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A comunidade de 20 minutos

Esse é o tempo máximo que um morador de Portland leva para se deslocar diariamente de casa ao trabalho. O dado seria irrelevante em um município pequeno. Mas em se tratando de uma metrópole com 2 milhões de habitantes, isso é mais um indicador do urbanismo inteligente que caracteriza a cidade.

Há quem defina Portland como um dos segredos mais bem guardados dos Estados Unidos. Localizada na costa pacífica e rodeada por montanhas e vulcões, entre os quais o Monte Santa Helena, a maior cidade do estado de Oregon jamais esteve entre os destinos mais visitados do país, apesar do título de “Cidade das Rosas” e das belas paisagens e riquezas naturais de que dispõe. Contudo, quando as atenções se voltam para a busca de exemplos de desenvolvimento sustentável, os focos recaem sobre esse município de pouco mais de 500 mil habitantes, cuja área metropolitana abriga cerca de 2,1 milhões de pessoas.

A razão está na implantação de um rigoroso e bem sucedido planejamento urbano, resultado de um engajamento de moradores e governantes raramente visto. O entendimento de que a problemática social e urbana é indissociável do aspecto ambiental reflete-se em investimentos constantes em infraestrutura, no controle de emissões atmosféricas, bem como em políticas de incentivo a construções ecologicamente corretas e no uso de fontes alternativas de energia.

Um dos principais motivos desse sucesso seria a vocação dos norte-americanos para administrar o desenvolvimento de suas cidades de forma extremamente participativa, de acordo com Clara Irazábal, professora de planejamento territorial e desenho urbano da Universidade da Califórnia. “Somente a sinergia entre lideranças contínuas, políticas abrangentes e o envolvimento sustentado dos cidadãos são capazes de produzir resultados extraordinários de planejamento”, afirma a arquiteta venezuelana, que realizou um estudo comparando as políticas urbanas de Portland e Curitiba, capital paranaense.

Esse cenário favorável teria contribuído para que Portland buscasse soluções para questões ambientais muito antes de o termo “sustentabilidade” virar moda na boca de gestores públicos. Em 1903, o paisagista John Charles Olmsted elaborou um relatório para o Conselho do Portland Park, no qual propôs maior integração entre espaços verdes e urbanos como meio de gerar áreas mais agradáveis de uso comunitário. Desde então, incluir políticas verdes no planejamento urbano se transformou em algo intrínseco ao jeito de viver dos “portlanders”.

Um exemplo disso foi o modo como os habitantes trataram a construção de várias vias expressas para a ligação de bairros periféricos ao centro da cidade, uma tendência urbanística da década de 1970 que entrou com força em vários países, inclusive no Brasil. “Enquanto as grandes cidades estavam mais preocupadas em construir vias de concreto, nossa população aprovou a demolição de uma via expressa para substituí-la por um parque às margens do rio Willamette”, comenta Susan Anderson, diretora do Bureau de Planejamento e Sustentabilidade de Portland, órgão municipal diretamente subordinado à Prefeitura.

O pioneirismo não parou por aí. Com uma eficiente rede de transporte coletivo que inclui trens, ônibus, metrô e ciclovias, o município foi, há 15 anos, o primeiro a aprovar um plano para reduzir as emissões de CO2. A cidade também foi uma das precursoras no incentivo ao uso de veículos híbridos e elétricos pela população. Embora seja parte de um projeto ainda em fase de testes, em Portland, quem opta por esse tipo de combustível pode estacionar gratuitamente em áreas tarifadas, além de poder reabastecer as baterias de seu carro em 12 pontos espalhados pela cidade.

Hoje, o município conta com 92 mil hectares de espaços verdes, mais de 120 quilômetros de ciclovias e trilhas e é considerado a melhor cidade nos Estados Unidos para pedalar. Outro motivo de orgulho é o que os habitantes chamam de “Cidade de 20 minutos”, em referência ao tempo máximo que um residente leva diariamente para fazer o trajeto entre sua casa e o local de trabalho.

Injeção na economia

Embora os projetos urbanos de Portland se caracterizem pelo amplo espectro de atuação – da reciclagem de lixo ao incremento do transporte coletivo – em épocas de crise econômica, as ações têm priorizado a garantia da competitividade das empresas instaladas na cidade e o aumento de eficiência das edificações. Graças a sua localização – perto de grandes centros consumidores e com acesso fácil a rodovias, ferrovias e portos –, a principal cidade do Oregon tem atraído empresas como Nike e Adidas e usinas siderúrgicas e metalúrgicas, todas de olho na estabilidade política, no mercado consumidor consolidado e na disponibilidade de energia a preços relativamente baixos.

Além disso, segundo dados da prefeitura local, quase metade das emissões de dióxido de carbono do município são provenientes de construções comerciais e residenciais pouco eficientes sob o aspecto energético e intensos consumidores de óleo combustível. Isso motivou o poder público a apoiar o surgimento de empreendimentos verdes. Hoje já são mais de 50 edifícios que cumprem ou mesmo excedem os padrões de sustentabilidade do Conselho de Construção Ecológica dos Estados Unidos. Para base de comparação, no Brasil todo existem apenas cem prédios do tipo, 2 mil no mundo todo.

Mas isso ainda é pouco para Portland. A meta, segundo Susan Anderson, é reduzir as emissões dos edifícios da cidade em 80% até 2050. Para tanto, a prefeitura adotará uma série de medidas a partir do ano que vem, como o pagamento de uma premiação para os novos empreendimentos comerciais com mais de 6 mil metros quadrados. Ainda nessa direção, administração municipal e iniciativa privada uniram forças para construir um bairro inteiro de edifícios com o selo ambiental LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Batizado de South Waterfront, o novo bairro tem 17 quarteirões, que ocupam uma área de aproximadamente 150 mil metros quadrados às margens do rio Willamette. É parte de um projeto de renovação urbana de uma antiga e desvalorizada região industrial conhecida como North Macadam, próxima ao centro.

A principal base de sustentação desse crescimento urbano é o plano diretor aprovado em 1979 e ainda em vigor. Pela lei, está limitada a expansão física da cidade sobre as áreas agrícolas, evitando o adensamento desordenado, a destruição de recursos naturais e a ineficiência do sistema de abastecimento, problemas comuns em regiões que crescem sem planejamento. Gustavo Pinto, presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Paraná, acredita que esse tipo de restrição à urbanização desenfreada, acompanhada de um bom planejamento metropolitano, poderia ser suficiente para resolver os problemas mais crônicos de grandes cidades de todo o mundo, inclusive no Brasil. “Isso, no entanto, dependeria de um trabalho multidisciplinar, com políticos, técnicos e população atuando de maneira uniforme em favor dos objetivos estabelecidos”, ressalta.

É aí que está o maior desafio. Afinal, na maior parte das vezes, as cidades se ressentem justamente de formas adequadas de cooperação e articulação entre as diferentes esferas governamentais, de projetos com continuidade e do desenvolvimento da cidadania ativa.

Algumas curiosidades sobre Portland

- É a 30ª maior cidade dos Estados Unidos em número de habitantes
- Conta com mais de 120 quilômetros de ciclovias e trilhas
- De acordo com a Grist Magazine, publicação norte-americana sobre políticas ambientais, é a segunda cidade mais sustentável do mundo, ficando atrás apenas de Reykjavík, na Islândia
- A presença de mais de mil empresas de tecnologia fez com que a região ficasse conhecida como Floresta de Silício, em referência ao Vale do Silício, na Califórnia



O município conta com 92 mil hectares de espaços verdes e mais de 120 quilômetros de ciclovias


Mobilidade não é problema na cidade que foi a primeira a aprovar um plano para reduzir emissões de CO2

Julho 16, 2009 08:05 PM
Por Juliana Nakamura, da Revista Sustent
http://www.planeta-inteligente.com/page/article/id/39/A-comunidade-de-20-minutos
 

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^^ Eu concordo que seja um exemplo até mesmo para cidades americanas como Los Angeles, por exemplo, que é gigantesca :)

Acredito que no Brasil haja cidades com bom planejamento também. Evidentemente não estou falando de cidades enormes, mas medianas ou pequenas mesmo :)
 

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- Conta com mais de 120 quilômetros de ciclovias e trilhas
- De acordo com a Grist Magazine, publicação norte-americana sobre políticas ambientais, é a segunda cidade mais sustentável do mundo, ficando atrás apenas de Reykjavík, na Islândia
- A presença de mais de mil empresas de tecnologia fez com que a região ficasse conhecida como Floresta de Silício, em referência ao Vale do Silício, na Califórnia

Cidade coberta por WiMax!

Hi-tech! :master:
 

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Tive o prazer de morar nessa cidade durante o meu intercâmbio!!
Bixo, cidade mais perfeita não existe!!
A preocupação com o meio ambiente é impressionante, isso reflatia no comportamento da minha Host Family!
Morro de saudades e espero voltar em breve!!
 

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É um modelo a ser seguido.
Creio que o maior desafio para nós é a criação de uma entidade de gestão política que contemple a participação da população, técnicos e, que não sofra interferências dos vícios políticos e sociais mais comuns como o fisiologismo e a corrupção.
 

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on my way to the OR trail
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Mobilidade não é problema na cidade que foi a primeira a aprovar um plano para reduzir emissões de CO2



Pra quem achou o VLT de lá muito feio...
Agora não tem do que reclamar!
Chegaram os novos modelos do MAX(Metropolitan Area Express)!
 

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eu acho que o mais importante de tudo em planejamento urbanístico é o Rigor.

aposto que o sucesso de portland se deve muto mais ao rigor com que a cidade perseguiu sua idealização do que a idealização em si, pois planejamento urbanístico é uma coisa em discussão e ainda está evoluindo muito, sabe-se o rumo que um bom plano urbanístico deve tomar, mas não o rumo certo, existem muitas escolas e pensamentos diferentes e todos evoluindo.

e é por isso que eu acho que mais importante é seguir o plano a risca, muitas cidades brasileiras foram ou são inicialmente planejadas, concepções diferentes, mas ainda sim são planos, mas depois de um tempo estraga tudo, temos muitos exemplos disso.
 
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