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A cidade que volta a constar no mapa

Ruínas de São João Marcos serão transformadas em parque arqueológico

Taís Mendes
O Globo
02/08/2009


RIO- Após seis décadas, a cidade de São João Marcos, no Vale do Paraíba, já tem data marcada para voltar a constar do mapa do Estado do Rio. Será no dia 27 de setembro, Dia de São João Marcos, padroeiro do lugar, que está sendo transformado num parque de ruínas. Arqueólogos trabalham acelerado para salvar o que restou da cidade, a primeira do estado a ser tombada como patrimônio histórico pelo antigo Sphan (atual Iphan), em 1939.

Vídeo com os arqueólogos: http://oglobo.globo.com/rio/video/2009/13574/

No pé da Serra do Piloto, São João Marcos foi também a primeira a ser destombada no Brasil, por decreto, pelo governo Getúlio Vargas, um ano depois, para o aumento da capacidade da barragem de Ribeirão das Lages. A represa não atingiu sua capacidade máxima e a cidade nunca chegou a ser totalmente inundada. Agora, equipes do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) estão resgatando a história da região, com o salvamento de suas ruínas, ruas de pé-de-moleque e pontes que formarão o Parque Arqueológico São João Marcos.


O que não foi inundado acabou sendo demolido

Escavações ainda devem se estender por mais três anos.

São João Marcos teria hoje potencial para ser uma pequena Paraty. Condenanda a desaparecer sob as águas da represa, grande parte da cidade jamais foi inundada e, caso não tivesse sido demolida a Igreja Matriz, por exemplo, teria sido salva. Para que os quase cinco mil moradores não retomassem às casas, as construções foram derrubadas com correntes ou dinamitadas. O único sobrevivente foi o cemitério. no alto de uma
colina. Os moradores foram espalhados pelas cidades vizinhas, mas, inconformados, passam os fins de semana entre as ruínas procurando por objetos.
Pesquisadores fizeram importantes descobertas. que já fizeram mudar o projeto do parque: o forno da antiga padaria foi achado na área reservada a um módulo de apoio, com estacionamento e banheiros. A gerente de projetos do IAB, Jandira Neto, conta que o forno foi uma das mais importantes descobertas arquelólógicas no local:
- Primeiro, a equipe descobriu a calçada e, a partir daí, as escavações foram revelando marcas de queima nas paredes, até mostrar a proteção de tijolos
do isolamento térmico do antigo forno. Uma descoberta valiosa, que mudou o traçado do projeto do parque.

Preciosidades cobertas por 15 centímetros de terra

No caminho que leva a São João Marcos. já é possível ver o calçamento em pé-de-moleque e os muros de arrimo, construídos em pedra, das antigas casas. O que restou da cidade, está coberto por uma camada de 15 centímetros de terra e mato. Além das ruínas da Igreja Matriz, os pesquisadores localizaram as escadarias da Igreja Nossa Senhora do Rosário e um cemitério que existia ao lado, destinado aos escravos e moradores.
- Estamos reconstruindo a cidade cuja a história foi interrompida na década de 40 e começou a reviver com outra importância agora, na primeira década
do século XXI - destacou o arqueólogo Ondemar Dias, presidente do IAB.
Vestígios são descobertos a cada escavação: garrafas, louças, ferros a carvão e objetos pessoals. Em três meses, o trabalho já dará ideia de como era São Marcos, mas o trabalho ainda deve durar três anos. As ruínas são protegidas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e, segundo o superintendente do Iphan no Rio, Carlos Andrade, a Ponte Bela, construída em pedras na forma de um arco, também está em processo de tombamento. Mozart Vitor Serra, Diretor do Instituto Light, responsável pelo projeto do parque, lembra que além de São João Marcos, apenas duas ou três fazendas da região estavam no caminho das águas e foram inundadas.
Aproveitemos a oportunidade que essa notícia traz para podermos discutir as implicações da devastação de S.J. Marcos.

Textos interessantes sobre o assunto:
http://www.serqueira.com.br/mapas/lages1.htm


http://www.serqueira.com.br/mapas/img/lajes1.jpg
 

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Parque Arqueológico São João Marcos resgata história de cidade desaparecida

07/06/2011 - 16:56h - Atualizado em 07/06/2011 - 17:47h
Por Marcelle Colbert

Primeiro sítio arqueológico urbano do país recebeu apoio da Secretaria de Cultura

O Estado do Rio ganhará no próximo dia 9 o primeiro sítio arqueológico do país localizado em uma região antes urbanizada: o Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, no município de Rio Claro, no Vale do Paraíba. O projeto, coordenado pela Light com o apoio da Secretaria de Cultura através da Lei do ICMS, resgatou a cidade de São João Marcos, desaparecida há mais de sete décadas depois de ter sido alagada para ampliação da represa de Ribeirão das Lages. A iniciativa também recupera a memória de uma das épocas mais importantes da economia fluminense, a do Ciclo do Café, no século XIX.

As ruínas de São João Marcos - comparadas com as da cidade italiana de Pompeia, destruída no ano 79 d.C. pela erupção de um vulcão - não ficaram completamente sob as águas e encobertas pela Mata Atlântica. Os turistas terão a oportunidade de viajar no tempo durante um circuito pela antiga cidade, que irá durar em média 40 minutos e incluirá visita ao ossuário da Igreja Matriz, parte da estrutura do Teatro Tibiriçá, trechos da antiga Estrada Imperial e suas pontes de pedra e cerca de duas mil peças descobertas nas escavações: louças, moedas, objetos pessoais, porcelanas e tijolos mais brutos.

- O Governo do Estado tem alegria e prazer em fazer parte de um projeto pioneiro, que opera a mágica de recuperar uma cidade desaparecida, mas de história tão rica, através de atividades de arqueologia, museografia e museologia. O parque convidará alunos, professores, moradores e visitantes a conhecer e a refletir sobre a vida e a cultura do Vale do Paraíba. Assim, conhecerão melhor suas origens e a si próprios - afirmou a secretária de Cultura, Adriana Rattes.


A Pompeia fluminense

O Parque Arqueológico e Ambiental - tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 1990 - tem uma área total de 930 mil m², que inclui mata e espelho d'água. A trilha - que ficará aberta de quarta-feira a domingo, das 10h às 16h - tem três quilômetros com sinalização de posição ambiental, histórica e arqueológica. A área de exposição, de 100 m², conta com uma maquete da cidade original, uma mostra permanente em forma de almanaque sobre a antiga cidade e sua cultura, um vídeo de apresentação da região e uma série de fotografias de São João Marcos.

- O objetivo é valorizar a cultura de São João, que tem 72 fazendas submersas. Queremos levar a história da região aos municípios vizinhos. O visitante poderá desfrutar do resultado de pesquisas históricas e arqueológicas e do tratamento paisagístico feito no espaço. O empreendimento conta com anfiteatro, cafeteria e é adequado para receber até 280 visitantes por dia - disse o coordenador-executivo do projeto do Parque de São João Marcos, Luis Felipe Younes.

http://www.rj.gov.br/web/imprensa/exibeconteudo?article-id=490632
 

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on the road
leptokurtic
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Antigamente, o povo nào acreditava muito quando alguém dizia que a água iria inundar e o limite seria até o ponto x. Há várias histórias de hidrelétricas pioneiras em que os engenheiros mediram a cota, demarcaram, e gente que foi desapropriada nào quis sair com calma das fazendas e sítios, terminando por ser resgatada às pressas quando o lago começou a encher, e as pessoas ficaram ilhadas, ou então anoitecendo no seco e acordando com água a 10cm dentro da casa.
 

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19 - Deodoro / OCZ
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Soa um pouco estranho a mesma Light que há anos atrás destruía a cidade graças a represa hoje estar financiando este Parque Arqueológico. No mais, parabéns pelo projeto.
 

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Mas a Light não é só distribuidora? O que ela tem a ver com a construção de usinas elétricas?
A Light aqui no Brasil e no Rio/São Paulo em particular já fez de tudo. outrora uma empresa canadense entrou no ramo de energia elétrica, construiu barragens mantinha linhas de bondes.
Veja no site abaixo.

http://www.light.com.br/web/institucional/cultura/ccl/memoria/cronologia/tecronologia.asp?mid=8687942772347225.

Quando estava prestes a se nacionalizar, foi comprada pelo governo e depois privatizada.
Vá rápido no sit antes que falte luz.
 
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