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Discussion Starter · #4 · (Edited)
Aqui ficam mais alguns video!

Videos sobre a cidade:
http://www.youtube.com/watch?v=KQ52AsO4BEQ&NR=1
http://www.youtube.com/watch?v=4oUvICQkFbI&feature=related


Braga a cidade que não aparece nas noticias... senão vejamos... lembram-se da luta dos professores... em Braga estiveram mais de 4000 professores na rua, mas a noticia praticamente não passou nos telejornais nacionais (apenas uma ou outra breve referencia, sem a presença de uma equipa de reportagem mínima...), quando uma manif. de 500 professores era noticia de abertura desde que fosse no centro ou no sul, até quando... (O Minho podia perfeitamente ter um canal próprio... 1M de habitantes...)
Alguns dos videos feitos pelos participantes:
http://www.youtube.com/watch?v=5oX1K4SuQ-Q&feature=related (pequeno com pouca qualidade mas dá para ter uma noção da quantidade de professores envolvidos)
http://www.youtube.com/watch?v=B41Hs-1vw5Y&feature=related
Penso que esta foi a melhor reportagem sobre a manifestação de Braga:
http://www.youtube.com/watch?v=5dfTTktccTk&feature=related

Iluminação Natal 2007
http://www.youtube.com/watch?v=j_sklzBhUyI&feature=related
 

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BRAGA - Vídeos

Thread destinado a vídeos bracarenses :bowtie::popcorn:

E como estamos em Braga, vamos ao Theatro Circo...


... assentem-se confortavelmente...



... e ACÇÃO:
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Seguem-se dois vídeos com imagens do século XX, excepto anos 80 e 90. Ou seja, a Braga antes de ser governada por gente diminuta. :bash:


O eléctrico em Braga.
 

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Se repararem, em Braga os eléctrico foram extintos em 1963. Mas deixaram de circular já em 1961. Portanto os vídeos do eléctrico são anteriores a 1961. E se repararam, os vídeos já são a cores. Se a RTP na altura só tinha câmaras a preto e branco... quem filmou devia ser cheio da massa. Não era qualquer um que nos anos 50 comprava uma máquina de filmar a cores!:shocked: Pelo menos para um português.
 

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Bolas, também queria ver...
 

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Belíssimo trabalho! :applause:

É óptimo recuar no tempo e perceber a evolução da cidade; reconhecer os edifícios que resistiram à fúria do betão.

Chegou a haver ligação ferroviária entre Braga e Bom Jesus?
Em Braga com a chegada do comboio foi criada uma linha de carro americano (linha 1) entre a estação e o Bom Jesus (mesmo ao lado da igreja). No entanto nos dias com mais tráfego, ou piso enlameado, desde o pórtico do Bom Jesus até ao Santuário era adicionada uma junta de bois para ajudar os cavalitos. Mas nem sempre solucionava.
Foi então que o abastado Joaquim Gomes decidiu construir o actual elevador do Bom Jesus, buscando o melhor do mundo para resolver aquele problema. A linha 1 passou a ir apenas até ao pórtico.
Depois, com o galopante aumento peregrinos ao santuário, foi necessário fortalecer a ligação estação - pórtico. E foi ai introduzido uma mini locomotiva a vapor, sobre os carris do carro americano, com carruagens para satisfazer as necessidades da linha 1. Mais tarde, já no século XX é que foi substituído pelo eléctrico. :)
 

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Em Braga com a chegada do comboio foi criada uma linha de carro americano (linha 1) entre a estação e o Bom Jesus (mesmo ao lado da igreja). No entanto nos dias com mais tráfego, ou piso enlameado, desde o pórtico do Bom Jesus até ao Santuário era adicionada uma junta de bois para ajudar os cavalitos. Mas nem sempre solucionava.
Foi então que o abastado Joaquim Gomes decidiu construir o actual elevador do Bom Jesus, buscando o melhor do mundo para resolver aquele problema. A linha 1 passou a ir apenas até ao pórtico.
Depois, com o galopante aumento peregrinos ao santuário, foi necessário fortalecer a ligação estação - pórtico. E foi ai introduzido uma mini locomotiva a vapor, sobre os carris do carro americano, com carruagens para satisfazer as necessidades da linha 1. Mais tarde, já no século XX é que foi substituído pelo eléctrico. :)
Obrigado! :eek:kay:
 

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Sebastião Alba



O poeta que viveu na rua

Teresa Lima
Publico

Não ter medo de ir até ao limite do ser? Ou antes, não ser capaz de resistir ao abismo? Escolher uma liberdade total? Ou desistir de lutar por uma vida de afectos?... Perguntas que não poderão ter respostas objectivas. Sebastião Alba é poeta e morreu atropelado. Viveu quase vinte anos nas ruas de Braga. Porque quis? Ou porque a vida não lhe deu outra opção?

Depois de ter tomado um copo no bar da CP, em Braga, encaminhou-se para a linha, onde o comboio aguardava vez para arrancar. Eram talvez sete da manhã. Tocou no braço do amigo antes de este entrar na máquina e arranjou-lhe o nó da gravata. Já o podia deixar partir. Ele por ali ficou, com as roupas desalinhadas e o rosto de mendigo.
Sebastião Alba, o pseudómino de Dinis Carneiro Gonçalves, foi uma das últimas vítimas conhecidas de atropelamento em Braga. Morreu há oito dias, segundo versão oficial, na rodovia, junto à Bracalândia. Ironia do destino, costumava dizer que morreria de muita coisa, mas nunca atropelado. A vida acabou na sequência de um embate com "um selvagem motorizado" (assim apelidava os condutores), que se pôs em fuga. Sebastião Alba é (porque estes não morrem) poeta, e foi um sem-abrigo por opção. "Fui/ hóspede desta mansão/ na encruzilhada/ dos meus sentidos", escreveu num dos seus poemas, um dos que lhe valeram o prémio literário ITF. O dinheiro do prémio teve o mesmo destino que os direitos de autor pelos livros editados: as duas filhas. Há quase vinte anos que vivia nas ruas de Braga e fazia-o com a perfeita consciência de quem assume uma ruptura total com o mundo.
Para muitos, Sebastião Alba não era mais do que o mendigo que se metia com as pessoas na paragem do autocarro. Algumas desconfiavam de tanta marginalidade, mas outras foram aprendendo a conhecê-lo e a dar-lhe uns "bons dias" casuais. "É esta a imagem que tenho dele: na paragem do autocarro", conta Henrique Barreto Nunes, director da Biblioteca Pública de Braga. "Parecia ser um homem de uma profunda amargura com a vida, mas que se encantava com a música, as crianças, a beleza de uma mulher".
"É um poeta da alma, no sentido em que a vida e a poesia lutam entre si", pormenoriza o actor António Fonseca, que ocasionalmente se cruzou com Alba na rua. Também Fonseca sublinha esse encanto "adolescente", que persistia em Sebastião Alba, apesar do voltar de costas a uma vida dita normal. Andava sempre acompanhado de uma garrafa, uma harmónica e um rádio "sintonizado na Antena 2", lembra José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), que acompanhou muito de perto os últimos anos do poeta.
O mais surpreendente em Sebastião Alba talvez seja isto mesmo. Rompeu com o mundo, mas continuou a acompanhar as notícias. Ocupava o pensamento com "compassos inteiros de música e trechos do Zaratrusta", recorda Mendes. O Super-Homem de Nietszche terá vencido em Alba? Poder-se-á ser livre, totalmente livre, sem amarras? "O Alba é alguém que andava liberto de quaisquer teias, ainda que levasse uma existência que não era de felicidade", considera o presidente da APE. "Era livre porque não se sentia condicionado por nenhum mecanismo moral", assume Barreto Nunes. "A maior parte das pessoas foge a ser assim e refugia-se noutras coisas", completa António Fonseca.
Sebastião Alba era o poeta marginal total. Em 1996, escrevinhou ao seu amigo e também poeta Vergílio Alberto Vieira: "Fui longe de mais dentro de mim". Talvez seja esta a frase que melhor sintetiza a sua vida. "Ele tinha a consciência de que o facto de ter enveredado pelo alcoolismo, de viver só e no submundo, era ir longe de mais", admite Vieira. "Nesta escolha, há uma imensa carga de contradição, de que ele era mais vítima do que sujeito". Guarda fielmente um emaranhado de papéis, "escritos sei lá em que condições", do seu amigo. Estas folhas eram deixadas repetidamente por Alba na sua caixa do correio. Muitas dessas palavras poderão, um dia, ser ordenadas em páginas limpas e desenrugadas. É esta, pelo menos, a esperança do poeta bracarense. Aguarda-se que as instituições se interessem genuinamente por uma obra desconhecida. Enquanto tal não acontece, a editora Campo das Letras, do Porto, promete editar uma antologia da obra de Sebastião Alba, que escrevia "com uma lucidez de cortar à faca", resume Vergílio Alberto Vieira.

Este filme foi realizado como forma de homenagem ao poeta Sebastião Alba através de um poema de Antonin Artaud intitulado "A Busca da Fecalidade" No filme surgem também poemas de Alba e do próprio realizador Ricardo Leite. O filme foi inteiramente rodado na cidade de Braga, onde o poeta viveu os seus últimos anos de vida. A cruz evocada, a cruz da fecalidade, da decadência, da provocação, é como que um espelho simbólico, Alba, Artaud e o realizador, comungando a poesia das palavras e imagens. Entrecruzam-se assim a essência, o corpo, a merda, parentes num jogo poético, cruel e trágico. Sebastião Alba nasce em Braga a 11 de Março de 1940. Passa a infância em Torre de Dona Chama. Aos 9 anos embarca para Moçambique. Aos 13 anos começa a ler variados clássicos, algo a que o seu pai o incentivava, depois continua a ler por iniciativa própria. Aos 21 anos é arregimentado no contingente geral, em Boane, a cerca de 20 quilómetros de Lourenço Marques, de onde deserta, vindo a ser detido e acusado injustamente por "extravio de objectos militares". Em 1965 com 26 anos, publica o seu primeiro livro em Quelimane intitulado "Poesias". Trabalha como jornalista e angariador de publicidade e conhece o interior mais recôndito de Moçambique. Em 1969 casa com Felisbela e com ela tem duas filhas, Sónia e Neide. Em 1974 morre um dos seus irmãos que lhe era muito próximo num acidente de viação. Nesse mesmo ano é publicado "O Ritmo do Presságio" na Livraria Académica de Lourenço Marques. Lecciona Economia Política e outras matérias num curso de formação da FRELIMO. Em 1978 publica "A Noite dividida". Em 1983 abandona Moçambique e passa a viver em Braga com a mulher e as filhas. A partir daí começa a "abandonar-se", vive em quartos de aluguer, começa a beber e não consegue arranjar emprego fixo. Em 1993 divorcia-se, vai cada entregando-se cada vez mais à errância. Nos anos seguintes começa a fazer-se notado e procurado por algumas pessoas, alguns para lhe falar, outros para o entrevistar. Uma dessas pessoas é Francisco Weyl e Célia Gomes, cineasta e fotógrafa, ambos brasileiros, captam imagens raras do poeta em vida. Alba torna-se então uma referência literária e pessoal para a juventude bracarense. Dorme em abrigos e à porta das igrejas, deambulando, bebendo e escrevendo. A 14 de Outubro de 2000 morre atropelado, o autor do atropelamento foge, alba deixa um bilhete dirigido ao irmão: «Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo, e alguns papéis que a polícia não entenderá.»
CinemaPobre
 

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Se repararem, em Braga os eléctrico foram extintos em 1963. Mas deixaram de circular já em 1961. Portanto os vídeos do eléctrico são anteriores a 1961. E se repararam, os vídeos já são a cores. Se a RTP na altura só tinha câmaras a preto e branco... quem filmou devia ser cheio da massa. Não era qualquer um que nos anos 50 comprava uma máquina de filmar a cores!:shocked: Pelo menos para um português.
As imagens do video dos eléctricos foram gravadas por turistas estrangeiros.
 
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