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Discussion Starter #1
Pessoal,

Procurei bastante e não encontrei um tópico sobre essa que é mais do que uma simples bebida: é também história, filosofia, mitologia, comportamento e, por que não?, motivo para debates virtuais.

Sendo assim, resolvi criar este thread para que os enófilos do SSC Brasil possam discutir todo e qualquer assunto relacionado ao mundo do vinho, tais como castas, rótulos, blends consagrados, terroirs, vinificação, harmonizações, tipologia, características e impressões olfativas, gustativas e cromáticas, denominações de origem, safras, enoturismo, experiências com clubes de assinatura, climatização, guarda, enfim, tudo que remeta ao maravilhoso universo do vinho.

Todos, desde os mais diletantes (como eu) aos mais entendidos estão convidados a participar, expressar e compartilhar suas opiniões e gostos e ajudar a enriquecer a experiência da degustação dos demais.

E, afinal, você é mais Bordeaux ou Borgonha? Velho ou Novo Mundo? Pinot Noir ou Cabernet Sauvignon? Acidez ou tanino? Champanhe ou Prosecco? Sem ou com madeira? Frutado ou rústico?





Santé!
 

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Discussion Starter #2
O Processo de Vinificação



A uva, depois de colhida, é levada até a vinícola, onde será identificada, pesada e serão conferidos os teores de açúcar e acidez.

Após essas análises, a uva é depositada em uma primeira esteira que as transporta até uma máquina responsável pela extração do engaço (aqueles raminhos que sustentam o cacho), após esse processo, a uva é levada, por uma segunda esteira, até uma prensa pneumática que, por meio de uma leve pressão, fará com que se rompa a casca da uva, liberando, assim, o suco, que será bombeado para os tanques de fermentação.

Esses tanques podem ser de cimento ou inox, sendo o inox o material mais recomendado, por proporcionar maior controle durante o processo de fermentação. Nesse processo, o açúcar da uva transformar-se-á em álcool, criando o vinho.

Após a fermentação, o produtor, de acordo com o envelhecimento que pretende adotar, optará pela filtragem e envelhecimento adequados e, após este período, engarrafará o vinho - se necessário, procederá a um novo período de envelhecimento -, disponibilizando-o para comercialização.

Para exemplificar os diferentes processos de envelhecimento, tomemos como exemplo as regras definidas pelo Conselho Regulador da Denominação de Origem Controlada da Rioja (Espanha):

Garantia de Origem (Joven): Vinhos que não são submetidos ao processo de Criança.

Vinhos Crianza: Corresponde a vinhos no terceiro ano, que tenham permanecido pelo menos um ano em barril de carvalho.

Vinhos de Reserva: Corresponde a vinhos selecionados com envelhecimento mínimo entre barril de carvalho e garrafa de três anos, dos quais, ao menos um em barril.

Vinhos de Gran Reserva: Corresponde a vinhos de grandes colheitas, envelhecidos pelo menos dois anos em barril de carvalho e três em garrafa.

Assim como o processo definido para os vinhos da Rioja, muitas outras regiões vitivinicultoras mundiais definiram processos específicos para garantir a qualidade dos vinhos produzidos e engarrafados por produtores nelas instalados.

A associação entre as regras de envelhecimento, regras definidas para o uso de uvas específicas (em proporções previamente delimitadas) e terroir de cada região é o que define a característica mais marcante e identificadora da região vitivinicultora, ou seja, a sua "assinatura".


Vinificação em tinto

Após a prensagem, a uva é levada até aos tanques de fermentação, onde casca, suco e sementes juntos participam na fermentação.


Adega onde o vinho é envelhecido nas garrafas.
A casca da uva dará ao suco a cor tinta. Quanto maior o tempo de contato das cascas com o líquido, mais escuro será o vinho, no entanto, este vinho ganhará mais adstringência.

Vinificação em branco

Após a prensagem, assim como na vinificação em tinto, as uvas são bombeadas até aos tanques de fermentação, o tempo de maceração, ou seja, o contato da casca com o líquido, varia com o tipo de produto a qual se quer elaborar, pois este tempo definirá o tipo de estrutura que o vinho branco terá. Em alguns tipos de vinho é recomendado retirar a casca imediatamente após a prensagem, o que dará um carácter mais fresco ao produto final. Em vinhos com um pouco mais de estrutura e mais alcoólicos se recomenda um maior tempo de contato com a casca, sempre tendo o cuidado de extrair somente as qualidades da casca, isto é definido pelo tipo de uva e pelo tipo de vinho que se deseja obter. Um cuidado que deve ser respeitado na elaboração de vinhos brancos é o controle de temperatura da fermentação, se recomenda sempre abaixo de 20°C, porque acima disto se extrai substâncias adstringentes e amargas da casca, levando o vinho a perder em aromas e limpidez.

É possível, ainda, obter vinho branco a partir de uvas tintas, porém o processo de fermentação alcoólica deve ser realizado na ausência da casca ou sem a maceração desta, visto que as substâncias corantes estão presentes na casca.

Vinificação em rosé

1) Após a prensagem, assim como na vinificação em tinto, o conjunto (suco, casca e sementes) é bombeado aos tanques de fermentação e, retirada(a casca) num determinado momento da fermentação, pois a coloração desejada já foi atingida.

2) Mistura dos vinhos tintos e brancos.




https://pt.wikipedia.org/wiki/Vinificação
 

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Discussion Starter #3
Castas de Uvas Vitiviníferas



Brancas, tintas, ou rosadas. Com muitos ou poucos engaços, com grossas ou delicadas películas. Resistente ao calor ou frágil aos ventos, boa produtora de açúcar ou ácida e amarga, aconselhada para a produção de bom vinho ou para a produção de uva de mesa... Enfim, tudo pode ser no mundo dos vinhos.


Para produção de vinho, a espécie mais conhecida do gênero Vitis é a européia Vitis vinifera. A ela pertencem todas as variedades ou castas que hoje podemos ler nos rótulos ou contra-rótulos das garrafas de vinho. Também se faz vinho a partir de espécies de vinha americana (embora essas espécies sejam utilizadas principalmente como porta enxertos), a partir de algumas variedades asiáticas e de inúmeros híbridos desenvolvidos pelos vários países viticultores.

A Europa, ou melhor, o Mediterrâneo e todo o desenvolvimento humanístico de várias civilizações em torno do vinho é, portanto, o centro desse mundo. No continente europeu foram criadas e desenvolvidas as variedades que serviram de berço ao desenvolvimento da cultura e produção de vinho. Como chegamos aqui, ninguém sabe ao certo, há apenas teorias: algumas defendendo que as variedades de uvas foram apuradas pelo homem a partir do estado selvagem, outras afirmando que as variedades foram introduzidas nos países produtores, outras ainda que dizem que as variedades resultam daquelas existentes no Império Romano, que foram abandonadas ou cruzadas com outras locais e nativas de Vitis vinifera.


A Vitis vinifera

Atualmente devem existir em todo o mundo cerca de 10.000 variedades ou castas de Vitis vinifera. Portugal, com 342 variedades, está entre os países mais ricos; a Itália é também pródiga nesta matéria. Paradoxalmente e apesar de toda essa biodiversidade, a esmagadora maioria dos vinhos conhecidos assenta fundamentalmente em meia dúzia de castas, quase todas de origem francesas que deixaram o Velho Mundo para encher todo o Novo Mundo.

Mesmo nos países produtores do Velho Mundo, com o seu próprio patrimônio vitivinícola, se observa nas novas plantações a seleção de um pequeno número de castas, com resultados sobejamente comprovados, levando todas as castas restantes a um semiesquecimento. Assim, em Portugal, as Tinta Roriz, Touriga Francesa, Touriga Nacional e Trincadeira Preta dominam os novos vinhedos de qualidade; na Espanha é o Tempranillo, a Garnacha e a Monastrell; e, na Itália, o Sangiovese, o Brunello e o Nebiollo são os reis do vinho de alta qualidade.

A uniformização de critérios de escolha fez com que essas castas, primeiro no Novo Mundo e mais tarde no Velho, passassem a ser sinônimo de qualidade, sendo até mesmo colocadas nos rótulos. Hoje é comum um consumidor, aturdido pela avalanche de marcas que continuam a chegar incessantemente ao mercado mundial de vinhos, escolher uma garrafa pela casta anunciada no rótulo e não pelo nome do produtor ou região geográfica de produção.


As Diferenças

Além da cor dos frutos, as castas se diferem pela morfologia, pelo fim comercial a que se destinam, ou ainda por suas características enológicas. As raízes, ramos, folhas e frutos, enfim, todos os aspectos morfológicos constituintes da planta são diferentes de uma casta para outra. Por isso muitos estudiosos, os ampelógrafos - ampelografia é a disciplina que estuda as características das castas - publicaram obras de grande valor ao longo do último século e meio.

Pierre Viala e Victor Vermorel contaram mais de 24.000 variedades nos seus sete volumes de ampelografia, editados entre 1902 e 1910; Cincinnato da Costa, no seu Portugal Vitívinicola, enumera e descreve 94 castas portuguesas.

Do ponto de vista comercial, há videiras para vários fins: videiras que produzem uvas para a mesa ou uvas para vinho de mesa, uvas para secar, uvas para sumo ou ainda e apenas, videiras cuja uma função vitícola é fornecer um porta-enxerto.

Enologicamente, também há castas que se adaptam melhor a um vinho fermentado em barrica ou a um vinho espumante, a um vinho doce feito com uvas atacadas por podridão nobre, ou ainda castas mais adequadas à produção de vinhos encorpados ou fortificados, ou mesmo castas exclusivas da produção de destilados.


A Escolha das Castas

No Velho Mundo, ao contrário do Novo Mundo, toda a escolha possível está regulamentada. As castas são recomendadas ou autorizadas para a produção deste ou daquele tipo de vinho. À semelhança de todos os outros setores, também aqui a evolução tem sido meteórica e o que é verdade hoje pode deixar de o ser no dia seguinte. Regiões clássicas têm hoje a concorrência de outras, ainda há pouco tempo atrás, completamente desconhecidas, e muitas das ditas castas nobres são por vezes ultrapassadas em qualidade de produto por outras de pedigree mais modesto.

O conhecimento científico expresso em técnicas contemporâneas de viticultura e enologia tem trazido consecutivos novos horizontes ao setor do vinho, e hoje, a escolha das castas nem sempre segue a regulamentação comunitária em vigor, optando-se antes por parâmetros que considerem não só o clima e a geografia do local como também o mercado a que se destina o produto. Essa atitude dinâmica tem dado origem ao longo dos anos, e principalmente nos países mediterrânicos, a várias surpresas, fazendo aparecer do 'nada' vinhos que rapidamente ganham nome.

Com a evolução clonal em curso (indivíduos diferentes da mesma variedade), a escolha do encepamento tem de considerar o número de clones certificados de cada casta. A seleção das plantas já não se refere só à variedade, mas também ao tipo ou tipos de variedade (clones), o que vem tornar ainda mais complexo um tema já delicado e muitas vezes controverso.


As Castas e o Vinho

Juntamente com o clima e o solo, o tipo de casta é um dos vértices do triângulo 'qualidade do vinho'. A partir de suas características morfológicas e fisiológicas, sabe-se se a videira está apta a fazer um ou outro tipo de vinho: castas de ciclo vegetativo longo estarão mais adaptadas a climas quentes; outras, de ciclo vegetativo curto, serão mais adequadas a climas frios, de viticultura difícil; castas com cachos de bagos miúdos e película grossa tenderão a produzir vinhos mais carregados de cor e concentrados; e castas com uvas de bago gordo e película delicada produzem vinhos opostos; castas de maturação precoce produzirão facilmente vinhos capitosos; e castas de maturação tardia terão maior propensão para vinhos pouco encorpados e ácidos. Muitos outros exemplos poderiam ser dados...

Há inúmeras castas, de sabor característico, que possibilitam facilmente sua identificação, tanto na prova da uva como na do vinho que produzem. Outras, conhecidas habitualmente como castas nobres, produzem naturalmente vinhos de elevada qualidade; enquanto outras à parte de uma prestação modesta ou equilibrada num vinho de lote, nunca poderão ambicionar produzir, só por si, vinhos com elevada qualidade.

O vinho pode ser assim produzido a partir de um número mais ou menos dilatado de variedades distintas, neste caso toma o nome de 'vinho de corte' ou assamblage, ou pelo contrário, ser composto apenas por uma casta e receber o nome de 'vinho varietal, elementar ou monocasta'. Não se pode atribuir surpremacia de qualidade entre um caso ou outro, já que entre os vinhos mais caros do Mundo figuram ambos os exemplos, mas pode-se aceitar que um assamblage (duas ou mais castas complementares) seja, pelo menos em teoria, mais rico e complexo.


Castas mais plantadas no Mundo


● Airén B (Espanha) – 423.100 ha
● Garnacha T (Espanha, França) – 317.500 ha
● Carignan T (França) – 244.330 ha
● Ugni Blanc (Trebbiano) B (França, Itália) – 203.400 ha
● Merlot T (França, Itália) – 162.200 ha
● Cabernet Sauvignon T (França, Bulgária, EUA) – 146.200 ha
● Rkatsiteli B (Geórgia, Rússia, Ucrânia, Bulgária) – 128. 600 ha
● Monastrell T (Espanha, França) 117. 800 ha
● Bobal T (Espanha) – 106.200 ha
● Tempranillo (Tinta Roriz) T (Espanha, Portugal) – 101.600 ha
● Chardonnay B (EUA, França Austrália e Itália) – 99.000 ha
● Sangiovese T (Itália, Córsega) – 98.900 ha
● Cinsault T (França, África do Sul) – 86.200 ha
● Welschriesling B (ex-Jugoslávia, Hungria e Roménia) – 76.300 ha
● Catarratto B (Itália e Sicília) – 75.400 ha
● Aligoté B (Rússia, Ucrânia, Moldova e Bulgária) – 71.800 ha
● Moscatel de Alexandria B (Espanha, Austrália, África do Sul) – 66.900 ha
● Pinot Noir T (França, Moldova, Alemanha, EUA) – 62.500 ha
● Sauvignon Blanc B (França, Moldova e Ucrânia) – 60.700 ha
● Chenin Blanc B (África do Sul, EUA, França)
– 53.900 ha


http://revistaadega.uol.com.br/artigo/as-castas_6045.html
 

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Discussion Starter #4
Terroirs


O que é Terroir? O caminho para chegar à reposta desta questão não é dos mais tranquilos, uma vez que a definição desse termo foi objeto de diversos debates por longos anos. Há algum tempo atrás, porém, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) chegou a uma definição oficial sobre seu significado:

Terroir: conceito que remete a um espaço no qual está se desenvolvendo um conhecimento coletivo das interações entre o ambiente físico e biológico e as práticas enológicas aplicadas, proporcionando características distintas aos produtos originários deste espaço.

Achou complicado? O Guia Larousse traz uma definição um pouco mais clara e menos técnica:

Terroir é uma palavra francesa sem tradução em nenhum outro idioma. Significa a relação mais íntima entre o solo e o micro-clima particular, que concebe o nascimento de um tipo de uva, que expressa livremente sua qualidade, tipicidade e identidade em um grande vinho, sem que ninguém consiga explicar o porquê.


Elementos do Terroir e o micro-clima

O terroir é formado por alguns componentes (ver box no fim da matéria), que desempenham papéis fundamentais na elaboração do vinho. O solo e a topografia da região vitivinícola, assim como seu clima são os principais destes elementos, que interagem para determinar o que chamamos de "micro-clima" do vinhedo.

Observar e analisar fatores típicos de cada região - tais como: características e qualidade do solo, relevo, altitude e temperatura da região, quantidade e regularidade de luz solar, incidência de chuva, vento e umidade - foi, por séculos, a ocupação dos vitivinicultores. Trabalho esse que servia para determinar a melhor uva para ser cultivada dentro daquele contexto específico e para descobrir qual cepa produziria o vinho de melhor qualidade naquele local.


O terroir é o ambiente natural de uma região produtora de vinhos, englobando todos os seus aspectos - não só os elementos do meio ambiente em si, mas também aqueles relativos à atuação do ser humano na elaboração do produto - e que contribui para dar ao vinho uma especificidade única. Um bom enólogo (responsável pela elaboração do vinho) certamente vai se beneficiar do Terroir, extraindo o melhor produto possível de determinado vinhedo. Ou seja, para se fazer um bom vinho, o produtor deve, antes de tudo, conhecer o terroir da sua região.


Exemplos da interação entre o Terroir e o vinho

O terroir sempre exerce influência nos vinhos. Existem, contudo, regiões em que essa interação é mais marcante, sendo estudada e reconhecida há muitos anos.

Exemplo claro é a Borgonha, na França. Os vinhos produzidos a partir das uvas ícones da região - a tinta Pinot Noir e a branca Chardonnay - têm características muito diferentes entre si de acordo com o local onde foram elaborados. Assim, analisando especificamente os vinhos da região de Côte d'Or, vemos que os Pinot Noir produzidos em Côte de Nuits (parte norte de Côte d'Or) são excepcionais e encorpados, mas precisam de tempo para evoluir e mostrar todas a variação de aromas e gostos, enquanto que em Côte de Beaune (no sul) se produzem Pinot Noir elegantes e delicados, menos complexos e que precisam de menos tempo para evoluir. É o terroir fazendo toda a diferença.

Outro exemplo famoso é Bordeaux, também na França, onde são utilizadas, predominantemente, as uvas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc. Um dos rios que corta a região é o Garonne. Em sua margem esquerda, os solos são arenosos com cascalho e, na margem direita, a terra tem composição variada, fazendo com que as castas se adaptem de forma distinta em uma e outra margem. Assim, à esquerda predomina a Merlot, enquanto que à direita, os vinhos têm predominância de Cabernet Sauvignon. Exemplo de vinho da margem esquerda é o ícone Pétrus, rico, potente, complexo e elegante. Da margem direita vem o vigoroso, complexo, harmônico e macio Château Mouton Rothschild.

Dessa forma, mais que uma simples palavra, terroir é um conceito completo e complexo. É um conjunto de fatores que influencia o desempenho do vinhedo, a qualidade da uva colhida e acaba participando da personalidade final do produto, como se fosse uma assinatura de cada região produtora. Não por acaso, o termo não possui tradução em outros idiomas, exprimindo toda a sutileza dessa bebida ao mesmo tempo milenar e atual que é o vinho.


http://revistaadega.uol.com.br/artigo/voce-sabe-o-que-e-terroir_2655.html
 

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Discussion Starter #6
Maiores Produtores de Vinho






Denominações de Origem



Vamos imaginar por alguns instantes que os sistemas de indicação geográfica que controlam a produção de vinhos tenham sido criados na Itália. Não foram, mas se tivessem, seria bastante simples compará-los com a mais famosa sopa italiana, minestrone (sopão), que muda de receita segundo a região em que é preparada, leva os ingredientes que estão disponíveis naquela estação e muda de textura e de endereço junto com a "mamma" que a prepara.

Infelizmente, não podemos por a culpa nos italianos, até porque o minestrone é uma deliciosa sopa em suas variadas preparações, enquanto os regulamentos criados ao redor do globo para o mundo dos vinhos são (apesar de muitas vezes eficientes) indigestos para quem não se dá ao trabalho de tentar entendê-los.

Os pioneiros portugueses Assim, sugerimos que seja apreciada uma boa dose de Vinho do Porto com o começo deste assunto, uma vez que os portugueses são os responsáveis pela primeira "Denominação de Origem" oficial da qual se tem conhecimento na história do vinho. E precisamente para proteger o Vinho do Porto.

O século XVIII já ia pela metade quando o primeiro ministro português, Sebastião José de Carvalho e Melo - que a maioria dos enófilos conhece como "Marquês de Pombal", um administrador mão de ferro -, percebeu que as exportações de vinho do Porto iam mal e careciam de normas e leis, coisa que ele sabia impor como poucos. Assim, em 1756 foi criada a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, uma organização governamental cuja primeira obrigação foi delimitar e reconhecer as áreas de produção de vinhos do Douro. Daí para a criação de normas que controlavam desde a produção das uvas, o preço de venda delas para os produtores, a quantidade máxima de produção, a qualidade dos vinhos e, principalmente, a sua comercialização, foram poucos anos.

Mesmo passando por muitas modificações e adaptações, a essência dessa primeira fase de controle sobre os vinhos não se extinguiu por completo. Hoje, seus trabalhos normativos são exercidos pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, órgão regulador oficial que, entre outros tantos trabalhos, define os estilos de vinhos, as uvas permitidas para cada produto e a Denominação de Origem Controlada (DOC) do Douro que qualifica e protege também os vinhos não fortificados da região.


DOs de Portugal

Como grande nação produtora de vinhos, Portugal não é somente o Porto e o Douro, mas sua legislação é a mesma para outras regiões como a Bairrada, Alentejo e Dão, por exemplo. Seus vinhos são classificados como (da categoria mais baixa para a mais alta): Vinho de Mesa (VM) - não confundir com o vinho de mesa brasileiro feito com uvas não viníferas; Vinho Regional (VR); Indicação de Proveniência Regulamentada (IPR); e Denominação de Origem Controlada (DOC).


Normas da União Europeia

Aparentemente, é fácil perceber que um vinho regional português seja de padrão inferior a um DOC e isso, ao final, pode ser o que interessa ao consumidor que não quer perder tempo. No entanto, é importante ressaltar que cada país europeu possui suas normas e elas variam bastante de terroir para terroir. E, com a formação da Comunidade Econômica Europeia (CEE), existem regras a serem seguidas pelo países participantes para que os produtos possam circular entre eles e também ser exportados.

Isso, em poucas letras, significa que os vinhos produzidos nos países membros podem ter, além de suas siglas regionais, a seguinte sigla oficial da CEE: VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Demarcada). Ela designa uma categoria normativa da Comunidade, criada em 1970, que impõe maior rigor na definição e seleção de vinhos que atravessam as fronteiras, não somente em regiões já tradicionalmente demarcadas, mas também em novas regiões que poderão surgir.

Existe alguma desconfiança em relação às normas da CEE, principalmente por ela, eventualmente, ter Edição alguns poderes para substituir antigas regras e reavaliar produtos consagrados. Para se ter uma ideia, a região de produção de alguns dos mais famosos vinhos doces naturais, Tokaji, na Hungria, é demarcada (embora não tivesse controle do estado) desde 1737, e a região de Chianti, na Itália, desde 1716 (também nessa época sem controle governamental); e algumas das normas seguidas informalmente pelos produtores dessas áreas existem até hoje, mesmo elas tendo passado mais recentemente ao controle do estado e às legislações de suas regiões demarcadas oficiais. Modificar esses padrões cria muito desconforto entre produtores e consumidores tradicionalistas.

É importante ressaltar que Indicações Geográficas não existem somente para vinhos. Elas são utilizadas em alimentos, bebidas destiladas e até mesmo em alguns produtos de artesania ao redor de todo o mundo. A Comunidade Europeia aceita alguns e rejeita outros, inclusive internamente, como aconteceu quando rejeitou alguns queijos de cabra franceses por eles não serem pasteurizados, embora tivessem origem comprovada e demarcada.


Os muitos nomes e classificações da França


Apaixonantes e muito diferentes em cada região que são produzidos, os vinhos franceses são uma fonte inesgotável de emoções e informações distintas. Sua legislação faz jus a tudo isso. Como produtora do maior número de vinhos finos do mundo, a França se dá ao luxo de ter um detalhado sistema de regionalização e controle de seus vinhos, criado basicamente em meados da década de 1930 e chamado de Appellation d'Origine Contrôlée (AOC).

Esse sistema define onde os vinhos podem ser feitos no país e depois define como eles devem ser feitos. Essa origem controlada dos vinhos leva, na maior parte dos casos, o nome do local onde eles são feitos (Volnay ou Champagne, por exemplo). O sistema de controle francês é copiado em muitas partes do mundo, mesmo que os críticos afirmem que ele é muito rígido e limita os vinhateiros em suas possibilidades de criação. Ainda assim é um sistema eficiente.

Para simplificar bastante a explicação, uma vez que existem obras inteiras dedicadas a detalhar as diferenças de controle e normas de cada região francesa, é preciso dizer que os vinhos se dividem em três categorias básicas, do mais simples ao mais sofisticado: Vins de Pays (vinhos regionais), vinhos VDQG (Vins Délimités de Qualité Supérieure) e os vinhos AOC (Vins d'Appellation d'Origine Contrôlée). Assim, dentro de cada "apelação de origem" passam a existir regras próprias para classificar os vinhos, como é o caso de Bordeaux, onde cada sub-região tem sua classificação e terminologia próprias (como os Premiers Crus, Seconds Cru, Troisièmes Crus etc), e outras (como Entre-desMeurs, por exemplo) que nunca foram classificadas, embora produzam vinhos excelentes. Ou seja, existem dois sistemas diferentes coexistindo na França, o de indicações geográficas e o de classificação de vinhos em cada região internamente.


Denominaziones italianas

Enquanto isso, a Itália exercita um sistema de nomenclatura muito parecida com a francesa, mas com sutis diferenças. Do mais básico ao mais alto grau de vinhos passa-se pelo Vino da Tavola (VDT); Indicazione Geografica Tipica (IGT); Denominazione di Origine Controllata (DOC); e Denominazione di Origine Controllata e Garantita (DOCG).

As primeiras leis dispuseram sobre as DOC em 1963. Elas impuseram mudanças enormes na indústria italiana, na época ainda muito concentrada na produção local e tradicional, mas que passou o final da década em busca de inovações. Restritas, as leis desconsideravam as novas tecnologias e os avanços que os vinhateiros desejavam fazer. Assim, em 1971, Piero Antinori quebrou as regras da DOC onde seus vinhos eram produzidos na Toscana e fez o Tignanello, vinho que só podia ser reconhecido como Vino da Tavola (vinho de mesa). O vinho agradou os consumidores, ganhou mercado e trouxe para junto de si outros excluídos da mesma região. Eles ganharam o nome (não oficial) de Super Toscanos.

Em busca de melhor qualidade, foram criadas em 1980 as DOCG. Por fim, em 1992 foi criada a IGT, que é capaz de englobar tanto bons vinhos da Toscana quanto vinhos considerados muito simples de outras áreas do país. As indicações italianas passam atualmente por uma revisão que deverá descartar a DOCG ainda este ano. Com essa modificação a Itália pretende mostrar que suas indicações geográficas possuem, sim, um padrão qualitativo.


Calificación da Espanha

O país com a maior área plantada de vinhedos do mundo é também aquele onde as leis parecem ser seguidas com maior rigor. A Espanha também modelou suas indicações geográficas na França e implantou as primeiras Denominacíon de Origen (DOs) em 1932, revisando em 1970.

Embora existam várias DOs no país, só existe uma Denominacíon de Origen Calificada (DOC), para a região de Rioja. Isso se deve ao fato de que, para conseguir se qualificar para ser DO ou DOC, uma região produtora precisa seguir normas e controles muito rígidos - ditados por um instituto nacional - além de um outro conjunto de regras vindas dos conselhos reguladores locais, dedicados à preservação dos processos de vinificação, de cuidado com as vinhas etc. Para completar o cuidado, cada vinho produzido nessas DOs passa por degustações nos conselhos reguladores, que vão analisar se o produto é fiel às recomendações da DO.


"Grandes nomes" alemães

Na Alemanha, um conjunto de regras foi criado para simplificar a produção de vinhos em 1971. Essas regras separaram o país em 11 regiões produtoras originais (que tornaramse 13 depois da unificação das Alemanhas), com subdivisões e distritos. No entanto, o país não adotou as indicações geográficas como sua principal forma de controle, mas, sim, leis que levam em consideração um fator muito importante para os vinhos de um país tão frio: a maturação da uvas.

Assim, os vinhos podem vir de uma região reconhecida e ainda assim ser divididos em três linhas gerais, Tafelwein (vinho de mesa), QbA (Qualitatswein bestimmter Anbaugebite - vinho de qualidade de região determinada) e QmP (Qualitatswein mit Pradikat - vinho de qualidade com predicados). De acordo com o ponto de maturação das uvas e o açúcar residual, eles podem ser divididos em seis grupos, do menor para o maior: Kabinett (Reserva), Spatlese (Colheita tardia), Auslese (Colheita selecionada), Beerneauslese (Colheita de grãos selecionados), Trockenbeerenauslese (Colheita de grãos secos selecionados) e Eiswein (Vinho do Gelo).


Novo Mundo

Pensar a história do vinho no Novo Mundo é pensar uma realidade que se aproveita das experiências europeias, de seus acertos e erros, dos desafios dos novos terroirs e da tecnologia disponível em quase todas as áreas onde se produz vinho. Mas nem toda a experiência dos europeus pareceu válida para os produtores do Novo Mundo.

Muito embora uma grande parte das indicações geográficas nos Estados Unidos e nos países produtores abaixo da linha do Equador sejam baseadas no modelo francês, de delimitação de áreas geográficas determinadas, os outros rígidos controles que a França e a Espanha por exemplo, exercem sobre essas áreas não parecem aplicáveis ao Novo Mundo.


AVA norte-americana

Os Estados Unidos instituíram suas AVAs (American Viticultural Areas - áreas americanas de viticultura) no final da década de 1970, sob o controle da Secretaria de Álcool, Tabaco e Armas de Fogo. Algo curioso, uma vez que no restante do mundo a produção de vinhos é controlada pelos órgãos ligados à agricultura.

Desde 1980 foram aceitas mais de 140 AVAs em território norte-americano. No entanto, os próprios norteamericanos ainda se baseiam nos métodos adotados por quem produz o vinho e por algumas leis locais que delimitam as quantidades de cada cepa no produto. Equivale dizer que o nome do produtor no rótulo (tal qual em algumas partes da França) é mais importante do que a área delimitada pelo governo.


GI Oceania


Na Austrália existem as Geographic Indications (GIs), implantadas em 1993, que dividem o país em zonas de produção, regiões e subregiões, controlados pelo Australian Wine and Brandy Corporation, cujo Comitê de Indicações Geográficas é o responsável pela fiscalização dos vinhos vendidos internamente e exportados, garantindo sua procedência.

O que a Austrália e a Nova Zelândia têm em comum é o fato de utilizarem regras que estipulam a quantidade de uva que precisa estar presente em um vinho para ser considerado um varietal e a quantidade dessas uvas que precisam compor esse vinho para que ele tenha em seu rótulo o nome da região produtora. A lei australiana instrui que um vinho que se diz de uma só região deva conter um mínimo de 85% de uvas da região que aparece no rótulo. Na Nova Zelândia, o vinho deve ter 75% de uma só uva para ser considerado varietal no mercado interno. Mas, para ser exportado, ele precisa ter 85% da cepa.


GU África do Sul

Já na África do Sul, a situação é diferente. Desde 1972 existe uma legislação que cuida da origem dos vinhos e das áreas que têm diferentes potenciais vitícolas, as GUs (Geographical Units). Nos anos de 1990, essa legislação recebeu uma nova denominação e os vinhos que são feitos em uma área que desfruta das mesmas condições ecológicas e cujas vinícolas tenham cantinas próprias pode ser denominado Estate. Dentro de cada área, algumas normas locais são seguidas para preservar as características descriminadas na legislação.

Chile e Argentina


No Chile, em 1995 foram conformadas algumas leis que definem as áreas de produção, subregiões e zonas dentro dessas subregiões. Essas normas também controlam a quantidade de uvas necessárias em cada região para que um vinho seja considerado um varietal (mínimo de 75% de uma só variedade) e a veracidade das informações do rótulo.

A Argentina, por sua vez, tem controle sobre suas áreas de produção através do Instituto Nacional de Viticultura (INV) com uma lei implantada em 1999, que define três níveis de vinhos, os Indicação de Procedência (IP), Indicação Geográfica (IG) e os DOC.



A primeira Denominação de Origem brasileira


O Brasil iniciou o longo caminho do reconhecimento e da certificação de suas regiões e vinhos em 1995, mas a primeira Indicação de Procedência brasileira para o Vale dos Vinhedos só chegou em 2002. Ainda no primeiro semestre de 2010 é esperada a Denominação de Origem (DO) para o Vale dos Vinhedos e uma nova Indicação de Procedência para os vinhos de Pinto Bandeira, também na Serra Gaúcha.

"A Europa é tradicional e já sabe os mecanismos para modificar e adaptar normas aos novos tempos. Mas o Brasil no Novo Mundo do vinho é um farol, estamos na ponta do que há de mais correto em termos de implantação de Indicações Geográficas", acredita o Dr. Jorge Tonietto, da Embrapa.

Atualmente são sete regiões em diferentes níveis de preparação para a qualificação esperada de uma Indicação Geográfica. A região de Pinto Bandeira já está com seu processo em finalização no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que é o órgão brasileiro encarregado do reconhecimentos dessas áreas. Já em Monte Belo do Sul, que produz grande parte das uvas de nossos espumantes da Serra Gaúcha, o processo ficou mais lento, pois a associação que iniciou o projeto decidiu implementar normas ainda mais duras para a região.

"Queremos um regulamento mais restrito desde o início, para que a Indicação de Procedência seja reconhecida como séria, bem fiscalizada e ordenada e não somente como um atrativo comercial", conta Roque Faé, enólogo e viticultor da região, envolvido no processo da Indicação de Monte Belo.


Processo de IG no Brasil


No Brasil, para uma região chegar a ser uma Indicação Geográfica é necessário começar com um diagnóstico dos produtos vindos de lá, as variedades das uvas plantadas e melhor adaptadas, é preciso ter um terroir homogêneo, com caracterizações agronômicas. "A mudança de mentalidade dos produtores de uvas e de alguns vinhateiros, a alteração de alguns sistemas de produção e o aumento dos investimentos governamentais são fatores preponderantes na construção de uma IG. É um processo demorado antes mesmo de ser encaminhado para os órgãos oficiais", explica o especialista da Embrapa.

Processo de IG no Brasil No Brasil, para uma região chegar a ser uma Indicação Geográfica é necessário começar com um diagnóstico dos produtos vindos de lá, as variedades das uvas plantadas e melhor adaptadas, é preciso ter um terroir homogêneo, com caracterizações agronômicas. "A mudança de mentalidade dos produtores de uvas e de alguns vinhateiros, a alteração de alguns sistemas de produção e o aumento dos investimentos governamentais são fatores preponderantes na construção de uma IG. É um processo demorado antes mesmo de ser encaminhado para os órgãos oficiais", explica o especialista da Embrapa.

A advogada Kelly Bruch, que trabalha para o Ibravin com Indicações Geográficas, afirma: "A finalidade de uma Indicação Geográfica é a proteção de produtos (ou serviços) que sejam provenientes de uma determinada região e que tem peculiaridades, sejam elas referentes a fatores naturais (terroir) e/ou a fatores humanos (tais como o saber fazer, a tradição ou a cultura de uma determinada comunidade), que tornam estes produtos diferenciados, únicos". Ela também ressalta que uma Indicação Geográfica bem implantada é, para os consumidores de vinhos, a segurança de que aquele produto é genuíno e de procedência assegurada.





http://revistaadega.uol.com.br/artigo/entre-vinhas-e-siglas_1551.html
 

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Discussion Starter #7
Vinhos Finos x Vinhos de Mesa



Para entender a diferença entre vinho de mesa e vinho fino é necessário saber um pouco sobre a planta produtora da uva. A videira pertence ao gênero Vitis, que possui mais de quarenta espécies, entre as quais a Vitis vinifera, que, por sua vez, conta com mais de cinco mil variedades, como as famosas Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay. Existem ainda outras espécies, como a Vitis labrusca, Vitis rupestris, Vitis riparia e Vitis bourquina. Estas, chamadas de uvas de mesa (também conhecidas como uvas americanas), são mais adequadas para o consumo direto e para produção de sucos e uvas passas, mas também são capazes de produzir vinho, embora de qualidade inferior em relação aos produzidos com uvas Vitis vinifera (também chamadas de uvas finas). Disparidade causada pela sua diferença estrutural - a espécie Vitis vinifera é menor e tem casca mais grossa e densa.


Entenda o rótulo

Sendo assim, os termos "Vinho de Mesa" e "Vinho Fino" têm o papel de distinguir essas bebidas em duas categorias: os feitos a partir de uvas da espécie Vitis vinifera e os feitos com outras espécies. Sem saber a diferença entre eles, o consumidor pode acabar adquirindo produtos que não correspondem às suas expectativas.

Se em um rótulo ou contrarrótulo de vinho constar a denominação "Vinho Fino", quer dizer que a bebida é composta exclusivamente de uvas de melhor qualidade. E mesmo que venha escrito "Vinho de Mesa Fino", a bebida será completamente elaborada a partir de uvas Vitis vinifera, ainda que conste a palavra "Mesa" no rótulo. Assim, vinhos em cujo rótulo consta apenas o termo "Vinho de Mesa" é que serão elaborados com uvas americanas.


Por que diferenciar?

Essa distinção tornou-se necessária no Brasil, já que o país, por fatores econômicos ou culturais, é um dos poucos que permite a produção de vinhos com uvas americanas.

Isso se dá, porque durante nossa colonização as cepas da espécie de Vitis vinifera tiveram dificuldades para serem cultivadas, causando a prevalência da cultura de uvas de outras espécies, principalmente as tintas americanas Isabel e Concord e a branca Niagara.




Características

O vinho produzido a partir das uvas americanas, ou de mesa, tem aromas rústicos e paladar muito intenso, mas caiu no gosto popular do brasileiro pelo simples hábito de ser tomado em quantidade e pelo preço mais barato, e não propriamente pelas suas qualidades. Esse padrão cultural do brasileiro foi determinante para a criação de regras para distinguir os vinhos feitos a partir de uvas viníferas - finos - e os feitos a partir de uvas americanas - de mesa.

No que diz respeito à qualidade dos dois, aliás, a vantagem dos finos em relação aos de mesa é grande. Os primeiros são, em geral, límpidos e brilhantes, lembrando frutas, notas florais e uma infinidade de outras percepções (tanto no olfato quanto no paladar), enquanto os segundos costumam ser opacos, com aromas fortes e sabores simples.

Assim, antes de comprar sua garrafa de vinho, leia com atenção todas as informações do rótulo para se certificar de que você está escolhendo realmente o tipo de vinho que procura, lembrando-se sempre que no mundo do vinho experimentar é o caminho mais curto para descobrir o que se gosta. Tente algo novo, junte os amigos e descubra. A certeza é uma só, vai ser muito divertido e prazeroso.

http://revistaadega.uol.com.br/artigo/entenda-a-diferenca-entre-vinhos-finos-e-vinhos-de-mesa_2488.html
 

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Discussion Starter #8
(fim das postagens informativas)



Malbec de Mendonza é vida.
O malbec argentino é um dos meus vinhos favoritos (ai, ai, os Catenas...). Mendoza é o epicentro da produção vinícola argentina e dentro dessa DO, os malbecs de Lujan de Cuyo são os mais badalados.

Interessante é que muitos países produtores de vinhos acabaram adotando uma casta como símbolo e especialidade:

- Argentina: Malbec (que é de origem francesa, de Cahors);
- Chile: Carmenére (originária da França também e tida, por muito tempo, como extinta - tem uma história curiosíssima, aliás);
- África do Sul: Pinotage (cruzamento das castas Pinot Noir com Cinsault)
- Austrália: Shiraz
- Estados Unidos: Zinfandel (Primitivo, pros italianos);
- Nova Zelândia: Sauvignon Blanc;
- Espanha: Tempranillo;
- Portugal: Touriga Nacional;
- Uruguai: Tannat.

O Brasil tá tentando fazer isso com a Merlot.

A conferir.
 

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Discussion Starter #11
Romão,


Apareça pra nos dizer como é a experiência de degustar corriqueiramente seus Veuve Clicquots. :lol:
 

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Excelente iniciativa, Daniel.

Participarei com um afinco Dionísico do thread.
 

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O Brasil tá tentando fazer isso com a Merlot.

A conferir.
Fora os espumantes - que não são realmente a minha praia, mas onde o Brasil dá uma contribuição valorosa à vinificação, eu tenho tido excelentes experiências com os (poucos) vinhos nacionais que utilizam a Marselan.

A Marselan é um cruzamento da Cabernet Sauvignon com a Grenache.

Indico, particularmente, esse vinho aqui:



É um vinho realmente muito diferenciado, difícil de encontrar no novo mundo.

Parece vinho dos mais sofisticados do velho mundo.
 

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Discussion Starter #16
No meu caso, Moscatel do Douro que é vida.

A região do Douro só entrega vinhaço.



Ótima ideia Daniel Hume abrir este thread!

Eu procurei, procurei, procurei e não encontrei nenhum tópico sobre vinhos. Acho que o vinho merece um thread próprio.

Participe mesmo!


Excelente iniciativa, Daniel.

Participarei com um afinco Dionísico do thread.
hahaha

Eu sabia que você não me decepcionaria, besantos.

Bom gosto é contigo mesmo.


Fora os espumantes - que não são realmente a minha praia, mas onde o Brasil dá uma contribuição valorosa à vinificação, eu tenho tido excelentes experiências com os (poucos) vinhos nacionais que utilizam a Marselan.

A Marselan é um cruzamento da Cabernet Sauvignon com a Grenache.

Indico, particularmente, esse vinho aqui:



É um vinho realmente muito diferenciado, difícil de encontrar no novo mundo.

Parece vinho dos mais sofisticados do velho mundo.

Ótima dica. A Casa Valduga é muito bem conceituada.

Estou querendo mesmo me arriscar mais com vinhos nacionais. Já tomei bons vinhos brasileiros mas de poucos rótulos.

Tive boas experiências com a Salton e com a Aurora (cabernet sauvignon).

Aliás, tenho muita vontade de visitar algumas vinícolas do Vale dos Vinhedos.
 

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Discussion Starter #17
A propósito, sou muito fã da Garnacha (versão espanhola da Grenache).

Apesar de ser mais comum em blends, ela produz maravilhosos varietais.

Eu recomendo o da espanhola OGV (DO Calatayud), que é produzido com vinhas bem velhas e que, por isso, gera um vinho bem frutado.

 

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Acho muito interessante Enologia. Não entendo porra nenhuma.

Acompanharei.
Particularmente, entendo de beber. E só.

:lol::lol::lol:

"aromas frutados com traços de chocolate" é a mãe.
 
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