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Goiano de Luziânia, Antonio Rocha da Silva é um self made man. Começou sua vida profissional como representante comercial em Brasília. Ampliou seus negócios de representação conquistando grande espaço no mercado de reparação de eletroeletrônicos, sendo um dos fundadores do Sindicato da Indústria de Reparação de Produtos Eletroeletrônicos do DF. Depois de ser presidente do sindicato, aos 52 anos, preside a Federação das Indústrias de Brasília.

Com intensa participação no setor de eletroeletrônicos, Antonio Rocha diversificou suas atividades empresariais, investindo na construção civil e na indústria de turismo, à frente de uma empresa operadora. Presidente da Fibra desde setembro de 2002, levantou duas bandeiras que considera importantes: o fortalecimento da atividade sindical, em primeiro lugar, e o fomento ao cooperativismo em segundo.

Ultimamente, ele está empenhado na execução do Plano Estratégico de Desenvolvimento Industrial do DF, contemplando nada menos que 52 metas, entre as quais a participação do setor industrial no Produto Interno Bruto (PIB) local.

Na entrevista que segue, ele fala que Brasília tem, sim, uma vocação para a industrialização, que poderá absorver grande parte da população de desempregados e defende uma carga tributária menos pesada, sinalizando que o combate a informalidade poderá ser um caminho para que as pessoas físicas e jurídicas paguem menos impostos.

- Brasília foi planejada para ser uma cidade funcional, mas, com o tempo, revelou uma forte vocação para ser, também, uma cidade industrial. Isso não desvirtua sua funcionalidade?

- Trata-se de uma cidade, reconhecidamente, administrativa, com representação política bastante significativa. No entanto, existe uma outra Brasília, que é a do setor produtivo, que já se faz necessária, por causa do seu crescimento populacional, além do previsto, quando a nova capital foi planejada. A industrialização, logo depois de inaugurada Brasília, representava 7% da força econômica. Hoje, ela representa menos, aliás, naquela época representava quase 14% do PIB e a representação industrial 7%. Hoje, representa quase 8%, o que significa que tem um caminho enorme para o crescimento em indústria no Distrito Federal. Nós temos aqui uma limitação territorial e tem vários órgãos reguladores. Brasília é capital, hoje patrimônio da humanidade, e com o crescimento populacional existe a necessidade de crescer, também, industrialmente.

- Em quais setores?

- Fundamentalmente, em setores vinculados à inteligência, como, por exemplo, a tecnologia da informação, a biotecnologia, os semicondutores, que eu acho que possam levar Brasília a se tornar competitiva como, também, na condição de cidade industrial. Já existem setores consolidados, como, por exemplo, a construção civil, com empresas de grande nível. O próprio setor de tecnologia, hoje, com empresas representadas em mais de 20 países. O setor de alimentação é outro exemplo expressivo, responsável por grande parte das exportações do Distrito Federal. Em 2004, começamos com US$14 milhões em exportação, a balança comercial só vai aumentando. Em 2007, o DF exportou US$ 81,5 milhões, e no primeiro trimestre deste ano já contabilizamos US$ 33 milhões. Resumindo: Brasília tem tudo para se consolidar como capital do setor produtivo. Para consolidar essa tendência, lançamos, em 2006, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Industrial (PDI-DF), com 52 metas.

- Isso não poderá levar a uma explosão demográfica maior do que já temos?

- Já está superada aquela expectativa de que Brasília atingirá um determinado número da população. Hoje, nós estamos com mais de dois milhões de habitantes. E temos uma vizinhança que supera quase a população do Distrito Federal, o que desperta a necessidade de se criar, com urgência, mecanismos de acomodação para essa população, até porque, hoje, o equipamento público já não suporta mais. Se nós tínhamos, aqui, no momento, jovens se preparando para concursos públicos, junto aos governos federal e governo local, hoje, as demandas são bem reduzidas. Por isso mesmo, é preciso criar algumas alternativas, porque existe oferta de empregos no Distrito Federal. As alternativas são criadas através do setor produtivo, na área de comércio, indústria e serviço.

- O desemprego continua sendo um dos grandes problemas de Brasília. O senhor acha que a industrialização poderá ser uma solução definitiva?

- Eu não tenho a menor dúvida que a contribuição da indústria será significativa para a redução do nível de desemprego. Mas, faço uma ressalva: não irá contemplar um número que chegue a mais de 16% da população economicamente ativa, podendo, no entanto, melhorar e abrir oportunidades para novas vagas de trabalho. Eu acho que a implantação da Cidade Digital, a do setor noroeste, estimulando essa vocação do Distrito Federal para alguns setores, poderá gerar um significativo número de empregos que, de certa forma, reduzirá as estatísticas de desempregados.

- Qual é o nível de oferta de empregos na indústria de transformação no Distrito Federal?

- Em 2007, por exemplo, foi registrado um crescimento de 5,3% na oferta, em comparação com 2006, significando 2,2 mil novos empregos. Outro resultado positivo que apuramos é que o faturamento das indústrias, também, aumentou 6,04% com relação a 2006. Existem grandes perspectivas para incrementar o setor e as nossas apostas estão concentradas no Parque Tecnológico Capital Digital (PTCD).

- Por que essa aposta?

- O potencial justifica. Tanto que o Grupo de Gestão entregou ao governador José Roberto Arruda um documento demonstrando que somente o parque tecnológico terá a capacidade de gerar 80 mil novos postos de trabalho até 2014.

- E quanto ao fluxo de investimentos estrangeiros?

- A Fibra está coordenando a implantação do projeto Cidade Digital, que é focado nas empresas de alta tecnologia. Recebemos muitas consultas de grandes empresas multinacionais e nacionais, manifestando interesse no setor, mas nós temos a preocupação de estabelecer condições de garantia para esses investimentos. Isso, para que o investidor venha e tenha segurança, além da certeza que haverá continuidade desse projeto. Não é projeto de um governo,mas de muitos governos no futuro, com regras claras e segurança jurídica.

- Como está o fluxo de investimentos estrangeiros no Distrito Federal?

- Os números são cada vez mais estimulantes. No final de março, fui convidado a integrar uma missão comercial na Índia, comandada pelo ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, juntamente com empresários brasilienses, podendo perceber as grandes perspectivas que se abrem no mercado externo.

- Qual é a pauta de exportações do DF?

- A Venezuela, por exemplo, está no topo do ranking dos compradores, logo depois a Arábia Saudita, Portugal, Rússia, Emirados Árabes, África do Sul, Hong Kong, Estados Unidos e Chile. A Índia irá, também, entrar no ranking dos países que compram os produtos que foram produzidos no Distrito Federal. Trata-se de um grande importador de produtos brasileiros, com um fluxo comercial de US$ 3,12 bilhões.

- Por que tantas empresas são registradas e têm vida curta?

- Nós tínhamos uma época aqui que havia incentivo para que, em determinadas empresas, existisse a demissão voluntária. Os demitidos, de certa forma, não foram bem orientados no sentido do que é ser empresário. Ser empresário precisa de entendimento em vários setores, como na questão tributária, na legislação trabalhista de mercado, principalmente, e creio que, talvez, o despreparo do empresário no sentido de entender a sua posição dentro do mercado, tenha sido uma das razões de seu insucesso. Estimulados, muitos empregados foram indenizados e se capitalizaram para montar algum negócio, sem saber o que encontrariam lá na frente. O empresário, hoje, primeiro tem que compreender bem qual é a atividade que irá atuar, precisa fazer uma prospecção de mercado, ter um estudo de viabilidade econômica daquela área que ele quer trabalhar.

- Qual é o melhor caminho?

- É pesquisar se existe mercado para o ramo de atividade a que se propõe. Se existe mercado e existe produto, com certeza o empreendimento terá êxito. Hoje, existe o Sebrae e diversas organizações que podem orientar como é a atividade empresarial, mas o mercado é fundamental.

- Não existiria uma forma de qualificar os empresários?

- O Sebrae promove cursos, orientando a atividade empresarial. Isso, sem dúvida, é extremamente importante, mas o mais importante é que ele faça o investimento naquilo que enxerga no mercado. Porque, muitas vezes, está qualificado para ser empresário, tem todas as noções do que são obrigações e deveres, tem uma visão empreendedora, mas o mercado não está tão favorável. E aí esbarra no problema de não ter o retorno esperado. Eu estou fazendo um produto e qual mercado eu vou atingir? Vou ter comprador? Se tem comprador, com certeza, o restante ele pode se qualificar por meio do Sebrae, e cursos preparatórios diversos de organizações empresariais.

- Por que o brasileiro, pessoa física ou jurídica, paga tantos impostos?

- A carga tributária no Brasil é pesada porque temos um custo caro, além disso há quem pague seus impostos, mas, também há, quem fica na informalidade. Se todos pagassem, provavelmente a carga tributária seria menor. Existe, também, uma contrapartida na estrutura governamental que precisa ser leve, menos onerosa, para que possa investir mais na infra-estrutura, educação e saúde do que no custo administrativo, que é simplesmente altíssimo. Além disso, a tributação no Brasil é muito complicada, dificultando o entendimento, o que faz aumentar ainda mais a sonegação. Uma simplificação tributária permitiria que uma grande parte contribuisse de forma mais positiva e que o imposto passasse a ser mais barato, dando a condição a todos comparecerem aos guichês de arrecadação. Com a carga menor, tributo menor, alíquota menor, haveria uma participação maior do setor empresarial e do próprio contribuinte.

- Já estão falando na volta da CPMF...

- A CPMF já passou. Me parece que os números mostram que a CPMF não fez tanta diferença no caixa do governo. O que nós temos que manter é uma carga tributária que dê para financiar bem o país e que não seja crescente. É necessário permitir que as empresas cresçam, que o emprego aumente e, também, a arrecadação, reduzindo o peso da carga tributária. Isso faz mais sentido que ressuscitar a CPMF.

- O que a gente percebe é que o governo nunca quer perder receita...

- É claro que perder R$ 42 bilhões deve provocar um grande impacto, mas não creio que o mecanismo de arrecadação seja o caminho mais correto.

- O senhor está pessimista?

- Juscelino Kubitschek costumava afirmar que o otimista pode errar, mas o pessimista já começa errando. Eu prefiro ser otimista, mas com os pés fincados no chão, porque o Brasil é um país que tem uma economia muito mais forte do que os índices têm registrado. Já superou muitas dificuldades e está caminhando para se tornar uma das grandes potências mundiais, muito mais cedo do que se imagina.

- Voltando a carga tributária: o que se constata é que a arrecadação aumentou, e muito, depois da CPMF...

- O governo, mesmo, admite que a CPMF não afetou tanto os seus programas. Por quê? Porque teve uma superação de arrecadação. E por que teve isso? Porque o Brasil cresceu, com o crescimento do Brasil, cresceram também as empresas, aumentou a oferta de emprego e do salário, passando a arrecadar mais. Na medida em que se desonera o contribuinte e a empresa, crescem as empresas, a massa salarial, além do volume de arrecadação.

- A política de industrialização que o presidente Lula anunciou, há poucos dias, satisfaz a expectativa do setor?

- Há 30 anos, não havia nenhuma iniciativa em política industrial, e agora, muitas das medidas foram pré-moldadas pelas organizações empresariais, principalmente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI). A redução da taxa de juros, a questão da infra-estrutura necessária para o crescimento, a criação do prazo de recolhimento de alguns encargos, a compensação de outros encargos já eram reivindicações do empresariado. Incentivar a exportação da área de tecnologia, eu vejo, também, como uma alavanca para o desenvolvimento.

- Por quê?

- Porque vai assegurar a sustentabilidade do atual ciclo de expansão da indústria brasileira, com destaque especial para três desafios, que são a ampliação da capacidade de oferta, preservação do balanço de pagamento, elevação da capacidade de inovação...

- Quais as metas imediatas que o senhor destacaria?

- Aquelas previstas para 2010: aumento da taxa de investimento e ampliação da participação das exportações brasileiras no cenário mundial.

- Por que se fala tanto em reforma tributária e ela nunca sai. Falta vontade política para isso?

- Não falta vontade política, a gente vê, porque o próprio governo encaminhou para a Câmara e para o Senado a proposta de reforma tributária. Existe, sim, uma determinação do presidente Lula em viabilizar uma reforma tributária, mas é necessário que essa determinação seja ampliada para os deputados, senadores e governadores, inclusive os empresários, que tanto reinvidicam essa reforma. Todos devem se unir para viabilizar uma reforma adequada e que não seja mais uma reforma para aumentar impostos. É preciso uma reforma que dê condições de preservarr a carga tributária necessária para o financiamento do país, mas, ao mesmo tempo, que seja simples com o cidadão e ampla para que todos possam participar.

- Dá para aguentar essa sobrecarga de impostos?

- Não, a carga tributária do Brasil é a maior do mundo. Quando se fala em aumento de carga tributária é praticamente levar vários setores à informalidade porque ninguém suporta mais. O importante é viabilizar uma reforma que simplifique, e não que complique mais, acabando com a informalidade. Hoje, a carga tributária em cima do salário é extremamente alta, como também sobrecarrega as empresas. O governo precisa reduzir essa carga de uma forma que permita o financiamento e ao mesmo tempo proporcione que o cidadão tenha fôlego nos seus gastos pessoais e nos seus investimentos.

- Uma das maiores taxas tributárias do mundo, como também as mais altas taxas de juros. Vale a pena pensar ser empresário no Brasil?

- Realmente, é difícil ser empresário no Brasil, mas a gente se anima com algumas iniciativas que estão sendo feitas, o que nos leva a acreditar no país, em seu potencial de crescimento, a gente acredita no país, acredita no crescimento. O que falta é simplificar mais, não complicar mais. Também, as ações de investimentos de grandes grupos econômicos que ingressam no mercado para que fortaleçam a cadeia produtiva, proporcionando competitividade, tanto para atender o mercado interno como o mercado externo.

- Faltaria arrojo na atividade empresarial?

- É fácil constatar isso quando viajamos para o exterior. Por exemplo, a Índia, hoje, foca muitas atrações de investimentos, a China fez a mesma coisa. A China, há 14 anos, promoveu um programa de atração de investimentos, em que grandes empresas do mundo inteiro estão indo para lá porque se tornaram sócios. A Índia está no mesmo caminho. O Brasil precisa caminhar da mesma forma, atraindo investimentos, capital. Isso permitirá o crescimento das empresas, novos postos de trabalho, enfim, o crescimento econômico e social do país.

- Para isso é preciso estabilidade política e econômica?

- Nós temos estabilidade política e econômica. O que precisa, hoje, na verdade, é que o investidor sinta segurança, que as regras sejam claras, simples. Que o Brasil crie a competitividade, porque o mundo está completamente competitivo e o país precisa criar situação de competitividade. O Brasil tem condições adequadas de fazer isso porque, além da competitividade tem estabilidade política, a língua brasileira é uma única língua, não temos grandes transtornos climáticos, situações de terrorismo.

- Por Brasília ser uma cidade planejada, moderna, a digitalização é o grande negócio para a indústria da cidade?

- Cada estado tem uma vocação. Como Brasília está um pouco longe da questão da matéria-prima de recursos naturais, o perfil adequado para Brasília está nos setores de tecnologia da informação, esses setores da inteligência, da indústria limpa, dos semicondutores, além de setores já consolidados aqui no Distrito Federal como a construção civil, o setor de alimentação, vestuário, eletromecânica, que é bastante competitivo, também o setor de grão, que tem agregado valor a essa produção.

- E quanto ao crédito - A indústria está satisfeita com o crédito que é oferecido?

- Créditos existem muitos. A questão do crédito são as garantias. E, às vezes, as pequenas e médias empresas têm dificuldade de acessar o crédito porque não têm a garantia suficiente para dar em troca do dinheiro que ela precisa para investimento. Deveriam existir outros mecanismos que facilitassem essas empresas a acessarem os créditos. A questão dos juros, as taxas são altas, comparadas com outros países.

- Com relação a governos anteriores, qual o paralelo que o senhor vê, de antes e de hoje?

- O Brasil pegou o seu ritmo com o governo do Fernando Henrique, que promoveu alguns acertos no país, e o presidente Lula foi melhorando essa estabilidade que o país conquistou. Foi importante a criação do real, também o equilíbrio da inflação, também a opção do presidente Lula ter voltado com a política de crescimento econômico. As viagens, os contatos, a manutenção da política econômica foi importante, e isso está permitindo que o Brasil esteja tendo os melhores índices. Está dando certo, a continuidade é uma política que não pode ser mudada.

- E com relação ao governo local, do Distrito Federal, como está o governador José Roberto Arruda?

- O governador José Roberto Arruda está sendo um exemplo para o país. Eu acho que ele é um exemplo de governo, na medida em que estabelece o modelo de redução do custo da máquina pública. O que permitiu a ele ter mais recursos para investir em infra-estrutura. A multiplicação de escolas, hospitais e estradas tem uma fórmula simples, objetiva e acho que todos os estados deveriam adotar esse modelo administrativo do governador Arruda. Aliás, acho que o país inteiro deveria adotar, o que seria um custo para o país, de certa forma, pequeno, com recursos para investimento. Ele dá o exemplo de administração. No segundo ponto, ele estabelece uma parceria muito positiva com o setor produtivo, permitindo que a empresa venha a crescer, participar, proporcionando atração de investimentos aqui para o Distrito Federal. Isso, de certa forma, vai desonerar a demanda de emprego público no GDF. É a política, uma das melhores do país.

Fonte: http://www.brasiliaemdia.com.br/2008/5/22/Pagina4548.htm
 

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Bom, bastante otimista as ponderações do Senhor...... espero que pelo menos uma parte delas se concretizem! Brasília precisa se desenvolver, industrialmente falando! ;)
 

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Discussion Starter · #3 ·
^^ Sale, o Parque Tecnologico Capital Digital foi idealizado por ele.
 

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Esse Parque Digital a gente nem vê mais falar! :bash:
 

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Discussion Starter · #5 ·
^^ Uai é o tal do IBAMA DF, agora se o Minc realmente passar a gestão para o DF, digo o Ibran, com certeza todos os licenciamentos vão ser mais agéis.
 
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