelerada".

A taxa de fecundidade em 2009 manteve os níveis observados nos dois anos anteriores, de 1,8 filho por mulher, bem abaixo do chamado patamar de reposição (2). Os técnicos do Ipea estimam para esta década uma taxa média de crescimento da população de 0,9% ao ano, menos de um terço da observada para o período 1950-1970 (3% ao ano), quando a população brasileira registrou as mais elevadas taxas de crescimento.

Segundo o levantamento, a redução na fecundidade foi observada de maneira generalizada, em todas as regiões do país, em todos os grupos sociais, e nos variados níveis de escolaridade, embora com ritmo diferenciado. Entre os anos de 1992 e 2009, a diferença entre a fecundidade das mulheres nordestinas (taxa mais elevada naquele ano) e a das residentes na região Sudeste caiu de 1,2 filho para 0,3 filho.

Esses diferenciais também estão caindo na comparação entre as camadas de renda. Em 1992, as mulheres com renda mais baixa tinham 3,4 filhos a mais do que aquelas de renda mais alta. Em 2009, o diferencial havia caído para 2,4 filhos. O estudo destaca que as brasileiras com rendimentos mais elevados apresentam taxas de fecundidade "extremamente baixas" (1 filho por mulher), inferiores às de países como a Itália, Espanha e o Japão.

Entre as adolescentes com idade entre 15 e 19 anos, também houve queda no nível de fecundidade, passando de 91 filhos nascidos vivos em cada mil mulheres, em 1992, para 63, em 2009.

http://www.orm.com.br/amazoniajornal/interna/default.asp?modulo=222&codigo=494928
 
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