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O Prof Godin
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Discussion Starter · #1 · (Edited)
Ponderei bastante se devia ou não fazer este thread.
Eu sou uma pessoa livre. Pensando, para a minha idade e formação, sou uma das pessoas mais livres que conheço, pese embora o banco…
Devo-o primeiro ao meu pai que me criou livre e me proporcionou uma educação aberta, de forma a que eu formasse as minhas próprias opiniões, devidamente fundamentadas, e para seguir um caminho à minha escolha.
Tive a sorte de nascer no seio de uma família interessante, de crescer numa cidade, à época, interessante, num país que, à época, não envergonhava. Isto das memorias é complicado. Mas, por comparação, nos anos 70 esta Espanha grande, desenvolvida, cultural e tecnológica que hoje nos envergonha - não existia. Não havia rei, os carros eram uma merda, as cidades velhas, os espanhóis uns trengos. França sim, era outro mundo. Deste modo, por comparação, Portugal mão era mau.

Seja como for, para não divagar, durante uns tempos eu e a vida proporcionaram-me condições para fazer investigação na área da arquitectura e do urbanismo. Assim aqui fica o meu elogio e o meu agradecimento aos meus dois assistentes, César e Ricardo, sem os quais o programa não poderia ter sido desenvolvido, assim como aos meus alunos que alinharam neste jogo magnifico que é (ou pode ser) a arquitectura. Muito obrigado a todos.

Proposta de resort em Moledo para um futuro provável…talvez daqui a 50 anos


































continua…
 

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Fantástico :applause:

Gosto muito do projecto... espero que algum dia se faça algo assim.

é de facto uma atitude nobre da sua parte em expor as suas raízes e a sua educação. ficamos agradecidos e poderemos evetualmente levar isso como exemplo a seguir já que estamos a passar por uma época um pouco má para os jovens em termos de emprego.

De certa forma é também o nosso Professor ;)
 

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BEM! Sr. Prof Godin! Surpreendeu-me se era esse um dos objectivos :shocked: De facto nunca pensei ver um resort neste estilo... na localização que é (praia às portas de Espanha) e - e o que mais gostei - actuando tb como uma ligação pedonal sólida e permanente ao Forte da Ínsua, que até agora, só de barco se vai lá.

Os meus parabéns! :applause:

Agora fiquei curioso foi na estrutura do resort em si e na sua constituição (sectores e materiais).
 

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Excelente projecto. :applause:
 

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Uma dúzia de anos disto..
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Tenho que lhe dar os parabéns, que o projecto é de facto muito bom!:eek:kay:
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter · #11 · (Edited)
Resort em Leça, Matosinhos I

Estes trabalhos consistem na procura de novos modelos urbanos, planeamento, equipamentos, habitação e espaço público, centrados na concepção da utopia projectual como contraponto da distopia - Imagem do futuro horrível no século XX - para um horizonte de 50 anos.

Procurava-se aqui, em Leça, reabilitar uma zona industrial degradada, criando um espaço polivalente de grandes dimensões destinado a uma ocupação sazonal pendular e ás subsequentes necessidades de afluxo de massas, ocupação dia-noite e inverno - verão.
Na transformação da refinaria mantêm-se algumas das suas formas arquitectónicas e industriais, marcando o seu uso antigo e permitindo a sua leitura no tempo.
Esta proposta é pensada para minorar os problemas de uma costa rochosa e com poucas praias, ventosa e de água demasiadamente fria para um uso balnear.

Os meus agradecimentos e saudações ao Luís.























…uma outra proposta





 

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interessante.. isso é a requalificação de parte da refinaria como modelo para hotel?
 

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Uma dúzia de anos disto..
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É 1 conceito extremamente interessante!;)
 

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ai Godin, não me leve a mal mas salvem Moledo desse projecto, embora baixinho teria grande impacto na paisagem ja este para Leça td bem, é uma zona com uma componente populacional e paisagistica diferente!!
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter · #15 ·
Perdoem-se a “seca”, mas já que eu sou professor

Obrigado pelas V. opiniões.
A utopia Utopia (que vem do grego, ou-topos: lugar nenhum) é uma ilha e uma sociedade inventada por Thomas More, jurista, pensador, politico e filosofo inglês do século XV/XVI, morto por decapitação por coerência com o seu próprio pensamento. Nesta obra ele descreve uma sociedade “perfeita”, narrada na voz de um português, Rafael Hitlodeu (Hitlodeu quer dizer aproximadamente nonsense), o que mostra a importância e a imagem de se ser português no século XVI.

Nas minhas próprias palavras:
[…A Terra é um pequeno planeta, ilha de vida no universo. A cidade não é mais que uma grande casa, ilha urbanizada de um continente agrícola. A casa é um modelo reduzido da cidade e o jardim a reprodução do paraíso inicial. Estamos perante a figura da utopia, a ilha que constantemente procuramos mas que não existe senão nas nossas mentes, sociedade perfeita em modelo reduzido do que constitui o universo do homem. Este é o trabalho do arquitecto, construir mundos interiores, ilhas perfeitas, ancorados no mar das multidões que constituem a cidade.

A questão da cidade balnear aproxima-nos da noção de utopia pelo facto de serem modelos novos, quer a cidade quer a habitação, que procura novos lugares com novos hábitos e costumes, longe dos espaços de produção.

Veja-se o paralelo que existe entre a ilha de Utopia e um aldeamento turístico algarvio. A ilha de Utopia é constituída por 54 cidades com idêntica localização, cada uma dividida em 4 partes iguais com mercado central. Destas a principal, Amaurot, localiza-se junto a uma baía onde desagua um rio. A cidade alicerça-se numa pequena colina. As casas são quase todas iguais, de tal forma que ao observarem-se dá a ideia que de uma só grande casa se tratar. No entanto existem pequenos palácios. Os jardins são cultivados com árvores de fruto, não são murados e a propriedade privada desapareceu. A cidade é protegida por muralha.
O aldeamento é constituído por um conjunto variável de habitações semelhantes, que quando de grandes dimensões se agrupam sobre um espaço central comercial. Os aldeamentos procuram situações de promontório ou elevação sobre a paisagem, de onde desfrutam de vistas para o mar. O rio pode existir embora seja mais frequente ser substituído por piscinas e lagos. Alguns conjuntos de apartamentos agregam-se formalizando um só edifício. Existem casas particulares singulares. Os jardins não tem divisão física, mas sim sebes, e os lotes são inseridos em grandes espaços verdes comuns, transmitindo a sensação de se viver em comunidade. Em alguns casos a propriedade privada desapareceu pois são unidades destinadas ao aluguer, pertença de um só proprietário ou sociedade. Os aldeamentos são vedados a toda a volta, embora a entrada seja pública, em alguns casos.
Também os hábitos sociais se assemelham, existindo convívio entre os residentes e mesmo a forma de vestir se aproxima, já que a maioria se veste informalmente com roupa reduzida à actividade balnear.
A aparência destes espaços descritos é de grande harmonia. Tudo é limpo e tratado, parece perfeito. Existem funcionários tal como em Utopia existiam mercenários e escravos. Não posso afirmar que a mulher obedeça ao homem, que a sociedade seja baseada na família onde o ancião manda por ser o mais sábio, e as crianças obedeçam aos adultos, numa cadeia hierárquica de idades. Mas a ideia que transmite a quem visita estes lugares é de harmonia entre os homens e a natureza. Parece existir igualdade entre os cidadãos, que igualmente ricos não necessitam de o mostrar, e se não existe paz, pelo menos existe segurança reforçada.
Este modelo utópico existe e a sua raiz também deve ser estudada no contexto da ilha de Thomas More, assim como nas outras utopias que se lhe seguiram, nomeadamente o movimento saint-simonista, ao qual estiveram ligados os irmãos Pereire, judeus franceses de origem portuguesa, responsáveis pela implementação da cidade balnear de Arcachon (1850), assim como ao financiamento da construção das primeiras linhas de caminho de ferro em Portugal, já referido em texto…], in MASCARENHAS DE LEMOS, Eduardo Cardoso “Modelos urbanos e a formação da cidade balnear. Portugal e a Europa.”, policopiado, tese de doutoramento em Arquitectura, Faculdade de Arquitectura e Planeamento Urbano, Universidade de Wroclaw, Polónia, Julho de 2007.


Bibliografia relacionada:
Bacon, Francis. A Nova Atlântida. Colecção Os Pensadores. Abril Cultural. Tradução de José de Andrade
* Campanella, Tommaso (1568- 1639). A Cidade do Sol. Tradução de Aristides lobo. Atena Editora. São Paulo. Versão Internet -E Ridendo Castigat Mores, 2000.
* More, Thomas A Utopia. Tradução de Jefferson Camargo e Marcelo Cipolla. Editora Martins Fontes. São Paulo, 1993.
* Platão. A República. Tradução de Maria Inês de Sousa. Editora Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, Portugal.
* Plutarco. Vida dos Homens Ilustres. Comparação entre gregos e Romanos. Volume 1. Tradução de Paulo Sousa Queiroz. Editora das Américas
• Russell, Bertrand. História da Filosofia Ocidental. Tradução de Brenno Silveira Volume I. Editora Companhia Nacional.
• Machiavelli, Il Principe e altre opere politiche, Milano, Garzanti, 1988 (Trad. port.: O Príncipe, Mem Martins, Europa-América, 1976).

Isto para justificar que as propostas que eu apresento são uma reflexão/investigação de formas e princípios. Não uma forma acabada. Uma espécie de concurso de ideias, na qual são levantados problemas e avançadas soluções, mas que têm de ser trabalhadas, em projecto de especialidade. Isto é – Não são para construir tal qual estão apresentadas.

Perdoem-se a “seca”, mas já que eu sou professor não resisto a ensinar qualquer coisa. Até porque existe uma diferença entre “dar aulas” e ensinar, fazer projectos e investigar.
 

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Sendo então propostas apenas para debate e análise de ideias e conceitos, acho que o princípio subjacente ao projecto de resort em Moledo é bem mais renovador :yes: Mas de uma foram geral, gostei do uso de palataformas aéreas que atravessam todos o tipo de terrenos e estruturas.
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter · #17 ·
ai Godin, não me leve a mal mas salvem Moledo desse projecto, embora baixinho teria grande impacto na paisagem ja este para Leça td bem, é uma zona com uma componente populacional e paisagistica diferente!!
Podes estar descansado. Só em problemas meramente técnicos com fundações e correntes… e daqui a 50 anos…
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter · #18 ·
Sendo então propostas apenas para debate e análise de ideias e conceitos, acho que o princípio subjacente ao projecto de resort em Moledo é bem mais renovador :yes: Mas de uma foram geral, gostei do uso de palataformas aéreas que atravessam todos o tipo de terrenos e estruturas.
Obrigado. Concordo. Tem grande impacto. Mas o de Leça, mais discreto e minimalista, também não está mal.
Eu vou por mais alguns.
 

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O Prof Godin
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Discussion Starter · #20 ·
interessante.. isso é a requalificação de parte da refinaria como modelo para hotel?
Não quero dar seca com o programa. Mas tens razão. Hotel com spa, piscinas de grande dimensão (+- 1.000 utentes/dia), equipamentos se suporte da vida balnear (diurno e nocturno), espaço público e habitação para venda.
 
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