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Rene Hass
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RS – Caminhos de Pedra (Bento Gonçalves) – Um dos berços da colonização italiana no Brasil

Eu descobri os Caminhos de Pedra por acaso em 2002 ou 2003, não lembro ao certo, quando levei um amigo norte-americano para conhecer a Serra Gaúcha. De lá para cá, já visitei o lugar umas outras três vezes, no mínimo. A última foi recentemente, no final de novembro, no mesmo passeio que eu fiz pela região e que resultou nos meus threads de Garibaldi e do Vale dos Vinhedos. Os Caminhos de Pedra foram a terceira e última perna desse passeio.

I – Os Caminhos de Pedra:

Os Caminhos de Pedra é um projeto cultural que iniciou nos anos 90 e consiste em revitalizar essa região que, além de ter sido um dos berços da colonização italiana no Brasil, foi também o berço da fundação da cidade de Bento Gonçalves.

A revitalização dos Caminhos de Pedra visa obviamente o turismo histórico. E como ações dessa revitalização estão a pavimentação da estrada que corta o vale onde estão os Caminhos de Pedra bem como a restauração de casas construídas pelos primeiros imigrantes na região. Algumas casas foram construídas originalmente no vale dos Caminhos de Pedra. Outras foram erguidas em outros lugares, desmontadas e remontadas nos Caminhos de Pedra a partir da constituição do projeto. Hoje, os Caminhos de Pedra fazem parte do Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul, conforme a Lei 13.177/2009.

II – Primórdios da colonização italiana no Rio Grande do Sul:

A colonização italiana no Rio Grande do Sul começou em 1875, ou seja, a exatos 135 anos. Cinco anos antes, em maio de 1870, o presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, João Sertório, encarregou o Major José Maria da Fontoura Palmeiro de demarcar territórios na região. Um desses territórios se chamou Colônia Dona Isabel, que mais tarde se transformou na cidade de Bento Gonçalves. O local onde o Major Palmeiro construiu um barracão para abrigar os agrimensores – e que abrigou cinco anos mais tarde os primeiros imigrantes italianos na região – é o atual bairro Barracão e porta de entrada dos Caminhos de Pedra.

III - Por que “pedras” no nome?

Porque quando os imigrantes italianos se estabeleceram na região, eles utilizaram as pedras, que eram abundantes, juntamente com a madeira da araucária como materiais de construção na edificação de suas residências.

As pedras irregulares – pois não tinham um corte padronizado – foram usadas para levantar paredes das casas e para erigir as taipas (cercas de pedra), que delimitavam as propriedades. Ao mesmo tempo em que os imigrantes empregavam as pedras na construção civil, eles estavam limpando o terreno das suas propriedades para posteriormente iniciar o cultivo de seus alimentos, dentre eles as uvas.

IV – O estilo arquitetônico das casas:

Eu não sou arquiteto, mas aprecio a arquitetura como arte e acho que sou um bom observador. Não sei usar termos técnicos da arquitetura e, na condição de leigo, vou tentar descrever alguns dos estilos arquitetônicos da região:

1 – Casa construídas todas de pedras irregulares. Exemplo: Casa Strapazzon e Casa Bertarello (Restaurante Dona Ludia). Elas normalmente têm mais do que um pavimento e as pedras têm formatos diferentes, por isso são irregulares.

2 – Casas mistas. Essas casas têm um porão feito com pedras irregulares. A parte superior é construída com madeiras da araucária e muitas vezes têm dois pavimentos, sendo que o corte da madeira é inteiro de modo a cobrir os dois andares. Casas assim ainda são encontradas nos Caminhos de Pedra, da mesma forma que em outras cidades de colonização italiana na Serra Gaúcha. Exemplo: A casa azul do conjunto residencial Barp.

3 – Casas feitas totalmente em madeira (araucária) e com dois pisos.

V – O que restou hoje:

Nos Caminhos de Pedra, infelizmente a maior parte das casas originais dos primeiros imigrantes italianos foi demolida pelas gerações que sucederam os pioneiros. As poucas que restaram estão aos poucos sendo restauradas e sendo preparadas para receber os turistas. Algumas foram construídas originalmente em outros lugares próximos e até mesmo em outras cidades e foram removidas para os Caminhos de Pedra. Das que já foram restauradas, muitas podem ser visitadas sem custo algum. Elas receberam nomes, que podem ser o nome da família proprietária (ex.: Casa Strapazzon e Casa Vanni) ou um nome que tem a ver com os produtos vendidos nela (ex.: Casa do Tomate, Casa da Tecelagem e Casa da Ovelha).

Algumas dessas casas podem ser visitadas, como eu já citei. Outras, apenas podem ser apenas observadas externamente.

VI – Futuro dos Caminhos de Pedra:

O Projeto Caminhos de Pedra não findou ainda. Fomos informados pela proprietária da Casa do Tomate que o projeto prevê a construção e restauração de cerca de 80 casas. Não sei se todas essas 80 casas seriam para visitação interna. Não contei o número de casas atual onde podemos entrar e visitar. Acho que não passa de umas dez ao longo da estrada principal (a VRS-855), cuja pavimentação de todo o seu trecho ainda está em progresso. Atualmente, a pavimentação vai até a Casa da Erva Mate, uma das mais visitadas dos Caminhos de Pedra.

VII – Os Caminhos de Pedra na mídia:

Observem esse vídeo recente da Promoção Passione, da Rede Globo, que levará as pessoas a visitar a Toscana na Itália:


Obviamente que a Rede Globo não levou os atores da propaganda para a Toscana. Ao invés disso, trouxe-os para os Caminhos de Pedra.

Duas casas famosas dos Caminhos de Pedra podem ser vistas nessa propaganda:

0:12’’ - Restaurante Dona Ludia
0:14’’ – Casa Strapazzon

E além disso, essas duas casas vão aparecer nas fotos abaixo.

Todas as fotos são de minha autoria e foram tiradas no dia 28/11/2010.

Espero que gostem.


Foto 01:


Foto 02: CASA DOS DOCES PREDEBON. É a primeira casa com visitação nos Caminhos de Pedra. Como o próprio nome diz, aqui são vendidos doces caseiros feito pela família.


Foto 03: Uma bela residência particular à beira da estrada.


Foto 04: CASA ZANDONA. Um exemplo do descaso. Essa casa centenária (construída no final do século XIX) foi construída com pedras irregulares e teve suas paredes cobertas com reboco na década de 1960. Precisa urgentemente de restauro. Espero que um dia o reboco seja removido.


Foto 05: A estrada principal que corta os Caminhos de Pedra.


Foto 06: Uma bela tomada da estrada.


Foto 07: Alguns parreirais em meio a casas mais simples do que as do Vale dos Vinhedos. As uvas desses parreirais devem ser para consumo direto, e não para a confecção de vinhos.


Foto 08: CASA BERTARELLO, também conhecida como RESTAURANTE NONA LUDIA, construída em 1880, portanto, com 130 anos de existência. Foi a primeira casa a ser restaurada no Projeto Cultural Caminhos de Pedra. É um dos únicos restaurantes dos Caminhos de Pedra e o mais freqüentado, sendo recomendável fazer reserva. O almoço sai por R$ 24,00. Não devem estar incluídas a bebidas. Tentamos almoçar ali, mas como chegamos depois das 14h, eles já estavam fechados para novos clientes. É o restaurante onde os grupos de turistas costumam almoçar. Essa é uma das casas que aparece no comercial da Promoção Passione, da Rede Globo.


Foto 09: Zoom da Casa Bertarello (Restaurante Nona Ludia).


Foto 10: A porta de entrada do Restaurante Nona Ludia.


Foto 11: Alguns turistas chegando para almoçar.


Foto 12: Uma residência pobre, mas cercada de videiras.


Foto 13: O esplendor dos verdes.


Foto 14: CASA DO TOMATE E DO REFRIGERANTE (Il Cantuccio Del Pomodoro e della Gasosa). Aberta em 2005, achei a casa menos bonita dos Caminhos de Pedra dentre aquelas abertas à visitação. Em compensação, fomos recebidos pela simpaticíssima dona, que nos deu uma verdadeira aula sobre os Caminhos de Pedra. Ali eles produzem vários itens a partir do tomate. Itens que vão dos tradicionais molhos de tomate até o inusitado sorvete de tomate, passando pelos cremes hidratantes, todos feitos de tomate, é claro. Além de produtos de tomates, os proprietários também produzem refrigerantes artesanais de uva, laranja e abacaxi.


Foto 15: Trufas de tomate.


Foto 16: Quando a gente imagina já ter visto tudo na vida, repentinamente nos deparamos com o inusitado. Jamais imaginava que um dia eu iria encontrar sorvete de tomate. Só na Serra Gaúcha! E olha que eu experimentei e aprovo. Imagina a Kibom ou a Nestlé industrializando o sorvete de tomate ou o picolé de tomate.


Foto 17: Eis o sorvete de tomate por dentro.


Foto 18: Detalhe da construção da Casa do Tomate. As pedras são colocadas sem cimento entre elas, conforme nos disse a própria dona. É uma técnica usada nas primeiras construções erguidas pelos imigrantes italianos.


Foto 19: Um pouco da sinuosidade da estrada que corta os Caminhos de Pedra.


Foto 20: CONJUNTO RESIDENCIAL BARP. A casa toda de pedras irregulares (à direita) foi construída em 1878. A casa de pedras regulares e madeira azul (à esquerda) foi construída em 1920. A Família Barp cria ovelhas e fornece o seu leite para a Casa da Ovelha. É intenção da família transformar essas duas casas em uma pousada.


Foto 21: A famosa CASA DA OVELHA. Construída em 1917, já foi restaurante e hotel e não tinha o porão de pedra onde hoje funciona o varejo. Originalmente, ela foi construída a 100 metros da atual localização. Por ocasião do restauro, ela foi transferida de lugar e teve o porão de pedras acrescido. No andar de cima, na parte toda de madeira, assistimos a um filme sobre ovelhas e degustamos vinhos, queijos e molhos. A maior parte dos produtos vendidos na lojinha deles (varejo) é feita com o leite de ovelha. São queijos e iogurtes. Recomendo o iogurte. Mas os preços são proibitivos. Os proprietários são daqueles que preferem colocar os preços lá em cima e ver os produtos encalhados e apodrecendo nas prateleiras em vez de baixar um pouco os preços e ver os produtos vendendo como água. Eles vendem ovelhinhas de pelúcia, mas beirando os R$ 100,00. Impossível de comprar.


Foto 22: Detalhe da Casa da Ovelha mostrando a entrada da lojinha de varejo.


Foto 23: As ovelhinhas a preços proibitivos, pelo menos para mim. As pequenas vendem por cerca de R$ 60,00. As maiores, quase R$ 100,00. Linda para fotografar, mas quase ninguém as compra. Os donos devem preferir vê-las assim, enfeitando as prateleiras.


Foto 24: Uma tomada da estrada a partir do primeiro andar da Casa da Ovelha.


Foto 25: Um casa pobre no topo de um morro próximo à Casa da Ovelha.


Foto 26: Uma casa relativamente “moderna” em comparação às demais. Ela obedece o estilo arquitetônico trazido pelos imigrantes italianos: primeiro pavimento (ou porão) feito de pedra e a parte superior feita em madeira.


Foto 27: Uma casa moderna.


Foto 28: Outra casa moderna e igualmente interessante.


Foto 29: Outra casa moderna, com excesso de chaminés.


Foto 30: Detalhe da construção de uma taipa, ou o muro de pedras irregulares. A técnica é construí-la sem o uso de cimento para fixar as pedras umas sobre as outras. Pequenas pedrinhas entre os pedaços maiores de pedra ajudam na fixação.


Foto 31: Um sorveteiro solitário cruzando os Caminhos de Pedra.


Foto 32: Cena rural.


Foto 33: Mas uma casa “moderna” típica dos Caminhos de Pedra.


Foto 34: CASA DA TECELAGEM. Uma curiosidade sobre ela: foi construída em 1915 no município de Flores da Cunha, que deve ficar a mais de 100 km dali. Foi transferida para os Caminhos de Pedra em 2004. Desde 2008, funciona ali uma tecelagem. Podemos ver os teares antigos ainda funcionando. Além disso, podemos comprar os produtos feitos ali mesmo. Eu comprei ali um cachecol de seda por apenas R$ 34,00. Era o último (de seda) na lojinha deles. A casa é dividida em duas partes. Esta mostrada na foto é a maior e onde há lojinha (onde estão as janelas com as toalhas penduradas).


Foto 35: A parte menor da Casa da Tecelagem. É nessa parte que fica a oficina com os teares.


Foto 36: Detalhe da Casa da Tecelagem, mostrando a sua entrada. Por que a casa tem duas partes separadas, uma menor e outra maior? Resposta dada pela dona da Casa do Tomate: nos primórdios da colonização italiana, os fogões eram à lenha e as casas eram construídas em madeira (de araucária). Como havia o risco constante de as brasas do fogão à lenha caírem e provocarem um incêndio, era na parte menor da casa que funcionava a cozinha. Em caso de incêndio, era mais fácil apagá-lo na parte menor da casa e com isso impedir que ele se alastrasse para a parte maior, causando a perda total do imóvel.


Foto 37: O interior da parte pequena da Casa da Tecelagem, mostrando os teares quase centenários.


Foto 38: O interior da parte maior da Casa da Tecelagem, mostrando a loja onde podemos adquirir os produtos ali produzidos.


Foto 39: Uma simpática residência particular de pedras, ao lado da Casa da Tecelagem.


Foto 40: A fachada da casa de pedras mostrada na foto anterior.


Foto 41: O vizinho do outro lado da estrada, em frente à Casa da Tecelagem.


Foto 42: Um bosque próximo à Casa da Tecelagem.


Foto 43: Um parreiral escondidinho em meio a outro bosque.


Foto 44: Detalhe da Casa da Tecelagem, com a vizinha Casa do Artesanato e das Massas em segundo plano.


Foto 45: Investimentos pesados nos Caminhos de Pedra. A primeira vez em que eu estive lá, em 2004, acho, o asfalto terminava exatamente onde está a Casa da Tecelagem. Hoje, ele vai até a Casa da Erva Mate.


Foto 46: CASA DO ARTESANATO E DAS MASSAS. Construída em 1910 no interior da cidade vizinha de Farroupilha. Foi desmontada e reconstruída nos Caminhos de Pedra pela Família Tomasi, sendo inaugurada em seu local atual em 2005. Apesar do nome, eu só vi ali dentro artesanato à venda. Não vi massas.


Foto 47: A frente da Casa do Artesanato e das Massas.


Foto 48: Detalhe dos jardins da Casa do Artesanato e das Massas.


Foto 49:Assim como a Casa da Tecelagem, a Casa do Artesanato e das Massa também é dividida em duas partes, uma menor e outra maior, sendo que na menor funcionava a cozinha na época em que ela serviu como residência dos imigrantes italianos.


Foto 50: A entrada da Casa do Artesanato e das Massas.


Foto 51: Porta de entrada da Casa do Artesanato e das Massas.


Foto 52: Outro ângulo da porta de entrada da Casa do Artesanato e das Massas.


Foto 53: Vizinho do outro lado da estrada.


Foto 54: Um galpão na propriedade da Família Strapazzon. Aqui é possível tirar fotos à moda antiga (com trajes dos imigrantes italianos), colocadas em CD. Eles vendem queijos e tábua de frios aqui, mas não há degustação.


Foto 55: CASA STRAPAZZON. Construída em 1880 com a técnica de pedras irregulares, é uma das casas mais famosas dos Caminhos de Pedra e desde então nunca passou por restauro. Ou seja, tudo nela é original de 1880. Por nunca ter passado por restauro em seus 130 anos de existência, esta casa foi cenário do filme “O Quatrilho” (1995), dirigido por Fábio Barreto e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1995. Essa casa também aparece no comercial da Rede Globo sobre a Promoção Passione.

Essa casa sempre pertenceu à Família Strapazzon. O seu atual proprietário, o Sr. Wilson Strapazzon, nos recebeu calorosamente no interior dessa casa, tendo nos contado um pouco da história da casa e nos servido vinho e suco de uva. Uma curiosidade: ele nos disse que não recebeu um centavo por ter cedido a casa para as filmagens de “O Quatrilho” em 1995. Ele se contentou apenas com a divulgação que a casa teria junto com o filme. Eu não perguntei a ele se ele havia cobrado da Rede Globo para as filmagens do comercial da Promoção Passione.

Depois de ele ter nos servido vinho e suco, ele disse que estava esperando uma equipe do Globo Repórter naquela mesma tarde, pois eles iriam filmar ali um casal septagenário, considerado o casal mais velho a ainda trabalhar na colheita da uva. Achei estranho, pois não estamos na época da colheita. Seria mais sensato a equipe de reportagem fazer a matéria em janeiro, que o mês da colheita, filmando o casal de velhinhos colhendo uvas. De qualquer forma, ao irmos embora da propriedade dos Strapazzon, havia uma van cheia de equipamentos de filmagem, mas sem logotipo da Globo ou da RBS, que é a afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e que dá suporte nas filmagens de qualquer matéria gaúcha para o Globo Repórter. Perguntamos ao homem da van se eles estavam ali para fazer uma matéria para o Globo Repórter e ele negou. Talvez não fosse mesmo. E se fosse, respondeu não para despistar os curiosos. A reportagem foi ao ar no Globo Repórter do dia 17/12/2010, mostrando a Casa Strapazzon, mas sem citar o seu nome.


Foto 56: Se aproximando da Casa Strapazzon.


Foto 57: Detalhe das janelas originais de 130 anos da Casa Strapazzon.


Foto 58: Uma das portas de entrada da Casa Strapazzon. Notem os cachos de uvas ainda verdes próximo da porta.


Foto 59: Outro detalhe externo da Casa Strapazzon.


Foto 60: Detalhe da parede de pedras irregulares da Casa Strapazzon. Notem que as pedras estão encaixadas sem o uso aparente de cimento.


Foto 61: Vista de uma das janelas da Casa Strapazzon. Imaginem no verão abrir essa janela e pegar um cacho de uva cedo da manhã.


Foto 62: Vista de uma das portas de entrada da Casa Strapazzon.


Foto 63: Interior da Casa Strapazzon. Notem que o chão é de terra. Obviamente, ninguém mais usa a casa como residência. Hoje, estão ali dentro esses barris de carvalho, envelhecendo o vinho produzido artesanalmente pela família Strapazzon.


Foto 64: Turistas visitando a Casa Strapazzon.


Foto 65: Detalhe das videiras da Família Strapazzon. Cenas do filme “O Quatrilho”, em que Patrícia Pillar colhia uvas, foram feitas nesse parreiral.


Foto 66: A Casa Strapazzon vista de frente.


Foto 67: O acesso à Casa Strapazzon, que fica no alto do terreno.


Foto 68:


Foto 69: Esse é o telhado, atrás das videiras, da residência atual dos Strapazzon.


Foto 70:


Foto 71:


Foto 72: A propriedade dos Strapazzon é uma das mais visitadas dos Caminhos de Pedra. A van branca ao lado do ônibus amarelo era a van cheia de equipamento de filmagens, que suspeitamos ser da equipe do Globo Repórter.


Foto 73: Videiras dos Stapazzon, olhando em direção ao topo da propriedade.


Foto 74: Videiras dos Strapazzon, olhando em direção a entrada da propriedade.


Foto 75: Uma carreta de boi.


Foto 76: Essa casa também faz parte da propriedade da Família Strapazzon.


Foto 77: Casa impecável.


Foto 78: Mesmo algumas casas de madeira mais modernas procuram preservar um pouco da característica da arquitetura colonial italiana, como essa, em que uma parte do primeiro pavimento da casa é de tijolos. Uma chaminé é com certeza da churrasqueira. A outra deve ser do fogão à lenha.


Foto 79: Acho essa casa interessante pela mistura. Porão de tijolos e parte superior de madeira, tal qual muitas na região. E parte menor, onde originalmente era a cozinha, de tijolos. E notem que não há escada que leve à porta de entrada no piso superior.


Foto 80: Um parreiral com destaque para o pinheiro no meio.


Foto 81: A CASA DA ERVA MATE, com sua famosa roda d’água. Essa casa pertence à Família Ferrari e originalmente funcionou ali um moinho. Hoje, os Ferrari produzem erva mate nela, daí o nome da casa. Os próprios proprietários se revezam para nos guiar numa visita pelo interior desta casa. A casa fica fechada e os proprietários residem em outra casa que fica na frente dela, do outro lado da estrada. Eles devem ficar na janela, pois assim que um carro estaciona ali, alguém sai da casa e vem nos atender. Quando eu estive ali em janeiro, a Sra. Ferrari nos guiou pela propriedade. E agora em novembro último, fomos recepcionados pelo filho dos Ferrari. Eles nos explicam todo o processo artesanal de fabricação da erva mate. No final, eles nos conduzem ao porão da residência, onde podemos degustar o chimarrão e adquirir a erva mate produzida por eles, entre outros produtos. Há inclusive cosméticos, como cremes hidratantes, feitos à base de erva mate.

Assim como não podemos ir a Roma sem ver o Papa, ou ir a Paris sem comer escargot, o turista que vem ao Rio Grande do Sul não pode deixar de experimentar o chimarrão, mesmo que a idéia de compartilhar a mesma cuia pareça nojento para os não-gaúchos. A Casa da Erva Mate é um ótimo lugar para quem ainda não teve coragem de tomar chimarrão tomá-lo.

Um curiosidade que torna a Casa da Erva Mate singular é a sua roda d’água, a única na região. Além de tornar a casa bela, em dias quentes, ela refresca com os seus respingos aqueles que estiverem passando por ali.


Foto 82: Detalhe da roda d’água.


Foto 83: A roda d’água.


Foto 84: O riachinho que alimenta a roda d’água.


Foto 85: O filho dos Ferrari iniciando a visita guiada à propriedade. Aqui ele estava nos explicando que o processo de fabricação da erva mate inicia aqui, quando as folhas da erva mate são colocadas naquela tubo preto que fica girando enquanto a erva é torrada.


Foto 86: Interior da Casa da Erva Mate. Atrás dele estão dois trituradores que são movidos pelo girar da roda d’água. Eles também funcionam com energia elétrica, caso o volume d’água seja insuficiente para fazer a roda girar. Eis um exemplo de fabricação ecologicamente correta de um produto quando dispensa o uso de energia para fazer as máquinas trabalharem. Não há uso de energia elétrica para fazer a roda d’água girar.


Foto 87: Visão lateral da Casa da Erva Mate. Observem que há uma ponte e o riachinho passa por debaixo dela. Observem, também, que há uma espécie de aqueduto de madeira que desvia parte da água do riachinho a fim de fazer a roda d’água girar.


Foto 88: CASA VANNI vista da Casa da Tecelagem. Construída em 1935 e restaurada em 1996. Hoje funciona um restaurante (Restaurante Casa Vanni) em seu subsolo, com entrada pelos fundos. Na frente, funciona um café e uma lojinha.


Foto 89: Os fundos da Casa Vanni. A porta arredondada no porão é o acesso principal ao Restaurante Casa Vanni.


Foto 90: Visão lateral da Casa Vanni.


Foto 91: Interior do café da Casa Vanni.


Foto 92: Frente da Casa Vanni.


Foto 93: Frente da Casa Vanni.


Foto 94: Casa da Tecelagem e Casa do Artesanato e das Massas vistas da Casa Vanni.

Espero que tenham gostado.
 

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res severa, verum gaudium
de volta ao porco fumo
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Adoro essas casa antigas, meus avós vieram de Guaporé em 1960 e aqui construiram uma casa bem assim, com o porão de pedra e o segundo andar de madeira, com um galpão de araucária ao lado e um parreiral atrás. Essa casa resiste até hoje, minha avó e meus tios moram lá. Obrigado por mostrar um pouco da cultura dos meus antepassados, abraços.
 

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renehass, numa boa, seus threads me fazem acreditar mais num Brasil perfeito!

Parece exagero, ou até ufanismo, sei lá, mas voce sempre vem mostrando a parte desse país que soube preservar sem envelhecer, modernizar sem descaracterizar, melhorar sem perder as tradições. Seja no urbanismo, na pavimentação, no paisagismo, na natureza, nas casas, na preservação como um todo, nas inicitaivas privadas que arriscam no turismo local e same ganhando, é nesse Brasil que confio e acredito um dia ser predominante.

Sobre a região em si, fiquei tão apixonado que estou arranjando apoio aqui em casa e ano que vem devo ir para o Caminho das Pedras. Lindo, organizado, romantico.

Parabéns pelo thread, as fotos ficaram perfeitas e possui uma organização e um detalhamento de dar inveja!
 

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Longe demais das Capitais
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Belíssimo thread ! :cheers: Parabéns, Rene ! :applause:

Já estive em Bento, Caxias, Garibaldi, mas nunca estive nessa região e nas que tu mostrou nos teus threads...

Nem dá pra comentar tudo, mas acho especialmente belo e singular casas como a das fotos 20 e 36, que são típicas e abundam pela região, até mesmo na afekada Gramado, dando cara e alma à toda região.






O que eu não imaginava é a propaganda da Passione era ali na serra !




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Pro SP fiant eximia
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Eu acho lindo o RS, um estado com diversas paisangens que encantam :eek:kay:
 

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Antigo Xinah_Poa to Gui_P
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Muuuito show..
haha

Cara, nem acredito, eu fui em 1999 nesses lugares com o colégio, não mudooou naaaaaaada.
ahashuahashuashu

Fomos numa fabrica de cercas, só que era tudo com maquinas antigas tipo a da erva mate, muito show.
asuashusah

Não creio cara... muito bom.
=D
 

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chocolate better than sex
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Que thread fantástico, uma foto melhor que a outra, tudo muito bucólico, uma beleza simples mas com sofisticação ao mesmo tempo, parabéns, Rene.
 

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podia ir pro thread italiano... nao sei se eles têm noção de quão forte é a presença deles aqui no Brasil.
 

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Já sabia a fama da beleza dessa região e suas fotos a comprovaram. E apreciei um pouco de seus hábitos, seus costumes, suas habitações...enfim um thread caprichado como os que voce sempre faz!
 

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Rene Hass
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Discussion Starter · #16 ·
Hoje a produção de espumantes nessa região foi tema de reportagem do JN.
E apareceu também na edição do Globo Repórter de ontem. A matéria sobre o casal de velhinhos da mais de 70 anos que ainda trabalha na colheita da uva foi feita nos parreirais da Família Stapazzon (ver fotos da Casa Strapazzon acima). E foi feita na mesma tarde em que estivemos lá. Só que a reportagem foi feita depois que deixamos a Casa Strapazzon.
 

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Eu visitei esse caminho das pedras em 2008 ou 2007 nao lembro agora mas eu achei super legal nossa a casa da ovelha tem um monte de coisa boa UHAUHAUUA e acho que comprei um monte de coisa de lã hahaha...tomei chimarrão também.
obs:FRIO DO CARALHO
 
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