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The Modernist
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Olá a todos!

Esse é meu primeiro thread por aqui, embora já faça parte do forum a algum tempo. Mesmo não sendo estudande de arquitetura a algum tempo me interesso pelo assunto, que passei a conhecer através de um estudo da obra de Oscar Niemeyer que já dura 5 anos!

Já mencionei aqui que já li quase tudo oque já foi escrito sobre sua arquitetura, e por isso mesmo estou criando esse thread. Após toda esse pesquisa eu cheguei a uma rápida conclusão de que a maioria das pessoas (e, portanto, dos participantes desse forum) no geral não realmente conhecem a obra dessa grande brasileiro.

Através de fotos feitas durantes algumas de minhas viagens e outras figuras provenientes da fantástica tese de Danilo Matoso Macedo - Da Matéria à Invenção – pretendo fazer um rápido resumo do grande corpo de produção do arquiteto modernista em ordem cronológica. Espero que gostem!

Ministério da Educacão e Saúde – Rio de Janeiro 1936-1945



Esse edifício dispensa apresentações, porém é um importante marco do início do modernismo arquitetônico no Brasil e da carreira de Oscar Niemeyer. Não fazendo parte da equipe inicial selecionada para projetar o edifício, acabou se tornando o principal arquiteto do grupo, definindo o partido principal do edifício alto no centro do terreno sobre altos pilotis – criando uma arquitetura urbana que seria a inveja do mundo na época.



Cassino da Pampulha – Belo Horizonte 1943



O Cassino da Pampulha foi o promeiro projeto de Oscar Niemeyer para o novo bairro pretendido pelo prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek. Segundo relato do próprio Niemeyer o projeto básico do cassino foi desenvolvido em apenas uma noite para atender a pressa de JK.
Por ser constantemente mencionada por seu autor e relacionada a obra de Brasília, pampulha é provavelmente o mais famoso trabalho de Niemeyer após nossa capital. Estranhamente os críticos do atual e centenário Niemeyer tendem a se esquecer de todos esses anos de seu trabalho. :|



O edifício é uma bela interpretação - variations on a theme – da linguagem corbusiana que desde a década de 1920 era a base do funcionalismo europeu. A trancrição dessa linguagem para um programa burguês e dionísiaco teve suas críticas, especialmente daqueles que defendiam uma nova arquitetura responsável por não apenas se ajustar às novas técnicas construtivas, mas moldar uma nova sociedade.







As fotos mostram muito bem a preocupação de Oscar por uma arquitetura realmente moderna e adequada à situação brasileira. O edifício é extremamente aberto e transparente. Tudo isso sem o inconveniente da insolação, visto que a orientação do terreno ditou a disposição dos três principais volumes que compõem o cassino. Os serviços e os banheiros localizam-se na face exposta ao ao sol, de modo que essas fachadas protejam o grande salão do calor excessivo.





Essa foto mostra um detalhe do elegante sistema de circulação do edifício, que prevê caminhos independentes para funcionários, artistas que se apresentem no auditório e jogadores.
As fachadas e plantas são sempre moldadas por traçados reguladores, mostrando uma preocupação quase clássica para suas composições. Esse é um dos motivos, junto com as simples e elegantes composições volumétricas, pelos quais muitos historiadores ligam a obra de Niemeyer ao classicismo.



Atualmente o cassino abriga o Museu de Arte da Pampulha, uma função completamente em desacordo com o projeto.

Iate Clube e Residência Kubitschek - Belo Horizonte 1943

O Iate Clube segue a mesma linha que o cassino, sendo um grande salão de festas debruçado sobre a lagoa. No térreo estariam a garagam de barcos, vestiários e demais serviços pertinentes ao programa.
Essa construção inaugura o telhado borboleta que tanto se difundiu pelo país, sendo copiado em excesso, na maioria das vezes por arquitetos sem muito talento.
A forma do telhado não era apenas um capricho estético, mas sim uma decorrência da organização espacial interna, com uma concha acústica dividindo o salão do restaurante.





O clube possui um imenso Portinari, criado por encomenda do Niemeyer.


De todos os edifícios do conjunto da pampulha, o cassino foi o que mais sofreu descaracterizações, provavelmente por ser privado. Escadas foram subtraídas, outras adicionadas, e a garagem de barcos fechada como decorrência da poluição da lagoa.



O telhado borboleta foi também utilizado na casa de JK.



O jardim de Burle Marx hoje se encontra bastante desenvolvido:





Casa do Baile - Belo Horizonte 1943



Esse pqeueno edifício com um programa extremamente simples inaugura um elemento que se tornará uma das marcas registradas do modernismo arquitetônico brasileiro. Sua marquise em forma livre, curvando-se e segundo o contorno da ilha onde o edifício se localiza é uma invenção de Niemeyer. Embora a forma livre já houvesse sido anteriormente utilizada até mesmo por Corbusier, sua aplicação exterior em grande escala (comparada ao restante construído) cria um espaço fluído e leve que integra paisagem natural e construída, tal como dilúi ainda mais veementemente a divisão interior/exterior.





Essa marquise representa o início da percepção de Niemeyer sobre uma qualidade inerente à tecnologia do concreto armado cuja exploração pelo grande mestre o tornaria um dos mais influentes arquitetos do século.

Igreja São Francisco de Assis – Belo Horizonte 1943-1945

A famosa Igrejinha da Pampulha dispensa apresentações, e por isso mesmo não vou me delongar nela.



Considerada a obra prima do conjunto, representa uma revolução na arquitetura mundial. Pela primeira vez uma estrutura em casca parabólica (que converte esforços distribuídos – tal como o peso – em compressão pura) é utilizada numa construção digna de arquitetura representativa (uma igreja). Anteriormente o conreto havia sido usada dessa maneira apenas em pontes e depositos (Maillard/Perret), onde considerações econômicas guiavam o projeto.

É a partir desse projeto que Niemeyer decide aproveitar-se da maleabilidade do concreto armado para explorar estrutura como elemendo definidor do espaço. Em projetos corbusianos anteriores tais como o cassino e o Banco Boa-Vista as colunas já se mostravam aparentemente destituídas da função estrutural dado à gracilidade de suas proporções, porém a Igrejinha elevou isso a um novo patamar.

Niemeyer é um grande arquiteto pois foi pioneiro na exploração das possibilidades construtivas de um novo material, fazendo isso em leves e elegantes composições que definiram o espírito de um país durante uma determinada época.
Junto com o Ministério de Educação e Cultura, atual Palácio Gustavo Capanema, esse projeto ajudou a definir o que veio a ser conhecido como o Brazilian Style, tão elogiado mundo afora.

Conjunto Governador Juscelino Kubitschek - Belo Horizonte 1951



Após a experiência da Pampulha Niemeyer mantém sua fama internacional através de projetos que representam bem o estilo brasileiro. Porém a partir de aproximadamente 1950 ele entra em uma nova fase em sua carreira marcada por pesquisas estruturais. Sua arquitetura reflete seu imenso potencial criativo e cria diversas novas formas que enriqueceram o repertório do concreto. Faz parte dessa fase o Ibirapuera em São Paulo e o conjunto JK.

Baseado na Unité d'Habitation em Marselha, de Le Corbusier, o empreendimento que inicialmente previa apenas uma torre expandiu-se num enorme programa contendo mais de 1000 apartamentos e serviços no térreo. O projeto ambicioso teve uma execução marcada por problemas financeiros e interrupções devido a problemas com a empresa responsável pela construção.
Niemeyer por muito tempo recusou autoria do projeto, muito provavelmente pelas mudanças em seu projeto original ocorridas durante a execução. Uma delas é exemplificada pelos pilotis em W, que devido ao enorme tamanho da lâmina do edifício necessitou ser alargada (devido ao contraventamento) e passando uma indesejada sensação de peso – o contrário da marca pessoal de Niemeyer.





No geral o prédio é bastante agradável, com halls amplos e bem iluminados. A maioria dos apartamentos simples, porém, são bem pequenos devido ao plano inicial de habitação coletiva que previa serviços comuns aos andares – tais como lavanderia. Eles dispõe de ventilação cruzada caso a janela do quarto e da sala (em lados opostos da torre) estiverem abertas.
Preciso aproveitar para agradecer a generosidade do povo mineiro em geral. Fui convidado por um casal de moradores a conhecer seu apartamento apenas por estar tirando fotos do edifício! Concordo com o que meu irmão sempre disse: Os mineiros são o povo mais gente boa desse país!







Atualmente o conjunto passa por uma ampla restauração que já vem mostrando resultado. Antes com péssima reputação, o edifício volta a ser bastante procurado por casais jovens e pequenas famílias.



Observando a maquete é novamente possível observar a ótima volumetria Niemeyeriana – porém, na escala gigantesca do empreendimento, qualquer senso de escala humana é perdido. Talvez por isso seja um dos projetos amargos na lembrança do Oscar.



Parque do Ibirapuera – São Paulo 1951



Como já mencionado, nessa época Niemeyer buscava novos sistemas estruturais para suas obras.O parque do Ibirapuera é um belo exemplo de sua criatividade formal. O primeiro projeto do parque mostrava pavilhões com estruturas porticadas que, devido a prazo e fatores econômicos, precisaram ser simplificados, resultando nos prédios sóbrios onde o conjunto volumétrico unido pela marquise é o atrativo, ao invés dos edifícios individualmente.





O pavilhão da criatividade brasileira se encontra em reformas.





Fora do parque, porém parte do conjunto, foi construído o Palácio da Agricultura, um edifício em altura que recentemente foi reformado para abrigar o MAC-USP. Ele possui os famosíssimos pilotis em V que se tornaram extremamente populares na década de 1950 (eles já haviam sido usados anteriormente no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro)















A foto da construção mostra como esse piloti surgiu da vontade do arquiteto de liberar ao máximo o piso sem alterar a lógica do sistema estrutural (o que foi feito no edifício Niemeyer em Belo Horizonte). Isso, porém, não foi percebido pelo arquiteto e artista gráfico Max Bill, que durante a primeira Bienal de São Paulo faz duras (e primeiras) críticas à arquitetura moderna brasileira. Seu alvo principal são alguns caprichos de Niemeyer que, durante essa faze de experiências e extrema produção, de fato produziu algumas obras duvidosas e renegadas por ele até hoje.

A reação de Niemeyer a essa crítica, junto com uma autocrítica feita após uma viagem pela Europa, o levou a uma nova fase da sua carreira marcada por princípios de concisão e pureza, iniciada no Museu de Arte Moderna de Caracas e culminando em Brasília.

Sede do Banco Mineiro da Produção - Belo Horizonte 1954



Esse edifício exemplifica a relativa austeridade do trabalho urbano de Niemeyer, onde ele mesmo diz que prefere manter uma unidade à criar trabalhos excessivos em expressão individualística.







O interior do edifício está bastante descaracterizado. A fachade principal requer uma restauração também, principalmente a remoção de aparelhos de ar condicionado (ar central seria uma solução certa em caso de reforma geral). Porém o edifício ainda encanta na suavização da transição da fachada com e sem brise-soleil (através da extensão de brises intercalados). A força verticalizante do prédio é enfraquecida propositalmente com a ausência de alguns brises, novamente formando a razão áurea.

Edifício Niemeyer - Belo Horizonte 1954



Outra construção que dispensa apresentações. Uma curiosidade sobre o prédio é seu nome – ele homenageia o maior neuro-cirurgião do Brasil na época (e irmão do arquiteto), Paulo Niemeyer. Seu filho de mesmo nome também é renomado na mesma área atualmente.



Devido à sua forma peculiar sempre houve o mito de que os apartementos fossem mau divididos, o que é uma afirmação falsa. As curvas do edifício são resolvidas em planta nos banheiros e circulação. Para tal, foi necessária a adoção de dois sistemas estruturais independentes – o do pilotis no térreo e um outro mais convencional para os apartamentos. Esse é o motivo da laje de transição de aproximadamente 2 metros entre os dois primeiros brises-soleil. A imagem abaixo mostra esses dois sistemas sobrepostos (em vermelho a estrutura dos apartementos).



Biblioteca Pública Estadual - Belo Horizonte 1954



Ingeniosamente implantado na praça da liberdade, essa biblioteca já mostra os primeiros passos à simplificação da linguagem arquitetônica de Niemeyer – embora o tratamento das fachadas ainda se utilize de diversos artifícios de proteção solar. O projeto também não foi plenamente executado de acordo com o projeto.







Colégio Estadual Central – Belo Horizonte 1954



Este é um grande favorito meu. Com exceção de outros projetos de programa ambicioso/representativo, esse mostra Niemeyer on his best. Nessa escola o melhor do modernismo arquitetônico pode ser percebido – é uma obra de qualidade mundial junto com os trabalhos de Gropius, Corbusier e Mies van der Rohe. Ela também ajuda a explicar a atual incompreensão por parte de muitos sobre a arquitetura de Niemeyer.

Para todos que conhecem esse colégio, a imagem que vem à cabeça é a figura aerodinâmica do auditório, que recentemente virou o logotipo do colégio (renomeado Governador Milton Campos). Porém, aqui Niemeyer se utilizou de uma estratégia característica dele – reverter a hierarquia dos volumes construídos. O maior destaque plástico é dado ao elemento secundário do programa – o mais importante é de fato o bloco horizontal sobre pilotis contendo as salas de aula.

Para os desinformados, as colunas em V preenchidos do térreo podem novamente se passar pelos caprichos gratuitos do arquiteto. Não é a verdade: a estrutura porticada desse bloco, modulado com as larguras das 30 salas de aula, apresentam um pequeno momento fletor próximo à base das colunas, sugerindo o perfil adotado.



A seção também mostra como a ventilação cruzada foi elemento definidor do perfil do bloco. Além do mais, o lado com maior incidência solar possui uma fachada com apenas duas fileiras de janelas por questões de conforto – a mais baixa delas na altura dos olhos dos alunos sentados.





Ao passear pelo terreno fica claro a beleza dos espaços definidos pelas construções, novamente ordenados de uma maneira precisamente calculada:















O diagrama abaixo mostra a lógica na escolha da forma do auditório:






O mestre trabalhando

Novamente é necessário agradecer ao diretor do colégio por permitir minha entrada na escola durante as férias! :D

Sede do Partido Comunista Francês – Paris 1965



Aqui Niemeyer já se encontra no pós Brasília – exilado após o golpe de 1964, mantém um escritório na Champs-Élysées.

A força expressiva do conjunto é tão impressionante quanto sua força icônica. É desconcertante o quão bem o edifício se relaciona com o entorno – fruto da intuição de Niemeyer. Como todas as obras boas do pós-Brasília, o sucesso da arquitetura conta com o detalhamento de um parceiro extremamente talentoso: Jean Prouvé. Para a cortina de vidro da fachada principal foi desenvolvido um sistema de esquadrias forjadas de ferro frio – mais simples e barato impossível! O resultado é surpreendente.





A entrada do edifício se dá no subterrâneo, criando um interior tão fantástico que o edifício já foi escolhido por duas marcas de luxo para seus desfiles. O contraste da entrada cavernosa com os escritórios praticamente transparentes também impressiona.


http://www.flickr.com/photos/iainmclauchlan/3951009403/

Sede da Editora Mondadori – Milão 1968


http://www.thehourlounge.com/upload/post/fullsize/Editora_Mondadori_IV(1).jpg

Niemeyer ganhou essa comissão de Arnoldo Mondadori após ele se impressionar com o Palácio do Itamaraty em Brasília. Quando decidiu construir a nova sede de sua editora – a maior da Itália – pediu um palácio similar a Oscar. Voltou a recorrer ao arquiteto brasileiro quando quis construir uma casa para sua mulher no sul da França.



Embora as colunas sejam similares àquelas do edifício de Brasília, Niemeyer alterou seus arcos – antes plenos, no edifício milanês esses assumem uma equação paramétrica que permite uma variação nos vãos, criando um efeito musical. O esquema estrutural também é muito mais audacioso: enquanto no Itamaraty a colunata exterior sustenta apenas a cobertura, na editora Modadori eles suportam os cinco andares, numa solução que inspiraria a Cidade Administrativa de Minas Gerais.



Enquanto o Palácio Tiradentes exprime uma grande força estrutural, o Palazzo Mondadori repete a leve elegância do Itamaraty, e sua colunata variável cria diferentes modulações internas que permitem escritórios de diversos tamanhos e níveis de privacidade. Enquanto O vão da sede Mondadori é uma reflexão do flexível espaço interno. O de Belo Horizonte é apenas um recorde.

Museu de Arte Contemporânea – Niterói 1991



Uma das últimas obras de grande valor arquitetônico projetada por Niemeyer. Segue a idéia do Museu de Arte de Caracas de criar um contraste monumental com a natureza ao redor, redefinindo a paisagem.



O que vemos aqui é o octagenário Niemeyer, impressionando pela força e contraste, ao invés da elegância e exuberante discrição.

CONCLUSÃO

Como pode ser observado, a obra de Niemeyer passa por diversas fases:

1- Racionalismo: MES, Obra do Berço, Clube da Cidade Universitária


Pavilhão Brasileiro na Feira Mundial de 1939 em Nova York

2- Ensaios Nativistas: influenciado por Lucio Costa, projeta o hotel de ouro preto e a residência Ignácio Peixoto em Cataguases com elementos coloniais, tais como telhas e muxarabis.

3- Estilo Brasileiro: inicia-se em Pampulha e define o que muitos arquitetos copiaram durante a década seguinte.




Residência Burton Tremaine, Montecito 1947

4- Pesquisas estruturais: explora ao máximo o concreto armado.


Praça de Esportes de Diamantina



Nessa escola de diamantina nota-se como uma fase adentra a outra, indicando um processo de evolução. Aqui volume puro determina plasticamente o edifício mais que as colunas enviesadas que dominavam antes. É importante notar que ele ainda não é indiferente ao contexto, projetando um edifício que se liga às construções coloniais na sua simplicidade volumétrica e construtivas, sendo também discreto na paisagem ao mimetizar o terreno com a inclinação da cobertura:



5- Brasília: na verdade a culminação de sua revisão autocrítica onde simplifica drasticamente sua arquitetura – descartas muitos elementos anteriores que haviam sendo mal utilizados por arquitetos medianos, tais como brises, formas livres, marquises etc. Foca nas composições volumétricas.




Museu de Arte Moderna de Caracas

A catedral de Brasília é o maior exemplo da delicadeza estrutural e da pureza volumétrica pelas quais Niemeyer é tão famoso.

6- Pós-Brasília: tende cada vez mais a simplificar sua arquitetura a volumes puros, alterando seu método projetual para dar enfase primária à beleza, e depois a função.

Através do estudo do Colégio Estadual Central eu concluí que a criatividade formal de Niemeyer é uma das causas para a má recepção de Niemeyer hoje. Embora o sóbrio bloco de aulas seja o ponto alto da arquitetura naquele projeto, belo bloco escultural leva toda a fama. A inversão no método projetual de Niemeyer a partir de Brasília que prima forma externa também não ajudou. O mito de que ele é apenas um escultor que não liga para a funcionalidade de seus edifícios perpetuou-se, portanto, com sua excepcional longevidade!

Seria bom que, quando ouvíssemos o nome Niemeyer, todos nós lembrassemos daquele fantástico arquiteto de 1934-1991. Eu particularmente me lembro de suas pesquisas estruturais :)
 

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Parabéns por revisitar uma parte, ainda que pequena, da vasta obra do mestre Niemeyer. Tenho lido nos jornais só críticas absurdas e idiotas, geralmente vindas de pessoas sem cultura ou formação, gente com menos de 30 anos que adora os neoclássicos cheios de firúlas que empesteiam nossas cidades, e para quem o lendário arquiteto é só um velho longevo que projetou prédios esquisitos. Gente que não entende, ou nem faz ideia do que seja, o caráter monumental e único da obra modernista de Oscar Niemeyer, aclamado no mundo todo como um gênio da arquitetura, mas considerado uma unanimidade burra em seu país pelas novas gerações acéfalas.
 

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The Modernist
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Discussion Starter #7
^^
Obrigado pelos comentários, e concordo com tudo o que vc disse. Esse thread já levou mais de duas horas para ser feito, e é apenas uma pequena introdução à grande obra do mestre, que é grande não apenas em quantidade, mas em qualidade.
Pretendo continuar viajando para conhecer sua obra, especialmente aquelas belas e perdidas pelo país afora!
 

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Fat Pardo Man
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RPFigueiredo, o MAC Niterói é de 1996.
Se for o projeto, é de 91. Se for a obra pronta, é de 96 (por sinal o MAC foi inaugurado no dia do meu aniversário de 7 anos - 2/9/1996). :p
 

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Entrei aqui apenas para ler e admirar os projetos. Mas não consegui, precisei comentar.

Primeiramente, parabéns pela pesquisa, pela paciência e pela forma como construiu esse thread!

Ficou para mim, e espero que para muitas outras, a certeza de que a obra de Niemeyer é tão rica e linda, mas tão estigmatizada hoje em dia, especialmente aqui no Brasil. Fica também a certeza de que falta dar valor à história, falta cultura arquitetônica à muitos brasileiros, inclusive graduados.

Difícil explicar, mas adentrar uma obra do Niemeyer me traz um estranhamento, uma sensação de algo diferente, estranho e belo. Foi assim quando visitei Brasília. Quando entro nos prédios do Memorial da América Latina, Museu de Arte Contemporânea em Niterói...

As linhas do mestre são inconfundivelmente belas nestas obras apresentadas aqui.

Esse thread veio como uma grata homenagem ao Niemeyer. E chegou até a me emocionar com o estado de saúde atual do mestre. Bom fazer homenagens em vida à quem tanto merece.

Obrigado pelo thread! :)
 

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Como esse thread calou a boca de tanta gente nesse fórum! Sempre gostei de quase todas obras de Niemeyer, mas esse thread só mostra o quanto ele É importante e como merece ser estudado pelos amantes da arquitetura (como eu, um enfermeiro fascinado com arquitetura).

Duas coisas: nunca entrei no Estadual Central, o que é aquele auditório? Fiquei realmente fascinado, como que 58 anos depois continua sendo tão contemporâneo? Coloca esse projeto aqui com o nome de Gustavo Penna pra vc ver como os "anti-niemeyerianos" morreriam, teriam orgasmos múltiplos, kkkkk

outra coisa: eu to louco com um apartamento no edifício JK, não há nd mais inteligente, elegante e charmoso naqueles pqnos apartamentos. Não consigo entender até hj como que os apartamentos tem janela pros dois lados do edifício. Vi um apartamento lá esses dias todo reformado, intercalando elementos da decoração da época de inauguração do edifício com decoração contemporânea, ficou mt lindo. Alguém sb qto é a pechincha? :lol:

Parabéns pela magnífica pesquisa!!!
 

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Não creio no que não vejo
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Essa casa é simplesmente fantástica :drool: Que bom que ela está em pé.



Infelizmente alguns projetos como o complexo JK de BH e a grande maioria dos atuais dele eu nunca gostei :eek:hno:
 

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Pro SP fiant eximia
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Bacanérrimo! :cheers:
 

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The Modernist
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Discussion Starter #18 (Edited)
Duas coisas: nunca entrei no Estadual Central, o que é aquele auditório? Fiquei realmente fascinado, como que 58 anos depois continua sendo tão contemporâneo? Coloca esse projeto aqui com o nome de Gustavo Penna pra vc ver como os "anti-niemeyerianos" morreriam, teriam orgasmos múltiplos, kkkkk

outra coisa: eu to louco com um apartamento no edifício JK, não há nd mais inteligente, elegante e charmoso naqueles pqnos apartamentos. Não consigo entender até hj como que os apartamentos tem janela pros dois lados do edifício. Vi um apartamento lá esses dias todo reformado, intercalando elementos da decoração da época de inauguração do edifício com decoração contemporânea, ficou mt lindo. Alguém sb qto é a pechincha? :lol:

Parabéns pela magnífica pesquisa!!!
O auditório é do próprio colégio, usado para apresentações dos estudantes etc. Ele engana muito no tamanho - é enorme por dentro! Ele estava fechado porem, não consegui entrar.

Nas fotos antigas do colégio é possível perceber que havia tambem um feliz jogo cromático na fachada, que está para ser restaurada:


Aqui da para perceber a presenca de três cores na fachada: branco, azul e vermelho.


Nessa segunda o vermelho já se foi por algum motivo! :lol:

Sobre o JK, o apartamento mais comum é do tipo A, esse com janela dos dois lados. Existe um tipo menor e outros maiores sem essa disposição. Para conseguir a janela dos dois lados foi necessário um meio lance de escadas logo na entrada.



Segundo a moradora que me convidou a conhecer o apartamento há vários disponíveis... porem nao sei informar o preço! :D
 

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Interessantíssimo tópico, para ser lido e admirado com calma.

A disposição cronológica das obras mostrou bem a importância de Belo Horizonte no desenvolvimento da arquitetura do Niemeyer, acho que isso é ainda algo pouco reconhecido pelo público. Pelo próprio Niemeyer, não, ele sempre faz referência ao fato de Brasília ter começado lá. É muito legal ver a importância da igreja da Pampulha no uso do concreto.

Acho as obras de BH e de Brasília a melhor fase do arquiteto. Em BH pela, digamos, 'delicadeza', e Brasília pela monumentalidade.

Agora, da mesma forma que deve ser reconhecida a genialidade dessas obras, deve-se também reconhecer que as obras recentes do Niemeyer apresentam, sim, uma arquitetura medíocre. Toco nesse ponto porque já há alguns comentários neste thread colocando-o como uma 'resposta aos anti-niemeyer' ou uma lição aos admiradores de 'neoclássicos contemporâneos'. Não concordo com essas generalizações. Acho que neste fórum há muitos comentários anti-niemeyer porque em geral comenta-se sobre projetos novos, novas propostas. Não vejo essa rejeição em threads de fotos da Pampulha ou de Brasília.
 
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