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^^ Eu vou totalmente na contra-mão de tudo isso que é dito nessa matéria. Na "Era Digital" eu digitalizei o livro, dei adeus a rinite, doei a grande maioria dos meus livros de papel (preservo livros de fotografia e arte), diminui o meu tempo organizando e limpando livros e estantes, aliás diminuir as estantes e a minha residência "respira" muito melhor. Leio hoje no kindle muito mais do que lia quando utilizava apenas livro físico por um custo menor e o tempo rende mais. Utilizei a tecnologia ao meu favor (dando praticidade ao hábito da leitura) e não contra (não me deixando distrair por feeds recheados por conteúdos irrelevantes e notificações que só servem para distrair do que é essencial). A crise, ao meu ver, não é do livro, mas da leitura. na "Era da Informação" a maior parcela da sociedade opta pelas redes sociais para se informar, mas esquece que um livro é uma obra sedimentada, que demanda muito esforço, pesquisa e organização para se concretizar, enquanto a maior parte da informação na internet é volátil, instantânea, não demora para perder a validade.
 

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NON FVCKOR FVCKO
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Nessa época eu só conseguia frete grátis (o que, para alguém de MS, faz toda diferença) nas compras acima de R$ 100,00. Então eu ia todo dia no site da Amazon olhar se havia promoções dos livros da minha lista de desejos e os reunia até dar o valor mínimo para isenção de frete. Era uma engenharia complexa e que me causava sérios problemas emocionais colaterais (como, por exemplo, ter que deixar livros muito desejados de fora para não ficar muito cara a compra).

Hoje, sendo cliente Prime é mais tranquilo. Se apenas um livro entrou em promoção eu vou lá e compro, sem me preocupar com frete. Então meus surtos são mais, digamos, suaves. :lol:


https://live.staticflickr.com/65535/49557856686_6956b52efc_o.png[/im


Repare nas pechinchas. Eu não podia deixa passar [I]Em Busca do Tempo Perdido[/I] completo por menos de R$ 80,00.[/QUOTE]

Dessa sua lista já li [I]A obra em negro[/I] e [I]A guerra das salamandras[/I] (além de [I]Micróbios[/I]), boas compras, aliás hehe. A Marguerite Yourcenar é uma esteta maravilhosa, tu consegue ver o labor lírico por detrás de cada frase, arrisco a dizer que é uma dos mais fodas escritores franco-belgas do século XX, até porque não conheço outros. :colgate:
 

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Dessa sua lista já li A obra em negro e A guerra das salamandras (além de Micróbios), boas compras, aliás hehe. A Marguerite Yourcenar é uma esteta maravilhosa, tu consegue ver o labor lírico por detrás de cada frase, arrisco a dizer que é uma dos mais fodas escritores franco-belgas do século XX, até porque não conheço outros. :colgate:


Dela eu li Memórias de Adriano e gostei muito.
 

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Terminei a leitura de Butcher's Crossing. Livro muito bom, uma espécie de Moby Dick do western (Miller certamente foi inspirado em Ahab e Andrews em Ishmael).

John Williams é um bom escritor, de pegada neoclássica e realista e tem uma obsessão pela simetria e pelo equilíbrio. Embora às vezes descambe um pouco para a pieguice no tratamento psicológico das personagens, em geral suas descrições paisagísticas são lindíssimas.

Recomendo bastante esse livro e agora vou atrás da obra-prima dele, Stoner, também da Rádio Londres.
 

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Por que esses livros são tão caros? :no:


São edições caprichadíssimas, de ótimos títulos, com traduções primorosas (e muitas inéditas) e que, com a falência da Cosac, saíram de catálogo.

Então são mais do que livros, são itens de colecionador.
 

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Esse vídeo vai dar muuuuita polêmica entre os fãs. :lol:

Estive esperando essa resenha há tempos. Uma pena que a questão da tradução tenha se sobressaído tanto. E uma pena também que a Tati tenha errado a pronúncia da maioria dos nomes específicos (mas isso não é um problema, ninguém é obrigado a saber a pronúncia correta de palavras inventadas).

Esse imbróglio da tradução é um embate entre os fãs tolkieanos há muito tempo. Basicamente, a questão é essa: os fãs xiitas argumentam que as primeiras traduções, do século passado, não deram o devido cuidado ao universo do Tolkien, porque não foram feitas por pessoas imersas no universo, mas sim por – apenas – tradutores, não versados no universo tolkieano.

Então, com a compra pela HarperCollins do direito de publicação das obras de Tolkien no país, viu-se a oportunidade de delegar a tradução a especialistas brasileiros em Tolkien – no caso, Ronald Kyrmse e Reinaldo José Lopes. São pessoas com doutorado na obras de Tolkien. Verdadeiros estudiosos do Legendarium; dedicaram suas vidas ao estudo das obras.

A questão é: isso não os qualificam como bons tradutores. Eles traduziram do zero, sem nem consultar as edições da MartinsFontes, para não serem "contaminados". O Ronald, o Reinaldo e os fãs xiitas achavam (acham) as primeiras traduções muito pouco formais em seu estilo, e por isso tentaram emular certo arcaísmo e floreio desnecessário, o que na minha opinião fez o texto ficar muito forçado e truncado. O original não tem uma estrutura de linguagem tão formal e arcaica como eles fazem parecer.

Isso sem contar a troca de orcs por orques; anões por anãos; goblins por gobelins e outras trocas feitas mais para "marcar a tradução". Eu, particularmente, achei todas essas trocas desnecessárias, mas não afetam em nada a leitura. Briga infantil.

Eu fiz as minhas leituras com a tradução das MartinsFontes e gosto muito. O texto é fluido e gostoso sem ser informal; fica no meio-termo entre o formalismo exacerbado e a simplicidade. O texto da HarperCollis, mais "purista", é exagerado e muitas vezes truncado, mas mais formal e bonito em sua essência. No começo, para quem vem da MartinsFontes, o estranhamento é evidente, mas no fim se acostuma.
 

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Este thread tá muito parado, cadê os bibliófilos do SSC?!

Não nos esqueçamos que a Literatura é a grande verdade das mentiras. Nela o mundo já acabou. E, ânimo!, sobrevivemos.


A SEGUNDA VINDA
- W. B. Yeats -


A girar e a girar, num amplo círculo,
O falcão já não ouve o falcoeiro:
As coisas desmoronam, sem um centro;
Mera anarquia alastra-se no mundo;
Cresce uma onda de sangue, e em toda parte
Se afoga a cerimônia da inocência;
Hesitam os melhores, e os piores
Estão cheios de acesa intensidade.



[...]
 

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o melhor está por vir
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Esse vídeo vai dar muuuuita polêmica entre os fãs. :lol:

Estive esperando essa resenha há tempos. Uma pena que a questão da tradução tenha se sobressaído tanto. E uma pena também que a Tati tenha errado a pronúncia da maioria dos nomes específicos (mas isso não é um problema, ninguém é obrigado a saber a pronúncia correta de palavras inventadas).

Esse imbróglio da tradução é um embate entre os fãs tolkieanos há muito tempo. Basicamente, a questão é essa: os fãs xiitas argumentam que as primeiras traduções, do século passado, não deram o devido cuidado ao universo do Tolkien, porque não foram feitas por pessoas imersas no universo, mas sim por – apenas – tradutores, não versados no universo tolkieano.

Então, com a compra pela HarperCollins do direito de publicação das obras de Tolkien no país, viu-se a oportunidade de delegar a tradução a especialistas brasileiros em Tolkien – no caso, Ronald Kyrmse e Reinaldo José Lopes. São pessoas com doutorado na obras de Tolkien. Verdadeiros estudiosos do Legendarium; dedicaram suas vidas ao estudo das obras.

A questão é: isso não os qualificam como bons tradutores. Eles traduziram do zero, sem nem consultar as edições da MartinsFontes, para não serem "contaminados". O Ronald, o Reinaldo e os fãs xiitas achavam (acham) as primeiras traduções muito pouco formais em seu estilo, e por isso tentaram emular certo arcaísmo e floreio desnecessário, o que na minha opinião fez o texto ficar muito forçado e truncado. O original não tem uma estrutura de linguagem tão formal e arcaica como eles fazem parecer.

Isso sem contar a troca de orcs por orques; anões por anãos; goblins por gobelins e outras trocas feitas mais para "marcar a tradução". Eu, particularmente, achei todas essas trocas desnecessárias, mas não afetam em nada a leitura. Briga infantil.

Eu fiz as minhas leituras com a tradução das MartinsFontes e gosto muito. O texto é fluido e gostoso sem ser informal; fica no meio-termo entre o formalismo exacerbado e a simplicidade. O texto da HarperCollis, mais "purista", é exagerado e muitas vezes truncado, mas mais formal e bonito em sua essência. No começo, para quem vem da MartinsFontes, o estranhamento é evidente, mas no fim se acostuma.
Outro ponto que alegam é que há cortes na edição da Martins Fontes.
 

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Li A Humilhação (P. Roth) esses dias...sei lá, não gostei.

Mais que deprimente, há um tom de desesperança naquelas páginas, algo desolador. Não há quem goste disso, não é?
E conseguiu me deixar bastante intrigado, por dias.
Ou seja, é uma boa obra, sim :).
 

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Li A Humilhação (P. Roth) esses dias...sei lá, não gostei.

Mais que deprimente, há um tom de desesperança naquelas páginas, algo desolador. Não há quem goste disso, não é?
E conseguiu me deixar bastante intrigado, por dias.
Ou seja, é uma boa obra, sim :).

É o piorzinho da tetralogia, também não curti muito. Os melhores são Homem Comum e, principalmente, Nêmesis. O outro livro, Indignação é ok. Mas sim, é uma tônica dos livros do Roth essa carga trágica e esses últimos livros são ainda mais pesados. Nêmesis, aliás, é um livro que tem tudo a ver com o momento pelo qual passamos (trata de um surto de pólio). São livros repletos de digressões sobre a morte, decadência física, degradação psicológica, internações hospitalares, surtos psicóticos, epidemias, etc...

Agora, se não curtiu essa pegada de desesperança, melancolia e paisagem moral em ruínas, eu sugiro nem passar perto dos livros do McCarthty, do DeLillo, do Coetzee, do John Williams, do Faulkner... :lol:

Eu adoro livros assim porque são extremamente atuais, dialogam diretamente com o nosso tempo, de decadência e degradação. E atmosferas assim oferecem uma grande gama de possibilidades temáticas na Literatura.
 

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Putaria e abominação!, é o que sempre bradava Doc Hines em Luz em Agosto, aliás... :lol:
 
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