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res severa, verum gaudium
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DISTRITO DE EVANGELISTA

O Distrito/Vila Histórica de Evangelista faz parte do município de Casca, Rio Grande do Sul.

Anteriormente chamado de "Mauá", em homenagem a Irineu Evangelista de Souza, o Barão de mesmo nome, o distrito se localiza entre a sede urbana de Casca (10km) e a cidade de Serafina Corrêa (14km), também conhecida por seu patrimônio italiano.

Seus primeiros povoadores italianos chegaram por volta de 1910, tanto imigrantes diretos quanto outros anteriormente estabelecidos na região de Veranópolis. Os poloneses, segundo grupo de imigrantes, estabeleceram-se na região de Cárpatos.

São Luiz de Guaporé, em 1920, passou a chamar-se São Luiz de Cáscara, e a partir de 1928 acentuou-se o uso do topônimo Cáscara.

Quanto à origem do nome Casca, há duas versões: A primeira é de que havia na região, casca de certa árvore, muito procurada por sua utilidade; a segunda explica que é devido ao topônimo "Lajeado Cáscara".

Com a nova divisão administrativa e judiciária do estado, o decreto estadual nº 4842, de 30 de junho de 1939, implantou, oficialmente, a denominação de Casca ao distrito de Cáscara.

Emancipou-se de Guaporé em 1954.

A estimativa populacional do IBGE para Casca é de 9.079 habitantes para o ano de 2017. Evangelista deve ter pouco mais de 300 habitantes, estimo. A presença do elemento italiano é marcante na vila: a arquitetura das casas e da igreja, o dialeto talian falado pelos moradores, os costumes, a culinária... é mais uma joia que meus ascendentes e de tantos outros brasileiros criaram no Brasil.

Nos fins de semana, a vila recebe vários turistas, oriundos principalmente das regiões de Marau e Passo Fundo, atraídos pela culinária local e construções históricas.

Estive na vila no dia 20 de janeiro, para um encontro da minha família materna, oriunda do Vèneto e estabelecida na região de Guaporé e Veranópolis. A escolha do vilarejo foi porque duas tias-avós minhas, muito idosas, vivem lá, e queríamos que elas participassem do encontro. Foi um final de semana muito divertido, regado a vinho, churrasco, grostoli, Merica' Merica' e reencontros emocionantes.

Este vídeo da Universidade de Passo Fundo mostra um pouco do cotidiano do vilarejo:

Enfim, vamos às fotos, todas de minha autoria. Já peço perdão pela qualidade, foram tiradas com a câmera de um iPhone 8, e o imgur aparentemente reduziu a qualidade no redimensionamento.

1- "Skyline" do vilarejo, visto a partir de um morro atrás da igreja


2- A igreja, construida há 70 anos


3- Fachada


4- Forro da igreja, ainda cheia por conta da missa da família


5- Laterais


6- Nave central e altar


7- Uma edícula, é como se chamam esses nichos com imagens sacras


8- As imagens do altar principal


9- Vitral lateral


10- Detalhe de um vitral. Era muito comum que famílias e grupos sociais apoiassem financeiramente a reforma das igrejas, e em troca, seus nomes eram "eternizados". Neste caso, quem doou os vitrais foi a comunidade polonesa de Casca, e algum Ernesto Alves


11- Detalhe de um quadrinho da Via Sacra


12- Pinturas no teto


13- Já fora da igreja, um arco em homenagem aos pracinhas da II Guerra Mundial na Itália. Alguns casquenses retornaram brevemente à pátria-mãe, para lutar pela pátria que o acolheu


14- Detalhe das informações sobre um dos homenageados


15- Rua lateral à igreja


16- Posto de saúde e correios do distrito, achei a construção muito boa para ser da prefeitura. Na cidade onde nasci a prefeitura é conhecida por fazer obras porcas em seus distritos. Ponto para o município de Casca


17- Quero-quero nos dá o ar da graça


18- Residência antiga


19- Detalhe


20- A prefeitura andou calçando algumas ruas


21- Residência típica do Sul do país


22- Há árvores floridas por toda a vila


23- Centro Cultural mantido por família local


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25- Agora, resolvi seguir uma trilha atrás da igreja pra ver onde dava...


26- Bem sinalizada e limpa


27- Hortênsias fazem parte da paisagem do RS


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29- "leoneto baio" é a suçuarana/puma, em dialeto vèneto


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31- Ao fim da trilha, uma gruta


32- Dedicada a N. S. das Graças


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34- Voltando ao vilarejo, antigo armazém


35- Esse cruzamento é o "centro" da vila


36- Simpática bomba antiga Esso


37- Fachada do armazém. Seus donos o usam para eventos


38- Na lateral passa uma sanga


39- Todos esses carros na frente da igreja eram familiares meus que estavam festando no salão ao lado :D


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41- Infelizmente não haviam espigas maduras, então, sem roubar milho


42- Esta "bodega", como se chamam os bares/mercearias no interior do Sul, é o ponto de encontro local dos senhores que jogam canastra, truco e bebem Polar


42.1 (errei a numeração e não vou trocar tudo :D)


43- A escola, na entrada da vila


44- Já numa rua abaixo da igreja


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46- Muitos optam por permanecer na tranquilidade de Evangelista


47- Esta casa é do mesmo dono da nova. Eles a manterão de pé


48- Um moinho histórico


49- Detalhe. A família Franciosi, proprietária, mantém o edifício como um museu


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52- Antigo matadouro


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57- Galpão, onipresente nas vilas do interior


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59- Nesta casa reside simpaticíssima senhora que me convidou para tomar um chimarrão, conhecida das minhas tias-avós. Quando comentei que morava em Porto Alegre, ela comentou "dizem que lá está muito perigoso, a bandidagem... mas aqui não está muito diferente, está muito perigoso, mês passado um dos galos do meu galinheiro sumiu" :lol:


60- É comum que as pessoas usem a calçada de horta


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63- Mais um galpão


64- Há um pequeno parreiral ao lado...


65- ... cujas uvas já foram quase todas colhidas, mas sobrou algo...


66- Uma pequena serraria da vila


67- Nesta casa reside outra senhora muito simpática, que também me convidou para um mate. Conversei com ela um tempo e vi que algo estava estranho... ela me pediu várias vezes se eu era aluno dela. Depois, quando perguntei quando havia sido construida a igreja, ela me disse "ah, fazem uns 10 ou 12 anos..." aí reparei que ela sofria de Alzheimer. Informação confirmada pelo seu filho, que chegou depois. Foi simpaticíssima comigo e me pediu para ficar mais conversando com ela. Confesso que foi difícil segurar as lágrimas... É duro entender como o tempo é cruel com as pessoas que ajudaram a edificar tudo isso.


68- A mesma sanga, porém em outro ponto do vilarejo


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70- A última casa histórica da vila. A partir daí, a estrada segue em direção a outras linhas do município


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73- Por fim, a banda que animou a tarde do encontro ao som de bandinhas sulistas, música italiana e mesmo anos 80. Grazie!


Um agradecimento especial ao forista Lucas Souza RF, que me incentivou e ajudou a montar o thread.
 

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Que thread lindo!

Além das fotos, adorei as histórias contadas!! E tadinho do galo que sumiu! :nuts:

Amo o RS e ver tudo isso dá uma saudade maiúscula!

Parabéns pelo thread, Pietrin! E o Lu é ótimo, né?

Muito obrigada por compartilhar com a gente!

bjks
 

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Discussion Starter · #4 ·
Que thread lindo!

Além das fotos, adorei as histórias contadas!! E tadinho do galo que sumiu! :nuts:

Amo o RS e ver tudo isso dá uma saudade maiúscula!

Parabéns pelo thread, Pietrin! E o Lu é ótimo, né?

Muito obrigada por compartilhar com a gente!

bjks
Obrigado Dea! A Serra sempre nos reserva grandes surpresas!

Muito legal o thread e a colônia. Idêntica as "linhas" e vilas do oeste de SC. Também curto fazer esse tipo de passeio. Teve esmagamento de uva no encontro da família? :) Parabéns!
Não teve esmagamento de uva pois a maioria já havia colhido :(

A região lembra mesmo o Oeste de SC e Sudoeste do PR, mas a colonização em Evangelista é mais antiga. Essas casas centenárias de imigrante só são encontradas na região do Vale do Rio do Peixe, mais antiga por causa da ferrovia, e mesmo assim são significativamente menos que na Serra.
No Sudoeste do PR, são quase inexistentes. Mas os perímetros urbanos de Pato Branco, Francisco Beltrão e especialmente Salto do Lontra ainda preservam boa parte de seu patrimônio de casas de madeira dos anos 50.

Obrigado!
 

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Minha mãe é nascida nesta localidade!!! Emoção em rever em fotos! Capricho e história se encontram nesse local. Segundo conta minha mãe, o distrito até meados dos anos 70 era muito movimentado, pois todo o fluxo da atual RS 129, que liga o planalto médio aos vales, passava por dentro da vila. Não é à toa a bomba da Esso, ainda ali preservada. Também havia uma unidade do Frigorífico Ideal, hoje no centro de Serafina Corrêa, que depois virou unidade de suínos da Perdigão, hoje BRF. É uma região bem singular em termos não só de Brasil, como também do próprio Rio Grande do Sul.
 

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Muito legal o thread.
Lugarzinho simpatico e bucolico(pra passar um fim de semana e olhe la! :D).

Grazie Pietrin.
 
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res severa, verum gaudium
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Discussion Starter · #12 ·
Que cidade simpática! Lembrou o Oeste Catarinense (Palmitos, Maravilha e Caibi)
Você acha? Eu adoro Maravilha, é um exemplo de cidade em sua população para mim (muito rica e industrializada), mas Evangelista é beeeeem menor e tem um estilo diferente... enfim, cada um com suas impressões!

Obrigado por presenciar!
 

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Longe demais das Capitais
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Alguns antigos chalés de madeira em Porto Alegre. Tem os de estilo "alemão" e os de estilo "italiano" , e outros estilos fofos, da primeira metade do século 20.

Casario na capital :
















Chalés e prédios de madeira, de estilo serrano, eram comuns também na... praia !


Imagens das praias de Capão da Canoa e Tramandaí :

































E uma das dezenas de chalés antigos de madeira da praia de Tramandaí:




( e com a sombra de uma bela figueira )





Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1707116



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Discussion Starter · #16 ·
^^ hahahaha esse tipo de reaproveitamento de piso é a cara do interior... na casa da minha nona lá no Paraná também é assim. É comum que troquem os pisos de acesso dessas casas por piso antiderrapante conforme os moradores vão ficando mais velhos.
 

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Que imagens nostalgicas! Essas casas de madeira remetem a minha infância, quando toda à tardinha atravessava a rua de paralelepípedo (antes disso era chão batido mesmo) e ia até a casa do meu nono tomar aquele café colonial dos mais fartos.
Valeu pelas fotos!
 

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Parabéns pelo trabalho Pietrin!!

Sensacional a riqueza de detalhes do thread, particularmente acho você um dos mais brilhantes foristas pelo vasto conhecimento tecido em comentários SSC afora.

Dei uma animada pra fazer logo um de Pato Branco

vlww
 

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res severa, verum gaudium
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Discussion Starter · #20 ·
Parabéns pelo trabalho Pietrin!!

Sensacional a riqueza de detalhes do thread, particularmente acho você um dos mais brilhantes foristas pelo vasto conhecimento tecido em comentários SSC afora.

Dei uma animada pra fazer logo um de Pato Branco

vlww
Que isso Rofel, tudo que sei é lugar-comum e mais alguma coisinha ou outra que minhas viagens me permitiram aprender.

Por favor faça um thread de PB logo, inclua aquelas fotos que postaste no thread de obras também, é uma cidade pela qual nutro muito carinho, especialmente por ter sido batizado aí.

Abraços
 
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