Skyscraper City Forum banner
1 - 20 of 63 Posts

·
Banned
Joined
·
3,278 Posts
Discussion Starter · #1 ·
Shopping dá R$ 40 mil para morador de favela se mudar
Terreno será incorporado à área verde de um condomínio de R$ 1,5 bilhão

Custo da desocupação da favela do Jardim Panorama é de R$ 2,8 milhões; morador só recebe cheque quando casa começa a ser demolida





JOÃO WAINER
REPÓRTER-FOTOGRÁFICO

DANIEL BERGAMASCO
DA REPORTAGEM LOCAL

A construtura JHSF está distribuindo cheques de R$ 40 mil para retirar cada uma das 70 famílias invasoras de um terreno que será parte do projeto de um shopping-condomínio orçado em R$ 1,5 bilhão, que terá apartamentos de até R$ 18 milhões. As casas formam parte da favela do Jardim Panorama, na zona sul de São Paulo.
O custo total da desocupação, cujo acordo foi assinado após reuniões das partes para que a ação de despejo não seja levada adiante, é de R$ 2,8 milhões -a construtora não confirma valores, mas a Folha teve acesso a comprovantes de depósito.
No terreno, a construtora estenderá a área verde do condomínio, que será cercada por um muro. Do lado de lá, a favela continua, em área da prefeitura, que tenta judicialmente o despejo dos barracos.
Na última quarta-feira, uma fila de caminhões de mudança aportou na favela. Era preciso que a casa começasse a ser demolida para o morador receber o cheque -a maioria acertou pagar o valor da compra da moradia nova no dia da mudança.
Com os R$ 40 mil, é possível comprar, por exemplo, uma casa de um quarto na Pedreira (divisa com Diadema, a cerca de 15 km da favela).
O empreendimento, batizado de Parque Cidade Jardim, terá shopping, spa e 13 torres, entre residenciais e comerciais. O morador poderá trabalhar, comprar e ir ao médico sem ultrapassar os muros do local.
Lambaris e preás
Maria Gomes, 66, conta que chegou lá nos anos 1960. "Meu marido pescava lambari para o nosso almoço no rio Pinheiros.
Essa rua toda era uma horta que eu cuidava, até que as pessoas foram chegando do Norte passando por dificuldades." Os moradores estão divididos sobre a mudança. A desempregada Leila Aparecida Suzano, 29, é favorável.
"Saio de um barraco de madeira com dinheiro na mão para comprar uma casa num bairro longe, mas no meu nome. Vou finalmente ter algo para deixar para meus filhos", diz ela, que irá para o Jardim Guarujá (zona sul).
Já a empregada doméstica Marluce Gomes de Lima, 44, que trabalha no Itaim, lamenta a remoção. "Comprei uma casa em Vargem Grande Paulista e agora, em vez de levar 20 minutos até meu trabalho, vou levar duas horas e meia para ir e o mesmo tempo para voltar. Rico não gosta de pobre mesmo, eles querem nos ver longe" reclama.
Álvaro Puntoni, professor da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, da USP), critica o acordo. "Sei que o terreno é particular e que, se eu fosse favelado, adoraria ganhar os R$ 40 mil, mas a lógica é um pouco perversa. A elite blinda o carro para resolver o problema da segurança. Nesse caso da construtora, poderia se pensar em uma solução com poder público para abrigar a população no espaço onde ela já vive."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1706200701.htm
 

·
Banned
Joined
·
3,278 Posts
Discussion Starter · #2 ·
Novos prédios promovem limpeza urbana

Novos prédios promovem limpeza urbana

Lançamentos imobiliários refazem calçadas, pintam fachadas vizinhas, revitalizam parques e buscam saída para favela

Urbanistas criticam expulsão dos moradores carentes; construtoras afirmam que fazem sua parte ao pagar pela reforma da vizinhança


VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

Novos empreendimentos residenciais têm promovido uma limpeza urbana (e, em alguns casos, "solução social", no dizer das imobiliárias) da vizinhança em que vão se instalar.
Dos Jardins (zona oeste) ao Campo Belo (zona sul), do parque Villa-Lobos (zona oeste) à Vila Maria (zona norte), construtoras investem na revitalização de prédios, praças e até bares vizinhos, seja por iniciativa própria, para valorizar o lançamento, seja por imposição da prefeitura na liberação da obra.
No Brooklin (zona sul), ao lançar o edifício Paulistânia (quatro suítes em 229 m2, três torres, 36 andares na rua Pensilvânia), a Cyrela revitalizou duas praças da região e cedeu um pequeno espaço do terreno para a construção de uma nova praça pública. Não tão longe dali, no Jardim Sul (zona oeste), a Camargo Corrêa diz já estar "reurbanizando o bairro".
"A recuperação paisagística começou com a implantação de três praças públicas, reformas de calçadas e aplicação de piso drenante. O bairro contará com viveiro de plantas", diz o anúncio da construtora.

Câmeras
Segundo a imobiliária Coelho da Fonseca, responsável pela venda do projeto, o objetivo é valorizar a região e, assim, os imóveis. "A estratégia é reurbanizar o bairro, que estava desativado nos equipamentos e formas", diz o proprietário Álvaro Coelho da Fonseca.
Os apartamentos custam entre R$ 255 mil (101 m2) e R$ 860 mil (260 m2). Segundo o empresário, há também a idéia de instalar uma rede de câmeras de segurança no bairro. "Se cada um fizer a sua parte, a cidade ficará melhor", diz ele.
E quem fará pela periferia? "Se eu pago bem minha empregada, não coloco cadeado na geladeira. Já estou fazendo minha parte."
Em outro lançamento, o Villa Lobos Office Park, próximo ao parque Villa-Lobos, a Cyrela diz estudar com a prefeitura a melhor "solução social" para a Favela do 9, vizinha à obra.
"A expulsão da população mais carente das áreas centrais deve ser combatida. Tais fatos revelam o descaso do poder público na questão urbana no direito à cidade, e a carência habitacional é a grande questão a ser enfrentada", avalia o arquiteto Fernando Viégas.

Semáforos
Para atender a exigências da prefeitura para liberação da obra, o edifício Çiragan, na rua Ministro Rocha Azevedo, região da Paulista, teve de trocar 123 semáforos no cruzamento de sete ruas próximas ao empreendimento. O Villa Lobos Office Park também foi obrigado a trocar sinais e placas de trânsito. A medida, justifica a coordenadoria das subprefeituras, é para compensar a geração de tráfego com mais carros e moradores.
Em outro exemplo, na rua Matias Aires, nos Jardins (zona oeste), entre Haddock Lobo e Bela Cintra, um prédio novo patrocinou a revitalização das fachadas do edifício vizinho e da pizzaria em frente. "Pode se tratar de um embelezamento superficial que pode insinuar certa frivolidade mas também pode ser entendido como um melhoramento comum, que serve a cidade como um todo e, portanto, interessante do ponto de vista urbano", afirma Álvaro Puntoni, professor da FAU, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e da Escola da Cidade.
Na zona norte, a construtora Vivenda Nobre, em parceria com concorrentes, investiu cerca de R$ 3 milhões na reforma do parque do Trote

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1706200702.htm
 

·
Registered
Joined
·
2,773 Posts
Já era de se prever que o Parque Cidade Jardim tentaria tirar a qualquer custo aquela favela vizinha.
Não duvido que eles tirem o restante assim que a decisão judicial sair em favor à prefeitura.
 

·
NON FVCOR FVCO
Joined
·
1,676 Posts
Mas onde essas pessoas vao morar?

Queria que acabassem com todas as favelas no Brasil.... mas nesse caso, parece que as pessoas só vao fazer favelas em outros lugares...
 

·
policial disfarçado
Joined
·
17,786 Posts
^^ DUVIDO :lol:

Bom, eu não sei se gosto ou não da notícia, pois acredito que eles vão pra outra favela!

Pelo menos a região melhora!
 

·
.
Joined
·
16,967 Posts
Ah, realmente a favela é melhor. Basta dar 40 mil e, pronto, destrói tudo!
Agora, quem vai dar bilhões para demolir o Cidade Jardim? :D


Ah, morri de inveja! Eu acho bom fazerem isso, favela no meio da cidade é muito degradante... E as pessoas estão ganhando um dinheirinho, mesmo, ótimo para elas.
 

·
Picture's Lover
Joined
·
8,209 Posts
O ideal seria alocar essas pessoas em casas populares próximas da favela que será demolida. Mas nem sempre o ideal é possível, por isso não acho a saída encontrada tão injusta assim, uma vez que existem casos que vão pra justiça, os moradores perdem e não recebem nada.

Também gosto desse modelo adotado de parceria entre prefeitura e construtoras para revitalizar o entorno de novos empreendimentos. Não é justo pelo tanto de impostos que já pagamos, mas como disse, o ideal nem sempre é possível, o que é o caso.
 

·
Registered
Joined
·
3,274 Posts
Mas onde essas pessoas vao morar?

Queria que acabassem com todas as favelas no Brasil.... mas nesse caso, parece que as pessoas só vao fazer favelas em outros lugares...
"Com os R$ 40 mil, é possível comprar, por exemplo, uma casa de um quarto na Pedreira (divisa com Diadema, a cerca de 15 km da favela)."
Isso tava na noticia acima... E nao eh dificil comprar uma casa com essa grana.. o problema eh a falta de trasnporte eficiente, neh...
 

·
Registered
Joined
·
3,274 Posts
Novos prédios promovem limpeza urbana

Lançamentos imobiliários refazem calçadas, pintam fachadas vizinhas, revitalizam parques e buscam saída para favela

Urbanistas criticam expulsão dos moradores carentes; construtoras afirmam que fazem sua parte ao pagar pela reforma da vizinhança


VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DA REPORTAGEM LOCAL

Novos empreendimentos residenciais têm promovido uma limpeza urbana (e, em alguns casos, "solução social", no dizer das imobiliárias) da vizinhança em que vão se instalar.
Dos Jardins (zona oeste) ao Campo Belo (zona sul), do parque Villa-Lobos (zona oeste) à Vila Maria (zona norte), construtoras investem na revitalização de prédios, praças e até bares vizinhos, seja por iniciativa própria, para valorizar o lançamento, seja por imposição da prefeitura na liberação da obra.
No Brooklin (zona sul), ao lançar o edifício Paulistânia (quatro suítes em 229 m2, três torres, 36 andares na rua Pensilvânia), a Cyrela revitalizou duas praças da região e cedeu um pequeno espaço do terreno para a construção de uma nova praça pública. Não tão longe dali, no Jardim Sul (zona oeste), a Camargo Corrêa diz já estar "reurbanizando o bairro".
"A recuperação paisagística começou com a implantação de três praças públicas, reformas de calçadas e aplicação de piso drenante. O bairro contará com viveiro de plantas", diz o anúncio da construtora.

Câmeras
Segundo a imobiliária Coelho da Fonseca, responsável pela venda do projeto, o objetivo é valorizar a região e, assim, os imóveis. "A estratégia é reurbanizar o bairro, que estava desativado nos equipamentos e formas", diz o proprietário Álvaro Coelho da Fonseca.
Os apartamentos custam entre R$ 255 mil (101 m2) e R$ 860 mil (260 m2). Segundo o empresário, há também a idéia de instalar uma rede de câmeras de segurança no bairro. "Se cada um fizer a sua parte, a cidade ficará melhor", diz ele.
E quem fará pela periferia? "Se eu pago bem minha empregada, não coloco cadeado na geladeira. Já estou fazendo minha parte."
Em outro lançamento, o Villa Lobos Office Park, próximo ao parque Villa-Lobos, a Cyrela diz estudar com a prefeitura a melhor "solução social" para a Favela do 9, vizinha à obra.
"A expulsão da população mais carente das áreas centrais deve ser combatida. Tais fatos revelam o descaso do poder público na questão urbana no direito à cidade, e a carência habitacional é a grande questão a ser enfrentada", avalia o arquiteto Fernando Viégas.

Semáforos
Para atender a exigências da prefeitura para liberação da obra, o edifício Çiragan, na rua Ministro Rocha Azevedo, região da Paulista, teve de trocar 123 semáforos no cruzamento de sete ruas próximas ao empreendimento. O Villa Lobos Office Park também foi obrigado a trocar sinais e placas de trânsito. A medida, justifica a coordenadoria das subprefeituras, é para compensar a geração de tráfego com mais carros e moradores.
Em outro exemplo, na rua Matias Aires, nos Jardins (zona oeste), entre Haddock Lobo e Bela Cintra, um prédio novo patrocinou a revitalização das fachadas do edifício vizinho e da pizzaria em frente. "Pode se tratar de um embelezamento superficial que pode insinuar certa frivolidade mas também pode ser entendido como um melhoramento comum, que serve a cidade como um todo e, portanto, interessante do ponto de vista urbano", afirma Álvaro Puntoni, professor da FAU, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e da Escola da Cidade.
Na zona norte, a construtora Vivenda Nobre, em parceria com concorrentes, investiu cerca de R$ 3 milhões na reforma do parque do Trote

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1706200702.htm
Essa noticia eh a mais interessante!!! EH polemica, pq numa medida parece chantagem.. e a prefeitura, para nao fazer sua parte, libera qlqr coisa, desde seja cumprida exigencias q deveria ser de responasabilidade da prefeitura. Por outro lado, de um ponsto de vista mais pratico, a cidade de SP tem seus espacos publicos falidos e a prefeitura faz muito pouco. Entao eh uma boa medida de recuperar a cidade...

E pensar q no Rio nao conseguiram nem tirar a mini favela q existe DO LADO DA VILA PANAMERICANA!!!!! Q absurdo...
 

·
Registered
Joined
·
1,055 Posts
Concordo, é uma notícia polêmica.

A desvantagem pra essa gente de ir morar em uma bairro mais digno é o problema de terem de pagar conta de luz, água, que não é nada barato no Brasil. Em muitas mini e macro favelas o pessoal faz gato mesmo, são cerca de 100 reais por mês de economia. Gato inclusive de tv a cabo. Esse preju das companhias é repassado pra quem paga.

Morar em favela pode ser um bom negócio.

NÃO estou dizendo que em favelas de SP é tudo assim, muito pelo contrário.
 

·
ontogeny recapitulates...
Joined
·
3,032 Posts
"Com os R$ 40 mil, é possível comprar, por exemplo, uma casa de um quarto na Pedreira (divisa com Diadema, a cerca de 15 km da favela)."
Isso tava na noticia acima... E nao eh dificil comprar uma casa com essa grana.. o problema eh a falta de trasnporte eficiente, neh...
Cara, eu tinha um tio que morava nesse bairro.. a Pedreira é pedreira MESMO, longe pra c***.. não é nem onde o Judas perdeu as botas, mas sim as meias!!! :lol:
 

·
Indústria da Multa S.A.
Joined
·
6,320 Posts
Com 40 paus dá para dar uma ótima entrada em um apartamento de classe média baixa, sem ser esses CDHU's ou Cohab's da vida. O resto se financia em suaves prestações durante alguns anos (um apartamento deste tipo em cidades da Grande SP custa, em média, de 60 à 70 mil).
 

·
**16º ano**
**17º ano**
Joined
·
25,813 Posts
pô, 40 mil por um barraco numa área invadida?? Tá bom demais, acho que vou lá construir um pra tentar ganhar quarentinha!!
 
1 - 20 of 63 Posts
Top