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Discussion Starter #1
No thread sobre os menores infratores, foi levantada a possibilidade de criar um thread oficial sobre esse tema. Depois de pedir a um moderador, obtive permissão para criar esse espaço para uma discussão geral desse assunto.



Mapa da Violência 2013: Brasil mantém taxa de 20,4 homicídios por 100 mil habitantes

Alagoas, Maranhão, Espírito Santo, Pará e Bahia são os estados com os piores índices de violência



BRASÍLIA - O Mapa da Violência 2013 - Mortes Matadas por Armas de Fogo, divulgado nesta quarta-feira, informa que 36.792 pessoas foram assassinadas a tiros em 2010. O número é superior aos 36.624 assassinatos anotados em 2009 e mantém o país com uma taxa de 20,4 homicídios por 100 mil habitantes, a oitava pior marca entre 100 nações com estatísticas consideradas relativamente confiáveis sobre o assunto.

Entre os estados que apresentaram as mais altas taxas de homicídios estão Alagoas com 55,3, Espírito Santo com 39,4, Pará com 34,6, Bahia com 34,4 e Paraíba com 32,8. Pará, Alagoas, Bahia e a Paraíba estão entre os cinco estados também que mais sofreram com o aumento da violência na década. No Pará, o número de assassinatos aumentou 307,2%, Alagoas 215%, Bahia 195% e Paraíba 184,2%. Neste grupo está ainda o Maranhão com a disparada da matança em 282,2% entre o ano 2000 e 2010.

O Rio de Janeiro aparece em 8º lugar no ranking dos estados mais violentos com uma taxa de 26,4. O estudo mostra, no entanto, que o número de mortes por armas de fogo está em declínio. De 2000 a 2010, os assassinatos a tiros no Rio caíram 43,8%. Em São Paulo a queda foi ainda maior, 67,5%, e o estado viu a taxa de homicídio baixar 9,3%. O estado, que no início da década passada estava entre os seis mais violentos, aparece desta vez na 24º posição, atrás apenas de Santa Catarina, Roraima e Piauí.

Entre as capitais mais violentas estão Maceió, a primeira da lista com 94,5 homicídios por 100 mil habitantes. Logo depois vêm João Pessoa com taxa de 71,6, Vitória com 60,7, Salvador com 59,6 e Recife com 47,8. São taxas bem acima da média nacional, 20,4, e dos níveis considerados toleráveis pela ONU, que giram em torno de 10 homicídios por 100 mil. Com uma taxa de 23,5, o Rio aparece em 19º lugar na lista. A cidade de São Paulo apresentou taxa de 10,4 e está na 25ª colocação.

Para Júlio Jacobo Waiselfisz, coordenador do Mapa da Violência 2013, a declarada priorização da segurança pública por governadores e iniciativas do governo federal tais como a campanha do desarmamento não foram suficientes para forçar a queda dos índices de violência na primeira década do século XXI. Do ano 2.000, segunda metade do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, até o fim do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 2010, foi registrada uma taxa de aproximadamente 20 homicídios com armas de fogo por 100 mil habitantes.

— Não tenho elementos para julgar (a correção) das políticas de segurança. Mas se está havendo alto índice de violência, nossas políticas não são suficientes — comenta Jacobo.

O estudo confirma ainda a "nacionalização" dos homicídios e duas diferentes tendências da violência. O número de assassinatos a tiros tem aumentado em áreas tradicionalmente hospitaleiras do Norte e do Nordeste e diminuído no Sudeste, a partir de avanços registrados em São Paulo e no Rio de Janeiro. Dos cinco estados mais violentos do país em 2010, três estão na região Nordeste: Alagoas, Bahia e Paraíba. Quatro das cinco cidades com os piores dados estão no litoral da região: Maceió, João Pessoa, Salvador e Recife.

Para Jacobo, a escalada da violência em cidades e estados do Nordeste não significa que está havendo uma "nordestinização" da matança. Para ele, o que está havendo é a expansão em âmbito nacional da criminalidade. As mortes violentas, que antes de concentravam em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio, estão se espalhando pelo país. O movimento acompanharia a desconcentração industrial e os deslocamentos populacionais ligados às atividades econômicas.

— Não dá para dizer que está havendo uma nordestinização da violência. A violência tem crescido também no Paraná, em Santa Catarina e no entorno de Brasília — disse Jacobo.

Santa Catarina sofreu aumento de homicídios de 44,5% na década, embora ainda permanece com taxa de 8,5 homicídios por grupos de 100 mil. O Distrito Federal, com uma taxa de 25,3 por 100 mil, está em 9º lugar no ranking de assassinatos com armas de fogo. O Mapa da Violência apresenta o ranking de homicídios das cidades com mais de 20 mil habitantes.

Entre as cinco cidades mais perigosas do país estão: Simões Filho, na Bahia, com taxa de 141,5 homicídios por 100 mil habitantes; Campina Grande do Sul, no Paraná, com 107,0, Lauro de Freitas (BA) com 106,6, Guaíra com 103,9, e Maceió com 91,6. São números piores que o de Medellin e Bogotá, na Colômbia, no auge do poder do narcotráfico de Pablo Escobar. Para Jacomo, a onda de violência em algumas cidades e estados brasileiros também estaria ligada ao narcotráfico, ao crime organizado e a grande quantidade de armas em circulação.

Pelo estudo, 70% dos homicídios no país são cometidos com armas de fogo. Uma explicação seria a disseminação da cultura da violência. Segundo o pesquisador, muitos homicídios resultam dos chamados conflitos de proximidade. São desentendimentos em que uma das partes, ao invés de tentar eliminar o conflito, mata o oponente.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/mapa-da-violencia-2013-brasil-mantem-taxa-de-204-homicidios-por-100-mil-habitantes-7755783#ixzz2TeZZsFz8



Os números da violência nos estados



http://oglobo.globo.com/infograficos/mapa-da-violencia-estados/
 

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O primeiro passo para combater o crime é acabar com as "leis de imunidade"


:applause:
 

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Interessante que em 2000, e isso não é muito tempo atrás, a maioria dos estados possuiam taxas relativamente baixas de homicídios excetuando-se algumas "torres" de alta letalidade, que eram (e ainda são) Estados que já possuiam esteriótipos de violência.

O Rio em guerra civil, Pernambuco com grupos de extermínio, São Paulo do caos urbano (Datenismo) e RO, MT e MS como "interior sem lei" (DF e ES curiosamente nunca ganharam fama por isso).

Refiz a tabela acima comparando na mesma escala a ordem de 2000 e a de 2010:





Mudanças enormes em apenas 10 anos.
 

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Para o cidadão de bem, o índice de homicídios é o que menos interessa. Fazem toda uma pressão midiática em cima desse índice, mas isso é só mais um dos embustes que imperam nessa questão da violência urbana no Brasil.

Semanas atrás, o comentarista de segurança do jornal local do DF deu um dado afirmando que 95% dos homicídios cometidos no 'estado' tinham relação direta com tráfico de drogas, brigas de bar, rixas de rua etc; acredito que nos outros estados o número não seja muito diferente. Aí eu pergunto: qual é o interesse do cidadão comum na continuidade da existência desse tipo de pessoa? Nenhum. Muito pelo contrário.

O Paraná está vivendo uma situação que evidencia bem as consequências desse erro de perspectiva quando aplicado ao combate à criminalidade por parte do governo.

Foi iniciado um programa chamado Unidade Paraná Seguro, parcialmente inspirado nas UPPs cariocas. Esse programa busca reduzir o número de homicídios nos bairros mais violentos de Curitiba (que é uma cidade com uma taxa altíssima desse crime, na casa dos 30/100K) através do policiamento ostensivo e permanente.

As taxas realmente cairiam, mas sabem qual está sendo o resultado? Os latrocínios (e suas tentativas), antes raros na região central, dispararam. Toda semana tem a notícia de algum morto ou baleado em assalto no Centro. E a explicação é simples: os drogados eram mortos pelos traficantes ou se matavam entre si antes da UPS. Com a queda na taxa de homicídio nos bairros mais violentos, obviamente, tem mais bandido vivo. E aí o resultado não pode ser outro: com mais bandido vivo (especialmente os crakentos, que são pessoas completamente fora de si e sem nada a perder), os crimes contra o cidadão comum aumentaram.

A UPS não prendeu os bandidos. Se ela não prendeu e bandidagem parou de morrer, é óbvio que esses indivíduos estão à solta e vão atacar a sociedade. Mas fica lindo pro governo anunciar na imprensa que a taxa de homicídios caiu de 30 pra 20, 15. Todo o planejamento de segurança no estado é baseado com metas de redução desse índice. Na eleição, o governador vai mostrar os resultados e o povo vai aplaudir, pois brasileiro não consegue ligar a causa ao efeito.

A única redução na taxa de homicídios que presta é a que foi praticada em São Paulo nos últimos anos: constrói cadeia e enjaula a bandidagem. Bandido preso (ou morto) não ataca a sociedade, exceto através de ordens para outros bandidos que estão soltos (mas isso já é outra história).

Esse negócio que vem sendo feito no Rio e no Paraná de pacificar áreas de extrema violência é um ato temerário. Bandido não tem que ser expulso, bandido tem que ser preso. O governo do Rio de Janeiro é um governo criminoso contra o resto do Brasil, pois está expulsando os bandidos do seu estado para outras regiões. Mas isso ninguém vê, pois o negócio dessa esquerda caviar que domina o Brasil é vitimizar os criminosos e criminalizar as vítimas.
 

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Para o cidadão de bem, o índice de homicídios é o que menos interessa. Fazem toda uma pressão midiática em cima desse índice, mas isso é só mais um dos embustes que imperam nessa questão da violência urbana no Brasil.

Semanas atrás, o comentarista de segurança do jornal local do DF deu um dado afirmando que 95% dos homicídios cometidos no 'estado' tinham relação direta com tráfico de drogas, brigas de bar, rixas de rua etc; acredito que nos outros estados o número não seja muito diferente. Aí eu pergunto: qual é o interesse do cidadão comum na continuidade da existência desse tipo de pessoa? Nenhum. Muito pelo contrário.

O Paraná está vivendo uma situação que evidência bem as consequências desse erro de perspectiva quando aplicado ao combate à criminalidade por parte do governo.

Foi iniciado um programa chamado Unidade Paraná Seguro, parcialmente inspirado nas UPPs cariocas. Esse programa busca reduzir o número de homicídios nos bairros mais violentos de Curitiba (que é uma cidade com uma taxa altíssima desse crime, na casa dos 30/100K) através do policiamento ostensivo e permanente.

As taxas realmente cairiam, mas sabem qual está sendo o resultado? Os latrocínios (e suas tentativas), antes raros na região central, dispararam. Toda semana tem a notícia de algum morto ou baleado em assalto no Centro. E a explicação é simples: os drogados eram mortos pelos traficantes ou se matavam entre si antes da UPS. Com a queda na taxa de homicídio nos bairros mais violentos, obviamente, tem mais bandido vivo. E aí o resultado não pode ser outro: com mais bandido vivo (especialmente os crakentos, que são pessoas completamente fora de si e sem nada a perder), os crimes contra o cidadão comum aumentaram.

A UPS não prendeu os bandidos. Se ela não prendeu e bandidagem parou de morrer, é óbvio que esses indivíduos estão à solta e vão atacar a sociedade. Mas fica lindo pro governo anunciar na imprensa que a taxa de homicídios caiu de 30 pra 20, 15. Todo o planejamento de segurança no estado é baseado com metas de redução desse índice. Na eleição, o governador vai mostrar os resultados e o povo vai aplaudir, pois brasileiro não consegue ligar a causa ao efeito.

A única redução na taxa de homicídios que presta é a que foi praticada em São Paulo nos últimos anos: constrói cadeia e enjaula a bandidagem. Bandido preso (ou morto) não ataca a sociedade, exceto através de ordens para outros bandidos que estão soltos (mas isso já é outra história).

Esse negócio que vem sendo feito no Rio e no Paraná de pacificar áreas de extrema violência é um ato temerário. Bandido não tem que ser expulso, bandido tem que ser preso. O governo do Rio de Janeiro é um governo criminoso contra o resto do Brasil, pois está expulsando os bandidos do seu estado para outras regiões. Mas isso ninguém vê, pois o negócio dessa esquerda caviar que domina o Brasil é vitimizar os criminosos e criminalizar as vítimas.
Grande Felipe. Exatamente isso que eu penso.

Os crimes que realmente interessam ao cidadão comum são assaltos, sequestros, estupros e latrocínios. Não dá para comemorar nada se os latrocínios subirem enquanto o número de homicídios diminuiu. E por que os latrocínios subiram legal? Por dois motivos: maior número de nóias que roubam para sustentar o vício (sabe como são os nóias, não?) e uma possível "queima de arquivo" (para evitar que se faça um retrato falado).

Interessante notar que sempre tem um "crime da moda" a cada época, cujas ocorrências disparam e, logo depois, despencam conforme ação da polícia. Nos anos 1980, tínhamos como moda roubar banco; nos anos 1990, os sequestros à cidadãos da Classe Média, e sequestros-relâmpagos nos anos 2000. Agora, provavelmente, o crime da moda é o latrocínio. Assim que a polícia atacar esse ramo, os bandidos deixarão o latrocínio e partirão para outro tipo de crime.


Ah, é violência no trânsito também é violência urbana! Nisso, o Brasil é campeão mundial, infelizmente.
 

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^^ Não tem como latrocínio virar crime da moda... é apenas uma decorrência de um assalto. Aliás, a maior parte dos assaltos têm potencial de virar latrocínios a depender das circunstâncias.


Estatísticas sobre isso são difíceis porque na maior parte dos Estados, quem faz estatística de homicídios é o HOSPITAL ou o IML, não o órgão governamental de segurança pública. E no hospital não faz diferença as circunstâncias em que a pessoa foi assassinada (e nem haveria como saber).


São Paulo por exemplo tem as melhores estatísticas sobre violência no país (o site da segurança paulista é rico em informações e histórico de dados), e lá existe o trabalho metodológico onde as estatísticas sobre cada crime só saem após a análise de cada caso, para classificar o fato corretamente.


Se houvessem dados seguros sobre latrocínios no Brasil (e esse crime MERECE essa atenção, pois é o 2º crime MAIS GRAVE de todo o ordenamento brasileiro, depois do sequestro tradicional com morte), eu acredito que as cidades com maiores índices seriam exatamente aquelas com maiores índices de assaltos.

Os assaltos, aliás, são outro problema estatístico, já que são extremamente subnotificados.


Porém curiosamente o IBGE fez uma pesquisa perguntando diretamente ao entrevistado se ele foi assaltado no ano anterior (e isso todo mundo lembra e não tem porque omitir ou mentir) e só isso já faz da pesquisa nacional sobre segurança do IBGE a mais precisa sobre roubos já feita.

Eu vou achar o link dela, mas em resumo o estado mais seguro nesse aspecto é SC (com 1% da população vitimada), enquanto o pior lugar era o PA, onde 7% da população ESTADUAL entrevistada foi assaltada num período de 12 meses. Se o IBGE liberasse o número só da capital, tenho certeza que o resultado seria muito pior.
 

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Eu não concordo com a tese de que a letalidade é "boa" se ocorrer só na periferia por dois motivos:

1 - Isso respinga em toda a sociedade, de qualquer forma.
2 - E mais importante, a vasta população que convive com os "bandidos mortos e matadores" sofre demais com isso e ela, apesar de quem não entenda isso, tem o mesmíssimo VALOR de quem vive longe desse problema, dos cidadãos "de bens".


Quando o Governo do Paraná atua para reduzir a letalidade nas periferias de Curitiba, ele não está se importando em desagradar a população mais rica, ele está agindo para atender a maior parte do eleitorado que vive na periferia e SIM, agradece demais se os bandidos da vizinhança ou da própria família passarem a ser menos violentos.


Dito isso, o que eu critico é que além das corretíssimas políticas de redução de homicídios, a redução de assaltos também deveria receber atenção, e isso não vem ocorrendo, seja pelos Governos, seja pela mídia que raramente pressiona o governo com estatísticas sobre isso.

Por exemplo, APOSTO que muita gente aqui vai se surpreender com essa notícia abaixo, que raramente aparece em algum jornal ou telejornal:


Quase 12 milhões foram roubados ou furtados em um ano, revela IBGE
Número de furtos foi maior, segundo estudo do Pnad; região Norte teve o maior número de roubos do País

No período de um ano, 11,9 milhões de brasileiros foram vítimas de roubo ou furto, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Suplemento de Vitimização e Justiça da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2009, divulgado hoje. O número representa 7,3% da população com dez anos ou mais de idade. Em 1988, o porcentual era de 5,4%. Somando o grupo de vítimas de roubo e furto e o de tentativa de roubo e furto, a sensação de insegurança da população chegou a 70,4%, ante 47,2% para toda a população de 10 anos ou mais. O total de vítimas de furto, 6,4 milhões (3,9%), foi maior que o de roubo.

Na Região Norte foi registrado o maior porcentual de pessoas roubadas: 5,6%, ante 2,5% no Sul, o menor. O Pará lidera o ranking nacional de vítimas de roubo, com 7,7%. Já o crime de furto atingiu maior proporção na Região Centro-Oeste (5,5%). O porcentual de vítimas de roubo ou furto foi maior entre os homens (8,3%) do que entre as mulheres (6,4%). O maior porcentual de vítimas foi verificado no grupo de pessoas entre 16 e 34 anos. Quanto maior a renda, maior a proporção de vítimas desses crimes.

Os roubos foram concentrados em vias públicas (70,5% dos casos). Já os furtos ocorreram mais em residências (47,6%). Telefone celular e dinheiro, cartão de débito ou de crédito ou cheque foram os principais alvos de roubo. Na pesquisa anterior, de 1988, o bem roubado com mais frequência era dinheiro, depois joias ou relógios. Nas regiões Norte e Nordeste, em 2009, os porcentuais de roubo e furto de telefone celular ultrapassaram os de dinheiro, cartão e cheque. Já no Sul e Sudeste, ocorreu o inverso.

Mais da metade das vítimas tanto de roubo quanto de agressão não procuraram a polícia para denunciar os crimes. No grupo das vítimas de roubo que não procuraram a polícia (51,6%), o principal motivo apontado foi não acreditar na corporação (36,4%). Entre as vítimas de roubo que procuraram a polícia, mas não fizeram o registro, 24,9% afirmaram não acreditar na corporação.


http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,quase-12-milhoes-foram-roubados-ou-furtados-em-um-ano-revela-ibge,653958,0.htm


^^ O número assusta, mas a primariedade da imprensa é tanta que eles na verdade somaram a MESMA população que pode ter passado por ambas as situações (ter sido roubada E furtada - contado dobrado).

Mesmo assim, descontando os 7 milhões de furtados (subtração sem violência, comum no mundo todo e até de forma mais grave que aqui), ainda sobram 6 milhões de assaltados.


Imaginem, quase a população inteira de Santa Catarina ou de Goiás, ou da cidade do Rio de Janeiro, sem exceções: do recém-nascido ao idoso na cadeira de rodas, sendo assaltada no mesmo ano.
 

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Eu não concordo com a tese de que a letalidade é "boa" se ocorrer só na periferia por dois motivos:

1 - Isso respinga em toda a sociedade, de qualquer forma.
2 - E mais importante, a vasta população que convive com os "bandidos mortos e matadores" sofre demais com isso e ela, apesar de quem não entenda isso, tem o mesmíssimo VALOR de quem vive longe desse problema, dos cidadãos "de bens".

Quando o Governo do Paraná atua para reduzir a letalidade nas periferias de Curitiba, ele não está se importando em desagradar a população mais rica, ele está agindo para atender a maior parte do eleitorado que vive na periferia e SIM, agradece demais se os bandidos da vizinhança ou da própria família passarem a ser menos violentos.

Dito isso, o que eu critico é que além das corretíssimas políticas de redução de homicídios, a redução de assaltos também deveria receber atenção, e isso não vem ocorrendo, seja pelos Governos, seja pela mídia que raramente pressiona o governo com estatísticas sobre isso.
Eu não estou dizendo que o governo deve deixar a situação na periferia como está para que os bandidos continuem se matando. O que eu disse é que essa política de ocupação que não prende os criminosos é um erro colossal, pois deixa os bandidos à solta não só no bairro pobre como também incita esse criminosos a praticarem suas ações em outros bairros.

O drogado que não paga a conta tem como destino certo a vala. Quando a polícia ocupa a periferia e torna o homicídio um crime arriscado para o traficante, o drogado tende a ter uma sobrevida maior, o que lhe permite praticar o roubo em outros bairros para sustentar o seu vício. É aí que surge o latrocínio, já que esses zumbis do crack são indivíduos extremamente voláteis e violentos.

O certo seria prender o traficante e o drogado, mas além de essa não ser a prática adotada nas UPPs e UPS, mesmo que a polícia prenda, logo esses indivíduos já estarão soltos de volta.

Pesando tudo isso, prefiro que os bandidos se matem do que fiquem soltos aterrorizando os moradores dos bairros pobres e ricos.

Quem conhece a realidade de um bairro pobre sabe que maior do que a tristeza de saber que o filho da vizinha que você viu crescer foi morto numa boca de fumo é o alívio de ter certeza que ele não mais oferecerá perigo aos demais moradores. Junto com a tristeza é um alívio para a própria família do drogado, pois este torna a vida dos familiares (especialmente a da mãe) um verdadeiro inferno.

Meus avós moram há 30 anos num bairro da periferia de Curitiba e minha mãe participa de um projeto para dependentes de uma igreja evangélica. Conheço bem a situação dessa gente, tive conhecidos mortos nessa guerra do tráfico que está instaurada na minha cidade, e sei que tanto para o curitibano do centro quanto para o da vila bandido e drogado morto é muito melhor do que solto.
 

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Naipesky, sobre o trecho que você tirou do seu post comparando a situação da criminalidade pré e pós-constituição de 88, em contraposição ao aumento de 35% nesse índice de furtos/roubos nós tivemos um enorme avanço nas condições de emprego e renda, além do assistencialismo social do governo.

Alguma coisa de errado tem nessa situação.
 

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^^ Mas os noiados nem devem ser exatamente os maiores responsáveis por latrocínios.

Aqui em São Paulo eles foram expulsos da periferia para as Cracolândias no centro da cidade, e as notícias de latrocínio continuam vindo da periferia, não do centro.


Os noiados reforçam sim o problema de assaltos em geral e são um problema de saúde pública.

Não é nem caso de prisão, mas de 1: Evitar que mais pessoas até então normais fiquem drogadas a esse ponto, 2: Internar compulsoriamente os atuais viciados (embora sejam casos perdidos mesmo).


Naipesky, sobre o trecho que você tirou do seu post comparando a situação da criminalidade pré e pós-constituição de 88, em contraposição ao aumento de 35% nesse índice de furtos/roubos nós tivemos um enorme avanço nas condições de emprego e renda, além do assistencialismo social do governo.

Alguma coisa de errado tem nessa situação.
Eu tirei porque estranhei que o IBGE tenha feito a mesma estatística em 1988, e considerando a ignorância do redator da notícia (para quem furto e roubo deve ser quase a mesma coisa, inclusive), eu poderia estar comparando laranjas com maças.


Mas o que você falou faz sentido. Os anos 80 foram um caos social e mesmo assim sofria-se de menos assaltos do que hoje (apesar de serem MUITOS). Aliás, se hoje regredíssimos todos os avanços sociais para a situação dos anos 80, a violência certamente atingiria níveis inimagináveis.


Quem conhece a realidade de um bairro pobre sabe que maior do que a tristeza de saber que o filho da vizinha que você viu crescer foi morto numa boca de fumo é o alívio de ter certeza que ele não mais oferecerá perigo aos demais moradores. Junto com a tristeza é um alívio para a própria família do drogado, pois este torna a vida dos familiares (especialmente a da mãe) um verdadeiro inferno.

Meus avós moram há 30 anos num bairro da periferia de Curitiba e minha mãe participa de um projeto para dependentes de uma igreja evangélica. Conheço bem a situação dessa gente, tive conhecidos mortos nessa guerra do tráfico que está instaurada na minha cidade, e sei que tanto para o curitibano do centro quanto para o da vila bandido e drogado morto é muito melhor do que solto.

Essa conclusão é uma forma de conviver com a barbárie, um conformismo tão maligno quanto se drogar e não precisa existir nem no bairro pobre.

Reitero que a população agradece se o traficante pensar duas vezes antes de mandar alguém para a vala.


Por exemplo, o Rio da UPP hoje. É muito mais fácil se assaltado dentro da Favela do Cantagalo HOJE do que há 10 anos atrás. Mas quem vai defender que a situação anterior era MELHOR só porque era mais fácil eliminar drogados inconvenientes?
 

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^^ Mas os noiados nem devem ser exatamente os maiores responsáveis por latrocínios.

Aqui em São Paulo eles foram expulsos da periferia para as Cracolândias no centro da cidade, e as notícias de latrocínio continuam vindo da periferia, não do centro.


Os noiados reforçam sim o problema de assaltos em geral e são um problema de saúde pública.

Não é nem caso de prisão, mas de 1: Evitar que mais pessoas até então normais fiquem drogadas a esse ponto, 2: Internar compulsoriamente os atuais viciados (embora sejam casos perdidos mesmo).
Esses zumbis do crack que vivem nas cracolândias não são exatamente grandes vetores de violência, embora potencialmente possam ser. No geral, são moradores de rua já adaptados a viver de mendicância, no máximo cometendo pequenos furtos. Eles evitam praticar crimes para não serem expulsos ou presos pela polícia, já que o centro é um bom lugar para manter esse 'estilo' de vida.
Eu tenho um conhecido que viveu meses no centro de Curitiba viciado em crack. Ele conta que comia melhor na rua do que em casa (isso que ele não era pobre, tinha um padrão de vida normal), pois os donos de restaurantes e padarias davam o que sobrava do expediente pra eles se alimentarem.

Os grandes vetores de violência são esses jovens que se metem com o traficante do bairro, seja de crack, cocaína ou maconha. Esses jovens possuem acesso a armas (é bem mais difícil um crackento de rua conseguir comprar um revólver e munição) e se envolvem em um sistema de compra e venda de drogas mais complexo, desses que você acumula dívida (mendigo crackento não tem 'crédito' pra acumular dívida com traficante, ele pede esmola de dia pra fumar a noite). E nesses indivíduos que mora o perigo, e é justamente desse tipo de gente que tem vindo os atos de violência mais brutais dos últimos tempos.
 

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Eu tirei porque estranhei que o IBGE tenha feito a mesma estatística em 1988, e considerando a ignorância do redator da notícia (para quem furto e roubo deve ser quase a mesma coisa, inclusive), eu poderia estar comparando laranjas com maças.


Mas o que você falou faz sentido. Os anos 80 foram um caos social e mesmo assim sofria-se de menos assaltos do que hoje (apesar de serem MUITOS). Aliás, se hoje regredíssimos todos os avanços sociais para a situação dos anos 80, a violência certamente atingiria níveis inimagináveis.
Sobre o assunto, o forista Josinei fez um post sem rodeios e bem ilustrativo essa semana:

Eu tenho uma teoria de que tudo isso (mendigos, pichações, insegurança) é reflexo do fim da ditadura militar.

Acabou a ditadura, os esquerdistas fizeram a constituição de 88 e deram direitos pra todo mundo.

Agora o caboclo tem o direito de dormir, cagar, mijar, fazer sexo e tomar pinga na porta da sua casa; menor tem direito até de matar; adolescente pode fazer o que quiser na escola que ninguém tem o direito de expulsá-lo; caboclo pixa o patrimônio alheio e se for pego toma um sermão do juiz da infância.

Antigamente tinha no código penal um crime chamado de vadiagem. A polícia podia chegar na praça e dizer: meirmão, vc nao pode ficar aqui pq vc é um vadio.

Sempre conto uma história que, apesar de absurda, ilustra bem a diferença pré e pós 88.
Um amigo do meu cunhado morava em SP e quando tinha 14 anos saiu de casa às 4:30h da manhã pra procurar emprego (naquela época adolescente podia trabalhar).
A polícia do exército o parou e perguntou: o que vc ta fazendo na rua a esta hora?
Ele respondeu: estou procurando emprego
Resultado: foi preso por vadiagem. Os pais tiveram que ir ao quartel soltá-lo.
O principal catalizador da violência no Brasil é o código penal. É um código pró-bandido. É muita frouxidão, muita regalia. Mesmo que a polícia fosse muito mais eficiente, a criminalidade continuaria em níveis alarmantes, pois a polícia prende hoje pra justiça soltar amanhã. É só ver esses caras que tem mais de 30, 50, 100 passagens na ficha. Isso aí é gente que deveria estar permanentemente fora de circulação, seja lá que método usassem pra isso.

Bandido fora de circulação não rouba, não estupra, não sequestra, não mata. É um imperativo, não tem o que argumentar.

Mas no Brasil o cara estripa a vítima mas se não for pego em flagrante responde ao processo em liberdade. Se tiver um advogado meia-boca já consegue postergar o julgamento por 1~2 anos. Aí recebe progressão de pena por bom comportamento (como se um estripador pudesse ser uma pessoa com 'bom comportamento') e em no máximo 6 anos tá na rua de volta. Aí não tem polícia que aguente mesmo.
 

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O principal catalizador da violência no Brasil é o código penal. É um código pró-bandido. É muita frouxidão, muita regalia. Mesmo que a polícia fosse muito mais eficiente, a criminalidade continuaria em níveis alarmantes, pois a polícia prende hoje pra justiça soltar amanhã. É só ver esses caras que tem mais de 30, 50, 100 passagens na ficha. Isso aí é gente que deveria estar permanentemente fora de circulação, seja lá que método usassem pra isso.

Bandido fora de circulação não rouba, não estupra, não sequestra, não mata. É um imperativo, não tem o que argumentar.

Mas no Brasil o cara estripa a vítima mas se não for pego em flagrante responde ao processo em liberdade. Se tiver um advogado meia-boca já consegue postergar o julgamento por 1~2 anos. Aí recebe progressão de pena por bom comportamento (como se um estripador pudesse ser uma pessoa com 'bom comportamento') e em no máximo 6 anos tá na rua de volta. Aí não tem polícia que aguente mesmo.
Não é bem um "código pró-bandido": o nosso Código Penal é arcaico mesmo, com leis de uma época na qual a sociedade era completamente diferente. Ele foi criado em 1940, quando havia violência só nos rincões rurais do país e mesmo assaltos não eram comuns nas grandes cidades.

Vejo desde quando eu entendo como gente que as leis penais precisam ser mais rígidas no Brasil, o que é verdade. Mas, o que o povo, os juristas e a imprensa fazem de concreto para pressionar nossos parlamentares? Nada, absolutamente nada! Gritar como o Datena na frente de uma câmera de TV não adianta nada. O correto seria uma grande mobilização nacional partindo de entidades como a OAB e a imprensa (a Jovem Pan AM já faz uma campanha pelas leis mais duras há mais de 20 anos) convidando os brasileiros a fazerem com que o Congresso Nacional faça uma nova lista de leis penais em sintonia com a realidade atual do Brasil, com sugestões, debates e votações, pouco a pouco, do novo Código Penal.
 

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Sobre o assunto, o forista Josinei fez um post sem rodeios e bem ilustrativo essa semana:



O principal catalizador da violência no Brasil é o código penal. É um código pró-bandido. É muita frouxidão, muita regalia. Mesmo que a polícia fosse muito mais eficiente, a criminalidade continuaria em níveis alarmantes, pois a polícia prende hoje pra justiça soltar amanhã. É só ver esses caras que tem mais de 30, 50, 100 passagens na ficha. Isso aí é gente que deveria estar permanentemente fora de circulação, seja lá que método usassem pra isso.

Bandido fora de circulação não rouba, não estupra, não sequestra, não mata. É um imperativo, não tem o que argumentar.

Mas no Brasil o cara estripa a vítima mas se não for pego em flagrante responde ao processo em liberdade. Se tiver um advogado meia-boca já consegue postergar o julgamento por 1~2 anos. Aí recebe progressão de pena por bom comportamento (como se um estripador pudesse ser uma pessoa com 'bom comportamento') e em no máximo 6 anos tá na rua de volta. Aí não tem polícia que aguente mesmo.

Proporcionalmente existe muito mais gente presa hoje do que na Ditadura. A polícia na Ditadura matava? Pois muito MENOS do que os traficantes assassinos que você tolera (conforme posts acima) matam nas cidades que dispararam nos índices de homicídios.


1 - Segundo o IBGE o número de vítimas de assalto aparentemente cresceu 36% de 1988 para 2008/9.
2 - Mas o saldo anterior (se realmente foi objeto de pesquisa séria do IBGE) prova que o Brasil não era seguro nesse aspecto mesmo antes de 1988.
3 - Se sofrer apenas 36% mais assaltos (de 5% da população assaltado MESMO com a ditadura para 7%) foi a opção para não continuar num regime autoritário com corrupção máxima, sem transparência nenhuma, sem direitos sociais e ainda sim descambando em crise econômica (pós 79), então foi um preço muito bem pago.


Outro aspecto a considerar é que esses 5% da população assaltada em 1988 se concentravam em metrópoles BEM menores que hoje, e com muito mais gente morando no campo e em cidades pequenas até então (uma caracteristica do colapso social dos anos 80 foi o êxodo em direção às metrópoles), então é possível dizer que, com a ausência da exposição midiática de hoje (graças à "querida" ditadura), nas principais metrópoles a chance de ser assaltado era MAIOR do hoje, e mesmo assim as pessoas achavam mais tranquilo (a tal "sensação de segurança").


Associar segurança pública à ditadura e a insegurança ao Estado Democrático de Direito é a maior bobagem do senso-comum ignorante que se pode dizer nesse assunto.


Não deveria ser necessário exigir muita inteligência agora para saber que as ÚNICAS soluções atuais devem ser pensadas dentro do Estado Democrático de Direito, e clamar por qualquer coisa de regime de exceção ou de ilegalidade e abuso de poder hoje é uma ladainha completamente inútil e dispensável.
 
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