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Brasil-Belindia é aqui
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Ribeirão Preto - SP
Oitenta minutos num ônibus


Como o povo corajoso desta cidade, repórter e fotógrafo acordam antes das cinco da matina para trabalhar. A idéia é experimentar o cotidiano de quem pega ônibus lotado e cruza meia cidade antes do sol se levantar. A dupla já imagina as dificuldades que encontrará, as reclamações que os passageiros farão. Mas a realidade, como se sabe, costuma bater a imaginação.
O ponto de embarque é na rua José Bonifácio, em frente à rodoviária. É noite fechada quando subimos no ônibus São José às 5h51 da última sexta-feira. O carro começa sua jornada de mais de 40 km e quase duas horas para ir da região central ao São José, de lá de volta ao centro, dali ao Adão do Carmo.

6h03: o ônibus quebra
Em cada ponto, o povo entra com frio e cara de sono. Logo o carro está cheio. Espontaneamente os passageiros começam a falar sobre seu perrengue diário.
Elisabel de Cássia trabalha num hotel. Todo dia, acorda às 4h30 para poder chegar ao trabalho às 7h. São dois ônibus: um do Ipiranga à catedral e depois o São José até o emprego. “Precisava melhorar tudo. Eles sempre atrasam. E quebram também, porque os ônibus são velhos”, diz ela, que ganha a vida como camareira, mas bem podia ser vidente.
Mal acaba de falar e, por incrível que pareça, o ônibus de fato quebra. “Tá vendo? Eu não falei?!”, pergunta Cássia. Estamos na Barão do Amazonas com a Duque de Caxias. São 6h03 da manhã e pela primeira vez na história o povo se anima com o problema porque, pelo menos, vai sair no jornal.

Substituição rápida
Umas 40 pessoas desembarcam. O motorista conta que parou porque acenderam as luzes da bateria e da temperatura, assim ele não pode seguir. O socorro também surpreende pela rapidez. A garagem é ali perto e em apenas quatro minutos encosta o substituto.
O contratempo, porém, dá chance para o carro das 6h10 nos ultrapassar. Como o nosso está atrasado, o ônibus da frente fica com a missão de pegar um batalhão pelo caminho. Minutos mais tarde, quando damos o troco e conseguimos ultrapassá-lo, o carro das 6h10 está abarrotado, gente saindo pelo ladrão.

Descontentes
Verdade que o nosso não está muito diferente. Já há mais de 30 pessoas em pé, entre elas repórter e fotógrafo, tentando se equilibrar enquanto anota queixas e faz fotos. Vinte minutos depois do nosso embarque, finalmente desce o primeiro passageiro, um senhor de meia idade, que sai correndo todo apressado.
“Olha lá! Ele está atrasado por causa do ônibus!”, diz a massa quase em coro. Agora a viagem virou uma assembléia dos descontentes: atraso, falta de cobrador, poucos ônibus, linhas que dão muitas voltas, reajuste da tarifa.
Na troca entre o quebrado e o estepe, Vanessa Gonçalves dos Santos perdeu o assento onde cochilava. Ela acorda às 4h50 e só vai dormir quase meia-noite porque, depois da jornada de trabalho, faz curso noturno de informática.
Ela fala mal do estado de conservação dos ônibus. Uma vez, ela diz, viu uma mulher se machucar quando enfiou sem querer o pé num buraco aberto no piso do carro. Como a realidade é criativa, ali perto, no forro do nosso carro, também existe um buraco.

A campainha falha
São quase 6h30 quando o grito vem lá do fundo: “ô, motorista!” É o passageiro querendo descer. Ele puxa como doido a cordinha que dá o sinal, mas a campainha não funciona. Dali em diante, os desembarques serão anunciados na base do grito e do assobio. Um dos que desembarcam é o auxiliar de lavanderia Osmar Alexandre. Ele desce e vai andando até o destino final porque não tem paciência de esperar mais.

Bronca do chefe
Em dez minutos, o ônibus fica bem vazio. Rosalina Ferreira Fernandes sobe quando já é dia. Ela é agente de vetores do Centro de Controle de Zoonoses e chega reclamando do atraso. O repórter conta que o ônibus quebrou, ela não mostra surpresa.
Como muitos, pega duas conduções e corre o risco de perder a próxima.
“Quando o primeiro atrasa, perco o segundo. Não adianta dizer para o chefe que a culpa é do ônibus. Ele não vai acreditar”, bufa Rosalina. Ela leva uma hora e meia para fazer as duas viagens. Nas vezes em que consegue pegar carona no carro do marido, são só vinte minutos. Enquanto conta a história, avista um colega de trabalho no ponto. Ele dá sinal, mas o ônibus não pára.
Às 7h02, estamos de volta ao Centro. Quase todo mundo que viajou nessa primeira metade do trajeto já desembarcou. No São José, além da dupla de jornalistas, restam apenas um passageiro e o motorista. É quando sobe o fiscal para checar o movimento na catraca. Ele não gosta de ver a máquina fotográfica e vem nos questionar. Também não fica satisfeito com nossa explicação, diz que ele deveria ter sido informado.
“Tem dois cidadões [sic] aqui, segundo eles, são do jornal A Cidade”, diz o fiscal ao celular. Achamos que vai nos pôr para fora, mas ele melhora o humor e só pede para anotar nossos nomes. Nem precisava da bronca, estamos quase no fim de nossa jornada.
Quando o ônibus retorna à rodoviária, encerrando a primeira parte do trajeto, achamos melhor desembarcar. Foram exatos 80 minutos de passeio. Às 7h11 da manhã de sexta-feira, finalmente saltamos, cheios de histórias para contar.

“O modelo: carro lotado em horário de pico”
Depois da viagem de ônibus, ainda na sexta-feira passada, Carlos Alberto Cherulli, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Ribeirão Preto e região, deu detalhes sobre o transporte coletivo na cidade. Para ele, o fato de a reportagem ter flagrado uma quebra no ônibus foi “uma fatalidade”. Segundo Cherulli, “a frota de Ribeirão Preto é a mais nova do Brasil”. Disse que 75 ônibus serão trocados em breve. A empresa Transcorp, que opera a linha São José/Adão do Carmo, informou que trocará seus dez ônibus mais antigos, do ano de 1995. Um ônibus zero quilômetro, segundo Cherulli, custa R$ 180 mil.
Além da troca dos carros, as empresas disseram que fazem manutenção preventiva de todos os veículos e que uma revisão cuidadosa é realizada a cada cinco mil quilômetros rodados. Sobre a lotação dos ônibus, o presidente do sindicato afirmou que o padrão é o mesmo em todo o Brasil. “Pelo preço da passagem que é cobrado, o modelo é esse: ônibus lotado no horário de pico”. Cherulli afirmou que um transporte mais confortável exigiria tarifas diferenciadas em ônibus especiais. E que o padrão brasileiro permite lotação máxima de sete passageiros por metro quadrado, algo que, em Ribeirão Preto, chegaria a acontecer “só em algumas linhas e apenas no horário de pico”. Sobre a reclamação dos passageiros com atrasos, o representante das empresas afirmou que o sistema vem sendo aprimorado. Disse ainda que o intervalo máximo entre os ônibus lotados em horário de pico é de dez minutos. A respeito do preço da tarifa (reajustado há uma semana de R$ 1,90 para R$ 2,10), Cherulli acredita que ele seja “justo”. O presidente do sindicado afirmou que, além da meia passagem dos estudantes, 25% dos passageiros não pagam passagens (idoso, deficientes). “Se todos pagassem, a tarifa poderia ser de R$ 1,60 ou R$ 1,70”. Ele forneceu o faturamento mensal das três empresas de transporte, que é de R$ 6 milhões.


Fonte: Jornal A Cidade - Adriano Quadrado

http://www.milbus.com.br/portal/index.htm
 

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Quando eu li o título pensei que fosse uma viagem até a capital :doh::lol:!

Sério, isso aí é a descrição do inferno! Não pensava que o transporte público de Ribeirão fosse tão problemático. Se bem que Campinas e Ribeirão tiveram transporte público com o malfadado braço urbano da Cometa...
 

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spca
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^^ pensei a mesma coisa... :bash: :bash:
hhahah


dai fiquei calculando a velocidade que o ônibus deveria andar... deve dar uns 400 km/h.....
 

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Engraçado é os passageiros falarem que os ônibus sempre quebram e o sindicalista dizer que o que a reportagem flagrou foi uma fatalidade ! Será que ele usa o transporte público da cidade ? heheh
 

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^^ pensei a mesma coisa... :bash: :bash:
hhahah

dai fiquei calculando a velocidade que o ônibus deveria andar... deve dar uns 400 km/h.....
Se for uma viagem non-stop, e considerando que Ribeirão fica a 315km da capital, temos a necessidade de uma velocidade média de 236km/h para fazer o percurso em 80 minutos. :lol:
 

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Engraçado é os passageiros falarem que os ônibus sempre quebram e o sindicalista dizer que o que a reportagem flagrou foi uma fatalidade ! Será que ele usa o transporte público da cidade ? heheh
É exatamente assim que acontece..daí pra pior...dependi de bus durante mt tempo em Ribeirão, estes sindicalistas e empresários de m.. jamais embarcaram num bus e nem imaginam a precariedade que é o sistema!

O transporte de RP sempre foi um descaso, há 30 anos que não existe um projeto global, e agora a imprensa está tomando as dores com reportagens focando a precariedade do sistema. Por conta destas denuncias e pelo aniversário da cidade, a prefeitura anunciou esta semana um pacote de obras para o transporte, como a construção de mini-terminais, a renovação de frota (80 novos carros já começaram a circular hoje) , a adequação dos corredores,etc.
 

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como pode uma cidade com quase 600 mil pessoas não ter terminais, coisas de extrema necessidade....a prefeitura devia colocar outra empresa isso sim.
 

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^^ Uma nova concorrência...Deus te ouça!
600 mil habitantes e soma-se aí mais 400-500 mil flutuantes...

A ultima concorrência foi feita há quase 20 anos (na epoca foi introduzido o sistema de troleibus na cidade - que era perfeito!), e as 3 empresas que operam o sistema desde então só fazem remendos!
O sistema é arcaico e ultrapassado, bairros com excesso de linhas, e outros praticamente sem transporte.
O departamento gestor do transporte (TRANSERP) está sucateado e falido. Enfim para andar em RP só com condução propria mesmo!
 

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Brasil-Belindia é aqui
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Discussion Starter · #12 ·
Existem empresas que colocam ônibus em horário de vale para rodarem vazios, colocam ônibus para rodar em vias precárias propositalmente (fazendo que os ônibus quebrem) e assim justificam o aumento das passagens de ônibus.
 

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Brasil-Belindia é aqui
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ViajanteRP

Ribeirão Preto - SP
Bilhete de ônibus aumenta acima da inflação



O preço das passagens dos ônibus urbanos de Ribeirão Preto nos últimos oito anos aumentou quase três vezes mais do que a inflação do mesmo período. O último reajuste passou a vigorar no domingo (10), com o preço do bilhete simples passando de R$ 1,90 para R$ 2,10, enquanto que o passe integrado aumentou de R$ 2,10 para R$ 2,30.

Muita gente foi surpreendida na manhã desta segunda-feira (11). "Eu acho péssimo, os ônibus estão sempre lotados, diminuem a quantidade e o horário é bastante irregular", disse a doméstica Salete Maciel.

Segundo o economista José Rita Moreira, o aumento das passagens de 2000 até agora já chega a 162%. Reajuste acima da inflação, que foi em média 57% no mesmo período. "Para quem depende de ônibus para ir trabalhar, no final do mês esse aumento vai gerar um grande impacto no orçamento", afirmou.

De acordo com o Sindicato das Empresas Concessionárias, que fazem o transporte coletivo em Ribeirão Preto, o aumento é para cobrir gastos e renovar parte da frota de 320 ônibus que circulam na cidade. Segundo o Presidente da Transurb, Carlos Roberto Cheruli, tudo o que envolve um custo de transporte coletivo é jogado em uma planilha, que tem de ser reposta.

O superintendente da Empresa de Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto (Transerp), Antônio Carlos Muniz, explica que a justificativa do aumento das passagens é devido a algumas melhorias realizadas. "As empresas adquiriram 75 novos ônibus e compraram quatro novas vans para o transporte de deficientes. Houve também dois dissídios salariais", disse.

Ainda segundo ele, a Transerp vai fiscalizar as empresas de ônibus com relação às melhorias do serviço. "Consta na ata essa melhoria e serão exigidas providências das permissionárias quanto a isso", disse. E completa. "Até agosto haverá 75 novos ônibus, e um aumento de linhas em alguns bairros que vão ser definidos pela Transerp."

http://www.milbus.com.br/


Fonte: EPTV.COM


Parece que a coisa tá feia ai em Ribeirão. . .
 
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