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Tarouca​



Tarouca é uma pequena vila portuguesa no Distrito de Viseu, Região Norte e sub-região do Douro, com cerca de 3 556 habitantes.

Foi muito recentemente elevada à categoria de cidade.

É sede de um município com 101,50 km² de área e 8 048 habitantes (2011), subdividido em 10 freguesias. O município é limitado a nordeste pelo município de Armamar, a leste por Moimenta da Beira, a sul por Vila Nova de Paiva, a sudoeste por Castro Daire e a noroeste pela grande cidade de Lamego.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tarouca
 

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Convento de São João de Tarouca. (Tarouca, Viseu)​
Como exemplo de um Monumento Nacional parcialmente recuperado, podemos indicar o Convento de São João de Tarouca. Este Convento localiza-se na encosta da serra de Leomil, sobranceiro ao vale do rio Varosa, na freguesia de São João de Tarouca, concelho de Tarouca, no distrito de Viseu.


Inicialmente foi um ermitério mas, em 1152, após a vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros em Trancoso, foi lançada a primeira pedra da igreja conventual cisterciense.

Este Mosteiro foi assim o primeiro em Portugal a adoptar a Regra da Ordem de Cister. Uma inscrição na fachada da igreja data o início da construção de 1152, e uma outra a sua sagração em 1169. O templo medieval possuía cabeceira "ad quadratum", com capelas quadrangulares escalonadas, transepto pouco saliente e três naves abobadadas.


No século XVIII o Mosteiro foi alvo de sucessivas ampliações e renovação do mobiliário litúrgico e linguagem artística, como o prova a renovação da fachada, a execução dos azulejos da capela-mor (1718), o cadeiral do coro, que tem a particularidade de possuir nos espaldares representações pintadas de figuras ligadas à Ordem de Cister, ou o órgão, encomendado em 1766. Antes disso, ainda no século XVII, a capela-mor havia sido totalmente reformulada e ampliada para albergar um retábulo de talha dourada.


A Norte da igreja, em volta do primitivo claustro erguiam-se os edifícios conventuais medievais, sucessivamente acrescentados entre os sécs. XVI e XVIII. Primeiro com um novo pátio claustral, edificado sobre o curso dos dois ribeiros encanados, depois com uma enorme ala, situada a Norte, destinada às celas dos monges.

Nas naves podem admirar-se diversos retábulos de talha dourada e outras belas obras de arte. Assim, perto da entrada observa-se uma imagem de madeira policromada seiscentista de N. Sra. da Piedade e o políptico do século XVI executado por Gaspar Vaz, aludindo a episódios da vida da Virgem e de Cristo.

Numa outra capela lateral está exposto o notável quadro de S. Pedro, uma da sobras-primas da pintura de Quinhentos e que tem sido atribuída a Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco. Várias esculturas em pedra ou madeira ornamentam os diversos retábulos, destacando-se deste conjunto de imaginária sacra as esculturas medievais de S. Gabriel e da Virgem com o Menino. No transepto encontra-se um políptico do século XVII narrando a infância de Cristo. No lado oposto, pode admirar-se uma outra notável pintura quinhentista de Gaspar Vaz, S. Miguel. Aqui encontra-se o grandioso túmulo românico do infante D. Pedro, Conde de Barcelos. Em sólido granito, este túmulo é constituído pela estátua jazente do homenageado, repousando e com um cão a seus pés, símbolo da fidelidade. Uma das faces do túmulo é decorado por uma cena de caçada ao javali, em baixo-relevo. Próximo está o magnífico cadeiral de madeira exótica, obra executada pelo portuense Luís Pereira da Costa e pelo barcelense Ambrósio Coelho entre 1729- 1730 e que é, sem dúvida, uma das obras maiores do barroco joanino. O espaldar de talha dourada apresenta uma galeria de figuras que pertenceram à Ordem de Cister. Mais acima, adossado à parede, está o exuberante órgão de tubos, obra barroca de Luís Pereira da Costa e que tinha uma curiosa particularidade funcional: quando era tocado, o órgão tinha uma figura que movia o braço para marcar o andamento, ao mesmo tempo que deitava a língua de fora. As paredes da capela-mor são forradas por revestimento azulejar do século XVIII (1718), mostrando episódios alusivos à fundação deste mosteiro cisterciense. O retábulo-mor é uma soberba composição de talha dourada do Barroco Nacional dos inícios de Setecentos.

O Convento foi classificado em 1956 como Monumento Nacional.​


O Mosteiro de São João de Tarouca tem vindo a ser objecto, nos últimos anos, de uma intervenção profunda de investigação, conservação e restauro por parte do Ministério da Cultura. Foi adquirida todo a cerca interior e a área em que se implantavam os edifícios conventuais medievais que têm vindo a ser exumados através de intervenção arqueológica.
A intervenção de conservação e restauro permitiu preservar o património integrado no interior da igreja e estabilizar o conjunto de edifícios conventuais dos sécs. XVI a XVIII que se encontram em estado de ruína.

Fonte: http://monumentosdesaparecidos.blogspot.ch/2012/11/convento-de-sao-joao-de-tarouca-tarouca.html
 

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É toda uma área interessante... Há uma série de construções românicas de realce ( alguma relação com os caminhos de Santiago?), seria interessante dares a conhecer...

Realmente tenho de me dedicar à bicicleta...
Há muito país nos Caminhos de Santiago​
Este é o relato de como uma peregrinação a Santiago de Compostela é antes de mais um périplo pelos caminhos de Portugal - e Galiza. Andreia Marques Pereira não foi a pé, mas saiu das estradas para cruzar-se com sítios normalmente "invisíveis", privilégio dos todo-o-terreno. E, é verdade, descobriu que há sempre mais Portugal para trilhar​

Quando chegámos, a procissão ainda ia no adro, mas já mexia. Na verdade, perdemos apenas as entradas do jantar de boasvindas aos peregrinos - e ainda estávamos como um peixe fora de água. Sabíamos que não era uma peregrinação normal e não era sequer pelo espírito (mais) penitente do ano santo. O destino era Santiago de Compostela, mas esqueçam-se os bastões de peregrino com a vieira no topo (esse, havemos de tê-lo, mas já às portas da catedral) e as longas caminhadas por montes e vales em condições austeras - afinal, esta era a comitiva do BMW X Experience Caminhos de Santiago e se vamos fora de estrada é para testar as capacidades das viaturas (o que, havia de dizer um dos participantes, José Pinho, é o mesmo que estar “num sofá com rodas”).

Em sofá com rodas, portanto, pelos Caminhos de Santiago portugueses (e nunca é de mais lembrar que os Caminhos de Santiago foram considerados o “Primeiro Itinerário Cultural Europeu”) - aqui, o plural faz todo o sentido uma vez que não há, nem nunca houve, um caminho unificado em Portugal.

Há ramificações que se encontram em determinados pontos, para depois divergirem novamente. Mas todos sabem o destino, Santiago de Compostela, que em ano de Xacobeo até tem direito a convidados especiais - o Papa Bento XVI também vai ser peregrino, a 6 de Novembro, e por isso quase que perdíamos a cerimónia de Botafumeiro. Quase - porque tivemos a experiência total de Santiago, com a cerimónia no final da missa do peregrino que até teve o Bispo da Guarda entre os cocelebrantes. Mas ainda estamos em Trancoso preparados para descobrir, mais uma vez, que não há caminho.

Faz-se o caminho caminhando, como escreveu António Machado. Não caminhámos muito (sejamos honestos: seis quilómetros, já em Santiago, não é nada), mas descobrimos muito caminho.

Helena Veigas disse-o melhor: “Aqui o que interessa não é o destino, é o percurso”. E, então, em 500 quilómetros que marcaram a nossa estreia em todo-o-terreno (e onde experimentámos conduzir o BMW X3) fomos onde pensáramos que nunca poderíamos ir - e agora quando passarmos pelo IP4 no Marão, nunca nos vamos esquecer de que, afinal, é possível chegar lá acima -, estivemos onde sempre pensáramos ir, voltámos onde nunca imagináramos regressar, revisitámos sítios de toda a vida e descobrimos novos sítios para toda a vida - em contínuo sobressalto pela simples constatação: há sempre mais país para trilhar.

Passámos por montes e vales, caminhos estreitos e abismos relativos, aldeias emigradas e rochedos impetuosos, cenários calcinados e florestas verdejantes, ribeiros inquietos, rios plácidos e represas preguiçosas. Vimos parques eólicos no cimo de (quase) todos os montes, igrejas, capelinhas, mosteiros, santuários (alguns apenas abertos pela dedicação de anónimos), visitámos castelos e torres medievais e encontramos o oceano. Deparámonos com o inusitado, como postes de electricidade no meio de campos de futebol, casas com banda desenhada nas paredes, árvores a fazerem de triângulos no meio da estrada. Cruzámonos com carroças de burros, cavalos, bodes e porcos selvagens nas estradas. Confundiram-nos com um casamento e com uma corrida. E chegámos a Santiago de Compostela com vontade de repetir a jornada que percorremos entre 1 e 5 de Outubro.

Prólogo

Aqui o rei D. Dinis casou-se com Isabel de Aragão (que seria a Rainha Santa); aqui nasceu Bandarra, o sapateiro-poeta-profeta que “viu” o Quinto Império; aqui o padre Costa se tornou “um grande povoador” mercê dos 299 filhos que concebeu. Aqui, em Trancoso (cidade que é Aldeia Histórica), começamos o caminho que milhares de peregrinos percorreram antes: e começamos na sexta-feira à noite, com visita à cidade - o mesmo que dizer, à parte amuralhada, o verdadeiro exlíbris que data de 1159.

Entramos pelas Portas d’ El Rei para um novelo de ruelas que se abre em grandes largos. As igrejas são românicas, sobretudo, e há casas brasonadas. A nossa direcção é a do castelo, onde não resistimos à torre de menagem, e até lá cruzamos a Rua da Alegria, onde a comunidade judaica fez casa, e entre o colorido floral que a invade, tentamos discernir os símbolos dos seus edifícios. Regressamos ao hotel ainda espreitando sepulturas antropomórficas escavadas na rocha e a nascente do rio Távora, na Fonte Nova (que é quinhentista).

E, chegados ao hotel, fazemos o que os outros já fizeram, mas o nosso atraso não permitiu: vamos buscar as credenciais, incluindo documentação sobre os percursos, ofertas (o que teria sido de nós sem o impermeável?) e autocolantes publicitários que ainda vamos colar no jipe.

De Trancoso a Mondim de Basto

O dia começa cedo - mas não tão cedo quanto temêramos. Em anos anteriores, a saída era feita pelo número de inscrição, este ano há apenas uma regra para os 50 carros participantes (para cerca de 120 pessoas): sair até às 9h00.

A essa hora, já rodamos, com o road book na mão (religiosamente devolvido no final de cada etapa) e o alerta (que viria a ser recorrente): “Ponham os quilómetros a zero.” Estamos em companhia experiente, por isso relaxamos. Trancoso fica rapidamente para trás e o alcatrão também - começamos a levantar pó até chegarmos à Capela de Nossa Senhora ao Pé da Cruz, padroeira de Sernancelhe. Há montes até ao infinito, vistos ali da igreja branquinha, nas redondezas de um parque de merendas e um moderno parque infantil. Vamos para a aldeia da Lapa e ainda estamos em domínios pedestres (passamos pela Rota da Castanha e do Castanheiro), mas rapidamente reencontramos o alcatrão - “Isto é muito ‘pouca terra, pouca terra’”, brinca o nosso companheiro de aventura. Por enquanto, estamos numa encruzilhada que seria para nada (o “nada” é paisagem de afloramentos rochosos) se não houvesse o sinal “Nossa Senhora da Aparecida”. Entretanto, é a Lapa que surge, granítica. “Terras do Demo”, chamou Aquilino Ribeiro, que estudou aqui no colégio de jesuítas, ao cenário agreste aqui em volta; mas na Lapa é de devoção que se fala - Nossa Senhora da Lapa.

O santuário pétreo erguido sobre rochas - e, a espaços, não sabemos onde termina um e começa outro - é do século XVII, mas o culto anterior. Há quem fale em século X e invasões mouras, porém a história oficial começa no final de quinhentos, com uma pastora muda que deixou de o ser. Entre paredes de azulejo e sob tectos de madeira, seguimos na capela até ao teste: passar a estreita passagem na gruta, o que, diz a lenda, só consegue quem não tem pecados graves.

Passamos e continuamos a embrenhar-nos no edifício-rocha, passando a Via Sacra e defrontando o “sardão” (ou crocodilo). No Colégio dos Jesuítas adjacente, pausa para um novo pequeno-almoço, antes da visita ao museu, instalado na antiga cadeia, que prolonga a experiência do santuário, com várias peças ligadas ao culto. Novamente no largo, empedrado novo e edifícios que apaziguam a severidade da cantaria em granito com flores nas varandas, não resistimos às castanhas que se vendem (juntamente com queijo artesanal e maçãs, por exemplo), mesmo defronte à placa que proíbe a venda ambulante.

Novamente a rolar, atravessamos uma povoação de casas fechadas e a paisagem suaviza-se. Numa ermida, há um corvo no altar e em Alvite, onde há um museu do Futebol Clube do Porto nas traseiras de uma casa, as mulheres tricotam na rua - sentadas e a caminhar.

Nestas “terras antigas”, avistamos o Mosteiro de São João de Tarouca: do alto é só paredes - o tecto destruído por um incêndio -; no vale é fachada grandiosa. E é o mais antigo mosteiro cisterciense português - “D. Afonso Henriques assistiu ao lançamento da primeira pedra”, diz-nos António Vieira Caetano, o zelador informal (e isso foi em 1152). A igreja resistiu ao tempo, orgulhosa no seu misto de românico e gótico com portal renascentista e invólucro de tesouros - a talha dourada entra nos olhos, os azulejos surpreendem, o cadeiral barroco impressiona. Detemo-nos perante o maior sarcófago português - de D.Pedro Afonso, filho bastardo de D.Dinis - e contemplamos São Pedro pela mão de Grão Vasco. “Devia ter segurança”, declara, “mas os funcionários foram embora” - António, 72 anos, é um voluntário irredutível: se não fosse ele, reivindica, a igreja só abriria para a eucaristia semanal, aos domingos.

Não vemos parapente no Monte de Santa Helena e chegamos à ponte de Ucanha para Luís Celínio (presidente do Escape Livre, que organiza a aventura) a declarar “aberta aos peregrinos de Santiago sem cobrança de portagem”. Esta ponte fortificada do século XII (reconstruída em 1465) constitui um conjunto raro - a sua travessia obrigava a um pagamento do qual só estavam isentos peregrinos de Santiago e de Salzedas. Agora domina um cenário bucólico, com o rio que se alarga nas redondezas para logo se embrenhar entre a vegetação (e mais à frente, haveremos de ver, faz-se piscina com árvore de saltos), e alberga um pequeno museu etnográfico. “Nem sabia da sua existência”, comenta Carlos Bandeira, na varanda da torre. “É bonito”. E um dos motivos por que vem a estes passeios é mesmo esse.

Já estamos no Paraíso do Douro - terraço ajardinado sobre o rio - para a pausa de almoço. “Há sítios que se vêem nestes passeios que seria difícil de ver de outra forma. Não são visíveis”, constata. António e a mulher, Isabel, sabem do que falam, este é já o terceiro BMW X Experience que fazem.

E, pelo que viram do programa, consideram que este “agora é mais turístico”, afirma António. Nada que incomode Isabel - “Preciso de história, arte” (e aqui há muito de ambos) - mas que deixa alguma melancolia no marido - “Os outros passeios eram mais técnicos. Passámos por vaus e corta-fogos íngremes.” Luís Celínio confirmá-lo-á.

Mas a técnica de todo-o-terreno está prestes a ser testada. Lamego fica para trás e na Régua resistimos aos rebuçados vendidos na beira da estrada. Damos por nós novamente no meio de pó a subir os trilhos da Senhora da Serra - o topo do Marão, portanto. O IP4 serpenteia lá em baixo e nós passamos brandas e inverneiras, espantalhos, mini-lagos e cicatrizes dos incêndios que assolam constantemente estas paragens. É de compasso de espera que se faz também este assalto ao Marão: a tal técnica quer-se apurada para ascender aos “céus”, por um cortafogo íngreme. Pé no acelerador sem hesitações, um carro de cada vez.

E, lá no alto, milhafres que planam mesmo à nossa frente, montanhas que são paredes rochosas e raios de sol que são sabres de luz. Mal damos por isso, já estamos em Terras de Basto, no Parque Natural do Alvão. Entramos e saímos de Ermelo em duas curvas: há quem colha maçãs, nós procuramos as Fisgas do Ermelo em cenário calcinado - e chegamos a elas com o respeito que a imponência rochosa em abismo desamparado impõe. O dia chega ao fim à sombra da Senhora da Graça. Estamos em Mondim de Basto.

De Mondim a Ofir

Domingo amanhece sombrio e encharcado - e, podemos dizer, o pó de ontem hoje far-se-á lama. Chuva, nevoeiro, vento - o Outono a fingir Inverno e manhã cedo já há caçadores nas estradas. Na nossa rota, o Castelo de Arnóia e o Santuário de Nossa Senhora do Viso, vistos do carro. Entre asfalto e terra - “parece o rally da Finlândia”, dizem-nos, e nos arredores de Fafe percorremos caminhos do Rally de Portugal - a paisagem é quase fantasmagórica.

Capelas, moinhos de vento e espigueiros - Agra, Aldeia de Portugal, é isto: ruas estreitas e casas de pedra; chove e não podemos sair. A Serra da Cabreira é, ainda assim, território encantado que o Outono enche de cores exuberantes. Abrimos caminho entre mimosas, e descobrimos rios, regatos, represas, cascatas - não vemos a nascente do rio Ave, mas ela está por aqui.

É aqui na lama que se dá o furo - não nosso, do único grupo só feminino do passeio. “Imaginei que tivesse rebentado o pneu, quando batemos numa pedra, mas depois segui e pareceu-me normal. Só no asfalto percebi que realmente tinha problemas”. Como a organização tem todos os percalços previstos - e uma carrinha para tratar estas mazelas -, Helena Veigas conta-nos o episódio descansada, à hora do almoço. É a condutora do grupo de quatro, a filha a navegadora. Tem o bichinho do TT e da descoberta, por isso é repetente no BMW X Experience. O ano passado “deu para ver as potencialidades do jipe” - pela primeira vez: “Nunca tinha activado o botão”. Que é o XDrive e que, basicamente, faz (quase) tudo em todo-o-terreno, o condutor tem apenas que controlar o volante. Nada mais.

Não é à toa que falamos do tempo. Por causa dele as etapas de todo-o-terreno desta tarde são canceladas, mesmo depois de a organização limpar alguns caminhos (incluindo remover árvores dos caminhos) - afinal, em 24 anos de organizações Escape Livre, nunca tinham encontrado situações tão adversas, confessaria Luís Celínio. Asfalto, portanto, entre São Bento da Porta Aberta e o Santuário de Nossa Senhora da Abadia. Já estamos em Terras do Bouro e em plena natureza - muitos plátanos e água que agora corre em grande estrondo contra as rochas. A igreja setecentista tem fachada imponente de barroco e rococó, cantaria de pedra e antes de entrarmos ouvimos as vozes que cantam ali ao lado. Não é modesta esta igreja, profusão dourada e tectos pintados. Nas naves laterais vários altares alinham-se - o principal está acima do púlpito: subimos até ele e somos parte do altar-mor. Mesmo ao lado, o museu do santuário é um albergue para etnografia religiosa: vejam-se os ex- votos e espreitem-se os quartos dos peregrinos (alguns mais espartanos do que outros).

E, mesmo em asfalto, antes de chegarmos ao Mosteiro de Tibães ainda temos árvores a cortarem caminho e a dividirem o pelotão em dois. Mas todos chegamos ao Mosteiro de São Martinho de Tibães, nos arredores de Braga, a mais importante etapa das peregrinações portuguesas compostelanas - e um dos mais ricos do Norte do país. Beneditino, do século XI, são as marcas da reconstrução e ampliação dos séculos XVII e XVIII que lhe configuram o rosto e a grandeza.

A igreja é riquíssima, uma explosão dourada e pictórica, com coro em varanda e órgão gigante. O mosteiro é enorme, com longos corredores onde se sucedem as celas monásticas e outros aposentos menos austeros - e, entre estas divisões, os peculiares “secretos”, as “casas de banho”. Por estes dias, os Encontros da Imagem ocupamlhe alguns espaços com fotos e instalações e há aulas de ioga.

O descanso é em Ofir - e com ele a confirmação da cerimónia do Botafumeiro em Santiago de Compostela. E de trabalho-extra para a organização, que vai limpar os percursos de amanhã afectados pela intempérie.

De Ofir a Santiago de Compostela

As previsões são chuvosas, mas o dia soalheiro. E o esplendor matinal é vivido em Viana do Castelo - num dos mais bonitos miradouros do país, o Monte de Santa Luzia. O rio e o mar a encontrarem-se no horizonte sob manto diáfano de luz e Manuel Cerqueira Gonçalves a tirar as suas fotos à la minute a alguns membros do grupo em frente ao santuário. Debaixo da abóbada interior da igreja, muitos peregrinos ajoelham e rezam.

Voltamos novamente costas ao mar para a serra de Arga, resplandecente com o xisto molhado a brilhar. No entanto, é entre pinheiros, cedros, sobreiros e carvalhos centenários, aninhado num vale, que descobrimos o Mosteiro de São João de Arga e nos vemos quase na Idade Média.

Não falta sequer o ruído da água para compor o idílio bucólico, em torno dos edifícios de pedra antiga (a igreja e os alojamentos dos peregrinos, dois andares em varandas rústicas) coberta de musgos intemporais - diz-se que terá sido mandado construir em 661 por São Frutuoso, Bispo de Braga, mas está apenas documentado a partir do século XIII. O portão enferrujado já está aberto - Dionísio Azevedo é o guardião das chaves e só se abre por marcação - para o pátio que é como um adro. Na igreja o altar é barroco - em pedra, branco, rosa, azul e dourado - mas singelo.

Pela serra continuamos, e mais um teste à viatura (com breve briefing da organização): descida abrupta, em duas fases, a segunda bem mais íngreme - o carro bate no chão, que não vemos, mas tudo se passa sem sobressaltos de maior, com ajuda HDC. O que significa estar em primeira, pés fora dos pedais por maior que seja a tentação de travar e deixar o computador fazer a leitura do terreno.

Ao início da tarde, já é a Galiza que atravessamos. Um miradouro inicial para observar a foz do rio Minho e Portugal do lado de fora. Depois, seguimos por serra, sempre entre densos pinhais, antes de começarmos a descer para a borda de água, uma estreita faixa de terra entre o mar espumoso e a montanha, até ao Mosteiro de Oia, o único da Ordem de Cister à beiramar plantado.

Alguns participantes já estão a arrancar, mas nós deixamonos preguiçar um pouco em frente à pequena baía rochosa. No mosteiro não podemos entrar - é propriedade privada - por isso seguimos logo para a igreja, fachada barroca (final do século XVIII) para interior gótico (final do século XII), com coro seiscentista.

É Ester Estevez quem recebe os turistas, na nave principal, abóbadas altas e janelas estreitas, a contrapor aos tectos mais baixos sobre as naves laterais e altar. “A todo el mundo encanta”, observa.

E é só quando há visitas que ali vai - de resto, tem medo de estar sozinha na igreja: “Já me roubaram duas vezes”. De Oia a Santiago é um pulo, primeiro seguindo a costa recortada até Baiona, depois pela auto-estrada, que os peregrinos estão cansados. E a seguir ao jantar, ainda há caminhada até à catedral - poucos quilómetros seguindo o caminho oficial - para lá chegar depois da meia-noite. Está frio e na esplanada da catedral - um dos locais de peregrinação mais importantes do mundo, cidade Património da Humanidade - não se vê muita gente, mas ainda há um músico nas redondezas com alguns discípulos ao redor. A fotografia de grupo encerra o dia - e quase a peregrinação.

Epílogo

Quase, porque ainda falta a missa do peregrino. É terça-feira de manhã e a chuva regressou. Na catedral, ainda temos tempo para uma visita rápida, mas depois é guardar lugar para a missa - ficamos numas escadarias e damonos por satisfeitos. Está apinhada, a catedral, já em obras para receber Bento XVI e a cerimónia de Botafumeiro a que assistimos (com o turíbulo de metro e meio de altura a oscilar assustadoramente sobre a nossa cabeça) é a última até à visita papal.

Cá fora, as últimas despedidas - agora é cada um por si no regresso a casa. Alexandre e Lídia Simões aguardam para dizer adeus a alguns amigos. A viagem já vai longa para eles: saíram de Coimbra na quinta-feira e fizeram 800 quilómetros para irem a Sevilha, assistir ao concerto dos U2 (que neste fim-de-semana em que andámos pelos caminhos de Santiago até estiveram duas noites na sua cidade); na sexta-feira, outros 800 quilómetros até Coimbra para irem buscar Diogo, de cinco anos, e seguiram até aqui. São as peregrinações do século XXI, profanas e sagradas.

Edição 2011, da serra da Estrela à Figueira

Ainda não tinha terminado, o 5.º BMW X Experience, e já estava anunciado o próximo. Centro de Portugal é a designação do percurso que vai ligar a serra da Estrela à Figueira da Foz. Das terras altas do interior até às planícies do litoral, passando por serras e arrozais, aldeias históricas e do xisto, castelos e monumentos, revelou Luís Celínio, do Clube Escape Livre, que, com sede na Guarda, se especializou na organização de passeios todo-o-terreno.

O trajecto ainda não está definido - normalmente são seis meses de preparação (para os Caminhos de Santiago foi quase um ano) - mas será “mais difícil” (tecnicamente) do que o deste ano.

A quilometragem do próximo não está definida, ainda é necessário harmonizar percursos com “as visitas que enriquecem estes passeios”, mas vai voltar ao formato habitual: em vez dos cinco dias deste ano (à boleia de uma ponte), será novamente um fim-de-semana.

Que, apostamos, vai durar muito mais na memória dos participantes - e eles sabem-no: não é à toa que há muitos “repetentes”. O preço da experiência ainda não sabemos - para referência, este ano foram €695 por carro e duas pessoas, com estadias em hotéis de quatro estrelas e todas as refeições incluídas.

A Fugas viajou a convite do Clube Escape Livre

Fonte: http://fugas.publico.pt/Viagens/275399_ha-muito-pais-nos-caminhos-de-santiago?pagina=-1

:cheers:​
 

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Pedro Afonso, conde de Barcelos​

Dom Pedro Afonso, Conde de Barcelos (1287 - Lalim, 1354) foi, segundo algumas fontes, o primeiro filho natural de D. Dinis e de D. Grácia Froes (de identificação insegura). Poeta e trovador como seu pai, teve um papel de relevo na vida política e sobretudo cultural do seu tempo, a ele se ficando a dever uma boa parte dos mais importantes textos da literatura medieval portuguesa.

Vida

O seu primeiro e breve casamento com D. Branca Peres, herdeira de grande parte da fortuna dos Sousa, tornou-o, à sua morte (1305), um dos homens mais ricos do reino. Esse estatuto foi consolidado com o segundo casamento, com a aragonesa D. Maria Ximenes, de quem no entanto se separaria a curto prazo, por desentendimentos vários. Viveu o resto da sua vida com D. Teresa Anes, sua concubina, não tendo tido descendência.

Exilado em Castela por motivos relacionados com o conflito que opôs D. Dinis ao príncipe herdeiro D. Afonso, tomou contacto com as actividades culturais da corte castelhana, que prolongava o intenso labor do seu bisavô Afonso X de Leão e Castela, o Sábio.

Regressado do exílio em 1322, retomou a posse de todos os seus bens, que lhe tinham sido confiscados. Pouco depois da morte de seu pai (1325), afastou-se gradualmente da corte do meio-irmão, com quem entra em dissidência (muito embora tenha participado a seu lado na Batalha do Salado em 1340). Refugiou-se nos seus paços de Lalim, que transformou num centro cultural importante. É daí que está datado o seu testamento (Março de 1350) e onde morreu, em 1354. Jaz sepultado no Mosteiro de São João de Tarouca, em um túmulo com jacente decorado nas laterais com cenas de caça ao javali.

Legado

O legado cultural do Conde de Barcelos é um dos mais importantes da Idade Média peninsular. D. Pedro foi certamente o compilador (ou pelo menos o último compilador) das cantigas dos trovadores galego-portugueses. No seu testamento deixa um Livro de Cantigas ao seu sobrinho, Afonso XI de Castela, que se pensa ser o arquétipo dos cancioneiros manuscritos que chegaram até nós; esse cancioneiro nunca chegou à posse de Afonso XI e não se sabe do seu paradeiro. Excelente trovador, D. Pedro deixou quatro cantigas de amor e seis cantigas de escárnio, onde o humor (com a malícia característica do género) se alia a um notável sentido rímico e musical.

De Lalim teriam ainda saído duas outras obras fundamentais da história e cultura portuguesas. Uma é o chamado Livro de Linhagens do conde D. Pedro (1340-1344), uma recompilação da genealogia das principais famílias nobres de Portugal inseridas no contexto peninsular e universal. A outra obra devida ao conde é a Crónica Geral de Espanha de 1344, uma crónica histórica em que é descrita a história dos vários reinos ibéricos e da Reconquista, enfatizando-se o papel dos reis portugueses na cruzada contra o Islão. Os dois livros são de alta qualidade narrativa e representam pontos altos da prosa medieval portuguesa.

O reconhecimento da qualidade da obra de D. Pedro na Idade Média é evidenciado pelo fato de que tanto o Livro de Linhages como a Crónica sofreram vários acrescentos posteriores em Portugal e foram traduzidas várias vezes ao castelhano. Até os dias de hoje os pesquisadores continuam estudando a obra do conde tanto pelos dados historiográficos como pelo seu nível narrativo.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Tarouca-PedroAfonsoTomb-IPPAR.jpg

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Não conheço e ouço falar poucas vezes, é interessante?
 

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Dos mais interessantes, quer em termos de património construído, quer mesmo em termos paisagísticos. E não esquecer que é o concelho português com maior produção de baga de sabugueiro. Ficam lindos os sabugueiros na época da floração que acontece na primavera!:cheers:
 
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Tarouca | O vale encantado

Mosteiro de Santa Maria de Salzedas

O Mosteiro de Santa Maria de Salzedas situa-se na freguesia de Salzedas, concelho de Tarouca, Portugal. Pertencente à Ordem de Cister, data do século XII, e o seu espaço foi doado pela mulher de D. Egas Moniz.
Mosteiro da Ordem Cisterciense, que foi fundado no século XII por Dona Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz.






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Tarouca | O vale encantado

Mosteiro de São João de Tarouca

O Mosteiro de São João de Tarouca, localizado na encosta da Serra de Leomil, no distrito de Viseu, ergue-se num grande vale, ao fundo do qual corre o rio Varosa.


Inicialmente foi um ermitério mas, em 1152, após a vitória de D. Afonso Henriques sobre os mouros em Trancoso, foi lançada a primeira pedra da igreja conventual cisterciense. O mosteiro foi o primeiro a ser construído no país pela Ordem de Cister.



O dormitório novo e torre sineira foram construídos no século XVI. A última fase das obras de ampliação do mosteiro decorreu no século XIX. Em 1938 seriam restaurados os retábulos, nomeadamente o de São Pedro, atribuído a Grão Vasco.




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Tarouca | O vale encantado

Mosteiro de Santo António de Ferreirim



Em 1532, iniciou-se a construção da igreja, marcada pelo estilo manuelino-renascentista.






Na parte conventual subsiste uma torre militar medieval.


Tarouca | O vale encantado
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