SkyscraperCity Forum banner
261 - 280 of 734 Posts

·
Moderator
Joined
·
194,232 Posts
Arqueólogos procuram uma cidade pré-romana no concelho de Estremoz

26.07.2008, Maria Antónia Zacarias

A existência de um aglomerado daquele período está praticamente confirmada. Os especialistas procuram agora confirmar se esses vestígios são de uma importante cidade

Dois arqueólogos e dez estudantes de arqueologia de universidades portuguesas e inglesas confirmaram nas últimas semanas a existência, junto a Évora Monte, concelho de Estremoz, de vestígios de uma povoação que poderá ter sido a maior cidade pré-romana de todo o Sudoeste da Península Ibérica, conhecida pelo nome de Dipo.

As escavações em curso visam confirmar a tese, sustentada por alguns arqueólogos, de que Dipo se situaria naquele local, uma vez que, de acordo com fontes clássicas, esta urbe estaria localizada algures entre a cidade romana de Évora e Mérida, mas mais perto da cidade portuguesa. Ao fim de quase um mês de trabalho, o arqueólogo responsável pela investigação, Rui Mataloto, do Centro de Arqueologia da Faculdade de Letras de Lisboa, disse ao PÚBLICO que "parece quase inegável" a existência de um grande aglomerado populacional da Idade do Ferro, do período pré-romano, nas proximidades das muralhas medievais do Castelo de Évora Monte. A afirmação é sustentada, sobretudo, pelos fragmentos de diferentes objectos que já haviam sido encontrados por um outro arqueólogo, há cerca de dois anos.

"Ao longo deste mês de escavações surgiram indícios de estruturas, construções e materiais que confirmam a existência de uma povoação, durante o século primeiro a.C, isto é, em plena época pré-romana", afirmou o arqueólogo responsável pelo projecto. O investigador referiu-se igualmente a outros achados que apontam nesse sentido, tais como cerâmicas do quotidiano - vasos de cozinha, potes de grandes dimensões utilizados para armazenagem de cereais, água e frutos secos -, e alguma cerâmica de importação itálica que, por norma, "está associada ao início da presença romana".

Entre os vestígios descobertos, Rui Mataloto realçou a presença de pedaços de asas de ânforas, que "eram grandes contentores onde se transportava o vinho nos barcos", bem como alguns elementos de decoração, incluindo contas de vidro "que as mulheres utilizavam nos seus colares".

Embora este arqueólogo saliente a relevância dos achados, reconhece que ainda falta confirmar se no cerro de Évora Monte - onde em 1834 foi assinado o tratado de que pôs fim à guerra entre liberais e absolutistas - se localizou mesmo a cidade de Dipo. Entre os seus projectos para os próximos anos, acrescentou, encontra-se a continuação do trabalho no local, de modo a conseguir esclarecer se a cidade romana existiu mesmo ali. "Se tal fosse conseguido, isso seria muito benéfico para dar maior valor à História de Portugal e a todo o concelho de Estremoz, ficando a vila de Évora Monte a ganhar com novos pontos de interesse, atraindo assim mais visitantes", sublinhou. Rui Mataloto defendeu a criação no local de uma pequena área musealizada, passível de ser visitada pelos turistas, os quais receberiam as devidas explicações sobre o significado dos vestígios.

O investigador assegurou ainda que, depois de concluída esta fase das escavações, irá efectuar, juntamente com a arqueóloga Catarina Alves, que tem estado também a participar nos trabalhos, uma análise mais aprofundada sobre tudo o que foi encontrado. Os resultados preliminares desse estudo serão apresentados no dia 7 de Setembro no Castelo de Évora Monte.

As escavações que estão a ser realizadas perto da Ermida de Santa Margarida e terminam no fim deste mês resultam de um protocolo estabelecido entre a Câmara de Estremoz e a Associação PortAnta, que teve por base uma proposta da Liga dos Amigos do Castelo de Évora Monte. Os trabalhos contam ainda com o apoio logístico da Junta de Freguesia de Évora Monte e da Misericórdia local.

Público
 

·
Moderator
Joined
·
194,232 Posts
Encontrados novos e importantes vestígios da acrópole romana de Beja

09.08.2008

Onze anos depois do início das escavações, os arqueólogos trouxeram à luz do dia um dos mais significativos testemunhos da presença romana no Sudoeste da Península Ibérica

A convicção e persistência da arqueóloga Conceição Lopes, do Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras de Coimbra, apoiada pelo esforço de 12 estudantes, acaba de dar os seus frutos. Decorridos onze anos desde o início das escavações destinadas a encontrar o fórum romano de Beja, acaba de ser confirmada a sua localização no sítio onde o arqueólogo Abel Viana observou os primeiros vestígios em 1939, quando ali foram abertas as fundações para a construção do depósito de água da cidade.

"[Desta vez] encontrámos mais do que Abel Viana encontrou", explicou ao PÚBLICO Conceição Lopes, destacando a descoberta dos vestígios de dois edifícios do período romano e outro do pré-romano em "muito bom estado de conservação". O templo descoberto por Abel Viana tinha uma configuração rectangular e media 29 metros de comprimento por 16,5 de largura, uma dimensão equivalente à do templo de Diana de Évora. Confirmou-se agora que "estava rodeado de um tanque de água", salientou a arqueóloga.

Os vestígios descobertos estendem-se da base rochosa até ao topo, em patamar, com uma altura de sete metros. Só um dos edifícios, apresenta uma sapata com três metros de altura, o que dá bem a dimensão do achado. "Estamos perante uma das melhores descobertas feitas em Portugal, do período romano", e que se reportam ao final do século I a.C. início do século I d.C., acentuou Conceição Lopes

Foi em Agosto de 1997 que se iniciaram as escavações num espaço aberto nas traseiras do Conservatório de Música, onde a arqueóloga acreditou poder vir a encontrar os vestígios identificados por Abel Viana em 1939, mas que ninguém sabia ao certo onde estavam. Apesar das dificuldades financeiras, a arqueóloga manteve os trabalhos com maior ou menor intensidade, até que a campanha deste ano culminou com a descoberta das três construções romanas. "A nossa sorte foi ter caído o muro de um quintal", que estava a impedir a progressão das escavações para um outro espaço onde se ergue o reservatório de água.

Abel Viana tinha conduzido o seu trabalho de escavação até uma profundidade próxima dos seis metros e constatou que a estrutura se apoiava no maciço de rocha. A superfície "do paredão ou muralha estava calcetada por pequenas pedras embutidas no característico cimento romano, formando um piso que denunciava a acção de um trânsito intenso e prolongado", explicou na altura o arqueólogo.

A escavação mais profunda revelou que o templo ocupava "sítio eminente e que desde tempos remotos os aterros foram crescendo à sua volta, a ponto de subirem mais de um metro sobre o que outrora fora o coroamento das fundações. O templo erguia-se na parte mais elevada da crista que culmina o cerro onde foi edificada Pax Júlia". Dada a importância do achado, o executivo municipal da altura manifestou o desejo de que o alicerce não fosse mutilado e determinou o desvio das fundações do depósito de água.

Com o decorrer dos séculos e as destruições a que foi sujeita a cidade, os destroços do templo foram espalhados pela zona. No meio de entulhos acumulados nas proximidades foram aliás localizados, em várias ocasiões, dois capitéis, várias colunas monolíticas e grandes fustes e lápides alusivas a Serapis e a Ísis, divindades que terão merecido culto no templo romano.

Conceição Lopes acredita ter recuperado para a época contemporânea "uma boa parte da cidade romana de Beja e da sua dinâmica até aos dias de hoje".
a Erguida segundo um plano político e estratégico bem definido, a antiga Pax Júlia (hoje Beja) foi determinante no reordenamento de todo o território que integrava a Lusitânia, cuja capital se situava em Mérida.

Diversos testemunhos documentais atestam que Beja teve um passado grandioso, do qual nada de edificado chegou aos nossos dias. A sua importância estratégica ditou-lhe a sorte: foi perdida e reconquistada quase duas dezenas de vezes, na sequência de lutas extremamente violentas que se consumavam numa montanha de escombros. O que a cidade tinha de mais valioso em monumentos e edifícios erguidos durante a romanização ficou irremediavelmente perdido. Quando chegou o século XIII, D. Afonso III encontrou uma cidade destruída e abandonada. O período das descobertas devolveu a Beja algum brilho e importância e o século XVIII encontrou a nobreza bejense a viver um esplendor efémero resultante do ouro do Brasil.

Era o sinal da decadência que se revelaria em toda a sua dimensão no século seguinte. Hoje, a cidade tenta valorizar o seu centro histórico, mas vive na expectativa de ver aprovados no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional um conjunto de projectos que preservem o património edificado dos modismos contemporâneos.

Público
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #265 ·
Necrópole romana descoberta em pleno centro de Braga

Diário do Minho

Texto, Joaquim Martins Fernandes

Publicado a 28-07-2008

Obras do túnel colidem com preservação dos achados



A Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho descobriu uma grande necrópole romana em plena Avenida da Liberdade, em Braga. Várias dezenas de sepulturas, algumas delas com esqueletos quase inteiros, foram já colocadas a salvo. As escavações em curso, que decorrem no quarteirão dos antigos Correios, deixam claro que o prolongamento do túnel da Avenida vai entrar no "coração" da necrópole, assim como o hotel para idosos, anunciado recentemente para a Rua do Raio.
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #266 · (Edited)
Ossonoba (Faro) - Mosaico Oceano - sec. II/III DC

Descoberto durante o decorrer de uma obra pública, na Rua Infante D. Henrique, em 1976, este mosaico de grandes dimensões (falta ainda uma parte considerável), tem 9,24 m X 3,23 m, teve a infelicidade de ser parcialmente destruido pela máquina aquando da sua descoberta, o mosaico foi posteriormente levantado por técnicos do MMC e hoje está exposto ao público no museu municipal de Faro.
Estudos efectuados apontam a possibilidade de ter pertencido a um edificio público de Ossonoba, e não a um edificio privado, a decoração consta maioritáriamente de formas geométricas com elementos vegetalistas no seu interior, tendo como motivo decorativo central, um medalhão com a representação do deus Oceano cuja cabeleira é adornada por uma par de antenas e dois pares de patas de carangueijo.
No parte inferior do mosaico encontra-se inserida numa "tabula ansata" com menção a quem a quem encomendou e deu o material para a feitura do mosaico; C(aius). CAL.PVR. NI.VS (...) NVS .ET.G(aius) VI.BI.VS.QVINTI./ LI.ANVS.ET.L(ucius) . AT.TI(VS?...) S.ET.M(arcus) VER.DIVS CE.MI.NVS./ SOL(VM) TES.SEL.LAS(F(aciendum)CV.RA.R)VNT ET.DONA.R(VN).T.








 

·
... com piri-piri!
Joined
·
1,168 Posts
Anta da Arquinha da Moira

Just to add a few more "Antas" to the thread ...

The Anta da Arquinha da Moira is located at Lajeosa do Dão (near Tondela / Viseu) ...







 

·
Registered
Joined
·
5,212 Posts
Em Braga continua a palhaçada...

Uma necrópole romana foi encontrada na principal avenida de Braga, numa área onde vai ser construído um novo centro comercial. Só o fim das escavações podem determinar o que acontecerá ao ambicioso projecto.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=972737
A Necropole com as primeiras 17 ossadas completas e com urnas de cremação de Bracara Augusta, vai dar lugar a mais um espetacular Centro Comercial...

Promotor já afirmou em 2009 espera abrir a unidade...
Templo romano no centro de Braga

As escavações arqueológicas que decorrem na principal avenida de Braga colocaram a descoberto um templo romano datado do século I.
A grandeza da descoberta levou já a Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho a defender a musealização “in situ” do achado,
http://www.diariodominho.pt/noticia.php?codigo=33823

O Templo Romano datado do século I e que segundo especialistas devia ser musealizado in-situ, abortando ou alterando a obra... vai ser... enterrado!!

A Camara e a empresa privada já afirmaram as obras não vão parar!! Claro que respeitamos os especialistas, dizem eles, mas as obras não param ...


E eu deixo-vos a pergunta...

Mas o povo português tem algum interesse pelo património histórico?
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #270 ·
:uh: o povo é o ultimo a ter voto na matéria, tenha ou não interesse pelo património, as autoridades é k sobrepoem interesses privados ao património, salvo rarissimas veses em k não é possivel salvar os cahados in situ, não me parece o caso, no que toca a património arqueológico em ambiente urbano a desgraça é maior :eek:hno:
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #271 ·
Anta da Arquinha da Moira é mto interessante, além do facto de manter ainda a mamoa a envolvela, tem vestigios de tinta vermelha e forneceu vários artefactos, desde adornos a ceramica :yes:
 

·
Registered
Joined
·
2,117 Posts
Ohhh, que antas tao interessante, zip95, obrigadíssimo, nao conhecia nenhuma destas e sao espantosas. I would love be walking along country and to find out some of these old building, it would be a gorgeous experience, the feeling would be so different.
 

·
Registered
Joined
·
2,117 Posts
:eek2::eek2::eek2:


impressionante ..., mas está restaurado, nao é? ainda assim é impressionante, estou sem palavras da imaginaçao que teveram para fazer algo assim e que integra-se tao bem na paisagem, é realmente lindo. Mas parece que está muito modificado, porque uniram as pedras de abaixo com argamassa/ cimento, e nao imagino que no neolítico conhecessem essa técnica de construçao. E as pedras de arriba também sao recentes, ainda assim é soberbo.

Agora estava a pensar numa coisa, por que é que os monumentos funerários do neolítico conservam-se e os residencias nao?.
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #274 ·
yup foi restaurado usando pedraria proviniente do derrube da estrutura (derrube parcial) original e seguindo a traça/planta do tumulus :yes: no neolitico não havia construção de casas em pedra, normalmente ou viviam em grutas ou cabanas de palha, mais tarde aparecem povoados, calcolitico, amuralhados com cabanas com paredes em pedra, adobe ou materias de origem vegetal, mas com telhado de palha.
 

·
Registered
Joined
·
2,117 Posts
Sim, isso pensei e pensa-se em geral, mas eu nao comprendo porque preferiam viver em cabanas de palha antes que em estructuras como esta que isolam melhor do meio externo. Acho-o muito raro.
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #276 ·
sim de facto estes povos proporcionavam melhor condições em termos de estruturas aos seus mortos que aos vivos, isto podera explicar-se pelo enfase que davam aos mortos de acordo com as crenças mistico-religiosas, a ideia seria que se se desse boas condições aos mortos a sua alma teria paz e não voltaria para atormentar os vivos.
 

·
Registered
Joined
·
2,117 Posts
Deixo aqui novos sitios arqueológicos que ainda nao foram mostrados, espero que gostem.

Necrópole da Lareira de Cima (Penedono)

A necrópole megalítica da Lameira de Cima, perfeitamente destacada na paisagem circundante e desfrutando de um vasto campo visual, ocupa a periferia de um dos patamares mais elevados e periféricos de uma superfície montanhosa sobranceira à ribeira de Teja, afluente da margem esquerda do rio Douro.

Trata -se de um conjunto de dois monumentos funerários pré-históricos cujo montículos artificiais, separados por escassos metros, encerram estruturas centrais com características tipológicas distintas – câmara poligonal alargada provida de um corredor de médias dimensões ou de uma antecâmara de tipo "vestibular".

As evidências arqueológicas, bem como o conjunto de análises radiocarbónicas disponíveis e estatisticamente indistinguíveis, permite-nos pressupor um curto período de utilização da necrópole cronologicamente situável nos finais do IV/III milénio a.C.













Uma das coisas que as pessoas nunca apercebem-se é da orientaçao deste corredor de entrada ao menir. Está orientado perfeitamente para o Leste, à saída do sol nos equinoccios.



Acho que o mais impressionante do lugar é a combinaçao desdes restos arqueológicos com a sua impressionante situaçao, visto assim comprende-se bem qual é o motivo que esteja onde está, é simpesmente espectacular:









Menir do Vale Maria Pais

Trata-se de um monólito de granítico que, pelas suas características e raridade, se revelou como um dos mais significativos achados arqueológicos da região Centro/Norte de Portugal. Ostenta um conjunto de covinhas e ainda um motivo que lembra a representação solar. De secção ovalada e topo arredondado, sendo evidente a sua configuração fálica, conservava c. de 3 metros de altura, variando a sua largura entre os 0,70 e 1 metro.

Está restaurado... e acresce ainda referir a presença no local de vestígios romanos e medievais, mormente uma sepultura escavada na rocha a escassos metros deste monólito pré-histórico.






Uma das coisas que mais surpreendem-me deste menir é os seus enigmáticos buracos, impressionante como poderam fazer algo assim:



Por o outro lado nao há esses buracos:



Fonte de uma pequena parte da informaçao que mostrei foi tirada destas webs:

http://www.cm-penedono.pt/turismo/patrimonio/patrimonio_6.htm

http://dolmenes.blogspot.com/2008/09/necropolis-de-lameira-da-cima.html

http://dolmenes.blogspot.com/2008/09/menir-do-vale-de-maria-pais-penedomo.html
 

·
Registered
Joined
·
52,542 Posts
Discussion Starter · #280 ·
o espolio deste tipo de sepultura é fantastico, pena parte da "tampa" ter ruido :eek:kay: os buracos são mto frequentes em monumentos mégaliticos, são as chamadas "covinhas" ligadas ao esoterismo destas culturas.
 
261 - 280 of 734 Posts
Top