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JT entrevista Francisco José Robertson Pinto

19/06/2008 - SETRANS/RJ

Novas linhas de metrô para organizar o transporte no Estado.
Estruturar o sistema de transportes do Rio de Janeiro. Esta é a solução para a melhoria da qualidade dos diversos modais de transportes, segundo Francisco Pinto, presidente do Conselho Empresarial de Logística e Transporte da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Ex-secretário de Transportes, no governo Marcelo Alencar, Francisco Pinto defende a construção de novas linhas de metrô para organizar o transporte no Estado do Rio de Janeiro.

O Jornal dos Transportes conversou com o ex-secretário para conhecer novas soluções de transporte para o Estado.

JT OnLine: Quais as grandes ações de logística e transportes necessárias para alavancar o desenvolvimento do estado?

O principal problema do nosso sistema de transporte é o baixíssimo nível de estruturação. Quando se fala em integração do transporte e racionalização do sistema de ônibus, tudo isso é correto e tem que ser feito. Mas será feito com muito mais eficácia se nós tivermos um bom nível de estruturação do sistema de transporte. Para conseguir isso, devem ser colocadas nos principais eixos de concentração de demanda sistemas com alta capacidade de transporte, como são as linhas de metrô, de trens e de barcas. A receita para o sucesso é a estruturação do sistema de transporte com a implantação de uma poderosa rede de metrô. E tenho certeza que nós podemos conseguir isso em 10 ou 15 anos e ter mais de 300 quilômetros de linha de metrô.

Nós temos cinco linhas da ferrovia (Deodoro, Santa Cruz, Japeri e Belford Roxo e Saracuruna), hoje operadas pela Supervia, que poderiam ser transformadas em linhas de metrô e metrô regional, com é feito em Paris (França), o que é possível e fácil de fazer. Não seria necessário a realização de obras, engenharias, estudos de impacto ambiental e desapropriações.

O investimento seria feito apenas em trens e no sistema de ferrovias. Com isso, nós já teríamos 210 quilômetros de metrô. Com a construção das Linhas 3, 4, e 5 e a extensão das Linhas 2 e 3, nós conseguiríamos estruturar o sistema de transporte do Estado.
São investimentos em torno de US$ 5 bilhões. Com certeza é uma quantia muito grande, mas não fazer custa muito mais caro para o governo. Há três anos, fiz um estudo procurando quantificar quanto custa não fazer, considerando os prejuízos decorrentes da queda de produção no trabalho e o tempo que as pessoas perdem para ir e voltar. A conclusão é que o prejuízo anual é da ordem de R$ 5 bilhões, ou seja, não fazer acaba saindo mais caro do que realizar essa estruturação. O problema é que esse custo de não fazer ninguém sente.

JT OnLine: No Rio de Janeiro, como em outras grandes cidades, o ônibus assumiu o papel de transporte estruturante, no lugar dos trens e do metrô, em vez de cumprir o papel de transporte alimentador. Como modificar esse quadro, para oferecer efetivamente, transporte de massa de qualidade à população?

Como disse anteriormente, é preciso uma extensão das linhas de metrô já existentes e a criação de outras. Defendo a implantação da Linha 3, a partir do final da Linha 2, na Carioca, até Guaxindiba, em Visconde de Itaboraí. Essa linha atravessaria a Baia de Guanabara e passaria por Niterói e São Gonçalo. Ela seria fundamental para estruturar o sistema de transporte de Niterói, que é muito desorganizado. A construção da refinaria da Petrobras, em Itaboraí, também vai gerar um acréscimo na demanda de passageiros e a Linha 3 seria fundamental nesse sentido e deveria ser construída em paralelo à instalação da refinaria.

Outra linha de grande importância é a Linha 4. Ela foi objeto de uma licitação pública, em 1988, para ser construída e que sairia de Botafogo até a estação do Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. Na época o governo perdeu o momento, na medida em que uma licitação havia sido feita, existia um concessionário disposto a trabalhar e fazer um grande investimento. Hoje, ela precisa ser remodelada e a concessão precisa ser discutida. Nessa remodelação, a Linha 4 precisa ser extendida até o terminal da Alvorada.

Seria importante, também, a construção da Linha 5, que partiria do terminal da Alvorada e chegaria na região entre as estações de Magno e Madureira, rasgando a Baixada Fluminense. Isso proporcionaria a integração desta linha com a duas linhas da ferrovia, que a essa altura já estaria transformada em metrô. Com isso, você fecha um anel que circula uma região onde se concentra a maior pressão por demanda de transporte no Rio de Janeiro. Seriam construídos 317 quilômetros com a implantação e a extensão dessas linhas.

JT OnLine: A Secretaria de Transportes estuda a construção de um corredor expresso para ônibus (BRT - Bus Rapid Transit), na Avenida Brasil, na Via Light. Qual a sua opinião sobre o uso do BRT como alternativa de transporte de massa?

Sou a favor, por criaria uma faixa exclusiva para os ônibus, mas não é isso que vai solucionar os problemas do sistema de transporte do Rio de Janeiro.

JT OnLine: Em troca do aumento do prazo da concessão, o governo do estado fechou um acordo com a concessionária do metrô para investimentos na compra de novos trens e construção de um bay pass para ligar as estações São Cristóvão (Linha 2) e Central (linha 1), para evitar o transbordo na estação Estácio, e o gargalo ali existente. O que o senhor acha da solução? A Parceria Público Privada (PPP) é uma solução para o transporte no Rio?

Acho que a Linha 2 deve ser prolongada até o Largo da Carioca. Existe essa proposta da concessionária de realizar a ligação das estações São Cristóvão e Central, enquanto o prolongamento da linha não seja realizado. Mas eu temo que isto atrase ainda mais o projeto de extensão da Linha 2 até o Largo da Carioca. Essa solução temporária é melhor do que nada, mas eu gostaria que fosse construído o prolongamento da Linha 2. Isso resolveria o problema da Linha 2, que passaria a transportar 90 mil passageiros por hora e teria sua capacidade total. Seria interessante, também, a construção de uma estação na Praça da Cruz Vermelha, que é uma área importante do centro da cidade e que teria uma renovação.

O setor privado é essencial para a estruturação do transporte do Rio. Estamos falando de investimentos na ordem de US$ 5 bilhões e pretender que isso seja feito com 30% do setor privado não é nenhum absurdo. Até porque uma parte do investimento já está contratada com a Supervia e a Metrô Rio.

JT OnLine: A movimentação de cargas na Região Metropolitana é um eterno problema, com caminhões trafegando pelo centro das cidades, contribuindo para o caos no trânsito. Qual a solução que o senhor propõe? A construção de entrepostos e fracionamento de cargas é suficiente?

A movimentação de cargas é muito importante para a nossa economia. A Secretaria de Transportes está com um excelente projeto de melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários ao porto do Rio de Janeiro, o que elimina muito esse tipo de conflito no tráfego. Com relação às operações de carga e descarga, principalmente em áreas com mais conflito de trânsito, é preciso disciplinar. Não adianta fazer um corredor exclusivo, com inversão de pista na Viera Souto e na Avenida Atlântica, se às 9h um sujeito pára o caminhão na pista para descarregar coco.

JT OnLine: A Secretaria de Transportes criou um programa - o Rio-Estado da Bicicleta - como alternativa de transportes para trechos curtos e complementar ao transporte urbano. O que o senhor acha da idéia e quais as medidas a serem tomadas para o projeto dar certo?

É um projeto importante, mas eu considero como uma medida complementar a estruturação do sistema de transporte, pois teria um efeito muito maior.


JT OnLine: Qual a solução para a integração dos transportes no Rio de Janeiro? A adoção do bilhete único como elemento integrador pode ser uma solução?

É outro projeto que considero importante. Hoje, existe o transporte pirata, pois há uma procura e demanda de passageiros por ele. Com a estruturação do transporte e a adoção do sistema de bilhete único, obviamente o usuário irá preferir utilizar o transporte legal. Pois ele terá descontos nas viagens, segurança e conforto. Mas se não tiver essa opção, o passageiro vai continuar usando o transporte pirata.

Fonte: Revista Ferroviária - Clipping
Link: http://www.revistaferroviaria.com/index.asp?InCdEditoria=2&InCdMateria=6224
 

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phverano
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^^

todo mundo acha a mesma coisa...

mas o metrô se vendeu por completo pra opportrans e sua gambiarrinha...

e sobre a linha 4 realmente ja passou da hora... e cada vez fica mais caro e dificil
 
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