SkyscraperCity banner
1 - 1 of 1 Posts

·
Registered
Joined
·
1,897 Posts
Discussion Starter · #1 ·
Universidades do município produzem uma tese a cada grupo de 609 habitantes; concentração de doutores supera a de São Paulo
Graças a um pólo tecnológico em expansão e à expressiva produção acadêmica de suas duas grandes universidades públicas, São Carlos, no interior paulista, consolida-se a cada ano como a "cidade dos doutores" no Brasil.

Segundo dados mais recentes dos campi locais da USP (Universidade de São Paulo) e da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), foram defendidas 346 teses de doutorado em 2003. Em 2002, foram 315; e, em 2001, 245.

Considerando-se só as teses de 2003, São Carlos ostenta uma média de um doutor para cada 609 habitantes, de acordo com estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que aponta que o município possui 210.841 moradores.

Comparando-se estes números com: a cidade de São Paulo, por exemplo, toda a produção da USP, excetuando-se o campus de São Carlos, gerou em 2003 um doutor por 5.500 habitantes; a UFSC (Federal de Santa Catarina) teve um doutor por 1.800 habitantes de Florianópolis; a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) produziu um doutor para 9.800 moradores de Recife; e a UnB (Universidade de Brasília), um doutor a cada 13 mil moradores do Distrito Federal.

Deve-se considerar, também, que estas cidades citadas abrigam outras universidades conceituadas, sejam públicas ou particulares, e as teses produzidas nestas devem ser somadas. No entanto, São Paulo precisaria ter dez vezes a produção da USP (1.971 teses em 2003, somando aí os campi da capital, de Ribeirão Preto, Pirassununga e Piracicaba) para bater a concentração de doutores de São Carlos. Seriam necessárias pelo menos mais duas federais em Florianópolis; mais 15 UFPE, no Recife; e mais 20 UnB em Brasília.

Concentração ainda maior

"Isso sem contar o (número de doutores) acumulado nos anos anteriores que permanecem nas universidades ou são absorvidos pelas indústrias, pela prefeitura, centros de pesquisa e pelo agronegócio na região", afirma o coordenador de Relações Institucionais da prefeitura de São Carlos, Yashiro Yamamoto, 60, pesquisador na USP e doutor em Física.

Segundo Yamamoto, que coordenou levantamento em 2001, somando-se todos os doutores residentes, São Carlos teria um morador com tal formação a cada 200 habitantes. Até o prefeito Newton Lima Neto é doutor. Engenheiro de produção, especializou-se em políticas públicas e foi reitor da UFSCar.

Localiza em uma região rica do estado, a 230 quilômetros de São Paulo e a 110 quilômetros de Ribeirão Preto, São Carlos se transformou em pólo de tecnologia, com pesquisa de ponta em Agropecuária, Saneamento, Habitação, Metal-mecânica, Química, Ótica, Laser e Eletro-eletrônica. A cidade ainda abriga a mais antiga incubadora de empresas do país, o Parqtec (Parque de Alta Tecnologia de São Carlos), e atraiu as gigantes Alcoa (empresa canadense, maior produtora de alumínio do mundo) e Tecumseh (companhia americana, líder mundial em compressores para refrigeração e ar condicionado).

A Tecumseh emprega 6.200 pessoas e fabrica em São Carlos 10% de sua produção global. A Alcoa montou, em parceria com a UFSCar, um prédio inteiro dedicado à pesquisa de novos materiais.

Também têm instalações na cidade a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a TAM, a Volkswagen e a Faber Castell, entre outras.

Mão-de-obra especializada não falta. Juntas, USP e UFSCar mantêm mais de 8.600 alunos matriculados em todos os níveis e oferecem 34 programas de pós-graduação, 30 deles com cursos de doutorado. Cinco têm nota máxima na avaliação da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), do Ministério da Educação: o de Ciência e Engenharia dos Materiais e o de Química, na federal; e ainda Física, Físico-química e Engenharia Hidráulica e Saneamento, na estadual. (clique aqui para ter acesso à lista completa de doutorados oferecidos pelas duas instituições em São Carlos)

Pólo internacional

Reconhecida internacionalmente por sua vocação científica, a cidade de São Carlos coordena desde 2003 a unidade temática de Ciência, Tecnologia e Capacitação da Rede de Mercocidades, que reúne 138 municípios de Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. A excelência fez de São Carlos uma exceção na rede que, de forma inédita, entregou a coordenação de um grupo temático a um município com menos de 400 mil habitantes.

Em dezembro, São Carlos sediará a 2ª Mostra de Ações de Ciências e Tecnologia em Políticas Públicas Municipais.

Na primeira mostra, no ano passado, a prefeitura apresentou 70 projetos implantados em parceria com outras instituições do governo, universidades e iniciativa privada, como a fossa séptica rural e o mapa da pobreza.

A fossa séptica rural foi desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação Agropecuária. A nova tecnologia reúne um sistema de três caixas d´água coletoras de dejetos que evitam a contaminação do lençol freático provocada pela fossa tradicional e, sob tratamento químico natural, transformam o esgoto em adubo orgânico.

Desenvolvido por pesquisadores da UFSCar, o Mapa da Pobreza é atualizado anualmente e se transformou no mais minucioso instrumento da prefeitura de São Carlos para identificar bolsões de miséria, localizar e cadastrar as famílias mais carentes nos programas federais de distribuição de renda.

Outro exemplo de iniciativa viabilizada por uma parceira é a criação da Faculdade de Medicina na UFSCar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na cidade em março passado e anunciou o novo curso com previsão de vagas já para o próximo vestibular. Simultaneamente, a prefeitura vem construindo o hospital escola com capacidade para 200 leitos.

Ainda na área de saúde, o grupo de Ótica da USP vem patenteando novos inventos. "Muitos são licenciados por fábricas de todo o país, como o ´Curador de Resina a LED`, cuja produção já chega a 6.000 aparelhos", destaca o professor titular de física da USP Vanderlei Salvador Bagnato. Desenvolvido na tese de doutorado de Cristina Kuroshi, aluna de Engenharia de Materiais, o aparelho usa um LED (sigla em inglês para Diodo Emissor de Luz) que emite luz azul para o endurecimento de resinas nas restaurações dos dentes, as populares obturações. O LED, com milhares de horas de vida útil, substitui a luz halogênica, mais cara e com vida mais curta.

Ação social

A tecnologia social desenvolvida em São Carlos já foi exportada para outros municípios e, até, outros Estados. Um projeto piloto de casas populares de madeira da universidade virou um conjunto de 410 casas em Cuiabá (MT).

"Mais que um projeto habitacional, é uma política de geração de trabalho e renda a partir da cadeia da madeira", explica a professora Akemi Ino, 50, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, que defendeu tese de doutorado sobre o assunto em 1992. Ela é também uma das coordenadoras do grupo de pesquisa em habitação e sustentabilidade da instituição.

O conjunto em Cuiabá foi erguido com rejeito das madeireiras locais. São casas totalmente de madeira com dois quartos, sala, cozinha, área e banheiro.
O grupo também atua no assentamento Pirituba, em Itapeva (sul do Estado de São Paulo), onde vem assessorando a construção da base do telhado de casas de alvenaria em regime de mutirão. Foi montada uma marcenaria onde os colonos recebem capacitação e usam rejeito de eucalipto e pinus.

Desde a defesa da tese da professora Akemi, outras 22 dissertações de mestrado e três teses de doutorado relacionadas ao tema foram produzidas na universidade.

fonte: universia brasil
 
1 - 1 of 1 Posts
Top