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Discussion Starter · #1 ·
Seguindo sugestões de colegas foristas, proponho criar um thread específico para discutir um tema que aparece difuso em outros, como aqueles referentes ao Centro do Rio, do Centro de São Paulo e da Revitalização do Porto carioca: o da reconstrução de edifícios desparecidos. Como se sabe, a reconstrução foi um método massivo empregado nos países europeus que tiveram suas cidades destruídas na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, a reconstrução parece ter se emancipado das causas imediatas que o ensejaram no período imediatamente posterior à Segunda Guerra, para se tornar uma possibilidade de política urbanistica, sempre que os edifícios e monumentos desaparecidos sejam percebidos pelo poder público como representativos da memória e da identidade da comunidade em que se inserem. As recentes reconstruções da Igreja das Mulheres, em Dresden; da Catedral do Cristo Salvador, em Moscou; do Castelo da Cidade, em Berlim (este em plena execução); o projeto de reconstrução do Palácio das Tulherias, em Paris, são evidências dessa possibilidade de política urbana. No Brasil, é recorrente a discussão sobre a conveniência ou não da reconstrução de edifícios ou monumentos desparecidos em diversas de suas cidades. No Rio de Janeiro, por exemplo, aventa-se periodicamente a reconstrução do Palácio Monroe e do Mercado Municipal; em São Paulo - onde o Pátio do Colégio foi reconstruído na década de 70 -, discute-se também com certa persistência a reconstrução do Palacete Santa Helena, na Praça da Sé. O presente thread pretende servir de espaço específico de debate deste tópico.
 

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Discussion Starter · #2 · (Edited)
Para tentar dar um pontapé na discussão, sugiro discutir o caso do edifício da antiga Academia Imperial de Belas Artes, construído no final do reinado de Dom João VI pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny, no Rio de Janeiro, e que era um dos primeiros edifícios neoclássicos do Brasil.

Quanto à Academia de Belas Artes, este era o projeto original de Grandjean de Montigny, apresenta da dom João VI:



Com os inevitáveis cortes orçamentarias, saiu assim:



Construída, a fachada ficou deste jeito:



No decorrer do século, o edifício ganhou o segundo andar, aproximamdo-se do primeiro projeto:

 

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Discussion Starter · #3 ·
Este ângulo é interessante porque mostra a fachada para além do pórtico, incluindo a abertura das esquinas fronteiras, feita para valorizá-lo. Essas aberturas ainda existem, apesar do edifício ter sido demolido e nada haver no seu lugar. Veja-se também que era exatamente neste larguinho que ficava a estátua de João Caetano, depois transferida para a frente do teatro homônimo.



Esta foi a forma final do edifício, como ministério da fazenda, com três andares, já no começo do século vinte:



Por fim, em torno de 1935, resolveram demolir o prédio para ampliar as dependências do ministério. Depois de terem demolido o prédio, resolveram construí-lo noutro lugar - o Castelo, onde está lá o palácio da fazenda. Desde então, o terreno enorme da avenida passos ficou vazio, transformado há mais de meio século em estacionamento.

O Rodrigo Melo Franco de Andrade, primeiro dirigente do Patrimonio Histórico, conseguiu salvar o pórtico, levando-o para ser montado no Jardim Botânico como espécie de ruína decorativa.



Quanto ao que foi feito do lugar nos últimos 75 anos... Eis uma foto atual do lugar. Que tal?

 

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À parte as considerações óbvias (leia-se: custo, disponibilidade de material, pessoal e técnicas), creio que esse tipo de proposta seja adequada somente para devolver algum valor urbanístico perdido que seja imprescindível recuperar. E muitas vezes correndo o risco de soar fake, como aquela catedral em Moscou que os comunas derrubaram na década de 1920 e o governo russo reconstruiu na década de 1990.

Eu particularmente adoraria ver o Teatro Municipal de Campinas ser reconstruído no lugar que ele ocupou um dia. Mas para vê-lo ser pichado e degradado como muita coisa no lugar, sinceramente não acho legal...

Vai depender muito de uma análise que considere o quanto isso vale a pena, em todos os aspectos.
 

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Dá até uma depressão de ver o que aconteceu com esse edifício no Rio. Belo Horizonte já teve um belo teatro municipal:



Sendo no Centro, no lugar dele hoje deve ter um prédio comercial qualquer sem qualquer relevância arquitetônica, mas como o Fabius disse, se não for bem-feita corre o risco de ficar fake.
 

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Reconstruir por reconstruir melhor deixar apenas nas fotos. O que torna esses prédios magníficos é a história deles. A reconstrução não passaria de uma cópia como se a Monalisa fosse destruída e algum computador imprimisse numa tela. Nada original.

Devemos construir novos prédios icônicos para que no futuro tenham história e valor.
 

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Feira da Fruta
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Este tipo de tópico chega a doer quando vejo as fotos do que existia antes e como está hoje em dia. Nem entro mais aqui. Adeus pra vcs.

Quanto a reconstrução...existem pouquíssimas pessoas capacitadas para fazer todos os detalhes que existiam nesses prédios. Oq torna uma obra de reconstrução muito cara.
 

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Discussion Starter · #8 · (Edited)
À parte as considerações óbvias (leia-se: custo, disponibilidade de material, pessoal e técnicas), creio que esse tipo de proposta seja adequada somente para devolver algum valor urbanístico perdido que seja imprescindível recuperar. E muitas vezes correndo o risco de soar fake, como aquela catedral em Moscou que os comunas derrubaram na década de 1920 e o governo russo reconstruiu na década de 1990.

Vamos ver de mais perto esse caso da Rússia.

Em 1883 - apenas 20 anos antes do Monroe - foi construída em Moscou a Catedral do Cristo Salvador. Para quem gosta de música clássica, foi para a inauguração dela que Tchaikovsky compôs a famosa Abertura 1812. Eis fotos dela, da década de 1910.[


Ocorre que, em 1933, a Rússia estava em plena escalada do bolchevismo soviético - ferrenha ditadura, portanto. A cúpula do partido comunista, perseguindo os ícones religiosos, decidiu dinamitar a catedral.



A intenção da ditadura era a de, em seu lugar construir, o super-ultra-mega power moderno palácio dos sovietes, com direito a estátua de Lenin na cúpula.



Mas acabou que o espaço vazio virou... Uma piscina publica...!! (Foto da década de 1960)

 

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Reset
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Reconstruções dependem, acho, de momentos bem específicos, ou de se dar um valor aos prédios reconstruídos. Não precisa ser como no Japão ou na Europa, em que praticamente tudo de antes de 1900 que algum dia veio abaixo é reconstruído. Um caso em que acho que, no Rio, vale pensar é justamente agora, na demolição da Perimetral; valeria reconstruir os prédios derrubados para sua construção.
 
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Discussion Starter · #10 ·
Com o fim da ditadura comunista, começou a mobilização da sociedade civil moscovita e de setores da igreja para que o Estado reconstruísse a Igreja - uma igreja que existiu durante menos tempo que o Monroe, e que, como ele, havia sido destruído durante uma ditadura. E apesar da oposição de setores locais, que preferiam que algum grande magnata americano construísse no lugar algum arranha-céu copiado de Dubai, a Igreja foi reconstruída nos mínimos detalhes.









 

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Discussion Starter · #11 ·

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Dá até uma depressão de ver o que aconteceu com esse edifício no Rio. Belo Horizonte já teve um belo teatro municipal:



Sendo no Centro, no lugar dele hoje deve ter um prédio comercial qualquer sem qualquer relevância arquitetônica, mas como o Fabius disse, se não for bem-feita corre o risco de ficar fake.
Edifício bem bonito,hein! Pena que não existe mais :eek:hno: Fico imaginando a Região Central de Belo Horizonte com muitos prédios históricos(parecidos com os da Praça da Liberdade),mas pena que esses prédios foram destruídos para dar lugar a prédios não-históricos.
Acho que deveriam fazer uma releitura dos edifícios históricos desaparecidos nas cidades ou dos estilos arquitetônicos,construindo-os com detalhes e aspectos modernos e contemporâneos :cheers:Seria o Neo do Neoclássico,o Neo do Neogótico...
 

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Reconstruir por reconstruir melhor deixar apenas nas fotos. O que torna esses prédios magníficos é a história deles. A reconstrução não passaria de uma cópia como se a Monalisa fosse destruída e algum computador imprimisse numa tela. Nada original.

Devemos construir novos prédios icônicos para que no futuro tenham história e valor.
Só pra constar que a Monalisa já teve partes significativas destruídas e reconstruídas, incluindo até por ácido.
 

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Bandeirantes
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Seria muito legal se esta moda pegasse aqui no Brasil, infelizmente tivemos vários ícones arquitetônicos demolidos nada melhor do que reconstruir eles mesmo que não seja no exato local.
 
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Edifício bem bonito,hein! Pena que não existe mais :eek:hno: Fico imaginando a Região Central de Belo Horizonte com muitos prédios históricos(parecidos com os da Praça da Liberdade),mas pena que esses prédios foram destruídos para dar lugar a prédios não-históricos.
Acho que deveriam fazer uma releitura dos edifícios históricos desaparecidos nas cidades ou dos estilos arquitetônicos,construindo-os com detalhes e aspectos modernos e contemporâneos :cheers:Seria o Neo do Neoclássico,o Neo do Neogótico...
Esse aqui era a câmara municipal:


http://www.cmbh.mg.gov.br/noticias/2012-05/historia-da-camara-municipal-de-belo-horizonte

Ainda está lá, mas hoje é um centro cultural.
 

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Palacetes Gêmeos

Eu acho que o maior aborto urbanístico de São Paulo (excetuando se as marginais) foi a demolição dos palacetes gêmeos de Conde de Prates no Vale do Anhangabau.










Um deles inclusive sediou a Prefeitura e a Câmara Municipal por um dado período. O outro foi sede do Automóvel Clube. Infelizmente foram demolidos nos anos 50 e 60 para a construção destes prédios aqui:







Sei que a chance de serem reconstruídos no mesmo lugar é nula, mas foi um lindo conjunto que a cidade perdeu!
 

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E apenas para ilustrar, o Palacete Santa Helena citado pelo Ouvidor é esse aqui:





Era um dos maiores e mais luxuosos edifícios da cidade no começo do século XX e foi demolido nos anos 70 (junto com todo o quarteirão em que ficava) para a construção da Estação Sé do Metrô. Com as obras foi criada uma mega praça com a junção da antiga praça da Sé e da praça Clóvis Bevilacqua. Há quem diga que a demolição do Santa Helena poderia ter sido evitada.
 

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Soteropolitano
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Vale. Muito.

Poderiam reconstruir e dar uma função diferente. Exemplo: reconstruir a carcaça de uma igreja demolida e, internamente, ser um cinema/museu/biblioteca/livraria/restaurante.

Engraçado é que muita gente que se diz contra baba com a Europa, por exemplo, que, em boa parte, foi totalmente destruída e reconstruída (e, em muitas delas, na reconstrução as ruas foram alargadas). É um tanto contraditório isso.

As cidades ficariam mais harmônicas, em vez disso aqui, por exemplo:
Rua Chile, São Salvador streetview



e isso

Pelourinho, Centro Histórico de Salvador

http://docexpoe.com.br/fiquepordentro.asp?id=163

erro que foi parcialmente corrigido após muitos anos (explicação detalhada no próprio link):

"Com todas estas atitudes, espera-se lograr o objetivo de construir uma imagem mais unitária e harmoniosa do primeiro cone visual que se percebe, ao chegar-se à Praça da Sé, a partir da Misericórdia, corrigindo-se um equívoco de mais de dez anos."
 
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