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Os cinemas menores, de rua, começaram a morrer por causa das cotas de filmes nacionais... Isso foi dito pelos próprios proprietários dos cinemas, que entraram na justiça com a vã esperança de tentar se salvar da falência. Com as cotas, só as grandes redes conseguem bancar sessões vazias, onde são exibidos filmes nacionais que ninguém quer ver - nem mesmo os mais ardorosos defensores do cinema nacional - e ainda têm lucro no fim do mês. É curioso que a matéria não tenha tocado neste ponto. É relevante tb notar que a merda começou a ser feita ainda na era FHC, mas foi bastante agravada pelos governos petistas que assolam o Brasil.
 

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Rawr
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^^ E o governo em vez de incentivar a industria de cinema, incentiva a obrigação do telespectador de assistir as porcarias (em grande maioria) do nosso cinema atual. Só perguntar ai pra qualquer estudante de cinema do país se o objetivo deles não é acabar a faculdade e ir pra outro país pra arranjar emprego. Aqui no Brasil só se valoriza e patrocina filme de comédia com global. Só ver ai o Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, um dos melhores filmes brasileiros que já vi, que foi exibido em quase cinema nenhum das grandes capitais, e nas outras cidades nem sequer entrou numa unica sala. Agora se pega uma comédia porcaria com um global, o filme fica meses em cartaz em todas as salas do Brasil, com patrocinio de todas as empresas possiveis e imaginaveis.
 

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Infelizmente em todo lugar aconteceu isso.
Isso é verdade: Campinas teve 15 cinemas de rua (4 deles nos bairros) nas décadas de 1950 e 1960 (bastante para uma cidade na época com 200.000 habitantes). E hoje: nenhum (o último fechou em 2009). Quem quer ver filme fora dos cinemas comerciais só tem dois lugares para ir - a Casa do Lago na UNICAMP e o MIS.

Mas se por um lado é coisa a se lamentar, também precisamos considerar que naquela época era assim, era porque as pessoas não tinham televisão em casa e cinema era uma diversão bem barata, claro que não era mais um "nickelodeon", mas com certeza o ingresso custava 30% ou menos do que custa um ingresso hoje. Hoje as pessoas têm televisão, internet, Netflix, DVD, BD, etc. Uma miríade de mídias que não existiam na época. E isso não segurou os cinemões, aqueles com mais de 1000 lugares. Salas especiais, com som THX, o baralho a quatro, podem ser um atrativo ocasional.

E além do mais, nem é tão caríssimo recriar a sensação do cinema em casa: numa sala maiorzinha é só comprar um bom projetor, um home theater e tem-se a magia do cinema a hora que se desejar. Eu já fui cinéfilo, sei muito bem que a magia do cinema pode muito bem ser recriada em salas de aula e até mesmo em lugares que não foram concebidos para isso. Os cinemas de rua são sintomas de um tempo que já passou. Creio que alguém tenha falado sobre as ruas se tornarem lugar de passagem. Sim, isso é verdade, mas o quase extermínio dos cinemas de rua tem pequenina parcela de responsabilidade nisso. Se as ruas se tornaram lugar de passagem é porque elas têm poucos atrativos e pouca segurança. São aquelas variáveis que atormentam qualquer lugar que dependa de público frequentador e pagante, coisas que dependem de uma política urbana séria que nossas cidades não costumam ter.

Quanto à qualidade dos filmes, esse é um outro problema. Eu já falei que reserva de mercado não resolve muita coisa, especialmente quando se trata do que "todos-amam-odiar" cinema nacional, que só atrai bilheteria em filmes bobos com atores globais, enquanto as produções alternativas e/ou independentes podem ter méritos mas não tem chance, ou não tem mérito mesmo. Só que o cinema americano também anda numa fase bem ruinzinha, cheia de filmes infantiloides com super-heróis se digladiando, enquanto os redatores de boa qualidade agora assumem as séries de televisão aclamadas.

Os cinemas de rua são símbolo de um passado de glória que não voltará, igual ao moribundo rádio, atualmente tomado por emissoras evangélicas que só (alguns) fiéis ouvem, e cuja transição para o digital talvez nem aconteça, já que as pessoas têm agora a opção de ouvir a música que quiserem. E só sobreviverão fora da grana fácil das igrejas poucas rádios de notícias e várias de música popularesca. Devemos revitalizar as cidades com outras estratégias que não impliquem trazer à vida a cultura antiga já remetamorfoseada em outra coisa.
 

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armatissimi & liberissimi
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Mas qual o problema disso? Muitos desses cinemas foram para os shoppings que por sua vez também estão nas ruas...

Agora, se na totalidade de cinemas se passasse de 198 para 16, aí sim seria trágico... rsrs
 

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Jesus, minha salvação.
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Sair de uma sessão a meia-noite e passar por um grupo de nóia para pegar o ônibus pq não tem lugar pra estacionar e vc não quer ser assaltado por um taxista (é muito caro) é muito tenso.
Falou tudo!!
A violência reduz muito a nossa vontade de fazer coisas as ar livre, ainda mais a noite.
 

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Adoro o "Espaço Itaú", o multiplex contruído na Praia de Botafogo.
Acho que ele mostra que existe sim demanda para cinemas modernos em locais urbanos atraentes.
O cine Leblon, citado na reportagem, cobrava ingressos muito altos.
Talvez isso explique em parte a baixa frequencia, pois se trata de um local com público pedonal.
 

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on the road
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Isso é um processo estrutural. Em países desenvolvidos, a audiência total (em espectadores x sessôes) de cinemas atingiu o pico no começo da década de 1950 e depois despencou com a chegada da TV. Antes da TV, cinema era a única diversão audivisual que propiciava uma experiência sensorial distinta.

No Brasil o processo de declínio começou mais tarde, mas ocorreu da mesma forma.

Além disso, cinema e shopping são um mix perfeito entre si: o cinema atrai clientes para o shopping, o shopping atrai espectadores para o cinema. Uma simbiose comercialmente interessante.

Mais recentemente, o fenômeno das TVs modernas, home-theater e DVD ajudou a reduzir o interesse de ir ao cinema. Uma tela de 20" é pequena, já uma de 55" é respeitável, deixa de haver tanta diferença, e sistemas som avançados são relativamente baratos. E ao longo do tempo é muito mais prático que gastar $$ em estacionamento, ingressos, tempo de ir e voltar etc.

Ainda mais contemporânea é a questão do HD streaming via Internet. Pra que ficar dependente de um horário e sala específico se vc pode alugar filme online em HD na hora que quer, o filme que quer, e dar pausa se precisar ir ao banheiro sem nenhum drama?

ema a ser discutido:
Como serão, no futuro, as ruas de nossas cidades? Não haverá mais convívio social, comércio e lazer? Serão apenas locais de passagem?
"Ruas de nossas cidades" é algo "overrated". Sempre foram antes de tudo vias de acesso (a pedestres, carros, carruagens puxadas a cavalo, carros de boi etc).
 

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O Rio já teve 198 cinemas, hoje tem quantos ao todo?

Mais de 200? Somando todos os multiplex.

Só na Barra tem quantos nos seus mais de 10 Shoppings, só no NY tem 18, Downtown, 12 e por ai vai, alguém sabe.
 

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Nos anos 60, a televisão estava ainda começando a se disseminar no Brasil.

Depois, nos 80, vieram os videocassetes

E a partir da década seguinte os canais de filmes de TV por assinatura e os cinemas de shoppings centers.

O fenômeno é mundial.
 

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to gulag!
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Isso é um processo normal em todas as cidades com grandes shopping center, ao invez de estarem para a rua estão dentro de um shopping...
Natural em cidades muito absurdamente quentes ou violentas em que é melhor ficar trancafiado em um shopping do que andar na rua...

O Rio já teve 198 cinemas, hoje tem quantos ao todo?

Mais de 200? Somando todos os multiplex.

Só na Barra tem quantos nos seus mais de 10 Shoppings, só no NY tem 18, Downtown, 12 e por ai vai, alguém sabe.
A conta pelo visto leva em consideração os cinemas de estabelecimentos proprios na rua e não dentro de shoppings...
 

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to gulag!
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Aqui em dublin só tem dois cinemas praticamente na rua [até aonde eu descobri pelo menos], um ocupa um predio com 17 salas do lado da av principal [aonde eu vou por ter o cartão ilimitado, 20euros por mes e posso ver quantos filmes eu quiser em qualquer horario!~] e outro que tambem ocupa um predio na av principal...
no fim cinemas pequenos são dificeis de serem encontrados por simplismente não ser um negocio rentavel contra as grandes marcas que já dominam as cidades...
E pelo visto no Brasil é mais dificil ainda de surgir um cinema novo na rua já que essa lei estúpida que obriga a exibir conteudo nacional, fazendo os cinemas perderem dinheiro... o povo não quer ver conteudo nacional por simplismente em suma maioria ser uma bosta como filme blockbuster! queiram ou não é os filmes de hollywood que atraem por serem exagerados e não por serem "cult"...
 

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Isso é um processo normal em todas as cidades com grandes shopping center, ao invez de estarem para a rua estão dentro de um shopping...
O fator shopping center tem importância reduzida nesse processo.

Se somar cinemas de rua com cinemas de shopping, passa looonge de 198.

Muito mais importante para a diminuição de salas ao longo de décadas foi a concorrência da televisão, das cópias em VHS e DVD, da Internet...
 

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to gulag!
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O numero de salas reduziu mas o tamanho das mesmas e qualidade aumentou.
O principal motivo da reducao foi simplismente por que antes nao existia tv e o povo ia ao cinema ate ver telejornal.
 

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Pode ser uma tendência global, mas eu não acho que dê para comparar o que está ocorrendo no Brasil com qualquer outro país normal do mundo. Não, uma cidade com quase 7 milhões de habitantes ter 16 cinemas de rua não é normal. Duvido que cidades comparáveis no mundo civilizado tenham apenas 16 cinemas de rua.

Os cinemas estão fechando por causa de leis ridículas em âmbito estadual, municipal e federal. O Procon, recentemente, fechou um cinema de rua aqui no Rio pois o mesmo contava com apenas uma saída de emergência. Sim, os loucos queriam que uma salinha de 41 lugares contasse com umas 10 saídas de emergência, o que é impossível. Os insanos, se pudessem, interditariam todas as salas de aula do Brasil. Esse tipo de coisa que está matando os pequenos cinemas de rua, que não possuem corpo jurídico nem grana para bancar a briga, e optam por fechar as portas.

Vejam:

RIO - A sala 2 do grupo Estação Botafogo, na Rua Voluntários da Pátria, vai permanecer fechada e, segundo sócio da empresa, só vai reabrir se o entendimento das normas do Corpo de Bombeiros (que é de 1975) mudar. O local, que tem apenas uma porta para entrada e saída, foi um dos alvos de operação Herói de Fogo do Procon-RJ, com a participação de agentes da corporação, nesta quarta-feira. A Sala 3 também foi fiscalizada e interditada, sendo reaberta na tarde desta quinta-feira.

— O Estação Botafogo 2 está fechado e só vai reabrir se o entendimento das normas dos bombeiros mudar, coisa que não acredito. A Sala 2 tem 41 lugares, menor que uma sala de aula. Sala de aula tem saída de emergência? Estamos com o Estação Rio 3 fechado também mas vamos cumprir as exigências até amanhã. Mas a questão é que os problemas apontados lá estão desde que as salas foram feitas, a primeira em 1986 e a segunda em 1995. Por que antes podiam e agora não? Além do mais, entramos com o pedido de renovação junto aos bombeiros em junho de 2012 e não tivemos nem o certificado e nem qualquer exigência. Por quê? Não sei — diz Marcelo França Mendes, um dos sócios da casa.


Read more: http://oglobo.globo.com/rio/sala-2-...beiros-mudar-diz-socio-11251654#ixzz39uN75sEC
 

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Tem anos que eu n piso num cinema. Em casa, eu n gasto quase nada, é muito mais confortável, posso fumar, falar durante o filme e parar pra fazer qq coisa que me der vontade.

Eu gostava das maratonas no Odeon. Aquilo sim era uma festa. Hj não vou por falta de companhia e tbm, por preguiça de me locomover de madrugada.
 

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A conta pelo visto leva em consideração os cinemas de estabelecimentos proprios na rua e não dentro de shoppings...
Eu sei, mas eu fiz a pergunta mesmo assim.

O numero de salas reduziu mas o tamanho das mesmas e qualidade aumentou.
É justamente isso q eu quero saber, pq eu não sei se reduziu, eu não sei se ao todo o Rio tem hoje menos de 198 salas de cinema, contando as de shopping center, pode ser q sim, pode ser q não.

Alguém sabe esse número?
 

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Fiquei curioso: em Campinas eram 15 salas de cinemas de rua há 50 anos.
Hoje são quantas?

Kinoplex: (Shop. Parque D. Pedro): 15 salas
Cinépolis: (Campinas Shopping): 10 salas
Cinemark: (Shop. Iguatemi): 8 salas
Cineflix: (Shop. Galleria): 7 salas
Moviecom: (Shop. Unimart): 6 salas
Cinematográfica Araújo: (Shop. Parque das Bandeiras): 6 salas
Topázio: (Shop. Prado): 4 salas
Cinesercla: (Shop. Spazio Ouro Verde): 4 salas

Total: 60 salas

Isto é: quadruplicou a quantidade e praticamente todas as regiões têm um cinema.

(...)

É justamente isso q eu quero saber, pq eu não sei se reduziu, eu não sei se ao todo o Rio tem hoje menos de 198 salas de cinema, contando as de shopping center, pode ser q sim, pode ser q não.

Alguém sabe esse número?
Eu não vou ter a paciência de fazer isso, no Rio só é difícil de fazer por causa da enorme quantidade de shoppings, a página que tem as informações que você procura é esta: http://rioshow.oglobo.globo.com/cinema/home.aspx

No lado direito tem as guias Filmes/Cinemas, e só clicar na guia Cinemas e depois em cada cinema específico (tem tanto os de shopping quanto os de rua).

No caso do Cinemark Plaza Shopping são 7 salas. ;)
 
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