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Expansão do Rodoanel cria mais dois pedágios na via Dutra, na Grande SP

O projeto de concessão do trecho leste do Rodoanel, que será leiloado na próxima semana pelo governo paulista, incluiu a construção de duas praças de pedágio na intersecção com a via Dutra (BR-116), na Grande São Paulo. A informações é da reportagem de José Ernesto Credendio publicada na edição deste sábado da Folha (íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Expansão do Rodoanel vai cria mais dois pedágios na rodovia Presidente Dutra, na região da Grande São Paulo

De acordo com o texto, as praças ficarão nos dois acessos pela Dutra, no sentido SP-RJ e no oposto. Com as praças na Dutra, o usuário do Rodoanel pagará pedágio ao entrar no trecho leste, o que não ocorre no oeste, o único em que já há praças em operação. As já construídas no trecho sul só devem ser abertas em 2011.

A previsão de praças no acesso altera concepção básica do Rodoanel, em que o motorista só pagaria pedágio na saída, e não na entrada. Ou seja, além do valor máximo previsto no edital, de R$ 6 (trecho sul) e R$ 4 (leste), o usuário terá despesa extra se chegar pela Dutra. A reformulação do conceito foi revelada pela Artesp (agência dos transportes de SP) na fase de interlocução com interessados no leilão.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidi...dois-pedagios-na-via-dutra-na-grande-sp.shtml
 

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Parece que pagar pedágio na entrada do Rodoanel já está virando uma regra. Na Castelo Branco e na Imigrantes também paga-se pedágio para acessar o anel viário.
 

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Então pagaremos para entrar e sair do Rodoanel?! Que beleza....

Aliás não é mais Via Dutra, é Avenida Dutra, absurdo em várias partes dela, ainda não terem construído a terceira faixa.

Há reportagens da década de 80 que já se referiam a Dutra como uma rodovia saturada!
 

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Entre São Paulo e Taubaté, o motorista particular não tem porque usar a Dutra. É uma rodovia mais antiga, congestionada, sem acesso à Jacu Pêssego, com acesso difícil à Mogi-Bertioga, à Tamoios, com futuro pedágio no Rodoanel...

Eu, particularmente, nem sei o que é Via Dutra, a Via Anhanguera, Via Anchieta e Via Raposo Tavares. A não ser em casos excepcionais, uso apenas Ayrton Senna, Bandeirantes, Imigrantes e Castelo Branco.
 

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Entre São Paulo e Taubaté, o motorista particular não tem porque usar a Dutra. É uma rodovia mais antiga, congestionada, sem acesso à Jacu Pêssego, com acesso difícil à Mogi-Bertioga, à Tamoios, com futuro pedágio no Rodoanel...

Eu, particularmente, nem sei o que é Via Dutra, a Via Anhanguera, Via Anchieta e Via Raposo Tavares. A não ser em casos excepcionais, uso apenas Ayrton Senna, Bandeirantes, Imigrantes e Castelo Branco.
No caso de muita gente que trafega entre São José dos Campos e Taubaté, o caminho pela Ayrton Senna representa um aumento significativo de 13km na viagem, passando de 40 para 53km o total do trajeto.

Por experiência própria, e como morados durante muito anos de SJC, afirmo que entre a chegada da Dom Pedro até a saída para a Oswaldo Cruz, a Dutra necessita urgentemente da terceira faixa. Na verdade, essa faixa deveria existir pelo menos entre São Paulo e Aparecida. Além da Ayrton Senna ser extendida em 6km até a Rod. Oswaldo Cruz, o que aliviaria bastante o trecho da Dutra em Taubaté, bastante congestionado.

O mesmo acontece na Anhanguera, para quem sai do centro de Campinas para Jundiaí, e na Raposo de quem vai de São Roque para Sorocaba, por exemplo. Não se esqueça que não são somente usuários da capital nesse sistema de rodovias, o tráfego entre as cidades interioranas da mesma região é intenso, principalmente nos dias de semana.
 

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Entre São Paulo e Taubaté, o motorista particular não tem porque usar a Dutra. É uma rodovia mais antiga, congestionada, sem acesso à Jacu Pêssego, com acesso difícil à Mogi-Bertioga, à Tamoios, com futuro pedágio no Rodoanel...

Eu, particularmente, nem sei o que é Via Dutra, a Via Anhanguera, Via Anchieta e Via Raposo Tavares. A não ser em casos excepcionais, uso apenas Ayrton Senna, Bandeirantes, Imigrantes e Castelo Branco.
kkkkk:)

Igual o Meu Pai hehehe, ele so prefere usar as Rodovias que o Transito nao Para tanto e as Velocidades sao de 120km. Como esses msm que vc citou a Bandeirantes, Imigrantes e Airton Senna e Castelo Branco.

Pelo que eu saiba, a Rodovia dos Bandeirantes foi Construida nos anos 70 para desafogar o Transito da Anhanguera( e as Mafias das Transportadoras,Empresas de Onibus, Pedagios e etc, estao querendo q Futuramente o Governo Construia uma Terceira Rodovia Ligando SP a Campinas, mais a Terceira Rodovia nao sera em Asfalto, e serao em trilhos para Ferrovia de alta Velocidade, sera o TAV, com certeza as Empresas de Onibus nao estao querendo deixar, querem que seja via asfalto :eek:hno:, eu ja sou a favor de Ferrovias) , e a Rodovia dos Imigrantes foi Construida para desafogar o Transito da Anchieta e tbn para ajudar separar os carros dos caminhoes , a CAstelo Branco foi construida para desafogar o Transito da Raposo Tavares( Estranho que a Raposo Tavares nao e Duplicada e a Castelo Branco que surgiu depois e a primera Rodovia Duplicada que Liga Sorocaba a Sao Paulo, se caso o Transito da Castelo Branco saturar mesmo, a opçao e Duplicar a Raposo Tavares desde Cotia ate Sorocaba) ,e ai sim que a Rodovia Airton Serra foi Contruida para Desaforgar o Transito da Dutra, agora me pergunto, pq a Airton Senna so vai ate Taubate e nao foi Contruida ate o Rio de Janeiro?? ..isso la nos anos 70. E o Governo tem interesse ainda de querer Prolongar a Airton Serra ate o Rio? ...lembro que em 2008 os Governadores Serra e Sergio Cabral chegaram a discutir juntos sobre a Tal da Segunda Rodovia Ligando Rio a SP.

E entao ja vao colocar Pedagios na Dutra para arrecagar com a construçao do Trecho Oeste do Rodoanel?? ...e alguem sabe qual a previsao para o Inicio das Obras desse Trecho?? .. e o Trecho Norte tbn vai ser incluido ou esse vai demorar pra sair do papel??
 

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Seriedade já
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Governo exige R$ 2 bi em obras na via Dutra
Mas concessionária deve ganhar menos, caso contrário pode até perder concessão

03 de novembro de 2011 | 23h 00
Marta Salomon, de O Estado de S. Paulo


Epitacio Pessoa/AE
A via Dutra recebeu notas baixas em avaliação feita pela União, mas um carro paga R$ 39,90 em pedágios

BRASÍLIA - Com trechos em situação crítica, a Via Dutra exige novos investimentos estimados em R$ 2 bilhões, mas a agência reguladora do setor não admite remunerar a concessionária privada em mais que 7% os trabalhos necessários para melhorar a via, onde trafegam cerca de 870 mil veículos por dia.

O porcentual é bem inferior aos 17,90% de taxa interna de retorno dos investimentos acertados no contrato da concessão, 15 anos atrás. Mas os 7% são considerados o maior valor "tecnicamente defensável" pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), levando em consideração a remuneração acertada depois da primeira fase de privatização das rodovias federais e a conjuntura econômica do País.

A falta de um acordo poderá levar o governo a rescindir o contrato. "Se temos um contrato que não entrega um produto adequado, existe um dispositivo de rescisão introduzido no contrato justamente para isso", afirmou ao Estado o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo.

"Isso não significa rasgar o contrato, mas levar em conta o que ele diz e fazer uma nova concessão, numa hipótese mais radical", completou. Por contrato, o prazo da concessão só termina em janeiro de 2021.

Outra opção seria a União assumir os investimentos na rodovia, por meio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Essa alternativa esbarra nas restrições a investimentos públicos.

A CCR Nova Dutra, que opera a rodovia desde 1996, se diz disposta, "dentro da legislação em vigor e das regras estabelecidas em contrato", a encontrar soluções para melhorar os serviços.

De acordo com estudos da concessionária, a realização das obras não previstas originalmente no contrato de concessão custariam aproximadamente R$ 1,5 bilhão. "Os mecanismos para o reequilíbrio econômico-financeiro estão previstos no contrato e poderiam viabilizar, inclusive, a redução da tarifa básica do pedágio", diz a concessionária em nota encaminhada à reportagem. Desde 1996, a CCR já investiu R$ 8,5 bilhões na Dutra.

A principal ligação entre as duas maiores cidades do País, a Via Dutra recebeu notas baixas em avaliação feita pela União. O estudo da ANTT mostrou saturação em vários trechos da rodovia. Numa escala que vai das letras A a F, a Dutra recebeu nota F no trecho da Baixada Fluminense. A nota é traduzida por um alto índice de acidentes com mortes. No trecho, foram registradas 65 mortes em 2,4 quilômetros de estrada, em 2008.

Polêmica. A polêmica sobre a remuneração de novos investimentos na Via Dutra retoma uma discussão mais antiga, sobre as taxas de retorno fixadas em contrato na primeira etapa das concessões rodoviárias. Essa taxa foi fixada entre 16,5% e 24% acima da inflação. Isso fazia algum sentido no início dos anos 1990, no lançamento do Plano Real e quando a estabilidade econômica não passava de uma possibilidade.

Em maio deste ano, o plenário do Tribunal de Contas da União (TCU) chegou a analisar a proposta de revisão dos contratos da primeira etapa de concessão de rodovias. As taxas de remuneração dos investimentos já haviam caído bastante na segunda etapa da privatização, em 2007, para um teto de 8,95%. A proposta, porém, não obteve acordo, apesar do diagnóstico de prejuízo ao usuário.

Um carro que percorre os 402 quilômetros da Via Dutra paga R$ 39,90 de pedágio.
 

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Seriedade já
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31/10/2011
Série: Dutra enfrenta problemas após 60 anos

Do Jornal da Band
[email protected]
Segunda-feira, 31 de outubro de 2011 - 19h30 Última atualização, 31/10/2011 - 20h14

Um caminhoneiro flagrado bêbado em plena estrada. O bafômetro aponta nove vezes mais álcool no sangue do que o limite e o índice de risco de acidente é alto. Ainda assim, ele é liberado para por em perigo a própria vida e a de outros motoristas.

A cena foi flagrada pelas câmeras do Jornal da Band num posto da Polícia Rodoviária na via Dutra. Veja mais na primeira reportagem da da Série Dutra sobre a estrada mais importante do país. A ligação entre o Rio e São Paulo completa 60 anos cheia de problemas.

01/11/2011
Série: Dutra registra um acidente a cada dois minutos
Imprudência e desrespeito às leis de trânsito são frequentes na via Dutra. Os flagrantes na Os motoristas, muitas vezes, parecem não perceber que estão numa estrada.

A consequência disso são os acidentes. Uma ocorrência a cada dois minutos. Veja na segunda reportagem da Série Dutra, do Jornal da Band.

02/11/2011
Série: veja como é feito o trabalho de resgate da Dutra

Acidentes graves, perseguições, panes mecânicas, atropelamentos. São 25 mil ocorrências a cada mês no asfalto da via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro.

03/11/2011
Série: a rotina e os problemas enfrentados pelos caminhoneiros na Dutra


Além dos roubos, a rodovia abriga graves acidentes por conta da imprudência de motoristas que abusam de bebidas alcoólicas.

04/11/2011
Série: Via Dutra recebe fé e prostituição

A via Dutra divide seu espaço entre fé e prostituição, é o que mostra a reportagem especial desta sexta-feira do Jornal da Band. Durante o dia, a rodovia recebe milhares de romeiros que vão visitar a Basílica, em Aparecida do Norte. Mas, quando anoitece, não é difícil encontrar grupos de travestis que se prostituem à beira da pista.

05/11/2011
Série: conheça os 60 anos de história da Via Dutra

Durante toda a semana, o Jornal da Band traçou uma radiografia da estrada mais importante do país, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo. Na reportagem especial de hoje você vai conhecer um pouco da história da Rodovia Presidente Dutra, e os desafios para o futuro de uma estrada que completa 60 anos cheia de problemas.
 

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Nao entendo nao estarem construindo uma nova "auto-estrada" RIO-SAO. Poderia ser uma obra dos Governos do Rio - SP e Federal. Nao ha' como ser primeiro mundo com uma estrada dessas.:eek:hno:
 

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Pois é!

Sem contar os trechos horrorosos que sempre ficam engarrafados, na altura de Guarulhos (SP), Arujá (SP), São José dos Campos (SP), Nova Iguaçu (RJ), São João de Meriti (RJ), com marginais gambiarrentas, poucas faixas e traços geométricos crassos; jamais pode-se entender como a empresa Nova Dutra, que cobra pedágio caríssimo, deixa de investir em melhorias concretas para fazer com que a estrada se torne um exemplo.

Vale lembrar que o trecho da Baixada Fluminense é perigosíssima com onda de arrastões em que as autoridades otárias não tomam nenhuma providência, a fim de acabar com o tal crime que intimida os usuários da rodovia:bash:.
 

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^^O pior trecho da Dutra, para mim, é a Serra das Araras: coisa de país de Quinto Mundo, onde reaproveitaram o traçado de uma estrada para carroças, construída em 1928, sem falar que o risco de acidentes lá é muito alto.

A CCR poderia, ao menos, fazer um novo trecho de descida na Serra.
 

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Pois é!

Muito lembrado o lamentável trecho da Serra das Araras que, no trecho de descida sem acostamento e estreitinho, possui um traçado geométrico da década de 1920; proporcionando inúmeros acidentes e marquinhas de pneus.:bash:

O trecho que começa na altura da Serra das Araras, passa por Piraí, Barra do Piraí, Barra Mansa, até Volta Redonda é cheíssimo de curvas acentuadíssimas e muito mal projetadas. Só quem dirige por lá é quem sabe e o motorista fica tonto de tanta curva fechada:nuts:

É de pensar seriamente se vale a pena construir o novo trecho ou fazer as correções geométricas no referido traçado!
 

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Em 1991, eu fui para o Rio de Janeiro e passei por aquele trecho da Serra das Araras no final de uma madrugada chuvosa, beirando o precipício e todos estavam dormindo no ônibus, menos eu. Eu fiquei apavorado com aquele trecho da rodovia que, naquela época, era bem pior do que hoje só que a rodovia precisa melhorar muito ainda e não sei se vão fazer outra rodovia ou se vão dar ênfase à "ponte férrea" (TAV), se bem que poderiam dar um jeito de fazerem as duas coisas ao mesmo tempo. Sei não, as coisas aqui neste país são muito enroladas e o trem vai demorar muito para sair.
 

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Pois é, imagina naquele terrível 1991, o auge do sucateamento das rodovias e o título de uma das rodovias mais perigosas do país!

Esse trecho de descida da serra, além de estreitinho, você deve lembrar muito bem como era cheio de calombos com presença de buracos do tipo panelão.

Imagina quando um carro cai em craterão desses e arrebenta a suspensão e a caixa de câmbio?!!:bash:
 

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^^O pior trecho da Dutra, para mim, é a Serra das Araras: coisa de país de Quinto Mundo, onde reaproveitaram o traçado de uma estrada para carroças, construída em 1928, sem falar que o risco de acidentes lá é muito alto.

A CCR poderia, ao menos, fazer um novo trecho de descida na Serra.
É o pior trecho, sem dúvidas, dentre as prioridades, deveria ser a primeira.

Em Abril desse ano usei a rodovia de ponta a ponta, e obra de verdade só vi na chegada ao Rio.
 

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Para quem não conhece a Serra das Araras...


Não entendo como ainda não ocorreu um acidente feio no trecho. A via é estreita, cheia de curvas e traiçoeira, incompatível com uma ligação decente entre as duas maiores metrópoles do Brasil.

Foi na Serra das Araras também que ocorreu a maior tragédia natural da história do Brasil. Em Janeiro de 1967, a serra literalmente desbarrancou após semanas de chuvas intensas e soterrou a rodovia, engolindo ônibus, carros e caminhões. O número de mortos foi estimado em mais de 1000 e, até hoje, alguns veículos levados pela lama não foram encontrados.
 

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E as obras na chegada a SP?! A ultima vez que passei lá vi muitos homens e máquinas trabalhando.
 

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DESLIZAMENTO

Maior tragédia do Brasil foi na Serra das Araras

Publicado em 14/1/2011, às 19h43

Última atualização em 14/1/2011, às 19h42
Aurélio Paiva

Uma cruz de 10 metros na subida da Serra das Araras (Piraí-RJ), no local conhecido por Ponte Coberta, marca o início de um enorme cemitério construído pela natureza. Lá estão cerca de 1.400 mortos (fora os mais de 300 corpos resgatados) vítimas de soterramento pelo temporal que atingiu a serra em janeiro de 1967. Foi a maior tragédia da história do país, superando o número de mortos da atual tragédia na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, hoje acima de 500.

No episódio da Serra das Araras, suas encostas praticamente se dissolveram em um diâmetro de 30 quilômetros. Rios de lama desceram a serra levando abaixo ônibus, caminhões e carros. A maioria dos veículos jamais foi encontrada. Uma ponte foi carregada pela avalanche. A Via Dutra ficou interditada por mais de três meses, nos dois sentidos.

A Revista Brasileira de Geografia Física publicou, em julho do ano passado, a lista das maiores catástrofes por deslizamento de terras ocorridos no país. O episódio da Serra das Araras, com seus 1700 mortos estimados, supera de longe qualquer outro acidente do gênero no país.



Para se ter uma idéia do que ocorreu na Serra das Araras basta comparar os índices pluviométricos. A atual tragédia de Teresópolis ocorreu após um volume de chuvas de 140mm em 24 horas. Na Serra das Araras, em 1967, o volume de chuvas chegou a 275 mm em apenas três horas. Quase o dobro de água em um oitavo do tempo.

Mas o episódio da Serra das Araras parece ter sido apagado da memória do país e, especialmente, da imprensa. O noticiário dos veículos de comunicação enfatiza que a tragédia da Região Serrana do Rio superou o desastre de Caraguatatuba em março de 1967 (ver abaixo). O caso da Serra das Araras, ocorrido em janeiro daquele mesmo ano, sequer é citado.

Até a ONU embarcou na história e colocou a tragédia atual entre os dez maiores deslizamentos de terras do mundo nos últimos 111 anos.

Caraguatatuba

O ano de 1967 foi realmente atípico. Em março, dois meses após a tragédia da Serra das Araras, outro desastre atingiu Caraguatatuba, no litoral paulista. Chovia quase todos os dias desde o início do ano (541mm só em janeiro, o dobro do normal). Do dia 17 para 18 de março, um temporal produziu quase 200 mm de chuvas em um solo já encharcado. No início da tarde de 18 de março, sábado, a tragédia aconteceu sob intenso temporal que chegou a acumular 580mm de chuvas em dois dias (Teresópolis teve 366mm em 12 dias).

Segundos os relatos da época, houve uma avalanche de lama, pedras, milhares de árvores inteiras e troncos que desceu das encostas da Serra do Mar, destruindo casas, ruas, estradas e até uma ponte. Cerca de 400 casas sumiram debaixo da lama. Mais de 3 mil pessoas ficaram desabrigadas (20% da população da época). O número de mortos - cerca de 400 - foi feito por estimativa, pois a maioria dos corpos foi soterrada ou arrastada para o mar.

Detalhe: Caraguatatuba, em 1967, era um balneário turístico de 15 mil habitantes. Dá para imaginar quais seriam as consequências se aquela tragédia ocorresse hoje, com os atuais 100 mil habitantes.



Arquivo

Desabou: A Serra das Araras ficou “pelada” após tragédia de 1967
Arquivo

Caraguatatuba: As marcas dos deslizamentos no mesmo ano de 1967


Serra das Araras - 1967

‘Vimos mortos nas árvores, braços na lama'


Bárbara Osório-MacLaren nasceu na Alemanha em janeiro de 1939. Tendo sobrevivido à II Guerra Mundial, veio para o Brasil com a família em 1950, quando tinha 11 anos, atendendo a um chamado do avô materno, que já vivia no país.
Foi morar em São Paulo, na Tijuca Paulista, fez Admissão no Externato Pedro Dolle e, quando jovem, estudou no Ginásio Salete. Frequentava o Clube Floresta: "Nos encontrávamos (com os amigos) para nadar ou praticar outro esporte", relembra.

Em 1961, mudou-se para a Inglaterra. Seis anos depois, aos 28 anos de idade, voltou ao Brasil para rever os amigos.
Já no Rio de Janeiro, em 22 de janeiro de 1967, às 23 horas, tomou um ônibus da Viação Cometa com destino a São Paulo. Um temporal desabou na Via Dutra, que acabara de ser duplicada. Nunca, naquela região, se havia visto ou iria se ver uma chuva tão forte quanto aquela que presenciava a jovem alemã e que ela relata a seguir:

- Dentro de 40 minutos, na Via Dutra, houve um temporal. O nosso ônibus já estava na subida, mas a estrada se abriu a nossa frente. Lá ficamos até a manhã do dia seguinte. Pela rádio ouvimos os gritos de pessoas em outros carros, estavam sufocando na lama.

Bárbara dá detalhes: "Pela manhã, descemos o morro a pé, vimos mortos nas arvores, braços na lama, as reportagens nos jornais falavam de mais de 400 mortos. Eu desmaiei no transporte de caminhão desta cena ao Centro do Rio. Quando acordei do coma ou desmaio, estava em Lisboa, Portugal. Em outras palavras, em vez de me levarem a um hospital no Rio, me despacharam para a Europa".

A experiência da jovem alemã, hoje com 72 anos, foi contada há dois anos em um depoimento ao site "São Paulo Minha Cidade" e dá a dimensão do que ocorreu na Serra das Araras em 1967.

Mas seu depoimento, 42 anos após a tragédia, é uma raridade. Há poucas histórias registradas sobre os acontecimentos da época, por duas razões: carência de boa cobertura jornalística, em virtude dos parcos recursos tecnológicos da imprensa no período, e o fato de que o episódio foi tão trágico que poucos sobreviveram para testemunhá-lo.

Outra das poucas histórias que sobreviveram também envolve um cidadão estrangeiro. É a história do motorista do ônibus prefixo 529 da Viação Cometa, que salvou a vida de quase todos os passageiros. O motorista, quando vislumbrou a tragédia que poderia se suceder, pediu que todos deixassem o ônibus, mas um estrangeiro recusou-se à deixar o veículo. Poucos minutos depois, uma rocha rolou e caiu sobre o ônibus, matando o estrangeiro.

Arquivo

Salvos: Ônibus da Viação Cometa na Serra das Araras, em 1967. Motorista só não salvou um passageiro

Advogado lembra trabalho de presos


O advogado Affonso José Soares, de Volta Redonda, que morava em Piraí na época da tragédia, lembrou que, na madrugada da tragédia na Serra das Araras, trabalhava em um habeas corpus para a libertação de sete presos. Eles haviam sido detidos, em flagrante, cerca de dois meses antes, praticando um jogo ilegal de aposta conhecido como "Jogo da Biquinha". Durante a madrugada, percebeu o barulho do estrondo, mas continuou o trabalho com o auxílio de um lampião, já que a cidade ficou às escuras por causa dos deslizamentos na serra.

- Estava trabalhando no meu escritório e escutei o estrondo por volta de uma ou duas horas da manhã. Estava trabalhando intensamente em um habeas corpus para sete presos que estavam na cadeia de Piraí e, quando as luzes se apagaram, tive que usar um lampião durante a madrugada toda - lembrou.

Na manhã seguinte, segundo ele, o município foi "invadido" por passageiros do Rio de Janeiro e de São Paulo, que ficaram impossibilitados de passar pela serra devido aos desmoronamentos e crateras.

- Foi uma ocorrência de acidente muito grave. Os ônibus de São Paulo e carros do Rio entravam em Piraí e não tinham como seguir viagem. O comércio foi praticamente invadido por passageiros. A tromba d'água tinha destruído praticamente todo o acesso. Na Serra das Araras, havia crateras enormes. Demoraram quatro ou cinco meses para restabelecer a situação - lembrou.

Antes do meio dia, no dia da tragédia, o advogado lembra que foi procurado pelo delegado que pediu sua ajuda para convencer os presidiários a colaborarem no resgate das vítimas.

- O contingente da delegacia era de cinco pessoas, entre policiais militares e civis e havia necessidade imediata de pessoas para realizar o trabalho de prestar socorro às vítimas presas nas crateras. O delegado acrescentou que os presos depositavam confiança em mim e me respeitavam e que eu poderia convencê-los a ajudar - continuou.

Ao dirigir-se àquele que seria o "líder" dos presos, Affonso recordou que frisou a oportunidade de os presos mostrarem humanidade e solidariedade.

- Falei que eles estavam tendo uma oportunidade de prestar um serviço público e demonstrar espírito solidário. Mesmo assim, lembrei que se esboçassem qualquer reação de rebeldia poderiam ter sérios problemas, porque eu tinha material suficiente para incriminá-los. Eles aceitaram e pediram para dizer que estavam nas mãos do delegado - acrescentou o advogado.

Os sete presos fizeram o trabalham mais pesado do salvamento: foram amarrados por cordas e descidos até o local em que estavam às vítimas. Além de auxiliar no salvamento e nos primeiros socorros aos sobreviventes, apanhavam corpos e os traziam abraçados.

"Eles eram fortes e fizeram um trabalho que ninguém queria fazer. Trabalharam por 48 horas e voltaram à delegacia para ajudar na parte burocrática", frisou Affonso.

Dias depois, por intermédio de um escrivão piraiense que vinha de São Paulo, Affonso descobriu que o trabalho executado pelos presos havia ido parar na primeira página do Jornal da Tarde com o título "Os sete homens bons". Sem pestanejar, anexou a reportagem ao processo que estava organizando.

- Apanhei a primeira página do Jornal da Tarde e juntei ao habeas corpus e tenho certeza que isso contribuiu para obter a liberação deles. Eles demonstraram seu lado humano, o de quem não é só criminoso, bandido - explicou.



Leia mais: http://diariodovale.uol.com.br/noticias/4,34343.html#ixzz1e02oLgQ5
 

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A concessão da SP-70 (Ayrton Senna/Carvalho Pinto) à Ecopistas prevê o prolongamento da mesma até a Rodovia Osvaldo Cruz, o que aliviará em parte o tráfego da Via Dutra no trecho urbano de Taubaté. O ideal num primeiro momento seria o prolongamento da Carvalho Pinto pelo menos até Guaratinguetá, desafogando o trecho da Via Dutra que passa por Taubaté, Pinda, Aparecida e Guará.

Quanto à Via Dutra, algumas obras eu vejo como prioritárias. Além da óbvia substituição da pista descendente da Serra das Araras, a construção de marginais em Taubaté ,no trecho (apertadíssimo) entre Aparecida e Guaratinguetá e na também apertadíssima travessia de Barra Mansa; a construção de terceira faixa em vários pontos, como entre São José dos Campos e Taubaté, entre Resende e ao acesso à Volta Redonda; e a diminuição do raio de várias curvas em alguns trecho, principalmente no que margeia o Rio Paraíba entre Resende e Barra Mansa.
 
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