Skyscraper City Forum banner
1 - 17 of 17 Posts

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #1 ·
Em 2007 vivia num apartamento. Sempre tive uma enorme paixão por casas antigas, desde que me conheço, que estas têm sobre mim um qualquer encanto que nem sei bem de onde vem. São-me, todas, irresistíveis.
Decidi, em 2007, procurar casa nova, de preferência, sem ser em apartamento. E apaixonei-me por uma casa nova, muito velha. Uma casa com mais de cem anos, de origem saloia. Neste tópico, gostaria de a partilhar convosco..até porque eu própria continuo a procurar a sua história, as suas origens. Quem sabe um dia esta minha procura tem fim.
Como neste fórum há arquitectos, historiadores..quem sabe se possa tornar numa conversa interessante até ! Quem sabe.

 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #4 ·
Na realidade, eram 3 casas pequenitas, que juntaram aquando a recuperação em 1992, para fazer uma só.
Ficou com a planta actual. Sala e cozinha seria uma casa. Quarto e casa de banho, outra, e a parte torreada, de dois pisos com uma divisão em cada piso, seria a terceira casa. Uniram-se apenas pelo acrescento entre elas de 2 corredores, fazendo-as comunicar entre si. Temos os tradicionais pátios exteriores, um traseiro e um mais pequeno na frente da casa.

 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #5 ·
Marco, vi o perfil, não interessa para o tópico, mas também vivi em Moçambique, aliás, nasci lá.
 

·
Les cites obscures
Joined
·
11,247 Posts
Parece-me um bom aproveitamento do espaço para a vida actual, mantendo a unidade visual exterior da(s) casa(s). Também aprecio pátios!

No interior mantiveram também uma linguagem rústica/vernacular?
 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #8 · (Edited)
Parece-me um bom aproveitamento do espaço para a vida actual, mantendo a unidade visual exterior da(s) casa(s). Também aprecio pátios!

No interior mantiveram também uma linguagem rústica/vernacular?
A casa ganhou um prémio de restauro de arquitectura popular, aquando a sua recuperação em 1992, atribuído pela Associação Cultural de Cascais https://sites.google.com/site/asscultcascais/

Por essa razão, mas acima de tudo, porque aprecio de verdade esta arquitectura e faz-me sentido mantê-la conforme original, o mais possível, temos feito por fazer precisamente isso, tanto nos exteriores como nos interiores. Houve alterações por razões de isolamento e térmicas, por exemplo as janelas que agora são em pvc, tal como as portas, o soalho do rés do chão que era em madeira e fantástico mas que substituímos por tijoleira (as humidades davam cabo do chão, e a caixa de ar é mínima, não deixando a madeira respirar), no piso superior conseguiu-se manter..

Sim, fazemos sempre por isso, alterar o menos possível, manter o desenho e os materiais de origem, sempre que possível, é essa a prioridade. E manter o espírito da casa.






 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #11 · (Edited)
Casa Saloia em Cascais
“As casas que são capazes de propor este encontro determinante são, sem qualquer dúvida, grande arquitetura. E, como todos os modelos bem-sucedidos, possuem ampla e mesclada descendência onde a arte cruza permanentemente com a(s) vida(s), que é outra nobre função da arquitetura” Silva, R. 2011 in Arquitectura de veraneio: alguns tópicos sobre o que é e algumas pistas par o que falta saber, Monumentos, nº 31: pp. 84-91.

Porsaloio– do árabe vulgar sahroi:habitante do deserto,define-se: Que ou quem é dos arredores de Lisboa, a norte do rio Tejo; Que ou quem trabalha ou vive no campo."saloio", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/saloio [consultado em 10-05-2015].
De forte personalidade reflecte esse seu vigor na construção da sua habitação, na solidez da sua espessa alvenaria de pedra, formando volumes cúbicos num individualismo próprio desta comunidade de povos arabizados, evoluindo paulatinamente ao longo dos séculos seguintes às invasões dos povos do norte de Africa na península ibérica, para uma cultura moçárabe. Homem do campo desde gerações, que com a reconquista cristã foi afastado para os arrabaldes de Lisboa – institucionalizados que foram os reguengos: terras do reino em que os mouros ou moçárabes foram autorizados a se instalarem, veio ao longo de sucessivas gerações desenvolvendo uma cultura própria, baseada nos seus costumes, crenças, linguagem e vestuário, numa direta herança da tradição e conhecimento do povo árabe, até à 2ª metade do século XIX, data a partir da qual, e em resultado do surto de desenvolvimento do litoral de Cascais, deixou esta sua secular vivência cultural, dedicando-se em grande número à atividade na construção civil ou a servir nas casas mais abastadas que se iam implantando no litoral (Henriques, J. 2014, p.36). Em Cascais a ocupação deste povo de origem mourisca é mais notória nas freguesias do seu interior de Alcabideche e de S. Domingos de Rana, que pela extensão dos seus campos conferiam características rurais propícias à localização de todo um povo de fortes ligações à terra na sua herança da tradição árabe, retirando dela tudo o que necessitavam. A arquitetura vernacular de tipologia saloia, preservada na sua maioria no interior do território, sobretudo por iniciativa privada, podendo-se observar no núcleo de Manique de Baixo, a conservação cuidada de um importante conjunto cultural legado dos povos que nos antecederam e que por aqui viveram em harmonia com a natureza durante séculos. Esta tipologia manifesta-se em construções que se identificam com o local, estando na sua génese a resposta às necessidades físicas e sociológicas de um grupo étnico, do uso de materiais disponíveis ao seu redor e na sua adequação aos agentes físicos. "

Fonte : https://sites.google.com/site/asscultcascais/noticiário/salvemosacasasaloia
 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #12 ·
Tenho um duvida prática, se me puderem ajudar, agradeço.

Como se vê nas imagens acima, a minha casa saloia com a risca azul está a precisar dum retoque : foi instalado ar condicionado e fizeram o furo para as tubagens precisamente a apanhar a risca azul. Bom, para fecharem o buraco à volta dos tubos usaram betume. Isto tudo para dizer: vamos ter que retocar o azul da risca. Isto é possível fazer-se de forma satisfatoriamente imperceptível, ou vai notar-se sempre a diferença entre o azul existente e o recém pintado ? Se alguém pudesse opinar, agradecia..
 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #14 ·
Tenho um duvida prática, se me puderem ajudar, agradeço.

Como se vê nas imagens acima, a minha casa saloia com a risca azul está a precisar dum retoque : foi instalado ar condicionado e fizeram o furo para as tubagens precisamente a apanhar a risca azul. Bom, para fecharem o buraco à volta dos tubos usaram betume. Isto tudo para dizer: vamos ter que retocar o azul da risca. Isto é possível fazer-se de forma satisfatoriamente imperceptível, ou vai notar-se sempre a diferença entre o azul existente e o recém pintado ? Se alguém pudesse opinar, agradecia..
Não obtive resposta, vou ter que descobrir a solução por mim, mas acho muito difícil acertar o tom de uma tinta nova numa tinta já existente. Não sei, vamos ver se se consegue.
 

·
Registered
Joined
·
272 Posts
Discussion Starter · #17 · (Edited)
Obrigado pelas fotos. Não tenho ido ao pc, ultimamente só tenho acompanhado o forum via tlm, e não me dá jeito escrever muito.
Obrigada, não se preocupe. Eu também não tenho escrito no fórum, o meu cão faleceu e isso deixou-me sem grandes vontades de nada pelo desgosto.
 
1 - 17 of 17 Posts
Top