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Na Suíça Sertaneja
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OÁSIS NO SERTÃO BAIANO
Repórter: Gisele Cichinelli
Fotos: Sérgio Alencar

Um espaço matemático, com um belo jogo de sombras onde, nos moldes da arquitetura sagrada árabe, a sucessão de planos e pilares conforma o espaço sem a predominância de um eixo central. Não é à toa que a praça Dedé Caxias foi batizada de Praça Turca pelos autores do projeto, os arquitetos Naia Alban e Moacyr Gramacho, do escritório Sete43 Arquitetura.

Tendo o Oriente como inspiração, a praça é um refúgio sombreado na aridez da cidade de Juazeiro, localizada às margens do rio São Francisco, que chega a registrar 40º à sombra. “Em uma referência explícita à arquitetura da mesquita de Córdoba, descartamos a adoção de um eixo central devido a inexistência de uma orientação urbana que direcionasse o olho para a praça”, explica a arquiteta Naia Alban.

Estrategicamente posicionada em local de grande circulação, um espaço ocioso pertencente ao SAAE - Sistema Autônomo de Água e Esgoto, a praça deu nova vida ao entorno. “A avenida Adolfo Viana é um dos principais acessos no sentido bairro-centro da cidade e precisava de um espaço público como esse, que funcionasse como um agradável ponto de encontro para os moradores”, conta Edson Tanuri, secretário de Obras de Juazeiro.

Para compor o piso, os arquitetos optaram por blocos de concreto (fck = 30 MPa) tipo “estrela”, com espessura de 2,5 cm, na cor amarela, e assentados sobre contrapiso de concreto já existente. O desenho da malha foi cuidadosamente seccionado por filetes de granito preto que “amarram” aleatoriamente o plano do piso, executado artesanalmente por mão-de-obra especializada. “A possibilidade de erros de assentamento era grande, mas conseguimos evitar os cortes das peças”, explica Thiago Guimarães Lago Pinheiro, engenheiro civil e diretor da Premotec, empresa que forneceu os blocos e executou o piso.

Descanso sombreado

Neste projeto, a necessidade de sombras acabou condicionando o uso de uma solução inusitada. A cobertura, item raro nesse tipo de obra, atende ao desejo do homenageado, o ex-vice-prefeito Dedé Caxias, que costumava reclamar da falta de sombras das praças da região.

Para compor o sistema de cobertura, a dupla de arquitetos lançou mão de uma solução no mínimo criativa: tiras trançadas de material reciclado (garrafas pet e caixas tetrapak) foram “costuradas” em uma estrutura metálica tubular apoiada sobre pilares de concreto. Os pilares de sustentação foram construídos em concreto armado, a partir de peças pré-moldadas de concreto na cor amarela. O desenho foi especialmente pensado para atender ao conceito estético do projeto e assemelha-se ao tronco das palmeiras, vegetação comum em países como a Turquia.

Segundo o arquiteto Sérgio Alencar, que colaborou no projeto, a idéia inicial era executar os pilares em madeira de reflorestamento, porém o custo do material inviabilizaria a obra. Trabalhando em conjunto, arquitetos e engenheiros pesquisaram e discutiram diversas soluções de materiais até chegar nas peças pré-moldadas de concreto, confeccionadas especialmente para atender às exigências da obra. Com 20 cm de altura e diâmetro de 24 cm a 30 cm, foram executadas em concreto fck 20 MPa, em formato tronco-cônico. As peças foram empilhadas e preenchidas com concreto, resultando em 20 pilares de 6 m de altura.

Sem limites para o lazer

Outro desafio para os projetistas foi reduzir a interferência do muro que fecha uma das faces da praça. Para isso, os arquitetos “curvaram” o piso, transformando-o em um piso vertical. Foi feita uma pequena colocação e compactação de terra e, em seguida, uma camada de contrapiso foi aplicada para receber os intertravados. O piso funciona, então, como fechamento, conformando uma parede curva que proporciona a sensação de continuidade, sem ruptura do ângulo reto. “A idéia era eliminar os limites ou, pelo menos, melhorar a sensação de barreira do muro”, explica a arquiteta.

O projeto de paisagismo, executado em parceria com o paisagista Marcos Carvalho, privilegiou o uso de plantas facilmente adaptáveis à região, que reforçam a intenção e o conceito do projeto, como palmeira jerivá, dracena tricolor e grama esmeralda. “A idéia é que a vegetação surja como continuidade do espaço construído. Quando horizontal, cumprirá a função de tapete permeável. Quando vertical, reforçará a malha de pilares preenchendo a geometria proposta com palmeiras”, completa o arquiteto Sérgio Alencar.

Fonte: http://www.revistaprisma.com.br/Textos.asp?id=151&cor=bgAmarelo


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Na Suíça Sertaneja
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Discussion Starter · #7 ·
^^
Esse escritório é de Salvador? Muito bom mesmo!
Sempre passo por essa pracinha quando volto da faculdade... Ela causa um bom impacto visual para quem passa pela Avenida Adolfo Viana, a principal da cidade.
 

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Feliz Natal
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o significado de exótico foi deturpado... mas, a praça está bonita e o projeto tem bom gosto!
 
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