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28 economistas querem reavaliação do TGV, auto-estradas e aeroporto de Lisboa
19.06.2009 - 16h23
Por Luísa Pinto
Vinte e oito economistas dos mais diversos quadrantes apelam ao governo que reavalie os grandes investimentos públicos e que faça um travão imediato nos projectos da área de transportes. Em causa está a construção do TGV e de novas auto-estradas, bem como o calendário para a construção do novo aeroporto de Lisboa.

Os desequilíbrios estruturais que atingem a economia portuguesa, que têm vindo a piorar na última década, e que se agravaram com a actual crise económica mundial, não são compatíveis com “a insistência em investimentos públicos de baixa ou nula rentabilidade, e com fraca criação de emprego em Portugal”. É esta a principal linha de argumentação de um manifesto, a que o PÚBLICO teve acesso, subscrito por cerca de três de dezenas de economistas, de todos os quadrantes políticos e regiões do país, e que são unânimes em considerar que o plano de investimento público defendido pelo governo deve ser repensado, sobretudo, e desde já, no que aos projectos da área de transportes diz respeito.

Estes economistas pedem que se aproveite o “interregno político” que se anuncia nos próximos meses (por causa das eleições legislativas), para que seja dado início a um trabalho de reavaliação dos investimentos públicos anunciados, recorrendo ao apoio consultivo de economistas, gestores e engenheiros, portugueses e estrangeiros, que possam elencar uma nova grelha de prioridades para a próxima década. Estes economistas consideram “duvidoso” que os grandes projectos de investimento público possam ser considerados urgentes, e relembram que a realização destes investimentos em antecipação temporal à procura que os justifica trará uma inevitável destruição de valor económico.

O documento é subscrito por uma trintena de nomes de peso no panorama económico, oriundos da esquerda e da direita do espectro político, e muitos deles com experiencia governativa: Luís Campos e Cunha, Daniel Bessa, Augusto Mateus, Eduardo Catroga, Arlindo Cunha, Medina Carreira, Silva Lopes, Mira Amaral, Miguel Beleza, Henrique Neto, Miguel Cadilhe, Sarsfield Cabral, Vitor Bento, João Duque, João Salgueiro e Rui Moreira, entre outros.
 

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Checco24
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e porque nao parar tudo?, fechamos o país, não se investe mais e guardamos o dinheiro debaixo do colchão, o engraçado é estes manifestos aparecerem sempre na altura das eleições
 

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Blackbird
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E antes da crise quais foram as razões para os adiamentos?

"não se governam nem se deixam governar"
 

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O economista José Reis divulga hoje o seu manifesto a favor do investimento

Em resposta aos 28.... surgiram 52 :lol:


A favor do investimento público e contra as verdades absolutas dos economistas. José Reis, professor de Economia na Universidade de Coimbra e ex-secretário de Estado de Guterres na pasta do Ensino Superior, divulga hoje o seu manifesto a favor do investimento público como instrumento de política social de criação de emprego. Tal como i noticiou esta semana, esta é a primeira resposta ao manifesto avançado no passado sábado por 28 economistas e gestores (ver texto à direita), que pediram ao governo socialista que pare e repense os grandes projectos de obras públicas.
O documento proposto por este economista de Coimbra - "O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia" - reúne 52 assinaturas de pessoas maioritariamente ligadas à economia, mas onde também aparecem sociólogos, psicólogos e engenheiros agrónomos. "Afastamos completamente a ideia de que os economistas são agora os juízes da pátria, que há um saber económico que se sobrepõe às decisões colectivas", explica ao i José Reis, em resposta ao manifesto dos 28, onde entram nomes como Eduardo Catroga, Miguel Cadilhe ou Silva Lopes.
André Freire, politólogo, professor do ISCTE e um dos subscritores do documento, acrescenta que "a economia não pode ser uma matéria reservada aos economistas". "Sou um defensor da chamada economia social, que é muito, muito importante neste cenário de crise que o país está a viver", afirma.
A irritação que o manifesto dos 28 causou em muitos economistas portugueses deve-se ao tom de certeza absoluta com que os seus princípios contra os investimentos públicos foram enunciados, explica José Reis. Ao i, os promotores de um segundo contramanifesto que está a ser preparado a favor das obras públicas - Luís Nazaré, António Mendonça e Brandão de Brito, todos do ISEG, em Lisboa - já tinham exposto a mesma linha de raciocínio: a economia não se derrama para calar políticas públicas, não há conhecimento económico imperativo.
À parte o estilo, a divergência de fundo deste manifesto de José Reis (ver texto à esquerda) face ao dos 28 é clara: em fase de recessão, o problema central da economia portuguesa é o desemprego e não o endividamento externo e público. Reis calcula que a taxa de desemprego em dois dígitos (12% em 2010, prevê a OCDE) custa 21 mil milhões de euros por ano ao país, em capacidade de produção desperdiçada, mais despesa em protecção social. Perante isto - e com a queda livre das exportações e do consumo e investimento privados -, a saída é clara, argumenta este manifesto.
"Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise", aponta o documento.
O debate sobre as grandes obras públicas na área dos transportes - TGV, aeroporto e auto-estradas - tem dominado o debate político entre o governo de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira Leite, com o manifesto dos 28 a dar força à posição laranja, falando da rentabilidade e "timing" duvidosos destes projectos. Este novo manifesto não se pronuncia directamente sobre obras específicas - para José Reis, um dos seus objectivos do manifesto que promove é repor na agenda política e pública a importância do investimento público, "que tem sido retratado como sendo nocivo e comportando um fardo para a sociedade". A maioria dos subscritores é a favor dos projectos em si, embora discorde de aspectos como o traçado do TGV ou a localização do aeroporto em Alcochete. Já o documento de Luís Nazaré - que surgirá na próxima semana - deverá incidir mais sobre os projectos e menos sobre a questão social, apurou o i.
Contra a necessidade de fazer mais estudos sobre a rentabilidade dos grandos grandes projectos, José Reis discorda - os estudos existem, há é que manter a decisão política. "Por outro lado não quero que um governo decida com base exclusiva em estudos de custo benefício, mas também em nome de outros valores, incomensuráveis [como o bem-estar social]", defende.
A escalada na guerra de argumentos entre economistas e académicos - uns mais liberais (os 28, embora a homogeneidade não impere), outros mais keynesianos - à volta das grandes obras públicas surge depois do governo ter recuado na primeira decisão que seria vinculativa para a construção da rede de alta velocidade. A primeira ordem, após a derrota nas eleições Europeias, era para manter as políticas e os processos de adjudicação em curso, apesar da exigência do PSD. Dias depois, o governo moderou o discurso e acabou por anunciar o adiamento da decisão no concurso que ia adjudicar em Julho o primeiro troço da rede de alta velocidade (TGV), entre Caia e Poceirão, da linha Lisboa/Madrid.

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Tumba :lol:

Eu também acho que há certos investimentos que têm que ser feitos, não podemos encerrar o país para balanço...em síntese a minha opinião sobre os grandes investimentos é esta:

- TGV: só Aveiro-Salamanca, mas em contrapartida deveriam ser feitos investimentos na rede ferroviária local/regional, que ela bem precisa por estar miserável...
- Estradas: sim, excepto a A32 Porto-Coimbra;
- Novo Aeroporto de Lisboa: Sim
- TTT: que remédio, mas preferia que fosse Barreiro-Montijo-Chelas;
- Barragens: Não, ou pelo menos, que se reduza o número de barragens previstas no plano nacional...
 

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Então diga-me: daquilo que eu referi acima, o que é para si esbajamento de dinheiro?
 

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Eu acho alguma piada a esta visão economicista que resume todos os problemas do país ao endividamento. Aliás, na entrevista que a MFL deu à SIC, disse umas 10 vezes que o problema do país era o endividamento.

Ora eu gostaria de afirmar que, mais do que o endividamento, o problema do país é o DESEMPREGO. É que se as pessoas se tiverem emprego, têm hipótese de pagar as suas dívidas, se não tiverem, dúvido que as consigam pagar.

Num momento em que a economia nacional e internacional está estagnada, a única forma de gerarmos emprego e ao mesmo tempo ajudarmos as nossas empresas é com investimento público....

Tudo o resto, são sonhos de uma noite de verão de uns quantos economistas neoliberais
 

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^^

Andas a precisar dumas quantas aulas de economia...:lol:
 

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Mas quem deve criar emprego é o sector privado e não o estado. Como é que querem que se crie emprego com a carga fiscal que temos. Como é que querem que as empresas invistam se o estado ao se endividar cada vez mais prejudica o rating da nossa economia. É preciso reduzir as despesas do estado e baixar os impostos. Tudo o resto só vai afundar cada vez mais a economia. Se estas obras avançarem vai ser a desgraça. Depois quem vai pagar é o contribuinte. Tomem lá mais impostos!
 

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tudo muito bonito.... mas como se reduz a despesa do estado e como se baixam impostos, numa altura em que a economia mundial não cresce??? Se há baixa de impostos, logo o estado receberá menos receita, logo terá que se endividar mais para conseguir assegurar mais diversas despesas sociais....
 

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Mas a baixa de impostos é a única forma de estimular a economia. Segundo os dados do boletim de execução orçamental de Maio, a receita fiscal desceu 9,8%, ou seja, o estado já está a perder dinheiro devido à crise. A baixa de impostos é uma forma rápida e eficiente de disponibilizar fundos aos agentes económicos e de permitir um arranque da procura interna. Segundo o mesmo relatório a despesa registou um acréscimo de 4,2%. Tendo em conta que a inflacção está em 0% é um valor elevado. Para isto contribuiu o aumento de 2,9% dos funcionários públicos. Se o estado tivesse conseguido manter a despesa nos níveis do ano passado teria margem para reduzir alguns impostos ou oferecer um crédito fiscal no IRS. Outra medida interessante seria obrigar as autarquias a abdicarem da sua percentagem de IRS, tal como está consignado na Lei das Finanças Locais. http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=1060360 "Lisboa, Porto, Cascais e Oeiras estão entre os concelhos que optaram por ficar com uma média de 200 euros por cada habitante." Isso iria contribuir para a contenção da despesa e sempre seria uma ajuda para as famílias, principalmente nos concelhos supracitados. Quanto ao aumento das responsabilidades com prestações sociais, a Segurança Social ainda apresenta um saldo positivo de 1000 milhões de euros. Penso que nesse aspecto ainda não há problemas. A questão é que se o estado amortizar as suas dívidas pode poupar muito dinheiro. No OE para 2009 os gastos com juros do estado superam os 5000 milhões de euros. Isto só prova que existe margem para conter os custos e melhorar a sustentabilidade financeira do estado.
 

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Mas quem deve criar emprego é o sector privado e não o estado. Como é que querem que se crie emprego com a carga fiscal que temos. Como é que querem que as empresas invistam se o estado ao se endividar cada vez mais prejudica o rating da nossa economia. É preciso reduzir as despesas do estado e baixar os impostos. Tudo o resto só vai afundar cada vez mais a economia. Se estas obras avançarem vai ser a desgraça. Depois quem vai pagar é o contribuinte. Tomem lá mais impostos!
No panorama actual, os privados não vão investir para criar emprego. Neste momento estão a agarrar-se ao dinheiro à espera de melhores dias. É nestas alturas que é preciso investimento público para manter o dinheiro a rolar e tirar a economia do ponto em que os privados não investem.

A redução da despesa pública faz-se quando a economia está a crescer (é preciso é convencer os governantes desta parte de "poupar em crescimento", a parte de "gastar em recessão" em geral eles conseguem cumprir). Os cortes durante o crescimento servem também para moderar a economia e evitar a formação de bolhas com crescimento exagerado e não sustentado.

Portanto, não concordo minimamente com esse panorama catastrofista sobre estes planos de investimento. Nem com a tendência que muita gente parece ter de tratar a gestão da economia de um país da mesma forma que a economia de uma casa.
 

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Isto não é tratar da gestão da economia como se trata da economia doméstica. É uma questão de melhorar a sustentabilidade financeira do estado e de promover uma alocação eficiente dos recursos. Em primeiro lugar Portugal está endividado e estes projectos só vão piorar a situação. Em segundo lugar, mesmo que tivéssemos capacidade financeira não se devia investir nestes projectos que possuem rentabilidades duvidosas. O que o estado tem de fazer é colocar o dinheiro na economia através dos privados. Investimento público em tempo de crise é continuar a promover a ineficiência. Aliás, basta ver o exemplo do Japão que apesar de todos os investimentos que fez a única coisa que ganhou foi uma monumental dívida pública. Estes investimentos vão promover uma remoção de capital disponível para os privados o que tem impactos negativos no crescimento económico. Além disso, tenho a certeza que a única forma de suportar os juros e amortizações é aumentando os impostos o que implica uma perda de eficiência da economia.
 

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faço minhas as palavras do emarques... e acrescentaria mais um detalhe... a economia não pode esquecer a sua principal função... servir a sociedade...

qualquer política económica que não contenha uma prespectiva social, é uma política cocha....


bem se viu o resulta do governo do Durão Barroso, cuja política económica foi exclusivamente o controlo do défice....

aliás, política essa preconizada por MFL, que agora elegeu o endividamento como política económica central...
 

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Sinceramente não vislumbro muitas diferenças entre a política económica do Durão Barroso e do Sócrates. Ambos tentaram controlar o défice e falharam apesar de terem aumentado os impostos. Não conseguiram reduzir a despesa. A MFL teve uma grande falha que foi a titularização das dívidas públicas ao Citigroup que foi uma operação muito prejudicial para as contas públicas. De resto, ambos os governos centraram o combate ao défice por via da receita .A única diferença que vejo é que o Sócrates neste último ano tem dado uns "rebuçados" às pessoas para ver se elas votam nele. Mas se ele ganhar as legislativas quero ver como vai ser a política pós-eleições. Vamos passar um mau bocado. Só espero que ele não aumente os impostos. Isso seria insustentável.
 

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Não foi o Durão Barroso que disse que ia parar com o TGV e depois avançou com ele?
 
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