SkyscraperCity banner

2781 - 2800 of 2840 Posts

·
to gulag!
Joined
·
20,680 Posts
Pessoal. Podem me recomendar alguns livros clássicos para meu filho de 11 anos?
Textos que vocês já leram e recomendam muito.
Confio muito em suas dicas.
A revolução dos bichos
 

·
Registered
Joined
·
3,256 Posts
Terminei The Third Chimpanzee: The Evolution and Future of the Human Animal do Jared Diamond e comecei a ler Infidel da Ayaan Hirsi Ali. Estou numa fase que livros de ficção não estão me atraindo tanto. A grande maioria dos últimos livros que li e dos que pretendo ler no momento são relatos históricos, biografias e livros com base científica. Vocês também já passaram por isso?
 

·
Registered
Joined
·
1,197 Posts
Perguntas e dicas:


Livros que vão virar série e filmes


em 2020:

- Pátria, do espanhol Fernando Aramburu (Netflix - O livro foi um enorme sucesso na Espanha)

- A mulher na janela (filme)

- Pequenos incendios por toda parte (série na Hulu)

- Compaixão - uma história de justiça e redenção (filme)

- Morte no Nilo (filme)

- O Homem Invisível (filme)

- O Chamado Selvagem

- David Copperfield

- Toda luz que não podemos ver

- Mulherzinha



E ai, já leram algum desses?
 

·
Registered
Joined
·
3,417 Posts
Comecei o “Meridiano de Sangue”, só consigo pensar em como pude demorar tanto para ler esse livro.
 

·
Elegance and filth
Joined
·
13,318 Posts
Perguntas e dicas:


Livros que vão virar série e filmes


em 2020:

- Pátria, do espanhol Fernando Aramburu (Netflix - O livro foi um enorme sucesso na Espanha)

- A mulher na janela (filme)

- Pequenos incendios por toda parte (série na Hulu)

- Compaixão - uma história de justiça e redenção (filme)

- Morte no Nilo (filme)

- O Homem Invisível (filme)

- O Chamado Selvagem

- David Copperfield

- Toda luz que não podemos ver

- Mulherzinha



E ai, já leram algum desses?

Tenho Mulherzinhas e David Copperfield mas não li nenhum deles.


Comecei o “Meridiano de Sangue”, só consigo pensar em como pude demorar tanto para ler esse livro.

Livro foda bagarai, né? A Companhia das Letras precisa reeditá-lo urgentemente.
 

·
Elegance and filth
Joined
·
13,318 Posts
Da segunda metade do século passado pra cá, acho que o único livro que pode ombrear em qualidade com o Meridiano de Sangue é Pastoral Americana, do Roth.

Talvez O Teatro de Sabbath, também do Roth, esteja no mesmo nível de perfeição. Talvez.
 

·
Registered
Joined
·
3,256 Posts
Terminei Infidel, a ótima autobiografia da escritora somali Ayaan Hirsi Ali, que por sua experiência traça um excelente retrato da situação da mulher somali muçulmana onde a castração feminina durante a infância é comum. A autora que se refugiu nos Países Baixos para fugir de um casamento arranjado, foi eleita deputada no país em 2003 e pelo seu trabalho e em 2005 foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.

Iniciei Cem Dias Entre o Céu e o Mar do Amyr Klink.
 

·
Registered
Joined
·
30,468 Posts
O Malabarista, de Alessandro Kruschewky Pithon.

Livro maravilhoso! A carta que o filho faz pra mãe é de partir o coração!
Uma criação literária gostosa de ler , misteriosa e envolvente !
 

·
Registered
Joined
·
3,221 Posts
Finalizei Fausto, a obra-prima da literatura germânica, na semana passada.

É uma obra apaixonante. A busca pelo sentido da vida e pelo conhecimento é o cerne de todo o enredo, desde o Prólogo no Céu (claramente inspirado no Livro de Jó) até o último ato da segunda parte. Sapere aude. Poucas vezes uma obra mexeu tanto comigo em todos os sentidos, tanto intelectualmente quanto emocionalmente.

Foi uma das obras mais desafiadoras que já enfrentei, especialmente a segunda parte (Fausto II), o macrocosmo (a primeira parte é o microcosmo, o pequeno mundo). O simbolismo é permanentemente presente no livro, principalmente no Fausto II. São tantas as referências à religião e à bíblia, à mitologia germânica, aos demais clássicos da literatura, principalmente, às mitologias grega e romana que alguma pesquisa se faz imprescindível, mesmo com a ajuda das notas de rodapé.

A única parte que não apreciei tanto foi o terceiro capítulo do segundo ato da segunda parte, a Noite Clássica de Walpurgis. São numerosos personagens, que entram e saem de cena repentinamente; as ações não são claras e o enredo fica confuso. Além disso, é o capítulo mais extenso e o que mais possui referências à mitologia grega; como não sou versado no assunto a leitura demorou um pouco mais para fluir.

Daqueles livros que marcam a gente.

WAGNER. Ai! Quem vive encerrado em sua cela,
E só lá num domingo avista o mundo,
E mesmo assim de longe, por um óculo,
Como pode a arte ter de convencê-lo?!

FAUSTO. Se a fundo não sentis, jamais a tendes,
Se do íntimo d'alma vos não brota
E com espontânea, poderosa força,
Os corações não vence, dos ouvintes.
Estudai sem cessar, grudai palavras;
Dos restos de outrem cozinhai um prato;
Do acerto de cinzas que juntardes
Chamas mesquinhas assoprai a custo! (...)

WAGNER. Valha-nos o Senhor! A arte é longa
E a nossa vida, breve. Angustiados
Peito e cabeça em meus trabalhos críticos
Bastas vezes eu sinto. Quão custosos
Meios que às fontes guiam!
(v. 575-611)
 

·
Registered
Joined
·
1,197 Posts
Pessoal, dica para os amantes de história e não-ficção.

A Record lançará este mês a excelente obra do ex-presidente do FED, Alan Greenspan, com o historiador e jornalista da The Economist, Adrian Wooldridge, que conta a história do capitalismo nos EUA.

Foi considerado uma das melhores obras de economia/história pela Financial Times do ano de 2018.

 

·
Recursive
Joined
·
11,490 Posts
Tô rindo com a tradução que deram pra 'Little Women' :lol:
 

·
Elegance and filth
Joined
·
13,318 Posts
Por favor, compartilhe. :banana:


É besta mas vá lá: basicamente o Fausto, pelo Prólogo, não seria uma tragédia mas uma farsa (no sentido dramatúrgico). Isso porque todo o pathos pelo qual passa o protagonista foi fruto da aposta de Deus com Mefisto, descrita no começo do livro. E no final a gente sabe o que acontece, Fausto não morre nem vai pro Inferno, mas é arrebatado por anjos.

E Deus não só deixa claro que sabe o que vai acontecer como também faz questão de cientificar Mefistófeles.

Se em confusão me serve ainda agora,
Daqui em breve o levarei à luz.
Quando verdeja o arbusto, o cultor não ignora
Que no futuro fruto e flor produz
.



Claro que Mefisto gosta desse tipo de coisa, de joguete, de aposta. E ele, como diz Machado em A Igreja do Diabo, vive da negação.

Que apostais? Perdereis o camarada;
Se o permitirdes, tenho em mira
Levá-lo pela minha estrada!


E aí toda a peça vai se desenvolvendo no sentido de livrar Fausto dos problemas que ele entende serem insolúveis e definitivamente condenatórios. Mas sabemos desde o começo o que vai acontecer ao final. Então não só Fausto é um joguete, com sua vida sendo objeto de uma aposta, como a nossa própria percepção da narrativa, como leitor, também. A gente nem se dá conta e acha que tá caminhando para um fim supostamente trágico e na verdade está sendo manipulado.

Uma amiga já me objetou que seria sim uma tragédia o livro mas não a de Fausto mas a de Margarida. Ainda assim eu acho que não procede porque Margarida perece já no primeiro livro e nem aparece no segundo, reafirmando a noção de que o protagonista é Fausto mesmo. Bulgákov, parece querer desbordar esse fato dando o nome de O Mestre E Margarida ao seu livro. Ele reforça essa intenção urdindo essa estória com a de Jesus, que é verdadeiramente trágica. É engenhoso, de fato, mas corrobora a observação de que de tragédia o livro de Goethe tem muito pouco, já que precisou mexer substancialmente no título (e no argumento).

Então, no fim das contas, o Fausto de Goethe seria uma farsa contada por Deus e narrada no livro. Seria uma "peça dentro da outra", por assim dizer.
 

·
Registered
Joined
·
3,221 Posts
A sua teoria é muito boa e parece ser bastante procedente! Abriu-me ainda mais a mente. Confesso que não tinha pensado na trama pelo viés de Deus.

Curioso é que, se sua teoria estiver correta (infelizmente não temos como saber), Goethe subverte então todo o sentido da epopeia da trama original, que vem desde a lenda do século XV até a peça do Christopher Marlowe; ambas possuem um sentido moralizante e admoestador, típico das histórias do fim da Idade Média e do início da Idade Moderna.

A última fala de Mefistófeles na peça também reforça sua teoria, visto que ele parece sentir que foi feito de bobo:

És enganado já no fim da vida,
Mereceste-o! Para ti corre mal tudo!
Nisto andei o pior possível.
Perdido, que vergonha!, um gasto imenso!
Apetite vulgar, paixão absurda
Do experiente demo se apoderam.
Quando o prudente, o esperto perdeu o tempo
Em tão pueril, imbecil brincadeira,
A demência deveras não é pouca
Em que veio a cair, no dia extremo.


A propósito, ainda não li O Mestre e Margarida e nem Doutor Fausto. Com certeza já estão na lista de leituras.
 

·
Elegance and filth
Joined
·
13,318 Posts
A sua teoria é muito boa e parece ser bastante procedente! Abriu-me ainda mais a mente. Confesso que não tinha pensado na trama pelo viés de Deus.

Curioso é que, se sua teoria estiver correta (infelizmente não temos como saber), Goethe subverte então todo o sentido da epopeia da trama original, que vem desde a lenda do século XV até a peça do Christopher Marlowe; ambas possuem um sentido moralizante e admoestador, típico das histórias do fim da Idade Média e do início da Idade Moderna.

A última fala de Mefistófeles na peça também reforça sua teoria, visto que ele parece sentir que foi feito de bobo:

Quando o prudente, o esperto perdeu o tempo
Em tão pueril, imbecil brincadeira,
A demência deveras não é pouca
Em que veio a cair, no dia extremo.


A propósito, ainda não li O Mestre e Margarida e nem Doutor Fausto. Com certeza já estão na lista de leituras.


O legal é isso, não há uma teoria "correta". A literatura é, como diz o Vargas Llosa, A Verdade das Mentiras. A grande literatura tem justamente esse papel, de potencializar as possibilidades da vida, do humano.

Mas o que deixa tudo mais desconcertante pra quem leu o Fausto de Goethe (pelo menos pra mim foi assim) é a discrepância entre o livro I e o II - não sei se notou isso também. Não só no estilo, com o gritante contraste entre o classicismo e o romantismo de uma e outra parte, mas também na mudança dos rumos da história. Parecem ser dois livros completamente distintos. E que foram escritos em épocas totalmente diferentes pelo autor e que mesmo assim achou por bem uni-los.

Fausto é mesmo uma das pedras angulares da cultura ocidental. O mito por si já era fascinante. Recriado pela pena de um dos maiores gênios da humanidade então, ganhou peso e eternidade. Não é à toa que inúmeros escritores desde então trataram criaram seu próprio Fausto (reforçando a noção de "angústia da influência" do Bloom).
 
2781 - 2800 of 2840 Posts
Top