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Em contraponto ao problema do uso de lenha nativa para a queima de cerâmicas, pequenas indústrias do município de São Miguel do Guamá, no nordeste do Pará, um dos principais pólos de produção de tijolos e telhas do Estado, encontraram uma opção sustentável a partir de um alimento típico: o açaí. Os fornos dessas indústrias são alimentados com caroço de açaí, dono de um bom poder calorífico e que é abundante na região

Em continuidade a seu programa Carbono Neutro, a Natura, líder no setor de cosméticos e produtos de higiene e de perfumaria no Brasil, lançou em novembro do ano passado edital público para a escolha de projetos que está financiando ao longo deste ano e que vão propiciar a compensação das suas emissões de GEEs (gases que provocam o efeito estufa) referentes a 2007. E entre esses projetos está o de uso de biomassa renovável em indústrias cerâmicas.

Esse projeto é desenvolvido em parceria com a Ecológica Assessoria, uma empresa ligada ao Instituto Ecológica, com foco em consultoria de projetos na área de mudanças climáticas e créditos de carbono. O projeto envolve duas indústrias cerâmicas em São Miguel do Guamá e outras duas em Cristalância e Paraíso do Tocantins, no Tocantins.

Muitas cerâmicas têm como combustível a energia térmica vinda da queima da lenha nativa, para a cocção dos tijolos e telhas. A madeira de florestas nativas não é considerada uma biomassa renovável. Isso porque, como não há reposição florestal, todo o CO2 (dióxido de carbono) capturado durante o seu crescimento volta à atmosfera no momento da queima. Além disso, o desmatamento é a principal fonte de GEEs no Brasil.

Para a efetiva utilização do caroço de açaí foram necessários investimentos em equipamentos de automação e adaptação. Como o açaí está disponível somente no período de safra, entre os meses de julho e dezembro, um segundo combustível utilizado é a serragem, adquirida de madeireiras devidamente legalizadas. Além da prática inovadora, os ceramistas observaram outras vantagens: a queima das fontes alternativas gera menos resíduo e, além disso, há uma melhoria nas condições de trabalho dos empregados.

Parceria

A parceria da Natura envolve sistemas agroflorestais, programas de reflorestamento e de energia limpa e renovável. Entre os parceiros estão o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), a Ecológica Assessoria e o Instituto Ecológica, instituições que já mantêm um relacionamento histórico com a empresa. Além deles, foram selecionados os trabalhos da AMC Têxtil e das Cooperativas de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH). No total são cinco projetos. Os relacionados a sistemas agroflorestais e de reflorestamento compensarão 54% das emissões de GEEs. Já as ações de energia renovável serão responsáveis por 46%.

Os pontos mais importantes do processo de seleção foram o perfil socioambiental, os itens de melhoria e o potencial inovador dos projetos. Para a construção dessa análise, a empresa se baseou em pesquisas e em ferramentas avançadas utilizadas em todo o mundo, adaptadas às suas necessidades e estratégias.

A compensação das emissões representa uma das frentes do Programa Carbono Neutro. Seu principal diferencial é o compromisso da empresa com a redução das suas emissões relativas em 33% até 2011. Apenas o que não é possível reduzir está sendo compensado por meio desses projetos.

Toda a cadeia de produção está incluída tanto na redução como na compensação, desde as emissões provenientes das atividades de extração de matérias-primas até as geradas pela disposição final dos produtos no meio ambiente.

No total, a empresa vai compensar ao longo deste ano 224 mil toneladas de CO2 equivalentes (outra medida que expressa GEEs) referentes a 2007, 22% a mais do que o total das suas emissões no período, que foi de 183,6 mil toneladas de CO2 equivalentes.

Fonte: Pará Negócios
 
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