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Duplicação da BR-290 destrava

Com o fim da greve de 70 dias do Dnit, deve deslanchar a licitação para a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande.

Os quatro lotes foram licitados, um deles ainda depende de correção nos valores propostos para chegar aos parâmetros do Dnit. Quando o problema for resolvido, o resultado será homologado e o governo definirá a data de assinatura da ordem de início da obra.

http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4260974.xml&template=3916.dwt&edition=22714&section=1007
 

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Porto Alegre revitalizada e criativa

Uma conhecida região da Capital está prestes a viver um importante momento de revitalização. Prédios antigos e sem uso do bairro Floresta vão passar por uma remodelação total e, depois, darão lugar a imóveis recuperados e funcionais, alguns dos quais destinados a receber empreendimentos voltados à economia criativa.

Entusiasta da ideia, Jorge Piqué, proprietário da UrbsNova Porto Alegre-Barcelona, agência de inovação social, acredita que, em breve, a Capital terá de volta espaços importantes para seu desenvolvimento, hoje degradados.

Recentemente, ele promoveu uma caminhada com 40 pessoas pelo bairro, quando houve uma surpresa – no bom sentido, claro – com a série de atividades econômicas que começa a florescer na região. São pequenos locais dedicados à música e à dança, ateliê de artistas, escritório de arquitetura, escolas, restaurante, editora infanto-juvenil, hostel boutique, entre outros. Mas vem bem mais por aí. Em breve, ele pretende reunir investidores para visitas e análise de funções complementares para os imóveis.



Um boom na imaginação

Já há bons exemplos do potencial da região. Um é o projeto Vila Flores a partir de dois prédios antigos, obra do arquiteto José Lutzenberger, pai do ecologista. Com mais de 2 mil m2 de área, os imóveis, na esquina das ruas Hoffmann e São Carlos, serão revitalizados tendo a estrutura original preservada. Um dos prédios dará lugar a pequenos escritórios, estúdios e ateliês com atividades voltadas à economia criativa. O outro abrigará um residencial: pequeno hotel ou moradias temporárias para viajantes e estudantes que ficam mais tempo na cidade. Além disso, haverá um espaço para um centro cultural.

O antigo prédio do Moinho Germani, com mais de 4 mil m2, na Rua 7 de Abril, que chegou a ser cogitado para sediar o futuro consulado dos EUA, será destinado à locação comercial. E no da antiga Importadora Americana e seus 12 mil m2, na Av. Farrapos, esquina com 7 de Abril, a ideia é também destinar à locação comercial.

Um dos passos mais importantes, ao lado do projeto Vila Flores, na São Carlos, será dado pela Zeppelin Filmes. O setor de produção da empresa vai se instalar no imóvel a partir de 2014, “justamente com o perfil de modernidade, que é o da economia criativa”, como lembra Piqué.



http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4261331.xml&template=3916.dwt&edition=22714&section=1008
 

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Fundo para a Metade Sul

A criação de um fundo constitucional para a Metade Sul do Rio Grande do Sul é um sonho antigo do senador gaúcho Pedro Simon (PMDB). Ele tentou incluir uma proposta desse teor na minirreforma tributária de 2007, mas o texto acabou sendo arquivado na Câmara. Agora, ele vai tentar de outra forma. Simon é autor de um projeto de lei que cria a mesorregião da Metade Sul, que seria como as mesorregiões do Jequitinhonha, do Nordeste e do Espírito Santo. Assim, a região fica habilitada pelo Ministério da Integração Nacional a receber recursos do governo federal pela Política Nacional de Combate à Desigualdade Regional. Essa proposta já tem acordo para ser votada.


Atalho com Aécio

Para criar o fundo constitucional, Simon resolveu pegar um atalho. O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui que a União irá repassar mais 1% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o Fundo de Participação dos Estados (FPE). Simon irá apresentar uma emenda a essa PEC, criando o fundo. O relator, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), já fez um acordo com Simon para incluir a emenda no relatório final. “Durante muito tempo, a União impediu que a Metade Sul se desenvolvesse no mesmo passo do restante do Estado. Além disso, os municípios da zona fronteiriça do Rio Grande do Sul foram os que mais sofreram o impacto econômico e social de acordos multilaterais negociados pelos respectivos governos”, explicou Simon.

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=133768
 

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Mapa do apadrinhamento

Não está sendo fácil para o prefeito José Fortunati executar o corte de 10% dos cargos em comissão anunciado no pacote de medidas para enfrentar a crise financeira. Como os partidos resistem em indicar a lista para as demissões, a prefeitura vai definir o número de cargos que serão extintos em cada órgão da administração e encaminhar os projetos para a Câmara. O grupo encarregado de fazer o mapeamento tem prazo até o dia 20 para apresentar as propostas ao vice-prefeito Sebastião Melo, que vem negociando o enxugamento com os partidos.

A ordem do prefeito José Fortunati é eliminar primeiro os 15 cargos que estão vagos e preservar a estrutura das secretarias que têm de um a cinco CCs. Nas demais, haverá uma proporcionalidade entre os de salários médios e altos, para que os cortes produzam o efeito esperado no orçamento, uma economia de 10% em relação ao gasto total com CCs. As secretarias e departamentos atingidos receberão o aviso sobre os cargos que terão de cortar e indicarão as pessoas a serem demitidas. Nesse momento, entram em cena os padrinhos, que tentam salvar o emprego dos seus indicados.

A Página 10 teve acesso a um documento que poderia ser chamado de “mapa do apadrinhamento”. São 27 páginas, com 1.043 cargos, a lotação, o nome do titular em 2012 e em 2013, o partido e, na última coluna, o responsável pela indicação. A lista inclui o prefeito e o vice, todos os secretários e diretores de departamentos, os conselheiros tutelares e os cargos com tipo e descrição. Por esse documento, tem-se um raio-X das relações de parentesco entre secretários, vereadores, deputados e outros líderes políticos com os ocupantes de cargo em comissão. Mulheres, ex-mulheres, filhos, irmãos, cunhados, primos e sobrinhos de políticos em atividade e aposentados (e até falecidos) figuram no mapa. Há casos em que, para disfarçar o parentesco, outro líder, do mesmo partido, assume a paternidade da indicação.

A indicação política é da natureza dos cargos em comissão, mas o emprego de parentes dos vereadores se caracteriza como nepotismo cruzado e abre a porteira para a troca de favores e o tráfico de influência.


ALIÁS

A lista com os padrinhos de cada CC na prefeitura é a maior evidência de que boa parte dos cargos só existe para acomodar os interesses dos aliados. O inchaço da máquina não resultou em melhores serviços para quem paga a conta.


http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4261408.xml&template=3916.dwt&edition=22716&section=1007
 

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Onde será a fan fest?

As preocupações de segurança com manifestações – e a falta de espaço para estruturas de televisão e para shows no Largo Glênio Peres – trouxeram técnicos da Fifa a Porto Alegre na semana passada com a tarefa de achar um lugar para realizar a fan fest em 2014. A prefeitura oferece quatro novos espaços para montar, pelos 30 dias da Copa, a festa, que é aberta ao público.

Além do Parque da Redenção:), onde as opções seriam montar tudo junto ao espelho d’água ou no campo de futebol, as opções são o Estádio do Zequinha, o Jóquei Clube e o Largo Zumbi dos Palmares.

A bola está com a Fifa, que deve decidir ainda neste mês.


http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4261424.xml&template=3916.dwt&edition=22716&section=1010
 

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A ECONOMIA PARA O FUTURO

No começo dos anos 60, o Rio Grande do Sul viveu um momento de pânico em relação ao futuro. As fronteiras agrícolas estavam esgotadas, a indústria perdia terreno, a participação na riqueza do país despencava e os poderes de intervenção econômica do governo estadual revelavam-se esvaziados. O clima reinante era sintetizado pelo título de um livro publicado em 1960 pelo jornalista maranhense Franklin de Oliveira: Rio Grande do Sul: Um Novo Nordeste.

Nos anos que se seguiram, o Estado conseguiu reinventar seu modelo de desenvolvimento e reverteu as expectativas sombrias. Vieram a Aços Finos Piratini, a Refap, a lavoura de soja, o BRDE. Apesar de ostentarmos um peso econômico inferior ao do passado, voltamos a acompanhar o ritmo de crescimento do país, às vezes até ultrapassando-o, e fomos capazes de emergir dos anos de crise sem perder a condição de destaque em áreas sociais como a saúde, a educação e a distribuição de renda.

Passado meio século, o Rio Grande do Sul está de novo diante de uma encruzilhada, semelhante à dos anos 60. Desde 1994, cresce em média meio ponto percentual abaixo do Brasil a cada ano, um fosso que se alargou na década passada, quando o Estado segurou a lanterna do crescimento entre todas as 27 unidades da federação. Responsável por mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 1939, caiu para a faixa dos 8% entre os anos 1970 e 1990 e agora representa apenas 6,8% da riqueza brasileira. Enquanto isso, Estados vizinhos como Santa Catarina e Paraná quase dobraram a participação no bolo do PIB.

Desta vez, à diferença do que ocorreu há meio século, os problemas de dinamismo não pouparam as estatísticas sociais de que o Rio Grande do Sul tanto se orgulha. Os gaúchos já não são os mais longevos do país, apresentam resultados embaraçosos nas avaliações de ensino e estão entre os piores em saneamento básico.

Mais da metade dos municípios encolheu, por falta de oportunidades para sua gente, criando bolsões de miséria. E as condições para a recuperação também se agravaram. Uma dívida monstruosa, sem par no cenário nacional, engessou a capacidade do governo estadual de investir em áreas fundamentais para a reversão do quadro, como a infraestrutura e a educação.

Como se isso não bastasse, os gaúchos ainda vão enfrentar em breve – antes e com mais impacto que o resto do país – o nó demográfico representado pela queda da população economicamente ativa, decorrente do envelhecimento do Estado.

As estimativas são de que continuaremos a crescer mais devagar do que o Brasil nos anos vindouros. Cento e setenta e oito anos depois da Revolução Farroupilha, a rebelião que teve nas dificuldades econômicas da então Província de São Pedro uma de suas principais causas, os gaúchos encontram-se mais uma vez diante de uma ímpia e injusta guerra.

Mas é possível sair vitorioso. Potencial não falta. Apesar das dificuldades, o Estado manteve, ao longo das últimas décadas, a posição de quarta potência nacional e continua a exibir índices socioeconômicos de causar inveja a unidades da federação que têm avançado em um ritmo muitas vezes mais acelerado do que o nosso. A questão é saber reinventar-se outra vez, encontrar um rumo, tomar as decisões certas.

– Temos de pensar para a frente. Há na História muitos casos de cidades e regiões que perderam importância relativa e depois se recuperaram. Não podemos perder a esperança, porque o próprio Rio Grande do Sul, no começo, não estava entre os melhores do país. Os reis tinham de doar terras, porque ninguém queria vir para cá – lembra o economista Eugenio Lagemann, do curso de Economia do Setor Público da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Uma prioridade máxima deveria ser resolver o estrangulamento das finanças estaduais. O Rio Grande do Sul tem a maior dívida pública do país, correspondente a mais de duas vezes sua arrecadação anual. Essa dívida – que saltou de R$ 1,67 bilhão em 1970 para R$ 47,17 bilhões no ano passado, aumento superior a 2.700% – é um sorvedouro dos recursos que fazem falta para impulsionar a economia.

Outra questão a solucionar é a do funcionalismo. Além do hábito de contrair empréstimos para pagar empréstimos, sucessivos ocupantes do Palácio Piratini cometeram o erro fatal de inflar o quadro. Atualmente, o gasto com servidores inativos e pensionistas representa metade da folha de pagamento. Segundo levantamento de Alfredo Meneghetti Neto, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), entre 1991 e 2010 os servidores na ativa diminuíram de 228 mil para 195 mil. Já os inativos aumentaram de 79 mil para 140 mil, e os pensionistas, de 48 mil para 49 mil.

Meneghetti diz que é inadiável estancar a dívida, aliviar o peso dos inativos e aumentar a receita, penalizando caloteiros e reduzindo isenções. Chega a recomendar elevação de impostos, assunto tabu no Estado.

– A saída pode ser dolorosa – diz o economista.

A consequência de os recursos públicos serem usados hoje, em larga medida, para pagar juros e aposentados é que o Rio Grande do Sul não consegue investir. Quatro décadas atrás, um governador tinha condição de aplicar 29,7% da receita líquida em áreas estratégicas. No governo Yeda Crusius, o índice chegou a 5,4%. Há 40 anos, aplicava-se 1,9% do PIB em obras. Atualmente, é 0,5%.

A falta de investimento se transforma, no dia a dia, em obstáculo para o crescimento. Uma das causas do baixo desempenho econômico na última década foi o fato de o poder público não ter podido oferecer a infraestrutura necessária para permitir o crescimento.

Como o aeroporto Salgado Filho não ganhou uma pista capaz de receber aeronaves de longo curso, 43% da carga aérea internacional da Grande Porto Alegre e da Serra é movimentada por aeroportos paulistas. No porto de Rio Grande, os navios esperam 12 horas para atracar, porque os terminais estão acima do limite. Rodovias estratégicas para escoar mercadorias estão com até 130% de saturação em certos trechos.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Heitor José Müller, reclama que as empresas gaúchas “vão bem do portão para dentro”, mas ficam em desvantagem diante dos problemas “da porteira para fora”, no momento de vender a produção.

– O que mais nos atrapalha é a deficiência de logística – diz Müller, que propõe a convocação de uma “seleção gaúcha para o desenvolvimento”, que reuniria craques em planejamento para discutir saídas.

A incapacidade de investimento afeta muito mais do que a área de infraestrutura. Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul também tem aparecido na rabeira dos rankings de recursos aplicados na área social. Falta dinheiro para educação, saúde, habitação e mobilidade urbana, áreas que influem diretamente na qualidade de vida e freiam a economia.

Tome-se a segurança como exemplo. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Rio Grande do Sul investiu no setor R$ 175 per capita em 2011, o oitavo pior índice nacional. Alguns Estados aplicaram mais do que o dobro desse valor. Isso prejudica o aparato de combate ao crime.

No ano passado, a Brigada Militar tinha apenas 21,8 mil homens, o segundo menor efetivo desde 1983. Em relação ao previsto, faltavam 13 mil PMs. Nesse quadro, não é de surpreender que o Rio Grande do Sul apresente índices de criminalidade preocupantes: a proporção de furtos e roubos de veículos é maior em Porto Alegre do que em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em quesitos fundamentais, no entanto, como a taxa de homicídios, os gaúchos ainda se destacam positivamente. No sobe e desce das estatísticas, há busca de maior envolvimento da União.

– Houve um deslocamento na área da segurança. O Estado depende cada vez mais de recursos federais. Os programas de prevenção, de reaparelhamento e de compra de viaturas hoje são feitos com dinheiro de Brasília. Na polícia gaúcha, trabalha-se muito para apresentar projetos e obter esses recursos – observa a socióloga Letícia Schabbach, do grupo de pesquisa em violência e cidadania da UFRGS.

Diante de um cenário mais favorável a outros Estados, beneficiados por fronteiras agrícolas ainda por explorar, contas em dia e maior proximidade com os parques industriais e os maciços mercados consumidores do Sudeste, o Rio Grande do Sul terá de se inspirar nos ancestrais farrapos, celebrados com pompa neste setembro, e produzir façanhas que sirvam de modelo a toda a terra.

– Como temos pouca capacidade de investir, somos forçados a fazê-lo de forma criteriosa. Como nosso desafio é maior do que o de outros Estados, que contam com recursos próprios, não temos o direito de errar. Precisamos identificar quais são os nossos gargalos e colocar os recursos em áreas que façam girar a economia – observa Lagemann.





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EM BUSCA DE NOVAS VOCAÇÕES ECONÔMICAS


A recuperação financeira é crucial para pavimentar o caminho do Rio Grande do Sul rumo ao crescimento, mas há margem de ação enquanto isso não ocorre. Especialistas consultados por ZH afirmam que o Rio Grande precisa se reinventar economicamente e que isso passa por um diagnóstico bem feito sobre o que nos levou a crescer só 28% de 1995 a 2009, ante 51% na média nacional.

Elementos para esse diagnóstico podem ser encontrados no documento Três Décadas de Economia Gaúcha, produzido pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). O trabalho aponta que o Rio Grande do Sul teve queda no PIB em 11 dos 29 anos que vão de 1981 a 2009. Os piores tombos ocorreram em 1990 (-6,6%), 1995 (-5%) e 2005 (-2,8%).

Autor do estudo, o economista Martinho Roberto Lazzari constata que o Estado ficou na 26ª colocação em expansão do PIB, a penúltima, à frente apenas do Rio de Janeiro. A diferença em relação ao Brasil se acentuou a partir de 1994.

Nesses números, é possível entrever dois grandes fatores que emperraram o Estado. O primeiro deles foi o Plano Real, que fortaleceu a moeda brasileira diante do dólar e provocou um baque no modelo exportador da indústria gaúcha. Entre 1995 e 1999, a produção industrial local despencou 16,3%. Um dos setores que mais sofreram foi o calçadista, que chegou a empregar cerca de 200 mil pessoas nos anos 1980. Premido pelo real valorizado e pela concorrência chinesa, desceu do salto.

– Quando a agricultura familiar entrou em colapso no norte do Estado, as pessoas saíram da terra e foram trabalhar no setor de calçados no Vale do Sinos. Dez anos depois, estavam no desemprego de novo. Isso levou a problemas sociais e de violência na Região Metropolitana – avalia o economista Eugenio Lagemann.

Com uma economia muito dependente do setor primário (a própria indústria gaúcha é ancorada em máquinas agrícolas), o Estado também foi castigado severamente pelo ciclo de estiagens. As secas de 2004-2005 e de 2011-2012, as mais devastadoras, derrubaram o PIB agropecuário.

– A seca de 2005 criou um descompasso do Rio Grande do Sul com o Brasil. O país continuou crescendo, mas o Estado não conseguiu se recuperar – avalia o economista Pedro Bandeira.

Além disso, o Rio Grande do Sul enfrenta o problema clássico das economias maduras e consolidadas. Ao longo do tempo, ergueu um tripé invejável, sustentado na alimentação (agropecuária e indústria), na química (polo de Triunfo e outros centros) e em máquinas e equipamentos. Essas são vocações de sucesso. O problema é que começaram a dar sinais de esgotamento justamente por terem atingido seu limite máximo.

Nos segmentos de alimentos e máquinas, a tendência é que o Centro-Oeste prospere, simplesmente por ter espaço para crescer. Na área química, Rio de Janeiro e Pernambuco atraíram os projetos mais recentes. Por isso, para analistas como Adriano Pitoli, da Tendências Consultoria Integrada, que monitora e faz projeções periódicas sobre a economia gaúcha, o caminho para o Estado superar seus percalços é buscar fontes de produção adicionais, capazes de se expandir.

– O Rio Grande do Sul deve buscar novas vocações econômicas – destaca o economista.

Investimentos de peso foram conquistados, como o polo naval de Rio Grande e São José do Norte. Outros estão vindo, como a ampliação da Celulose Riograndense e duas fábricas chinesas de caminhões. Também foi possível consolidar os parques eólicos. Na avaliação de Pitoli, isso ainda não basta:

– São investimentos relevantes, mas não a ponto de provocar uma guinada na economia.

Eugenio Lagemann concorda com a necessidade de buscar novas vertentes econômicas:

– Temos de pensar para a frente e dar força para o que vai nessa linha, como os parques tecnológicos.

Um destaque na comparação com outras latitudes é o mercado de trabalho. Em julho, a região metropolitana de Porto Alegre exibiu a menor taxa de desemprego entre as seis pesquisadas pelo IBGE: 3,7%. O melhor desempenho se repete desde março de 2012 e é confirmado pelo indicador do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), destaca Ana Paula Sperotto, que atribui a boa posição à demanda no setor de serviço.



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IRRIGAR PARA ENFRENTAR A ESTIAGEM


Se alguém tem o poder de fragilizar o PIB gaúcho, este é São Pedro. Basta que feche as torneiras do céu, como ocorreu severamente nas safras de 2004-2005 e 2011-2012, para que a falta de chuva devaste lavouras e pastagens. De tanto padecer com estiagens cíclicas, os produtores gaúchos se convenceram de que a solução é investir na irrigação.

Uma iniciativa exitosa é o Clube da Irrigação, criado pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul), em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), pesquisadores e fabricantes de equipamentos. O coordenador da entidade, João Augusto Telles, destaca que os resultados são animadores. Na lavoura irrigada, a produtividade de milho aumentou de 200 para 220 sacas por hectare.

– E buscamos o desafio de colher 300 sacas por hectare – anuncia.

O clube atua sem amarras burocráticas. Os técnicos vão até a propriedade do produtor interessado, instruindo desde o preparo do solo até a colheita, como já fizeram em Seberi, Cachoeira do Sul, Cruz Alta, Santo Augusto e Bagé. Aplicam o método da agricultura de precisão, em que a água é um insumo indispensável, tanto ou mais que o adubo.

– Mostramos o caminho do alto rendimento – diz Telles.

O aparato para irrigar aumenta o custo da lavoura, em cerca de 35%. Longe de ser despesa, é investimento com retorno garantido. A lucratividade mais do que dobra ao final.

A irrigação está no início, menos de 7% das áreas dispõem de pivôs. Telles calcula que o ideal, para enfrentar as estiagens sem sustos, seria reservar 30% de cada propriedade com barragens. No entanto, há dois obstáculos.

O primeiro é o licenciamento ambiental para armazenar água, que pode ser demoradamente burocrático. O outro é a falta de energia elétrica suficiente para acionar os pivôs de irrigação. Telles elogia o programa Mais Água, Mais Renda, do governo estadual, mas diz que é preciso avançar.

– O melhor é se reunir e conversar. Não se quer facilidade, mas entendimento – observa.

A Secretaria Estadual da Agricultura estima que, nos últimos 10 anos, as secas comprometeram o potencial de produção das lavouras em 70%. Apesar de embrionário, o Clube da Irrigação espera borrifar exemplos.


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O ARROZ NO PRATO DOS BRASILEIROS

Se o Rio Grande do Sul não é mais o celeiro nacional, continua inabalável no posto de principal fornecedor de arroz. A cada safra, planta entre 1 milhão e 1,1 milhão de hectares, mesmo que os preços deixem a desejar em determinados períodos. A colheita oscila em torno dos 8 milhões de toneladas.

Os gaúchos não apenas sabem plantar arroz, como dispõem de tudo que é necessário para as lavouras. O presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Claudio Fernando Pereira, destaca as razões:

– Temos cem anos de experiência, solos planos e disponibilidade de água para cultivo irrigado, o que traz segurança na colheita.

É a chamada cultura do orizicultor. Como é uma lavoura irrigada, por meio de canais e bombas de sucção, o temor de estiagens quase não existe. Por questão de segurança alimentar, para providenciar o prato predileto dos brasileiros – o feijão com arroz –, Pereira lembra que o governo federal intervém quando preciso para regular produção e estoques.

– O Estado sempre sustentou o abastecimento de arroz no país – destaca o presidente do Irga.

A história mostra com números. Na safra 1921/22, época de arados rudimentares e foices, lavoureiros gaúchos colheram 173 mil toneladas de arroz. Em 2011, com agricultura de precisão e máquinas, foram 8,9 milhões de toneladas.

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A SAÚDE NA PRESSÃO

O sinal de alerta soou há um mês, acionado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Habituado a deitar no berço esplêndido de melhor do Brasil quando o assunto é saúde, o Rio Grande do Sul acabava de ser empurrado do topo do ranking, no quesito mortalidade infantil, pelos vizinhos catarinenses.

Na longevidade, o tombo farroupilha foi ainda maior. Em menos de 20 anos, os gaúchos despencaram da liderança em expectativa de vida para a condição de sequer subir ao pódio. Fomos ultrapassados por Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo. E os capixabas, que partiram lá de trás, com 600 dias a menos de vida do que nós há apenas uma década, já aparecem no nosso vácuo.

Um observador poderia argumentar que a segunda colocação em mortalidade infantil e a quarta em longevidade, entre 27 unidades da federação, ainda deixam o Rio Grande do Sul em patamar invejável. Mas quando os dados do IBGE são examinados mais de perto, fica difícil sustentar essa posição.

Entre todos os brasileiros, os gaúchos foram os que ganharam menos anos de vida de 1980 para cá. E entre todos os brasileiros, foram também os que aumentaram menos a quantidade de crianças salvas da morte. Estamos avançando mais devagar do que os demais Estados.

Mortalidade infantil e expectativa de vida são considerados indicadores confiáveis da condição geral da população. Se o Rio Grande do Sul está ficando para trás, significa que há um problema. E o nome desse problema, como era de se esperar em um Estado estrangulado por dívidas e emperrado por um crescimento econômico abaixo da média nacional, é dinheiro. O declínio da saúde gaúcha é um dos resultados dramáticos do declínio da nossa saúde financeira.

– O Rio Grande do Sul foi pioneiro em uma série de políticas, o que se traduziu, nos anos 1970 e 1980, em longevidade e em queda na mortalidade infantil. A partir de dado momento, é necessário investimento maciço para continuar avançando, mas somos hoje um Estado falido. Durante anos, tivemos baixo investimento em saúde. As consequências são óbvias – analisa o médico e doutor em administração Ronaldo Bordin, do departamento de medicina social da Faculdade de Medicina da UFRGS.

Ou seja, a perda de lustro nos indicadores, que significa na prática menos crianças vivas e vidas mais curtas do que poderíamos alcançar, é o preço pago por décadas de incapacidade em investir na saúde o que a saúde exige.

Vamos aos dados.

Desde 2004, por determinação da Emenda Constitucional 29, cada Estado é obrigado a investir em serviços e ações de saúde no mínimo 12% de sua receita líquida de impostos e transferências. Até 2010, os investimentos ficaram na faixa dos 5% aos 7%.

Como não tinham dinheiro, sucessivas administrações estaduais optaram por ampliar o percentual com ajuda de uma manobra. Ano após ano, incluíram os gastos com saneamento na conta da saúde e assim, artificialmente, atingiram os 12% exigidos. O resultado é que bilhões de reais deixaram de ir para as unidades de atenção básica e para os hospitais.

Em 2010, o núcleo de pesquisas do Sindicato Médico (Simers) resolveu fazer um estudo comparativo, entre todas as unidades da federação, sobre o cumprimento da emenda 29. Adivinha quem estava entre os únicos cinco Estados que não cumpriam lei, e na última colocação, à larga distância do penúltimo?

Acertou. Nós mesmos.

– Nosso problema não está nas políticas de saúde, mas na falta de recursos para essas políticas. A restrição orçamentária é notória há anos. Quando se prolonga no tempo, há impacto na estrutura e nos indicadores. Reverter é possível, mas não acontece de um ano para o outro – afirma Roger dos Santos Rosa, coordenador do curso de especialização em saúde pública da UFRGS.

O dado positivo é que o Rio Grande do Sul elevou o nível de investimento nos últimos anos, pressionado por uma regulamentação da emenda 29 que vetou contabilizar despesas de saneamento como se fossem de saúde. O Estado ainda não atingiu os 12%, mas beirou os 10% no ano passado. Para este ano, a Assembleia Legislativa cortou recursos de diferentes órgãos e poderes, de forma a redirecionar dinheiro extra à saúde. O resultado é que o governo estadual conseguiu mais do que dobrar o valor investido, na comparação com 2009, por exemplo.

Como consequência, os gaúchos podem acalentar a esperança de um sistema de atendimento melhor em um futuro próximo. Mas há um porém. Os especialistas alertam que a saúde de uma população não resulta apenas do que se investe diretamente no setor, mas também dos recursos disponíveis para educação, moradia, segurança, saneamento, ambiente, transportes e geração de renda.

Todas essas dimensões da realidade social contribuem para a qualidade de vida e a longevidade. A mortalidade infantil, por seu turno, costuma ser um indicador atrelado à condição socioeconômica de uma população, e não apenas aos serviços médicos a que ela tem acesso. É aí que reside a grande dificuldade. O cobertor orçamentário gaúcho, ainda que cubra a área da saúde, é curto demais para contemplar todas as necessidades. Veja-se o caso do saneamento. No Rio Grande do Sul, só 15% dos municípios oferecem algum tipo de tratamento de esgoto, contra uma média nacional de 44%.

– Se olharmos apenas para a saúde, não vamos conseguir reverter a situação. Mesmo que dobrássemos os recursos para o setor, não resolveríamos, se não houver investimento nas outras áreas sociais. É necessária uma ação intersetorial. Por isso é tão importante resolver as questões orçamentárias e de endividamento do Estado – apregoa Roger dos Santos Rosa.

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RECEITA ESTÁ NA ATENÇÃO BÁSICA

Quando autoridades ou especialistas de Santa Catarina são questionados sobre as razões para o Estado se destacar nos rankings de saúde, a resposta se repete: “É a atenção básica, gaúcho”. Os vizinhos do outro lado do Mampituba decidiram dar prioridade à estratégia de saúde da família (ESF) e hoje têm 73% da população vinculada ao programa. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de 41%, terceiro pior índice nacional.

Atribui-se à ESF a queda significativa que a mortalidade infantil teve nas últimas décadas nos rincões mais pobres, o que levou a sua disseminação no Norte e no Nordeste. Santa Catarina identificou o potencial e adotou a política. A estratégia está em todos os municípios, em muitos deles com 100% de cobertura.

No programa, cada família é vinculada a uma equipe formada por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e agentes comunitários. Em muitos casos, há dentista e um auxiliar. Esses profissionais monitoram as famílias, ensinam hábitos saudáveis e atuam em áreas como vigilância nutricional das crianças, controle de hipertensão e diabetes e pré-natal.

– Investimos nessa estratégia porque ela tem um olhar geral sobre o paciente, o que produz prevenção e contribuiu para melhorarmos os índices, especialmente a longevidade. Os grupos ensinam as pessoas a se alimentar e promovem o exercício físico, por exemplo. O problema que temos hoje aparece nos hospitais das regiões em que falta a saúde da família – observa a secretária de Saúde de Santa Catarina, Tania Eberhardt.

Os catarinenses criaram um sistema de avaliação da atenção básica oferecida pelos municípios. Dezenas de indicadores são analisados a cada dois anos. As cidades com melhor desempenho recebem premiações em dinheiro do Estado. A avaliação é em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

– A avaliação gera uma disputa saudável entre os municípios e faz os gestores se empenharem. Recebemos muitas chamadas das prefeituras, querendo saber onde podem melhorar. A qualidade da atenção básica aumenta a cada avaliação, a ponto de termos elevado os parâmetros do que é considerado bom, pois todos haviam alcançado – revela Josimari Telino de Lacerda, da pós-graduação em saúde coletiva da UFSC.

Na última avaliação, de 2011, Maravilha (SC) foi a melhor classificada na categoria de 10 mil a 25 mil habitantes. O secretário local de Saúde, Jonas Dall’agnol, atribui o resultado ao investimento em ESF. De 2006 para cá, a cidade triplicou o número de equipes (de duas para seis) e elevou a proporção da população acompanhada de 36,4% para 91,4%. Quer chegar a nove ou 10 equipes, para 100% dos moradores. A cidade conseguiu implantar nos postos uma ideia que merece ser copiada. As equipes se revezam em um pronto-atendimento noturno que está desafogando os hospitais.


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A RESSUREIÇÃO DE UM HOSPITAL

L ocalizado em uma das regiões mais empobrecidas do Rio Grande do Sul, um hospital administrado pela comunidade e sustentado em conjunto por vários municípios mostra que, mesmo em meio às dificuldades orçamentárias gaúchas, é possível oferecer soluções para o sistema de saúde.

A receita do Hospital Santo Antônio, de Tenente Portela, no Noroeste, inclui gestão eficiente e oferta daquilo que ainda falta no Estado: uma estrutura que resolva os problemas no local. O estabelecimento atende à população de cerca de 60 municípios do entorno, assegurando solução para 98% dos casos. Só 2% dos pacientes precisam buscar auxílio nos sobrecarregados serviços das metrópoles.

Estruturas regionalizadas como a de Tenente Portela são um dos principais gargalos no Rio Grande do Sul. Com frequência, pacientes de cidades pequenas não têm nas imediações um hospital capaz de atendê-los em casos de baixa ou média complexidades. O professor de medicina social e doutor em administração Ronaldo Bordin acredita que essa lacuna decorre de incapacidade gerencial, e não apenas da escassez de recursos.

– Não conseguimos estruturar uma rede de serviços hierarquizada, com oferta de infraestrutura em polos intermediários regionais. O cidadão fica perdido no meio do nada, sem saber para onde ir. Isso é questão de gestão, de definir prioridades e localização de profissionais e tecnologias – observa.

O caso do Santo Antônio é significativo porque, não faz muito, em 2007, o hospital esteve para fechar em razão das graves dificuldades financeiras. As irmãs do Sagrado Coração de Jesus, a quem o estabelecimento pertencia, acabaram por doá-lo à comunidade. A direção passou a ser escolhida no voto, a cada três anos.

Em sua nova encarnação, o hospital deu certo por causa da união de municípios da região, que não tinham condição de manter sozinhos uma estrutura daquele porte, mas necessitavam dos serviços. Tenente Portela, Barra do Guarita, Coronel Bicaco, Derrubadas, Miraguaí, Redentora e Vista Gaúcha firmaram um convênio com a nova direção e passaram a custear a manutenção de um plantão de urgência e emergência, que funciona 24 horas, todos os dias da semana, e o sobreaviso dos médicos especialistas.

Hoje o Santo Antônio é referência em oftalmologia, traumatologia e psiquiatria, realizando a cada mês 3 mil atendimentos ambulatoriais, 350 internações e 150 cirurgias eletivas. Está equipado com aparelhos de raio X, endoscopia, colonoscopia e ultrassom. Os médicos são contratados por um salário fixo e com horas para cumprir. Ganham em torno de R$ 30 mil.

Há três meses, quando quebrou o pé, o serralheiro Plínio Arruda Soares, 51 anos, chegou encaminhado pela secretaria de saúde de seu município, Redentora. Passou por cirurgia e agora faz acompanhamento quinzenal. O filho dele também nasceu lá, no ano passado.

– O atendimento é muito bom – elogia.


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“Mesmo se houvesse dinheiro, não investiriam”
ENTREVISTA > João Werner Falk Professor do programa de medicina de família e comunidade da UFRGS


O professor da UFRGS João Werner Falk, que presidiu a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade por cinco gestões, afirma que o Rio Grande do Sul falhou em não dar prioridade à estratégia de saúde da família:

Zero Hora – O Rio Grande do Sul perdeu posições nos rankings de mortalidade infantil e longevidade, segundo o IBGE. Há algo de errado no sistema de saúde gaúcho?

João Werner Falk – O IBGE trabalha com estimativas. Os dados do SUS são mais confiá- veis e ainda colocam o Rio Grande do Sul no topo em mortalidade infantil. Mas isso não quer dizer que avançamos como deveríamos. Pelo Estado que somos, deveríamos ter melhorado muito mais, porque estamos melhorando menos do que os outros.

ZH – A situação financeira do Estado é muito complicada. É possível avançar dentro desse quadro de escassez de recursos?

Falk – É verdade que precisamos de mais recursos. Mas também é verdade que, com os recursos atuais, poderíamos fazer mais e melhor. Comparando o Rio Grande do Sul com outros Estados, o que chama a atenção é sermos um dos que menos avançaram na estratégia de saúde da família e que têm menos pessoas beneficiadas por essa estratégia. Fazer saúde da família não é barato, mas custa menos do que investir em sistema hospitalar. E está provado que ele não impacta só na saúde, mas até na empregabilidade.

ZH – Essa foi a política adotada por Santa Catarina, que tem se destacado nos indicadores de saúde. Por que ela é vantajosa?

Falk – Santa Catarina avançou muito, em cobertura e qualificação. Uma equipe de saúde bem organizada, com médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e agentes comunitários consegue resolver 90% dos problemas. Só precisa encaminhar 10% dos pacientes. A resolubilidade é muito alta. É assim que funciona nos países desenvolvidos. Aqui, as pessoas chegam tarde ao sistema de saúde, quando o problema já está instalado. Vão a um posto convencional, que tem menos qualidade, ou para uma emergência, que não é adequada.

ZH – O Rio Grande do Sul falhou em não ter seguido o exemplo catarinense?

Falk – A saúde da família foi muito pouco apoiada pelo Estado ao longo do tempo. Tivemos governos que não deram prioridade a isso, que não fizeram sua parte, que mesmo se houvesse dinheiro, não investiriam no setor. Sem dúvida houve problema de gestão. Houve falha do governo estadual. Saúde da família tem de ser prioridade. Cabe ao Estado dar apoio financeiro e técnico aos municípios, porque eles não têm condições de manter programas de formação continuada para médicos e enfermeiros.



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A EDUCAÇÃO NA PONTA DO LÁPIS

Se as coisas vão mal na educação gaúcha, com índices de desempenho estagnados no Ensino Fundamental e em decadência no Ensino Médio, não é por falta de bons exemplos. Dentro e fora do Rio Grande do Sul, em lugares tão distintos como um pequeno município encravado na Serra ou um Estado do tamanho de São Paulo, gestores e educadores apostam em soluções capazes de apontar caminhos para superar a letargia.

Nas últimas décadas, o Estado vem ficando para trás nos indicadores, enquanto outros rincões avançam. Ano após ano, os gaúchos testemunham um processo de fragilização da escola: crianças não aprendem a ler e a escrever quando deveriam, e adolescentes finalizam os estudos com graves lacunas no aprendizado – ou, o que é pior, nem terminam.

De 2005 a 2010, segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), os gaúchos foram os que aplicaram o menor índice de recursos próprios no sistema de ensino. Na média, o percentual destinado à área não passou de 18,79% – sendo que o mínimo exigido por lei é 25%.

Nos últimos dois anos, as receitas aumentaram, com taxas de 28,26%, em 2011, e de 29,91%, em 2012. Mesmo assim, males crônicos persistem, entre os quais a dificuldade do Rio Grande do Sul em pagar o piso nacional do magistério.

Embora o atual governo ofereça reajustes escalonados que somarão 76,68% (com aumento real de 50%) até 2014, a briga com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Cpers-Sindicato) parece longe do fim. Para se ter uma ideia do tamanho da contenda, desde 1979 a rede estadual soma mais de 500 dias de greve. O resultado não poderia ser outro se não a queda na performance dos alunos.

Mas nem tudo está perdido. Há oásis dentro desse cenário árido, e muitos estão próximos de nós, à espera de um olhar mais atento. É o caso da Escola Municipal Giuseppe Tonus, em Vista Alegre do Prata, na Serra, que superou em 2011 a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) prevista para 2021 e assumiu o topo do ranking estadual nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Outro destaque é Araricá, no Vale do Sinos. Há alguns anos, a prefeitura vem dando prioridade à Educação Infantil. Acabou se tornando líder estadual no atendimento a crianças de zero a cinco anos, ao passo que outros 117 municípios, até 2011, sequer ofereciam matrículas em creche.

Há também iniciativas de outros Estados, como Santa Catarina e São Paulo, que podem ser adaptadas à realidade rio-grandense. Os catarinenses estão entre os que mais avançaram nos indicadores educacionais desde 2005, e os paulistas conseguiram reduzir a taxa de abandono no Ensino Médio para 4,6% – a menor do Brasil.

Em comum, todas essas ações têm algo que, em teoria, parece simples: fazer o básico bem feito.

– Muitas ideias podem e devem ser aproveitadas. Às vezes, não precisa muito. Basta uma nova postura do professor e do gestor – afirma Fernando Becker, professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Acostumada a correr o Brasil à frente do Movimento Todos Pela Educação, a diretora-executiva da entidade, Priscila Cruz, está convencida de que a resolução de grande parte dos problemas passa por maiores investimentos, sim, mas também por medidas simples, “sem pirotecnia”.

– Isso vale especialmente para os gaúchos, que, além de tudo, têm uma vantagem enorme em relação a outros Estados: a qualidade dos seus professores – sintetiza Priscila.

Quanto à questão financeira, ampliar as aplicações é parte do processo, mas não é tudo. Tão importante como injetar recursos, avalia o economista Valdemir Aparecido Pires, do Departamento de Administração Pública da Universidade Estadual de São Paulo Júlio de Mesquita Filho (Unesp), é melhorar a capacidade de gestão. Uma ideia que deu certo em um determinado local tem tudo para funcionar em outro, mas o sucesso depende de como é implementada.

– O grande desafio não é apenas botar mais dinheiro, mas saber usá-lo. O que precisamos é gastar melhor – resume Pires.


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CRIANÇA PRECISA MAIS DO QUE CUIDADOS

Em todo o Brasil, só Rondônia tem, percentualmente, menos alunos de quatro a cinco anos na escola do que o Rio Grande do Sul, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Mas isso não é tudo. Até 2011, o Plano Nacional de Educação determinava o atendimento de 50% das crianças de zero a três anos pelas creches e de 80% das crianças de quatro e cinco anos pelas pré-escolas. Por aqui, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), os índices estão bem abaixo do esperado: são, respectivamente, 23% e 63,3%. Ao todo, 117 municípios gaúchos não oferecem matrículas em creche.

O resultado é uma lacuna no processo de desenvolvimento de muitas crianças. A Educação Infantil é considerada fundamental para o sucesso ao longo da vida escolar. Sem um bom começo, a tendência é que as dificuldades se acentuem no futuro.

O primeiro passo para superar o problema, segundo a professora Tania Beatriz Iwaszko Marques, da Faculdade de Educação da UFRGS, é eleger a Educação Infantil como prioridade.

– Nem sempre os gestores públicos dão a devida atenção a essa área. Muita gente acha que criança pequena só precisa ser cuidada – avalia Tania.

A solução passa por maiores investimentos, ampliação dos espaços físicos, com abertura de novas vagas e contratação de professores com formação em pedagogia, capacitados para lidar com essa faixa etária.



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DESEMPENHO DOS ALUNOS PIOROU

É no Ensino Médio que o Rio Grande do Sul vem apresentando os piores resultados, a começar pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. O indicador aponta um retrocesso no desempenho dos estudantes gaúchos. Em 2011, não só caiu como voltou ao patamar de 2005. A média não passou de 3,7 (em escala de zero a 10), e o Estado despencou da terceira para a sexta posição no ranking. No último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgado em novembro, o alerta foi reforçado por mais um resultado negativo: 65,8% dos colégios de todas as redes ficaram abaixo da média geral nacional no Estado.

Outro desafio é manter os alunos na escola e trabalhar para que consigam ser aprovados. Na média geral, incluindo todas as redes, as taxas de reprovação e abandono vêm passando por altos e baixos nos últimos 37 anos. Em 2012, o percentual de repetentes foi de 16,8% e o de estudantes que abandonaram o Ensino Médio foi de 10,3%. Os números indicam uma pequena melhora em relação a anos anteriores, mas ainda são altos se comparados a outros Estados – somos o 14º em abandono e o 4º em reprovação. Especialistas atribuem o problema à falta de atratividade da escola. Na rede estadual, a Secretaria da Educação deu início a uma reestruturação curricular em 2012 e garante que os resultados começam a aparecer.

Para reverter a crise no Ensino Médio, a professora Helena Sporleder Côrtes, da Faculdade de Educação da PUCRS, não vê alternativa senão tornar a escola mais atrativa e a família, mais atuante.


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MENOR ABANDONO

São Paulo é o Estado com a menor taxa de abandono escolar no Ensino Médio no país: 4,6%. Na rede estadual, os paulistas também se saíram melhor, com um índice de 5,5%, bem abaixo dos 11,7% no RS. O desafio de manter os adolescentes presentes e conectados desencadeou uma série de medidas nos últimos anos.

Uma delas é o programa Vence. Funciona assim: o estudante frequenta o Ensino Médio normalmente e, no horário oposto, faz um curso técnico voltado ao mercado de trabalho em uma instituição conveniada. O número de alunos beneficiados com a dupla formação, segundo a Secretaria Estadual da Educação, chega a 57 mil.

Outra iniciativa está vinculada ao programa Escola de Tempo Integral, oferecido a 30 mil jovens. A jornada, nesse caso, é de nove horas e meia no Ensino Médio, incluindo três refeições diárias. Os matriculados contam com salas temáticas de português, história, arte e geografia e de leitura e informática. Recebem orientação de estudos, prática de ciências, preparação acadêmica e para o mundo do trabalho e auxílio na elaboração de um projeto de vida, que consiste em um plano para o seu futuro.

– Esse novo modelo foi concebido a partir dos resultados de pesquisas, avaliações e experiências educacionais realizadas no Brasil e em outros países – diz o secretário estadual da Educação, professor Herman Voorwald.

Para assegurar a efetividade do programa, os docentes que optam por atuar exclusivamente nessas escolas recebem uma gratificação de 75% sobre o salário, inclusive sobre o incorporado durante a carreira.
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http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4261627.xml&template=3898.dwt&edition=22716&section=1033


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Onde será a fan fest?

As preocupações de segurança com manifestações – e a falta de espaço para estruturas de televisão e para shows no Largo Glênio Peres – trouxeram técnicos da Fifa a Porto Alegre na semana passada com a tarefa de achar um lugar para realizar a fan fest em 2014. A prefeitura oferece quatro novos espaços para montar, pelos 30 dias da Copa, a festa, que é aberta ao público.

Além do Parque da Redenção:), onde as opções seriam montar tudo junto ao espelho d’água ou no campo de futebol, as opções são o Estádio do Zequinha, o Jóquei Clube e o Largo Zumbi dos Palmares.

A bola está com a Fifa, que deve decidir ainda neste mês.


http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4261424.xml&template=3916.dwt&edition=22716&section=1010
Vai ser muuuito trash se optarem pelo Estádio do Zequinha... O Largo Zumbi dos Palmares, apesar de ser bem localizado, é bem feioso.

Já que não vai ser no Largo Glênio Peres, que seja no Parque da Redenção ou no Jóquei Clube... Estádio do Zequinha e Largo Zumbi dos Palmares NÃO. =X
 

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Ainda bem que não vai ser no Glênio Peres. Assim o esqueletão não é mostrado para o mundo.
Hj à tarde estive dando uma "banda" na cidade. O dia estava bom e shoopings (pelo menos o Iguatemi e o Bourbon Country), parques e praças abarrotados de gente, Marinha, Encol, Parcão e no Gasômetro a situação beirava o caos tamanho o trânsito....
P/ mim fica claro que um investimento como o Cais terão retorno de público. A população deseja sim este tipo de empreendimento. Se eles não saem a culpa realmente só pode ser da própria Administração (nem dá mais de dizer que são os ecoxiitas). E a orla?? Também abarrotada e tão sem estrutura. Fortunatti é tão burro, tão burro, que se conseguisse fazer algo decente pela orla conseguiria se eleger governador. Mas é tão burro que manda edital de licitação para o TCE. Aquilo vai ficar 20 anos lá. Até onde eu saiba o TCE faz um controle externo posterior ao ato, não prévio. Esqueçam orla pelas proximas 2 gerações assim.
 

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Alguem poderia me dar a dica um tanto urgente? To em poa a passeio desde sexta mas ainda nao sai na cidade a noite, sim, vacilei. To hospedado no ce/tro historico perto do parque redencao e da cidade baixa. Alguem tem alguma dica de algum bar ou pub gls na regiao que eu possa ir hoje, domingo? Desde ja agradeco mto, abracos.
 

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Vc está bem na região boêmia de Poa. Pega um taxi e pede para te levar na Lima e Silva e arredores para ver onde prefere ir. Tbm tem opções na rua Padre Chagas, no bairro Moinhos de Vento não muito distante também.
 

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^^ E sabe se hoje tem bastante movimento por lá? Entendi, é, já havia ouvido falar que essa região era bastante boemia, embora parte em que estou me pareça muito pacata. Obrigado :eek:kay:
 

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Pq não no Marinha ou no Harmonia? Na beira do Guaíba...

Vai ser muuuito trash se optarem pelo Estádio do Zequinha... O Largo Zumbi dos Palmares, apesar de ser bem localizado, é bem feioso.

Já que não vai ser no Largo Glênio Peres, que seja no Parque da Redenção ou no Jóquei Clube... Estádio do Zequinha e Largo Zumbi dos Palmares NÃO. =X
 
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