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http://www.vidigalo.com/

http://vejario.abril.com.br/edicao-da-semana/mapa-morro-vidigal-687151.shtml

Por dentro da favela

Designer alemão recém-chegado ao Vidigal traça um detalhado mapa da área

por Lula Branco Martins | 06 de Junho de 2012




André Koller: quatro meses de trabalho para reunir cerca de 200 endereços

Na semana que vem, por quatro dias seguidos, um pequeno bimotor poderá ser visto cruzando os céus da cidade, para lá e para cá, como se não tivesse destino certo. Seus voos devem acontecer por volta das 11h, num vaivém entre a Baía de Guanabara e a Zona Oeste, dentro da faixa que vai dos contornos do litoral até o Maciço de Gericinó. Voando a 1 quilômetro do solo, o aviãozinho estará cumprindo importante missão: tirar cerca de 1 200 fotos do Rio de Janeiro, pedaço por pedaço da cidade, para renovar a base de dados do mapa oficial do município - tarefa que cabe ao Instituto Pereira Passos (IPP), braço de urbanismo e cartografia da prefeitura. Juntar o quebra-cabeça formado pelas fotografias é um trabalho dificílimo, principalmente no que diz respeito às favelas, com seus inúmeros becos, e casas que não param de subir. E há, historicamente, mais um entrave ao mapeamento dessas áreas: a ação dos traficantes de drogas, que muitas vezes impedem o trabalho in loco de agentes, recenseadores e geógrafos. Mas há indícios de que esse quadro está mudando. O caso do Morro do Vidigal, na Zona Sul, é exemplar.


Lá, em janeiro, foi instalada uma Unidade de Polícia Pacificadora. "Agora podemos preencher esse buraco", festeja o arquiteto Adriano Alem, do IPP, apontando o vazio de informações cartográficas (quase metade da favela) no mapa do Vidigal que mantém em seu computador. Se o poder público tem planos de, até dezembro, finalizar a "planta baixa" de uma área antes impenetrável, a ação voluntária das pessoas que ali residem veio de forma mais rápida. Há três semanas começou a circular pelos bairros próximos um fôlder detalhando a região, rua por rua, birosca por birosca. O curioso é que foi um cidadão nascido na longínqua Wolfsburg, que mora no morro há apenas dois anos, o idealizador do projeto. Chama-se André Koller, mas já ganhou a alcunha de "Alemão do Vidigal". Formado em design, fascinado por geografia, ele tem 38 anos, sotaque carregado e uma certeza: "Sempre quis fazer um mapa daqui, mas só tive coragem depois que veio a pacificação". Foram quatro meses percorrendo ruas e vielas, de lápis e papel na mão, anotando o que via.

Ao fim, conseguiu reunir mais de 200 endereços. Alguns podem ser considerados pontos de interesse turístico, outros não passam de comércio local - mas sempre "honestos", como frisa o alemão. Tem de tudo: creches, chaveiros, brechós, oficinas, bares, restaurantes, academias, salões de beleza, rodas de samba, motéis, ateliês, lan houses, barbeiros, pet shops, açougues, sorveterias e lojas de açaí (confira o mapa completo em vejario.com.br). Há alguns pontos que, em época pré-UPP, não poderiam fazer parte do roteiro, a exemplo da trilha do Bico da Pedra, que vinha sendo usada como rota de fuga de criminosos, no topo da montanha.

Confira as dicas do alemão habitante do Vidigal



Em sua apuração de formiguinha, Koller teve de, primeiro, conquistar a confiança dos moradores. Para isso se valeu de sua simpatia natural (gosta de conversar sobre samba, surfe, futebol) e contou com a ajuda de jovens da favela, que iam lhe abrindo caminhos. Não faltaram, porém, situações difíceis. Algumas lojas não têm endereço certo - muitas ruas simplesmente não possuem numeração - e há estabelecimentos sem letreiro, sem nome e às vezes sem janelas. Nesses casos o alemão geralmente fazia assim: "Senhor, esse bar é seu?", perguntava. Se vinha resposta positiva, logo anotava o nome do dono. E é por isso que seu mapa é cheio de bares "do Duarte", "da Cida", "do Salomão", sintoma de uma economia informal, mas pulsante, responsável pela relativa autossuficiência das 16 000 pessoas que moram ali.


Foram justamente esses pequenos estabelecimentos que ajudaram a bancar a tiragem inicial da publicação, de 4 000 exemplares. Koller, que não ganhou um tostão na empreitada mas vai aos poucos virando celebridade local, tentou desde o início patrocínio público e de empresas privadas, de fora da favela. Não conseguiu. Na semana passada, porém, veio uma notícia boa: ele fechou uma parceria com a organização da conferência Rio+20 para que seus mapas sejam utilizados durante a visita que delegações oficiais farão ao Vidigal, no próximo dia 18. Alguns deles serão impressos em tamanho gigante e expostos em placas, pelas ruas, para orientar as autoridades do evento e o público em geral. O designer, é claro, está orgulhoso do resultado de seu trabalho: "Não fiz um levantamento tecnicamente perfeito, o mapa pode não ter escalas exatas, mas acredito que, com ele, estou ajudando a dar mais reconhecimento e identidade aos moradores".
 

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Rafael Soares
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Bela iniciativa a do alemão. Se não tem jeito como acabar com favela, vamos melhorá-la ao máximo possível.
 

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carioca
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Caramba que emoção em ler essa notícia. Gente o Rio está evoluindo muito mesmo, a 2 anos atrás seria impossível alguem fazer um trabalho desse. Hoje em dia, as favelas (e principalmente o Vidigal e a Rocinha) estão virando rápidamente bairrros dignos com todo o tipo de serviço e cobertura total do estado. O Vidigal está aproveitando muito bem a sua vocação turistica-cultural, enquanto a Rocinha está virando um imenso polo comercial, graças a sua população. Não sei se vocês sabem, mas nesse ano já abriram na Rocinha uma Ricardo Eletro enorme, e as Casas Bahia compraram a área do antigo "shopping" da Rocinha pra construir uma mega store lá. Isso sem citar que lá no meio da "favela" já tem Bob's, Itaú, Bradesco, BB, Caixa, todas as redes de farmácias, varios mercados 24hrs...

Não existe essa idéia de que "já que não dá pra demolir..". A solução é urbanizar mesmo. O crescimento da cidade para os morros é foi uma evolução organica e natural, é o caminho mesmo. Só resta agora dotar essas áreas com infra-estrutura e pronto, teremos todo um tecido urbano igual e desenvolvido.

Milhares de cidades no mundo inteiro possuem um relevo pior que o Rio, com varios bairros em montanhas e morros (São Francisco e Lisboa, por exemplo). Isso de que a cidade tem que ser plana é utopia.
 

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carioca
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^^ E outra, falo do Vidigal com carinho pois tenho amigos que moram lá e sempre frequentei o morro, mesmo antes da pacificação. Depois da UPP, a diferença ficou ABSURDA, o bairro recebe várias festas (principalmente de Soul, Jazz, bailes Funk) que atraem gente da Zona Sul inteira. Várias pizzarias, barzinhos... A oferta cultural-gastronomica lá é bem mais dinâmica do que a de Sta. Tereza, por exemplo.
 

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Discussion Starter · #8 ·
^^

A "gentrificação" das favelas perto da orla da ZS ...nada serà mais igual...

Nao me admiraria se daqui a 50 anos (...ou 15...) Vidigal se tornasse o bairro mais cobiçado do Rio de Janeiro

http://pt.wikipedia.org/wiki/Gentrificação
 

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Elegance and filth
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Bizarro. :eek:hno:

O mais insólito disso tudo é ainda ler no mapa desse guia os dizeres "Preserve a natureza". Justamente em um guia informativo de uma região que é área de preservação ambiental INVADIDA e DESMATADA.

Até que ponto vai a hipocrisia do discurso politicamente correto?
 

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Nascido na Guanabara
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Não existe essa idéia de que "já que não dá pra demolir..". A solução é urbanizar mesmo. O crescimento da cidade para os morros é foi uma evolução organica e natural, é o caminho mesmo. Só resta agora dotar essas áreas com infra-estrutura e pronto, teremos todo um tecido urbano igual e desenvolvido.

Milhares de cidades no mundo inteiro possuem um relevo pior que o Rio, com varios bairros em montanhas e morros (São Francisco e Lisboa, por exemplo). Isso de que a cidade tem que ser plana é utopia.
Ratifico o que escrevi. Sou completamente contra favelas.
 

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to gulag!
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Bela iniciativa a do alemão. Se não tem jeito como acabar com favela, vamos melhorá-la ao máximo possível.
Vai melhorar o dia que transformarem aquilo em um bairro, demolirem todas as malditas casinhas de tijolo horriveis, policiarem fortemente aquilo, colocarem esgoto, energia eletrica, etc... e o mais importante, começarem a cobrar o IPTU e as contas em dia impedindo 'gato-tudo' e expulsando os invasores que não conseguirem pagar por uma terreno lá já que é zona sul ainda.
 

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Minha namorada alemã está vindo passar 1 mês no RJ e quer pq quer conhecer de perto uma favela (coisa de gringo). Devo levar ela no Vidigal ou Dona Marta? Já ouvi falar de bons bares e restaurantes no Dona Marta, mas este mapa aí me deixou com dúvidas....
 

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carioca
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^^ Nossa, Vidigal SEM SOMBRA DE DÚVIDA! Alem de que as mina pira no Mirante do Vidigal, uma das vistas mais bonitas da cidade!
 

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Preconceito é tão demodè!

Permitam esclarecer algumas coisas. Possuo um blog tem Turismo, Memória e Cultura do Vidigal, o www.vidiga.wordpress.com . Se ele existe, é porque há muito o que abordar e o mapa do Vidigalo (escritório do André Koller) é algo pioneiro para o Vidigal. Todos os dias, dezenas de pessoas sobem para conhecer o morro, em um tour que se diferencia, e muito, do tradicional "favela tour" que vemos em lugares como a Rocinha.

Em sua maioria são gringos, encantados com a vida pacata (desde MUITO antes da UPP), a intensa programação cultural e a vista deslumbrante.

O Vidigal tem, em sua história, uma herança cultural que fez com que as pessoas lutassem para continuar onde estão, com apoio de gente como os advogados Bento Rubião e Sobral Pinto, e personalidades que vão de Sergio Ricardo, passando por Oscar Niemeyer e o PAPA João Paulo II.

Para os que ainda sonham com uma remoção, a notícia é péssima: desde 1978, quando os moradores ganharam, com a ajuda dos citados acima, o direito de permanecerem no Vidigal, a área foi declarada de interesse social e as pessoas não podem ser mais removidas.

Desde antes da pacificação, festas como a Lamparina e as do Alto Vidigal são notícia e capa dos jornais. Esse preconceito é descabido e demodè.

Hoje o Vidigal dorme e acorda turismo e desenvolvimento. Quem ainda desconhece este fato, deveria dar uma subidinha para ver.

Sobre a preservação. Sim, as áreas verdes foram tomadas, mas há quem se dedique a reflorestar, como o pessoal do Sitiê, que transformou um lixão em um jardim com lindo paisagismo.

Também não podem se esquecer que ali está a entrada para a trilha do Morro 2 Irmãos, ainda pouco explorada, mas que tende a ser um dos diamantes do Rio de Janeiro.
 

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to gulag!
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"com apoio de gente como os advogados Bento Rubião e Sobral Pinto, e personalidades que vão de Sergio Ricardo, passando por Oscar Niemeyer e o PAPA João Paulo II."
Otimo mais pessoas para a lista de eu odiar eternamente.

É engraçado esses gringos quererem vir na favela e o povo defender a existencia delas por causa dos gringos visitarem, pro inferno os gringos, eles não moram do lado de uma. Queria ver esse amor morando no lado de um favelão horrivel desses.
 

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carioca
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Gente, agora que eu vi que no título do thread está escrito "Vidigalo", e não Vidigal. Moderadores, por favor!
 
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