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A partilha do Parthenon
Novo Museu da Acrópole quer receber de volta afrescos levados por ingleses

Anthee Carassava
Do New York Times

Ainauguração do Novo Museu da Acrópole, em Atenas, na Grécia, no último fim de semana, marcou o fim de décadas de adiamentos e polêmicas, que se arrastaram durante a construção desse edifício moderno e de grandes proporções, para acolher e exibir artefatos do mais importante sítio arqueológico do país. O museu, que custou US$ 200 milhões e tem vista para o Parthenon, é um dos projetos culturais mais ambiciosos da Europa nesta década.
Planejado para ser a “maior vitrine da civilização clássica”, segundo o ministro da Cultura grego, Antonis Samaras, o museu foi construído para fomentar o turismo e para estimular o orgulho nacional. Contudo, também foi criado com a intenção de causar desconforto em outro país da União Europeia.
— Nós não o erguemos por causa dos ingleses, mas dê uma boa olhada ao redor e me diga: isso não refuta o argumento de que Atenas não possui um lugar bom o bastante para abrigar os Mármores do Parthenon? — indagou Samaras.

Há mais de 30 anos a Grécia tenta, por meios diplomáticos e por ofensivas de relações públicas, recuperar os Mármores Elgin, que são partes de um friso decorativo que embelezava o Parthenon até que lorde Elgin ordenou sua retirada no começo do século XIX, quando era embaixador britânico para o Império Otomano. Anos depois, falido, ele vendeu os ornamentos para o Museu Britânico, onde são uma grande atração desde 1816.

Projeto previa abertura em 2004

Hoje, quase dois séculos depois, muitos gregos esperam que a inauguração do museu atraia a atenção do mundo para a reivindicação pela volta dos mármores e silencie o velho argumento da Grã-Bretanha de que a Grécia não tem condições melhores de cuidar dessas relíquias de 2.500 anos. Há duas semanas, o governo grego recusou uma oferta do Museu Britânico de emprestar a coleção de baixos-relevos por três meses, porque vinha acompanhada da cláusula de que os gregos teriam que reconhecer o direito de posse britânico.

— Isso inviabiliza qualquer início de discussão. Nenhum grego poderia assinar embaixo disso — argumentou Samaras.
O novo museu, com 20.995 metros quadrados de vidro e concreto projetados pelo arquiteto suíço Bernard Tschumi, toma o lugar do velho Museu da Acrópole, pequeno prédio de 1874 incrustado numa rocha ao lado do Parthenon. A planta, apresentada em 2001, deveria ter sido executada a tempo para os Jogos Olímpicos de 2004, porém dezenas de batalhas jurídicas — muitas delas relacionadas a cerca de 25 edifícios que foram demolidos para abrir espaço — atrasaram o processo.
Mesmo agora, nem todos estão satisfeitos com a construção, enfiada em um bairro residencial.

— É como se um óvni de titânio tivesse aterrissado na vizinhança, destruindo todas as estruturas ao seu redor — definiu o renomado escritor Nikos Dimou.
O museu de cinco andares oferece espaço para quatro mil artefatos, dez vezes mais que o prédio antigo. No primeiro andar, um chão de vidro dá aos visitantes a chance de ver de cima um assentamento cristão que existiu entre os séculos VII e XII, descoberto sob as fundações do novo prédio durante escavações em 2002.
Uma rampa de vidro leva ao segundo andar, onde há objetos dos períodos arcaico e clássico. Mas é o terceiro piso, uma galeria envidraçada, que dá a Samara e a outros gregos esperança de avanços na luta pela recuperação dos afrescos.
Inclinado 23 graus em relação ao eixo dos pisos inferiores, para ficar paralelo ao Parthenon, o ambiente parece independente do museu. Lá, veem-se o que restou na Grécia das esculturas e ornamentos originais do Parthenon, ao lado de modelos de gesso das partes que estão em Londres. O contraste entre o branco das cópias e a cor de mel dos mármores é gritante.

— Queríamos que fosse assim.
Será que alguém não perceberá que o torso está aqui, e a cabeça, na Inglaterra? — perguntou o diretor do museu, Dimitris Pandermalis.
A Grécia conserva apenas 36 dos 115 painéis originais do friso do Parthenon, que mostra uma procissão em homenagem à deusa Atena. A Grã-Bretanha afirma, há muito tempo, que, quando lorde Elgin removeu as esculturas, ele agiu dentro da lei, já que tinha permissão dos governantes otomanos da Grécia. Essa legalidade, porém, tem sido contestada por acadêmicos gregos nos últimos anos, com apoio do governo.

— Essa alegação é ridícula. É como dizer que os nazistas tinham o direito de pilhar obras de arte durante a Segunda Guerra Mundial — comparou George Voulgarakis, exministro da Cultura grego.
A Grécia tem feito esforços para conseguir apoio internacional à campanha de repatriação, indo além de simples reivindicações. Em 2007, por exemplo, ela juntou forças com a Itália para caçar ladrões de antiguidades e negociantes de obras de arte roubadas. Pelo menos 25 peças retornaram à Grécia, incluindo pedaços do Parthenon que estavam há décadas em museus na Itália, na Alemanha e no Vaticano.


Um arquiteto não ortodoxo
Associado ao desconstrutivismo, o trabalho do arquiteto suíço Bernard Tschumi, que tem um grande escritório em Nova York, é marcado por uma geometria arrojada, fragmentada e com elementos não ortodoxos.
Não é difícil entender o porquê de seu projeto ter causado polêmica em Atenas, cidade pela qual a História Antiga está espalhada.
Até o início da década de 1980, Tschumi era mais conhecido pela teoria do que pela prática, defendendo ideias como a de pensar o uso do espaço de formas inovadoras, contestando velhos padrões. Seu desenho de 1989 para a Bibliothèque de France, por exemplo, propunha uma pista de corrida e uma área de esportes no telhado, fazendo interseções com os pisos logo abaixo, de modo a provocar um impacto da atividade física na literária e vice-versa.

Seu primeiro grande trabalho data de 1982, quando sua planta para o Parc de la Villette, na França, foi escolhida a vencedora de concurso público.
Nela, Tschumi criou espaços para a música e um complexo dedicado à ciência.



O GLOBO, hoje
 

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carioca
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Agora eu quero ver qual vai ser o argumento dos Ingleses. Pra mim isso foi furto, por tanto nada mais justo que esses afrescos voltem para o seu local de origem.
Isso pode ser o começo de uma reviravolta dos patrimônios históricos da antiguidade, porque muitas das maiores atrações dos museus europeus foram simplismente roubadas, e todo mundo parece ignorar isso.
 

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Discussion Starter · #3 ·
^^ Infelizmente a resolução da UNESCO classifica o patrimônio grego de "pertencente a todo o Mundo Ocidental".

Há uns casos em que a pilhagem nem faz falta, como no patrimônio do Egito Antigo. Eram tantas necrópoles, que não haveria estrutura para expôr tudo. Se a maior parte do acervo do Museu do Cairo está apenas guardada...
 

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Os ingleses, fossem eles arqueólogos ou simples desbravadores, foram, do século XVII ao início do século XX, os maiores ladrões da história. Nenhum povo, em tempo algum, roubou tanto e com tanta consciência de que estava roubando. Mas, é inegável, é delicioso entrar no Museu Britânico em Londres e deparar-se com aquela maravilha, entre muitas outras, também resultado de pilhagens. Aliás, há uma máxima que diz: "Quem diz que o crime não compensa, não conhece Londres"...
Prefiro não emitir minha opinião pois poder ver essas maravilhas e ainda curtir a capital inglesa é muito bom. É justo que os gregos queiram seu patrimônio de volta, mas tirá-lo de Londres agora...ia comprometer o apelo daquela cidade. Honestamente, deixem em Londres, eu prefiro. Agora podem me atacar a vontade...
 

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Discussion Starter · #5 ·
Os ingleses tinham legitimidades não apenas da força ou da política, mas de teorias de Darwinismo Social que os classificavam como "os mais desenvolvidos", superiores a todos os demais. Esse era o ideal dos Museus Nacionais: reunir, de modo graduado, a história do progresso da humanidade, dos mais primitivos aos "civilizados".

O argumento dos nazistas foi de matar. Mesmo o melhor sofista conseguiria refutar isso?

Claro, deve ser ótimo encontrar artefatos do mundo inteiro num só museu. Mas, francamente, vivemos num mundo de meios de transporte desenvolvidos, não faz sentido manter ideais aristocratico-burgueses do século XIX. Pode-se viajar à Grécia rapidamente para ver o Parthenon, em vez dos cofres de pilhagem na Europa Ocidental e EUA.
 

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Paulo, sem dúvida! Foi o período onde as teorias positivistas de eurocentrismo e de superioridade da raça branca. Isso só começou a cair por terra - tenho um trabalho interessantíssimo sobre este momento - quando o Japão vence a Rússia, em 1905, sem perder uma única batalha. Foi a era do "perigo amarelo", um trauma na Europa daquele tempo. Os amarelos baixinhos destroçaram a armada do Czar!

O Darwinismo tão caro aos ingleses, as teorias de Augusto Comte na França, os conceitos do nazimo são primos irmãos e que ninguém os considere mortos, estão apenas adormecidos e dão sempre sinal de vida.

Aliás, recentemente li a reedição de um trabalho fantástico de um historiador húngaro de origem judia, Arhur Koestler, que trata da origem dos judeus conhecidos por askenasi, os judeus europeus, sem nenhuma gota de sangue semita, que seguiram aos milhões para os fornos nazistas. É maravilhoso e mostra, ao mesmo tempo, até onde pode chegar a humanidade dentro de seus credos.

Mas, Paulo Lescaut, que é muito bom entrar no museu britânico, ver maravilhas como o friso do Partenon e depois poder visitar a Tate, a National e, de noite, um bom musical. Ou, em Paris, ver, por exemplo, a a estela do Código de Hamurabi ou a Vitória de Samotracia e depois, cruzar o Sena entrando no Museu Dorsay para, ao entardecer, curtir um pouco da noite parisiense, a cidade mais linda do mundo.

Sei, sou egoista, mas de acordo com o meu tempo, com os olhos no umbigo. Não me leva a mal.
 

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Discussion Starter · #7 ·
^^ :lol: Perfeitamente compreensível!

Estou falando em teoria, não que seja ideólogo da coisa. :)
 

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PauloBrasil
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eh realmente triste um país ter seu patrimonio historico material roubado e a grecia tem todo o direito de reivindicar. espero q um dia consiga recuperar esses marmores e todas as milhares de peças espalhadas pelo comercio ilegal de obras de arte. o mais triste eh q isso nao acontece apenas na grecia. ate o meteorito de bendengó, da bahia, o maior do brasil, esta exposto no rio de janeiro :cry: quero meu meteorito de volta :lol:
 

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^^Paulo,

A reivindicação grega pelo friso do Partenon é muito antiga. Hoje a Grécia é membro da CEE e tem uma economia ascendente, da mesma forma que a UK hoje é uma nação muito menos importante do que foi no passado, quando levaram estas obras da Grécia. A situação ao reinvidicar tais obras é bastante mais real do que há alguns anos, é possível que consiga não obstante a comodidade de visitar-se esta maravilha, juntamente com outras tão impressionantes quanto, no Museu Britânico em Londres.

Quanto ao referido meteorito, não vejo nenhuma diferença em mantê-lo no Rio ou devolvê-lo à Bahía. Afinal, trata-se do mesmo país e, é bem provável, a instituição que o recebeu no Rio está melhor aparelhada para sua guarda e, certamente, não é peça única no acervo. No caso, se fosse levada de volta para a Bahía, seria peça única de acervo pois, pelo que me consta, não há na capital baiana museu com seção de história natural. Há explêndidas coleções de arte sacra, de escultura (o belíssimo museu Rodin é em Salvador), até mesmo de pintura moderna no Solar do Unhão mas, de História Natural, nada. Talvez por isso o meteorito esteja no Rio, como poderia estar em São Paulo, uma vez que é onde há acervo específico.
 

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GaLo SeMpRe!
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Pra mim é roubo sim, não importa o que diz a Unesco que é da ONU né?!?(ironia!)

O acervo de arte GREGA é GREGO, e como o país até hoje existi isso não pode mudar de dono assim não!

*Também sou a favor da devolução de peças egípcias, gregas e tudo pela França.
*Peças maias, incas e astecas pelos USA.
*E tudo que está fora de onde devia de estar.

"O maior patrimônio de um povo é sua história."
 

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Niteroiense da gema!!
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Concordo com o Raul, quanto ao meteorito, a falta de um acervo próprio inviabiliza, além de não ter lógica tirar um meteorito de algumas toneladas do Museu Nacional aonde já esta a mais de século :lol:... Porém também tem que saber se a cidade (ou país) em questão tem estrutura para guardar e preservar o artefato que seja, vejam o caso da coleção de Érico Veríssimo, esta vindo para o Rio assim como a de outro que não em lembro o nome, por falta de uma boa estrutura de preservação das coleções o que ocasionou numa grande perda para o RS.
 

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eh realmente triste um país ter seu patrimonio historico material roubado e a grecia tem todo o direito de reivindicar. espero q um dia consiga recuperar esses marmores e todas as milhares de peças espalhadas pelo comercio ilegal de obras de arte. o mais triste eh q isso nao acontece apenas na grecia. ate o meteorito de bendengó, da bahia, o maior do brasil, esta exposto no rio de janeiro :cry: quero meu meteorito de volta :lol:
Bem lembrado! O maior meteorito do Brasil deveria está na Bahia e não no Rio de Janeiro!

Acho um absurdo isso!
 

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Discussion Starter · #14 ·
15/03/2010 - 08h27
Vazio em novo museu grego acirra debate sobre devolução de peças


LUCIANA COELHO
da Folha de S.Paulo, enviada especial a Atenas
FERNANDA MENA
da Folha de S.Paulo, em Londres

O enorme vazio no prédio de vidro estranhamente fincado no bairro turístico de Plaka, em Atenas, grita ao visitante uma mensagem pouco conceitual e muito política: os gregos querem suas peças de volta.

Querem tanto que ergueram ao pé das ruínas da Acrópole a enorme estrutura de metal, concreto e vidro assinada pelo suíço Bernard Tschumi. O efeito é de notório contraste com as casas modestas ao redor.



Os gregos passaram oito anos construindo um novo museu. Gastaram 130 milhões (cerca de R$ 315 milhões) e deixaram dois dos quatro andares praticamente pelados só para dizer que agora, sim, têm onde abrigar a coleção de mármores do Parthenon que lorde Elgin, então o embaixador britânico no Império Otomano, levou para Londres no século 19.

Desde 1816, a coleção que ficou conhecida como mármores de Elgin e que compreende quase todo o Parthenon --o templo que o imperador Péricles mandou erguer para a deusa Atenas no século 5 antes de Cristo-- está no British Museum. Atenas ficou com os frisos que ornavam a fachada.

Desde 1980, a Grécia requer o retorno das peças de Londres a Atenas. "Os britânicos sempre disseram que, se nos devolvessem as peças, nós não teríamos espaço apropriado. Hoje nós temos", diz à Folha Dimitrius Pandermalis, presidente do Novo Museu da Acrópoles.

Pandermalis contém o otimismo. "Agora o British Museum diz: "Ah, somos um museu universal, e sem as peças a coleção será incompleta"."

O diretor do British Museum, Neil McGregor, usou uma metáfora, durante uma aula aberta em Londres, para descrever a disputa: "Nós enxergamos nos objetos aquilo que queremos ver". Sobre o caso dos mármores, disse: "Uma nação inteira resolveu abraçar essas peças como algo fundamental para a identidade grega. É um exemplo em que se enxerga aquilo que se quer ver".

O museu de Atenas foi aberto no fim de junho do ano passado e ainda não funciona à plena força. Em oito meses, no entanto, recebeu estimados 1,6 milhão de visitantes.

Os 14 mil m² reservados para exibição, numa área total de 23 mil m², são dez vezes o museu anterior. Os argumentos gregos se estendem na arquitetura que impressiona, na curadoria precisa, na escolha pela luz natural, na vista panorâmica da Acrópoles, no sítio de escavação e nas lojas e restaurantes no padrão dos melhores museus dos EUA e da Europa.

Problema visível


A questão virou assunto de governos, numa negociação que mais parece um trabalho de Sísifo. Segundo Pandermalis, há hoje conversas no sentido de uma colaboração com o British Museum.



Como ela ocorreria --se com exibições rotativas ou posse compartilhada-- ele não esclarece. "O importante é que vamos debater isso de forma realista, para o bem de ambas as instituições."

Pelos corredores, a questão fica latente. A falta que as peças fazem, entre estátuas clássicas do século 5 a.C. e artefatos rústicos do século 7 a.C., é óbvia com o friso do Parthenon e uma e outra peça flutuando sem os pilares, esculturas e outras partes levadas a Londres. Mas, nos folhetos e placas informativas, nada há a respeito.

"Nosso visitante pode ver o problema muito claramente na disposição das peças, não é preciso ler um texto sobre isso", explica Pandermalis.

Em breve, talvez já no meio do ano, os sítios arqueológicos que por ora só podem ser avistados dos jardins e do hall principal, serão abertos à visitação.

A nuvem no horizonte é a megadívida grega, que botou o país em um regime de austeridade monitorado com coleira curta pela União Europeia. Com ingressos a 3, a maior parte da verba vem do governo grego, que terá de fazer cortes drásticos em seu orçamento pelos próximos três anos.

Pandermalis diz que o arrocho se faz sentir, e, por ora, o museu o tem contornado. Mas espera logo ter lucro suficiente nos restaurantes e lojas para cobrir mais de sua despesa. Antes que a crise bata.



http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u706860.shtml
 

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Já tive oportunidade de admirar os famosos Mármores de Elgin no British Museum. Eles são ESPETACULARES.

Todos sabemos que os ingleses nunca devolverão os mármores do Parthenon para os gregos. Porque se vierem a fazê-lo, criarão precedente e futuramente também poderão ser forçados a devolver a Pedra de Roseta e dezenas de sarcófagos para os egípcios, além de altos relevos de palácios da Babilônia para os iraquianos, entre muitíssimas outras peças valiosíssimas!
 

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Pra mim é roubo sim, não importa o que diz a Unesco que é da ONU né?!?(ironia!)

O acervo de arte GREGA é GREGO, e como o país até hoje existi isso não pode mudar de dono assim não!

*Também sou a favor da devolução de peças egípcias, gregas e tudo pela França.
*Peças maias, incas e astecas pelos USA.
*E tudo que está fora de onde devia de estar.

"O maior patrimônio de um povo é sua história."
Gente,

VOcês já imaginaram se a moda pega e os países europeus são forçados a devolver tudo o que saquearam ao longo dos séculos? Assim de pronto eu vejo o seguinte:

a) Roma seria obrigada a devolver seus muitos obelíscos egípcios, que são parte da paisagem da Cidade Eterna (vocês sabiam que só em Roma há mais obeliscos egípcios do que em todo o Egito);

b) Veneza seria obrigada a devolver os cavalos de bronze símbolo da cidade para os turcos (os cavalos estavam na tribuna do hipódromo de Constantinopla);

c) Veneza também seria obrigada a devolver os restos mortais de São Marcos para os egípcios;

d) Paris teria que devolver aos egípcios o grande obelisco que se ergue na Place de la Concorde;

e) Londres teria que devolver aos egípcios o grande obelisco Cleopatra´s Needle, que se ergue ao lado do Tâmisa;

f) A rainha da Inglaterra teria que devolver um montão de joias, coroas e tronos que eram de príncipes indianos e que estão em exposição em Windsor Castle;

g) Os alemães teriam que devolver o Templo de Zeus (também conhecido como o Altar de Pérgamo), para os turcos;

h) Os turcos teriam que devolver aos libaneses o extraordinário Sarcófago de Alexandre, principal atração do Museu de Arqueologia de Istambul;

i) etc, etc, etc, etc,​
 

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Sou contra a devolucao!
Que eles cuidem e mantenham o que restou a eles. Se foi roubo ou nao, todos deveriam dar gracas aos ingleses por terem mantido e guardado artefatos de paises que nunca deram valor ou nao puderam cuidar de sua propria historia.
 

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Feliz Natal
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Uh nem quero ver isso... seria a revolução... Como o Osmarinho exemplificou em alguns poucos exemplos...
 

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É preciso colocar as coisas em perspectivas...

Agora eu quero ver qual vai ser o argumento dos Ingleses. Pra mim isso foi furto, por tanto nada mais justo que esses afrescos voltem para o seu local de origem.
Isso pode ser o começo de uma reviravolta dos patrimônios históricos da antiguidade, porque muitas das maiores atrações dos museus europeus foram simplismente roubadas, e todo mundo parece ignorar isso.
Roubadas? Será mesmo? Se formos pesquisar a fundo, o que a Grécia moderna tem a ver com aquela de Sócrates, das guerras do Peloponeso e tudo o mais, além do local?

Se o critério é meramente geográfico, várias relíquias do Sacro Império e mesmo da Prússia deveriam retornar para a Polônia, pois hoje parte expressiva do que era Prússia e os territórios do Sacro Império estão na Polônia (mas só desde 1945...).

Os ingleses, fossem eles arqueólogos ou simples desbravadores, foram, do século XVII ao início do século XX, os maiores ladrões da história.
.
Há muita polêmica sobre o fato de algo ser roubado ou não. Até a época da II Guerra Mundial, o comércio de antiguidades era não apenas legal como legítimo segundo as regras da época. Empobrecidos até o osso, mercadores e autoridades locais de onde hoje ficam a Grécia e Egito, dentre muitos outros, vendiam a preço baixo coisas que para eles não tinham nenhum valor. No séc. XIX, mármore de templos gregos antigos e construções da época romana era tirado rotineiramente, ainda, para adornar novas construções na Grécia.

A arqueologia surgiu com ingleses e franceses, tal como ciência. O que era tido como lixo ou coisa inútil, arqueólogos valorizavam e transportavam para o Londres e Paris, e em menor grau vendiam coisas para Roma também. De acordo com as normas vigentes da época, isso era quase sempre legal.

Se um negócio é legal quando foi realizado, nào tem que vir o politicamente correto cobrar o desfazimaneto 100 anos depois. Imaginem se daqui a 50 anos houver um consenso hipotético de que obras de arte de artistas de um país não devem ser exportadas para colecionadores particulares de outros países. Aí o Brasil vai sair gritando para devolverem os Portinari que europeus compravam quando a arte dele era vista por aqui como "coisa de comunista metido com subversivos"? Não consta que tenham surrupiado quadros, e sim que boa parte de sua obra tenha sido vendida pela família.

eh realmente triste um país ter seu patrimonio historico material roubado e a grecia tem todo o direito de reivindicar. espero q um dia consiga recuperar esses marmores e todas as milhares de peças espalhadas pelo comercio ilegal de obras de arte. o mais triste eh q isso nao acontece apenas na grecia. ate o meteorito de bendengó, da bahia, o maior do brasil, esta exposto no rio de janeiro :cry: quero meu meteorito de volta :lol:
Mas isso é complicado. Qual o critério para determinar o local de permanência de artefatos? A rigor, até a exposição de múmias no museu do Cairo é irregular, pois elas deveriam estar no local onde foram encontradas. A mais rigor ainda, deveriam elas ter sido desenterradas?

E os artefatos indígenas do Museu Índigena de Brasília? Devem ser devolvidos para tribos que nem existem mais (!), ou para onde ninguém vai vê-los?

Muitos artistas franceses jamais produziram suas obras em Paris. O Louvre deve ser desmontado e as obras enviadas para Marseille, Reims, Strasbourg e Tours, dentre outros locais? Qual o critério? Tem que ficar na mesma cidade ou no mesmo bairro? E se a casa onde o artista viveu desapareceu alagada por uma hidrelétrica, comofaz?

O acervo de arte GREGA é GREGO, e como o país até hoje existi isso não pode mudar de dono assim não!

*Também sou a favor da devolução de peças egípcias, gregas e tudo pela França.
*Peças maias, incas e astecas pelos USA.
*E tudo que está fora de onde devia de estar.
Mas qual o critério? A Macedônia (FYROM), aquele país que fazia parte da Yogusolávia, diz que o legado de Alexandre, o Grande, e muitas coisas é deles, e não da Grécia em si. Geograficamente, até estão corretos em certas observações.

Não existe nenhum "estado Maia, Asteca ou Inca". Os maias estavam em franca e acelerada decadência quando chegaram os colonizadores. Como determinar quem é o "Estado Herdeiro" desses objetos? O Peru, por exemplo, tem maior população com ascendência indígena, mas no Equador os incas tiveram sua provável origem.

Enfim, a questão é muito mais complicada do que parece. Negócios legítimos foram feitos, se foram legais à época, não tem que vir reclamar agora. Muitos países sequer tinham capacidade de catalogar ou estudar cientificamente peças e antiguidades, e contratavam arqueólogos britânicos para cuidarem das expedições e eles pagavam taxas para escavar e, se encontrassem algo, para levar embora o que quisessem.
 

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Discussion Starter · #20 ·
Eu acho que o interesse deve ser soberano, e a origem do material deve ser levada em conta.

Por exemplo, havia tantas necrópoles no Egito que simplesmente não há espaço para se exibir tantas múmias e artefatos nos museus do país. Por isso, não deve haver grandes problemas com estrangeiros em geral.

Mas e quando museus do exterior exibem um acervo valioso pilhado por ladrões de tumba? Acho que a instituição, o Ministério da Cultura do país, tem todo o direito de pedir de volta.
 
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